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sábado, 6 de junho de 2015

Hassan Nasrallah: “Se fizerem guerra contra nós, o Hezbollah fará milhões de refugiados israelenses”

5/6/2015, Excerto do discurso de Sayed Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hezbollah
Vídeo legendado e transcrição traduzidos para francês por Sayed Hasan
Traduzido do francês para português pelo pessoal da Vila Vudu

Em seu mais recente discurso, Sayed Hassan Nasrallah evocou longamente a situação no Líbano, assim como na Síria e no Iêmen, dedicando apenas uns poucos minutos à entidade sionista. Em resposta às últimas fanfarronadas dos israelenses, que ameaçaram arrancar de suas casas 1,5 milhão de libaneses em caso de guerra, e destruir o Líbano, Sayed Hassan Nasrallah explica que não passa de guerra psicológica, e que, além do mais, Israel não fez outra coisa em toda sua história, desde que foi inventada, que não fosse arrancar pessoas de suas casas e destruir o que encontre, e não há por que supor que de repente faria diferente. 

De novidade, está do lado da resistência, cada vez mais capaz de infligir desgaste considerável no inimigo, seja contra suas forças armadas seja no front interior de Israel – que será atacado se civis libaneses forem agredidos, e que, sim, arrancará de suas casas milhões de israelenses. A guerra na Síria, que já custou cinco vezes mais mortos ao Hezbollah (vídeo logo abaixo, legendado em francês) que a guerra de 2006 (apesar de tudo, os soldados do Estado Islâmico são menos covardes que os do Estado Judeu), pressagia derrota ainda mais completa para Israel, graças à experiência que o Hezbollah acumula.
Depois da libertação do Qalamoun, virá a libertação da Galileia e do Golan, anunciadas por Sayed Hassan Nasrallah. Virá, inevitavelmente.




Comentário de Norman Finkelstein: O exército de vândalos prepara-se para saquear Roma. Que a paz esteja com o Partido dos Deuses Romanos (para que possa esmagar as hordas bárbaras).


O primeiro ponto concerne ao inimigo israelense
Há alguns dias, pudemos ver, na Palestina ocupada, que o governo inimigo faz manobras no front interno denominadas “Virada Decisiva 8”. O número 8 remete ao fato de que estamos em 2015, e depois da guerra de julho (2006), depois que analisaram a situação, todos em Israel reconheceram unanimemente – unanimemente – ninguém em Israel supõe que Israel tenha vencido aquela guerra.
Claro que, no Líbano, há quem diga que Israel venceu. Mas em Israel não, ninguém supõe que Israel tenha vencido, o país reconhece que fracassaram, que foram vencidos e esmagados, etc. E vocês recordam que organizaram uma Comissão [Winograd] de inquérito, e depois dela descobriram que algo de novo acontecera, que na guerra de julho (2006), alguma coisa de novo entrara na equação, a saber, a entidade inimiga foi atacada no front interior, o qual dali em diante seria alvo conhecido.
Antes, o front interior de Israel era sempre (ou, pelo menos, na maior parte do tempo) preservado das guerras: as guerras israelenses desenrolavam-se (exclusivamente) em nossos territórios. Mas durante a guerra de julho (2006), e depois dela, é claro, ao longo das guerras de Gaza, Israel descobriu que a guerra se desenrolava no território inimigo, o território palestino ocupado pelo inimigo.
Israel viu-se forçada então a fazer exercícios também no front interior: com mísseis caindo sobre Haifa, Telavive, no norte, no centro, no sul, o que teria de ser feito das populações? Como fazer funcionar hospitais, estradas, escolas, lojas, aeroportos, etc.? Daí portanto os exercícios no front interior, para se prepararem.
Na ocasião dessas manobras – claro, há manobras todos os anos, exceto no ano passado, mas houve, esse ano; é possível que não tenha havido manobras ano passado, por causa de divergências quanto ao orçamento. Então, transferiram as manobras para esse ano.
Na ocasião dessas manobras, certo número de responsáveis militares e políticos israelenses fizeram declarações, ameaças, ameaçaram o Líbano. Ameaçaram destruir o país, arrasar, devastar, produzir refugiados em massa. Alguém falou de forçar 1,5 milhão de pessoas a fugir, 1,5 milhão de evacuados, de refugiados. Um milhão de libaneses obrigados a deixar sua região.
Quero comentar essas declarações.
Primeiro, são guerra psicológica “padrão”. Fanfarronadas e guerra psicológica às quais já nos habituamos desde que a entidade inimiga foi inventada. Desde antes de 1948, e depois de 1948, entre as armas desse inimigo, que lhes permitiam vencer povos e exércitos árabes e de toda a região, sempre houve guerra psicológica, fanfarronadas, jactância. Faz parte da guerra e não é novidade. Em primeiro lugar, portanto, não há aí novidade alguma.
Em segundo lugar, Israel declara que vai destruir, devastar, arruinar, fazer e acontecer por aqui, evacuar populações, 1,5 milhão de pessoas... A verdade é que desde que foi inventada, essa entidade caminha sobre mortos, destruição, deslocamento de populações inteiras, devastações, miséria, massacres. Essa é a natureza de Israel. Israel só faz destruir e repetir destruições. Não há novidade.
Claro, é positivo que Israel relembre aos povos da região: “Oh, pessoas, aqui há um inimigo que se chama Israel e cuja natureza é essa, criminosa, que não muda nem tenta mudar, que nem se interessa por ser ou fazer outra coisa que não seja matar. Essa é a natureza agressiva e terrorista que se autodescreve por essas “declarações” e ameaças, sempre as mesmas.
Em terceiro lugar, quero declarar, eu, é a minha vez, aos israelenses: vocês sabem que o mundo mudou. As coisas já não são como foram. A prova está bem aí, nas próprias manobras de vocês: por que, de repente, puseram-se a fazer manobras no front interno, depois da Guerra de Julho (2006)? Porque vocês descobriram que são exército vencido, exército que se pode vencer, que, se a entidade de vocês ataca, há resposta, que atacamos direto no coração e até as extremidades de seu território. E é em relação a essa nova situação que agora, vocês fazem manobras.
Vocês nos ameaçam justamente quando vocês mesmos são obrigados a treinar suas populações dentro do território em que vivem, no front interior. E não há confissão mais completa e incontestável de que a Resistência pode atingir todos esses locais, do que vocês, agora, terem de fazer manobras no front interno!
Em quarto lugar, vivemos novos tempos... Não a partir de hoje, mas desde 2000 e, sobretudo, depois de 2006, e também durante as guerras de Gaza. O tempo em que Israel destruía nossas casas e as dela continuavam intactas já passou. O tempo em que nossa infraestrutura ficava em ruínas, e a de Israel, intacta, já passou. O tempo em que os nossos tornavam-se refugiados e sem teto, enquanto os colonos ocupantes lá permaneciam nas colônias e vilas usurpadas, já passou. Depois de 2006, tudo isso acabou.
Mas o que espera vocês agora é bem pior do que o que conheceram em 2006, nesse plano e também noutros planos. E o digo com toda a clareza a esses israelenses que nos ameaçaram:
Se vocês ameaçam forçar 1,5 milhão de libaneses à evacuação, a Resistência Islâmica no Líbano pode forçar à evacuação milhões de israelenses. Milhões de vocês terão de deixar as próprias casas e serão refugiados. Assim será, se Israel impuser guerra ao Líbano
[Vozes na plateia: “Nasrallah, estamos a teu serviço!”]
Essa é realidade evidente, incontestável, e os dirigentes inimigos a conhecem muito bem. E o povo inimigo também a conhece muito bem.
Por todas essas razões, as palavras ocas, as ameaças vãs, não têm nenhum efeito, nenhum valor.
Israelenses, vocês sabem muito bem que não tememos as guerras de vocês. Se não tememos as guerras, por que temeríamos suas ameaças?!
E se por acaso supõem que estamos ocupados na Síria, no Qalamoun, em torno de Ersal e em outros lugares, se imaginam que essas lutas alteram alguma coisa na equação da guerra contra o inimigo israelense, saibam, e já dissemos mais de uma vez, que nenhum desses eventos muda coisa alguma na nossa prontidão de combate contra Israel. Bem ao contrário. Nossos sucessos e a experiência que estamos adquirindo e acumulando, essas sim, devem preocupar vocês e causar-lhes medo.
Seja como for, aqui declaro aos libaneses, ao povo libanês: Não deem atenção àquelas ameaças. Mas sei bem que elas nada alteram na vontade, na determinação de vocês, nem de perto, nem de longe. Elas são só um item da jactância que é sempre sinal de medo, de inquietação do inimigo.
São também uma das armas de dissuasão que o inimigo usa para tentar fazer frente à Resistência, porque teme a resistência, porque tem medo da Resistência, porque está convencido das capacidades da Resistência, bem mais, até, que certas pessoas (dentre os libaneses e alguns árabe-muçulmanos).
Isso, quanto ao primeiro ponto.
[Continua]

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Uma visão sionista do mundo e o massacre em Gaza


19/11/2012, Lawrence Davidson, Midia with Conscience
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Lawrence Davidson
Logo depois que meu artigo, de 4/11, “In Defense of Richard Falk [Em defesa de Richard Falk] foi publicado no blog Media with a Conscience (MWC), o editor enviou-me uma resposta especialmente grandiloquente. De estranhar, porque vinha assinada por intelectual e autor relativamente conhecido, de nome Fred Skolnik.

O Sr. Skolnik é editor-em-chefe de uma Encyclopedia Judaica de 22 volumes, em 2ª edição, trabalho que lhe valeu a Medalha Dartmouth em 2007. É também autor de numerosos trabalhos de ficção, todos sobre a vida em Israel. Não é raro que sionistas me escolham para malhar, e Skolnik é, sem dúvida alguma, sionista. Mas é raro que os que decidam julgar e condenar tenham a estatura intelectual de Skolnik. Portanto, é absolutamente necessário responder.

A bandeira de Israel

O Sr. Skolnik não gosta do Dr. Falk, o qual, o leitor sabe, é o atual Relator Especial da ONU para os Territórios Palestinos (TPOs). E, porque defendo Falk, Skolnik tampouco gosta de mim. De fato, na opinão de Skolnik sou parte de “um exército de odiadores de Israel (...) sempre agitando, infindavelmente (...) meias verdades venenosas” sobre a Terra de Israel. Apesar disso, Skolnik dedicou-se a escrever comentário de três páginas para corrigir a mim e meus leitores.

Diz que exporá “a causa de Israel no menor número possível de palavras, embora saiba que você talvez não publique minha resposta para não estragar o efeito que visa a alcançar”. Bobagem. Não tenho qualquer objeção a que meus leitores leiam, na íntegra, a resposta do Sr. Skolnik. Ou basta ir à página de MWC; procurar pelo meu nome: Davidson; selecionar “In Defense of Robert Falk”; e descer pela lista de comentários, até chegar ao comentário de Skolnik.

Resolvida essa parte, eis o que tenho a dizer sobre o que o Sr. Skolnik expõe como “a causa de Israel”.

1º. Diz Skolnik: “Não há Palestina histórica que tenha algo a ver com os árabes, nem há ali população muçulmana “indígena” ou nativa”. Essa é uma antiga fantasia, ou mito, que se desenvolveu ao longo dos anos, para permitir que sionistas radicais e colonos violentos racionalizassem a absorção histórica das terras dos palestinos.

Fred Skolnik
Se se consulta o verbete “Povo Palestino” da Wikipedia, verbete que reflete a mais recente pesquisa sobre a questão de quem vivia onde e quando, inclusive com resultados de análise genética, aprende-se que os palestinos são “descendentes contemporâneos, hoje, dos que viveram ao longo de séculos na Palestina e que hoje são, na vasta maioria, cultural e linguisticamente, árabes. (...) A análise genética sugere que uma maioria dos muçulmanos da Palestina, inclusive os árabes que são cidadãos israelenses, são descendentes de cristãos, judeus e outros habitantes do sul do Levante, cujas raízes chegam aos tempos pré-históricos”.

Além disso, “estudo das sequências de DNA demonstraram que porção substancial dos cromossomas Y dos judeus israelenses (70%) e dos palestinos árabes muçulmanos (82%) pertencem ao mesmo conjunto cromossômico”.

Isso significa, precisamente, que os ancestrais daqueles palestinos que hoje são cultural e linguisticamente árabes vivem na Palestina desde tempos imemoriais. Ao longo dos séculos, a população fragmentou-se, assumiu religiões e traços culturais e linguísticos diferentes. De fato, todos aqueles indígenas palestinos, judeus e cristãos locais, eles também, são basicamente o mesmo povo, que seguiu vias culturais em vários sentidos, separadas.

Triste é que o Sr. Skolnik apoie, hoje, tão ardentemente, a limpeza étnica de seus próprios primos.

Joan Peters
2º. Diz Skolnik: “A maioria dos árabes com “raízes” na Terra de Israel migraram para lá de outras partes do mundo árabe no século 19 e início do 20, enquanto os judeus sempre estiveram presentes, continuadamente, na Terra de Israel, por mais de 3.000 anos”.

Aí está outro mito, introduzido, principalmente, por um livro de Joan Peters, publicado em 1984, intitulado From Time Immemorial [Desde tempos imemoriais]. O argumento do livro e as “provas” foram examinadas e, uma a uma, demonstradas falsas por Norman Finkelstein, no livro Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict (1995).

3º. Diz Skolnik: “O deslocamento dos árabes na Terra de Israel durante a Guerra de Independência de Israel (...) foi acompanhado pelo deslocamento de centenas de milhares de judeus que viviam então em terras árabes, e que viviam vida insuportável sob o vingancismo da lei árabe.” Por isso, os israelitas “receberam de braços abertos os irmãos judeus”, enquanto os países árabes que receberam refugiados árabes “meteram-nos em campos e os trataram como animais.”

Para editor de enciclopédia de 22 volumes, Skolnik manifesta deplorável tendência a generalizações e estereótipos e,
literalmente, a misturar e confundir eventos e efeitos que nada têm a ver uns com os outros. Alguns pontos historicamente bem conhecidos:

– A verdade é que o êxodo dos judeus árabes de seus países de residência aconteceu ao longo do tempo e, em alguns casos, como na Argélia, nada teve a ver com os eventos na Palestina. Em outros casos, o país árabe viu-se em guerra com Israel, como com o Egito, e a imigração de judeus foi resultado direto de os sionistas terem expulsado populações árabes. E no caso do Marrocos, o governo local muito tentou assegurar segurança e bem-estar aos judeus, na tentativa de retê-los, contra a propaganda sionista que tentava arrancá-los de lá.

– Em alguns casos, o “deslocamento” foi forçado, como aconteceu no Iraque, por agentes sionistas que cometiam violentos atos de sabotagem contra comunidades de judeus iraquianos.

Norman Finkelstein
– A recepção que os judeus árabes encontraram em Israel nada teve dos “braços abertos” que Skolnik pinta. Foram recebidos pelos “irmãos” judeus europeus com ativo preconceito racial. Mesmo hoje, ainda são tensas as relações entre azquenases e sefarditas/Mizrachi dentro de Israel.

– Quanto aos refugiados árabes que, diz o Sr. Skolnik, teriam sido “tratados como animais” por outros árabes, o exagero é flagrante. Houve diferentes quadros em diferentes países. Por exemplo: no Líbano, foram maltratados; na Jordânia, foram bem tratados. Em nenhum dos campos de refugiados em país árabe as condições foram piores do que nas cidades-tendas e “cidades em desenvolvimento” no deserto de Negev, para onde os israelenses encaminharam 80% dos judeus árabes refugiados.

4º. O Sr. Skolnik diz outras coisas, que não tenho nem espaço nem tempo para corrigir. Leitor interessado encontrará meus comentários no ensaio sobre o Dr. Falk. Quem se interesse e leia, cuide, por favor, de seguir as fontes referidas de informação – trabalhos de historiadores israelenses, como Ilan Pappe e Benny Morris e os artigos jornalísticos de Amira Hass e Gideon Levy (ambos jornalistas que trabalham para o jornal israelense Haaretz), e os relatórios do grupo israelense de defesa dos Direitos Humanos, B’Tselem. São, todas essas, fontes israelenses, mas narram história completamente diferente da que nos chega pelo Sr. Skolnik.

De Skolnik a Gaza

Como o Sr. Skolnik demonstra tão claramente, todos vivemos em nosso mundo próprio. Cada um desses nossos mundos é construído pela criação e pela educação que recebamos: a família, os amigos, as escolas, as universidades, o nível de conexão que desenvolvemos com nossa comunidade. Essa conexão é quase sempre sustentada e aprofundada pelo ambiente informacional que a comunidade nos fornece.

Esses ambientes nos convertem em “bons” cidadãos e, simultaneamente estreitam nossa visão do mundo, ao mesmo tempo em que vão conformando paradigmas políticos e culturais aceitáveis. O processo, em geral, funciona bem. Mesmo assim, é verdade que em qualquer comunidade há, ativo, um continuum de aceitação e concordância que vai do cético ao verdadeiro crente. Para o crente, a comunidade jamais erra, e o comportamento social pode sempre ser racionalizado. No que tenha a ver com Israel, Skolnik é verdadeiramente um crente.

Num país como Israel, ainda que você viva armado até os dentes, a sensação é de perene insegurança; e, se há crentes verdadeiros no governo, difícil imaginar situação mais perigosa. Ao longo dos anos, os líderes israelenses, quase sempre imbuídos da mesma fé que anima Fred Skolnik, tiraram dos palestinos todos os direitos e todos os bens, e cuidam hoje de fazer a limpeza étnica da região, empurrando os palestinos para áreas cada vez menores, onde são forçados a viver concentrados.

Gaza é o pior exemplo disso. É hoje uma “prisão a céu aberto” onde 1,5 milhão de seres humanos congestionam completamente uma superfície de 139 milhas quadradas – é a área de mais alta densidade populacional da Terra. Ali, com a cumplicidade dos EUA e da União Europeia, os israelenses tratam de reduzir quase todos os habitantes à mais abjeta miséria.

Quando, periodicamente, aquelas pessoas erguem-se contra seus torturadores, quase sempre sem maior efeito, são imediatamente definidos como “terroristas” e, outra vez com o apoio do ocidente, furiosamente atacados, com violência desproporcional, pelos israelenses. Hoje, já se assiste ao massacre ao vivo, em tempo real, pela internet.

Conclusão

Nessas circunstâncias, não fazem qualquer sentido os argumentos de Skolnik, de que os judeus estavam “antes” na Palestina e que os árabes chegaram depois.

Mas digamos, só para argumentar, que Skolnik esteja certo, que os judeus, também os que chegaram da Europa e só conheciam a língua e a cultura europeias, fossem, por alguma razão os “autênticos” palestinos nativos, que estariam de volta à terra natal depois de uma ausência de (no mínimo) 2.000 anos.

Ainda que essa ficção contivesse um átomo de verdade, nem por isso os israelenses de 2012 teriam algum direito de tratar como tratam os palestinos. O que, nessa história fictícia, e mesmo que fosse toda ela verdadeira, daria aos israelenses de hoje o direito de matar palestinos? O que, nessa história fictícia, e mesmo que fosse toda ela verdadeira, daria aos israelenses de hoje o direito de construir muros de apartheid em toda a Cisjordânia ocupada? O que daria aos israelenses de hoje o direito de reduzir 1,5 milhões de habitantes de Gaza a um projeto de empobrecimento calculado, para, então, porem-se os israelenses a provocá-los até que reajam, reação que, então, daria aos israelenses o “direito” de promover assassinato em massa de palestinos?

Não acredito em nada na pseudo-história de Skolnik. Nada me interessa ou preocupa menos, do que saber quem vivia ou quem mandava na Palestina há 3.000 anos. Os que hoje controlam a Palestina não são, em nada, superiores aos bárbaros. E os líderes, em todo o ocidente que os apoiam têm, hoje, as mãos manchadas do sangue dos palestinos.

Onde se trate de limpeza étnica e genocídio cultural, é incabível, é inadmissível, falar de autodefesa. E nenhuma das fantasias de Fred Skolnik algum dia bastarão para justificar os crimes em curso. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

“Difamação: a indústria do antissemitismo”




Documentário: por Yoav Shamir


Assim como Norman Finkelstein, um professor estadunidense (e judeu) escreveu um livro no qual expõe como funciona o que ele chama de “A indústria do holocausto”, Yoav Shamir, um cineasta israelense (e judeu), realizou o filme documentário Defamation (Difamação) que revela o que poderíamos chamar de “A indústria do antissemitismo”.

Trata-se de um filme imprescindível para entender os interesses que movimentam essa “indústria”.

A verdade, como podemos depreender deste documentário, é que o antissemitismo passou a ser a fonte de riqueza e poder para muitos grupos oriundos das comunidades judaicas estadunidenses que, aliados aos interesses da extrema direita israelense, não desejam seu fim, nem seu abrandamento.

Muito pelo contrário, para desfrutar de seus privilégios (e para justificar suas políticas antipalestinas, no caso de Israel), esses grupos procuram fazer de tudo para que o antissemitismo nunca deixe de estar em pauta.

Se não houver mais o perigo real (como o documentário nos dá a entender que é o que ocorre na prática), é preciso recriá-lo através de todos os mecanismos emocionais possíveis.

O documentário também deixa claro que há muitos judeus, religiosos ou não, que não concordam com a manipulação do sofrimento de seus antepassados para o benefício espúrio de grupos de poder da atualidade.

Assistam a seguir:


Enviado por Alberto Lyra
Ilustração Latuff/2004

sábado, 23 de abril de 2011

Um radical norte-americano

Os padecimentos do cientista político norte-americano Norman Finkelstein, judeu.



12/4/2011, Programa especial, Al-Jazeera (exibido em cinco episódios)

Enviado pelo pessoal da Vila Vudu


Assista as Partes 1 e 2, em inglês, diretamente na Al Jazeera pelo “link” acima. Ou, na íntegra,  no final da postagem.

Um radical norte-americano [orig. American Radical] é documentário raro sobre a militância intelectual do cientista político norte-americano e judeu Norman Finkelstein, em defesa dos palestinos e contra Israel.

Filho de sobreviventes do holocausto de judeus europeus nos anos 30, e ardente crítico das políticas de Israel e dos EUA para o Oriente Médio, Finkelstein tem estado no centro de inúmeras disputas e controvérsias. É autor de A Indústria do Holocausto [orig. 2000], Rio de Janeiro: Ed. Record, 2001.

Os documentaristas David Ridgen e Nicolas Rossier acompanharam o professor Finkelstein de Beirute a Quioto, em suas muitas viagens para conferências e aulas.

O documentário foi recentemente selecionado entre os cinco melhores documentários políticos de todos os tempos.
A lista dos dez documentários selecionados está em:
10 Best Political Documentaries
.

Foi exibido em cinco programas, pela rede Al-Jazeera, agora distribuído pela internet.