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| Laerte Braga |
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| Dona Cremilda, de calça comprida branca, panfletando momentos antes de seu assassinato |
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| Laerte Braga |
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| Dona Cremilda, de calça comprida branca, panfletando momentos antes de seu assassinato |
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| Urariano Mota |
Eu acuso a empresa Águas de Niterói, que opera no Rio de Janeiro, de cometer um crime hediondo. Um crime contra a vida. E me sinto muito à vontade para fazer essa denúncia, mesmo que a vítima seja a minha mãe. Por um motivo muito simples: eu faria a mesma coisa por qualquer outra pessoa que estivesse nessa situação, aliás, como tenho feito desde que fiz o seguinte juramento em troca do diploma de Jornalista profissional: “A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na luta por sua dignidade”.
O fato é que a empresa privada ÁGUAS DE NITERÓI cortou a água na casa de minha mãe. Motivo: ela se recusou a pagar uma conta superfaturada emitida pela empresa, no valor de 800 reais. Quando essa conta absurda chegou, ela não pegou o telefone. Ela foi até a empresa. Aliás, ela foi duas vezes. Lá chegando, explicou que essa conta estava errada, porque o valor médio gasto por mês é 100 reais. A empresa reconheceu o erro e refez a conta: 500 reais, o que continuou muito acima do valor médio. Minha mãe se recusou a pagar novamente, sobretudo porque o motivo do aumento da conta foi um vazamento numa obra realizada pela própria empresa. A ÁGUAS DE NITERÓI disse que entraria em contato, por telefone. Não entrou. Em vez disso, mandou um aviso por escrito, com a ameaça de corte.
Minha mãe se manteve firme e acionou a Justiça. Apesar do câncer que a consome há um ano e meio, ela não se vergou diante das ameças dessa empresa covarde. (pra quem não sabe, minha mãe tem câncer no pulmão com metástase no cérebro. Ela fez duas cirurgias no ano passado, mas infelizmente o câncer voltou este ano: cinco nódulos nos pulmões).
Nesta sexta-feira, dia 9 de julho de 2010, a empresa ÁGUAS DE NITERÓI enviou os algozes, que cortaram o fornecimento de água. Importante: minha mãe avisou à empresa que estava em meio a um tratamento de câncer. E enquanto os funcionários da empresa estavam em sua casa, cortando o fornecimento do bem mais elementar para a vida, a água, minha mãe estava fazendo mais uma sessão de quimioterapia. Ela lutando pela vida, a empresa cortando o acesso à água. Está tudo documentado, temos o registro médico e o laudo do oncologista. Imaginem vocês. Para uma pessoa com a saúde em perfeito estado já é um tanto complicado imaginar a vida sem água. E uma pessoa com câncer, que tem uma série de restrições e necessidades especiais! A legislação brasileira garante a isenção de diversos impostos para pacientes com essa doença, como Imposto de Renda, IPVA, IPTU, entre outros. Está mais do que evidente que o fornecimento de água jamais poderia ser interrompido.
Hoje, sábado, por volta das 16h30, telefonei na ÁGUAS DE NITERÓI. Falei com uma funcionária que se identificou como Simone Diniz e a ligação durou entre 15 ou 20 minutos. Expliquei a ela toda a história, inclusive que a empresa havia desligado a água da casa de uma pessoa que faz tratamento para câncer. Que o desligamento ocorreu no mesmo dia da sessão de quimioterapia. Disse e repeti que minha mãe quer pagar a conta, no valor justo, mas que isso tem de ser feito com a água ligada. Pedi três vezes para a empresa religar a água, o que foi negado. O número do protocolo informado foi 303964. Ela disse que não pode fazer nada até que a conta seja paga.
Eu gostaria muito de saber se a ÁGUAS DE NITERÓI vai pagar pelos tranquilizantes que estão sendo adicionados às inúmeras drogas para combater o câncer que minha mãe está sendo obrigada a tomar. E também se essa empresa poderá ser responsabilizada judicialmente caso o estado de saúde de minha mãe venha a piorar por conta de todo o estresse que ela vem passando com as ameaças e o corte de fornecimento de água.
Caros amigos, queridas amigas, esse é um dos momentos em que venho pedir a ajuda de vocês. Repassem essa mensagem, espalhem pelo twitter, telefonem para a empresa, digam aos funcionários o tamanho do crime que está sendo cometido. Para nós o mais importante é que o fornecimento de água seja restabelecido imediatamente. Se vocês pressionarem, talvez eles se deem conta do erro e religuem a água, principal elemento da vida. Vida, algo que parece não estar entre as prioridades das empresas privadas.
O telefone da ÁGUAS DE NITERÓI é 0800 723 1222.
O telefone da AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (empresa que regula as fornecedoras no país): 61.2109-5400.
Muito obrigado,
Marcelo Salles
NOTA DA REDAÇÃO CONSCIÊNCIA.NET
Texto original no Jornal Fazendo Media. Enviado com cópia para a empresa Águas de Niterói e para a Agência Nacional de Águas, que fiscaliza as empresas do setor.
Laerte Braga
Wyatt Berry Stapp Earp inspirou vários filmes do gênero western e tornou-se uma das lendas do velho Oeste nos Estados Unidos. Foi um dos protagonistas de um célebre duelo, o do OK Corral, na cidade de Tombstone, estado do Arizona, onde era xerife e tinha como auxiliares seus irmãos Virgil e Morgan, além do dentista, jogador e pistoleiro Doc Hollyday. Earp foi contemporâneo e parceiro em algumas situações de outra figura legendária, Bat Masterson.
Wyatt Earp morreu aos oitenta anos de idade, rico, sem nunca ter levado um único tiro. Foi xerife tanto quanto em determinado momento teve que fugir do estado do Arizona para o Colorado, acusado de vários homicídios.
Os filmes que retratam a história de Earp de um modo geral mostram-no como intransigente defensor da lei, da ordem e da justiça.
O célebre duelo do Ok Corral durou dezessete segundos e nele foram disparados dezessete tiros. É o que conta um trabalho de resgate dos fatos e que no Brasil foi apresentado no programa GLOBO REPÓRTER há cerca de uns trinta aos atrás.
Os Earps e Holliday mataram Ike Clanton, seus filhos e dois pistoleiros do grupo no tal duelo. Eram rivais no negócio de gado.
Earp, na verdade, mantinha a lei e a ordem e promovia a justiça dos grandes proprietários de terra das cidades onde foi xerife, ou agia segundo os interesses da Wells Fargo (à época companhia de diligências e já com uma pequena rede bancária no Oeste). Para prestar esses serviços, ele, seus irmãos e o Holiday cobravam um percentual sobre todos os negócios e exigiam o controle dos saloons (cassinos).
Os Clanton operavam com gado roubado, mas na verdade isso era o que menos incomodava a Earp. Os criadores de gado da região de Tombstone estavam perdendo o poder já que os rivais vendiam o gado a um preço mais acessível às companhias do Leste. Um concorrente a mais. Isso incomodava.
O governador do antigo e extinto estado do Espírito Santo, hoje um grande latifúndio de empresas como a VALE, ARACRUZ, CST e outras, não é nenhum Wyatt Earp. Os tempos são outros e Paulo Hartung jamais entraria em duelos, nunca enfrentaria alguém, quem quer que fosse, pela frente. Gosta do estilo traiçoeiro de apunhalar pelas costas e na escuridão.
Criminoso de várias facetas, envolvido em qualquer tipo de atividade ilícita, o tal prefeito controla a cidade com mão de ferro. Tipo dono de tudo. Ano passado, num procedimento judicial em que duas testemunhas depunham e confirmavam a compra de votos nas eleições municipais de 2008, o juiz Charles Henriques Farias Evangelista, se é que isso é juiz, mandou prender as testemunhas para que “pensassem melhor sobre suas declarações”.
Foram soltas quarenta e oito horas depois por intervenção direta do ministro da Justiça, então Tarso Genro e do Conselho Nacional de Justiça, diante das denúncias levadas até essas autoridades. A denúncia está no Blog Protógenes contra a Corrupção ou ainda em: Testemunhas foram presas para “pensar” melhor.
No extinto Espírito Santo além do controle do judiciário, do legislativo e do executivo (com letra minúscula mesmo) as quadrilhas que controlam e operam a antiga unidade da Federação, controlam e operam a mídia – a grande mídia – também. No caso específico a REDE GAZETA, por “coincidência” afiliada da REDE GLOBO.
O que tem de fraude nessa história de REDE GAZETA é de fazer inveja a qualquer Marinho da vida.
O assassinato de Edson José Barcellos dos Santos é mais um dos crimes destinados a calar a boca dos que denunciam toda essa bandalheira generalizada que permeia a cumplicidade entre empresas, políticos e máquina estatal.
Por isso o silêncio da grande mídia. No chamado noticiário on line, aquele que relata os fatos de última hora, até as 15 horas de terça-feira nada sobre a morte do sindicalista. Estavam, ou ainda estão, naturalmente, aguardando ordens sobre como noticiar.
É um escárnio que um criminoso como Jorge Donati seja prefeito de uma cidade. É um acinte que um criminoso como Paulo Hartung seja “governador” de um extinto estado o Espírito Santo. E ambos têm “ficha limpa”.
O histórico de crimes praticados pela dupla e pelo grosso dos políticos e empresas que operam o crime organizado no grande latifúndio capixaba transcende o País. É recente a denúncia de organizações internacionais sobre “as masmorras de Paulo Hartung”. O assassinato de Edson já repercute em outros países.
O silêncio das chamadas autoridades, com toda a certeza, é para a limpeza da cena do crime, de todos os passos do crime para que tudo possa desembocar em dois ou três testas de ferro dispostos a assumir a autoria por motivos fúteis, escondendo as reais razões da barbaridade.
Essa prática é antiga.
E nem se diga que Edson José Barcellos dos Santos era um ativista de esquerda, ou “terrorista”, jargão ou epíteto que costumam aplicar aos que se atrevem a enfrentá-los. O sindicalista era filiado ao DEM. Ou por equívoco, ou por ingenuidade, acreditava que esse partido pudesse representar alguma coisa diferente que não interesses de quadrilhas formadas por banqueiros, empresários e latifundiários, com controle de políticos e máquina estatal no caso do extinto Espírito Santo.
O medo permeia o cidadão comum, cumpridor de seus deveres nessa antiga unidade da Federação. E torna-se maior se o cidadão ou grupo de cidadãos for credor de alguma coisa, bem, o que seja, caso por exemplo de precatórios, o que envolve o dito governo do estado.
A morte é a certeza quando se luta contra tal esquema.
Foi o que aconteceu a Edson José Barcellos dos Santos.
Num “estado”, vá lá, onde boa parte dos desembargadores do Tribunal de Justiça foi presa por prática de irregularidades várias. Onde a mídia, grande mídia, é literalmente parte da grande quadrilha. Onde os serviços públicos se voltam para interesses privados. Onde o governador tem em seus ombros a responsabilidade de ter sido um dos mandantes do assassinato de um juiz honrado. Num “estado” assim, a vida se torna mais difícil que a de qualquer ladrão de gado do velho Oeste que tenha pela frente o “justiceiro” Wyatt Earp e seu parceiro Doc Holliday, até porque há uma diferença de tempo, espaço e de atitude.
Earp e Holliday mandavam os inimigos sacarem primeiro, era cara a cara. Hoje a covardia sofistica-se na crueldade do seqüestro e do assassinato na certeza da impunidade, tem o amparo da lei.
Reveste do caráter de lei e ordem. A lei e a ordem da barbárie.
Parte da trajetória dessa turma pode ser vista em buscas no sítio Protógenes contra a Corrupção e no sítio da Nanda Tardin
Só isso já dá para ter uma idéia do “currículo” das quadrilhas. O jornal on line SÉCULO DIÁRIO é um dos que escapa ao controle dos bandidos. Tem um monte de matérias exibindo a face corrupta e perversa dessa gente. É inacreditável que estejam soltos e pior, que exerçam os cargos que exercem.
Edson José Barcellos dos Santos, na contabilidade dessa gente, certa da impunidade, é só mais um obstáculo eliminado.