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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Royalties: Siqueira critica posição de Cabral


Fernando Siqueira - Presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) e Vice- Presidente do Clube de Engenharia

O presidente da AEPET, Fernando Siqueira enviou e-mail à jornalista Flávia Oliveira da coluna “Negócios & Cia.”, do jornal O Globo sobre a tabela de perdas do Rio de Janeiro calculada pela Secretaria de Desenvolvimento do Rio de Janeiro. Siqueira criticou a posição do governador Sérgio Cabral.

CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA;

Data:
31/10/2011 

Prezada Flavia

Lendo a sua coluna de hoje, vimos a tabela de perdas do Rio de Janeiro calculada pela Secretaria de Desenvolvimento do Rio de Janeiro.

Sou nascido e criado no Estado do Rio de Janeiro, tenho três filhas nascidas aqui, mas não concordo com a posição do Governador Sergio Cabral por vários motivos:

1) O Governador foi contra o novo projeto do Governo Lula e defendeu a Lei 9478/97. Esta Lei dava 100% do petróleo a quem produzisse e o direito de só pagar 10% de royalties e a média de 11% de participação especial, em dinheiro. No mundo, os países exportadores ficam com mais de 70% do petróleo produzido, em petróleo. É uma lei antinacional;

2) O Governo Lula propôs uma nova lei, com vários avanços, discussão dos royalties (10%) num primeiro momento, porque queria melhorar a Legislação, recuperar a propriedade do petróleo para a União, para depois discutir a sua distribuição interna;

3) O Governador Sergio Cabral e o Governador Paulo Hartung, ambos defensores da Lei anterior, introduziram a discussão dos royalties, para tumultuar o processo e dificultar a aprovação da nova lei do contrato de partilha, em que o petróleo volta para a União. Acabaram despertando a cobiça, correta dos não produtores;

4) O Governador se negou a discutir o assunto royalties com a as demais bancadas no Congresso, as quais queriam salvaguardar os interesses do Rio de Janeiro e proibiu os deputados de discutirem, tendo exonerado o secretario Sveiter para que ele assumisse o seu mandato no lugar do Brizola Neto, seu suplente, que queria o diálogo. Fizemos duas audiências públicas no Congresso para discutir o assunto e o único parlamentar do Rio a comparecer foi o deputado Edson Santos, por sinal com a postura de diálogo muito bem aceita pelos demais; 

5) Sabendo que 24 estados não produtores querem participar do pré-sal, tendo portanto, maioria esmagadora, o Governador tenta jogar a presidente Dilma no fogo, contra esses 24 estados.

6) Agora manipula os resultados das perdas, pois não leva em consideração que a produção irá aumentar dos atuais 2,5 milhões de barris por dia para 3,7milhões em 2015 e 6 milhões em 2020. Essas contas estão propositalmente erradas;

7) Outro ponto que o Governador se recusa a discutir: a aplicação equivocada da Lei Kandir sobre a exportação do petróleo. A Lei Kandir foi feita para incentivar a exportação de produtos nacionais. Mas não tem sentido a sua aplicação sobre o petróleo, que é o bem mais cobiçado do planeta. O Rio perde 18% do ICMS na exportação. Hoje, isto representa cerca de 7 bilhões por ano. Em 2020, serão R$ 34 bilhões por ano. É o Brasil subsidiando os EUA e a China.

8) Mas o que está por trás dessa grita toda: O lobby internacional, liderado pelo IBP, introduziu no projeto do Governo Lula uma emenda/contrabando que devolve, em petróleo, os royalties pagos. Isto representa uma apropriação indébita de 15 bilhões de barris pelos consórcios produtores (15% de 100 bilhões de barris do pré-sal). Denunciamos isto no Senado, o relator Romero Jucá retirou essa emenda, mas pressionado, a recolocou de volta em 4 artigos, dificultando a supressão. Esse é o segredo mais bem guardado da República. Ninguém o menciona.

A discussão o esconde mais ainda. Cabral, Dorneles e agora o Lindberg, estão sendo “inocentes úteis” do lobby do Cartel internacional incrustado no Instituto Brasileiro do Petróleo.  

Abraços
Fernando Siqueira - presidente da AEPET e vice do Clube de Engenharia.

enviado por AEPET

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O GOVERNADOR E O ASSASSINATO DO JUIZ

Laerte Braga

por Laerte Braga

Tentar escolher um estado da Federação (de mentirinha) brasileira para servir de referência em termos de índices quase absolutos de corrupção, barbárie, essas coisas corriqueiras do dia a dia do mundo institucional é difícil.

Seja porque a mídia privada é parte do processo de corrupção e degradação da vida pública, atrelada que é a interesses dos principais acionistas do Estado brasileiro e dos vinte e seis estados da Federação, além, lógico, do Distrito Federal. Seja porque o céu que se pinta azul, o cenário que se mostra deslumbrante refletem apenas o marketing de especialistas em transformar catástrofes em algo paradisíaco. Ou demônios em anjos.

Os maranhenses, por exemplo. Não têm culpa da família Sarney. Nem os baianos da família ACM. Ou os mineiros das famílias que repartem o poder no estado. Há toda uma estrutura a serviço dessa gente e a máquina estatal transformada em propriedade privada, logo, garantindo a existência dessas oligarquias.

Sérgio Cabral é um descalabro. Caiu a máscara do bom moço. O governador sorridente, que pacifica, ouve o povo, está no bolso e nos aviões de grandes empreiteiros, num dolce far niente, do faz de conta que governo o Rio de Janeiro. Saqueia, é diferente.

O extinto estado do Espírito Santo serve de exemplo para definir um lugar onde tudo o que acontece em Minas, São Paulo, Maranhão, etc, acontece por ali em termos quase absolutos.

O ex-governador Paulo Hartung é a soma de toda a podridão que se possa imaginar possível. Passou oito anos servindo aos donos do estado (ARACRUZ, SAMARCO, CST e outros menores). Qualquer ato de corrupção ou de barbárie imaginável ou inimaginável o ex-governador praticou.

Esse movimento maluco que aparece por aí convocando brasileiros a manifestarem-se em agosto contra algumas coisas, entre elas o auxílio reclusão – remanescentes da ditadura acuados na covardia dos documentos secretos da tortura – podia, tranquilamente, criar um sistema para aproveitamento desse tipo de político, Paulo Hartung em penitenciárias.

O risco é Beira-mar virar fichinha perto do ex-governador e qualquer grande traficante, pistoleiro, latifundiários (vamos supor, para efeito de raciocínio que tenha algum preso).

Professor de crime. Organizador de quadrilhas à prova de justiça e da Justiça. Não haveria estranheza na hipótese de acontecer algo assim, de Beira-mar ficar com a tarefa de lustrar os tacões assassinos de Hartung.

O juiz federal Alexandre Martins investigava no extinto Espírito Santo o crime organizado. Começa no Palácio do governo, o que já é complicado, passa pelo Tribunal de Justiça e tem ramificações profundas na Assembléia Legislativa e bancada federal.

Um estado que foi governado por Gérson Camata, não sei quantas vezes senador, sócio em negócios familiares de Aécio Neves, não pode imaginar nada positivo. A não ser que seja para ele e seus “negócios”.

Como no estado do Rio o último governador decente foi Leonel Brizola, de lá para cá só bandido. No Espírito Santo a exceção de Max Mauro e Vítor Buaiz, o resto – resto mesmo – dá nó em pingo d’água e desentorta banana em matéria de banditismo.

O juiz Alexandre Martins foi assassinado. Na manhã de 24 de março de 2003 foi executado numa rua da cidade de Vila Velha, Grande Vitória. Alexandre Martins de Castro Filho. Estava levantando fatos e dados incômodos a Paulo Hartung e seus cúmplices – os donos do estado –. Decidiram executar o juiz, contrataram o ou os assassinos e pronto. Pagamento feito, tarefa cumprida, missa de sétimo dia marcada. ( materia Integra Congresso Em Foco; Seculo Diario - 2007, link final postagem)

De lá para cá um tal de segura a barra, inventa história, arranja culpado falso, suspeitos que não têm nada a ver com o caso, um jeito de fazer o tempo passar rápido e cair no esquecimento – para isso tiveram e têm a cumplicidade da maior empresa de mídia privada do estado, a REDE GAZETA, ligada a GLOBO o que não é novidade, novidade seria o contrário –, enfim, tentativas de evitar qualquer investigação que levasse aos verdadeiros responsáveis e acima de tudo, por envolver, como mandante, um governador, terminasse na federalização do crime, ou seja, passasse à esfera da Justiça Federal.

Uma história de horror contada por veículos independentes de mídia como o jornal on line SÉCULO DIÁRIO, mas mantida dentro de um cofre de atrocidades guardado a sete chaves por Paulo Hartung e sua quadrilha. Nisso daí, inclusive, o silêncio covarde do pai do juiz. Diga-se de passagem também magistrado, digamos assim. É muita esculhambação com a palavra, mas vá lá.

Um dos advogados contratados pelo pai do juiz para prestar serviços de auxílio ao Ministério Público devolveu os honorários que havia recebido ao perceber que sua ação ficaria limitada à verdade oficial, vale dizer, a mentira. Devolveu e denunciou publicamente o fato.


Qualquer paralelepípedo, como diria Nélson Rodrigues, sabe da história e do envolvimento de Paulo Hartung. O problema é fazer com que a máquina estatal, corrompida, funcione e chegue ao ponto desejado, a verdade.

O atual governador – Renato Casagrande – é um fraco. Não vai mexer nessa história nem debaixo de pancada, sabe que governa o ingovernável, que por baixo das aparências oficiais está o verdadeiro capataz dos donos do extinto Espírito Santo, Paulo Hartung. O vice então é o que chamamos panaca. Ou panacão para ser mais preciso.  

A Justiça essa então! Metade do Tribunal de Justiça do extinto estado foi presa numa operação da Polícia Federal. A turma da venda de sentenças e outras fraudes, como sentar em cima de processos, etc, etc. A Assembléia? Olhe, onde existe um Carlos Verezza, ou um Genivaldo Lievori não vai a lugar nenhum que não show. O tal negócio do “eu faço” e depois some, não faz nada.

O caso é tão escabroso que o ex-governador montou um esquema de grampo dentro da REDE GAZETA, com cumplicidade dos donos, para saber que jornalistas estavam tentando “prejudicá-lo”. Um escândalo que ficou para lá também. Isso à época dos fatos, o esforço concentrado da turma para abafar e esconder a verdade.

Rodney Miranda, deputado estadual, é presidente da Comissão Parlamentar de Segurança. O cara esteve envolvido em tortura, tem seu nome na lista de torturadores das Nações Unidas. Outro envolvido na história, no crime.

Uma história de horror. Lembra as barbáries que latifundiários cometem contra camponeses e pequenos proprietários no Pará. Ou abusos de empresas contra trabalhadores. Corrupção de governos estaduais diante do poder de grandes empresários, banqueiros. Podridão da grande mídia. Enredo completo, não falta nada. Filme que se convencionou chamar de B, aquele que você passa perto de um beco e Jack o Estripador sai de lá e esquadrinha/navalha cada parte de seu corpo.

Boa parte dessa gente é oriunda da ditadura militar. Outros não, claro, apenas mudaram de lado, escolheram o “sou, mas quem não é”. Ou o “fazer o que?”

No bom português a maioria na conversa de ou dá ou desce preferiu não descer. Ficou.

E Paulo Hartung continua a governar de fato o extinto estado do Espírito Santo, Casagrande faz de conta que tem uma bússola, se é que sabe o que é isso e assim, vida que segue, um dos estados brasileiros com verdadeiros paraísos ecológicos vai se transformando, na sanha de criminosos, em síntese do que conhecemos como crime organizado.

Destruído no tal progresso que só beneficia a turma de cima.

Se Capone vivesse hoje duvido que iria optar por Chicago. Pelas bandas do extinto Espírito Santo os “negócios” são mais lucrativos e os riscos de ser pego praticamente inexistem. 

Abaixo o link onde a história pode ser lida in totum.          

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

COMO LESAR O CIDADÃO, O PAÍS E SAIR IMPUNE

Laerte Braga

O exemplo maior é Daniel Dantas. É costume da mídia norte-americana escolher o chamado “inimigo público número um”. Al Capone era chamado assim. Por aqui não haveria dificuldade alguma em colocar a coroa, a faixa e entregar o cetro a Daniel Dantas.

Um dos responsáveis pela condução das privatizações no governo FHC (e um dos principais beneficiários), conseguiu a proeza de colocar um dos seus funcionários no STF (Supremo Tribunal Federal) – o “ministro” Gilmar Mendes – e no inquérito policial conduzido pelo delegado Protógenes Queiroz em que era indiciado e foi preso e solto duas vezes (solto por Gilmar), o delegado acabou condenado.

Dantas contribuiu decisivamente para a campanha de José Serra (amigo e pai de uma de suas sócias) e pelo sim e pelo não doou um milhão e meio de reais para a campanha de Dilma Rousseff.

Imagino que cada político/corrupto neste País tenha o retrato de Daniel Dantas entronizado no ambiente de trabalho como forma de inspiração e busca de proteção.

É o caso de Paulo Hartung, governador do extinto estado do Espírito Santo, hoje conglomerado VALE/ARACRUZ/SAMARCO/CST e outras menos votadas, mas não menos perigosas.

Hartung eleito e reeleito passou os oito anos de seu “governo” nadando na piscina do dinheiro público. Lesou e vai continuar lesando até 31 de dezembro um povo inteiro e sai impune, numa antiga unidade da Federação onde meio Tribunal de Justiça foi parar na cadeia por trapaças e tramóias dignas dos velhos gangsters.

Precatórios são como se fossem títulos de dívida pública junto a cidadãos de uma determinada categoria prejudicados num direito líquido e certo e assim denominado por decisão judicial que os reintegra em seus direitos.

Diferenças salariais, descumprimento de decisões judiciais, etc, etc.

A Constituição Federal trata do assunto e dá prioridade aos credores de precatórios, com ameaça, inclusive, de intervenção em governos que não cumpram tais decisões. Nenhum cumpre e fica por isso mesmo.

O Judiciário no Brasil funciona sem que se produzam efeitos de suas decisões, exceto se for um cidadão comum. Ou se as decisões forem para arrebentar o cidadão comum e beneficiar o “cidadão” Daniel Dantas, ou o “cidadão” Cacciola.

E se existem no meio do caminho juízes íntegros a desafiarem essa “ordem”, acabam punidos, prejudicados em suas carreiras, ou estigmatizados com o epíteto de “honestos”. Sem ironia.

Pura realidade.

Isso quando não acabam mortos como aconteceu com o juiz Alexandre de Castro Martins Filho, assassinado à luz do dia na Grande Vitória, por ter o desvio conhecido como honestidade.

Para se ter uma idéia, o Banco Itaú promove anualmente um rega-bofe com juízes e desembargadores num resort na Bahia para “troca de idéias”. Tem de tudo e entre os mimos até eventuais acompanhantes, se o magistrado assim o desejar. Uma boa parte deles vai lá discutir a inocência dos bancos diante dos clientes.

Professores do Espírito Santo são credores de um precatório.  O número do processo é 2418/19, lote 100 950 010 e o SINDIUPES – Sindicato dos Professores – e o advogado do sindicato, quando do início da ação contra o governo estadual era Alexandre Zamprogno.

Por incrível que possa parecer os professores ganharam a ação na Justiça, razão pela qual se constitui a figura do Precatório. Prioridade no pagamento das responsabilidades do governo do estado (extinto estado).

Como se vê, até aí tudo bem. Mais ou menos como o cara que pula do centésimo andar e ao passar pelo qüinquagésimo diz que “até agora não aconteceu nada de ruim”. À altura do terceiro andar, digamos, o carro do advogado Alexandre Zamprogno cai de uma ponte e os documentos do Precatório “somem”.

Professores lambem com os olhos e olham com testa.

O dito advogado que nada sofreu no acidente vira Procurador do Município de Cariacica e fica o dito pelo não dito, tudo perdido no Canal de Vitória, na ponte que liga Camburi à Praia do Canto. Fato noticiado no ES/TV, noticiário da GLOBO, isso à época, evidente.

Há quem diga que o Precatório já foi “pago”, recebido por “procuradores”, há quem diga que não, que não poderia ter sido pago o que sumiu, enfim, trampolinagem em cima de trampolinagem.

Os professores... Bem, continuam lambendo com os olhos e olhando com a testa.

O fato dos documentos terem se perdido num acidente (que nem incêndio para receber seguro) não significa que todo o processo não pudesse vir a ser restaurado. Mas, o governador é Paulo Hartung, uma espécie de Daniel Dantas regional, pode ter certeza, algo bem pior que Beira-Mar e Elias Maluco, até porque não corre o risco de vir a ser preso, é “amigo dos homens da lei”.

O atual presidente da OAB no estado, Homero Mafra, ao contrário do geral, trabalha o assunto com seriedade e tem buscado formas de assegurar que o direito dos professores, os credores do Precatório sejam assegurados e o pagamento efetuado. Encontra barreiras, é lógico, afinal não custa repetir, o governador é Paulo Hartung.

Em todo esse processo, que já dura anos, vários personagens protagonizaram histórias no mínimo intrigantes sobre a matéria, vamos usar essa expressão.

A vitória de Homero Mafra nas eleições da OAB restou sendo um transtorno para os bandidos, à medida que pauta sua conduta pela dignidade no trato da coisa pública e da coisa pessoal.

Denúncias já foram feitas das mais variadas formas, mas o processo “sumiu”. Os documentos “sumiram” e nenhum dos implicados na história do “sumiço” se deu mal. Pelo contrário.

Paulo Hartung termina seu segundo assalto, quer dizer mandato, no final deste mês e passa o governo a Renato Casagrande, eleito em outubro. Tudo indica que os documentos vão continuar “sumidos”, os professores lesados em seus direitos e Paulo Hartung amparado pela impunidade que beneficia figuras desse jaez, gozando os benefícios dos documentos que, nesses oito anos, “sumiram”.

Uma das novelas da GLOBO transcendeu no seu capítulo final à própria emissora e passou a simbolizar a impunidade no Brasil. O personagem interpretado por Reginaldo Faria, em seguida a capítulos e mais capítulos de ações hoje consagradas por Dantas, Hartung, etc, foge num helicóptero e dá uma banana para o Brasil ao som de Cazuza:

“Não me convidaram para essa festa pobre/
que os homens armaram pra me convencer/
 a pagar sem ver toda essa droga/
que já vem malhada antes de eu nascer/
não me ofereceram nenhum cigarro/
fiquei na porta estacionando os carros/
não me elegeram chefe de nada/
o meu cartão de crédito é uma navalha/

Brasil, mostra a sua cara/
quero ver quem paga pra gente ficar assim/
Brasil qual é o teu negócio/
o nome do teu sócio/confie em mim/
não me sortearam a garota do Fantástico/
não me subornaram/
será que é o meu fim?/
ver tevê a cores na taba de um índio/
programada para só dizer sim sim.../
grande pátria desimportante/
em nenhum instante eu vou te trair/
não não vou te trair”.

Hoje mudou um pouco. Avanços “tecnológicos” no componente impunidade.

Não há necessidade de fugir. A justiça garante através de figuras como Gilmar Mendes e que tais.

Basta fazer alianças a palavra chave.

Ou usar azeite especial. A GLOBO, por exemplo, adora.

No caso do Espírito Santo, extinto estado, através da Rede Gazeta, subsidiária de Marinho, Capone&Hartung. 

Ao final e à guisa de esclarecimento, o Tribunal de Justiça, acuado pelas denúncias que repercutiram nacionalmente, reconheceu como legítimos os documentos apresentados por reclamantes e autenticados, conferindo legitimidade ao Precatório.

O Conselho Nacional de Justiça também.

Mas e aí? Paulo Hartung é integrante de uma sub-quadrilha da grande quadrilha nacional que já não foge de helicóptero porque não precisa. Mas não deixa de dar a clássica banana para o cidadão lesado.

Viva o STF!

terça-feira, 6 de julho de 2010

A LEI E A ORDEM - A Diferença entre Paulo Hartung e Wyatt Earp

Laerte Braga

Wyatt Berry Stapp Earp inspirou vários filmes do gênero western e tornou-se uma das lendas do velho Oeste nos Estados Unidos. Foi um dos protagonistas de um célebre duelo, o do OK Corral, na cidade de Tombstone, estado do Arizona, onde era xerife e tinha como auxiliares seus irmãos Virgil e Morgan, além do dentista, jogador e pistoleiro Doc Hollyday. Earp foi contemporâneo e parceiro em algumas situações de outra figura legendária, Bat Masterson.

Wyatt Earp morreu aos oitenta anos de idade, rico, sem nunca ter levado um único tiro. Foi xerife tanto quanto em determinado momento teve que fugir do estado do Arizona para o Colorado, acusado de vários homicídios.

Os filmes que retratam a história de Earp de um modo geral mostram-no como intransigente defensor da lei, da ordem e da justiça.

O célebre duelo do Ok Corral durou dezessete segundos e nele foram disparados dezessete tiros. É o que conta um trabalho de resgate dos fatos e que no Brasil foi apresentado no programa GLOBO REPÓRTER há cerca de uns trinta aos atrás.

Os Earps e Holliday mataram Ike Clanton, seus filhos e dois pistoleiros do grupo no tal duelo. Eram rivais no negócio de gado.

Earp, na verdade, mantinha a lei e a ordem e promovia a justiça dos grandes proprietários de terra das cidades onde foi xerife, ou agia segundo os interesses da Wells Fargo (à época companhia de diligências e já com uma pequena rede bancária no Oeste). Para prestar esses serviços, ele, seus irmãos e o Holiday cobravam um percentual sobre todos os negócios e exigiam o controle dos saloons (cassinos).

Os Clanton operavam com gado roubado, mas na verdade isso era o que menos incomodava a Earp. Os criadores de gado da região de Tombstone estavam perdendo o poder já que os rivais vendiam o gado a um preço mais acessível às companhias do Leste. Um concorrente a mais. Isso incomodava.

O governador do antigo e extinto estado do Espírito Santo, hoje um grande latifúndio de empresas como a VALE, ARACRUZ, CST e outras, não é nenhum Wyatt Earp. Os tempos são outros e Paulo Hartung jamais entraria em duelos, nunca enfrentaria alguém, quem quer que fosse, pela frente. Gosta do estilo traiçoeiro de apunhalar pelas costas e na escuridão.

Edson José dos Santos Barcellos era um sindicalista na cidade de Conceição da Barra, no extinto Espírito Santo. Por volta das sete horas da manhã de segunda-feira, à porta de sua casa, foi abordado por dois homens, seqüestrado e terça-feira seu corpo foi encontrado carbonizado, em Aracruz – cidade propriedade da empresa do mesmo nome –.

Edson José dos Santos Barcelos pertencia à direção do sindicato dos servidores públicos municipais. lutava contra políticas e práticas corruptas e criminosas de grupos de Paulo Hartung e em sua cidade enfrentava a quadrilha do prefeito Jorge Donati, protagonista de um dos mais vergonhosos episódios da história do judiciário capixaba (se é que existe algo não vergonhoso no judiciário capixaba).

Criminoso de várias facetas, envolvido em qualquer tipo de atividade ilícita, o tal prefeito controla a cidade com mão de ferro. Tipo dono de tudo. Ano passado, num procedimento judicial em que duas testemunhas depunham e confirmavam a compra de votos nas eleições municipais de 2008, o juiz Charles Henriques Farias Evangelista, se é que isso é juiz, mandou prender as testemunhas para que “pensassem melhor sobre suas declarações”.

Foram soltas quarenta e oito horas depois por intervenção direta do ministro da Justiça, então Tarso Genro e do Conselho Nacional de Justiça, diante das denúncias levadas até essas autoridades. A denúncia está no Blog Protógenes contra a Corrupção ou ainda em: Testemunhas foram presas para “pensar” melhor.

No extinto Espírito Santo além do controle do judiciário, do legislativo e do executivo (com letra minúscula mesmo) as quadrilhas que controlam e operam a antiga unidade da Federação, controlam e operam a mídia – a grande mídia – também. No caso específico a REDE GAZETA, por “coincidência” afiliada da REDE GLOBO.

O que tem de fraude nessa história de REDE GAZETA é de fazer inveja a qualquer Marinho da vida.

O assassinato de Edson José Barcellos dos Santos é mais um dos crimes destinados a calar a boca dos que denunciam toda essa bandalheira generalizada que permeia a cumplicidade entre empresas, políticos e máquina estatal.

Por isso o silêncio da grande mídia. No chamado noticiário on line, aquele que relata os fatos de última hora, até as 15 horas de terça-feira nada sobre a morte do sindicalista. Estavam, ou ainda estão, naturalmente, aguardando ordens sobre como noticiar.

É um escárnio que um criminoso como Jorge Donati seja prefeito de uma cidade. É um acinte que um criminoso como Paulo Hartung seja “governador” de um extinto estado o Espírito Santo. E ambos têm “ficha limpa”.

O histórico de crimes praticados pela dupla e pelo grosso dos políticos e empresas que operam o crime organizado no grande latifúndio capixaba transcende o País. É recente a denúncia de organizações internacionais sobre “as masmorras de Paulo Hartung”. O assassinato de Edson já repercute em outros países.

O silêncio das chamadas autoridades, com toda a certeza, é para a limpeza da cena do crime, de todos os passos do crime para que tudo possa desembocar em dois ou três testas de ferro dispostos a assumir a autoria por motivos fúteis, escondendo as reais razões da barbaridade.

Essa prática é antiga.

E nem se diga que Edson José Barcellos dos Santos era um ativista de esquerda, ou “terrorista”, jargão ou epíteto que costumam aplicar aos que se atrevem a enfrentá-los. O sindicalista era filiado ao DEM. Ou por equívoco, ou por ingenuidade, acreditava que esse partido pudesse representar alguma coisa diferente que não interesses de quadrilhas formadas por banqueiros, empresários e latifundiários, com controle de políticos e máquina estatal no caso do extinto Espírito Santo.

O medo permeia o cidadão comum, cumpridor de seus deveres nessa antiga unidade da Federação. E torna-se maior se o cidadão ou grupo de cidadãos for credor de alguma coisa, bem, o que seja, caso por exemplo de precatórios, o que envolve o dito governo do estado.

A morte é a certeza quando se luta contra tal esquema.

Foi o que aconteceu a Edson José Barcellos dos Santos.

Num “estado”, vá lá, onde boa parte dos desembargadores do Tribunal de Justiça foi presa por prática de irregularidades várias. Onde a mídia, grande mídia, é literalmente parte da grande quadrilha. Onde os serviços públicos se voltam para interesses privados. Onde o governador tem em seus ombros a responsabilidade de ter sido um dos mandantes do assassinato de um juiz honrado. Num “estado” assim, a vida se torna mais difícil que a de qualquer ladrão de gado do velho Oeste que tenha pela frente o “justiceiro” Wyatt Earp e seu parceiro Doc Holliday, até porque há uma diferença de tempo, espaço e de atitude.

Earp e Holliday mandavam os inimigos sacarem primeiro, era cara a cara. Hoje a covardia sofistica-se na crueldade do seqüestro e do assassinato na certeza da impunidade, tem o amparo da lei.

Reveste do caráter de lei e ordem. A lei e a ordem da barbárie.

Parte da trajetória dessa turma pode ser vista em buscas no sítio Protógenes contra a Corrupção e no sítio da Nanda Tardin

Só isso já dá para ter uma idéia do “currículo” das quadrilhas. O jornal on line SÉCULO DIÁRIO é um dos que escapa ao controle dos bandidos. Tem um monte de matérias exibindo a face corrupta e perversa dessa gente. É inacreditável que estejam soltos e pior, que exerçam os cargos que exercem.

Edson José Barcellos dos Santos, na contabilidade dessa gente, certa da impunidade, é só mais um obstáculo eliminado.