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domingo, 28 de julho de 2013

O Globo: “Mentira grosseira para desviar atenção”



Publicado em 28/07/2013 por [*]  Mário Augusto Jakobskind

Enquanto o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reconhecia a responsabilidade do Estado por violações dos direitos humanos e infrações ao Direito Internacional Humanitário no prolongado conflito armado naquele país, informação pouco divulgada por aqui, no Rio de Janeiro ocorreu um fato extremamente grave.

Na edição da quarta-feira (25) do jornal O Globo, o repórter Antônio Werneck assinava matéria mentirosa, com chamada de primeira página, revelando que “agente da ABIN foi preso em protesto” e com o complemento de sustentação “vândalo chapa-branca”. O jornal da família Marinho, numa demonstração de baixo jornalismo “informava” sobre a prisão do geógrafo e agente da ABIN, Igor Pouchain Matela junto com a mulher, Carla Hirt.

Mentira grosseira. Carla Hirt foi presa quando fugia da truculência policial sendo agredida, depois de ser ferida por balas de borracha, não tendo jogado pedras em lugar nenhum. O marido, que não estava com ela, foi até a 14a. Delegacia Policial, no Leblon, ao ser avisado pela própria mulher da prisão e agressão por parte de um tenente da PM.

Portanto, ai se esclarece a primeira mentira que tem por visível objetivo induzir o leitor a incriminar a ABIN, desviando a atenção do principal, ou seja, de que a PM de Sergio Cabral infiltra agentes P2 nas manifestações, não propriamente para observar, como alegam as autoridades, mas para provocar tumulto. Vídeos postados nas redes sociais não deixam dúvidas.

Carla foi acusada de formação de quadrilha e ter jogado pedras numa agência bancária. Ela foi presa na rua Redentor e a PM notificou que a prisão ocorreu na Visconde de Pirajá. Portanto, uma nova mentira, como várias outras encontradas na matéria do repórter Antônio Werneck. A indicação da Visconde de Pirajá foi para mostrar que ela estava no centro dos acontecimentos no momento da prisão. Se fosse colocada a rua exata ficaria demonstrado que Carla foi presa fora do local onde a PM agia com truculência, por orientação do trio Sérgio Cabral, José Mariano Beltrame e Coronel Enir Costa Filho, comandante da PM.

Que quadrilha os presos poderiam ter formado se nenhum deles se conhecia? Antes da matéria ter sido divulgada, Carla Hirt deu entrada com uma ação no Ministério Público informando ter sido vítima da truculência policial, agredida e baleada, além de acusada falsamente de formação de quadrilha.

Fonte não revelada - Mas o que também chama a atenção da matéria é o fato dela ter sido divulgada uma semana após os acontecimentos ocorridos na manifestação que começou nas imediações do prédio onde reside o Governador Sérgio Cabral, no bairro do Leblon, dia 18 de julho. Aí que mora também o perigo. A fonte da informação sobre a falsa prisão do agente da ABIN, não citada pelo repórter de O Globo, foi o ex-deputado Marcelo Itagiba, do PSDB.

Itagiba não é flor que se cheire, tendo sido citado numa Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa fluminense sobre a ação das milícias como elemento vinculado a esse grupo criminoso que atua com ramificações no aparelho de Estado. Uma pergunta que não quer calar: quem informou Itagiba sobre a ocorrência na delegacia do Leblon? E por que Antônio Werneck não revelou a fonte da sua mentirosa matéria e fez questão de contatar o ex-deputado? Ele é fonte de O Globo?

Baixo jornalismo - Mas se os leitores imaginam que o baixo jornalismo do jornal se limitou ao que foi mencionado até agora, engana-se. Tem mais. A própria matéria desdiz a chamada de primeira página ao revelar no meio do texto que o agente foi autuado por desacato quando chegou à delegacia. Então, por que ter colocado com chamada de primeira página a mentira de que o agente da ABIN foi preso no protesto? E por que dar ênfase ao “desacato” e relegar a plano secundário a agressão sofrida por Carla Hirt e também colocá-la no texto como agente da ABIN?

Como Igor Matela havia mandado uma carta ao jornal O Globo negando o desacato e informando que ele e Carla Hirt eram alunos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o repórter Antônio Werneck procurou o professor Carlos Wainer, titular do referido instituto, perguntando se “o senhor gostaria de comentar o caso?” e se ”conhecia o casal?”.

Vainer respondeu, mas o que disse não foi divulgado pelo jornal:

Carla é geógrafa, professora, brilhante estudante de doutorado em Planejamento Urbano e Regional. Digna e íntegra, como os milhões de jovens que têm ido às ruas manifestar sua inconformidade com a situação do país. Orgulho-me de ser seu professor. No Rio de Janeiro, o direito de manifestação vem sendo violado por uma polícia inepta, brutal e, como agora se sabe, capaz de forjar autuações fraudulentas para criminalizar manifestantes. Sob pretexto de manter a ordem, a polícia instaura o terror a cada nova manifestação pública. É necessário investigar e punir policiais e autoridades que promovem ou acobertam essas violências. Ouvir a mensagem das ruas, recomendou a Presidente Dilma. Querem, no entanto, calá-la.

Igor Matela garante também que em momento algum deu uma carteirada como agente da ABIN, como insinua O Globo. Ao ser enquadrado, a delegada naquele momento, Flávia Monteiro, pediu seus documentos e que revelasse a profissão. Mostrou então a carteira de motorista e disse ser funcionário público. A delegada insistiu perguntando em que repartição, mencionando então a ABIN. Igor ingressou na ABIN por concurso.

Em suma, como tem acontecido nos últimos tempos, O Globo deu mais uma prova de baixo jornalismo, que precisa ser denunciado em todos os fóruns, sobretudo nas escolas de comunicação onde são formados os futuros repórteres que ocuparão as redações.
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[*] Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE. 

Enviado por Direto da Redação

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Royalties: Siqueira critica posição de Cabral


Fernando Siqueira - Presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e Vice- Presidente do Clube de Engenharia

O presidente da AEPET, Fernando Siqueira enviou e-mail à jornalista Flávia Oliveira da coluna “Negócios & Cia.”, do jornal O Globo sobre a tabela de perdas do Rio de Janeiro calculada pela Secretaria de Desenvolvimento do Rio de Janeiro. Siqueira criticou a posição do governador Sérgio Cabral.

CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA;

Data:
31/10/2011 

Prezada Flavia

Lendo a sua coluna de hoje, vimos a tabela de perdas do Rio de Janeiro calculada pela Secretaria de Desenvolvimento do Rio de Janeiro.

Sou nascido e criado no Estado do Rio de Janeiro, tenho três filhas nascidas aqui, mas não concordo com a posição do Governador Sergio Cabral por vários motivos:

1) O Governador foi contra o novo projeto do Governo Lula e defendeu a Lei 9478/97. Esta Lei dava 100% do petróleo a quem produzisse e o direito de só pagar 10% de royalties e a média de 11% de participação especial, em dinheiro. No mundo, os países exportadores ficam com mais de 70% do petróleo produzido, em petróleo. É uma lei antinacional;

2) O Governo Lula propôs uma nova lei, com vários avanços, discussão dos royalties (10%) num primeiro momento, porque queria melhorar a Legislação, recuperar a propriedade do petróleo para a União, para depois discutir a sua distribuição interna;

3) O Governador Sergio Cabral e o Governador Paulo Hartung, ambos defensores da Lei anterior, introduziram a discussão dos royalties, para tumultuar o processo e dificultar a aprovação da nova lei do contrato de partilha, em que o petróleo volta para a União. Acabaram despertando a cobiça, correta dos não produtores;

4) O Governador se negou a discutir o assunto royalties com a as demais bancadas no Congresso, as quais queriam salvaguardar os interesses do Rio de Janeiro e proibiu os deputados de discutirem, tendo exonerado o secretario Sveiter para que ele assumisse o seu mandato no lugar do Brizola Neto, seu suplente, que queria o diálogo. Fizemos duas audiências públicas no Congresso para discutir o assunto e o único parlamentar do Rio a comparecer foi o deputado Edson Santos, por sinal com a postura de diálogo muito bem aceita pelos demais; 

5) Sabendo que 24 estados não produtores querem participar do pré-sal, tendo portanto, maioria esmagadora, o Governador tenta jogar a presidente Dilma no fogo, contra esses 24 estados.

6) Agora manipula os resultados das perdas, pois não leva em consideração que a produção irá aumentar dos atuais 2,5 milhões de barris por dia para 3,7milhões em 2015 e 6 milhões em 2020. Essas contas estão propositalmente erradas;

7) Outro ponto que o Governador se recusa a discutir: a aplicação equivocada da Lei Kandir sobre a exportação do petróleo. A Lei Kandir foi feita para incentivar a exportação de produtos nacionais. Mas não tem sentido a sua aplicação sobre o petróleo, que é o bem mais cobiçado do planeta. O Rio perde 18% do ICMS na exportação. Hoje, isto representa cerca de 7 bilhões por ano. Em 2020, serão R$ 34 bilhões por ano. É o Brasil subsidiando os EUA e a China.

8) Mas o que está por trás dessa grita toda: O lobby internacional, liderado pelo IBP, introduziu no projeto do Governo Lula uma emenda/contrabando que devolve, em petróleo, os royalties pagos. Isto representa uma apropriação indébita de 15 bilhões de barris pelos consórcios produtores (15% de 100 bilhões de barris do pré-sal). Denunciamos isto no Senado, o relator Romero Jucá retirou essa emenda, mas pressionado, a recolocou de volta em 4 artigos, dificultando a supressão. Esse é o segredo mais bem guardado da República. Ninguém o menciona.

A discussão o esconde mais ainda. Cabral, Dorneles e agora o Lindberg, estão sendo “inocentes úteis” do lobby do Cartel internacional incrustado no Instituto Brasileiro do Petróleo.  

Abraços
Fernando Siqueira - presidente da AEPET e vice do Clube de Engenharia.

enviado por AEPET

domingo, 7 de agosto de 2011

Rio em estado de calamidade pública


Publicado em 07/08/2011 por Mário Augusto Jakobskind

O Rio de Janeiro vive na prática em estado de calamidade pública. A culpa se deve principalmente a seus governantes, o Prefeito Eduardo Paes e o Governador Sergio Cabral. Lamentavelmente, partidos que se consideram progressistas e de esquerda apoiam os referidos.

A educação pública é de baixa qualidade. Os professores recebem salários de fome e por isso estão parados há quase dois meses. O Governador, que num acordo de cavalheiro$ não é criticado pelos meio$ de comunicação de mercado, muito pelo contrário, oferece como contraproposta um reajuste de 3,5%, o que equivale para os professores em início de carreira algo em torno de 20 reais.  

As obras públicas tendo em vista os megaeventos estão sendo reajustadas e algumas, como aconteceu nos Jogos Panamericano na gestão do Prefeito Cesar Maia, na base de milhões de reais. Por enquanto, o caso mais grave é o do Maracanã, cujo orçamento pulou para mais de 1 bilhão de reais e ainda por cima uma obra que vai elitizar o maior estádio do mundo, que está sendo adaptado às exigências da Fifa, que só pensa em cifras.

Cabral foi pego em flagrante delito em promiscuidade com empresários, alguns deles responsáveis por obras pagas pelo Estado, ou seja, pelos cidadãos contribuintes. No início do flagrante delito, alguns jornais noticiaram a proximidade de Cabral com o setor empresarial, inclusive usando avião de Eike Batista, mas depois o assunto foi e$quecido.

Em âmbito municipal, Paes mandou para a Câmara dos Vereadores, em regime de urgência, um projeto que segue a determinação do Banco Mundial e prevê, entre outras coisas, quebra da paridade dos ativos com inativos, percentual de 30% a menos no pagamento das pensões, além da terceirização dos serviços públicos com o objetivo de reduzir gastos com o funcionalismo público.

Paes e Cabral são queridinhos da mídia de mercado, até porque abrem as comportas financeiras com o pagamento de farta publicidade. Sendo assim, os médicos, professores e bombeiros, por exemplo, estão sendo maltratados com salários aviltantes e assim sucessivamente. Neste domingo (7) eles estarão na rua pedindo a solidariedade da população contra os desmandos do Prefeito, cuja meta é a privatização do setor. A velha receita que procura convencer a meio mundo a necessidade da privatização de tudo que o Estado pode perfeitamente gerir. Balela e banditismo.

Este, em resumo, é o quadro que vive a cidade e o município do Rio, engabelado pela propaganda enganosa da Prefeitura e Governo do Estado, cujos gastos não são poucos. Não é uma situação de extrema gravidade? E tem muito mais que deve estar acontecendo, inclusive em matéria de irregularidades, que poderiam ser do conhecimento público se as editorias das mídias de mercado tivessem interesse em desvendar os temas e mesmo algumas denúncias escabrosas. 

No ano que vem, os cariocas elegerão um novo Prefeito, certamente Paes tentará se reeleger e vai contar com apoios empresariais fortes. Além disso, um arco de aliança poderoso também e até o PT de vice. Paes não vai querer largar o osso, até porque vem aí a Copa do Mundo e as Olimpíadas, eventos onde circula muito dinheiro. Cabe aos eleitores, desde que informados sobre os acontecimentos, fazer a escolha. Lamentavelmente, o lado informativo não circula na maioria dos meios de comunicação.

Por sinal, já começou o favorecimento. Na semana passada a Prefeitura pagou 30 milhões de reais para o grupo Globo transmitir com exclusividade o sorteio das Eliminatórias. Leia-se que a fatura foi paga pelos cidadãos contribuintes. E pior, as empresas concorrentes tiveram dificuldade até para credenciar os seus jornalistas e cinegrafistas. Aí pode, nada de SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) protestando contra restrições à liberdade de imprensa.

A demissão de Nelson Jobim, arrogante e boquirroto, representou sem dúvida um tento para o governo Dilma Rousseff. Como foi dito neste espaço há duas semanas, o então Ministro da Defesa estava a mais em um governo que se pretende progressista. A nomeação de Celso Amorim é positiva, claro, como demonstram as críticas partidas de notórias figuras políticas da velha e nova direita brasileira, ou seja, do Demo e do PSDB, que no final das contas se associam, pois um partido não pode viver sem o outro.

Espiões benignos informam que já baixou uma ordem editorial  nas Organizações Globo, sobretudo na TV Globo: não poupem p Ministro da Defesa Celso Amorim. Resta então acompanhar o noticiário para confirmar a informação dos espiões benignos benignos. 

Dez anos de Direto da Redação merecem ser comemorados por todos aqueles que entendem ser a informação um direito humano. E nesse sentido, o DR tem contribuído em larga escala para o exercício desse direito fundamental, abrindo espaço, sem restrições, para reflexões que estão fora do circuito da mídia de mercado. Parabéns, Eliakim e todos os que  por aqui circulam, tanto os colunistas como os leitores. É gratificante ocupar este espaço. 

Em tempo: depois da “primavera árabe” está começando o “verão israelense”, com mais de 300 mil nas ruas exigindo o fim da era Netanyahu e sua política de favorecimentos dos ricos. Os manifestantes se posicionam há três sábados seguidos contra privatizações e falta de justiça social. Querem democracia e não caridade.


Mário Augusto Jakobskind
É correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A CRÍTICA E A CRÍTICA

Laerte Braga

Há uma diferença abissal entre a crítica de setores e partidos de esquerda ao governo Dilma e a crítica feita, por exemplo, pela GLOBO, ou por VEJA. No jornal que apresenta às 18 horas de segunda a sexta a GLOBONEWS – tevê por assinatura – edição de quarta-feira, a apresentadora fez questão de ressaltar a importância da denúncia de irregularidades no governo, onde quer que seja como papel do jornalista de estar sempre indignado – uma espécie de reflexo da indignação pública – com a corrupção que resultou na demissão do ministro dos Transportes.

O PSDB divulgou quinta-feira, 7/7/2011, nota oficial onde afirma que esse Ministério “é a herança maldita da ética”.

Nota oficial do PSDB falando em ética é complicado.

Não é um partido, é uma quadrilha.

A indignação da jornalista deveria se estender a toda a série de irregularidades acontecidas no governo FHC, nos governos de Serra e Alckmin no estado de São Paulo e em qualquer governo tucano em qualquer lugar do País, todos bandidos.

Circula na internet, no YouTube, vídeo mostrando as relações do ex-governador de Minas Aécio Neves com a rede GLOBO e o jornal ESTADO DE MINAS, o terror implantado em seu governo no sentido de silenciar a mídia crítica, as muitas demissões de jornalistas por ousarem enfrentar o, hoje, senador.

Ano passado, em plena campanha eleitoral, o ex-governador e pilantra José Serra denunciou a existência de um complô via dossiê contra sua candidatura armado pelo partido do governo, o PT (são tantos).

Uma ligeira investigação e Serra deixou de lado a denúncia. É que o dossiê fora encomendado e pago por Aécio Neves, quando ele e o tucano paulista disputavam a indicação do partido como pré-candidatos presidenciais e Aécio se vingava de Serra que havia antes encomendado outro dossiê sobre ele, Aécio. Aquele insinuado pelo jornalista capacho de Serra, Juca Kfouri, sobre os boatos que o mineiro era usuário de drogas.

Lula e Dilma pagam o preço da opção por alianças com partidos como o PR – Partido da República. É um partido de ladrões, quadrilha, ligado a uma igreja neopentecostal, seus principais acionistas são pastores e essa gente não faz outra coisa que não ludibriar a boa fé das pessoas, aquele negócio de vender tijolinho para ir fazendo casa no céu ou, dependendo do dízimo, mansão nas paragens cuja portaria é controlada por São Pedro.

Os chefes mesmo preferem morar em Miami.

Lula segurou e continua sendo segura, a decisão de expropriação automática de terras onde seja descoberto trabalho escravo para fins de reforma agrária. Quase todos os dias a Polícia Federal ou o Ministério do Trabalho descobrem latifundiários e empresas do agronegócio se valendo de trabalho escravo, inclusive um deles, o tal rei do feijão, prefeito de uma cidade mineira e tucano, óbvio.

Dilma está prestes – se já não transformou – um dos maiores bandidos da política brasileira, Blairo Maggi, Ministro dos Transportes. Responsável por desmatamentos ilegais no Centro-Oeste, envolvido em corrupção generalizada em seu governo no Mato Grosso, ligado a contrabandistas e empresas estrangeiras interessadas no nióbio brasileiro (sem ele não existiria arsenal nuclear norte-americano, ou qualquer outro) e o ex-ministro José Dirceu estão envolvidos nisso até a alma. Maggi é useiro e vezeiro em trabalho escravo.

Os baús da ditadura, outro exemplo. Não se sabe por que razão permanecem sigilosos os documentos que mostram os crimes cometidos pelos militares durante a ditadura e nem se entende o receio do governo em exibi-los.

Entender a covardia dos torturadores atrás da lei da anistia – feita para eles, para inocentá-los das felonias cometidas – é fácil.

A tortura é da natureza de todo covarde como Brilhante Ulstra, hoje colunista do jornal FOLHA DE SÃO PAULO (que nunca é demais lembrar, emprestava os caminhões para a desova de presos políticos assassinados no DOI/CODI paulista, ou no OBAN – OPERAÇÃO BANDEIRANTES -, financiada por empresas como a Mercedes Benz, p. ex.).

Quando o secretário geral do PCB – PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – definiu o governo Lula como “capitalismo a brasileira”, estava indo muito além de uma frase de efeito, ou de uma constatação.

O que Ivan, com certeza, quis denunciar, caracterizar, era exatamente a opção que Lula fez e Dilma mantém por determinado setor do empresariado dentro do modelo. Ou seja, o ex-presidente e a atual presidente, agregaram parte do empresariado, do latifúndio e todos os banqueiros que atuam no Brasil para implementar suas políticas, algo como uma negociação em troca de ar que lhes permitisse respirar, avançar em alguns setores, sem mudar coisa alguma, mantendo intactos os cartórios.

Só isso. Nas alianças feitas pelos governos Lula e Dilma o que existe é isso.

Aceita-se a participação de quadrilhas, PR, setores do PMDB (que ainda tem muita gente digna), fecha-se os olhos a determinadas irregularidades, enquanto se toca o que consideram principal dentro dos parâmetros ditados pelo modelo. Como? A política econômica. A política de juros altos. As privatizações agora dos aeroportos e outras

Abílio Diniz envolvido em várias irregularidades fiscais, trapaças, etc., num dado momento do governo Lula chamou o presidente de “grande estadista”. Ele não acha nada disso, apenas estava no grupo de empresários absorvidos por Lula.

Eike Batista sustenta o governo Sérgio Cabral – cada vez mais com cara de Collor de Mello e já carecendo de impeachement faz tempo – em troca de grandes contratos, de concessões, etc., etc..

Não é só a casinha de Luciano Huck (regularizada pela ex-mulher de Cabral, através de seu escritório de advocacia) multado agora por cercá-la de bóias afetando o ambiente. O cinismo desses pilantras globais é impressionante. Não é o caso da jornalista que apresenta o jornal da seis da GLOBONEWS, pelo contrário, é da organização GLOBO mesmo, quadrilha. São grandes trapaças, grandes negociatas e tudo bem. Cabral pede desculpas de público, continuam morrendo assassinadas pela PM crianças na “polícia pacificadora” (caso do menino Juan), nada acontece.

Dia desses, num consultório médico, enquanto aguardava, nessas revistas velhas que povoam consultórios médicos e odontológicos (os tais da colgate que resolve tudo), li uma declaração da apresentadora do JORNAL NACIONAL (um câncer na informação) falo da jornalista Fátima Bernardes, que “o meu cabelo é patrimônio nacional”. Ora, a moça perdeu completamente a noção de ser humano, incorporou o espírito-robô e se acha acima do bem e do mal.

Quando VEJA e a GLOBO se “indignam” com a corrupção é porque os empresários ligados a eles estão sendo “prejudicados” em alguma negociata. No caso do ministro (bandido) Alfredo Nascimento, a concorrência com a RECORD. O PR é um braço do esquema neopentecostal, o melhor “negócio divino” existente no País hoje e em boa parte do mundo.

Ao se afirmar que Lula cometeu erros em concessões várias e Dilma está sem rumo, perdida (Jobim chamou figuras do governo que não nominou de “idiotas” diante de FHC e Serra e continua ministro), ao mesmo tempo em que se propõe uma revisão de políticas públicas em vários setores, aí sim, para que o País possa avançar, não se está fazendo o jogo da direita. Esse jogo é feito pelas debilidades do governo Dilma. Ou o caso do ministro Alfredo Nascimento, quadrilheiro de carteirinha, foi inventado e deveria ser objeto de silêncio para não prejudicar “a governabilidade e os avanços”. Que avanços?

O custo do trem bala Rio/São Paulo está orçado em 80 milhões o quilômetro, o custo da ponte – a maior do mundo – construída agora e mostrada ao mundo pelos chineses foi de dois milhões de dólares o quilômetro. Quando o PSDB e VEJA, ou GLOBO denunciam uma irregularidade é briga de quadrilhas empresariais. É diferente da crítica, muito diferente, que se faz ao modelo e às práticas do governo, mesmo porque embora pense que tenha inventado a esquerda, o socialismo, não é bem assim. Arqueólogos já comprovaram que a esquerda, o socialismo é anterior ao PT.

As lutas populares são anteriores ao PT.

A discussão da reforma política que senadores e deputados deitam sapiência no curso da semana com propostas assim e assado. O que tem sido feito é apenas uma busca meticulosa de uma “reforma” que não mude coisa alguma e permita a um corrupto sem entranhas como José Sarney, repulsivo, permanecer senador e pior, presidente do Senado e um dos grandes avalistas do governo.

A crítica feita pela mídia privada reflete o que a mídia privada o é. Um braço do capitalismo, de potência estrangeira, de uma forma de terrorismo que entre outras coisas busca alienar e aterrorizar o telespectador, ouvinte, leitor, o cidadão, quando lê matéria como a da revista VEJA imputando a muçulmanos inverdades e atos inexistentes.

VEJA é podre da primeira a última página.

A crítica feita por partidos à esquerda do PT (é hoje um partido social democrata, de centro-esquerda) trabalha ao mesmo tempo – e muitas vezes é dos movimentos sociais também – a importância do debate público, da participação popular, da luta de frente com essas quadrilhas que lotam a política brasileira, caso do PR, de transformações políticas e econômicas para que se possa ter um caminho alternativo a esse “capitalismo a brasileira”.

E acima de tudo é responsável. Tem plena consciência do que significa a perspectiva de volta do tucanato ao poder. Foi por isso mesmo que esses partidos ficaram com Dilma no segundo turno (a maior parte deles) e outra vez o PCB refletiu essa responsabilidade, essa consciência, ao proclamar “com Dilma nas urnas, contra Dilma nas ruas”.

O tamanho do tsunami que se forma para atingir a América Latina nessa crise que vive o capitalismo é apavorante. E nesse diapasão, nessas alianças, nesse chove não molha, nessas discussões estéreis a cúpula do PT (pelega) e os governos petistas terão uma parcela imensa de culpa. A de não perceber que o caminho não passa por alianças, mas por enfrentar o modelo.

A história que não tem como ser diferente é bobagem, desculpa esfarrapada. Falta é peito mesmo. E aí, tem que conviver com Alfredo Nascimento, com Nelson Jobim, Moreira Franco, essa corja que pulula no governo Dilma. Blairo Maggi? É o senhor do agronegócio no Brasil. Continuamos no brejo do capitalismo disfarçado de programas sociais que longe de serem transformadores, apenas adéquam parcela da população ao modelo perverso que vive seus dias finais em termos de história.

E um aspecto importante. O PT não inventou a esquerda. Tanto não inventou que hoje mal consegue se segurar na centro-esquerda.

A propósito da nota do PSDB falando em ética; os caras não entendem do assunto e ficam dando palpite errado, falando besteira. Hitler tinha uma ética. Ben Gurion o primeiro chefe de governo de Israel e colaborador do nazismo tinha uma ética. Drácula tem a ética do sanguessuga. A do PSDB é a da amoralidade. Tem horror de bafômetro e adora pedágio (propinas maiores). A de Israel, desde Ben Gurion é de ressuscitar a suástica e fundi-la à cruz de David e está conseguindo fazer.

Com urgência é necessário contatar o espírito de Marx e explicar a ele que nada do que disse ou escreveu vale se não tiver o crivo do PT. Marx e todos os pensadores de esquerda desde os primórdios.

domingo, 26 de junho de 2011

Humala e Cabral, dois extremos


Publicado em 26/06/2011 por Mário Augusto Jakobskind

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre as transformações que estão a ocorrer no continente americano, o vizinho Peru pode servir de exemplo concreto sobre este novo tempo que desagrada os setores conservadores. Até bem pouco tempo, a Aliança Popular Revolucionária Americana, mais conhecida como Apra, o partido do atual Presidente Alan Garcia, mandava e desmandava. Mas nas últimas eleições teve um resultado pífio só conseguindo eleger quatro deputados. Ou seja, nem poderá formar um bloco parlamentar e consequentemente não terá forças para continuar dando as cartas políticas, como fazia anos atrás.

O partido de Alan Garcia tem raízes históricas, mas nem por isso conseguiu sobreviver aos novos tempos no país, que acabou resultando na eleição de Ollanta Humala. Vinculado à socialdemocracia, que hoje passou a ser uma linha auxiliar dos apologistas do esquema neoliberal e do deus mercado, a Apra colheu os frutos de sua prática, imaginando sempre que o processo político é imutável.

O exemplo peruano deve servir de reflexão não apenas para cúpulas partidárias que sucumbem à burocracia, transformando as suas agremiações políticas em meros departamentos cartoriais, como a políticos que imaginam estar acima do bem e do mal. No Brasil já temos exemplos, sobretudo à direita, mas de alguns partidos de esquerda, ou que se julgam de esquerda, embora nos últimos tempos venham adotando práticas diferenciadas do que defendiam antes.

Em termos regionais, o exemplo mais elucidativo está a ocorrer no Rio de Janeiro, onde partidos que se consideram de esquerda apoiam um governador, Sergio Cabral que reprime violentamente bombeiros que ganham salários de fome e ainda por cima concede as maiores facilidades para empresários em troca de favores especiais.

Já se imaginava que isso acontecia, embora a opinião pública estivesse iludida, como nas eleições de outubro do ano passado, quando sufragou Cabral por maioria absoluta. Agora, depois de uma tragédia em que morreram sete pessoas na queda de um helicóptero na Bahia, caiu a máscara. Isso tem um nome: promiscuidade. Ou será que tem outra denominação o fato de um governador estar usufruindo das benesses de um empresário, como Fernando Cavendish, proprietário da construtora Delta, a empreiteira responsável pela reforma milionária do Maracanã em associação com as do mesmo ramo Odebrecht e Andrade Gutierrez?

Escondendo o jogo, como faz sempre, Cabral foi a Bahia para participar de uma festa milionária de Cavenish, a quem presta favores. E o que dizer em pegar carona a hora que quiser no avião do trilionário Eike Batista? O empresário e o governador acham isso perfeitamente normal.

Há denúncias segundo as quais o governo Sergio Cabral está fazendo obras no Estado sem concorrência pública, o que mereceria pelo menos uma investigação mais apurada da Assembleia Legislativa e do Ministério Público.

Em outros países, por muito menos,  governos caíram porque os chefes do Poder Executivo se envolveram em jogadas prejudiciais ao Estado.

Cabral tem maioria na Assembleia Legislativa e dificilmente se conseguirá algum tipo de ação, salvo se a opinião pública se mobilizar e exigir, pois, afinal de contas, o Estado é responsável em gerir os impostos arrecadados de honestos cidadãos contribuintes.

O momento é grave. O Rio está na antevéspera de dois megaeventos que vão lidar com muitos milhões. Tudo agora gira em torno disso, inclusive no âmbito da Prefeitura, onde o alcaide Eduardo Paes está aprontando, como, por exemplo, promovendo  remoções de favelas que não estão em área de risco, mas são cobiçadas pela especulação imobiliária há tempos. O Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, que o diga. E perguntem também que grupos econômicos apoiaram Paes.

Aliás, que pouca sorte tem o Rio de Janeiro. Depois de um Cesar Maia aparece um Paes. E um Maia que responde na Justiça pelo que foi feito na Cidade da Música, na Barra da Tijuca, que ainda por cima ganhou o nome de Roberto Marinho, um cidadão acima de qualquer suspeita, mas que em nenhum momento teve algum envolvimento com a música, seja clássica ou popular, salvo as editorias de cultura de seus meios de comunicação.

Maia imaginava que colocando o nome do finado proprietário das Organizações Globo poderia tudo que fez de errado ficar por isso mesmo. Mas como as denúncias se avolumaram, Cesar Maia terá de responder na Justiça as acusações de ilegalidades cometidas  na Cidade da Música.

O Rio de Janeiro, claro, merecia coisa melhor, mas como a região historicamente sempre primou pela resistência, embora nos últimos tempos, Cabral, Paes e antes Maia, para não falar em tempos mais distantes de Moreira Franco e Marcelo Alencar, que ocuparam o espaço político, transformando a área em uma verdadeira vergonha nacional, não se descarta que em algum momento o povo desperte e exija que sejam tomadas providências enérgicas para acabar com o atual estado de coisas. O integral apoio popular aos bombeiros vitimados por Cabral foi um aviso,.

No Peru, o esquema meliante de Fujimori foi derrotado nas urnas e o partido de Alan Garcia, que apoiou a filha do ex-Presidente, a Keiko Fujimori, sofreu um revés sem precedentes históricos, que não imaginava poderia acontecer. Nos tempos de transformações porque passa o continente americano, não pode mais haver lugar para tipos como Alan Garcia, Alberto Fujimori, Cabral, Paes, ou Maia, muito menos para Moreira Franco, que virou Ministro de Assuntos Estratégicos, embora já se conheça há tempos que tipo de estratégia ela adota no seu fazer político.

Ah, sim, neste time fica faltando o chileno Sebastián Piñera, que conseguiu se eleger depois da falência do esquema da Concertación, mas, segundo as pesquisas, já é repudiado pela maioria da população.


sábado, 25 de junho de 2011

Pequena biografia política de Sergio Cabral Filho

Dize-me com quem andas, Sergio Cabral, e todos saberão que tipo de governante você se tornou.

Carlos Newton, da Tribuna da Imprensa 

Sergio Cabral Filho
Por muito menos, pediram o impeachment de Fernando Collor. Não há comparação entre as trajetórias do então presidente e a do atual governador do Rio de Janeiro. Os “empresários” Marcelo Mattoso de Almeida, que morreu pilotando o helicóptero na Bahia, Fernando Cavendish, Sergio Luiz Côrtes da Silveira e Arthur Cesar Soares de Menezes Filho – são estes os principais parceiros de Sergio Cabral Filho, um jovem suburbano que abraçou a política e daí passou a flertar com a elite e frequentar o eixo Leblon-Angra dos Reis-Miami-Paris. 

Parceiro 1 – Marcelo Mattoso de Almeida era um ex-doleiro, que se autoexilou em Miami, fugido de uma operação da Polícia Federal, onde abriu uma revendedora de carros de luxo (por coincidência, o nome da agência era First Class, o mesmo do empreendimento na Bahia). Voltando ao Rio de Janeiro, passou a frequentar a casa do governador, tornando-se assíduo no Palácio Laranjeiras. Por coincidência, na semana passada voltou de Paris fazendo escala em Miami.

Parceiro 2 – Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, era um empreiteiro de terceiro time e rapidamente se tornou um dos mais ricos do país, depois que se aproximou do governador Sergio Cabral Filho, ganhando as mais importantes licitações do Estado do Rio de Janeiro, inclusive a reforma do Maracanã e a construção das novas lâminas do Tribunal de Justiça.

Parceiro 3 – Arthur Cesar Soares de Menezes, o “Rei Arthur”, assim chamado porque é o grande artífice e planejador das terceirizações e licitações no governo Sergio Cabral. Em 2008, recebeu 23,5% (R$ 357,2 milhões) de tudo o que o governo estadual pagou. Na verdade, o reinado de Arthur César, do grupo Facility, se iniciou na gestão de Anthony Garotinho e desde então jamais foi destronado. Mas nem Garotinho ousou pagar tanto, em 2003, por exemplo, Arthur César só levou R$ 58,5 milhões.

Parceiro 4 – Sergio Luiz Cortes da Silveira é o homem de Cabral na área da saúde. O governador tentou emplacá-lo como ministro do governo Dilma Rousseff, que declinou quando viu a lista dos processos que o secretário responde por improbidade administrativa. A corrupção de Côrtes virou manchete dos jornais e ele jamais explicou como comprou o luxuoso apartamento de cobertura na Lagoa, que seu salário de Secretário de Saúde não poderia pagar. A atuação de Cortes rendeu ao governador uma interpelação judicial no STJ (IJ nº 2008/0264179-0), promovida pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro e pela Federação Nacional dos Médicos.

Além dos quatro parceiros, o governador tem forte apoio da própria mulher, Adriana Ancelmo Cabral, que se tornou o maior fenômeno da advocacia nacional. Saiu da função de advogada assistente na Alerj (2001 e 2003) para catapultar sua carreira e fundar, em 2004, o Escritório Coelho, Ancelmo & Dourado Advogados Associados, sociedade que mantém o maior número de causas milionárias em que o Estado do Rio de Janeiro, suas autarquias e fundações funcionam como parte ou contraparte. 

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O ENRIQUECIMENTO DE CABRAL 

Sérgio Cabral Filho vem de uma família de classe média baixa, nasceu no Engenho Novo e foi criado no bairro de Cavalcanti, subúrbio do Rio. O pai, conhecido jornalista e crítico musical, se candidatou a vereador e foi eleito em 1982 e reeleito em 1988 e 1992. Cabral Filho se integrou à equipe do pai acabou nomeado diretor da TurisRio, no governo Moreira Franco.

Em 1990, pegou carona no nome do pai e foi eleito deputado estadual, tornando-se uma espécie de político-modelo. Recusou as mordomias da Alerj, não usava o carro oficial, dirigindo seu modesto Voyage. Defendia duas classes sociais: os jovens e os idosos, organizando os famosos bailes da Terceira Idade, primeiro no Clube Boqueirão do Passeio, depois no Canecão.  Fazia uma carreira impecável, trocou o PMDB pelo PSDB e tinha tudo para dar certo na política.

Até que se candidatou a prefeito do Rio, em 1992, e descobriu as famosas “sobras de campanha”. Foi quando começou a enriquecer. Reeleito deputado estadual em 1994, ligou-se a Jorge Picciani, que durante 6 anos foi primeiro-secretário da Alerj, no período em que Cabral presidiu a casa (1995-2007). Em 1996, foi novamente candidato a prefeito, amealhando “mais sobras de campanha”.

Em 1998, tinha declarado um patrimônio de R$ 827,8 mil, mas já dava demonstrações explícitas de enriquecimento ilícito. Ainda estava no PSDB, mas rompeu com o então governador Marcello Alencar, que o denunciou ao Ministério Público Estadual por improbidade administrativa (adquirir bens, no exercício do mandato, incompatíveis com o patrimônio ou a renda de agente público), pela compra de uma mansão no condomínio Portobello em Mangaratiba, e de também de um luxuoso apartamento no Leblon.

Mas essa investigação foi arquivada pelo subprocurador-geral de Justiça Elio Fischberg, em 1999, porque Cabral alegou que fazia “consultoria política” para a agência do publicitário Rogério Monteiro, que lhe pagaria R$ 9 mil por mês, quantia insuficiente para justificar os elevados gastos de Cabral, mas o subprocurador parece que não eram bom em aritmética.

Em 1999, Cabral volta para o PMDB, e ainda como presidente da Alerj, se aproxima do então governador do estado, Anthony Garotinho, que o ajuda a se eleger senador em 2002, e depois o apóia na campanha para governador em 2006, com mais “sobras de campanha”.

Como governador, estrategicamente Cabral logo rompeu com seu protetor Garotinho, mas manteve o “reinado” de Arthur César Soares de Menezes Filho. E se ligou aos outros três mosqueteiros: Marcelo Mattoso de Almeida, o ex-doleiro que morreu sexta-feira pilotando o helicóptero na Bahia, o empreiteiro Fernando Cavendish, e o secretário Sergio Luiz Côrtes da Silveira. Com isso, foi aumentando desmesuradamente a fortuna, que já não dependia dos serviços de “consultoria” à agência do amigo Rogério Monteiro. 

Hoje, o deslumbramento e o exibicionismo novo rico da família Cabral chega a tal ponto que uma foto publicada por O Globo esta terça-feira diz tudo.

O filho de Cabral, Marco Antonio, aparece usando um relógio Rolex Oyster Perpetual Daytona de Ouro Branco, que custa nas melhores lojas do país a bagatela de R$ 50 mil. Não é preciso dizer mais nada. 

Enviado por Alfredo Pereira dos Santos
Extraído da Tribuna da Internet 
Publicado em terça-feira, 21 de junho de 2011 | 15:57