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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Fazendo Sochi em pedaços... no bom sentido


\o/\o/\o/ Jornalismo “indispensável” \o/\o/\o/ 
(para de-to-nar Putin, o “perigo vermelho”) 

7/2/2014, Da Russophile (Moscou)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
(clique nas imagens para aumentar)

Entreouvido no Quiosque da Buzanfa na Vila Vudu: Leiam aí e me digam: não é tudo IGUALZINHO ao que faz no Brasil o “jornalismo” canalha da imprensa-empresa privada do Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão), e também contra a Copa do Mundo no Brasil?! (Mas... ATENÇÃO: O PT não ter ainda, depois de DEZ ANOS no poder federal, NENHUM PENSAMENTO-AÇÃO APROVEITÁVEL CONTRA A IMPRENSA-EMPRESA PRIVADA NO BRASIL e que não tenhamos construído veículos e discursos CONTRA essa canalha “jornalística” ativa no Brasil há séculos ... isso... isso... ISSO, SIM, É PROBLEMA! Pêqêmêpê! Até quando?!)

Iceberg Skating Palace
Bolshoy Ice Dome
Adler Arena
Quase todos os jornalistas ocidentais estão empenhadíssimos em desqualificar os feitos dos russos e em ampliar os fracassos dos russos, desde o dia em que Putin foi eleito e pôs o ‘jornalismo’ ocidental em modo-síndrome de piração coletiva. Putin os aterroriza!\o/\o/\o/ Putin os atormenta até em seus pesadelos, como confessou recentemente Shaun Walter, do The Guardian. \o/\o/\o/ Assim sendo, não surpreende a detonação preventiva dirigida contra os Jogos Olímpicos de Sochi.

Mas, dessa vez, o que mais chama a atenção é a baixa qualidade do trabalho: é horrível, o trabalho do pessoal “jornalístico” que os russos chamam, com sarcasmo, de “jornalistas democráticos” que trabalham na Rússia [“horrível”, só porque os russos nunca viram o servicinho que fazem por aqui, no Brasil, os tais “jornalistas democráticos”! E os “jornalistas éticos”, entaum?! Tesconjuro!].

O primeiro ataque tinha a ver com uma suposta corrupção em tudo que tivesse a ver com os Jogos Olímpicos de Sochi. Em 2010, a edição russa da revista Esquire estimava que os  48 km de estradas em torno de Sochi teriam consumido nada menos que $8 bilhões de dinheiro dos contribuintes, soma suficiente para pavimentar todas as estradas com caviar beluga de primeira! [A jornalista] Julia Ioffe encarregou-se de transmitir esses cálculos ginasianos para toda a anglosfera [de onde o Grupo GAFE – Globo-Abril-FSP-Estadão – COPIA TUUUDO]. Problema? Esses doidos “de jornal & televisão” cuidadosamente omitiram que a tal estrada incluía 50 pontes e 27 km de túneis em terreno de montanha… o que converte o custo, de estratosférico, para perfeitamente razoável. Mas... o que foi planejado para ser metáfora da corrupção de Sochi acabou por aparecer como metáfora do mais desatinado e infundado ataque contra Sochi.

Adler Railway Station
(parte dos infames US $8 bilhões da"estrada")
Foguete Soyuz (comunicações)
Gorki Gorod parte do Krasnaya Polyana (hotéis e comércio)
Os jornais e televisões de todo o mundo não se cansam de comparações com os $8 bilhões gastos durante os Jogos Olímpicos de 2010 no Canadá. Convenientemente, ninguém “noticia” que Whistler já era resort de ski de fama mundial, enquanto, em Sochi, toda a infraestrutura teve de ser construída do zero e em prazo relativamente curto.

Os custos reais relacionados aos Jogos Olímpicos de Sochi chegam a US$ 7 bilhões, dos quais a metade saiu do orçamento do estado. Não implica que ninguém tenha roubado – claro que houve roubo, porque a corrupção é problema real na Rússia, e é especialmente endêmico na indústria da construção [como em todo o planeta e também nos EUA e particularmante no Estado de São Paulo, Brasil].

Navalny criou um website inteiro sobre isso e coordenou campanha contra Sochi com Buzzfeed e o New York Times que o jornal O Estado de S.Paulo, Brasil, COPIOU integral e imediatamente.

Mas o que mais chama a atenção é que, diferente dos níveis faraônicos de assalto aos cofres públicos que se deveriam esperar pelo tom apocalíptico-moralista das matérias “jornalísticas”, na maioria dos casos os gastos equivalem a algo entre 50%-100% dos custos “comparáveis” de projetos ocidentais (e selecionados só os casos mais notáveis já conhecidos).

Não que seja “bom”, é claro. Mas absolutamente não é caso jamais visto na experiência ocidental. Em todos os casos, houve alguns casos criminosos que se converteram em processos judiciais, o que implica que a impunidade não é garantida. (A “vítima” mais famosa, Akhmed Bilalov, fugiu do país reclamando que havia sido envenenado – exatamente o que se poderia esperar dos barões-ladrões do fim da ex-União Soviética).

Hospedarias
Rampa para salto de esqui
Paisagem
A maior parte dos $50 bilhões investidos em  Sochi – cerca de 80%, aproximadamente – foram aplicados em projetos de infraestrutura para fazer de Sochi uma estação de ski padrão mundial que garantirá empregos para as agitadas populações do norte do Cáucaso, e como início de uma cultura de esportes de inverno na Rússia, que tente, pelo menos, fixar por aqui uma parte das patrióticas elites russas que passam o inverno em Courchevel.  

O segundo principal alvo de ataques é a “perseguição”, na Rússia, aos gays. Tem a ver, presumivelmente, com as novas leis russas que proíbem, para crianças, propaganda de práticas homossexuais – e nem faz qualquer diferença que até 2003 tenha havido leis semelhantes, por exemplo, na Grã-Bretanha (“Section 28”) e que a sodomia ainda fosse considerada crime em vários estados dos EUA, com certeza, até o mesmo ano.

Lembro essas coisas menos porque sejam importantes em si, mas para mostrar que os padrões morais que o “ocidente” considera tão essencial e fundamentalmente importantes só foram alcançados (ou abandonados?) na última década. Além do mais, grande parte do mundo rejeita muito mais furiosamente muitas dessas posições, que a Rússia. Por tudo isso, a campanha nessa direção acaba ganhando ares de tão absurda, arrogante presunção, que não há quem não suspeite de que, sim, há motivo bem sórdido, por trás dela. E quem pressuponha a “correção” e a “moralidade” ocidentais como parâmetro a seguir, que se informe, para começar, sobre Snowden e sobre a Síria.

Em terceiro lugar, e de longe a mais repulsiva, há a trolagem ocidental sobre “o terrorismo” em Sochi. Depois de vários ataques terroristas muito bem-sucedidos na Rússia, não faltaram “especialistas” para proclamar que ali estariam exemplos de que “a autocracia de Putin não está funcionando para os russos comuns” (Kathryn Stoner-Weiss); que os russos “não podem confiar na proteção de seu governo (David Satter), etc.. Por extensão, o Comitê Olímpico Internacional é selvagemente irresponsável por “por em perigo a segurança do público e dos atletas”, admitindo que se realizem jogos olímpicos na Rússia (Sally Jenkins).

Aleksei A. Navalny, o Detrator
(No Brasil há muitos, além da imprensa-empresa, é claro,
vide Black Bloc, naovaitercopa e Banco Itaú p. ex.)
De fato, segundo o maior banco de dados sobre terrorismo no mundo, o número de mortos em ataques terroristas na Rússia caiu vertiginosamente na última década, e o movimento jihadista foi reduzido a uma sombra do que foi; hoje, explodir um ônibus num subúrbio de Volvogrado já é considerado grande façanha entre os jihadistas. Não quero desafiar a sorte e descartar completamente o risco, mas com o “anel de aço” instalado, monitoramento de todas as telecomunicações e cooperação com agências de inteligência de todo o mundo, como se vê na segurança montada para Sochi, é baixa a probabilidade de qualquer ataque terrorista.

Uma vez que os fatos não ajudaram, a “crítica” foi assumindo ares cada vez mais alucinados, distantes cada vez mais da realidade, mais ou menos como o supercomputador HAL, que se põe a balbuciar tolices infantilóides quando é desligado. Milhares de pessoas evacuadas, as casas delas destruídas e suas terras roubadas... e todos cuidam de não noticiar que cada família deslocada recebeu US $100 mil por pessoa. Parece até que Sochi foi erguida sobre os esqueletos dos Circassianos. OK. Se Sochi é um cemitério, o que dizer do continente norte-americano? Um mundo da morte?

A ideia de que Sochi seria resort subtropical inadequado porque não tem neve... Ora bolas! Avisem lá, então, o pessoal da Bay Area da California, que esquia em Tahoe até o final de abril, e onde as temperaturas de fevereiro são significativamente superiores às da região de Sochi. Seja como for, as condições estão excelentes, agora, em Sochi, para esportes de inverno.

O recorde de fundo do poço foi atingido por Steve Rosenberg, da BBC, que fotografou duas privadas sanitárias lado a lado, e distribuiu sua peça para toda a imprensa-empresa privada (epa!) da anglosfera; o New York Times adorou e repetiu. (E no Brasil, o Grupo GAFE [Globo-Abril-FSP-Estadão], que vive de macaquear o subjornalismo universal, não perderia essa chance de fazer papel ridículo: a des-notícia das “privadas” ganhou manchete na revista Exame, da Editora Abril).

Foto das privadas de Steve Rosemberg (BBC)
Problema, só, que a foto foi tomada durante as construções. Mas, ora... por que negar a jornalistas de esgoto, a oportunidade de, de fato, se autofotografarem, pensando que fotografavam algum “fato”?!

Nada disso é para dizer que os Jogos Olímpicos de Sochi são algum monumento às virtudes do esporte e à fraternidade universal. Não são. Nada é. Desde a origem, na sábia Grécia, a questão sempre foi dinheiro, competição, vitória e prestígio. Putin, ele mesmo, disse claramente que um de seus objetivos era exibir ao mundo uma nova Rússia. Não há leis que proíbam que governos ocidentais movam campanha “de mídia” contra Sochi, que se recusem a enviar presidentes para as cerimônias de abertura – são atitudes mesquinhas, medíocres, que falam mais mal dos próprios autores, que de qualquer outro assunto. Que não apareçam. Não farão falta alguma.



Nota da redecastorphoto: Todas as inserções feitas durante a tradução lá no Quiosque da Buzanfa estão em VERMELHO. As fotos podem ser visualizadas em tamanho maior; basta clicar sobre cada imagem.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O embaixador brasileiro demitido da Organização para a Proibição de Armas Químicas há 11 anos...

E o “jornalismo” vagabundo do New York Times ONTEM!

15/10/2013, Moon of Alabama, EUA
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Sede da Organização para a Proibição de Armas Químicas em Haia
Em 2002, José Bustani, então diretor da hoje laureada com o Prêmio Nobel da Paz, Organização para a Proibição de Armas Químicas [orig. Organization for the Prohibition of Chemical Weapons, OPCW], foi demitido, porque insistia em que o Iraque fosse incorporado ao Tratado das Armas Químicas, o que atrapalhava os planos de guerra do governo Bush.

José Bustani
Ontem, o New York Times voltou àquela história: [1]

Mr. [John] Bolton, então subsecretário de Estado e ex-embaixador dos EUA à ONU, disse ao diretor Bustani que o governo Bush não estava satisfeito com seu estilo de administrar.

Mas o diretor Bustani, 68, que fora reeleito por unanimidade apenas 11 meses antes, se recusou a mudar de atitude; semanas depois, dia 22/4/2002, foi demitido numa sessão especial da Organização para Proibição de Armas Químicas que reúne 145 países.

A história por trás dessa demissão foi objeto de muita especulação e diferentes interpretações durante anos, e Bustani, diplomata brasileiro, tem mantido posição discreta desde então.

Esse último parágrafo (negrito/itálico) está errado. O New York Times apresenta o caso como reles “diz-que-disse”, e deixa acintosamente de lado a informação de que o caso foi julgado, que há sentença sobre a questão, e que a sentença é integralmente favorável ao diplomata brasileiro:

John Bolton
“Mr. Bolton insiste que Mr. Bustani foi demitido por incompetência. Em entrevista por telefone na 6ª-feira, o norte-americano confirmou que abordou diretamente o então diretor da Organização para Proibição de Armas Químicas: “Disse a ele que, se concordasse em demitir-se e sair voluntariamente, lhe garantiríamos saída honrosa e discreta” – disse Bolton.

Na versão de Mr. Bustani, a campanha contra ele começara no final de 2001, depois que Iraque e Líbia sinalizaram que desejavam assinar a Convenção das Armas Químicas, o tratado internacional cuja aplicação é supervisionada pela Organização para Proibição de Armas Químicas”.

[...]

“Discutimos muito, porque todos sabíamos que seria difícil” – disse Bustani, que é o atual embaixador do Brasil na França. Os planos para integrar o Iraque e a Líbia ao Tratado, que Bustani apresentara a vários países, “causaram fúria em Washington” – contou ele. Poucos dias depois, começaram os avisos (e ameaças) de diplomatas norte-americanos e outros.

“No final de dezembro de 2001, já era bem evidente que os norte-americanos estavam decididos a livrar-se de mim” – disse Bustani. – “As pessoas diziam eles querem sua cabeça”.

As tais “interpretação” e “especulação” que o Times insiste em repetir e requentar já foram esclarecidas e decididas há muito tempo. Imediatamente depois de demitido por pressão dos EUA, Bustani recorreu à justiça, em ação que apresentou à Organização do Trabalho Internacional, que tem jurisdição sobre as organizações internacionais. O processo concluiu, em sentença perfeitamente clara, ao processo n. 2.232, que: [2]

1. A DECISÃO TOMADA EM CONFERÊNCIA DOS ESTADOS-MEMBROS DA OPCW DIA 22/4/2002 É NULA.

2. A OPCW DEVE PAGAR AO RECLAMANTE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS, A SEREM CALCULADOS NOS TERMOS ADIANTE ESPECIFICADOS (...).

3. A ORGANIZAÇÃO DEVE PAGAR AO RECLAMANTE, 50 MIL EUROS, PARA REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS.

4. A ORGAIZAÇÃO DEVE PAGAR AO RECLAMANTE 5 MIL EUROS, DE CUSTAS PROCESSUAIS.

A corte concluiu que a indevida influência política dos EUA levou à demissão ilegal do diretor Bustani, o que caracteriza demissão por interesses políticos, e agride o princípio da neutralidade de organizações internacionais como a Organização para a Proibição de Armas Químicas, OPCW. A organização foi condenada a indenizar o diretor ilegalmente demitido, por danos morais e pelos custos processuais, e a pagar-lhe todos os salários a que faria jus até 2005, quando terminaria o mandato para o qual fora eleito.

Pois... para o New York Times não aconteceram nem o processo nem a sentença! Não são referidos na matéria publicada. Para o Times, a questão continua a ser de “interpretação e especulação”, mesmo depois de já haver sentença que confirma que os fatos se passaram como narrados pelo diplomata brasileiro.

Apagar da informação a sentença de um tribunal internacional é o meio que o New York Times encontra ainda hoje para defender os neoconservadores do governo Bush, para os quais lei alguma tem qualquer valor; e cuja única obsessão é um projeto de hegemonia global.




Notas dos tradutores
[1] 13/10/2013, To Ousted Boss, Arms Watchdog Was Seen as an Obstacle in Iraq (Para o diretor demitido, a Organização para Proibição de Armas Químicas era vista como obstáculo no Iraque), NYTimes.  
[2] International Labour Organization, ILO, 16/7/2003, Judgment No. 2232; íntegra da sentença (em inglês). 

domingo, 28 de julho de 2013

O Globo: “Mentira grosseira para desviar atenção”



Publicado em 28/07/2013 por [*]  Mário Augusto Jakobskind

Enquanto o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, reconhecia a responsabilidade do Estado por violações dos direitos humanos e infrações ao Direito Internacional Humanitário no prolongado conflito armado naquele país, informação pouco divulgada por aqui, no Rio de Janeiro ocorreu um fato extremamente grave.

Na edição da quarta-feira (25) do jornal O Globo, o repórter Antônio Werneck assinava matéria mentirosa, com chamada de primeira página, revelando que “agente da ABIN foi preso em protesto” e com o complemento de sustentação “vândalo chapa-branca”. O jornal da família Marinho, numa demonstração de baixo jornalismo “informava” sobre a prisão do geógrafo e agente da ABIN, Igor Pouchain Matela junto com a mulher, Carla Hirt.

Mentira grosseira. Carla Hirt foi presa quando fugia da truculência policial sendo agredida, depois de ser ferida por balas de borracha, não tendo jogado pedras em lugar nenhum. O marido, que não estava com ela, foi até a 14a. Delegacia Policial, no Leblon, ao ser avisado pela própria mulher da prisão e agressão por parte de um tenente da PM.

Portanto, ai se esclarece a primeira mentira que tem por visível objetivo induzir o leitor a incriminar a ABIN, desviando a atenção do principal, ou seja, de que a PM de Sergio Cabral infiltra agentes P2 nas manifestações, não propriamente para observar, como alegam as autoridades, mas para provocar tumulto. Vídeos postados nas redes sociais não deixam dúvidas.

Carla foi acusada de formação de quadrilha e ter jogado pedras numa agência bancária. Ela foi presa na rua Redentor e a PM notificou que a prisão ocorreu na Visconde de Pirajá. Portanto, uma nova mentira, como várias outras encontradas na matéria do repórter Antônio Werneck. A indicação da Visconde de Pirajá foi para mostrar que ela estava no centro dos acontecimentos no momento da prisão. Se fosse colocada a rua exata ficaria demonstrado que Carla foi presa fora do local onde a PM agia com truculência, por orientação do trio Sérgio Cabral, José Mariano Beltrame e Coronel Enir Costa Filho, comandante da PM.

Que quadrilha os presos poderiam ter formado se nenhum deles se conhecia? Antes da matéria ter sido divulgada, Carla Hirt deu entrada com uma ação no Ministério Público informando ter sido vítima da truculência policial, agredida e baleada, além de acusada falsamente de formação de quadrilha.

Fonte não revelada - Mas o que também chama a atenção da matéria é o fato dela ter sido divulgada uma semana após os acontecimentos ocorridos na manifestação que começou nas imediações do prédio onde reside o Governador Sérgio Cabral, no bairro do Leblon, dia 18 de julho. Aí que mora também o perigo. A fonte da informação sobre a falsa prisão do agente da ABIN, não citada pelo repórter de O Globo, foi o ex-deputado Marcelo Itagiba, do PSDB.

Itagiba não é flor que se cheire, tendo sido citado numa Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa fluminense sobre a ação das milícias como elemento vinculado a esse grupo criminoso que atua com ramificações no aparelho de Estado. Uma pergunta que não quer calar: quem informou Itagiba sobre a ocorrência na delegacia do Leblon? E por que Antônio Werneck não revelou a fonte da sua mentirosa matéria e fez questão de contatar o ex-deputado? Ele é fonte de O Globo?

Baixo jornalismo - Mas se os leitores imaginam que o baixo jornalismo do jornal se limitou ao que foi mencionado até agora, engana-se. Tem mais. A própria matéria desdiz a chamada de primeira página ao revelar no meio do texto que o agente foi autuado por desacato quando chegou à delegacia. Então, por que ter colocado com chamada de primeira página a mentira de que o agente da ABIN foi preso no protesto? E por que dar ênfase ao “desacato” e relegar a plano secundário a agressão sofrida por Carla Hirt e também colocá-la no texto como agente da ABIN?

Como Igor Matela havia mandado uma carta ao jornal O Globo negando o desacato e informando que ele e Carla Hirt eram alunos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o repórter Antônio Werneck procurou o professor Carlos Wainer, titular do referido instituto, perguntando se “o senhor gostaria de comentar o caso?” e se ”conhecia o casal?”.

Vainer respondeu, mas o que disse não foi divulgado pelo jornal:

Carla é geógrafa, professora, brilhante estudante de doutorado em Planejamento Urbano e Regional. Digna e íntegra, como os milhões de jovens que têm ido às ruas manifestar sua inconformidade com a situação do país. Orgulho-me de ser seu professor. No Rio de Janeiro, o direito de manifestação vem sendo violado por uma polícia inepta, brutal e, como agora se sabe, capaz de forjar autuações fraudulentas para criminalizar manifestantes. Sob pretexto de manter a ordem, a polícia instaura o terror a cada nova manifestação pública. É necessário investigar e punir policiais e autoridades que promovem ou acobertam essas violências. Ouvir a mensagem das ruas, recomendou a Presidente Dilma. Querem, no entanto, calá-la.

Igor Matela garante também que em momento algum deu uma carteirada como agente da ABIN, como insinua O Globo. Ao ser enquadrado, a delegada naquele momento, Flávia Monteiro, pediu seus documentos e que revelasse a profissão. Mostrou então a carteira de motorista e disse ser funcionário público. A delegada insistiu perguntando em que repartição, mencionando então a ABIN. Igor ingressou na ABIN por concurso.

Em suma, como tem acontecido nos últimos tempos, O Globo deu mais uma prova de baixo jornalismo, que precisa ser denunciado em todos os fóruns, sobretudo nas escolas de comunicação onde são formados os futuros repórteres que ocuparão as redações.
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[*] Mário Augusto Jakobskind é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE. 

Enviado por Direto da Redação

domingo, 9 de junho de 2013

A história real no escândalo NSA é o colapso do jornalismo

8/6/2013, Ed Bott, The Ed Bott Report
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido no quiosque do Frege na Vila Vudu:
1.      O jornalismo de esgoto – o único que se faz no Brasil – não está sozinho!
2.     Evidentemente, a Comissão Pulitzer também NUNCA cogitou de dar prêmio algum à FSP ou à Renata Loprete, pela “operação” jornalística que INVENTOU o Mentirão, depois de ouvir, como única fonte, exclusivamente o doido do Roberto Jefferson (já condenado) e publicar aquela loucurada, sem investigar absolutamente coisa alguma.
3.      Esse jornalismo LIXO da Folha de SP é caro, até se for distribuído grátis, pelas esquinas.
4.     Pago, esse jornalismo LIXO é crime contra a economia popular. É assalto.

Ed Bott
Na 5ª-feira, 6/6/, o jornal Washington Post publicou notícia bomba, segundo a qual nove gigantes da indústria de tecnologia estariam participando “deliberadamente” num vasto programa da Agência de Segurança Nacional dos EUA [orig. NSA].

No dia seguinte, sem nada noticiar e sem qualquer alerta aos leitores, o mesmo Washington Post publicou versão diferente da mesma matéria, purgada de todas as frases bombásticas e sensacionalistas que se liam no original. Mas o dano estava feito.

O jornalista que assina a primeira matéria, Barton Gellman, é “Prêmio Pulitzer”.

O Washington Post tem história no jornalismo investigativo que começa antes, até, de Watergate e All the President’s Men. Mas na lista dos mais escandalosos fracassos do jornalismo, o que agora se viu passa, de pleno direito, a encabeçar a lista.

Selo da NSA, Agência Nacional de Segurança  dos EUA

O que o Post noticiou era de estarrecer:

A Agência de Segurança Nacional e o FBI estão gravando diretamente dos servidores centrais de nove das principais empresas de Internet dos EUA, extraindo áudio, vídeo, imagens, e-mails, documentos e conexões que permitem que analistas tracem movimentos e contatos de qualquer pessoa, todo o tempo.

Barton Gellman
A matéria diz que a Agência Nacional de Segurança:

(...) entrou profundamente nas máquinas das empresas norte-americanas que hospedam centenas de milhões de contas de norte-americanos em solo dos EUA.

Cita especificamente nove empresas: Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube, Apple. E a matéria prossegue:

(...) operando dentro do fluxo de dados de qualquer dessas empresas, a NSA consegue extrair qualquer dado que deseje.

Em apenas algumas horas, a matéria já fora amplificada e repercutida por outras agências de notícias e tech websites, o que gerou manifestações de indignação e fúria pela invasão de privacidade. E sete das nove empresas publicaram declarações em que negam categoricamente que algum dia tenham participado de qualquer programa desse tipo.

E então, na manhã seguinte, aconteceu algo estranhíssimo. Se se segue o link para a matéria do Washington Post, encontra-se ali um texto completamente diferente, com quase o dobro da extensão e manchete ligeiramente modificada. A nova matéria não foi apenas aumentada: extraíram-se de lá detalhes chaves, sem qualquer notícia ou alerta sobre as alterações. A versão “atualizada”, datada das 8h51 de 7 de junho, apagou e “desdiz” vários detalhes chaves da matéria original.

Detalhe crucialmente importante: o Washington Post apagou a expressão adverbial “deliberadamente”, ao falar da participação das empresas. Também apagou a expressão “altamente secreto” que usara, antes, para falar do programa. E, além disso, o jornal mudou um detalhe no nariz da matéria: onde se lia, na versão original, que a NSA pode “rastrear os movimentos e contatos de qualquer pessoa todo o tempo”, apareceu informação completamente diferente: a NSA pode “rastrear alvos estrangeiros”.

Aqui está (imagem; texto traduzido, abaixo) um parágrafo chave da matéria publicada originalmente, em print-screen da janela do browser:

[Tradução: As empresas de tecnologia, que participam deliberadamente [eq. a “sabendo que participam”] nas operações PRISM, incluem os atores globais dominantes do Vale do Silício. Estão listadas num rol com os respectivos logos, na ordem em que aderiram ao programa: “Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube, Apple”. PalTalk, embora muito menor, hospedou tráfego significativo durante a Primavera Árabe e na atual guerra civil na Síria.]

E aqui, o mesmo parágrafo, como apareceu na matéria pesadamente editada, publicada no dia seguinte. Observe-se que os editores do Post acrescentaram tanta coisa na matéria, que esse parágrafo acabou empurrado para a segunda página das quatro da versão online:

[Tradução: As empresas de tecnologia, cuja cooperação é essencial para as operações PRISM, incluem muitos dos atores globais dominantes do Vale do Silício, segundo o documento. Aparecem listadas num rol com os respectivos logos na ordem em que entraram no programa: “Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube, Apple.” PalTalk, embora muito menor, hospedou tráfego de interesse substancial para a inteligência durante a Primavera Árabe e a atual guerra civil na Síria.]

Salvei uma cópia da matéria original e usei a ferramenta “comparar documentos” no Microsoft Word, para mostrar as duas versões, antes e depois da modificação. Veem-se facilmente as diferenças, com as alterações visíveis.

Declan McCullagh
Declan McCullagh da rede CNET examinou a matéria publicada pelo Washington Post e concluiu que “a primeira matéria do Post estava errada”. Lê-se em: No evidence of NSA’s “direct Access” to tech companies. [a seguir, traduzido].

“A matéria está errada e parece baseada em leitura errada de um documento em Powerpoint que vazou”, segundo um ex-funcionário do governo muito familiarizado com o processo de aquisição de dados, e que falou hoje, pedindo para não ser identificado.

“Nada é como o Washington Post e o Guardian publicaram, nessa versão histriônica” – disse a fonte.

“Nada daquilo é verdade. Há um processo legal muito formalizado, que as empresas são obrigadas a seguir”.

A história real parece ser muito menos complexa do que as primeiras acusações alarmantes faziam crer. Todas as empresas envolvidas têm de responder a procedimentos legais estabelecidos e são obrigadas a obedecer ordens e mandados judiciais. Nenhuma delas parece estar participando de ações ilegais generalizadas de vigilância sobre os cidadãos.

Assim sendo... o que deu tão errado, no Washington Post?

O principal problema foi que o Post trabalhou sobre uma apresentação em PowerPoint vazada de uma única fonte anônima e rapidamente “concluiu” o que bem entendeu, sem procurar qualquer tipo de confirmação. McCullagh cita uma de suas fontes bem identificadas, o ex-conselheiro geral da NSA, Stewart Baker, que lhe disse que os slides pareciam “batizados” [orig. flaked]:

O PowerPoint parece ter sido “inchado” com um tipo de “conversa” que o faz parecer mais uma apresentação de “marketeiros” que um briefing – ninguém sabe de onde vem e ninguém sabe em que contexto foi produzido” – disse Baker. E concluiu, falando da cobertura do Washington Post: “Serviço feito na correria. Mal feito. Tudo errado”.

“Serviço mal feito, na correria” é o melhor modo de explicar por que o Washington Post mudou tão dramaticamente a própria matéria, em 24 horas. Normalmente, matéria desse tipo tem de ser bem investigada, antes de ser publicada. O que parece é que o Post apressou-se, temeroso de perder “o furo”, porque a mesma apresentação em PowerPoint poderia ter sido vazada para outro jornal, que poderia publicar antes.

Praticamente ninguém, dos que reagiram inicialmente à história, manifestou qualquer ceticismo quanto às fontes ou as conclusões do Washington Post. De fato, traço comum às negativas que as empresas de tecnologia estão divulgando é que todas elas se parecem e todas deixam sem comentar as “acusações”, em declarações cuidadosamente redigidas. Todas dizem praticamente a mesma coisa, porque cada companhia responde, não a algum fato, mas, exclusivamente, à específica linguagem espetaculosa da matéria do Post.

A correria para publicar acionou a câmara de eco da Internet e as redes de notícia da televisão a cabo, numa mesma onda a plenos pulmões. A matéria e seus argumentos – já, ao que parece, completamente desacreditados – disseminaram-se pelo mundo.

O Washington Post tentou remendar o erro modificando, clandestinamente, a própria matéria, sem qualquer sinal de explicação ou de retratação e sem reconhecer que errara. De fato, a versão “corrigida” continua a repetir que a NSA e o FBI “grampearam diretamente os servidores centrais” daquelas empresas – quando já se sabe que isso não foi confirmado e não parece ser verdade.

Em resumo, uma das maiores instituições jornalísticas do século 20, já vive hoje de publicar futricas e boatos, acompanhando a “tendência” de “publique primeiro e investigue depois (ou nunca)”, exatamente como faz qualquer dos seus “concorrentes” impressos ou online.

Algo me diz que a Comissão Pulitzer, ano que vem, não incluirá o Post na relação dos “melhores do ano”.