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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Por que o Pará cantou o Hino Nacional Brasileiro?


Walter Falceta

Antes da partida contra a Argentina (Super Clássico das Américas), nesta quarta-feira, a torcida paraense deu show de civilidade no lotado Estádio Mangueirão.

Cessou a amostra instrumental do Hino Nacional, mas o povo resolveu seguir até o fim da primeira parte da composição, à capela.

As imagens de TV mostram o povo feliz com a saudável molecagem, orgulhoso, muitos com as mãos sobre o peito.

São crianças, jovens, idosos, gente negra, branca, índios, representantes da comunidade nipônica e, certamente, a linda mistura de tudo isso.

O craque Neymar, ele próprio tão espetacularmente miscigenado, comove-se com a cantoria, marcada na percussão das palmas sincronizadas. Comoção bem comovida.

Talvez, mais do que a festa, seja conveniente tomar esse espetáculo como lição para o Sul-Sudeste, onde o Hino é frequentemente ultrajado pelos torcedores, especialmente pelos filhos das elites, sempre envergonhados de sua nacionalidade.

Cabe também uma reflexão sobre o ódio que determinados brasileiros têm do próprio país, expresso diariamente nos comentários neofascistas dos grandes jornais dessas regiões.

Esse comportamento, aliás, é resultado da campanha diária, massiva, que os mesmos veículos fazem para desmoralizar o país e seu povo.

O jornalismo de “pinça” só destaca o que é ruim, o que é nefasto, o que não presta. Obsessivamente.

O processo de extinção da miséria parece não existir, tampouco a expansão do consumo popular.

E cada agulha sumida numa repartição pública torna-se um escândalo.

Pior: a indignação é seletiva, pois o graúdo que desvanece nas administrações estaduais neoliberais nunca vira manchete.

Se há notícia boa do Brasil, ela é minimizada. Se o positivo é notório, emprega-se logo uma adversativa, um “mas”, para reduzir ou neutralizar o impacto da mensagem.

São espantosos os malabarismos aritméticos, os artifícios de linguagem e os sofismas utilizados para transformar em ruim o que é bom.

São gráficos lidos de trás para frente ou pizzas que têm apenas uma ou outra fatia destacada.

Disseminar a síndrome de vira-lata, obviamente, tem um objetivo claro.

É recalcar os tradicionais estratos médios, é causar rancor, é produzir a intriga, é gerar dissensão, é fomentar o ciúme, é espalhar o ódio entre irmãos.

Afinal, para os obsoletos da elite midiota, é preciso difundir todos os dias a ideia do caos, mesmo que imaginário.

Para quem perdeu, faz-se urgente uma insurreição para acabar com a festa do crescimento econômico extensivo, da inclusão social e da democratização de acessos.

Enquanto eles não passam, vale a pena ficar com o Pará, com os brasileiros do Pará. Viva o Pará! Assistam!


Enviado por Dani Tristão e Cido Araujo (Quem não viu o jogo ontem na hora do Hino, veja aí no vídeo. Foi de arrepiar! Dá-lhe Brasil!)
Texto de Walter Falceta

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A filosofia, por trás do movimento “Ocupar Wall Street”

Vijay Prashad

26/9/2011, Vijay Prashad, Counterpunch
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
Acompanhe por vídeos e comentários em: OccupyWallStreet
Acompanhe pelo Twitter


“É possível que os especuladores não façam tanto mal quanto as bolhas. Mas a posição é séria quando a empresa vira uma bolha, no redemoinho da especulação. Quando o desenvolvimento das atividades de um país vira subproduto das atividades de um cassino, o trabalho provavelmente será mal-feito”.
– John Maynard Keynes, 1936.

As análises do Relatório sobre Estabilidade Financeira Global do Fundo Monetário Internacional (REFG-FMI) são sempre muito sóbrias. O Relatório distribuído dia 21/9 passado avisa que a economia mundial está entrando em “uma zona de perigo”. O FMI rebaixa o crescimento estimado global, de patamar já baixo de 4,3%, para 4%, com o crescimento dos EUA cortado, de 2,7% para 1,8%. “Pela primeira vez desde outubro de 2008, no REFG-FMI, aumentaram os riscos para a estabilidade financeira global, o que assinala reversão parcial no progresso alcançado nos três anos anteriores.” [1] Em outras palavras, todas as medidas tomadas para estancar a hemorragia provocada pela crise do crédito global de 2008 em diante já deram o que podiam dar. E estamos de volta ao dia em que se fecharam as cortinas de Lehman.

O FMI não podia ignorar a continuada crise política e econômica que sacode sem parar a eurozona, nem fingir que o crédito dos EUA não foi rebaixado. Nem, de fato, poderia fazer-se de cego para a turbulência dos mercados financeiros (...). Três processos obrigaram o FMI a ser mais atento: primeiro, os EUA terem-se mostrado incapazes de dar conta do trauma agudo no mercado imobiliário de moradias; segundo, os bancos europeus, que estão em curva de retroalimentação adversa entre as obrigações a pagar no “Club Med” (de Portugal à Grécia) e as próprias reservas; e, terceiro, as baixas taxas de juros que espantaram a finança privada, da luz do dia, para os calabouços sombrios e furtivos do sistema bancário (fundos hedge e tal).

Ambos, Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, e José Viñals, conselheiro financeiro do Departamento de Mercados Financeiros e Monetários do FMI, pareciam mais nervosos que o usual. Viñals sabe dos riscos na eurozona. Foi vice-presidente do Banco da Espanha, cujas reservas financeiras estão em estado tão lamentável quanto as reservas de água da Cidade da Sujeira do filme Rango (2011 ) [2].

O mantra do mundo atlântico tem sido “austeridade”. Assume-se que, se os orçamentos dos governos forem purgados dos gastos de interesse social para preservar o equilíbrio, daí advirá o crescimento. Estranha economia. Problema crônico é a falta de demanda efetiva (“confiança do consumidor”), que é indexada, nos EUA a salários rebaixados com transfusões eventuais de “confiança” produzida por crédito barato que criou, como bolha que ainda não explodiu, o endividamento pessoal; em maio de 2011, chegava a $2,4 trilhões. Os cortes massivos no gasto do governo só farão encolher a demanda ainda mais, e não produzirão qualquer esperança de crescimento no curto prazo. Programas de austeridade nem sempre fazem aumentar a confiança dos consumidores, mas sempre fazem aumentar a confiança entre os financistas que amam a ideia de “finanças sólidas”.

O FMI identifica o problema com uma mão e, em seguida, enfia a outra mão no moedor de carne: a atual crise não pode ser resolvida, até que se administrem as dificuldades políticas. Os “líderes políticos nessas economias avançadas ainda não conseguiram mobilizar suficiente apoio político para implantar políticas suficientemente fortes de estabilização macrofinanceira.” As ferramentas financeiras e monetárias estão pressionadas. Faz falta estratégia de comunicação mais efetiva, para convencer o público a alinhar-se a favor de medidas de austeridade para dar solidez à finança; para isso, é preciso fazer baixar a retórica ideológica que afasta as pessoas do que o FMI entende que seja uma Razão apolítica. Mas a massa ignara não conhece a razão.

O que nem o FMI nem os governos do mundo Atlântico conseguem perceber, por razões políticas, é o poder de classe do capital financeiro, que controla os mercados monetários aos quais os governos e o FMI têm de recorrer para tomar empréstimos, se querem estimular gastos ou emprestar a países em dificuldades. A confiança dos financistas é emoção muito mais importante que a confiança dos consumidores.

Em tempo de crise, a abordagem humana deveria ser ampliar os estímulos ao consumo até o momento em que milhões de pessoas consigam sair da condição de vida nua. Para fazêlo, os governos devem desejar, nas palavras do economista Prabhat Patnaik, “exercer adequado controle sobre o sistema financeiro para garantir que os empréstimos às pessoas sejam sempre financiados, de modo a que o Estado não se torne prisioneiro dos caprichos dos financistas.” 

O debate entre austeridade e estímulos é conduzido como se se travasse entre dois conjuntos racionais de pessoas. Os que clamam por austeridade são agentes dos grupos financistas, para os quais é pecado ver diminuir a própria riqueza; os que clamam por estímulos são eticamente corretos, mas não movem ataque de classe direto aos financistas, deixando-se navegar em ilusões. A única solução real para a crise do Atlântico Norte é, como receitou John Maynard Keynes, fazer “a eutanásia do rentista”.

É esse impulso para desafiar diretamente Wall Street que mostra o quanto é razoável e necessário o movimento “Occupy Wall Street” [imagens e filmes]  eOccupy Wall Street Protest” [também imagens e filmes], protesto que agita lower Manhattan (bem perto de onde George Washington foi empossado presidente).

Os cidadãos que decidiram acampar permanentemente e não deixar suas tendas, e que estão sendo brutalmente atacados e agredidos pela Polícia de NY, encontraram instintivamente solução muito melhor para o país, que:

(1) os que insistem em exigir “mais austeridade” (como os Republicanos mais conservadores – e, no Brasil, todos os jornais e jornalistas e especialistas de todos os canais de televisão, sem faltar um); e
(2) muito melhor, também que os que clamam por “estímulos” sem jamais desafiar os mandarins das finanças, os quais mais facilmente mandarão a economia dos EUA p’rô brejo, do que admitirão perder o poder que têm sobre o sistema econômico mundial (Obama, dentre outros).

Sem luta contra o capital financeiro, ordenar “austeridade” é ato de crueldade; e ordenar estímulos é ilusão.

O FMI e os políticos norte-americanos não querem desafiar a classe financeira. De fato, o FMI até alerta contra qualquer “repressão financeira” (“Com os estados sob estresse financeiro e as economias lutando para se desalavancar, os políticos podem ser tentados a suprimir ou tentar escapar aos processos e informações do mercado financeiro.”) Deve-se evitar tudo isso, diz o FMI. Querem que a salvação lhes venha de países do Sul Global, os quais, diz o FMI, “estão em fase mais avançada do ciclo de crédito”. O FMI adoraria que China e Índia entregassem seus superávits ao Norte, como estímulo... Seria via excelente para que aqueles países passassem a exportar menos e a importar mais.

O mais estranho nisso tudo é que o FMI também agia como espada do capital internacional quando advogou que Índia e China se tornassem economias orientadas para exportar e dessem as costas às políticas nacional-desenvolvimentistas. Agora, a China está pronta para exportar bens de baixo custo para as economias atlânticas... E então, em vez de recomendar que China e Índia usem seus superávits como estímulos para criar demanda em seus próprios países (para arrancar suas populações mais rapidamente da miséria, investindo em infraestrutura, criando meios para prevenir catástrofes ecológicas)... O FMI prescreve que China e Índia resolvam “os desequilíbrios financeiros” mandando seus superávits para o Norte! Por que o FMI não recomendou que o Norte tomasse essas medidas, nos anos 1980s e 1990s, quando as flechas financeiras estavam miradas na direção do Sul?

Os chineses dizem agora que podem ajudar a resgatar a eurozona, se a Europa atender a algumas “condições” que os chineses imporão (na linguagem do FMI, na era dos “ajustes estruturais”, essas condições chamavam-se “condicionalidades”, como cortar todos os investimentos de caráter humano e social, nos anos 1980s, como precondição para receber empréstimos). 

Os chineses querem que os europeus acabem com processos por desobediência a leis de mercado – que é outro modo de dizer que os chineses querem morder fundo na carne do regime de propriedade intelectual – um dos últimos mecanismos ainda restantes que garantem o crescimento sem empregos que ainda mantém os EUA à tona. Mas por que, agora, a China não estaria fazendo certo? Diz o FMI que a China, agora, não está fazendo certo, por causa de seu “boom de empréstimos induzidos pela política”, também chamado de “plano de estímulos de 2009-10” – e que foi construído e aplicado sem qualquer influência dominante do capital financeiro.

É muito mais fácil mostrar os chineses como agentes do mal, do que apontar o dedo aos financistas. Toda a conversa sobre revalorização da moeda e barreira ao livre comércio não passa de conversa fiada, de quem não tem argumento a oferecer. 

Lá, em Wall Street, Manhattan, norte-americanos comuns decidiram enfrentar, de vez, o capital financeiro. Não precisam recorrer à xenofobia “econômica”, nem se escravizar a ilusões de que os warrenbuffets do mundo seriam a vanguarda da luta por justiça social. Querem é tirar, do pescoço dos povos do mundo, a botina-tacão das finanças. 



Notas dos tradutores
[2] Para uma visita virtual, ver Wall Street Journal, 26/9/2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A volta do cipó de aroeira

O anunciado colapso do mercado de títulos do Tesouro dos EUA, previsto para ocorrer no segundo semestre, lança mais que sombras, lança rolos de cinzas sobre as perspectivas de futuro imediato para todo o mundo.

A hoje superada solidez econômico-financeira dos EUA, que lhes permitiu tornarem-se a maior economia do planeta, foi alicerçada, entre outros, sobre três pilares: a liderança da produção e da inovação industrial, o dólar como divisa mundial de reserva necessária a operações externas como a compra de petróleo, e os títulos do Tesouro, entesourados pelos bancos centrais e comerciais e por investidores de porte. Papel para comprar bens e serviços: o melhor negócio do mundo desde que um papa passou a vender indulgências plenárias aos aspirantes ao céu católico.

Mas, de uma posição de detentor de 52% da economia mundial após a Segunda Guerra, hoje os EUA respondem por cerca de 20% do PIB mundial, sua produção industrial chega apenas a pouco mais de 10% do seu PIB, e vêem alguns de seus grandes parceiros, quase todos da Europa (Reino Unido, Itália, etc.), naufragar em crises sistêmicas que ameaçam até mesmo construções políticas fundamentais como a União Européia, e o Japão imergir em catástrofes e problemas que o imobilizam. As três crises, do dólar, dos títulos do Tesouro e dos déficits, somadas à ausência de leis do território de ninguém em que operam bancos que mais parecem grupos de crime, asfixiam a economia dos EUA progressivamente.

Além disso, a época assiste à emergência de novos poderes globais em acelerado desenvolvimento, como os nucleares China e Índia, que contam com territórios e vastas populações essenciais para alavancar sua projeção internacional; e de atores menores, mas pródigos em território, fontes de energia e ambientes especiais ricos e diversos, como a nuclear Rússia, e em território, fontes variadas de energia, terras agricultáveis, sol, biodiversidade, recursos minerais, paraísos tropicais de serviços e turismo, muita água e florestas, etc., como o Brasil. Outros países, como África do Sul, México, Coréia do Sul, Turquia, etc., aportam também com expressão no cenário internacional. Prevê-se que a China torne-se a maior economia do planeta entre 2025 e 2030.

As diferenças entre a América Latina das décadas de 1960-70 e a de hoje revela o vasto grau de mudanças em ebulição no mundo contemporâneo. Após ter sido tomada por um colar de ditaduras militares assassinas e repressoras, no contexto da Guerra Fria, apoiadas e/ou instaladas pelos EUA, a emergência e consolidação de novas forças sociais e o enfraquecimento da ação do império possibilitaram o panorama atual, em que as populações de países como Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Peru e outros elegem governos voltados à promoção da ascensão social e econômica das camadas mais pobres e ao exercício dos direitos civis.

A solução militar

A recomposição geopolítica derivada desses macrofenômenos tem levado o império – que vive hoje a braços com a maior recessão desde mais de um século, desemprego crônico (há 40 anos não há aumento real para os salários), concentração de renda e aumento da desigualdade social, além da perda de vitalidade econômica –, cada vez mais, a uma posição em que sua única arma são exatamente as armas e seu poderio militar montado sobre o chamado “império de bases”, mais de 1,5 mil instalações (contadas as de Iraque e Afeganistão) em mais de 70 países.

Com orçamento militar maior que a soma de todos os dos outros países reunidos (levados em conta os gastos militares paralelos de vários órgãos associados); indústria de armamentos imbricada com entidades e interesses financeiros, políticos e militares; a conhecida “porta giratória” de lideranças que transitam entre universidades, think tanks, corporações e as estruturas militar e civil de governo; e a constituição de vastíssimas redes de paramilitares, de mercenários, de vigilância e repressão, de controle interno e de assassinatos extrajudiciais; só restou ao império o lucrativo empreendimento das guerras ininterruptas. A rede de assassinatos extrajudiciais, ampliada por BHObama, emprega hoje mais de 60 mil das chamadas “forças especiais”, que operam em cerca de 75 países.

O poder imperial

Mas mesmo esse ambiente de destruição, rapina e conquista, que hoje se espraia por Iraque, Afeganistão, Paquistão, Yemen, Líbia, Somália, Sudão, Colômbia, Costa do Marfim e outros, e desborda para intervenções em regiões como o Oriente Médio, o Sul da Ásia e a Ásia Central, além de desvendar os reais interesses geopolíticos do império, tem contribuído, não para o sucesso, mas para a progressiva ruína imperial. Antes arautos da “democracia” e da “liberdade”, os EUA são o maior poder repressor, torturador e assassino da história contemporânea. Em realidade, o poder real nos EUA acha-se longe de políticos e outros agentes secundários, mas é exercido pelo chamado “Estado Profundo” (Deep State). E conta com agentes de primeira linha, acima dos mecanismos políticos, como o polêmico Bilderberg Group.

É atribuído aos mentores de Osama Bin Laden o pensamento de a melhor estratégia para derrotar o império ser o fomento de muitas guerras assimétricas, em que terroristas, guerrilheiros e forças esparsas atuam contra exércitos pesados e estabelecidos. O objetivo desses mentores vem se realizando com precisão matemática: o império acha-se afundado em déficits crônicos e gigantescos, que tornam as finanças dos EUA caso centenas de vezes mais grave que, por exemplo, o das da Grécia. Repete-se o ocaso do último império desaparecido, o soviético, que encontrou seu fim no Afeganistão, e dissolveu-se logo após a retirada das tropas invasoras derrotadas.

Uma rede de imprensa corporativa concentrada em poucas mãos, dócil e parcial, dedica-se à compra de “corações e mentes” para apoio a essa avalanche de conquista. A dependência do país das fontes de energia do Oriente Médio favoreceu suas alianças com as mais odiosas e longevas ditaduras do planeta, outro campo em que o despertar dos povos árabes coloca sob ameaça as práticas imperiais.

Mas os resultados concretos, se geram lucros fáceis a corporações industriais e de segurança e bancos e rendem empregos régios à elite política e militar, também mostram, no médio prazo, a falência de uma orientação que termina sempre por voltar-se contra seus autores. A vergonhosa retirada do Sudeste asiático e do Vietnã foi apenas um dos véus que se levantaram e vêm sendo levantados, e que expõem, numa palavra sintética, a derrota do império em seu campo de excelência, a guerra.

Derrotas no Irã

Após depor em 1953 o nacionalista iraniano Mohammad Mossadegh,que havia retirado o petróleo&gás das mãos dos britânicos e orientado a aplicação de suas riquezas ao país, os EUA e aliados empossaram e armaram o xá (rei) Reza Pahlevi, para opor-se aos soviéticos em plano internacional e aos insurgentes internos comunistas, anarquistas, republicanos e de muitas outras correntes. A revolução islâmica do aiatolá Ruhollah Khomeini em 1979 herdou o Irã armado e projetou um radical inimigo dos EUA-OTAN com apoio da população, exausta de ser oprimida e assassinada pela polícia política do xá, a sem limites de crueldade Savak. Khomeini comandou a queda do xá de Paris, do exílio, o que mostra o alcance de sua liderança e também da insatisfação geral no país.

De 1980 em diante, armado com armas convencionais e químicas por soviéticos (em reação ao assassinato de partidários comunistas por Khomeini), estadunidenses e britânicos, esses incondicionais e eternos aliados do império (as posições das potências foram fluidas e cambiantes), o ditador do Iraque Saddam Hussein empreendeu guerra contra o Irã dos aiatolás, que durou até 1988 e deixou mais de 1 milhão de mortos.

Batata quente, o Iraque de Saddam tornou-se alvo do império três anos depois, com a primeira guerra de Bush pai contra o país após a invasão do Kuwait, anteriormente ‘posse’ iraquiana numa região em que os territórios e as fronteiras de países e divisas de dezenas de etnias são estabelecidos nos mapas ao sabor das decisões dos poderosos do momento. O amigo de antes havia se transformado na grande ameaça ao equilíbrio precário do conflagrado Oriente Médio. Em 2003, o filhote de Bush “terminou o serviço” e, logo após, enforcou Saddam, antes que a batata pudesse falar e queimar a boca. Com isso, os EUA herdaram mais uma gigantesca derrota, na qual ainda se acham mergulhados com mais de 50 mil tropas, sem poderem sair e com perdas maiores se ficarem.

Derrotas no Afeganistão

Com base em interesses nunca confessados, já que todas as 16 agências de Inteligência do país declararam-se “surpreendidas”, Bush filhote acusou, 1 hora após a segunda explosão, Osama Bin Laden e a Al Qaeda pelos atentados false flag de setembro de 2001 e, logo após, invadiu o Afeganistão, em nome de terminar com o “apoio” do Taleban ao agora ‘inimigo número 1. Ao mesmo tempo, fez o Congresso, em estado de choque, aprovar a legislação mais fascista da história do país, o Patriot Act, que estabeleceu o controle total sobre os cidadãos, rasgou a Constituição, criou o aparato nazista da Homeland Security (orçamento de 65 bilhões de dólares) e acelerou a militarização das polícias e de outros organismos, como a FEMA, antes dedicada a ações de emergência em catástrofes e, a partir daí, também a ações contra “multidões e emergências sociais”.

Dez anos depois, acham-se atolados de novo, e perdem a guerra assimétrica com 100 mil tropas próprias mais 50 mil tropas da subserviente OTAN mais cerca de 100 mil tropas paramilitares e mercenárias, cujos agentes ganham cerca de dez vezes mais que os soldados regulares e são pagos pelos Departamentos de Defesa e de Estado e pelos contratistas, que ganham dezenas de vezes mais que todos juntos. As guerras do império são hoje um conjunto de atividades terceirizadas; sem dúvida, o maior negócio do século.

As estratégias obedecem, não a análises de Inteligência ou a critérios de planejamento de especialistas, mas, antes, a caminhos que podem render mais e mais dinheiros e lucros com juros. O hoje chefe do Departamento de Defesa e do Pentágono, Leon Panetta, saiu da direção da CIA, e o hoje chefe da CIA, general Petraeus, saiu do comando do Centcom, um dos seis braços militares do Pentágono que gere as guerras no Oriente Médio e Ásia Central. Apregoa “sucesso” com suas estratégias de aumento de tropas, assinadas sem chance de mudança pelo refém-presidente BHObama. Os números clamam pela verdade: ataques do inimigo aumentaram mais de 50%, e nunca morreram tantos soldados loiros de toda forma e feição e procedência. O Afeganistão confirma sua milenar marca histórica como “túmulo de impérios”. Mais uma derrota à vista para o acervo imperial.

As operações no Afeganistão contra os invasores soviéticos desde as origens foram realizadas com apoio do Paquistão e de seu serviço de Inteligência, ISI – Inter-Services Intelligence, sob batuta do MI6 e da CIA, cada vez mais uma subsidiária do Pentágono. Um dos primeiros combatentes, milionário e chefe de grupos treinados e armados para luta contra os soviéticos, era o saudita Osama Bin Laden, da mesma nacionalidade da maioria dos acusados pelos atentados de 2001. Osama Bin Laden organizou mais tarde uma rede de combate aos interesses dos aliados e de todos os “infiéis”, configurando mais uma derrota para o império.

Chalmers Johnson

O recém-falecido analista militar e ex-oficial da Marinha Chalmers Johnson cunhou algumas expressões para esses eventos. A mais conhecida é “império de bases”, traço fundador do atual império em definhamento. Outra é “blowback”, algo como ‘choque pra trás’, ou tiro pela culatra, que foca os resultados indesejáveis das ações guerreiras do império. O persistente e contínuo crescimento dos movimentos terroristas e de grupos armados em oposição às ações imperiais é claramente uma demonstração dos equívocos das políticas de guerra e de extermínio levadas à frente pelos sucessivos governos, sempre iguais entre si, que se alternam no poder nos EUA.

O ex-chefe do Centro de Contraterrorismo da CIA em 2005-2006, Robert Grenier, esclarece a questão do blowback de forma clara ao afirmar: “... não é só a questão dos números de militantes que estão operando naquela área [Af-Pak], também pesa a motivação daqueles militantes... Eles se vêem agora como parte de uma ‘guerra santa’ (jihad) global. Eles não estão apenas focados em ajudar muçulmanos oprimidos na Cachemira ou tentando ajudar a combater a OTAN e os estadunidenses no Afeganistão, eles se vêem como parte de uma guerra global, e assim são uma ameaça muito maior do que eram antes. Assim, de certa forma, nós colaboramos para criar a situação que mais temíamos”.

Paquistão, amigo inimigo

Dois exemplos recentes fecham a questão de modo definitivo. Os aliados transformaram o Paquistão em país nuclear e basearam sua guerra afegã na colaboração paquistanesa. A questão é que o atual inimigo Taleban é oriundo dos mais de 20 milhões da etnia pashtun, que vivem há milênios em terras próprias que os britânicos separaram em 1893 com a Linha Durand, consagrada com a separação entre Índia e Paquistão em 1947. A linha separa hoje Afeganistão e Paquistão. Perante o crescimento do Taleban e de forças menores que o apóiam, fez-se necessário ampliar a guerra aos territórios pashtun do Paquistão. Na novilíngua pentagonal, a guerra passou a ser referenciada como Af-Pak. O Paquistão deixou de ser aliado e passou a ser parte do problema.

Diariamente aviões sem pilotos, os “drones”, bombardeiam aldeias e vilas nos dois lados da linha. Os drones são comandados a partir de uma base militar nos EUA, e representam a tendência mais forte da guerra hoje. O problema é que as informações de orientação nem sempre são fidedignas. Assim, as vítimas dos bombardeios são sempre na maioria civis, famílias inteiras muitas vezes. Mais de 80% da população do Paquistão quer que os EUA saiam de vez do país.

No Afeganistão, sem pesquisas, talvez os números sejam maiores. Os EUA tentam adquirir a colaboração do Pak com dólares: já foram entregues mais de 7 bi aos militares ao longo de anos para garantir seu empenho na “guerra ao terror”. Mas, blowbackianamente, a maior parte do armamento do país é de origem chinesa, e isso inclui até mesmo aviões e tanques.

A China opera uma instalação portuária no Pak, na cidade de Gwadar, próxima ao Golfo Pérsico. Imediatamente após o “assassinato” de Osama Bin Laden em Abbotabad (não houve até agora evidências conclusivas do ocorrido), numa invasão do território do país por “forças especiais” dos EUA, o primeiro-ministro pak Raza Gilani visitou Pequim. Foi recebido por quatro dias, por todos os altos dirigentes, e saudado como grande parceiro, amigo de todas as horas, unidos para sempre. Uma sinalização clara: podemos independer de sua ajuda, mr. BHObama! Nada mau para o império, cuja política assassina entrega seu colaborador essencial nos braços do arquiinimigo principal, a China.

Líbia, equívoco imperial

O outro exemplo é a Líbia. Invadida pela Itália nos anos 1910, na guerra entre a Itália e o império otomano, e bombardeada por aviões pela primeira vez na história humana, a Líbia perdeu quase um terço de sua população na resistência aos fascistas herdeiros do império romano. A Itália arrebatou do império otomano as regiões de Fezzan, Tripolitânia e Cirenaica, que hoje formam a Líbia, e dominou até os anos 1930, com grande resistência dos locais.

Num golpe militar em 1969, o coronel Muammar Gaddafi, admirador do egípcio Gamal Abdel Nasser, e que havia estudado em Londres, expulsou um reizinho de curto reinado, Idris, inventado pelos britânicos, e reorientou lentamente o país numa direção socialista, apoiado nas rendas de petróleo&gás abundantes no desértico território. A partir de 2002, o governo Gaddafi abandonou sua posição de “inimigo do império e aliado de terroristas” e abriu as portas da indústria de petróleo&gás às corporações ocidentais.

Gaddafi vem reinando como ditador por 42 anos, e ninguém consegue essa proeza no mundo capitalista sem eliminar adversários e cometer atrocidades. Mas, ao mesmo tempo, com sua vertente social, o longo governo Gaddafi redimiu a população líbia e transformou o país, da posição de um dos países mais miseráveis do mundo, para a invejável posição de mais desenvolvido do continente africano. O IDH da Líbia é o maior da África, e superior, por exemplo, ao do Brasil. A assistência médica gratuita em todo o país apresenta níveis de excelência de países europeus desenvolvidos. O ensino gratuito das origens até a universidade promoveu a população a níveis de formação e informação incomuns no continente. Outras políticas sociais, como a mais cara operação de irrigação do mundo, de 42 bi de dólares, levaram a população líbia, à exceção dos ligados a perseguidos e assassinados, ao apoio incondicional a Gaddafi.

Mas essa situação é intolerável aos olhos dos novos colonialistas: seus ditadores apoiados, como os do Bahrain e do Yemen, e o anterior Mubarak, do Egito, ocupam-se em vender suas riquezas aos invasores e manter contas em paraísos suiçamente próprios, e não em promover seus povos a condições de alta dignidade, aliás apregoadas pelos arautos da democracia e da liberdade, o que, se ocorressem, fatalmente levariam esses povos a expulsar os invasores e estabelecer governos como o de Gaddafi.

Valendo-se do despertar de povos árabes, a máquina de guerra dos EUA-OTAN vislumbrou oportunidade de expulsar Gaddafi do poder pela fabricação de “revolta popular” contra a tirania, o que poderia lhe valer acesso livre às riquezas do país. Para tanto, o império valeu-se de adversários alojados na cidade de Benghazi, na região da Cirenaica, rica em petróleo&gás, que havia sido capital sob o reizinho fugaz e reduzida em importância por Gaddafi, originário de tribo da Tripolitânia, região mais pobre. Recrutaram-se, entre outros “revoltosos, inimigos políticos do ditador, traficantes de drogas, armas e pessoas, desocupados e vigaristas de variados matizes, jovens desempregados; enfim, um exército Brancaleone, armado, treinado e financiado pela CIA e o MI6 britânico. A imprensa dócil e a serviço propagou imagens ridículas do ditador e enalteceu os “combatentes da liberdade”.

Mas algo não funcionou bem. As “tropas” de “revoltosos” demonstraram-se sem a mínima condição de combate, e passaram a ser conduzidas por “assessores” aliados. Além disso, as forças leais a Gaddafi deram mostras de força e união. Gaddafi sempre privilegiou armar a população em detrimento de grandes forças armadas. Perante esse impasse, os aliados arrancaram da desmoralizada ONU uma “resolução” que, na prática, abria a possibilidade de “intervenção humanitária”, que foi estendida, sob o silêncio conivente de Ban Ki-moon, para bombardeios. Mas de novo algo não funcionou bem. Após destruir as defesas antiaéreas do país, a OTAN passou a bombardear covardemente instalações militares, de infra-estrutura, de comunicações; enfim, até mesmo hospitais e universidades foram atingidos. Neste momento em que escrevo, a OTAN desistiu de sua campanha de assassinato de civis e, afinal, rendeu-se à realidade do inevitável “diálogo”.

Os eternos inimigos

Por detrás de todos esses movimentos, enxerga-se um velho teórico britânico que fundamentou a ciência da geopolítica, mas cujo pensamento talvez tenha sido tensionado demais sem consideração às dinâmicas de um mundo em revolução, com ampla circulação de informações e despertares precoces de povos e etnias. Para Halford MacKinder, o objetivo central do império ocidental (no início do século XX, o inglês, e, após a Segunda Guerra, o estadunidense) devia ser o controle militar e político, o Great Game, da imensa massa de terra que une a Europa aos extremos da Ásia, hoje em mãos basicamente de Rússia, China e aliados, com a Índia e vizinhos na posição de fiel da balança.

O império enfrenta hoje três grandes inimigos: China, Rússia e Irã. Rússia e Irã são ricos em fontes de energia, e a China usa seu poderio financeiro e diplomático, pacífico e de cooperação, para investir em países fornecedores e garantir os insumos necessários ao mais vertiginoso crescimento da história recente. O objetivo central do império passa então a definir-se em torno de dois eixos: cerco militar, redução do poder e aniquilamento dos grandes inimigos, e ocupação de territórios e aliança com governos da hinterlândia eurasiática.

Outra vertente, derivada por discípulo, do pensamento de MacKinder seguido pela sinistra figura do conselheiro de ação internacional de BHObama Zbigniew Brzezinski, seria a “ampliação do arco de crises” e a “divisão de países e territórios entre forças em choque”, o que renderia ao império eventuais aliados para lutar contra os seus adversários. O Iraque, por exemplo, foi seccionado em três, com o norte curdo, o sul xiita e o restante, ou sunita, ou sem dono, numa situação de divisão que só tende a se agravar. O povo baluche, que ocupa metade do território do Pak e o sul do Irã, vem sendo armado e estimulado à secessão, para a futura criação do país Baluchistão. O Sudão acaba de ver sua porção sul tornar-se um “país independente”, o Sudão do Sul, que nasce com o título de “o mais pobre do mundo”, imediatamente reconhecido pelos aliados e festejado pela imprensa grande: afinal, aloja quatro quintos das suas reservas de petróleo.

Limites imperiais

Mas a realização dessas tarefas geopolíticas de grande envergadura esbarra hoje em muitos obstáculos. A lista é extensa e de fortes cores básicas: a decadência do dólar como moeda de reserva; o fim do poder dos títulos do Tesouro dos EUA como aplicação garantida (os déficits astronômicos dos EUA desautorizam sua capacidade de pagar); a impossibilidade de manter várias guerras em andamento sem recursos e sem os apoios generalizados de antes; a situação gravíssima interna de insolvência que atinge o governo federal, os estaduais e praticamente todos os municípios do país e sua coorte de serviços em redução, como seguridade social, escolas, infra-estrutura, etc.; o aumento da pobreza e a conseqüente queda do poder do mercado numa economia em que 71% do PIB acham-se vinculados ao consumo; a presença de 45 milhões de pessoas, 1 em cada 7 cidadãos, dependentes de vales-alimentação; a deterioração dos problemas ambientais; a opção por agricultura e produção de alimentos industriais que produzem resultados como um terço de população obesa até mesmo entre crianças.

Politicamente, anotam-se a ascensão de forças de extrema-direita, características dessas épocas de crise, que lembram com suas doutrinas fascistas casos anteriores como o do nazismo; a tendência tanto de democratas quanto de republicanos pelo corte nas rendas e serviços sociais; a impunidade e a crescente desfaçatez das grandes e poucas forças financeiras; a vigência do mais gigantesco aparato de repressão e assassinato da história; a definitiva orientação do país como dependente de guerras e de sua economia como parte de uma permanente guerra.

Mais que falência do grande Estado democrático do século XVIII, que antecedeu a Europa na transição às adaptações dos Estados ao novo mundo capitalista que se afirmava, o naufrágio do império desenha-se na perspectiva de tragédia. A conjugação de enfraquecimento econômico e político com a permanência da mais poderosa força de destruição da história humana não vem gerando e não deve gerar bons frutos. Sombrios horizontes do futuro imperial.

Como diz a música popular, é a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.

Em tempo: os bombardeios de todos os territórios que sofrem agressões dos EUA-OTAN são feitos com bombas que portam DU – urânio empobrecido. As conseqüências a longo prazo serão trágicas para os povos agredidos e todos os habitantes do planeta.

Por Chico Villela2011-07-15 10:41:00

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A DESORDEM/ORDEM GERAL

Laerte Braga

Laerte Braga

Uma das colunas do jornal O GLOBO revela que certa “madame” freqüentadora de requintados e refinados ambientes foi a uma exposição de lançamento de uma coleção numa joalheria no Rio. Coisas da Barra da Tijuca, aberração paulista/carioca que faz fronteira com o Rio de Janeiro.

A senhora em tela comprou uma pulseira e levou às escondidas um par de brincos avaliado em 20 mil reais. Câmeras de segurança revelaram o que o colunista chama de “larápia vip”. A joalheira Rose Leal foi à casa da socialité e resgatou as peças, isso porque a pulseira fora comprada e não fora paga. Com isso evitou o escândalo.

A prisão do diretor do FMI Strauss Kahn não tem nada a ver com a “larápia vip” do high society da Barra. Mas tem a ver com as eleições para a presidência da França ano que vem.

A imprensa norte-americana e a policia de New York condenaram Strauss antes de qualquer decisão do Judiciário. Strauss é – era – uma pedra nos interesses de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Isso apesar de dirigir uma quadrilha de estupradores, o FMI – FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL. Estupram nações.

EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A na condição de sucessores de SPECTRE – aquela que infernizava a vida de James Bond – não foge à prática de seus princípios. Chantagem, extorsão, vingança, assassinato, tortura, etc.

Com a diferença que EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A não é ficção. Mais ou menos como o peixe espada atravessando o abdômen de Jerry Lewis. “Só dói quando eu tento rir”.

O bush da Casa Branca, sede da organização, hoje chamado Obama, vai cantar sua música e recitar seus poemas em mensagem ao povo sobre o que pretende implementar no Oriente Médio.

Ou seja. Reforço do tacão nazista contra os ditadores inimigos e silêncio em relação aos ditadores amigos. O esporte preferido de sionistas, tiro a palestinos vai continuar impune e sem qualquer restrição.

Nero escapou pela porta dos fundos e lamentou que o mundo se visse privado de suas poesias e suas canções.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Anthony Patriot, chama a política externa do governo Dilma em relação aos EUA de “pragmatismo econômico”. Substitui o caráter ideológico que atribuiu à política do ministro anterior, Celso Amorim.

Os dois governos são do mesmo partido e Dilma é uma extensão eleitoral de Lula, uma escolha do ex-presidente. Ou mudou um, ou mudaram os dois.

Mas para falar isso é preciso ter cuidado e se expor a chuvas e trovoadas. As críticas geralmente levam o senhor absoluto do partido de Dilma a suspender as grades e soltar na arena feras ipanemianas, com grandes garras e presas, ávidas de devorar críticos em nome do centro do palco e muito ar para encher os bonecos chapas brancas.

O que não quer dizer que esteja tudo em desordem. A ministra da Cultura é atingida por fogo amigo por não aceitar as regras do jogo a moda Barra da Tijuca. Reage aos donos da verdade absoluta e cai no centro da tal arena. É típico dessa conformação. Os domadores e seus cãezinhos amestrados rosnando a um simples olhar em função de interesses que não têm nada a ver com cultura.

É difícil julgar o caso Strauss Kahn a partir da “vítima”. Não se pode afirmar que necessariamente seja uma agente infiltrada para derrubar o diretor do FMI que, em abril, no jornal LIBÉRACION havia escrito um artigo prevendo esse tipo de ataque. Esse tipo de chantagem. Mas é possível detectar mais uma operação do conglomerado terrorista para afastar e matar politicamente um adversário.

A idéia de reciclagem de excedentes de países desenvolvidos não deficitários para países desenvolvidos ou não deficitários – proposta de Kahn – não agradou aos acionistas do conglomerado. Querem todos os excedentes e ainda o direito de cobrar a conta.

A “vítima” é uma imigrante ilegal e a oportunidade é de ouro para regularizar situações pendentes e garantir um futuro tranqüilo a toda a família no território em volta dos castelos do conglomerado.

Já tem até porta-voz, um dos irmãos. Falou a jornalistas na linguagem cinematográfica das séries tipo LAW & ORDER. O trauma sofrido pela irmã, as consequências dele, a luta da família para sobreviver dentro da lei, trabalhar, o duro que deram desde que chegaram ao entorno do conglomerado, coisas do gênero.

A indignação francesa procede e talvez possa ajudar a França a acordar de um pesadelo. Países da Comunidade Européia são colônias – propriedades – do conglomerado. Imensas bases militares. Bélgica e Holanda, por exemplo, tidas como nações e independentes, abrigam e guardam armas nucleares de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

A chegada do comboio que levou o ex-diretor geral do FMI à audiência sobre seu “caso”, tinha até soldados da SWAT e de metralhadora. Presumo que tenham descoberto a identidade de Jack, o Estripador.

Nem tudo no Brasil, no entanto, se resume a uma socialité da Barra da Tijuca que, naturalmente traumatizada por não ter sido convidada, por exemplo, para o almoço com Obama, se viu presa de forte compulsão e afanou os brincos.

Agentes da CIA e do MOSSAD, serviços secretos – boa parte da CIA privatizada – trabalham livremente em Foz do Iguaçu, Brasil, onde vigiam a colônia árabe – trabalhadores do comércio, da indústria, serviços. Já chegaram a sugerir em tempos recentes, que bin Laden passou por lá.

O governo do Brasil sabe disso desde os tempos de FHC e fica por isso mesmo. Casa da mãe Joana. Como sabe que a colônia árabe na região trabalha, trabalha e o dinheiro enviado a seus países de origem se destina às suas famílias diante da brutal realidade imposta pelo conglomerado àqueles povos. É para o pão, o leite, o mínimo indispensável à sobrevivência.

Para o governo de Israel, entre um assassinato e outro de algum palestino, um estupro e outro de palestinas, uma tortura e outra de palestinos/as, são “terroristas”. Para o governo brasileiro... Bem, está olhando para o lado fazendo de conta que não é com ele.

Por maiores que tenham sido os eventuais avanços sociais o Brasil vai tomando feições de entreposto dos grandes bancos, do complexo empresarial que controla o mundo (a indústria de armas brasileira é na verdade controlada por Israel), da praga do latifúndio e seu agronegócio.

Em pauta os leilões do petróleo, privatização de aeroportos, um código florestal – com ou sem os ajustes de Aldo Rebelo – que assegure às subsidiárias nacionais do terror a impunidade e os privilégios que dispõem.

Não adianta nem chorar, o aqüífero Guarani, onde os caras estão de olho, já está contaminado por agrotóxicos na delirante viagem capitalista do agronegócio. Abastece algumas cidades do País.

Nessas ordens e desordens, ou desordens e ordens, a GLOBO tem várias opções. Quando for hora de colocar o povo de castigo tasca Miriam Leitão, versão televisiva e radiofônica do monstro que rouba balas e pirulitos de crianças e assombra adultos ávidos de passeios em shoppings. O sanduíche da rede McDonald’s pode ficar mais caro diante da perspectiva de pique da inflação em agosto segundo especialistas do governo.

Haja vaga em consultórios de psiquiatras, psicanalistas e que tais. Síndrome de privação de catchup e mostarda nos sanduíches McDonald’s.

Se, por outro lado, for a hora de destacar o papel cultural da rede – principal braço midiático do terror internacional no Brasil – basta colocar Xuxa em entrevista à tevê argentina falando que dorme com travesseiro de “pênis de ganso”.

A oração vem em várias etapas durante o dia. As duas principais com os dois reverendos Williams. O Bonner e o Waack.

Que nem o padre que mandou os fiéis enfrentarem um eventual ataque de pitt bull com um olhar determinado e preces, que a fera daria meia volta. Em experiência própria, ao se deparar com cães em situação assim, baixou hospital para atendimento de emergência, cheio de mordidas.

Mas tudo cash.

In casu é resistência pura e simples. Ou se achar que vale a pena seguir a manada.

Tem a “vantagem” de poder optar entre o Gugu e o Faustão. 

Ou assistir às entrevistas do técnico Muricy Ramalho falando em trabalho “sério” e em “lealdade”.

Estão tentando ressuscitar José Neves e Aécio Serra para assombrar incautos e platéia de um modo geral. Pretendem abolir qualquer limitação a vampiros e o bafômetro.