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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A máquina de moer gente: O terrorismo norte-americano

Laerte Braga

O maior feito do site WikiLeaks foi e continua sendo o de jogar na lata do lixo a hipocrisia norte-americana sobre democracia, direitos humanos, coisas que tais.

O que era uma nação é hoje um complexo conglomerado terrorista associado a Israel. Tem controle total sobre a Europa (extintas nações como Grã Bretanha, Alemanha, por exemplo, hoje colônias). Dizima países como o Paquistão, o Iraque, o Afeganistão, a Colômbia. Volta suas garras para nações africanas e patrocina o massacre sionista contra o povo palestino, versão contemporânea do Holocausto.

O momento em que o terrorismo atinge o ápice. A mais poderosa potência militar de todo o mundo pratica toda a sorte de ações criminosas possíveis para manter seu poder (está falida e com graves problemas econômicos e sociais).

Prisões indiscriminadas e sem ordem judicial, campos de concentração, tortura, sequestros, assassinatos seletivos, estupros, massacres de grande monta, nada que se possa comparar a al-Qaeda, grupo de principiantes tal o poder do terrorismo dos EUA.

O nível de atrocidades cometidas pelo conglomerado EUA-Israel Terrorismo S/A supera a ficção criada por Ian Fleming, seu principal personagem, James Bond e colocado sobre os ombros da Spectre. Chantagem, extorsão, assassinatos, etc. São aprendizes na ficção do horror espalhado por norte-americanos e sionistas.

As ditaduras militares em qualquer lugar do mundo têm o costume de imputar acusações a seus adversários e de tentar desmoralizá-los junto à opinião pública, forma sistemática de manter o tacão do medo sobre os povos do mundo.

Julian Assange, fundador do WikiLeaks, já está rotulado como “criminoso sexual”, com ordem de prisão emitida (e cumprida pela Inglaterra, colônia europeia dos EUA) pela Interpol e segundo muitos, uma sentença de morte decretada pela Casa Branca, a ser cumprida pela CIA, em nome da segurança nacional, expressão que costuma caracterizar barbárie.

Os mais de duzentos mil documentos já revelados e exibindo toda a realidade que Hollywood não mostra são de tal ordem que não há como descrever toda a boçalidade de sucessivos governos dos EUA na construção do terror que espalham por todos os cantos do planeta.

E uma falácia. Não têm o menor interesse no controle do tráfico de drogas. Nem na Colômbia, ou no Afeganistão. Pelo contrário, grandes bancos, gigantes do mundo financeiro, costumam ser socorridos pelos quatrocentos bilhões de dólares que o tráfico movimenta por ano em todo o mundo.

Um dado interessante e até agora desconhecido do grande público, já que a empresa (EUA-Israel Terrorismo S/A) tem o controle da mídia privada e dita grande na maioria dos países do mundo, inclusive o Brasil.

Quem manda é a senhora Obama. O presidente branco pintado de negro não toma decisões sem ouvir a senhora em questão. Exceto pulos fora da alcova gerada pelo matrimônio.

Num episódio de uma das séries mais assistidas na tevê americana Law and Order –Criminal Intent – o casal de detetives que investiga a morte de um guarda penitenciário federal, percebe que naquela prisão existem presos desconhecidos, suspeitos de “terrorismo”. Um terceiro detetive, que se associa a investigação, ao ouvir os relatos das práticas permitidas pelo Ato Patriótico (documento assinado por Bush e que permite tortura – falso afogamento – entre elas), afirma textualmente – “li no original, 1984” –. Referência ao romance de George Orwell sobre o grande irmão, o controlador e benfeitor de tudo e todos.

“Ele põe os grandes olhos sobre mim”, do tempo que Caetano Veloso era vivo.

Há estragos causados por aqui, no Atlântico Sul.

O comandante da Força Aérea Brasileira, brigadeiro Juniti Saito assentou-se à mesa do Comandante Militar do Sul, general Doug Fraser, num jantar na embaixada dos EUA. Saiu de lá ardoroso defensor dos caças F-18, como melhor “instrumento de trabalho” para a defesa do Brasil. O fato está documentado num telegrama do ex-embaixador Clifford Sobel à Casa Branca. O brigadeiro tem o aval do ministro da Defesa (do Brasil não é) Nelson Jobim.

O chanceler escolhido pela presidente eleita Dilma Rousseff, Antonio Patriota, já deixou claro, segundo documentos do site que os iranianos não são confiáveis. Passou os quase oito anos do governo Lula dizendo o contrário. “A gente nunca sabe quando eles estão sendo sinceros”.

Imagine se sinceridade fosse critério indispensável para o exercício da diplomacia a moda Patriota?

Máquina de moer carne humana. Em dimensões mundiais, sem qualquer respeito pelo que quer que seja que não os tais interesses norte-americanos.

É o que o WikiLeaks revela ao mundo.

Como esse mundo vai ficar após toda essa enxurrada de barbárie tornada pública não sei.

O grande temor é que o Big Brother, transformado em prostíbulo via televisão, ganhou contornos de espetáculo, permeando o lar de cada família com direito a pegar o celular e executar.

Em Roma o circo vinha pelo polegar do imperador satisfazendo a sede de sangue da multidão.

Aqui sai de Washington, Tel-Aviv, se materializa em toda a sorte de violências e brutalidades possíveis na defesa da “democracia” e dos “direitos humanos”.

De quebra o distinto cidadão tem o direito de contemplar a estátua da Liberdade e ver a neve caindo no Natal.

E Sylvester Stallone fardado de "nossos rapazes" garantindo em forma de pastelão da pior qualidade “the american dream”.

O pesadelo dos outros povos do mundo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Brazil - EUA tentaram usar Saito e Jobim para venda dos caças

WikiLeaks logoNatalia Viana, 5 de dezembro de 2010, 06.00 GMT

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A disputa pela venda de 36 caças para as Forças Aéreas Brasileiras foi palco de grande atuação da representação americana no Brasil. Documentos obtidos pelo WikiLeaks revelam que a embaixada procurou o ministro da Defesa, Nelson Jobim e o comandante da FAB Brigadeiro Juniti Saito para influenciar na decisão. Ao mesmo tempo, instava o governo americano a se mexer, assim como o francês estava fazendo.

A menos de um mês do final do governo Lula, a compra dos caças continua sem definição e deve ser decidida pela presidente eleita Dilma Rousseff. Nesta semana, ela retoma a discussão em reunião com o ministro Jobim.

Lobby
Mas desde maio de 2009, a embaixada americana em Brasília tenta fazer com que o governo dos EUA se engaje mais na disputa. Em um telegrama do dia 19, (CLIQUE AQUI), a Ministra Conselheira Lisa Kubiske pediu que Washington faça um lobby mais intenso, pois alguns contatos brasileiros "dizem não acreditar que o governo dos Estados Unidos esteja apoiando a venda fortemente”, enquanto o presidente francês Nicholas Sarcozy estaria envolvido diretamente e os suecos estariam atuando “em nível ministerial”.

Kubiske acredita que a falta de atuação pessoal "é uma desvantagem crítica em uma sociedade brasileira na qual os relacionamentos pessoais servem de fundação para os negócios”, e refoça que o governo deve assumir posição favorável à aprovação de transferências de tecnologia.

“A embaixada recomenda o seguinte, como próximos passos a fim de reforçar nossos argumentos no que tange à transferência de tecnologia: uma carta do presidente Obama ao presidente Lula defendendo a causa; uma carta da secretária Clinton ao ministro da Defesa Jobim afirmando que o governo americano aprovou a transferência de toda a tecnologia apropriada.”

Também recomenda tentar influenciar senadores que vistariam os EUA em junho daquele ano. "Concentrando as atenções em senadores importantes, temos a oportunidade de conquistar o apoio de indivíduos que podem influenciar os responsáveis pela decisão e garantir que as pessoas que terão de aprovar os dispêndios do governo brasileiro compreendam que o F-18 lhes oferece mais valor".

Para Lisa, a campanha francesa é mentirosa: "Nos últimos meses, o esforço francês de vendas vem se baseando em alegações enganosas, se não fraudulentas, de que seu caça envolve apenas conteúdo francês (o que o isentaria dos incômodos controles de exportação dos Estados Unidos). Mas isso não procede. Uma análise da Administração de Segurança da Tecnologia de Defesa encontrou alta presença de conteúdo norte-americano, o que inclui sistemas de mira, componentes de radar e sistemas de segurança que requererão licenças norte-americanas”

Aliados
A decisão americana em atuar mais fortemente foi vista com apreciação pelo brigadeiro Juniti Saito, comandante das Forças Armadas.

Por causa da atuação pessoal de Obama, que conversou com o presidente Luís Inácio Lula da Silva na cúpula do G8 em Áquila, na Itália, em 9 de julho de 2009, Lula teria instruído Jobim e Saito a conversarem com o Conselheiro de Segurança Nacional, general James Jones, segundo revela um telegrama de 31 de julho de 2009 (CLIQUE AQUI).

“Ela (a conversa) abriu as portas para que eu pudesse procurar o embaixador, como fiz”, teria explicado Saito durante um jantar por ocasião da visita do comandante do Comando Sul, o general Doug Fraser.

Na ocasião, Saito chamou o embaixador Sobel e seu conselheiro político de lado para indicar que preferia o F-18 ao francês Rafale. E afirmou que não existia dúvida, do ponto de vista técnico, que americano era o melhor avião. "Voamos equipamento americano há décadas e sabemos que é confiável e que sua manutenção é simples e oferece bom custo/benefício por meio do sistema de vendas militares externas".

Saito insistiu ainda que o governo americano enviasse a carta que ele havia pedido se comprometendo com transferência de tecnologia. O embaixador teria dito que a carta estava na fase final de aprovação. "Aliviado, Saito disse que precisava ter a carta em mãos no dia 6 de agosto", relata o telegrama assinado pelo embaixador Clifford Sobel. "Essa foi a expressão mais clara de que Saito pretende recomendar o F18".

Em 5 de janeiro, pouco antes da mudança de embaixador, Lisa Kubiske envia outro telegrama (CLIQUE AQUI) dizendo que a embaixada vai tentar influenciar Jobim para convencer o presidente. “Permanece, entretanto, o formidável obstáculo de convencer Lula. Nosso objetivo agora deve ser garantir que Jobim tenha argumentos reforçados ao máximo possível para ir a Lula em janeiro”. Para ela, o "alto preço" do Rafale e "as dúvidas sobre o desenvolvimeno do Gripen" levariam o Super Hornet a ser a "opção óbvia". Mas "o fato é que Lula reluta em comprar um avião dos EUA”.

Um dos últimos telegramas obtidos pelo WikiLeaks (CLIQUE AQUI) relata uma conversa telefônica entre Nelson Jobim e o atual embaixador dos EUA, Thomas Shannon, em 5 de fevereiro deste ano. O embaixador Shannon fez pressão, dizendo que "apesar da venda ser conduzida como uma transação comercial, a sua importância para a relação bilateral não deve ser ignorada". Segundo ele, "a decisão inédita de trasnferência de tecnologia americana em apoio ao Super Hornet mostra o alto grau de confiança que o governo americano coloca na sua parceria com o Brasil".

Patriota, Irã e Haiti
Antonio Patriota, anunciado como futuro ministro das Relações Exteriores durante o próximo governo, também foi alvo de lobby sobre os caças. Durante uma reunião de uma hora no dia 4 de fevereiro, ouviu que a decisão de liberar toda a tecnologia necessária ao Brasil refletia uma mudança de paradigma para os EUA e ouviu que a decisão ainda não estava tomada.

Mas ouviu mais. Segundo o relato de Shannon (CLIQUE AQUI), Patriota comentou ainda a situação do Irã, que na época sofria pressões contra mais uma rodada de sanções contra seu programa nuclear. Teria dito que o Brasil quer "evitar uma repetição do Iraque", e que se havia uma saída diplomática, ela deveria ser adotada. “A desconfiança é grande (sobre o Irã). Nós nunca sabemos o quão sinceros, mas vamos continuar tentando”, concluiu. O embaixador recomendou ao governo brasileiro que se movimentasse com cautela em relação ao Irã.

Sobre a situação do Haiti, que havia sofrido um terremoto em 12 de janeiro, Patriota teria dito: "nós teríamos que encontrar uma forma de contornar a escolha entre um governo corrupto no Haiti e colocar tanto dinheiro nas mãos de ONGs não-haitianas”.

Os telegramas fazem parte de milhares de documentos da embaixada e consulados dos EUA no Brasil que serão publicados pelo WikiLeaks nas próximas semanas.

Extraído de Cablegate