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segunda-feira, 28 de maio de 2012

ATESTADO DE IDIOTA


Laerte Braga

Por Laerte Braga
Imagens extraídas da internet pela redecastorphoto
Enviado por Nanda Tardin Silvio de Barros Pinheiro 

A revista VEJA e o grupo GLOBO (jornal, revista, rádio e tevê) imaginam que os brasileiros sejam todos idiotas e engolirão sem questionar as declarações de Gilmar Dantas afirmando que Lula pediu que o julgamento do “mensalão” fosse adiado em troca de não envolver Gilmar com a construtora Delta e os negócios de Carlos Cachoeira.

É simples entender isso. Basta voltar um pouco no passado, quando William Bonner, apresentador do Jornal Nacional da TV Globo, rotulou o telespectador daquela revista televisiva de “Homer Simpson”. Alusão a um personagem de uma série da tevê americana apresentado como idiota, mais precisamente como ingênuo.

Gilmar é useiro e vezeiro nesse tipo de expediente. Fez o mesmo quando concedeu dois habeas corpus a Daniel Mendes e se valeu de VEJA para tentar desmoralizar o delegado Protógenes Queiroz. O personagem escolhido para coadjuvar foi Demóstenes Torres e agora envolve outra figura suspeita, Nélson Jobim, em sua história, em sua mentira.

Jobim já desmentiu, lógico, é esperto para cair nessa, ou se deixar envolver por um bandido sem qualquer escrúpulo, que virou ministro do Supremo Tribunal Federal para garantir a impunidade de FHC e seus cúmplices. Como ele, Jobim, foi para o STF e se declarou, em sua posse, “líder do governo” naquela Corte. Começou ali a desmoralização da Casa.

É um erro imaginar que Lula – sem análise de mérito de seu governo, mas de sua capacidade como político – fosse agir dessa forma, ou se dirigir a uma figura repulsiva como Gilmar Dantas para pedir alguma coisa, qualquer coisa que fosse, ou seja. Mas é crível imaginar que a visita a Jobim foi marcada com antecedência e aí deu a cara a tapas, não é possível que não saiba quem é Jobim.

VEJA e os veículos GLOBO apostaram no fato, a revista ao inventá-los e os parceiros a replicá-lo insistentemente, naquela convicção que basta noticiar que a dúvida fica lançada e alguém, certamente, vai dar crédito.

Tal e qual a história da apresentadora Xuxa com os “abusos sexuais”. Foram muitos, não sabe quem abusou e ao perceber a reação negativa junto à opinião pública, a repercussão nas redes sociais, não quis mais tocar no assunto.

O que está em jogo é grande demais para que bandidos deixem barato.


Esquema Cachoeira - Núcleo Central (extraído do Portal do Nassif)
O esquema Cachoeira é apenas uma ponta de um iceberg que mais que políticos corruptos envolve empresas corruptoras e um mundo institucional falido. É evidente, políticos corruptos são substituíveis por outros, empresas, bancos, latifundiários não. São sempre os mesmos e seus herdeiros desde tempo imemoriais.

O modelo político e econômico arrombado pela porta da frente e a dos fundos.

Não interessa aos maiores partidos políticos brasileiros que os fatos sejam apurados na sua totalidade, nem PT, nem PSDB e nem PMDB, nem ao DEM nem aos menores, pois cria uma realidade impensável para esse clube de amigos e inimigos cordiais.

Bronco, acostumado a se cercar de capangas, de pistoleiros, principalmente em sua cidade Diamantino, Gilmar Dantas, entendeu de dar um empurrão no esquema, criar um fato político que se sobreponha a toda e qualquer contestação a esse esquema, gerando até uma frase interessante do ministro Marco Aurélio Melo – “estamos vivendo num mundo esquisito”.

O que fazem é passar atestado de idiota para o leitor, o ouvinte, o telespectador, no jornalismo de esgoto que é a rotina dessa gente.

Há uma charge perfeita que define o tipo de mídia que temos, a de mercado. O cidadão diz a Carlos Cachoeira que é sempre bom comprar uma revista numa banca, Cachoeira responde que sim e fala que compra no banco.


Compra VEJA, paga VEJA para mentir. A diferença entre VEJA e o grupo GLOBO é que os Marinhos pensam que têm sangue azul. É tão vermelho quanto qualquer outro e pior, as mãos estão sujas da participação na ditadura militar na omissão da tortura, dos assassinatos, de toda a sorte de barbáries cometidas àquela época.

O grupo na dimensão que tem hoje é produto da ditadura e dos interesses de bancos, empresas e latifúndio.

VEJA é rastaqüera, só isso.

Há um trem aí, no entanto, complicado. É perfeitamente possível que Nélson Jobim, intimamente ligado a FHC e publicamente eleitor de José Serra – atolado em negociatas com a Delta e suas ramificações – tenha armado toda essa farsa em conluio com Gilmar Dantas. Por que não?

Aí Lula foi ingênuo. Com esses caras – Gilmar e Jobim – só se conversa com pelo menos dez testemunhas idôneas e em local público.

De maneira diferente, dentro do escritório de Jobim é oferecer a cabeça à forca.

A dupla da farsa do "grampo" sem áudio
No duro mesmo Lula caiu numa armadilha. Consequência até dessa sabedoria política, a arte da sobrevivência, esse jogo de alianças com bandidos. Escorregou na sabedoria popular, esperto come esperto.

Muita coincidência Lula visitar Jobim e Gilmar Dantas estar lá.

Nessa arte de golpes de gabinete e jogadas como essa, nessa Lula não tem sido sábio, pelo contrário. Volta e meia se encrenca. Mas é óbvio que o ex-presidente jamais tocaria no assunto mensalão com alguém como Gilmar Dantas. Por mais amigo – azar dele – que seja do ex-ministro chefe do Gabinete Civil José Dirceu.

Lula tem o instinto da sobrevivência, falhou dessa vez, mas tem. Se viu presa de duas raposas e enrolado na mentira de VEJA e GLOBO.

O fato principal hoje é o esquema de Carlos Cachoeira, menos pelo bicheiro e mais pelo que ele arrasta consigo. A hipótese que a CPMI possa trabalhar sério é impensável para o governo, a oposição e os que corrompem.

Estão envolvidos governadores, José Serra, empreiteiros, banqueiros e mídia de mercado, VEJA então, de forma escancarada. Obras do PAC, todo o esquema do clube de amigos e inimigos cordiais.

São funcionários dos corruptores deputados e senadores, a maioria, dos principais partidos com assento no Congresso Nacional. O que o brasileiro vai assistir é jogo de cena. Cada um jogando pedra no outro e todos permanecendo impunes, corruptos e corruptores.

Já imaginaram nas obras de Belo Monte, onde há trabalho escravo e Belo Monte em si é um absurdo, envolver os grupos envolvidos na construção? Ou as casas do programa Minha Casa Minha Vida que o próprio Lula quando presidente questionou a qualidade? São só dois exemplos.


Atrás de Cachoeira estão Norberto Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, OAS e todas as grandes construtoras do País. Bancos, inclusive o BNDES. As revelações que empresários brasileiros participaram do golpe contra Salvador Allende mostram o caráter dessa gente. São amorais.

Para esquentar mais o assunto está o Código Florestal, Dilma vetou, mas não mudou nada, apenas retardou um processo que vai depender de muita luta para evitar que o Brasil se torne um enclave do agronegócio, do latifúndio.

Em jogo também a Comissão da Verdade e as apurações sobre tortura, assassinatos à época da ditadura militar, Operação Condor e outras barbaridades mais.

Nelson Jobim e Gilmar Dantas passaram atestado de idiota para Lula e VEJA e GLOBO passam atestado de idiota para os brasileiros. Só isso, nada mais.

O que Lula fez foi dar munição para os bandidos.  

É o que pensam. que somos idiotas.


sábado, 13 de agosto de 2011

Amorim e os EUA


Celso Amorim, Ministro da Defesa

Marina Amaral e Natalia Viana em 13 de agosto de 2011 às 9:26h

Aos olhos do serviço diplomático dos Estados Unidos, em especial durante a era Bush, a posição independente do Ministério das Relações Exteriores, capitaneado por Celso Amorim, hoje ministro da Defesa, parecia uma constante provocação. Nos telegramas vazados pelo WikiLeaks, o MRE é acusado de dificultar as relações bilaterais por suas “inclinações antiamericanas”, definidas por um ministro “nacionalista” e um secretário-geral “antiamericano virulento” (Samuel Pinheiro Guimarães), e secundado por um “acadêmico esquerdista” (Marco Aurélio Garcia), conselheiro de política externa do presidente Lula.

“Manter a relação político-militar com o Brasil requer atenção permanente e, talvez, mais esforço do que qualquer outra relação bilateral no hemisfério”, desabafava o embaixador John Danilovich, em novembro de 2004.

Foi ele que, numa reunião em março de 2005, tentou convencer Amorim da ameaça “cada vez maior” que a Venezuela representava à região. A resposta “clara” e “seca” do chanceler desapontou o americano: 

“Nós não vemos Chávez como uma ameaça. Não queremos fazer nada que prejudique nossa relação com ele”. E cortou o assunto.


O sucessor de Danilovich, Clifford Sobel, teve mais sorte. O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim era interlocutor contumaz do embaixador, a ponto de confidenciar sua irritação com o MRE, em especial com Pinheiro Guimarães. Tornou-se peça vital em uma estratégia diplomática americana que explorava a divisão dentro do governo em proveito próprio, como revelam os telegramas.

Em fevereiro de 2009, já com Obama na Presidência dos Estados Unidos, Sobel enviou uma série de três informes, sugerindo formas de contornar o triunvirato “esquerdista” da política externa brasileira. O jeito, afirma, seria fazer aliança com o setor privado, que tem “habilidade para conseguir aprovar iniciativas junto ao governo” e tentar uma aproximação direta com Lula e outros ministros que poderiam defender a causa americana.

Uma “estratégia testada”, afirma Sobel, citando entre outros exemplos o caso da transferência para o Brasil dos 30 agentes da DEA, a agência americana de combate às drogas, expulsos da Bolívia por Evo Morales no fim de 2008. “Apesar da recusa do MRE de conceder vistos aos agentes, conseguimos realizar a transferência com a ajuda da Polícia Federal, da Presidência da República e de nossas excelentes relações com o ministro da Justiça (Tarso Genro)”, gaba-se.

O segundo telegrama foca os minguados recursos humanos e financeiros do Itamaraty, apresentando-os como oportunidade para os Estados Unidos. Muitos cargos diplomáticos estavam sendo preenchidos por “trainees e terceiros-secretários” por falta de pessoal para as novas embaixadas brasileiras, observa o embaixador americano, acrescentando que seria “crucial influenciar essa nova geração”.

Rafale
“Os franceses instituíram um programa de intercâmbio diplomático com o Itamaraty em 2008, semelhante ao nosso Transatlantic Diplomatic Fellowship, e agora têm um diplomata trabalhando no Departamento Europeu do Itamaraty. Uma proposta similar seria válida para conseguir um posto que nos permita observar de dentro esse ministério-chave e mostrar como os Estados Unidos executam sua política externa”, sugere.

No terceiro telegrama, Sobel afirma que, embora o MRE continuasse a ser o líder incontestável da política externa brasileira, o crescimento internacional tendia a erodir seu controle. Apesar da falta de hábito das instituições brasileiras em lidar diretamente com governos estrangeiros, alguns ministérios como o do Meio Ambiente e, principalmente, o da Defesa estabeleceram relações diretas com a embaixada norte-americana em Brasília, relata.

Saab JAS 39 Gripen
Um telegrama enviado em 31 de março de 2009, depois da visita do presidente Obama ao Brasil, dá um exemplo prático da eficiência dessa estratégia. Pedindo sigilo absoluto de fonte, o embaixador conta que Jobim pretendia contribuir com o combate ao narcotráfico na região, possivelmente através do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) criado pela União Sul-Americana de Nações (Unasul). “Ele disse que o CDS poderia ser o canal perfeito para conseguir o engajamento dos militares dos outros países sem passar pelo MRE”, escreve, acrescentando que o então ministro da Defesa estaria disposto a envolver os militares no combate ao tráfico nas fronteiras brasileiras. “O plano de Jobim sinaliza um grande passo, uma vez que o assunto é altamente sensível internamente, no governo, e para o público brasileiro”, comenta.

Também durante as tratativas frustradas de compra dos caças, Jobim e os líderes militares agiram longe do Itamaraty, como mostram os cerca de 50 telegramas sobre o tema. Em um deles, Sobel relata a visita da comitiva presidencial à França e comenta, com ironia, as reportagens da imprensa brasileira que afirmam o apoio de Lula, Amorim e Jobim à aquisição dos caças Rafale: “Talvez isso seja mais um marriage blanc do que amour veritable”, diz. E explica: “Nos encontros privados com o embaixador, Jobim minimizou a relação com a França e manifestou um claro desejo de ter acesso à tecnologia americana. O obstáculo é o Ministério das Relações Exteriores”.

F-18 Super Hornet
Sobel também se reuniu com os comandantes das Forças Armadas para pedir “conselhos” sobre as chances de os caças da Boeing vencerem a concorrência de quase 10 bilhões de reais. Ficou entusiasmado com o resultado: “Os apoiadores mais fortes do Super Hornet (o F-18 americano) são as lideranças militares, em particular o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito”, relata em telegrama de janeiro de 2009.

O embaixador também obteve “uma cópia não oficial” de uma Requisição de Informações da Aeronáutica (passada eletronicamente para Washington), que “permite planejar os próximos passos para os Estados Unidos vencerem a negociação”. Além de garantir que o preço não seria o principal critério da escolha, o documento informa que a Embraer, “principal beneficiária de qualquer transferência de tecnologia”, consideraria “desejável a oportunidade de estabelecer uma parceria com a Boeing”, principalmente se houvesse “a intenção de oferecer uma cooperação adicional na área da aviação comercial”.

À luz dos telegramas do WikiLeaks, o relatório apresentado em janeiro de 2010 pela FAB ao ministro Jobim, colocando a aeronave sueca (Saab JAS 39 Gripen) como melhor opção, exatamente por causa dos custos, traz novas indagações. O Rafale francês foi classificado em terceiro lugar, atrás dos caças americanos, esse sim apontado como o de melhor tecnologia. Mas não era o preço que importava, não é?


Extraído de CartaCapital

domingo, 7 de agosto de 2011

Rio em estado de calamidade pública


Publicado em 07/08/2011 por Mário Augusto Jakobskind

O Rio de Janeiro vive na prática em estado de calamidade pública. A culpa se deve principalmente a seus governantes, o Prefeito Eduardo Paes e o Governador Sergio Cabral. Lamentavelmente, partidos que se consideram progressistas e de esquerda apoiam os referidos.

A educação pública é de baixa qualidade. Os professores recebem salários de fome e por isso estão parados há quase dois meses. O Governador, que num acordo de cavalheiro$ não é criticado pelos meio$ de comunicação de mercado, muito pelo contrário, oferece como contraproposta um reajuste de 3,5%, o que equivale para os professores em início de carreira algo em torno de 20 reais.  

As obras públicas tendo em vista os megaeventos estão sendo reajustadas e algumas, como aconteceu nos Jogos Panamericano na gestão do Prefeito Cesar Maia, na base de milhões de reais. Por enquanto, o caso mais grave é o do Maracanã, cujo orçamento pulou para mais de 1 bilhão de reais e ainda por cima uma obra que vai elitizar o maior estádio do mundo, que está sendo adaptado às exigências da Fifa, que só pensa em cifras.

Cabral foi pego em flagrante delito em promiscuidade com empresários, alguns deles responsáveis por obras pagas pelo Estado, ou seja, pelos cidadãos contribuintes. No início do flagrante delito, alguns jornais noticiaram a proximidade de Cabral com o setor empresarial, inclusive usando avião de Eike Batista, mas depois o assunto foi e$quecido.

Em âmbito municipal, Paes mandou para a Câmara dos Vereadores, em regime de urgência, um projeto que segue a determinação do Banco Mundial e prevê, entre outras coisas, quebra da paridade dos ativos com inativos, percentual de 30% a menos no pagamento das pensões, além da terceirização dos serviços públicos com o objetivo de reduzir gastos com o funcionalismo público.

Paes e Cabral são queridinhos da mídia de mercado, até porque abrem as comportas financeiras com o pagamento de farta publicidade. Sendo assim, os médicos, professores e bombeiros, por exemplo, estão sendo maltratados com salários aviltantes e assim sucessivamente. Neste domingo (7) eles estarão na rua pedindo a solidariedade da população contra os desmandos do Prefeito, cuja meta é a privatização do setor. A velha receita que procura convencer a meio mundo a necessidade da privatização de tudo que o Estado pode perfeitamente gerir. Balela e banditismo.

Este, em resumo, é o quadro que vive a cidade e o município do Rio, engabelado pela propaganda enganosa da Prefeitura e Governo do Estado, cujos gastos não são poucos. Não é uma situação de extrema gravidade? E tem muito mais que deve estar acontecendo, inclusive em matéria de irregularidades, que poderiam ser do conhecimento público se as editorias das mídias de mercado tivessem interesse em desvendar os temas e mesmo algumas denúncias escabrosas. 

No ano que vem, os cariocas elegerão um novo Prefeito, certamente Paes tentará se reeleger e vai contar com apoios empresariais fortes. Além disso, um arco de aliança poderoso também e até o PT de vice. Paes não vai querer largar o osso, até porque vem aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas, eventos onde circula muito dinheiro. Cabe aos eleitores, desde que informados sobre os acontecimentos, fazer a escolha. Lamentavelmente, o lado informativo não circula na maioria dos meios de comunicação.

Por sinal, já começou o favorecimento. Na semana passada a Prefeitura pagou 30 milhões de reais para o grupo Globo transmitir com exclusividade o sorteio das Eliminatórias. Leia-se que a fatura foi paga pelos cidadãos contribuintes. E pior, as empresas concorrentes tiveram dificuldade até para credenciar os seus jornalistas e cinegrafistas. Aí pode, nada de SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) protestando contra restrições à liberdade de imprensa.

A demissão de Nelson Jobim, arrogante e boquirroto, representou sem dúvida um tento para o governo Dilma Rousseff. Como foi dito neste espaço há duas semanas, o então Ministro da Defesa estava a mais em um governo que se pretende progressista. A nomeação de Celso Amorim é positiva, claro, como demonstram as críticas partidas de notórias figuras políticas da velha e nova direita brasileira, ou seja, do Demo e do PSDB, que no final das contas se associam, pois um partido não pode viver sem o outro.

Espiões benignos informam que já baixou uma ordem editorial  nas Organizações Globo, sobretudo na TV Globo: não poupem p Ministro da Defesa Celso Amorim. Resta então acompanhar o noticiário para confirmar a informação dos espiões benignos benignos. 

Dez anos de Direto da Redação merecem ser comemorados por todos aqueles que entendem ser a informação um direito humano. E nesse sentido, o DR tem contribuído em larga escala para o exercício desse direito fundamental, abrindo espaço, sem restrições, para reflexões que estão fora do circuito da mídia de mercado. Parabéns, Eliakim e todos os que  por aqui circulam, tanto os colunistas como os leitores. É gratificante ocupar este espaço. 

Em tempo: depois da “primavera árabe” está começando o “verão israelense”, com mais de 300 mil nas ruas exigindo o fim da era Netanyahu e sua política de favorecimentos dos ricos. Os manifestantes se posicionam há três sábados seguidos contra privatizações e falta de justiça social. Querem democracia e não caridade.


Mário Augusto Jakobskind
É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

domingo, 31 de julho de 2011

Ministro acima de qualquer suspeita?


Publicado em 31/07/2011 por Mário Augusto Jakobskind


O Ministro Nelson Jobim abriu o jogo. Mas independente de ter revelado que na eleição presidencial do ano passado votou em José Serra, Nelson Jobim jamais poderia ser ministro de um governo que se propõe progressista e com credibilidade. De qualquer forma ainda está em tempo de uma faxina.

Mas, como assinalam os mais críticos, em um governo que tem como Ministro Moreira Franco, mesmo ele sendo uma figura decorativa, tudo é possível, inclusive Nelson Jobim ser Ministro da Defesa.

Se Dilma, e antes Lula, defende Jobim no Ministério da Defesa, é sinal que nem tudo são flores no processo democrático do país. Resta saber exatamente o motivo pelo qual este cidadão acima de qualquer suspeita ocupa o cargo por tanto tempo seguido.

Jobim é capaz de fazer de tudo, inclusive certas coisas que muitos poderiam até duvidar como, por exemplo, confessar, vestindo a toga de Ministro do Supremo Tribunal Federal, que quando era deputado do PMDB e relator da Constituinte redigiu dois artigos relacionados com a questão orçamentária que não haviam sido votados ou sequer discutidos em plenário.  

O mesmo Jobim, já na condição de Ministro da Defesa, de forma ridícula e ilegal, vestiu uniforme militar de campanha. E os meios de comunicação deram a maior cobertura, não censurando a atitude, mas colocando a foto em destaque, como se fosse algo natural e salutar.

Mas fatos desabonadores contra Jobim não param por aí. Há poucas semanas documentos do WikiLeaks revelaram que Jobim informou a diplomatas estadunidenses que os então Ministros Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães eram “antiamericanos viscerais”.  E tudo ficou por isso mesmo. Até pior, Jobim continua Ministro e os dois mencionados deixaram de ser.

Jobim, em suma, desabona qualquer governo, talvez não o de Fernando Henrique Cardoso. Sua continuidade no cargo deve ser analisada com mais rigor e remete a uma pergunta que muita gente deve estar querendo formular: Por quê? Será alguma imposição? E qual o motivo de Lula ter se empenhado tanto para mantê-lo como Ministro da Defesa no governo Dilma?

Não resta dúvida que por detrás do pano têm fatos escondidos a sete chaves.  Jobim se sente tão seguro que se julga no direito de fazer e dizer qualquer coisa, inclusive que votou no adversário da atual Presidente, mesmo sendo Ministro de um governo que apoiava a candidata. E será que tanto faz este ou aquele na Presidência para Jobim se manter no cargo? Será Jobim fiador de alguma coisa que os brasileiros desconhecem? Quem o banca?

Já que falamos em fatos escondidos, vale também lembrar a atual crise na Líbia, que caiu em total silêncio, quando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) segue diariamente bombardeando a capital daquele país do Norte da África e provocando vítimas.

Pelo menos dois congressistas estadunidenses se posicionaram enfaticamente contra a participação dos Estados Unidos na guerra contra a Líbia: Cyntia Mckney e Dennis Kucinich, ambos do Partido Democrata. Cynthia passou duas semanas na Líbia e voltou indignada pedindo o fim desta mais recente aventura bélica estimulada pelo complexo industrial militar. A mídia de mercado, para variar, praticamente silenciou sobre o posicionamento dos dois parlamentares. É que a verdade muitas vezes contraria interesses e por isso não raramente ela é mantida escondida.

Neste sábado (30), foi bombardeada a sede da TV estatal líbia provocando a morte de três pessoas e ferimentos em outras 15. O alvo da OTAN é atingir o dirigente Muammar Khadafi. Por isso, os mísseis “inteligentes” têm feito vítimas civis e destruido bairros inteiros, o que mereceria também alguma manifestação de qualquer Tribunal Internacional, sobretudo o de Haia.

Os rebeldes reconhecidos por vários países ocidentais tinham dado um prazo, já esgotado, para Kadafi deixar o país. O dirigente líbio avisou que não atenderá ao pedido do gênero bravata, porque os próprios inimigos do dirigente sabiam que por mais apoio que tenham da OTAN, o ultimato não seria cumprido. 

Na área internacional vale lembrar ainda que setembro se aproxima e com a chegada deste mês a Organização das Nações Unidas (ONU) terá de se definir em relação à proposta de criação do Estado Palestino. Será a forma de se tentar romper o impasse que se arrasta há anos e já deveria estar resolvido. Os Estados Unidos, como acontece sempre, procurará exercer o seu poder de veto, cedendo às pressões dos defensores incondicionais de Israel.

P.S: O jornalismo perdeu uma grande figura: Procópio Mineiro, o jornalista que na rádio JB comandou a equipe que decifrou o enigma da operação Proconsult, um esquema fraudulento organizado para dar a vitória ao candidato do regime autoritário, Moreira Franco, em 1982, e evitar assim a ascensão de Leonel Brizola. Se não fosse isso, o setor de inteligência do regime associado a TV Globo elegeria o Governador do Estado do Rio.

sábado, 30 de julho de 2011

Sou TOTALMENTE, ABSOLUTAMENTE, CONTRA O MINISTRO NELSON JOBIM

Nelson Jobim, biruta...

Um ministro da Defesa que se preze precisa, em primeiríssimo lugar, defender a legislação e as convenções internacionais, criadas para manter as delicadas relações entre países com povos e, portanto, hábitos, jeito e estilo tão diferentes.

Não vou entrar aqui no mérito da legitimidade do aparato jurídico mundial. Essa discussão tem de ser feita, mas em outro momento. Não agora.

Agora quero dizer que governos e diplomatas, em especial nos pós-guerras, criaram normas de convivência entre as nações. E o ministro Nelson Jobim desconsiderou várias delas ao assinar o maldito acordo de compra de armas e “sistemas de segurança” de Israel. 

  • Não sabe o ministro que a entidade sionista não se submete ao sistema legal internacional?

  • Que Israel viola, todo santo dia, os direitos básicos do povo palestino?

  • Que roubou todas as nascentes do território desse povo, confiscando terras, construindo muros e cercas eletrificadas, controlando o uso da água roubada (86% para Israel; 14% para os palestinos, muitíssimo mais numerosos)?

  • Que destruiu o sistema de abastecimento e saneamento de Gaza, expondo quase 2 milhões de pessoas a risco de doença e morte?

  • Que também destruiu a rede elétrica da faixa costeira, obrigando Gaza a comprá-la de Israel (a um preço altíssimo) e fornecendo-a apenas durante algumas horas do dia?

  • Que impede o direito de movimentação dos palestinos em seu próprio território, com humilhantes proibições de entrada em território israelense, chekpoints, muros, cercas, arame farpado? 

Estar aqui é viver num cenário de guerra. Cenário sim, porque não há guerra, os palestinos não têm armas, não são povo violento. O cenário serve ao marketing israelense, cujos “gestores de vendas” saem pelo mundo oferecendo armas e “sistemas de segurança” testados em campo -- um diferencial estratégico no competitivo mercado bélico.

Não sabe o ministro Jobim, tão zeloso em relação a informações militares, que os “sistemas de segurança” e as armas de Israel são elaborados, testados e aperfeiçoados para reprimir a população palestina, usando-a como cobaia?

Não sabe o ministro Jobim que, agindo assim, Israel viola a 4a. Convenção de Genebra? A Declaração Universal dos Direitos Humanos (o nome correto é “do Homem”, mas me recuso a usar essa terminologia, prova de uma trágica dominação masculina sobre a mulher, o negro, o homossexual, o “diferente”, uma negação da diversidade do mundo)? O direito básico de todo ser humano, que só por ter nascido merece respeito?

O absurdo desse maldito acordo não foi questionado por ninguém, que eu saiba.

Enquanto, na Argentina, grupos de direitos humanos e pró-Palestina se opõem a que o país assine um contrato com a entidade sionista nos mesmos termos que o ministro Jobim assinou -- e obrigaram o Congresso a chamar às falas o governo de dona Cristina -- no Brasil ninguém se mexe. Nem mesmo nossos congressistas mais respeitados e combativos questionaram o acordo, segundo sei (se questionaram e eu não sei, por favor, me corrijam. Ficarei felicíssima se conhecer qualquer iniciativa contrária ao maldito acordo).

Mais: não sabe o ministro Jobim que, ao comprar armas e “sistemas de segurança” de Israel, colabora para a militarização do mundo, etapa atual da ridícula “guerra ao terror”? Que ajuda a entidade sionista a oprimir ainda mais a população palestina? Que dá suporte a uma ideologia e práticas fascistas, racistas, preconceituosas, violentas, colonialistas, expansionistas, criminosas, apoiadas na força bruta e na negação da negociação e do diálogo?

Se dependesse de mim, o ministro Jobim já estaria na rua e o comando do exército que participou dessa negociata, afastado. Todos exonerados a bem do serviço público.

Brasileiros: é vosso dinheiro que pagará os negócios do acordo. No frigir dos ovos, serão vocês os responsáveis por mais opressão ao povo palestino.

Baby (Direto da Faixa de Gaza)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

JOBIM E AS FRONTEIRAS

Laerte Braga

A presidente Dilma Rousseff mostra claro repúdio à corrupção no Ministério dos Transportes. A reação dos dirigentes do PR (na verdade PP – PARTIDO DOS PASTORES) ameaçando retaliações na base aliada dá o tamanho das dificuldades de qualquer governo que se pretenda do centro para a esquerda (mas só do que se pretenda) em se tratando de Poder Legislativo. A “necessidade” de coalizações com bandidos do PR...

... E do PMDB. Se Dilma mostra força contra a corrupção o mesmo tipo de atitude não existe em relação ao ministro e um dos “donos” do governo, Nelson Jobim. O ministro da Defesa (ligado ao Departamento de Estado dos EUA, funcionário de potência estrangeira) quer um estudo sobre as fronteiras do Brasil com a Colômbia, a Bolívia e o Paraguai para dar início a um processo de instalação de base norte-americana em território brasileiro, dentro do esquema do Plano Colômbia.

Ou seja, o Brasil ocupado pelos norte-americanos, o mingau comido pelas beiradas. Jobim manda estudar as fronteiras com três países, opta por “combater o tráfico de drogas” numa área de 30 quilômetros comum a ação de militares brasileiros e colombianos – o alvo principal é a guerrilha – a dança de dois prá lá, dois prá cá, em breve militares dos EUA “combatendo” o tráfico em todos os cantos do País.

Há um consentimento e uma cumplicidade complicada das Forças Armadas brasileiras, ainda colonizadas e dominadas pelos norte-americanos a partir de sua cúpula.

O governo Dilma Rousseff opta pelo pragmatismo, mesmo porque a corrupção no Ministério dos Transportes é, como a corrupção em si, conseqüência do modelo econômico, do capitalismo.

Ouço e leio sobre corruptos, mas não ouço e leio sobre os corruptores, no caso empresas, empreiteiras, todas elas com contratos polpudos com o governo. O que será feito? O esquema tucano de rever os contratos e trazer os custos para o mundo sem propinas e as empresas permanecem, ou seja, o câncer fica por lá, no cerne do organismo? Muda de lugar?

O PMDB tomou conta de Dilma, pior, o PMDB tucano. Jobim e o vice-presidente Michel Temer foram ministros de FHC. Têm claro comprometimento, principalmente Jobim, com potência estrangeira, defendem interesses alheios aos interesses nacionais, mas...

Brigar com o PR é uma coisa, rende dividendo num governo fraco e sem comando (a presidente é tutelada por tanta gente que vai acabar zonza), o que não significa que corruptos não precisem e não devam ser afastados – se for por isso Jobim também é corrupto –, outra coisa é brigar com a quadrilha tucana que se abriga dentro do PMDB.

Aí, falta a coragem de enfrentar os grandes bandidos. Fica nos pequenos.

O tal pragmatismo da presidente (tecnocracia de viseira absoluta) não passa de entreguismo e vai continuar a ser assim enquanto figuras como Jobim, Moreira Franco e outros corruptos continuarem a ditar ordens.

Tipo: sentido, ordinário, marche. Marcha em direção a cair de joelhos diante de interesses militares e políticos de norte-americanos. Já planejam a entrega da PETROBRAS para mais a frente.

O PT? Existe ainda como partido de esquerda? Que esquerda? Desde quando peleguismo virou esquerda? Exceto os que teimam em sobreviver e perseguir a história do partido. São muitos na base e militantes antigos, o resto se abriga e aninha atrás de mesas com telefone, secretária, clips, carimbo e placa de autoridade em qualquer coisa, tudo no largo espectro do Estado. Chapa branca da cúpula de “consultores”.

A manobra de um político com experiência em trair seu país, em aceitar trabalhar para potência estrangeira, vender mesmo é típico dele desde quando se declarou “líder do governo no STF – era pré Gilmar Mendes – no processo de privatização, entre eles o da VALE com largo destaque.

Jobim é um tumor cuja única alternativa ao governo Dilma é cortar. Caso contrário se espalha por todo o organismo governamental e isso está acontecendo.

O governo colombiano, sistematicamente, desde antanhos, é condenado por organizações internacionais de direitos humanos por crimes hediondos, contra a humanidade e por ligações com o tráfico de drogas.

Os verdadeiros chefes dos cartéis de drogas não estão instalados nas favelas (onde a maioria esmagadora das pessoas é decente e não tem parceria com o governador Sérgio Cabral, outro pilantra do PMDB, nem com o escritório de sua ex para legalizar casas padrão Luciano Huck - ilegais), nem passando com vídeos amadores nas barbas da Polícia Federal, do Exército, dos fiscais da Receita na fronteira com o Paraguai, na ponte da Amizade.

Estão no governo colombiano, até o Agencia de Combate ao Tráfico dos EUA (DEA) já denunciou esse fato, mas preferiram ignorá-lo, transformar a verdade em biombo, o trafico de drogas, para a ocupação militar de países da América do Sul pelos norte-americanos. Controle do petróleo, da água e do nióbio entre outros minerais.

E não foi por outra razão que Jobim disse no aniversário de FHC que estavam cercados de “idiotas”. À época se cobrou do ministro uma explicação sobre o sentido que queria emprestar à palavra.

É bem possível que na lista de tais esteja a presidente. Ou então cegueira absoluta. Não enxerga um palmo adiante do nariz.

O tal estudo que Jobim encomendou se presta à entrega de território brasileiro a militares norte-americanos com esse pretexto, o combate ao tráfico de drogas. E o fez ao Itamaraty de onde Dilma afastou – do comando – tanto o chanceler Celso Amorim, como o ministro e embaixador Samuel Pinheiro Guimarães.

Documentos revelados pelo Wikileaks mostram Jobim de joelhos diante do embaixador dos EUA dizendo que tanto Amorim, como Samuel Pinheiro Guimarães eram anti-norte-americanos e, logo, “obstáculos” à recolonização do Brasil. Agora a sede é em Washington, não mais em Lisboa.

Brigar com bandidos de baixo coturno do PR é uma coisa. Brigar com bandidos de alto coturno do PMDB/tucano é outra coisa. E aí está faltando presidente, sobrando fracasso e falta de rumo.  

Vem aí mudança na grade curricular. Sai o português, ou vira facultativo, entra a nova língua mater, o inglês. Jobim dá a aula inaugural com ampla cobertura da GLOBO. Anthony Patriot e Moreira Franco ficam na primeira fila batendo palmas.      

É sopa de pedra ao qual acrescentam o latifúndio, indispensável a esse processo de entrega.  

segunda-feira, 11 de julho de 2011

MILICANALHAS E A CONSTITUIÇÃO


Os recuos da presidente Dilma Rousseff em torno da necessária abertura dos baús da ditadura militar não podem ser justificados por temores de uma crise que ameace a governabilidade (afinal somos uma democracia ou um governo tutelado?) e muito menos por pressões políticas de figuras execráveis como José Sarney, temeroso que seu papel de prostituto da ditadura possa vir a público.


Há dias, nas comemorações do octogésimo aniversário de Fernando Henrique Cardoso o ministro da Defesa Nelson Jobim referiu-se, olhando e elogiando o ex-presidente aos “idiotas que somos obrigados a agüentar”.

Jobim é ministro de Dilma, foi ministro de Lula e de FHC, esteve no STF (SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL) protagonizou um dos mais lamentáveis episódios da história da suprema corte em seu discurso de posse - "vim aqui para ser o líder do governo". A afirmação, em absoluto desacordo com o ideal de uma corte suprema se fazia por conta do processo de privatização do patrimônio público brasileiro posto em prática por FHC e que vinha encontrando obstáculos na justiça. Tamanhas eram as irregularidades, vergonhosa foi a corrupção.

A morte de Itamar Franco traz a baila alguns aspectos interessantes em torno da personalidade amoral de FHC. Todos os artifícios usados pelo ex-presidente para alcançar a indicação como candidato e todo o seu comprometimento com interesses políticos e econômicos de empresas e governos estrangeiros.

A propósito o ex-presidente Itamar Franco, em seu caixão, deve ter se sentido duplamente morto ao constatar num determinado momento as presenças de FHC, José Serra, Antônio Anastasia - para quem não sabe governador de Minas - e Geraldo Alckmin. Faltou Roberto Freire para completar a cúpula da quadrilha tucana.

Organismos internacionais já fizeram ver ao governo brasileiro que a anistia não exclui os crimes cometidos por militares durante a ditadura. Escondem-se no patriotismo canalha que caracterizou o golpe de 1964, na covardia dos que torturam, estupram, assassinam e arrotam democracia.

Somem com a história do País num determinado período. História sombria, repleta de indignidades em todos os sentidos.

A aliança com o PMDB e partidos/empresas como o PR não justifica também recuos da presidente nessa e noutras questões. Do contrário qualquer governo vai ficar refém de políticos destituídos de princípios e coisas semelhantes.

O ministro da Defesa Nelson Jobim foi para Paris após os festejos dos oitenta anos de FHC. Ao retornar, se já não retornou, deve pedir demissão. Se não o fizer fica comprovada a absoluta falta de caráter do dito. E se a presidente não o demitir o governo, mais uma vez, se mostra incapaz de sair do vespeiro político que se meteu. Se o PMDB vai manifestar descontentamento por se tratar de um dos seus principais quadrilheiros, não há sentido em ter Dilma presidente da República.

Militares se auto arvoram em guardiões da democracia e da liberdade.

Têm o hábito de golpear a democracia e a liberdade quando interesses estrangeiros falam mais alto. Foi assim que aconteceu em 1964 e assim que continua a acontecer.

Formam uma casta, entendem-se e acreditam-se superiores aos demais.

Não são parte da nação brasileira, correm à parte, é diferente. Há anos se dizia que eram o maior partido político do Brasil, pelo visto continua sendo.

Há dias, em 22 de junho, na Base Aérea de Natal, Rio Grande do Norte, criada em 1942 para sustentar a luta contra o nazi/fascismo na Segunda Grande Guerra, Lorena Costa, Defensora Pública Federal titular do 2º Ofício Criminal do Rio Grande do Norte foi submetida a uma ilegalidade por não aceitar uma determinação covarde e inconstitucional do comando militar da dita base.

“Tive as minhas prerrogativas funcionais totalmente desrespeitadas por sargentos, tenentes e o coronel da Base Aérea, uma vez que fui impedida de visitar um assistido em razão de ter-me negado a realizar a revista, na qual teria ficar nua perante um sargento”.

A mulher do assistido afirma que todas as vezes que vai visitá-lo é submetida a esse tipo de revista e forçada a agachar três vezes seguidas a fim de verificar se carrega algo suspeito. Temerosa de voltar ao local e sofrer algum abuso - por que não? Fizeram isso sistematicamente na ditadura - pediu que a defensora pública a acompanhasse.

Foram recebidas por uma sargento de nome Érika e como se recusassem a ficar nuas - estava presente um sargento chamado Júnior - foram levadas ao sargento Felix, que por sua vez foi ligar para um tenente e esse, vinte minutos depois, afirmou que “era norma da casa” - (casa de que? De tolerância?) e se a revista não fosse feita não haveria a visita.

Por fim uma consulta ao coronel comandante da Base. Ficou decidido que não haveria a visita, já que as duas mulheres se recusavam a tirar suas roupas. O nome do coronel é Lima Filho.

Na segunda metade da década de 90, há poucos anos, portanto, um grosso inquérito policial militar realizado na base aérea de Lagoa Santa, próximo de Belo Horizonte, Minas Gerais, envolveu um capitão médico, oftalmologista, que realizava exame em candidatas a aeromoças. O capitão tinha o hábito de tocar os seios das moças e cantá-las. No curso do inquérito se descobriu que uma sargento vendia roupas íntimas aos companheiros de farda fazendo demonstração ao vivo e situações piores, além de consumo de drogas ocorriam na base com freqüência em determinados setores da área de saúde.

Virou processo, teve curso na Auditoria da IV Circunscrição Judiciária Militar, em Juiz de Fora, MG, os documentos são públicos e era visível o desconforto de oficiais com os fatos.

O Brasil sai de uma ditadura militar sem que toda a verdade sobre o assunto seja revelada aos brasileiros. Em colégios e academias militares ensinam que as forças armadas se levantaram para garantir a democracia depondo o governo João Goulart.

Encheram as cadeias de presos políticos, torturaram, estupraram, assassinaram e milhares de brasileiros se viram forçados a deixar o País.

O comando da tal defesa da democracia vinha de fora. O golpe foi armado de fora. Documentos públicos do governo dos EUA publicados no extinto JORNAL DO BRASIL mostram isso. O comandante militar das forças armadas brasileiras era o general norte-americano Vernon Walters e o presidente da República o embaixador dos EUA, Lincoln Gordon.

E nem se diga que o golpe foi apenas militar. Foi um claro conluio das elites econômicas do País com o governo norte-americano (empresários, banqueiros e latifundiários) e forças armadas.

Ali, nenhum compromisso com o Brasil.

Só com a submissão ao mais forte e a barbárie ao mais fraco.

É preciso mais que abrir o baú da ditadura militar, punir os responsáveis pelo período de boçalidade (como o fizeram Chile, Argentina, Uruguai) e redefinir o papel das forças armadas brasileiras. A primeira redefinição e uma definição.

São brasileiras, ou servem a potência estrangeira?

A interesses de grupos econômicos?

Como está, os militares correm à margem da Constituição, formam um estamento da nação brasileira - parte separada e não integrada - e se arvoram em avalistas da democracia, o que nunca souberam o que significa exceto os que foram punidos e afastados quando do golpe de 1964, exatamente, por entenderem o sentido de uma força armada realmente brasileira.

Exemplos de militares dignos e democratas não faltam. O marechal Teixeira Lott, o marechal Luís Carlos Prestes, o general Ladário Teles, o brigadeiro Rui Moreira Lima e poderia citar muitos outros, o capitão Sérgio “Macaco”, Carlos Lamarca, Gregório Bezerra, Milton Temer, enfim, nenhum deles se compara aos covardes escondidos atrás da anistia no temor de serem mostrados por inteiro como exatamente o são.

Deve ser “norma da casa”.