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terça-feira, 27 de março de 2012

Mas, afinal... O que é estão inventando? E desde quando a luxúria é crime?!


Graaaande Strauss-Kahn, o libertino!

Dominique Strauss-Khan, criminoso?


28/3/2012, John Lichfield, The Independent, UK [excertos]
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



John Lichfield



Entreouvido na Vila Vudu, na hora do recreio:
“Bom... Em matéria de libertinagem, muito melhor o Strauss-Khan, que o Sarkozy, o Hollande, a Le Pen e a Lagarde SOMADOS”.



Dominique Strauss-Kahn, ex-presidente do Fundo Monetário Internacional, está sendo perseguido por ser conhecido como “homem de desejos fortes” e “libertino” – esbravejaram ontem seus advogados.

Um juiz francês acusou Strauss-Khan, 62, formalmente, por participar da organização de orgias em três países, das quais participaram empresários, um alto oficial de polícia e prostitutas. Para a lei francesa, ajudar prostitutas a encontrar clientes ou a reunir-se com clientes é crime, mesmo que a ajuda não seja remunerada.

A polícia diz ter em seu poder mensagens enviadas por Strauss-Kahn, nas quais fazia arranjos para festas e recomendava uma das mulheres a um amigo.

Strauss-Kahn não nega participar de orgias, “soirées libertines”, como disse, entre 2009-11. A última em Washington, dias antes de ser preso em New York em maio passado.

Interrogado por juiz de instrução na França, mês passado, Strauss-Kahn disse que nunca imaginou que as moças presentes às festas fossem prostitutas. “Como poderia supor que fossem prostitutas”, perguntou ele, “se a noitada havia sido organizada por alto funcionário da Polícia?”

Seus advogados disseram ontem que o caso contra ele é “oco, vazio, raso, inexistente”. Um dos advogados disse:

“Mobilizaram-se recursos colossais, da Polícia e do Judiciário, para invadir e vasculhar toda a vida privada do Sr. Strauss-Khan... com o único objetivo de inventar, para poder punir, o que só se pode descrever como “crime de luxúria”. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dominique Strauss-Kahn e Julian Assange


As “tias” dos tempos de JK

Laerte Braga
Laerte Braga

Sérgio Porto no seu inesquecível Stanislaw Ponte Preta tinha uma tia. Zulmira. Senhora de larga experiência na vida, capaz de percepção da realidade num átimo e de sabedoria incrível.

Todos nós temos tias. Eu, por exemplo, dentre as respeitáveis, tenho no cesto uma que é pilantra de quatro costados. Nada a ver com tia Zulmira ou tantas outras. Cai de quatro ao ver cheiro de dinheiro. Se o figurão tiver titulo, seja comendador, desembargador, conde, o que for, então, vai caindo de quatro e resfolegando amor eterno. Adora juntar remédios vencidos e doar para os “pobres” da paróquia. Sábio, o pároco joga fora. 

Adora broches e jogos de chá alheios.

Dominique Strauss –Kahn, ex-diretor do FMI – Fundo Monetário Internacional – tem um monte de "tias". A justiça francesa, detetives particulares para vasculharem a vida de suas conquistas e uma incrível vocação para Sílvio (bunga-bunga) Berlusconi. A diferença está que um canta a Marselhesa, outro não.

Julian Assange não tem esse tipo de "tia". A subcolônia dos EUA – Inglaterra - quer extraditá-lo para a Suécia, numa operação triangular que possa acabar em Washington e pena de prisão perpétua.

Uma prostituta francesa declarou a jornais de seu país que participou de várias “festas” promovidas por Strauss Kahn. Bem remunerada – de causar inveja a muitas “tias” – e apreciou a “incrível energia” do político francês.

O processo contra o principal responsável pelo site WikiLeaks começou numa cidade sueca, foi arquivado por falta de provas a pedido do próprio Ministério Público, ou que nome tenha lá e reaberto em Estocolmo a pedido do governo dos EUA. Para um faltavam provas, para outro bastou um grito de Washington.

Registre-se que Suécia e Grã Bretanha são subcolônias membros da colônia Comunidade Européia, o grande protetorado norte-americano na Europa.

O crime de Assange não foi promover festas com prostitutas, ou agarrar uma camareira de um hotel em New York (embora eu creia que, nesse caso, Strauss-Kahn tenha sido vítima de armação e por conta da “fama”).

Foi o de revelar crimes cometidos pelos norte-americanos em suas ações “libertadoras” mundo afora, as barbáries da OTAN e aqui entre nós, que William Waack, jornalista global, é espião dos EUA.

Um terceiro personagem nessa história; Bradley Manning. Soldado do exército dos EUA acusado de repassar documentos secretos a Assange revelando toda a “preocupação” do conglomerado terrorista ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A com o resto do mundo. Está preso em condições sub humanas. Sobral Pinto invocaria a lei universal de proteção aos animais.

Dominque Strauss-Kahn, tal como Sílvio (bunga-bunga) Berlusconi, escapa de todas as sanções e punições possíveis sob o manto protetor da “tia” justiça. Assange corre o risco de ser extraditado para a Suécia e o governo de Estocolmo – governadoria geral dos EUA na subcolônia nórdica – enviá-lo a Washington, em nome da ordem, da paz, da democracia e da “ajuda humanitária”.

Um jeito de engaiolá-lo em prisão perpétua sem direito a condicional, uma submissão de Grã Bretanha e Suécia capaz de corar qualquer “tia”, por mais despudorada que seja.

Buñuel sabia como tratar “tias” assim como em “O Discreto Charme da Burguesia. Não tem nada a ver com perfume francês, mas com lixo.

Não sei por que, mas isso me lembra Marcelo Rossi num shopping abençoando fiéis e contando os livros vendidos, enquanto sentava a pua em seu concorrente mais próximo dentro da “santa igreja”, Fábio Melo. Aí é “tio” Bento XVI.

Afaga os pimpolhos e conta os sacos de dinheiro. Aprendeu com Edir Macedo.

Tirando fora esse negócio de “tia” e “tio”, sem enfiar sobrinha chegada a um cheirinho no meio, o negócio é a tal da democracia. A viagem é em carros da década de cinqüenta.

Viva JK!

Que o digam os gregos sentindo os coturnos nazistas da “tia” Ângela Merkel, com as bandeiras dos bancos falidos e necessitados da piedade dos trabalhadores. Só que com um baita chicote para ordenar essa piedade.

Dá até para dar um pulo por aqui, outra vez, pegar a Chevron no contrapé e a GLOBO no silêncio podre de mídia comprada. Êita história mal contada.

Se forem “inocentes”, pode ter certeza que tanto Sérgio Cabral como Luciano Huck são culpados e, em breve, lançamentos imobiliários fantásticos na Barra da Tijuca, o garoto propaganda deve ser Zico.

A ressurreição da Rocinha.

A extradição de Assange é um crime sem que se possa medir as proporções, exceto a de constatar que governos como o dos EUA e de suas subcolônias que formam a tal Comunidade Européia são como que um IV Reich saindo da catacumbas e assentados em tamanho arsenal nuclear que transforma o mundo num lugar sombrio, triste e sem gente, ou só com zumbis.

A preocupação maior deve ser como é que Juan Carlos de Bourbon vai fazer para caçar búfalos na Suíça a cinco mil dólares por cabeça.

Os povos que saem às ruas indignados com toda essa barbárie, com toda essa virulência democrática não contam. Em New York a polícia baixa o cacete.

Alguém precisa conseguir “ajuda humanitária” para que os EUA respeitem direitos básicos e fundamentais dos seus cidadãos, ou é só a Líbia que entra na lista de bombas da OTAN? Que tal uma “exclusão aérea” para os EUA? Heil, ONU?

Os dois novos primeiros-ministros da Grécia e da Itália são ligados a banqueiros. Berlusconi é banqueiro também, mas meteu os pés pelas mãos.

O que está acontecendo é uma espécie de ajuste de contas, busca de equilíbrio fiscal, superávit primário na extorsão capitalista imposta ao mundo.

E a turma aqui dá pulos quando uma agência reguladora aumenta a nota do Brasil. É assustador.

Esse aumento é uma espécie de sinal de fumaça que a tia crise vem por aí. Ë um aviso de que estão organizando o saque. Em breve estaremos sob fogo cerrado das tias norte-americanas, seus banqueiros e suas grandes corporações.

No mais é só aguardar a profecia de Roger Noriega feita nas páginas de VEJA. Chávez morre em seis meses e a Venezuela vira o caos e os mariners terão que salvar o país. Invasão “humanitária”.

Vai daí que Assange paga o pato da democracia e da informação livre para o gáudio dos “idiotas” na classificação feita por William Bonner, a turma que gosta de achar que “se não deu no Jornal Nacional não aconteceu”.

Quem faz coro com essa afirmação é o bandido Ricardo Teixeira.

Haja tia e muito cuidado com boutiques. 

Se bobear Dominique Strauss-Kahn ainda acaba presidente da França, próxima vítima da “crise” nesse tabuleiro de ajuste da nova ordem econômica. A imperialista capitalista.

No mínimo vão chamar o secretário de relações exteriores do PT – no rodízio da pelegada – com o objetivo de explicar tudo fazendo top top. 

José Serra vai atrás espargindo o incenso, FHC dando a bênção e Alckmin montado em cavalo da PM com a bandeira da USP como troféu.

Aécio sobra, não é páreo para essa gente. Órfão desse tipo de tia acima descrito. Já no bafômetro...

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O insaciável Strauss-Khan

Dominique Strauss-Khan "em cana"

Publicado em 20/07/2011 por Rui Martins

Berna (Suiça) - O espectro da fome ressurge na África. São três milhões de mortos em perspectiva. Mas os países ocidentais não podem ajudar, ao contrário, até diminuíram suas ajudas pela metade, pois o dinheiro disponível para as emergências precisou ser usado na ajuda aos bancos, ameaçados de falência na recente crise.

Nesta quinta-feira, os dirigentes dos países europeus se reúnem para tentar encontrar uma saída para a crise grega, um país inteiro à beira da falência, com o risco de arrastar consigo toda a estabilidade financeira e mesmo política da Europa.

Nos EUA, Obama tem mais algumas semanas para encontrar uma solução para a crise da dívida interna, enquanto o dólar vai perdendo o valor e sua cotação é menos da metade do valor do ano retrasado na Europa.

Na França, já em plena pré-campanha eleitoral para a presidência, não se fala no terremoto financeiro detetado pelos sismógrafos das bolsas. Mas da telenovela de sexo, mentira, complô, traição e tentativa de violação de uma camareira pelo ex-dirigente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, DSK, agravada pela denúncia de uma jovem escritora francesa, de ter também sido assediada pelo potente e insaciável economista, que, pelo jeito, não precisa de Viagra.

A telenovela DSK tem todos os ingredientes de um vaudeville ou ópera tragicômica, com a entrada em cena das personagens francesas. A jovem quase violada vem a público e abre processo oito anos depois dos fatos, quando nada se poderá provar. Mas sua intempestiva intrusão na justiça acaba por envolver sua própria mãe, que confessa ter tido uma relação sexual consentida com DSK, porém de rara violência.

O caso assume feições familiares, pois a queixosa de tentativa de violação é amiga da filha de DSK, que estuda em Nova Iorque e apareceu na televisão com a atual esposa de DSK, no episódio da prisão e libertação preventiva do ex-dirigente do FMI. E, por sua vez, a ex-esposa de DSK é madrinha da escritora vítima de tentativa de violação. Ao que parece todas estavam a par dessa história, mas, interrogadas pela polícia francesa, contaram versões diferentes.

E, reforçando a hipótese dos amantes de complôs, houve realmente uma tentativa de se envolver o candidato socialista, François Hollande nessa confusão, por ter sido informado, quando presidente do Partido Socialista, dos ardores de DSK, mas sem tomar qualquer iniciativa. Enraivecido e com receio de ser envolvido, Hollande fez questão de ir à polícia para declarar não ter nada a ver com essa história.

Com isso, os franceses se esquecem de que o capitalismo está de novo hospitalizado no serviço de cuidados intensivos. Os sintomas são os mesmos da crise ocorrida nos EUA – muito capital especulativo, pouco capital produtivo, muito dinheiro nas mãos de poucos e pouco nas mãos da população provocando um alto endividamento, ou seja, o excesso de acumulação de capital está provocando uma baixa de consumo.

Para reforçar suas exportações, os patrões alemães conseguiram dobrar os sindicatos e baixar seus salários, competindo no mercado com os produtos portugueses, espanhóis, gregos, irlandeses e italianos.

Embora hoje alvo das críticas européias, a Grécia cedeu às ofertas dos países ricos europeus, comprando um excesso de desnecessários armamentos, que agora reforça sua dívida e não tem condições para pagar.

Sem se esquecer que as riquezas desses países ameaçados de falência como a Grécia voaram rapidamente para lugares seguros como a Suíça e outros paraísos, que mesmo melhor controlados continuam sendo um bom refúgio.

A política neoliberal está destruindo a União Européia tanto politica como economicamente. E o pior é que se a Grécia falir, virão junto os bancos que dela se apropriaram e com os bancos toda a Europa. E logo a seguir os EUA.

A fome no Sudão, a perda das conquistas sociais dos gregos e logo a seguir de todos os europeus, a força dos bancos que dominam países com seus empréstimos, tudo isso são violações econômicas em cadeia, como na telenovela DSK.


Rui Martins – Berna
Jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura, é líder emigrante, ex-membro eleito no primeiro conselho de emigrantes junto ao Itamaraty. Criou os movimentos Brasileirinhos Apátridas e Estado dos Emigrantes, vive em Berna, na Suíça. Escreve para o Expresso, de Lisboa, Correio do Brasil e agência BrPress.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Reféns do terror

Laerte Braga

As redes de televisão no Brasil, em todo o mundo de um modo geral, se deliciam com transmissões espetaculosas de sequestros com reféns. Centenas de filmes já foram feitos sobre esse assunto e muitos seriados de tevê costumam exibir esse tipo de situação.

Via de regra criam um suspense no telespectador, ou mesmo no ouvinte, quando a transmissão e via emissoras de rádio, exorbitam os momentos de maior tensão, tentam contato com os eventuais sequestradores, ou um refém, enfim, a pantomima típica da sociedade do espetáculo.

Tragédias restam sendo pratos feitos para a mídia.

Ato contínuo à prisão de Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), em si um espetáculo, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin fez declarações à jornalistas em seu país afirmando que o francês estava sendo “vítima de mais uma armação americana”.

Os fatos mostram que Putin estava correto. E baseado em relatórios do serviço secreto de seu país.

O serviço secreto francês advertiu Strauss Kahn para que deixasse o território norte-americano imediatamente, pois havia recebido informações que a CIA pretendia criar-lhe sérios problemas. A advertência foi feita na manhã do dia em que o ex-diretor do FMI foi detido dentro de um avião, pronto para regressar a Paris e Strauss Kahn só foi localizado pela polícia de New York por ter cometido o erro de ligar do aeroporto para o hotel solicitando que seu celular fosse enviado para a França.

Monitorado desde sua chegada aos EUA a ligação telefônica foi a gota d’água. Ao tentar deixar New York às pressas não o fez por conta de ter cometido crime de assédio sexual, ou abuso sexual contra uma camareira. Houve sexo entre os dois, foi consensual e a funcionária do hotel estava apenas aguardando o sinal dos serviços de inteligência dos Estados Unidos para denunciar o crime (enquanto isso foi limpando e arrumando outros quartos, a queixa foi dada duas horas depois do fato).

O celular que teria sido esquecido em meio ao que a mídia chamou de “fuga apressada” foi apenas uma recomendação dos serviços secretos franceses para evitar que fosse localizado. Acabou sendo o responsável por sua prisão, àquela altura, antes da ligação para o hotel, a polícia já havia perdido sua pista.

Kahn foi aos EUA cobrar uma dívida de 200 toneladas de ouro do país com o FMI e interpelar o governo norte-americano sobre as notícias que circulavam pelo mercado financeiro que não havia mais reservas do metal em Fort Knox (num dos filmes da série James Bond, GOLDFINGER, o criminoso planeja e tenta um assalto ao local).

A gravidade do fato e o pânico que começava a gerar em mercados de países do resto do mundo já haviam sido mencionados na Câmara dos Representantes dos EUA pelo deputado Ron Paul. Pré-candidato a presidência da república em 2012, o parlamentar queria informações sobre o destino do ouro de Fort Knox, até por conta de uma suspeita de que 60 toneladas foram dadas à China em pagamento e acertos da balança comercial e seriam de ouro falso (tungstênio revestido de uma camada de ouro). É pouco provável, mas não impossível em se tratando de norte-americanos e banqueiros judeus/sionistas.

O banqueiro egípcio Mahmoud Abdel Salam Omar, amigo de Kahn e a quem o ex-diretor do FMI solicitara ajuda quando de sua prisão foi detido pela polícia de New York sob as mesmas acusações já em si consideradas improváveis pela mídia. Salam Omar é muçulmano convicto e tem 74 anos de idade.

Detetives contratados pela defesa de Strauss-Kahn para apurar os fatos, inconfidências de ex-agentes da CIA – Agência Central de Inteligência – e gravações telefônicas de diálogos da camareira com familiares, mostram que a imigrante foi ao quarto de Kahn sabendo de quem se tratava, ofereceu-se para fazer sexo com o mesmo e contava ganhar cinco milhões de dólares no processo de indenização por danos morais. Tem ficha criminal e é inclusive acusada de prostituição por outros hóspedes, arrolados como testemunhas de defesa de Strauss-Kahn.

A primeira reação dos norte-americanos foi suspender a prisão domiciliar do ex-diretor do FMI, a fiança (devolver-lhe o dinheiro) e a promotoria pública de New York cogita, afirmam os jornais e redes de tevê dos EUA, de retirar todas as acusações evitando um julgamento público, no qual essa história viria à tona.

O passaporte de Dominique Strauss-Kahn terá que ser devolvido ao político francês. É considerado um dos principais adversários de Nicolás Sarkozy nas próximas eleições presidenciais. A farsa revelada o recoloca no páreo segundo alguns observadores.

A Comissão Européia aprovou no dia 10 de junho um regulamento 562/2011 que promove cortes no programa europeu de ajuda alimentar de 500 milhões de euros a cidadãos da própria Europa. Um corte de 77,4% nos recursos destinados ao programa. Isso significa que 15 milhões de europeus não terão recursos suficientes para pagar uma refeição por dia.

A revelação foi feita pela FEBA – Federação Europeia de Bancos Alimentares – que lançou um apelo ao Conselho para rever os cortes no programa. Os 240 bancos alimentares da FEBA distribuíram 360 toneladas de alimentos para associações de caridade e serviços sociais em 21 países da Europa. Mais da metade dos recursos para a compra de alimentos vieram do programa cortado pela Comissão Europeia.

Em documento público a FEBA adverte que as estatísticas revelam que 43 milhões de europeus estão em risco de pobreza. Não podem pagar uma refeição adequada a cada dois dias. E afirma o comunicado:“a aplicação desta decisão poderá reforçar a percepção de uma Europa tecnocrática que não se preocupa com o destino das pessoas”.

A Comunidade Europeia é uma ficção. Os países que integram o bloco, a zona do euro como costumam dizer, foram transformados em reféns do terrorismo militar e econômico dos Estados Unidos. Soberanias e independências estão em franca dissolução.

Mas preparam-se para invadir a Líbia e assegurar o petróleo naquele país.

A conta vai ser paga pelos trabalhadores, no empobrecimento das chamadas classes médias como está visível na Grécia.

A arrogância de um funcionário subalterno dos EUA, o primeiro-ministro inglês David Cameron, afirmando que o multiculturalismo acabou é jogo de cena, submissão absoluta da extinta Grã-Bretanha, atual Micro-Bretanha.

O episódio Strauss-Kahn, a crise na Grécia, a próxima invasão da Líbia (determinada pelo governo do terrorista Barack Obama), mostram um tipo de tragédia que as redes de tevê em boa parte do mundo – no Brasil então nem se fala – não vão mostrar, exceto sob o ângulo determinado por Washington.

A preocupação não é o fato, mas a versão de quem paga, ou de quem mantém o mundo refém de um arsenal nuclear capaz de destruir o planeta cem vezes se necessário for. A diferença entre a camareira do hotel em New York e sua forma de prostituição com os hóspedes – já comprovada – e a mídia, no Brasil, por exemplo, é que nossos jornais, revistas, redes de tevê e rádio e jornalistas são prostitutas por vocação. 

Nem Ian Fleming ao imaginar e criar o agente James Bond, a organização terrorista SPECTRE – especializada em chantagem, extorsão, assassinato – poderia supor que o complexo EUA/Israel Terrorismo S/A viria a superar o que parecia impossível de ser superado.

Não há lugar para pragmatismo em toda essa situação. Não há diálogo possível com terroristas (vivem dizendo isso os norte-americanos).

Essa história de nova ordem econômica mundial é balela capitalista e vive um momento que prenuncia que os sequestradores estão prontos para executar os reféns se não forem atendidas suas exigências.

Submissão absoluta e total ao terrorismo norte-americano/nazi/sionista.

Por trás das cortinas grandes corporações, bancos e latifundiários.

No caso específico da América Latina ou os governantes compreendem isso e mobilizam os latino-americanos para a percepção clara do que se passa, do quadro real que existe, ou, de novo, seremos América Latrina. Já o são o México, a Colômbia, o Chile e outros. Também o Canadá (“um México melhorado” segundo os norte-americanos).

Os terroristas nadam de braçada nesse esquema.

É simples entender isso. Ou reagimos, ou reagem os povos de todo o mundo, ou uma versão bem mais boçal e primitiva que Hitler, recheada de tecnologia nuclear, vai transformar a tudo em grandes campos de concentração.

Já estão pondo em prática essa forma de terrorismo. Aumenta à proporção que a falência dos EUA e a boçalidade genética dos judeus/sionistas vai se revelando uma verdade cristalina.

O efeito dominó, explicação do terrorista Henry Kissinger nas décadas de 60/70 para justificar a guerra do Vietnã – cai um caem todos – vale agora, mas com um sentido diverso. Cada Grécia, cada Espanha, cada Irlanda, cada Líbia, cada canto do planeta, vai sendo derrubado no terror e na extorsão de EUA/Israel Terrorismo S/A.  

Se ainda não somos totalmente, podemos vir a ser reféns desse terror e em breve.

domingo, 3 de julho de 2011

Silêncio sobre a Líbia



Publicado em 03/07/2011 por Mário Augusto Jakobskind

E na Líbia permanece o impasse.  Os bombardeios diários da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) não alcançaram o objetivo de terminar com o governo de Muammar Kadafi. Com a divulgação pelos meios de comunicação de todo o mundo, Khadafi está sendo responsabilizado por uma série de violações dos direitos humanos. O Tribunal Penal Internacional decidiu decretar a prisão do dirigente líbio acusando-o de assassinatos e outras violências, como, por exemplo, ter ordenado que seus soldados praticassem estupros em mulheres.

Enquanto tais informações circulavam pelo mundo, o jornal britânico The Independent publicava relatório da Anistia Internacional inocentando regime de Muammar Kadafi e incriminando os rebeldes que têm o apoio da Otan. Quer dizer, todas as denúncias de violências contra as forças do governo Kadafi caíram por terra. Podem ser consideradas do mesmo rol do esquema que antecedeu a invasão do Iraque, como as tais armas de destruição em massa, que nunca existiram. Tudo por causa do petróleo.   

A Anistia encontrou indícios de que em várias ocasiões os rebeldes em Benghazi fizeram deliberadamente declarações falsas e distribuíram versões mentirosas sobre crimes cometidos pelo governo líbio.

No mesmo embalo das denúncias feitas pela Anistia, vale lembrar a série de advertências formuladas pela Secretária de Estado, Hillary Clinton, que visivelmente faz o jogo do complexo militar. Ela baseou todas as acusações a Kadafi em “informes” inventados pelos rebeldes, mas como as denúncias da Anistia Internacional foram pouco divulgadas, Hillary continua em vantagem na mídia de mercado, que ajudou, como de outras vezes, a dourar a pílula dos estadunidenses. Quer dizer, a farsa do Iraque se repete na Líbia. Os bombardeios diários da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que alguns canais de televisão denominam erradamente, por ignorância ou opção ideológica, de Aliança Ocidental, inventaram pretextos para intervir no país norte africano.

É inconcebível que esta prática se repita em todas as áreas do planeta onde há riquezas cobiçadas pelos Estados Unidos e demais países industrializados. E ainda pior: bombardeios inteligentes atingem alvos civis e provocam mortes em nome de “intervenção humanitária”.

Depois do relatório da Anistia Internacional espera-se que organismos internacionais como a ONU, ao menos investigue de forma isenta, e mesmo reveja a posição adotada contra a Líbia. Ou pelo menos decretem um cessar fogo, como sugeriu o ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva em uma reunião com representantes de países africanos.

Se não fizer uma dessas três sugestões e seguir dando pretexto para os bombardeios, a credibilidade da entidade vai a menos zero. Agora está em zero, mas se entrar em novo patamar poderá recuperar a credibilidade.

O que teriam a dizer sobre tudo isso a Presidenta Dilma Rousseff e seu Ministro do Exterior, Antonio Patriota? Afinal de contas, a OTAN, com a chancela da ONU comete sérias violações dos direitos humanos. Ficar calado ou apoiar é na prática aprovar. Até porque, a própria Presidenta brasileira já deixou claro inúmeras vezes que se posicionaria onde se cometam violações dos direitos humanos.

Mas é preciso tomar cuidado para não cair na armadilha estadunidense que bota a boca no trombone apenas contra países que não fazem o jogo da Casa Branca. A Arábia Saudita, governada por uma família real aliada de Washington, que viola diuturnamente os direitos humanos, não é condenada ou sequer citada pelos Estados Unidos, da mesma forma que a entrada de tropas sauditas no Bahrein para reprimir manifestantes foi aceita como um fato normal.

E no episódio Dominique Strauss-Kahn, como denunciavam alguns analistas, uma parte da verdade começou a aparecer. Os meios de comunicação de mercado já tinham condenado de antemão o francês, em mais uma demonstração de irresponsabilidade jornalística. Como agora apareceu a versão segunda a qual a camareira queria mesmo arrancar grana de Strauss-Khan, começa a surgir à ponta do iceberg de uma história que pode ter ainda maiores implicações políticas do que se imaginava.

Apesar de Strauss-Khan ser um representante do mundo das finanças, tinha desagradado, segundo especialistas, o mercado em declarações sobre questões relacionadas com as finanças internacionais, não será de se estranhar se em pouco tempo vier à tona algum tipo de ingerência de serviços secretos. E no lugar de Strauss-Khan foi nomeada ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, de linha absolutamente conservadora. Missão cumprida para os radicais defensores do deus mercado.

O caso merece ser profundamente investigado, porque o fato da camareira ter ligações com mafiosos, segundo a polícia de Nova York, não elimina a participação de algum serviço secreto, como a CIA, por exemplo, que muitas vezes utiliza artifícios dessa e outras naturezas para não aparecer.  E, como informou o jornal The New York Times, o surgimento de 100 mil dólares na conta bancária da camareira pode ter vindo sabe-se lá de onde.

A mídia de mercado que corre irresponsavelmente atrás da audiência para angariar mais anunciantes e que se fartou de explorar o caso, tem que fazer uma autocrítica imediata. E nesse sentido, valeria agora colocar em prática um tipo de jornalismo investigativo para esclarecer em definitivo o que se esconde atrás do caso. Resta saber se haverá vontade política para isso. Ou se a polícia de Nova York terá interesse em revelar mais fatos de bastidores. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

DOMINIQUE STRAUSS-KHAN, ANTONIO PALOCCI E O ESTUPRO DOS MEIOS DE INFORMAÇÃO

Raul Longo 

Raul Longo

Não imagino como, mas chegou às mãos de amiga minha da França um texto do Augusto Nunes. Que a Fundação Padre Anchieta do Geraldo Alckmin pague para Augusto Nunes falar, vá lá! Mas que ainda se o pague para escrever, é mesmo um espanto.

No entanto, a amiga francesa nem se deu ao trabalho de comentar o Nunes que naquele texto estabeleceu insólito paralelo entre a camareira do hotel onde se hospedou o Strauss-Khan e o caseiro Francenildo do caso Palocci de alguns anos atrás.

Analisando as acusações contra o presidente do FMI, a amiga lembrou que ele vinha acusando duramente o mascaramento da real situação da economia norte-americana e do dólar, ao qual apontava como moeda sem nenhum lastro a justificar-lhe qualquer valor, nem mesmo as baixas cotações que vem atingindo no Brasil e no mundo.

Tudo isso afora a evidência de que derrotaria Sarkozy nas próximas eleições ao governo da França.

A partir daí a francesa faz uma digressão freudiana sobre eventuais fixações em fase anal do desenvolvimento psicossexual de Dominique e, sem deixar de render homenagem a um expoente patrício, estende-se pelas teorias de Sartre sobre as secretas atrações dos brancos pelos negros. Mas arremata tudo com um simplismo encantador, lembrando que o presidente do Fundo Monetário Internacional, sem precisar recorrer à instituição alguma, pessoalmente teria dinheiro mais do que suficiente para satisfazer todos seus fetiches no próprio Parque Nacional do Serengueti.

No entanto, mesmo que a amiga não tenha considerado possíveis implicações entre o Id do bom Freud, o existencialismo do velho Sartre e o centro do poder do capitalismo mundial, acorreram-lhe outras cismas dignas de acareação como as declarações da “violentada” à polícia de Nova Iorque, onde teria afirmado que o “tarado” a obrigara a tirar o sutiã.

- “Qu’est que c’est?” – pergunta a francesa, admirando-se de uma camareira adentrando o quarto de um hóspede já em sutiã. Tem lógica, pois o ato de romper o jaleco, antecipando-se à ordem de retirar o sutiã, melhor justificaria a própria ordem e, sem dúvida, seria a mais contundente confirmação do caráter violento de Dominique.

Aliás, para essa característica do ex futuro Presidente da França já se arrumou a confirmação de uma cafetina e de duas ou três jornalistas, embora a mais íntima amiga de Dominique e viúva do escritor italiano Alberto Morávia, além das três esposas do acusado, neguem que seja violento. Inclusive a atual esposa que, junto da filha do casal, acompanhou e apoiou o marido em todos os depoimentos.

Maledicências à parte, corre a suspeita de que a viúva de Morávia e Strauss-Khan já se ligaram por relacionamentos mais íntimos do que amizade, mas isso de defender ex-marido, de per si, já coloca em dúvida a honestidade da declaração da cafetina. Das jornalistas não digo porque, afinal, como jornalistas, não seria mesmo de esperar honestidade alguma. O Código de Ética do Jornalista é conhecido em todo mundo: dizer “apenas a verdade e somente a verdade quando não houver quem pague pela mentira”.  

Mas vamos aqui ao nosso bom e assertivo raciocínio próprio: Você aí, cara e eventual leitora! Imagine-se em minha frente apenas de porta-seios. Em tal intimidade não lhe pareceria natural que lhe pedir plena e ampla exposição de seus dotes? Uma evidência, pois não? No entanto, perceba: se sem mais aquela, num repelão lhe arranco a vestimenta e então a mando retirar o sutiã; em que momento lhe serei mais ofensivo ou parecerei mais violento?

Se ao me deparar com sua pessoa, apenas mando: - “Tire o sutiã!”, o que pensará a meu respeito? De que me denunciará? Mas e se antes de mandar alguma coisa, agarro-lhe pela gola e arrebento-lhe os botões do jaleco, blusa, uniforme, o que for! Qual será o primeiro tema de sua denúncia? O rompimento da roupa ou a ordem para que tire o sutiã? Se arrebentei a roupa de cima, por que também não o sutiã? O que me move a acreditar que você obedecerá a minha ordem de tirar o sutiã? Obedecerá?

Bem... Provável que a amiga francesa não tenha considerado a atrapalhação própria do nervoso da suposta vítima, provavelmente ainda pouco familiarizada com o idioma inglês. Mas, sem se influir pelo paternalismo que nestas ocasiões comove até os mais racistas como Boris Casoy que lamentou a humildade do caseiro Francenildo para depois classificar como merda os votos de bom ano-novo dos garis de São Paulo; a amiga prosseguiu em seus questionamentos me fazendo lembrar dos tempos em que viajava a trabalho para órgãos de governo e grandes empresas.

Não lembro de alguma vez ter me hospedado em estabelecimento da rede Sofitel, no entanto nos mais simples hotéis dos que visitei e inclusive na pequena e modesta pousada onde trabalho, é de praxe não se adentrar aposentos quando ocupados pelos hóspedes. E sob nenhuma hipótese. Talvez, se um dia alguém berrar que a vida se lhe esvai, me obrigue a usar uma chave mestra rompendo com esta regra universal da hospedagem comercial. Mas, em outro caso, inimaginável!

De toda forma, relacionando o caso do Presidente do FMI com o Antônio Palocci como Ministro da Economia, Augusto Nunes me faz lembrar de quando, como assessor da Secretaria de Comunicação do Mato Grosso do Sul no último governo da ditadura militar, tinha de me hospedar nos hotéis de Brasília.

Não bastasse o desconforto de estar “em plena capital do país sem ter sequer uma arma na mão”, como já cantou Ferreira Gullar, ainda havia lá um representante do estado que me aconselhava a manter o crachá indicando meu nome e cargo. O retirava ao final de cada uma daquelas horríveis reuniões, e o idiota garantia que cada recepcionista, balconista, garçonete, camareira, o que fosse, atenderia ao meu primeiro assovio por ali se conhecer quão pródigos costumavam ser os “aspones” com as verbas de representação que financiavam o grande puteiro em que a ditadura transformou o Distrito Federal.

O escritório administrado por aquele representante era muito pequeno e o preferia ausente de uma reunião que necessitei fazer com integrantes do CIMI – Conselho Indigenista Missionário, de comunidades indígenas, da FUNAI e da UnB. O próprio Ministério do Interior, do Andreazza que posteriormente ordenou minha demissão por telefone, recomendou um certo estabelecimento não oficial, próprio para reuniões informais como deveria ser a que pretendia. Preocupado com relatos de convenções subitamente transformadas em orgias, indaguei ao representante do Mato Grosso do Sul se não seria mais um lupanar disfarçado.

A resposta foi sintomática: - “Não necessariamente, mas os serviços podem ser disponibilizados assim que os desejar”.

Não tenho como afirmar que o Francenildo das ilações do Augusto Nunes foi plantado numa armação ao Palocci, nem vou imitar o “profissional” de informações públicas considerando que isso de seios à mostra possa ser costume das origens africanas da camareira do Sofitel de Nova Iorque, conforme documentado pela National Geographic. Até porque, sem dúvida, foi uma tremenda besteira aquilo de violar o sigilo bancário do rapaz para comprovar a contratação de seu falso testemunho.

Apesar de que o risco assumido pela violação do extrato bancário ratifique a certeza da inocência de Palocci, era para ter imaginado que a sentença da mídia não se revogaria por tais evidências, pois a estes ditos “profissionais” de informação pública não cabe o exercício do raciocínio simples e natural como o da minha amiga francesa. Afinal, a mídia não é feita para quem raciocina e sequer se relaciona através desse tipo de comportamento.

A mídia explora os tais paternalismos e outras hipocrisias como a acima exemplificada em Boris Casoy, mas no meu caso que durante os anos 70 percorri capitais e interiores da Bahia ao Maranhão, passando pelo Piauí de onde se depositava na poupança do Francenildo pelo alegado sigilo quanto a paternidade em virtude de fortuito relacionamento de quase 40 anos atrás; fica impossível acreditar no receio de tão tardia condenação familiar ao alívio das solitárias machezas de um então motorista de caminhão perdido por estes brasis, nada sendo tão natural e mais comezinho entre as tradições comportamentais e culturais do universo sertanejo. Inclusive com a benção de Padre Cícero Romão!

Aliás... O inverso é que seria estranho, pois se assim fosse, meio Brasil ‘tava em romaria atanazando a velhice dos nordestinos por paternidades de homens barbados se querendo de dependentes e pensionistas por simples atestados de DNA!
   
Talvez por similares experiências também em minha amiga da França essas conversas de adormecer boiada ao invés de efeito sonífero, estimulam e despertam a desconfiança e a fez lembrar de outro detalhe que também pude confirmar nos hotéis em que me hospedei, mesmo que não da rede Sofitel nem em Nova Iorque. Onde for, em qualquer hotel de nível a hospedar altos funcionários de instituições como o FMI, jamais as camareiras trabalham sozinhas.

Chego a visualizar-me seguindo pelos corredores atapetados em busca do elevador para o salão do “breakfast”, assustando as duplas de moças com meu “bom dia” tão pouco usual entre hóspedes e os considerados subalternos ou diferenciados, no jargão da paulistana Higienópolis.

Mais profissionais do que um Boris Casoy ou Augusto Nunes, seus colegas da Quatro Rodas certamente podem informar exatamente quantas estrelas serão perdidas por um desses estabelecimentos onde a mesma funcionária designada para manipulação de produtos de limpeza e recolhimento de roupas usadas, seja a encarregada de estender lençóis e dispor toalhas perfumadas na lavanderia.

Na verdade nunca antes questionei a razão de atuarem aos pares, mas a francesa me fez imaginar a má impressão causada pela camareira do Sofitel se depois de limpar o banheiro, proceder a reposição do frigobar. E como essa coisa de raciocínio é um círculo vicioso e quando se usa não há meio de dispensá-lo, acabei me perguntando por que diabos voltam à carga contra o Palocci?

No governo Lula, a razão ficou evidente pela saída do Dirceu não ter afetado a evolução sócio/econômica do país, como imaginaram. Daí, acreditando que se repetiria o mesmo de governos passados quando a cada novo ministro se mudavam estratégias através de novos e ineficientes planos para tentar agradar os especuladores; mas sem resultados que atendessem as reais necessidades sociais e empresariais, concluíram que o único jeito de inviabilizar o sucesso da gestão e cavar alguma possibilidade ao almejado impeachment, seria eliminar o promotor do avanço econômico.

Imaginaram errado e conforme a declaração do Presidente dos Estados Unidos ao Parlamento Britânico há poucas semanas, ao lado da China o Brasil já é considerado uma potência econômica que quebrou a hegemonia daquelas nações.

Não estou especulando como fazem os “profissionais” de informação. Não escrevo para o gado. Afirmo aqui o que ouvi e vi pela tela da TV. Só se o Barack Obama é quem esteja especulando e bancando o vaqueiro.

Se o Obama, contrariamente ao que fazem os “profissionais” de informações com os que não raciocinam, se fundamenta para o que declara a um público como o da Corte Britânica, a quem se deve a atual situação do Brasil perante a comunidade das nações?

Ao apedeuta? Ao chefe de quadrilha? À terrorista comedora de criancinha?

Sim, a todos eles, claro! Mas não podemos esquecer de que Palocci foi o responsável pelo Ministério da economia mais falida do mundo no início do governo Lula.

Naqueles idos éramos as maiores dívidas externas e o mais alto risco para investimentos entre as nações do planeta. E se devemos a toda a equipe do governo Lula muito do que foi conquistado por este país nos últimos 8 anos, sem dúvida é ao médico Antônio Palocci que devemos a possibilidade do início disso tudo com a reversão do recorde negativo em reservas do Tesouro Nacional para um histórico recorde positivo que nos protege contra a maior crise financeira mundial desde 1929, na qual se envolvem, até hoje, todas as nações a exceção, segundo o Presidente dos Estados Unidos, do Brasil e da China.  

Será por isso que retornam a carga contra o Palocci? Ou apenas mera inveja porque empresas de consultoria do Malan, Andre Lara Rezende e outros que ao se afastar do governo do país se dedicaram às mesmas atividades, não conseguiram auferir os mesmos rendimentos?

A lógica de mercado sempre foi valorizar mais aos profissionais de sucesso. Apenas nos veículos de informação se continua pagando para fracassados como Augusto Nunes, Boris Casoy, Reinaldo Azevedo e outros que passaram 8 anos tentando impedir a capacidade de raciocínio da população, e o mais que conseguiram foi manter alguns poucos ainda embotados e idiotizados a mugir a mesma lenga-lenga de adormecer boiada.

Não me espantará quando um desses, a exemplo do que já se fez com o Zé Dirceu, tentar que eu atenda ao berrante de acusações de que Palocci presta consultoria a um Eike Batista, por exemplo. Evidente!

Eike não seria o homem mais rico do Brasil se pagasse consulta para assessor de governo que faliu o país!

Não me espantaria, sequer, se um Malan contratasse a consultoria do Palocci.

Não é preciso comungar ideológica ou politicamente, nem ser muito inteligente.

Basta ter algum senso de responsabilidade pelos próprios interesses.

Como a oposição não tem nenhuma responsabilidade para com o país, optou pelo que pouco que lhe resta e “na falta de tu, vai tu mesmo”, repetindo as mesmas coisas com o mesmo Palocci, na tentativa de remontar o velho palanque para sua nova bancada.

Estão certos! Têm mesmo de inventar algum meio de projeção, pois afora o Álvaro Dias e um ou outro, se existir, mais nenhum correligionário tem a projeção nacional angariada nas CPIs de fim de mundo. E se mesmo com aquelas velhas CPIs a maioria de seus candidatos se desgastaram em sucessivas derrotas, o que não será nas próximas eleições se não cavam uma nova CPI?

De que adianta pagar o jabá de um Augusto Nunes, se não lhe arrumam uma pauta. O pessoal já é fraquinho de argumento, não convencem quase ninguém, se ainda não lhe fornecerem algum assunto para especular, na próxima eleição não comparecerão nem as vacas de presépio!

Só que ao comparar a armadilha, lá acionada por uma camareira e aqui por um caseiro, ainda que entusiasme alguns velhos e persistentes quadrúpedes, o encantador de bovinos conhecido como Augusto Nunes sem perceber acaba desmascarando, ao invés de reafirmar acusações. Mas não vou reproduzir a nota do Nunes que despertou a percepção da minha amiga francesa. Como disse, não escrevo para o gado anêmico desses “profissionais” da mídia brasileira. Escrevo para inteligências de maior sustância e conteúdo, como a da bela amiga da França para quem exponho, e aos demais capazes de raciocínio próprio, duas recentes declarações do Dominique Strauss-Khan:  

“Ainda só fizemos metade do caminho” – referindo-se ao fim da crise internacional – “Temos que reforçar o controle dos mercados pelos Estados, as políticas globais devem produzir uma melhor distribuição dos rendimentos, os bancos centrais devem limitar a expansão demasiado rápida dos créditos e dos preços imobiliários Progressivamente deve existir um regresso dos mercados ao estado”.

Por muito menos do que isso, chéri, aqui no Brasil deram inicio a instauração das sangrentas ditaduras militares da América Latina. Mas, para piorar, às vésperas da armação no Sofitel, na George Washington University, Strauss-Khan foi ainda mais longe:

- A mundialização (globalização) conseguiu muitos resultados… Mas ela tem também um lado sombrio: o fosso cavado entre os ricos e os pobres. Parece evidente que temos de criar uma nova forma de mundialização para impedir que a “mão invisível” dos mercados se torne num “punho invisível”.

Já imaginou alguém com esse pensamento como Presidente de uma das maiores economias da Europa? Inadmissível! E se não tinham como arrumar uma CPI ou um caseiro, o jeito foi apelar para o sutiã da camareira obrigada à prática de sexo oral. ‘Tá aí outra coisa difícil de se imaginar como se possa obrigar sem uma arma para coação. Mas vamos evitar especulações sórdidas como a dos “profissionais” de informações para boi dormir.