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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Os novos fundamentalismos

Giuseppe Cocco
Intervenção em “Encontros Moviola”, 21/10/2010, reunião e debate na Livraria Moviola, RJ. / Filme e outras intervenções 
_________________________

O fascismo, o fundamentalismo de tipo novo, não está, em minha opinião, por exemplo, num vídeo que me mandaram – e fiquei indignado que pessoas que eu conheço tenham-se atrevido a me mandar aquilo –, e que, no “Assunto”, trazia a expressão “Dilma Ladra”. O vídeo mostrava um discurso do [deputado] Bolsonaro (que foi eleito aqui no Rio, na coalizão governativa, pra vermos como as coisas são enroladas). O vídeo acusa a candidata Dilma, hoje candidata, de crimes dos quais a ditadura a acusou, há muitos anos. 

O que quero dizer é que o fascismo não está, em minha opinião, no fato de se usarem temas fascistas. Dizer que alguém estaria reintroduzindo no Brasil do século 21, por exemplo, o integralismo. Não. Acho que o fascismo está, isso sim, no uso instrumental de um debate, que acaba se transformando numa armadilha, que reduz completamente o espaço da democracia.

Nesse exemplo, não falo do fato de alguém usar instrumentalmente um vídeo pra fazer alguém perder votos. O fascismo está, sim, em dizer que o que vale na valoração moral da legalidade ou ilegalidade (“ladra” ou “não ladra”) é o que disse um tribunal de exceção, de uma ditadura militar.

É como se Togliatti, líder comunista italiano, voltando de Moscou, depois da 2ª Guerra, é como se a Democracia Cristã italiana usasse, para falar de Togliatti, no debate político, sentenças dos tribunais de Mussolini sobre Togliatti. Como se De Gaulle, voltando junto com os aliados para a França Vichyista libertada com os aliados, fosse apresentado nos termos do que os tribunais Vichyistas e  Petainistas diziam dele. É uma coisa muito preocupante.

Não se trata apenas de tentar usar o medo: de fato, se introduzem na discussão critérios inaceitáveis de valoração moral.

Mas não é fenômeno só brasileiro. Na Espanha, por exemplo, houve o juiz Garzón, juiz importante, que mandou prender Pinochet, que sempre teve desempenho muito correto na ordem liberal, e tornou ilegal um partido que reunia 20, 25% do eleitorado no país basco. Desmontou o Herri Batasuna, partido ligado ao ETA. Mas, quando começou a aplicar aos franquistas a mesma lei que aplicara aos ditadores chilenos e argentinos, o juiz Garzón passou a ser acusado de ter ligações com o ETA e foi destituído e está sendo acusado de abuso de poder. 

O que quero dizer é que há um retorno dos temas, mas o problema não está em que alguém tenha hoje, no Brasil, um projeto fascista, porque isso não há. Ninguém tem projeto fascista. O que há é diferente.

Não há projeto fascista no Brasil, mas há, sim, um fundamentalismo, sim, que funciona como um fascismo, ao meu ver. Qual é a marca desse fundamentalismo?

Começo com outro exemplo. Logo depois que publiquei um artigo de opinião na Folha de S.Paulo, a favor de Dilma [1] e discutindo aspectos do desenvolvimentismo (o que, aliás, discutimos aqui mesmo, na última reunião que tivemos aqui), telefonou-me um amigo, elogiou o artigo, e tal, e disse “[só não concordo com defender Dilma, porque] Dilma é hipócrita”. Perguntei: “Mas... por quê?” “Porque ela dizia que era a favor do aborto, e agora diz que é contra.”

E eu: "Ora essa! Você queria o quê? Que ela agora deveria dizer que defende, que deveria assumir tudo que lhe atribuem... sem discutir nada, sem avançar argumentos, se deixar pautar pelo que lhe atribuem? Ninguém discutiu nada! Não há espaço pra discutir nada!”

Como funciona esse debate? Exatamente como funciona no fascismo, no nazismo, que são formas de mobilização das massas que não se fazem como construção da democracia, mas como perda de democracia, pelo impedimento de todos os debates. Cria-se o obscurantismo. E perdem-se todos os espaços de debate.

Como se responde a alguém que diga o que eu ouvi do meu amigo? Que, para vencer a eleição, Dilma deveria assumir tudo o que lhe atribuem e atribuem para fazê-la perder a eleição... O debate ficou impossível.

Esse obscurantismo não é volta ao passado, os novos obscurantistas usam a internet, todas as ferramentas. Operam por dentro, para destruir toda e qualquer possibilidade de debate – e isso é que é importante [fim do primeiro filme]

Outro exemplo: o Daniel Cohn-Bendit andou pelo Brasil, circulou por aqui antes do no primeiro turno, e deu entrevistas [2]. Fez críticas violentas ao governo Lula, disse que o governo Lula tinha políticas de desenvolvimento do século passado (aliás, não faz nem dez anos! [risos]).

Eu tenho amigos franceses que trabalham com ele, no movimento ecologista, que se está unificando na Europa. Eu disse a eles: "[Cohn-Bendit] andou aqui, acho que não entendeu nada.” Ficou por isso mesmo. 

Agora, no segundo turno, voltei a fazer contato com eles e disse: “Bom, agora, há risco real de a direita vencer. A Marina e o PV, no mínimo não vão tomar partido; e muitos deles consideram assumir a direita. O que vocês vão fazer?”

E eles, lá, fizeram um documento, muito moderado, com críticas à Dilma, mas dizendo aos ‘verdes’ brasileiros que eles têm de assumir o rumo da esquerda. Me mandaram o documento.

Peguei o documento e liguei para a FSP, com quem tenho alguns contatos, às vezes publico lá, e ofereci o documento. “Estamos interessados”, me disse alguém. E nada. Voltei a ligar, e me disseram “Mas o pessoal que assina não é gente muito conhecida...”. Digo eu: “Desculpa, mas, quando passaram por aqui, antes, vocês acharam que sim, eram muito conhecidos. Agora, acham que não...”

Os signatários são dois ex-ministros do Meio Ambiente da França, três co-presidentes dos verdes europeus, que é a 3ª força na Europa, na França vai ser força decisiva nas próximas eleições, sempre aliados à esquerda, são todos senadores, há a senadora-prefeita de uma subprefeitura com 100 mil habitantes, da Grande Paris, que sempre foi governada pelo Partido Comunista, Montreuil, o José Bové, da Via Campesina, militante da agricultura familiar, ligado ao MST, super conhecido no Brasil... E nada.

Dias depois, me liga outro jornalista da FSP, de Brasília, e me diz: “Estou interessado no manifesto, mas queria saber se é normal que os verdes europeus tomem posição em eleições em outros países...” E eu: “Bom, quando eles andaram por aqui, no primeiro turno, vocês acharam que era perfeitamente normal...” [risos]

De qualquer modo, aproveitei pra dizer que “esse manifesto foi escrito porque, dado o peso político que estão ganhando, os verdes europeus são atravessados pelo debate sobre que lado estão, se devem ficar neutros no início, e depois se alinhar a um lado ou outro. Então, nesse caso, estão aproveitando em primeiro lugar, para apoiar a esquerda no Brasil. E aproveitam para dizer, também, que, caso a opção se apresente na Europa, a opção pelo candidato progressista, tem de ficar clara, desde o início da discussão.” E ele disse: “Então, a Dilma seria progressista...” Digo: “Eu acho que sim. Eles, também”. Só opiniões minhas, e a opinião do jornalista.

Dias depois publicaram matéria sobre Dilma e os projetos ambientais, em que o Greenpeace contestava os verdes brasileiros que apóiam Dilma [3]. O Greenpeace ganhou espaço, os verdes europeus, não. Ora, que eu saiba, o Greenpeace não é propriamente brasileiro, é global. Acho normal que opinem. O caso é que o Greenpeace tem espaço para opinar sobre o Brasil, e s verdes europeus, não. E o jornalista da Folha de S.Paulo me disse: “Eu escrevi e o editor cortou, porque achou que não era importante.”[4]

Para concluir, queria dizer, sobre os novos fundamentalismos, que acho que o fundamentalismo não é uma volta do fascismo como foi, mas é uma forma de falsificação sistemática, que usa todas as tecnologias, como faz o fundamentalismo islâmico do tipo Al-Qaeda, mas que usa as tecnologias de tal modo que reproduz hierarquias e falsifica o debate democrático.

Acho que temos hoje em ação dois fundamentalismos: um fundamentalismo que está completamente em crise, vertical, que é o fundamentalismo de mercado, que vive de dizer que tem de cortar, tem de cortar, coisa em que ninguém mais acredita. O Brasil somos nós. Cortar o “custo Brasil” significa nos cortar... e privatizar, idiotice pura, ninguém mais acredita nisso.

Vale o mesmo para a tal de sustentabilidade econômica, em que ninguém acredita mais. Sem esse fundamentalismo, todos se mudaram imediatamente para outro fundamentalismo.

Vê-se bem no caso dos EUA, Wall Street. Se se retirar da economia todo o dinheiro que o Federal Reserve pôs na Bolsa, nos bancos, nas seguradoras, a coisa desmorona. A discussão que se tem de fazer tem a ver com o valor político da moeda.

Então, por um lado temos o fundamentalismo de mercado, que usa sempre só o que esse pessoal tinha como conteúdo (“Serra é o melhor administrado”, o “mais competente” etc. etc.) em que ninguém acredita. Daí, então, foram para outro fundamentalismo. Isso é que é preocupante.

O fato de eles terem passado imediatamente, do que se podia ler na imprensa (Serra dizia que não era candidato, depois pôs Lula na propaganda dele). As primeiras declarações do Índio da Costa de fato, até por terem sido tão desencontradas, anunciavam que eles iam passar imediatamente para outro fundamentalismo.

Fato é que essas paixões tristes ficam.

Não podemos analisar com leveza, porque parecem que serão derrotados, e mesmo que sejam, tomara, porque essas paixões ficam.

Ficam no retrocesso do debate, do debate que se poderia, mas não se pode fazer, de defesa da candidatura progressista. E elas ficam, também, em termos da mobilização social. Temos, sim, de estar muito, muito, muito preocupados.

Vê-se que já está acontecendo também nos EUA. É a mesma coisa, no movimento Tea Party, uma mobilização muito mais radical em termos de novo fundamentalismo do que os Republicanos de antes, e que está impedindo que se concretize, até, o pequeno avanço anunciado pela eleição de Obama. E o que está acontecendo na Europa também tem elementos muito importantes de radicalização, em termos de novo fundamentalismo, por exemplo, no crescimento da xenofobia.

O que estamos assistindo hoje, nessa involução da campanha pró-Serra, não é a defesa do neoliberalismo e das privatizações, mas é exatamente o que será o pós-neoliberalismo do ponto de vista da direita. Parece que haverá uma volta do discurso estatal, de direita, autoritário, pesado, que nós, em geral, subestimamos, subavaliamos.

Temos, portanto, que avaliar essa campanha, e temos de estar preocupados, num horizonte que vai além dessa campanha.

A nova direita que vem aí é direita da pesada, e que tem de preencher o vazio do fundamentalismo do mercado, em que ninguém acredita mais, o tucanês, em que ninguém acredita mais.

O risco que enfrentamos hoje é que o “choque de gestão” pode muito rapidamente virar "choque de ordem" [fim do segundo filminho].

Notas de Rodapé
[1] COCCO, Giuseppe, 17/10/2010, “Dilma é garantia do processo democrático”, Folha de S.Paulo, Tendências & Debates, p.3,
[2]Eu sou um mito", afirma Cohn-Bendit, Folha de S.Paulo, 25/8/2010, Ilustrada, p. 16,   
[3]Em evento tumultuado, Dilma mostra plano ambiental genérico”, 21/10/2010, Folha de S.Paulo, em  .
[4] Notícia sobre o manifesto dos verdes europeus foi afinal publicada em jornal de Mato Grosso, Folha do Estado, só dia 30/10/2010, matéria da redação), e inclui a íntegra do manifesto:

A íntegra do manifesto:

A candidatura de Marina Silva trouxe para o eleitorado de Dilma, a pupila de Lula, a grande surpresa do primeiro turno. É preciso saudar a novidade que representa a candidatura de Marina Silva que já lutava, desde o período de sete anos em que foi ministra do governo Lula, para fazer entrar verdadeiramente as questões ecológicas na pauta de preocupações do governo brasileiro de esquerda. Com sua presença no escrutínio, a diversidade de lutas sociais, de todas as minorias (sexuais, religiosas) encontrou uma voz.

O placar de 19% do total de votos para uma candidata independente, sem apoio de partidos poderosos, representa a segunda grande surpresa. Ele prova que o Brasil se transforma muito mais profundamente do que apenas no plano do crescimento econômico. Para a democracia e a cultura, este já é um passo considerável.

Na América Latina, da Colômbia ao Chile, e agora também no Brasil, para além dos diferentes contextos, as questões ecológicas entram definitivamente na pauta das eleições presidenciais, o que não é mais o caso na Europa. O Brasil é a sétima potência mundial. Nenhum europeu em sã consciência pode se desinteressar pelo que está em jogo para os destinos ecológicos e sociais do planeta.

Esta é a razão pela qual desejamos, através deste manifesto, expressar nossa inquietação. A batalha do segundo turno se anuncia bastante cerrada e, algo impensável até ontem, uma vitória da direita não está mais excluída. Na configuração de hoje, o partido verde está longe de ter a dimensão popular de Marina Silva. Algumas personalidades como Gilberto Gil, ele mesmo afiliado a este partido, conclamam a que se vote em Dilma sem ambiguidade. E nós compartilhamos desta posição. Prestemos bastante atenção ao seguinte: José Serra não é um social democrata de centro. Por trás dele, a direita brasileira vem mobilizando tudo o que há de pior em nossas sociedades: preconceitos sexistas, machistas e homofóbicos, junto com interesses econômicos os mais escusos e míopes. A direita sai do porão.

Contra as mulheres, as facções mais reacionárias das igrejas cristãs – incluindo aquela da mulher do candidato da direita que declarou publicamente que Dilma quer assassinar criancinhas – acusam a candidata de ser favorável ao aborto, mesmo que esta questão não faça parte de seu programa de governo, tampouco do programa do Partido dos Trabalhadores.

Contra os homossexuais: o vice de Serra sustenta um discurso abertamente sexista e homofóbico.

Contra os pobres: acusados de votar na esquerda por ignorância.

A esta panóplia, bem conhecida em toda parte, vem se juntar uma criminalização particularmente ignóbil por parte da direita das lutas de resistência contra a ditadura. Dilma tem sido alvo de campanhas anônimas na internet que acusam de terrorismo e de bandidagem por ter participado na luta contra o regime militar, ela que foi por este motivo presa e barbaramente torturada.

A mobilização da direita está completamente ligada aos interesses do agro-negócio, um vínculo sobre o qual o governo Lula tem sido ambíguo em alguns momentos. No entanto, uma vitória da direita representaria o triunfo do complexo agro-industrial e dos céticos em matéria de aquecimento global. Seria uma guinada à direita em direção à revisão do estatuto da floresta que começou a limitar a devastação na Amazônia e no Mato Grosso, e no asseguramento dos direitos indígenas sobre suas reservas, que no ano passado obtiveram uma importante vitória (Raposa Serra do Sol) referendada pela Corte Suprema do país, que reconheceu esses direitos. Vinte e duas reservas indígenas podem seguir este caminho de enfrentamento com o agro negócio da soja e do arroz transgênico.

Não permitamos que o voto libertário em Marina Silva paradoxalmente se transforme em uma catástrofe para as mulheres, para os direitos humanos e para os direitos da natureza!

No plano internacional, os aspectos mais inovadores da política Sul-Sul de Lula (certamente pelo fato de seu apoio a Ahmadinejad), seriam condenados ao ostracismo com um realinhamento com os Estados Unidos. Além de representar uma alternativa à fixação estéril em uma política de confronto entre Estados Unidos e China, esta política Sul-Sul se opõe às estratégias dos países do Norte de multiplicar as medidas de defesa dos direitos da propriedade intelectual em detrimento do acesso aos saberes, à internet (especialmente no âmbito da ACTA).

Marina Silva recusou-se a manifestar apoio ao voto em Dilma. Pode-se compreender que seja um pouco difícil para ela se alinhar imediatamente com Dilma, com quem ela entrou em conflito enquanto no governo, e neste momento ela luta para evitar o alinhamento do partido verde com a direita, apesar da campanha virulenta contra ela por parte do PT.

Com efeito, os ecologistas estão travando, não só na Europa, como em vários países do mundo, um sério debate com os socialistas sobre a questão nuclear, sobre a OMC e o produtivismo agrícola e industrial, bem como o problema do aquecimento climático. No Brasil, agrega-se a todas essas questões uma dimensão – amplificada por sua urgência crucial – da luta contra as desigualdades. Pode-se compreender, portanto, a reserva de alguns ambientalistas em se alinharem com a candidata da esquerda.

Mas nossa experiência como força política e de oposição e governo na Europa nos permite afirmar a nossos companheiros brasileiros que, nas atuais circunstâncias do Brasil, a ancoragem na esquerda é a única possibilidade real de fazer avançar a causa ecológica: já vimos no que se tornou a «Grenelle» – Ministério do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Transportes – na França com a direita.

Quanto às mulheres, às minorias étnicas, religiosas, sexuais, elas sabem aonde têm que se bater. A xenofobia, o racismo, a mobilização reacionária da religião são os perigosos instrumentos que a direita populista utiliza alegremente na Europa.

É impossível acreditar que a esperança suscitada pelos dois mandatos presidenciais de Lula acabe terminando no segundo turno com a eleição do candidato da direita.

Assinam:
Dany Cohn Bendit (Alemanha) co-président du groupe parlementaire des députés Verts au Parlement Européen
Monica Frassoni  (Itália) co-présidente du Parti des Verts Européens
Philippe Lamberts (Bélgica) co-président du Parti des Verts Européens
Dominique Voynet (França)  Senadora, Prefeita da Cidade de Montreuil , ex-Ministra do Meio Ambiente (gov. Jospin)
Yves Cochet ( França) Deputado Nacional,  ex-MInistro do Meio Ambiente (Gov. Jospin)
Noël Mamère (França) – Deputado Nacional e Prefeito de Bègles (Bordeaux)
José Bové  (França) – Deputado europeu
Alain Lipietz  (França) – dirigente dos Verdes, ex-deputado europeu
Jérôme Gleizes (França) – Dirigente da comissão internacional dos Verdes
Yann Moulier Boutang (França) Co-diretor da Revista Multitudes (Paris)

Paris 18 de outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

ÍNTEGRA DA CARTA DE DILMA A MARINA E AO PV

"Brasília, 14 de outubro de 2010.

Senadora
Marina Silva

Prezada Marina,

Quero, por seu intermédio, fazer chegar à direção do Partido Verde meus comentários sobre a Agenda por um Brasil Justo e Sustentável, que foi entregue à coordenação de minha campanha.

Antes de tudo, saúdo a iniciativa de condicionar o posicionamento de seu partido a uma discussão de caráter programático. Ela é necessária e oportuna, sobretudo quando se verifica uma lamentável tentativa de mudar o foco do debate eleitoral para questões que, tendo sua relevância como temas de sociedade, não estão, no entanto, no centro da reflexão que o país necessita realizar para definir seu futuro.

Reiterando meus cumprimentos pelo expressivo resultado que sua candidatura obteve no primeiro turno das eleições, quero dar às observações que seguem um sentido que transcende em muito uma dimensão estritamente eleitoral. Nosso diálogo tem um significado futuro. Envolve as condições de governabilidade do país.

As observações que seguem refletem nossa primeira percepção da Agenda. Elas deverão ser objeto de novos aprofundamentos.

Transparência e ética

O Governo atual tem-se empenhado em garantir a mais absoluta liberdade de imprensa no país, posição com a qual me encontro pessoal e partidariamente comprometida.

Por outro lado, as avançadas medidas de transparência de informações sobre a execução orçamentária e de contratos deverão ser aprofundadas com rapidez nos próximos anos.

Reforma Eleitoral

Tenho dito que este tema é fundamental para o amadurecimento da democracia no país. Sendo questão a ser tratada no âmbito do Congresso Nacional, considero que a Presidência da República não deve estar alheia ao tema. Penso que, sobre a maior parte das questões, estamos de acordo e que a forma definitiva que deve assumir a reforma política tem de ser resultado de amplo acordo envolvendo o bloco de sustentação do Governo, partidos que nele não estejam incluídos e, igualmente, as oposições.

Educação para a sociedade do conhecimento

Manifestamos nosso acordo com todos os pontos deste item.

Segurança Pública

Em sintonia com o sentimento da sociedade brasileira, temos dado especial atenção aos temas da segurança.

Temos insistido - na contramão de outras propostas - que a segurança pública não se esgota nas ações repressivas, mas deve ser complementada por políticas públicas em regiões onde o Estado esteve e ainda está ausente. No plano puramente repressivo, defendemos o fortalecimento de ações de inteligência e o emprego de modernas tecnologias.

O Governo Lula instituiu, no âmbito do Pronasci, a Bolsa PROTEJO, que beneficia jovens em processo de formação. Concordamos em que uma melhor remuneração dos policiais é fundamental para garantir a dedicação exclusiva a suas funções. Um primeiro passo foi dado a partir de 2008, com a instituição da Bolsa Formação, que beneficiou desde sua criação mais de 350 mil policiais.

A necessidade indiscutível de um piso nacional de remuneração para policiais tem de ser objeto de um pacto entre a União, os Estados e os Municípios. Essas e outras questões deverão ser objeto de uma PEC a ser enviada no menor prazo possível, consultados os entes federativos.

Meu programa prevê a revisão do modelo atual de segurança pública e a institucionalização de um Sistema Único de Segurança Pública.

Mudanças climáticas, energia e infraestrutura

Expressando nossa concordância com a maior parte dos pontos contidos neste item, considero que há questões que devem ser objeto de aprofundamento e/ou negociação.

É o caso da criação de uma Agência Reguladora para a Política Nacional de Mudanças Climáticas. Mas temos acordo quanto à necessidade de um arcabouço institucional capaz de coordenar, implementar e monitorar iniciativas nesse setor.

A supressão do IPI sobre a fabricação de veículos elétricos e híbridos deve ser compatibilizada com nossa produção de etanol e nossa capacidade de geração elétrica. Pode-se propor política tributária diferenciada para veículos e outros bens que emitam menos GEE.

A proposta de moratória sobre a criação de novas centrais nucleares exige aprofundamento à luz das necessidades estratégicas de expansão de nossa matriz energética.

Seguridade Social: saúde, assistência social e previdência

Há concordância com todos os itens, com ressalva quanto à redução, no curto prazo, da população de referência para o PSF, pois implicaria aumentar as necessidades de profissionais além de uma capacidade imediata de resposta do sistema.

Proteção dos biomas brasileiros

Nosso Programa dá ênfase à proteção dos biomas nacionais. Por essa razão, estamos de acordo com a meta de incluir 10% dos biomas brasileiros em unidades de conservação A proposta de desmatamento de vegetação nativa primária e secundária em estado avançado de regeneração merece precisão.

Estamos de acordo sobre a prioridade de proteção da Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica, dentro de uma estratégia ambientalmente sustentável de ocupação e uso do solo e inclusão social.

Da mesma forma, é nossa prioridade a ação consistente na recuperação de áreas degradadas, a exemplo do Programa Palma de Óleo, na Amazônia. Consideramos excelente a proposta de um Plano Nacional para a Agricultura Sustentável.

Sobre o Código Florestal, expresso meu acordo com o veto a propostas que reduzam áreas de reserva legal e preservação permanente, embora seja necessário inovar em relação à legislação em vigor. Somos totalmente favoráveis ao veto à anistia para desmatadores.

Gasto público de custeio e Reforma Tributária

Estamos de acordo com todos os itens.

Consideramos necessário afastar-nos de um conceito conservador de custeio que traz embutida a noção de Estado mínimo. A eficiência do Estado está ligada à qualificação dos servidores públicos. Daremos prioridade ao provimento de cargos com funcionários concursados.

Política Externa

Há acordo total com o expresso no documento.

Enfatizamos a necessidade de garantir presença soberana do Brasil no mundo, de fortalecer os laços de solidariedade com os países do Sul, em especial os da América Latina, com os quais compartilhamos história e valores comuns e estamos ligados pela necessidade de defesa de um patrimônio ambiental comum. Defendemos, igualmente, a necessidade de lutar pela reforma e democratização dos organismos multilaterais.

Fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural

Pretendo dar continuidade e profundidade às políticas que foram seguidas neste campo pelo Governo do Presidente Lula.

Com apreço,
Dilma Rousseff"

sábado, 9 de outubro de 2010

Blablarina Silva é uma neovestal da UDN

(estamento político atual da Vila Vudu)

A atitude da Blablarina, de criticar o próprio partido, primeiro nos jornais, não surpreendeu ninguém, por aqui, na Vila Vudu. Foi exatamente o que ela já fez, quando saiu do PT.

A Blablarina trabalha, desde que saiu do governo Lula, por um projeto MARINISTA, individual, udenista, metido a “ético”, a “transparente” e sempre moralista udenista. Esse moralismo udenista metido a “ético” sempre existiu e sempre foi personalista.

A Blablarina é uma neovestal da UDN.

Assim como o moralismo da UDN sempre esteve ligado à religião -- nos anos 50, 60 e 70 esteve ligados aos católicos mais atrasados; a partir dos anos 80, trocaram os católicos atrasados, pelos evangélicos mais atrasados -- e também sempre foi metido a “ético”.

Jânio Quadros elegeu-se de vassoura em punho, pra "varrer a corrupção". Lacerda e David Nasser esbravejavam contra "o mar de lama". A Marcha que assassinou a democracia brasileira e nos meteu em 50 anos de atraso e ditadura, foi feita "Por Deus e pela Família". Hoje, Blablarina acrescenta, àquele mote atrasista, o tal de “verde” fundamentalista.

Claro que há discurso progressista que inclua deus. E também há discurso progressista que inclua a preservação do meio ambiente. É claro que há. Mas também há discurso atrasista pró-deus e pró-verde.

A Blablarina é do grupo atrasista. 

A Blablarina saiu do PT exatamente como, agora, sairá do PV, se o PV tentar injetar algum realismo, nos delírios fundamentalistas personalistas dela.

Aliás, a Blablarina já anunciou que se alugará, por preço módico, a quem inclua "transparência" no programa de governo. NADA pode ser mais udenista do que isso. Até a Transparência Brasil (de fato, a Obscuridade Brasil!) é pró “transparência”.

Esse papim de “transparência” é e sempre foi puro golpismo udenista-moralista: para os inimigos, a “transparência” denuncista; para os amigos, a cobertura do mais total breu! (É exatamente o que faz o Estadão, “exigindo” liberdade para o próprio jornal continuar a esconder o que não lhe interesse divulgar.)

A Blablarina ODEIA disputas políticas. Dado que ela se sente uma espécie de Joana D’Arc (“Deus me enviou”) e só tem projeto pessoal, ela não sabe nem argumentar nem ouvir.

Essa Blablarina Silva JAMAIS nos convenceu.

Preferimos que ela declare apoio ao outro candidato.

É difícil que ela consiga dizer, contra Dilma, mais ou pior do que os demais udenistas já dizem dia e noite, por todos os jornais e televisão.

FATO É que a Blablarina só continuará nas manchetes dos jornais SE DECLARAR apoio ao outro candidato. ISSO, precisamente, faz-nos prever que, sim, ela declarará apoio ao outro candidato, para manter-se nas manchetes (ou, então, se manterá “neutra'” -- depois de detonar o PV, como já detonou o PT --, esperando lançar-se candidata nas próximas eleições, pelo partido que lhe ofereça melhores condições).

Vá para o partido que for, a Blablarina sempre será candidata dela mesma, apresentando-se como “candidata” dos udenistas “verdes” e “evangélicos” e “éticos” e “transparentes” de qualquer partido.

Grana não lhe faltará.

Se, contudo, ela declarar apoio a Dilma, teremos de aguentá-la.

Aqui na Vila Vudu já decidimos que, se tivermos de acolher a Blablarina, como apoio, nos comportaremos como alguém que, num determinado momento da vida, recebeu o apoio político de uma cascavel ou de uma mamba-indiana (a cobra). OK.

Não será a primeira vez.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Marina Silva e o Príncipe da Inglaterra: "éticas" de Daslu e "ecologias" de Natura [deu na Vanity Fair!]

Comentário do pessoal da Vila Vudu

Se Marina Silva e o Príncipe Charles, da Inglaterra, dizem exatamente a mesma coisa... Alguém aí tá tentando NOS  ENGAMBELAR.

Depois da “ética”da Daslu, tá aí a “ecologia” da Natura: de Buckingham a Breu Velho, no seringal Bagaço. É a globalização! [risos, risos, risos] (Veja adiante, matéria da revista Vanity Fair, de hoje, sobre as “ecologias” do Príncipe Charles, que acaba de lançar um livro sobre o tema.)

Marina Silva é blefe e é negociata. Hoje, ela está avaliando propostas que lhe tenham sido apresentadas, em troca de seu “apoio”, que ela pôs em leilão, para algumas fotos de campanha.

Evidentemente, depois de anos de conviver com todos os candidatos, Marina Silva não espera ser persuadida, nem ninguém espera persuadir Marina Silva. Marina Silva está à venda: os que se interessem por comprá-la compram esperam comprar pelo preço mínimo; e Marina Silva, que se vende, espera vender-se pelo preço máximo. A ecologia nada tem a ver com isso, nem o aborto.

Marina Silva pediu 15 dias para se manifestar. Até lá, estará sendo cortejada e deixando aumentar seu preço -- como qualquer robertojefferson (só que “ecológica”) e, isso, pra falar só no mercado chamado “político” e que não é político: é mercado jornalístico-eleitoral.

Marina está leiloando, também, suas crenças religiosas e suas convicções sobre o aborto, temas que ninguém, de respeito, envolveria em negociações eleitorais, em nenhum caso.

No caso de Marina Silva TUDO isso foi oferecido à negociação mais imunda. A falta de vergonha, ali, é TOTAL. Mas, quem quiser engambelar-se, não quiser se desengambelar e “creia” em Marina Silva e suas “ecologias” & negociatas, que se autoengambele e deixe-se engambelar pelos jornais, jornalismos e jornalistas paulistas.

A Vila Vudu resolveu o seguinte:

-- VOTAREMOS EM DILMA;
-- falaremos o mais que pudermos contra o blefe dessa insuportável Marina Silva; e

O BRASIL ELEGERÁ DILMA.

Contudo, se o Brasil eleger Serra-erra-erra, seduzido pela “ecologia” desse puro blefe, que é Marina Silva, e convencido pelos “argumentos” dos bispos & grana & televisão... estará provado que o Brasil FOI DESTRUÍDO pela rede Globo, pelo Estadão, pela Folha de S.Paulo e pela revista (NÃO)Veja.

Estará provado que a USP paulista golpista e seus demétrios & romanos & villas e coisa-e-tal e os “jornalismos”, “jornalistas” e “jornais” paulistas e, no plano nacional, a rede Globo, CONSEGUIRAM CONVERTER o Brasil num país de imbecis, onde danuzas são lidas como sumidades, mervais são ouvidos como sumidades, o boriscasoys são ouvidos como sumidades (pra citar três, e há centenas, milhares, desses ridículos simulacros de jornalistas e jornalismo) e o Bonner & Patroa são tidos como opinião a conhecer e considerar.

Assim, se já estiver destruído e convertido em país de imbecis, tanto o Brasil merecerá ser governado por Serra-erra-erra quanto Serra-erra-erra merecerá a presidência, que sugerimos que seja vitalícia, eterna (Serra-erra-erra agarrará com unhas e dentes a chance de ser alguma espécie de Mubarak do Egito, imorrível e imatável. Depois, morrerá.).

A estupidez quando construída por jornal e televisão que falem sozinhos é força muito poderosa, devastadora. Viu-se o que é e o ponto ao qual pode chegar a estupidez construída por jornais e televisão, na Alemanha nazista e nos EUA da Guerra Fria. Nos dois casos, países inteiros foram arrastados à total imbecilização, à estupidez mais total, por jornais, jornalismos, jornalistas e cinema & televisão.

Se o Brasil já estiver destruído, reduzido à mais absoluta estupidez, por ação da PIOR segunda-geração de herdeiros “midiáticos” que o mundo jamais reuniu num mesmo idioma, não haverá o que fazer: será preciso esperar que o último herdeiro incompetente enterre a empresa do último empresário-pai incompetente ou salafrário ou incompetentes e salafrários, nas famílias dos atuais Civitas, Marinhos, Saads, Mesquitas, Frias Filhos -- e os mais de 1.000 “concessionários” dessas redes, pelo Brasil, agências de repetição de imbecilidades, os empresários e os empregados jornalistas, também, incompetentes ou salafrários ou as duas coisas.

Aí, então, algum Murdock comprará o que restar da “imprensa” brasileira, e, aí, sim, afinal, talvez, o Brasil conhecerá afinal ALGUMA empresa de mídia que preste, pelo menos, como empresa, porque é pequeníssima a chance de alguma empresa jornalística brasileira prestar como jornalismo.

Se, para atravessarmos esse período, o Brasil for governado por Lula e, na cotinuação do mesmo projeto, por Dilma, há boa chance de as empresas “midiáticas” morrerem e o Brasil sobreviver CONTRA a opinião-desejo udenistas neoliberais das empresas-midiáticas. Essa é a boa notícia.

Se, para atravessarmos esse período, o Brasil for governado por Serra-erra-erra e seu projeto-detonação de todos os avanços sociais, o mais provável é que, em poucos anos, não haverá nem Brasil nem empresas jornalísticas. Nesse caso, o Brasil, em breve terá de escolher entre ser uma espécie de EUA, ou numa espécie de Sudão, variações sobre diferentes tipos de estupidez e miséria. Serra-erra-erra NÃO LARGARÁ O OSSO. Seja nos EUA ou no Sudão, Serra-erra-erra mentirá sempre, enganará sempre, subornará sempre. E sempre haverá marinassilvas de ocasião, para acrescentar ecologias de Natura a todas as falcatruas de Serra-erra-erra.

Quanto à Marina Silva-2010, se seguir com o ímpeto oportunista salafrário que a empurrou até aqui, sempre ocupada em construir via pessoal exclusiva... Talvez seja coroada princesa “ecológica” da Inglaterra!

Hoje, exatamente hoje, Marina Silva e o Príncipe Charles, herdeiro da coroa inglesa, estão nos jornais, dizendo EXATAMENTE A MESMA IMPONENTE QUANTIDADE DE NADA metido a “ecológico”. Taí. Pode dar casamento!

De Breu Velho, no seringal Bagaço, a Buckingham! É a globalização “ecológica”! [risos, risos, risos]

(Veja adiante, matéria da revista Vanity Fair, de hoje, sobre as “ecologias” do Príncipe Charles, que acaba de lançar um livro sobre o tema.)



6/10/2010, Vanity Fair
Príncipe Charles da Inglaterra: “Sou ambientalista. Ponto final.”


“A Terra está sendo atacada. O equilíbrio é precário. A culpa é nossa, dos humanos, não dos animais”. (Do livro Harmony: A New Way of Looking at Our World [Harmonia: um novo olhar sobre nosso mundo], de Sua Alteza Real, Charles, Príncipe de Gales (com Tony Juniper e Ian Skelly), cap. I, “manifesto verde” pode-se dizer literalmente principesco, a ser lançado em Londres, dia 2/11/2010, pela Ed. HarperCollins).

“Estou absolutamente determinado a ser o defensor da natureza. Ponto final. A isso dedicarei o resto da minha vida,” disse o Príncipe Charles ao correspondente especial de Vanity Fair em Londres, Bob Colacello, em entrevista exclusiva em seu castelo, Highgrove, em Gloucestershire. “Acho que as pessoas não entendem o trabalho que dá por a cabeça acima da cerca”, diz o príncipe. “Não há graça nenhuma em se por como alvo e levar tiros o tempo inteiro. Mas sinto profundamente... Sei perfeitamente que esse livro vai atrair todos os meus críticos para fora de suas tocas. Que seja...”

Perguntado como, na posição de futuro Rei da Inglaterra, o Príncipe vê o papel de monarca constitucional no século 21, Charles é circunspecto; diz que vê as coisas de modo “diferente” dos reis seus ancestrais, “porque a situação é outra”. Referindo-se ao fato de que foi o primeiro herdeiro do trono inglês a ser educado fora do palácio, não por tutores reais, mas de modo muito mais aberto, em Gordonstoun e Cambridge, o Príncipe Charles observa que seus pais não o mandaram estudar em escolas que ensinam a “tomar iniciativas” e em universidades nas quais inevitavelmente se estudam “todas essas questões”, se não quisessem que o filho tomasse iniciativas e refletisse sobre “o mundo”. “Portanto, azar o deles. De agora em diante, as coisas serão feitas do meu modo”. (...)

No momento do encontro entre Colacello e Charles, os Príncipes William e Harry estavam em visita oficial ao sul da África, onde tinham agendada uma visita a um orfanato cuja construção foi patrocinada por Harry, para abrigar crianças cujas mães morreram de AIDS, e uma escala em Moçambique, onde ajudaram a localizar e desarmar minas terrestres. “É interessante conversar com William e ver o que ele faz”, diz Charles. “Lembro de quando tinha a idade dele. Mas a África é desafio real. E o fato de que eles se interessem... Espero que consigam ajudar.”

O Príncipe Charles dedicou-se ao longo de décadas, a várias causas antes consideradas tolas e hoje vistas como relevantes e urgentes: energia renovável, agricultura orgânica e tolerância religiosa. “Acredito que hoje é crucialmente importante enfrentar essas questões, antes que destruamos qualquer possibilidade de futuro para nossos sucessores”, disse Charles a Colacello. Disse também que sabe de seu “poder para influenciar” e o usa a favor de boas causas. “É das poucas coisas que sei que posso fazer, com bons resultados, aqui ou ali. As pessoas ouvem o que eu digo, nem que seja por pura curiosidade”.

Perguntado sobre por que faz o que faz, Charles responde em tom sombrio: “O único motivo é que me preocupo e me interesso”. Explica que não faria coisa alguma se não se não se interessasse realmente. “Nem sei dizer por que me preocupo tanto com esses problemas. Mas sempre pensei sobre essas questões. Acho que são coisas inerentes, naturais, em mim.”

Colacello também comenta o recente escândalo que irrompeu na imprensa de Londres, quando o príncipe atacou o arquiteto Richard Rogers e seus planos para construir conjuntos residenciais em Chelsea[1]. “Acho que é preciso começar do começo, até entendermos o quanto Londres seria agredida por aquele projeto”, disse Charles a Colacello. “Vi alguns projetos e pensei “É loucura!”. Escrevi uma carta – carta pessoal, a pessoa das minhas relações. Não escrevi a jornais. Minha carta foi vazada para os jornais...” E continua “Escrevo muitas cartas a muita gente e ninguém dá importância alguma.”

Colacello comenta que, poucos dias antes dessa entrevista, o Príncipe Charles fizera uma palestra sobre o Islã e o meio ambiente no Centro de Estudos Islâmicos da Universidade de Oxford. “A tarefa é nos reconectarmos com a sabedoria que a Mãe Natureza oferece, que aparece destacada em todas as tradições sagradas, cada uma à sua maneira. Do que sei do Corão, o mundo lá é descrito, muitas, muitas vezes, como criação de um poder unitário benevolente”, diz o Príncipe. A palestra irritou alguns críticos, dentre os quais o militante ateu e editor-colunista de Vanity Fair Christopher Hitchens. Escrevendo na revista Slate, Hitchens denunciou o “Príncipe do Papo Furado”, para ele, fundamentalista de segunda, turista profissional e joão-bobo, em matéria científica. Hitchens conclui “Terrível vergonha aguarda os britânicos, se não se declararem logo República baseada em ciência e princípios verificáveis, tanto no campo político quanto no campo científico.”

Sobre a palestra e as críticas que recebeu, o Príncipe Charles disse a Colacello: “Queria que minhas palavras chegassem ao mundo islâmico, porque sinto que o mundo islâmico tem muito a oferecer. Tentei destacar que o Islã fundamentalista não é o Islã tradicional. Acho que estamos assistindo aos efeitos da modernidade em todo o mundo. A modernidade também modificou a tradição cristã. Estamos sendo aprisionados em interpretações literais das tradições religiosas, nem sempre a melhor ou a mais acertada. É preciso dar atenção à natureza simbólica. E a compreensão original, a revelação original, que vive obviamente no coração de todas as grandes religiões, acabou por ser expurgada, com o correr do tempo.”


Nota:
[1] Ver, sobre isso, 16/6/2010, The Guardian, Richard Rogers: “Prince Charles wrecked my Chelsea project”,

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Brésil : Marina Silva, l'ancienne disciple


Hors-série du "Monde" sur le Brésil, en vente jusqu'au 6 novembre, en kiosque (7,50 euros)
Hors-série du "Monde" sur le Brésil, en vente jusqu'au 6 novembre, en kiosque (7,50 euros)DR

Classée troisième (19,35% des voix) au premier tour de l'élection présidentielle brésilienne, la candidate écologiste, Marina Silva, va jouer un rôle clé pour le second tour, le 31 octobre, entre Dilma Rousseff, candidate du Parti des travailleurs (PT), arrivée en tête, dimanche, avec 46,9% des suffrages, et le social-démocrate José Serra (32,6%). Voici son portrait extrait du hors-série du Monde sur le Brésil publié avant le premier tour.

Elle se compare à une jaguatirica, l'ocelot d'Amazonie, ce chat sauvage "paisible et léger" mais qui attaque toutes griffes dehors, et "s'isole pour lécher ses plaies", avant de repartir à l'assaut. Marina Silva a la patience intrépide d'un félin. Douce, frêle et déterminée.

En mai 2008, la ministre brésilienne de l'environnement démissionne. Le président Lula, son aîné, son ami, ne l'appuie pas assez, explique-t-elle, dans son combat pour un développement durable. En 2009, elle quitte le Parti des travailleurs (PT) et rejoint le petit Parti vert (PV). Sous sa bannière, elle brigue la présidence de la République.

L'histoire de Marina Silva ressemble à celle de Lula. Issue d'une famille nombreuse et très pauvre, elle a, comme lui, pris en main son destin. Et avec peut-être encore plus de mérite, car elle est femme et métisse.

Elle naît en 1958 dans une petite communauté de seringueiros – les récolteurs de latex – de l'Etat amazonien d'Acre. Le sang portugais et celui des anciens esclaves se mêlent dans ses veines. Elle découvre le marxisme à l'université, devient professeur d'histoire, milite contre la dictature militaire et se lance dans l'action syndicale. Conseillère municipale, puis membre de l'Assemblée législative locale, elle devient à 35 ans la plus jeune sénatrice de l'histoire du Brésil.

LÂCHÉE PAR LULA
Marina Silva, candidate des Verts à l'élection présidentielle brésilienne, arrivée troisième au premier tour.
AFP/VANDERLEI ALMEIDA
Marina Silva, candidate des Verts à l'élection présidentielle brésilienne, arrivée troisième au premier tour.

Ministre, elle bataille contre les adeptes de la croissance à tout prix. Face à l'agrobusiness, elle tente de résister au soja transgénique. En vain. Elle réussit à réduire le rythme du déboisement de l'Amazonie. Mais lorsqu'elle prétend imposer à chaque projet le respect scrupuleux de l'environnement, elle s'aperçoit que Lula, sans le dire, la "lâche" et Marina Silva préfère tirer sa révérence.

Elle a pour atouts sa cohérence politique et sa rectitude morale. Elle évite toute attaque personnelle mais critique les partis qui n'ont pas, à ses yeux, compris la force de la "grande utopie du XXIe siècle" : le développement durable.

Mère de quatre enfants issus de deux mariages, Marina Silva est une personnalité complexe, politiquement progressiste et socialement conservatrice. Elle a pour handicap la faible influence du Parti vert, qui n'aura droit qu'à un temps d'antenne limité lors de la campagne officielle à la télévision. Les sondages ne lui promettent au mieux que 10 % des suffrages, mais sa présence dans la course contribue à faire de l'environnement l'un des grands thèmes de la campagne.

Jean-Pierre Langellier

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tracking Vox Populi/Band/iG: Dilma 56%, Serra 21%




O caso da violação de sigilo da filha de José Serra (PSDB) não alterou a escolha do eleitor

iG São Paulo | 07/09/2010 17:02

No sétimo dia das medições do tracking Vox Populi/Band/iG para a eleição presidencial, a petista Dilma Rousseff obteve 56% e o tucano José Serra 21% das intenções de voto. Em relação ao primeiro dia da medição, no dia 1 º de setembro, a petista oscilou positivamente cinco pontos percentuais. O candidato tucano teve oscilação negativa de quatro pontos percentuais. A margem de erro é de 2,2 pontos. No dia 1º de setembro, Dilma tinha 51% e Serra 25%.

A candidata Marina Silva (PV), terceira colocada, manteve-se com 8% das intenções de voto. Brancos e nulos são 4%, indecisos somam 10%, mesmo índice do levantamento do dia anterior, e os outros candidatos têm 1%.

A pesquisa, publicada diariamente pelo iG, ouve novos 500 eleitores a cada dia. A amostra é totalmente renovada a cada quatro dias, quando são totalizados 2.000 entrevistados.

Na pesquisa espontânea, quando o nome do candidato não é apresentado ao entrevistado, Dilma oscilou positivamente um ponto e tem 45%, Serra por sua vez oscilou negativamente e marca 16%, um ponto a menos que na sondagem anterior. Marina Silva manteve-se com 6%.

A petista apresentou melhora de três pontos da região Sudeste, onde tem 49%. Serra oscilou negativamente três pontos, para 22%. Na região Centro-Oeste/Norte, Dilma passou de 55% para 54%, enquanto Serra ficou estável em 25%. Na região Sul, Dilma oscilou de 53% para 51% e Serra, de 25% para 24%. No Nordeste, Dilma passou de 71% para 70% e Serra, de 15% para 16%.

Violação de sigilo não mudou escolha

De acordo com cientistas políticos ouvidos pelo iG, o movimento apresentado pelo tracking evidencia que a violação do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e de Verônica Allende Serra, filha do presidenciável tucano, não interferiu na escolha do eleitor. “A Dilma ficou uma semana sob fogo cruzado, mas a crise (da quebra do sigilo) não colou na campanha”, afirma Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político e pesquisador da PUC-SP e da Fundação Getúlio Vargas.

Para Murilo de Aragão, cientista político e presidente da Arko Advice Consultoria, “a maioria esmagadora dos eleitores já optou pela candidata do Lula e o episódio do sigilo, em que pese a gravidade do assunto, não teve repercussão para o eleitorado”. Segundo Aragão, os eleitores tendem a enxergar o mundo político como uma realidade à parte. E, por isso, o escândalo da violação do sigilo está distante do eleitorado.

“A tendência das eleições está dada”, afirmou o presidente da Arko Advice. Ele diz que desde o ano passado já esperava uma vitória da candidata petista no primeiro turno, mas a grande surpresa no processo eleitoral “é a tamanha vantagem da Dilma”. Com relação ao candidato tucano, Aragão vaticina: “Serra está perdido. Hoje ele é um passageiro da campanha”.

Ainda em relação ao escândalo do sigilo, Teixeira diz que “Serra deu um tiro no pé” ao atribuir a Dilma a quebra do sigilo e, logo no início, pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a impugnação da candidatura petista. “Ao negar o pedido, o TSE sinalizou que o problema pode ser do PT, mas não é da campanha da Dilma”, diz o cientista político. Segundo ele, os tucanos também caíram em uma saia justa com as denúncias, no Rio Grande do Sul, de que um sargento que atuava na Casa Militar responsável pela segurança da governadora Yeda Crusius (PSDB) teria acessado dados confidenciais do candidato Tarso Genro (PT).

Murilo de Aragão também busca no passado uma explicação. “A derrota de Serra começou a ser escrita oito anos atrás”. De acordo com ele, o PSDB não traçou uma estratégia para voltar ao poder. “O PSDB se organizou apenas em torno do prestígio dos seus cardeais e não soube explorar as falhas do governo Lula”, afirma. Segundo ele, as únicas ocasiões em que os tucanos tiveram alguma chance de ganhar eleições aconteceram em “episódios fortuitos”, como o mensalão.

O presidente da Arko Advice faz uma analogia para ilustrar em que situação está a disputa eleitoral. “Imagine uma luta de boxe. A Dilma está vencendo por seis a três e falta apenas um último assalto para terminar o embate. O que ela tem que fazer é evitar o choque. E o Serra só pode vencer por nocaute”.

extraído do portal IG