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terça-feira, 28 de maio de 2013

Esqueceram dos empresários




Publicado em 28/05/2013 por Mário Augusto Jakobskind [*]

Causou estranheza o fato de a Comissão Nacional da Verdade ao apresentar um balanço sobre um ano de atividades dedicasse pouca informação relacionada com a participação do setor empresarial na ditadura. Para se passar o país a limpo será necessário ir fundo nessa questão, porque muitos apoiadores do regime de força hoje se apresentam como democratas desde criancinha, na prática enganando a opinião pública.

A área de mídia também merece uma investigação profunda, porque muitos veículos além de silenciarem na época deram apoio ostensivo ao regime ditatorial. O Globo é um exemplo, embora alguns digam que o patrono da empresa, Roberto Marinho, tenha livrado a cara de jornalistas que não eram bem vistos pelo regime. Mas os mais críticos, em função da subserviência aos generais de plantão, não absolvem as Organizações Globo, mesmo se eventualmente o seu patrono tenha livrado a cara de um ou outro jornalista do seu quadro das garras da repressão.

Não há notícias de que as Organizações Globo chegassem a ceder veículos para o aparelho repressivo, como fez o grupo Folhas, de Octávio Frias, em São Paulo. Os veículos de comunicação dos Marinhos se limitaram a abrir seus espaços de forma áulica aos generais de plantão e seus seguidores.

É preciso que os brasileiros, sobretudo os das novas gerações, sejam informados sobre o que se passou nos anos de chumbo e como se comportaram alguns setores que hoje se dizem defensores da democracia.

No relatório apresentado pela Comissão da Verdade, alguns fatos tornados públicos não chegam a ser novidade, como, por exemplo, que os que pegaram o poder à força torturavam opositores logo depois da derrubada do presidente constitucional João Goulart.

A tortura, portanto, não foi instituída a partir de 1968 com a promulgação do AI-5, como alguns ainda hoje apoiadores do regime justificam. Esta gente, que navega nas ondas do Clube Militar, ao deturpar a história diz que o regime ficou mais duro para enfrentar a guerrilha. Omitem o que acontecia antes de 13 de dezembro de 1968. E que a ação do próprio regime fez com que alguns setores da oposição, de forma precária, partissem para a luta armada por entenderem que seria o único caminho para acabar com o estado repressivo.

Exemplo argentino - A Argentina tem dado exemplo de como ir fundo nas questões da repressão. Além de julgar agentes do Estado que fizeram barbaridades em matéria de violações dos direitos humanos, agora mesmo a Justiça processou três ex-diretores da filial da Ford no contexto de uma causa que investiga o sequestro de trabalhadores em uma filial da empresa norte-americana.

Por ordem da juíza federal Alicia Vence, os acusados, Pedro Muller, do setor de manufaturas, Guillermo Galarraga, da área de relações trabalhistas e Héctor Francisco Jesús Sibilla, ex-chefe de segurança da empresa estão respondendo na Justiça pelo sequestro de 24 trabalhadores da Ford, na localidade de Pacheco, próximo a Buenos Aires, ocorrida entre 24 de março e 20 de agosto de 1976.

Os três, segundo a juíza, facilitaram informações sobre os trabalhadores à repressão. Ou seja, eram dedos-duros, fornecendo até fotografias e os endereços particulares para que as autoridades os prendessem.

Embora os acusados tenham sido considerados “participantes primários dos crimes de privação ilegal da liberdade dos trabalhadores, duplamente agravada por ter sido cometida por abuso funcional, com violência e ameaças”, mesmo assim a juíza ordenou o embargo dos bens dos processados, até alcançar a soma de 750 mil pesos, correspondente a cerca de 143 mil dólares.

É bem possível que a Comissão da Verdade destas bandas esmiuçando arquivos e toda a papelada da repressão possa chegar aos dedos-duros que infelicitaram a vida de muitos brasileiros, ajudando inclusive o trabalho da repressão, e seguem por aí como se não tivessem nenhuma responsabilidade sobre os acontecimentos.

Em suma, não basta conhecer os 1.500 agentes do estado ditatorial brasileiro, sejam militares ou civis, que cometeram atrocidades, inclusive estupros de opositoras, como informa a Comissão Nacional da Verdade. Para virar a página definitivamente é preciso fazer o mesmo que está sendo feito na Argentina. 

Por lá, em um primeiro momento duas leis, Ponto Final e Obediência Devida, livravam a cara dos que cometeram violações dos direitos humanos. Bastou aparecer um Presidente com vontade política, como Nestor Kirchner, para que a lei de anistia fosse revogada em 2003. A Corte Suprema em 2005 confirmou a constitucionalidade da decisão e começaram os julgamentos.

Por aqui, a instância máxima da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF), em um julgamento lamentável, confirmou a Lei da Anistia que deixa impunes agentes do Estado que cometeram crimes de lesa humanidade. E ainda não apareceu um Presidente que tivesse vontade política para levar adiante para o Congresso o mesmo que aconteceu na Argentina.
_________________________

Mário Augusto Jakobskind [*] é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação


 

sábado, 10 de novembro de 2012

A Cara da Justiça

Raul Longo

Raul Longo

Dizer que a Justiça Brasileira tem duas caras seria impróprio, apesar de permitir a fuga de escroques e estupradores enquanto se faz zelosa com os que se esforçam pela construção de um país.

A Justiça Brasileira não encara o país e o mundo com cara alguma e não adianta tentar cogitar com que cara vai ficar perante os anais da história.

A Justiça Brasileira nunca poderá tomar vergonha na cara e não é pela falta de pejo, de dignidade, ou qualquer outro senso.

Pelo acinte a qualquer senso que lhe justifique a função, a Justiça Brasileira não pode sequer ser apontada como cara de pau.

Não há possibilidade de ficar ruborizada e também não faz cara de safada. Apenas reflete o policrômico poder de seus donos. A Justiça Brasileira se mija de medo de seus donos aos quais abana-se como animalzinho de corda ou de pilha.

No Brasil só se age e se comporta corretamente, de acordo com a civilidade e as leis, por decisão pessoal, por caráter próprio ou foro íntimo. Pois o que erra, o criminoso, o fraudador não tem a quem ou o que encarar.

A Justiça Brasileira não tem venda nos olhos e não há carapuça que lhe sirva.

Vejam a declaração do jornalista Raimundo Pereira no vídeo abaixo. A seguir leiam o texto do cronista Lula Miranda e tentem imaginar que cara a Justiça Brasileira tem.

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Condenado, sem passaporte e prestes a ser sentenciado a uma das mais duras penas da história judicial brasileira, José Dirceu não tem alternativa a não ser exibir, com orgulho, as algemas preparadas por Joaquim Barbosa, assim como fez quando foi preso pelo regime militar; leia o texto inédito do poeta Lula Miranda.

9 de Novembro de 2012 às 19:03  - por Lula Miranda*


Mostre as algemas, Zé!

Foi o que teria dito a José Dirceu, em Setembro de 1969, um dos presos políticos naquele histórico momento de resistência à ditadura militar em que 15 prisioneiros do regime de exceção e arbítrio, que se instaurara no Brasil, foram libertados em troca do embaixador americano – na fotografia aparecem 13, apenas uma mulher.

Ficheiro:Herc 03.jpg

Exceção e arbítrio. Palavras malditas. Palavras-emblema de tempos sombrios.


Segundo relato de Flavio Tavares, hoje jornalista e escritor, ele teria sussurrado aos companheiros na ocasião: “Vamos mostrar as algemas”. Fez isso num insight “de momento” ao notar que os presos que estavam ali perfilados, alguns agachados, como um time de futebol campeão, numa forçada pose para uma foto que viria a se tornar histórica, escondiam as algemas. E por que escondiam as algemas aqueles jovens? Talvez por vergonha. Talvez porque estivessem preocupados em como aquela imagem poderia machucar ainda mais seus familiares e parentes mais próximos. Ou talvez, simplesmente, porque já estavam por demais combalidos e abalados moral e emocionalmente para se preocuparem com aquele peculiar adereço do arbítrio. Não se sabe ao certo, tampouco importa. Mas, insistiu Tavares, naquele “insight” que, ao contrário,em vez de esconder, as exibisse.

Mostre as algemas, Zé! Exorto-lhe nos dias que correm hoje. Dias de incipiente e vilipendiada democracia.

Na foto, podem verificar, percebe-se nitidamente o Zé Dirceu exibindo, intrépido, as malditas algemas.

Eu que não fui amigo daquele jovem idealista algemado de outrora, tampouco conheci o suposto homem “todo-poderoso” do governo; logo eu que o combati na disputa política, até com palavras duras, eu que nunca o vi mais magro, ouso lhe fazer a mesma súplica: Mostre as algemas, José Dirceu!

Não tenha vergonha de nada; tenha orgulho. Você ainda será, por vias transversas, um preso político. Sim, orgulho! Em que pese a maledicência covarde daqueles que, assim como naqueles dias sombrios de 1969, hoje lhe apontam o dedo, xingam e condenam. São os mesmos – “imortais”, “eternos” porta-bandeiras da (falsa?) moral. Ora se são!

Mostre as algemas, Zé!

Exiba a todos, daqui e para o resto do mundo! Mostre a todos o que se faz aqui no Brasil a homens como você, que prestaram valorosos serviços à pátria; que lutaram com destemor contra a ditadura; que ajudaram a eleger o Lula; que empenharam a sua vida e juventude no afã de mudar um pouco a feia face desse país tão injusto com seus filhos, ajudando a implantar políticas públicas que tiraram milhões da miséria e do desalento.

Mostre a p* dessas algemas, cara! Para o bem e para o mal. Para o orgulho dos amigos e regozijo dos inimigos.

Confesso que esperava que o julgamento do STF fosse “emblemático”, justo. Não “justo” pelo mesmo metro, critério ou “premissas” com que a imprensa insuflou e ensandeceu as galerias. Mas justo “de verdade”: que fossem condenados os culpados, aqueles que tivessem suas culpas efetivamente comprovadas. Sim, que fosse uma firme sinalização rumo ao fim da impunidade no Brasil. Mas não foi isso exatamente o que se viu. Não foi isso que testemunhamos. Houve erro e exagero. Do Supremo. Da mídia grande em geral. Uma caricatura. Entre erros e acertos, a injustiça foi soberana.

Os ministros demonstraram-se, desgraçadamente, um tanto tíbios, vaidosos e suscetíveis à pressão e clamor da turba, de modo irresponsável manipulada e insuflada pela opinião publicada.

Você foi condenado sem provas. Isso é fato, irretorquível. Foi condenado sem provas, repito. Foi condenado com base em suposições e suspeitas, com bases em capciosos “artifícios” jurídicos, tais como a hoje célebre “teoria do domínio do fato”. Uma excrescência, uma espécie de “licença poética” do golpismo – com o perdão dos poetas, por aqui aproximar as palavras “poética” e “golpismo”.

Eu poderia “achar” que você era culpado. O meu vizinho poderia achar que você era culpado. O taxista poderia achar. Todo mundo poderia “achar” que Zé Dirceu era culpado. Mas um juiz, seja do Supremo ou de 1ª instância, não pode, em absoluto, “achar” que você ou qualquer outro é culpado. Isso é uma ignomínia – como você tem se cansado de dizer, reiteradas vezes, em suas manifestações. Não nos cansemos de, indignados, exclamar: uma excrescência, uma ignomínia!

Zé,mostre as algemas! Elas são o espúrio troféu que lhe ofertam os verdugos!

Nunca pensei em sair do meu país, Zé, agora já penso com carinho e desconforto nessa possibilidade. Como posso viver num país em que minhas garantias fundamentais de cidadão não são respeitadas?!

Que país é esse?! Que Justiça é essa?!

Quebrou-se a pedra fundamental de toda nossa estruturação jurídica: a presunção da inocência. Em seu lugar colocaram a presunção da culpa. Parece piada, de mau gosto, decerto, mas não é. Como já disse antes, repito: não se é permitido fazer graça com a desgraça alheia. E sua vida foi desgraçada, Zé.

Mostre as algemas!

Veja bem, se você – insisto, reitero – um homem que tantos serviços prestou ao país, um homem respeitado por intelectuais, políticos e autoridades do mundo todo foi enxovalhado dessa maneira, submetido à execração pública pela mídia. Desonrado, chamado de “quadrilheiro”, “mensaleiro”, “ladrão”, o que fariam com um “poeta marginal” como eu? Um homem qualquer, sem galardão algum, sem cânone, sem mérito.  Parafraseando certa atriz de cenho angelical, “namoradinha” desse mesmo Brasil: tenho medo.

Não sei que monstro o STF e a grande imprensa estão ajudando a criar. Mas uma coisa eu lhe asseguro: é assustador.

Para aqueles que, sem questionar, acham justa a sua condenação e prisão eu pergunto; para os “inocentes úteis” que aceitam sem titubear esses consensos forjados e essas verdades absolutas que a grande mídia sopra, todos os dias, em nossas consciências nos telejornais e nas manchetes dos jornais estampadas nas bancas; faço-lhes a pergunta que não quer calar: porque criminalizam e prendem somente os petistas e mais alguns “mequetrefes” da chamada “base aliada” do governo Lula? 

Por que essas práticas de sempre na política, hipocrisia à parte, agora “ilícitas” e “criminosas”, só são permitidas aos “de sempre”? Por que os sessenta e tantos investigados no chamado “mensalão mineiro” [não é tucano?!] não foram acusados/denunciados? E não serão jamais – pois para estes o crime é eleitoral; é caixa 2, já prescreveu [“Dois pesos, dois mensalões” – by Jânio de Fritas]. Já quando são petistas os agentes da ação... é corrupção; é “golpe”; são “práticas espúrias”, “criminosas” de um partido, digo de uma “quadrilha”, em “sua sanha de se perpetuar ad eternum no poder”. Não, essas palavras não vieram da tribuna do Senado ou da Câmara dos Deputados, não saíram da boca de algum político da oposição, mas – pasmem! – foram proferidas por ministros do Supremo. Por ministros do Supremo, repito! Juízes na Ação Penal nº 470. Vejam a que ponto chegamos!!!

Mostre as algemas, Zé! Mostre as algemas!

Essas tais “práticas ilícitas” ou “criminosas” não deviam ser permitidas a ninguém - não é mesmo? A Justiça não deveria ser igual para todos?!

Qual a resposta a esse singelo por quê?

Por que só os petistas são condenados, execrados e presos?

A resposta também é simples: para que o poder permaneça nas mãos dos “de sempre”, nas mãos dos eternos “donos do poder”. As chamadas “regras do jogo”, até as bastardas, servem apenas para a parte podre das nossas elites; quando é para os “do lado de cá” aí deixa de ser “regra do jogo”, passa a ser crime; “práticas espúrias”; “compra de voto”.

Faço um singelo convite a todos: vamos pensar o país, no qual a gente vive, um pouco além da hipocrisia, do partidarismo, do “falso moralismo” e dos “manchetismos grandiloqüentes” de uma imprensa que serve aos interesses de determinada classe social e ideologia. Mais temperança e equilíbrio aos juízes Supremos e nem tão supremos assim, o chamado “cidadão comum”.

Não podemos nos dobrar a esse estado de coisas. Não podemos nos calar e assim sermos cúmplices e testemunhos silentes dos erros dos tribunais. Repito: o Supremo exagerou; a mídia exagerou.

Quadrilha?! Onde? Compra de votos?! Penas de reclusão superiores a 30 anos! Há aí um nítido erro na tipificação dos crimes, nas condenações e exagero na dosimetria das penas. O que é uma pena.

Pois isso poderá até favorecer aos condenados, pois essas condenações injustas e essas penas exageradas certamente serão revistas algum dia, por esse ou por outro tribunal. Espero, sinceramente, que sejam revistas por esse mesmo colegiado, pois ali também estão homens de valor. E que essa vergonha, esse grave equívoco não se perpetue.

Nesse momento, só me resta dizer...

Mostre, com orgulho, as algemas, José Dirceu!

_________________________

Lula Miranda* é poeta, cronista e Economista. Foi um dos nomes da poesia marginal na Bahia na década de 1980. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa, Fazendo Média e blogs de esquerda

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Julian Assange saltou de banda


20/6/2012, Ray McGovern, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda...”
Elza Soares, 1973 [3]


Ray McGovern
Exceto se houver um ataque com drones da CIA contra a embaixada do Equador em Londres, o inesperado pedido de asilo feito pelo fundador de WikiLeaks Julian Assange pode tê-lo salvo da prisão na Suécia ou, possivelmente, nos EUA. A liberdade de Assange depende agora em grande medida do presidente do Equador, Rafael Vicente Correa Delgado, da nova safra de presidentes de ideias independentes, como o presidente Hugo Chávez da Venezuela.

Correa tem sido duro crítico do comportamento dos EUA em relação ao Equador e seus vizinhos latino-americanos e empenhado admirador de WikiLeaks. Fato não típico para a região, o Equador não recebe ajuda significativa, nem militar nem econômica, dos EUA. Portanto, Washington tem ali reduzido poder de chantagem. É possível que o governo do Equador desafie Washington, conceda o asilo que Assange solita e o mande imediatamente, em segurança, para o Equador.

Nesse caso, muitos funcionários da “justiça” britânica provavelmente respirarão aliviados – literalmente. Há semanas trabalham cobrindo o nariz para sobreviver ao odor fétido da própria rendição ao diktat dos EUA, depois que a Alta Corte de Justiça da Grã-Bretanha rejeitou o argumento de Assange, segundo o qual não poderia ser extraditado para a Suécia.

Embora a “justiça” sueca não tenha conseguido formalizar qualquer acusação contra Assange pela prática de qualquer crime, mesmo assim insistem em que seja extraditado para ser interrogado a propósito de declarações de duas mulheres, que dizem ter sido sexualmente atacadas por Assange. Muitos já viram – em minha opinião, corretamente – que tudo isso não passa de subterfúgio para conseguir que Assange seja entregue aos suecos, para, assim, facilitar a extradição para os EUA, onde enfrentaria acusações mais sérias, por ter publicado informação secreta e altamente embaraçosa para Washington.

Assange  ao ser detido em Londres
Tem havido repetidas notícias de que Assange teria sido objeto de investigação secreta por um tribunal federal nos EUA, que investigaria a divulgação de documentos sigilosos os quais, ao que se supõe, mas sem qualquer confirmação, teriam sido passados a WikiLeaks pelo cabo Bradley Manning. Em mensagem de e-mail vazada em 2011, Fred Burton, um dos vice-presidentes da empresa privada de inteligência Stratfor, informava seus colegas de que “temos uma acusação secreta já formalizada contra Assange”; mas nada disso foi, até agora, confirmado. Mas Manning já enfrenta julgamento em corte marcial, por, como quer a acusação, ter entregue documentos dos EUA a WikiLeaks.

Passar a perna nos britânicos

Interessante, não é? Assange – apenas poucos dias antes de ser extraditado para a Suécia – conseguiu (suponho) tirar a tornozeleira de monitoramento eletrônico, passar sem ser visto pelo cordão de Bobbies que vigiavam a casa de campo onde vivia sob prisão domiciliar, passar por outros Bobbies e pessoal da segurança que houvesse no caminho e entrar em segurança na embaixada do Equador.

Não há dúvidas de que Assange é sujeito esperto. Mas a menos que se o veja como uma espécie de Houdini, tem de haver explicação mais lógica de como atravessou vários pontos de controle policial e entrou no prédio da embaixada, localizado atrás da conhecida Harrods, loja de departamentos, em Londres.

Todos os agentes britânicos de segurança haviam saído para o chá? Ou apenas felizes por o caso Assange – e a pressão de Washington – tomar outro rumo?

Kintto Lucas
Não pode haver dúvidas de que, sim, os britânicos tiveram muitas indicações de que, in extremis, Assange poderia tentar chegar à embaixada do Equador. No final de novembro de 2010, o vice-ministro do Exterior do Equador, Kintto Lucas, ofereceu publicamente residência no Equador a Julian Assange, dizendo que o Equador estava “muito preocupado” ante a informação, revelada por WikiLeaks, segundo a qual diplomatas dos EUA estaria espionando governos amigos.

“Estamos abertos para oferecer-lhe residência no Equador, sem problema algum e incondicionalmente” – disse Lucas.

O presidente Correa interveio imediatamente. Disse que Kintto Lucas falara sem autorização; que não houvera qualquer convite formal a Assange; e que, antes de oferecer-lhe residência no Equador seria preciso proceder à análise formal do pedido, caso Assange pedisse alguma coisa. (Tudo isso, apenas uma semana antes de Assange ser detido, preso e, depois, posto em prisão domiciliar).

Agora, estou pedindo

A embaixada do Equador em Londres, ao anunciar a chegada de Assange, na 3ª-feira à tarde, informou que ele pedira asilo; e acrescentou:

Como signatários da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, que temos o dever de examinar qualquer pedido de asilo que nos chegue, tomamos a providência de encaminhar os documentos que nos foram entregues ao departamento competente em Quito”, capital do Equador. “Enquanto aquele departamento avalia o pedido feito pelo Sr. Assange, o Sr. Assange permanecerá na embaixada, sob a proteção do governo equatoriano.

Embaixada do Equador em Londres
A embaixada acrescentou que o encaminhamento que deu ao pedido de asilo “de modo algum deve ser interpretado como interferência, pelo governo do Equador, nos processos judiciais nem do Reino Unido nem da Suécia”.

É fraseado de contemporização considerado de rigueur nos contatos diplomáticos, enquanto o presidente Correa e assessores decidem como reagir ante o fato consumado de terem Assange já sob custódia do Equador. Em Quito, o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patino disse a jornalistas que seu país “estuda e analisa o pedido [de asilo]”.

Tal mãe, tal filho

A mãe de Assange não apenas aplaudiu a decisão do filho, de pedir asilo, mas resumiu bem a situação, ao falar com a imprensa:

Christine, mãe de Julian
Espero que o Equador lhe dê asilo e, se não, algum outro país do Terceiro Mundo. Espero que o Terceiro Mundo levante-se e faça o que é moralmente certo, quando o Primeiro Mundo não pode e não fará, porque vive com o focinho enfiado no cocho, subjugado pela ganância dos EUA e da grande finança.

Julian é prisioneiro político, é jornalista, é editor que publicou a verdade sobre corrupção, crimes de guerra, sequestros, chantagem e manipulação. Não há nenhuma acusação formal contra ele e sequer foi interrogado sobre crime que, se você examina os eventos, não tem base alguma. É claro que teria de pedir asilo.

Acrescentou que seu filho é vítima de decisões tomadas por EUA, Grã-Bretanha, Suécia e Austrália no sentido de deixar de lado o devido processo legal.

Muito século 20!

Deixar de lado o devido processo legal? É argumento – colhendo emprestada a expressão do eminente especialista em leis e professor Alberto Gonzales — tão “antigo”, tão “obsoleto”, “tão pré-11/9”! Deixar de lado o devido processo legal tornou-se, depois do 11/9, o “novo paradigma” adotado não só pelo governo Bush, mas também pelo governo Obama.

Assange não tem só pleno direito de buscar asilo: ele também avalia corretamente a situação objetiva e decide certo. Considerem o seguinte: estava a um passo de ser enviado para uma Suécia falsamente neutra, com histórico recente de curvar-se a todas as demandas dos EUA, em todos os casos em que Washington alegou algum tipo de ameaça à segurança dos EUA. Na 3ª-feira, Glenn Greenwald já apresentara um exemplo:

Em dezembro de 2001, a Suécia entregou duas pessoas à CIA a qual, em seguida, entregou as mesmas pessoas ao Egito, para serem torturadas. Decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU condenou a Suécia por violar a lei que proíbe a tortura em todo o mundo, violação que se consumou na entrega daquelas pessoas a um terceiro país (adiante, as duas pessoas vitimadas nesse procedimento processaram o governo sueco e obtiveram substancial indenização) [1]

Quem esteja pensando “Ah, mas isso foi durante o governo Bush, essas coisas já não acontecem”, repense. Em 2010 e 2011, a histeria que cerca a revelação dos crimes e vícios no modo como os EUA atuam no mundo levou várias figuras proeminentes do cenário político norte-americano a “exigir” que Assange fosse classificado como terrorista, que fosse preso e processado como espião. E houve até quem pregasse que fosse assassinado.

O deputado Peter King, Republicano de New York, presidente da Comissão de Segurança Nacional da Câmara de Deputados, exigiu que WikiLeaks fosse declarada organização terrorista e que Assange fosse processado nos termos da Lei de Espionagem de 1917, posição partilhada pela senadora Dianne Feinstein, Democrata da California, presidente da Comissão de Inteligência do Senado, que escreveu, em coluna assinada no Wall Street Journal:

“A divulgação desses documentos causa dano aos nossos interesses nacionais e põe em risco vidas de inocentes. Ele deve ser vigorosamente processado por espionagem”.

Sarah Palin
Outros foram ainda mais longe e exigiram que Assange fosse assassinado, por meios judiciais ou extrajudiciais. Por exemplo, um ex-funcionário canadense, Tom Flanagan, pregou abertamente o assassinato de Assange.

A ex-governadora do Alaska Sarah Palin disse de Assange que seria “agente antiamericano com sangue nas mãos”, caso a ser tratado como se tratam os terroristas da al-Qaeda.

Em postado em Facebook, Palin disse que Assange seria tão jornalista quanto o “editor” da revista da al-Qaeda em inglês, Inspire. E acrescentou:

“Os documentos secretos que ele divulgou revelaram a identidade de mais de 100 contatos afegãos Talibã. Por que não é caçado com a mesma urgência com que caçamos os líderes da al-Qaeda e dos Talibã?”

Tudo isso considerado, ponham-se no lugar de Assange. Se o New York Times noticia, acuradamente, que o presidente Barack Obama considerou “fácil” a decisão de mandar assassinar Anwar al-Awlaki, cidadão norte-americano suspeito de ter participado de operações terroristas contra alvos norte-americanos... como confiar que o ex-professor de Direito Constitucional saberá resistir à pressão política para mandar assassinar... você?

Pode-se descartar qualquer movimento para dronar um prédio no centro de Londres. Mas Assange, muito compreensivelmente, deve temer uma operação clandestina pelos contrapartes britânicos do FBI e da CIA — MI-5 e MI-6 — para eliminá-lo “com preconceito extremo”, como se dizia antigamente na CIA.

Dr. David Kelly
Por melodramático que soe, é preciso não esquecer que faz apenas nove anos que o biólogo do Ministério da Defesa britânico e inspetor de armamentos da ONU, Dr. David Kelly, “foi suicidado”. Sobrevivem até hoje muitas provas (circunstanciais) de que aquele suicídio não foi autoinfligido.

Kelly foi considerado “culpado” por ter distribuído informação acurada e verdadeira sobre a inexistência de “provas” das armas de destruição em massa que haveria, mas jamais houve, no Iraque. Foi convenientemente removido do palco, há quem acredite, pelas próprias mãos. A embaixada do Equador bem fará se contratar provadores britânicos, para provar todo o foie gras, trufas e bolinhos que encomendem na Harrods, vizinha.

Correa na televisão, com Assange

Quatro semanas antes de Assange procurar asilo, ele entrevistou o presidente do Equador, Rafael Correa, no 6º episódio do programa “The World Tomorrow” (programa de entrevistas, assinado por Assange, no canal Russia Today, exibido às 3ª-feiras [2]). Assange perguntou a Correa por que tanto insistira para que WikiLeaks divulgasse todos os telegramas que tinha. Correa respondeu:

“Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De fato, os [telegramas divulgados por] WikiLeaks nos fortaleceram.” (...) Nós não tememos nada. Que publiquem tudo o que tenham a publicar sobre o governo do Equador. Não se encontrará nada contra nós. E veremos aparecer muitas informações sobre entreguismos, traições, acertos, feitos por muitos supostos opositores da revolução cidadã no Equador…

Correa comentou que quando os telegramas WikiLeaks foram distribuídos para as empresas de mídia no Equador, as empresas optaram por não publicá-los – em parte porque os documentos revelavam muito, também, sobre os próprios veículos e os próprios jornalistas. Lembrou que quando assumiu a presidência, em janeiro de 2007, cinco das sete empresas privadas de comunicação com canais de televisão no Equador eram propriedade de banqueiros. Os banqueiros usavam a máscara do jornalismo, para interferir na política e desestabilizar governos, por medo de perder poder.

Equador e EUA

Rafael Correa
Correa, 49, formado na Bélgica, na Universidade Católica de Louvain e na Universidade de Illinois em Urbana/Champaign (onde viveu por quatro anos e obteve dois títulos, de mestre e de PhD em economia), disse que admira muito o povo norte-americano. Mas o governo dos EUA é outro assunto.

Assange e Correa discutiram a decisão de Correa de expulsar do Equador a embaixadora dos EUA, Heather Hodges, tanto pelo que os telegramas de WikiLeaks revelaram quanto pela “arrogância” da embaixadora; discutiram também a decisão unilateral do presidente do Equador, de ordenar o fechamento da base militar dos EUA que havia em Manta.

Mesmo assim, tem-se a impressão de que Correa ainda tem grandes esperanças de que as coisas possam melhorar no governo Obama. O presidente do Equador comentou uma vez que o que Hugo Chávez dizia de Bush – que é o demônio – não era justa com o demônio. E que o governo de Bush tornara “invisível” a América Latina.

Sobre as relações gerais entre Equador e EUA, Correa disse a Assange que teriam de ser “um quadro de respeito mútuo e soberania.” Essa expectativa de respeito mútuo, sobretudo o respeito que Washington deve à soberania do Equador estará sendo testada nas próximas semanas.

Hillary Clinton
Hillary Clinton já deve estar arrependida de ter gasto tanta energia em sua primeira visita à Suécia como secretária de Estado, no início do mês. Se Assange conseguir escapar às garras suecas e partir para o Equador, Clinton será obrigada a repor Quito em sua agenda de viagens.

Há dois anos, uma visita de Clinton à capital do Equador foi marcada por vastos protestos, mas o presidente Correa revelou-se anfitrião elegante e cortês. Sim, mas isso foi antes de o Equador ser informado dos comentários que a embaixadora Hodges dedicava ao próprio Correa e sua equipe; antes, portanto, de Correa ter despachado a embaixadora de Clinton, de volta para casa, por excesso de “arrogância”.

Correa parece ter desenvolvido alergia aguda a arrogâncias. Clinton, portanto, talvez deva considerar a possibilidade de mandar alguém em seu lugar, no caso de os EUA precisarem persuadir o Equador a entregar Assange às suaves graças da “justiça” norte-americana.


Notas dos tradutores
[1] 19/6/2012, Glenn Greenwald, Salon, em: Assange asks Ecuador for asylum (excerto traduzido ao português na redecastorphoto)
[2] A entrevista (22/5/2012, redecastorphoto) pode ser vista em vídeo, traduzida ao português, em: Assange entrevista No. 6 – “Rafael Correa, presidente do Equador”
[3] Saltei de Banda, a seguir:


Saltei de Banda

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo

mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto

Agente já viu muitos caminhos à nossa frente
você já esteve doente
você também ficou bom
e hoje agente está nesse caminho
mas bem feito para gente

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo
mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto

Agente já viu muitos caminhos à nossa frente
você já esteve doente
você também ficou bom
e hoje agente está nesse caminho
mas bem feito para gente

Você descobre e eu também
que nem tudo no mundo é sonho
e agora eu sei.

Eu já morei na tal da feira moderna
mas saltei de banda
e hoje sou meu próprio patrão
e ninguém me manda

Eu já cansei de enganar a todo mundo
que eu era santo
mas não existe ninguém minha mana
que me acredite tanto.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O GOVERNADOR E O ASSASSINATO DO JUIZ

Laerte Braga

por Laerte Braga

Tentar escolher um estado da Federação (de mentirinha) brasileira para servir de referência em termos de índices quase absolutos de corrupção, barbárie, essas coisas corriqueiras do dia a dia do mundo institucional é difícil.

Seja porque a mídia privada é parte do processo de corrupção e degradação da vida pública, atrelada que é a interesses dos principais acionistas do Estado brasileiro e dos vinte e seis estados da Federação, além, lógico, do Distrito Federal. Seja porque o céu que se pinta azul, o cenário que se mostra deslumbrante refletem apenas o marketing de especialistas em transformar catástrofes em algo paradisíaco. Ou demônios em anjos.

Os maranhenses, por exemplo. Não têm culpa da família Sarney. Nem os baianos da família ACM. Ou os mineiros das famílias que repartem o poder no estado. Há toda uma estrutura a serviço dessa gente e a máquina estatal transformada em propriedade privada, logo, garantindo a existência dessas oligarquias.

Sérgio Cabral é um descalabro. Caiu a máscara do bom moço. O governador sorridente, que pacifica, ouve o povo, está no bolso e nos aviões de grandes empreiteiros, num dolce far niente, do faz de conta que governo o Rio de Janeiro. Saqueia, é diferente.

O extinto estado do Espírito Santo serve de exemplo para definir um lugar onde tudo o que acontece em Minas, São Paulo, Maranhão, etc, acontece por ali em termos quase absolutos.

O ex-governador Paulo Hartung é a soma de toda a podridão que se possa imaginar possível. Passou oito anos servindo aos donos do estado (ARACRUZ, SAMARCO, CST e outros menores). Qualquer ato de corrupção ou de barbárie imaginável ou inimaginável o ex-governador praticou.

Esse movimento maluco que aparece por aí convocando brasileiros a manifestarem-se em agosto contra algumas coisas, entre elas o auxílio reclusão – remanescentes da ditadura acuados na covardia dos documentos secretos da tortura – podia, tranquilamente, criar um sistema para aproveitamento desse tipo de político, Paulo Hartung em penitenciárias.

O risco é Beira-mar virar fichinha perto do ex-governador e qualquer grande traficante, pistoleiro, latifundiários (vamos supor, para efeito de raciocínio que tenha algum preso).

Professor de crime. Organizador de quadrilhas à prova de justiça e da Justiça. Não haveria estranheza na hipótese de acontecer algo assim, de Beira-mar ficar com a tarefa de lustrar os tacões assassinos de Hartung.

O juiz federal Alexandre Martins investigava no extinto Espírito Santo o crime organizado. Começa no Palácio do governo, o que já é complicado, passa pelo Tribunal de Justiça e tem ramificações profundas na Assembléia Legislativa e bancada federal.

Um estado que foi governado por Gérson Camata, não sei quantas vezes senador, sócio em negócios familiares de Aécio Neves, não pode imaginar nada positivo. A não ser que seja para ele e seus “negócios”.

Como no estado do Rio o último governador decente foi Leonel Brizola, de lá para cá só bandido. No Espírito Santo a exceção de Max Mauro e Vítor Buaiz, o resto – resto mesmo – dá nó em pingo d’água e desentorta banana em matéria de banditismo.

O juiz Alexandre Martins foi assassinado. Na manhã de 24 de março de 2003 foi executado numa rua da cidade de Vila Velha, Grande Vitória. Alexandre Martins de Castro Filho. Estava levantando fatos e dados incômodos a Paulo Hartung e seus cúmplices – os donos do estado –. Decidiram executar o juiz, contrataram o ou os assassinos e pronto. Pagamento feito, tarefa cumprida, missa de sétimo dia marcada. ( materia Integra Congresso Em Foco; Seculo Diario - 2007, link final postagem)

De lá para cá um tal de segura a barra, inventa história, arranja culpado falso, suspeitos que não têm nada a ver com o caso, um jeito de fazer o tempo passar rápido e cair no esquecimento – para isso tiveram e têm a cumplicidade da maior empresa de mídia privada do estado, a REDE GAZETA, ligada a GLOBO o que não é novidade, novidade seria o contrário –, enfim, tentativas de evitar qualquer investigação que levasse aos verdadeiros responsáveis e acima de tudo, por envolver, como mandante, um governador, terminasse na federalização do crime, ou seja, passasse à esfera da Justiça Federal.

Uma história de horror contada por veículos independentes de mídia como o jornal on line SÉCULO DIÁRIO, mas mantida dentro de um cofre de atrocidades guardado a sete chaves por Paulo Hartung e sua quadrilha. Nisso daí, inclusive, o silêncio covarde do pai do juiz. Diga-se de passagem também magistrado, digamos assim. É muita esculhambação com a palavra, mas vá lá.

Um dos advogados contratados pelo pai do juiz para prestar serviços de auxílio ao Ministério Público devolveu os honorários que havia recebido ao perceber que sua ação ficaria limitada à verdade oficial, vale dizer, a mentira. Devolveu e denunciou publicamente o fato.


Qualquer paralelepípedo, como diria Nélson Rodrigues, sabe da história e do envolvimento de Paulo Hartung. O problema é fazer com que a máquina estatal, corrompida, funcione e chegue ao ponto desejado, a verdade.

O atual governador – Renato Casagrande – é um fraco. Não vai mexer nessa história nem debaixo de pancada, sabe que governa o ingovernável, que por baixo das aparências oficiais está o verdadeiro capataz dos donos do extinto Espírito Santo, Paulo Hartung. O vice então é o que chamamos panaca. Ou panacão para ser mais preciso.  

A Justiça essa então! Metade do Tribunal de Justiça do extinto estado foi presa numa operação da Polícia Federal. A turma da venda de sentenças e outras fraudes, como sentar em cima de processos, etc, etc. A Assembléia? Olhe, onde existe um Carlos Verezza, ou um Genivaldo Lievori não vai a lugar nenhum que não show. O tal negócio do “eu faço” e depois some, não faz nada.

O caso é tão escabroso que o ex-governador montou um esquema de grampo dentro da REDE GAZETA, com cumplicidade dos donos, para saber que jornalistas estavam tentando “prejudicá-lo”. Um escândalo que ficou para lá também. Isso à época dos fatos, o esforço concentrado da turma para abafar e esconder a verdade.

Rodney Miranda, deputado estadual, é presidente da Comissão Parlamentar de Segurança. O cara esteve envolvido em tortura, tem seu nome na lista de torturadores das Nações Unidas. Outro envolvido na história, no crime.

Uma história de horror. Lembra as barbáries que latifundiários cometem contra camponeses e pequenos proprietários no Pará. Ou abusos de empresas contra trabalhadores. Corrupção de governos estaduais diante do poder de grandes empresários, banqueiros. Podridão da grande mídia. Enredo completo, não falta nada. Filme que se convencionou chamar de B, aquele que você passa perto de um beco e Jack o Estripador sai de lá e esquadrinha/navalha cada parte de seu corpo.

Boa parte dessa gente é oriunda da ditadura militar. Outros não, claro, apenas mudaram de lado, escolheram o “sou, mas quem não é”. Ou o “fazer o que?”

No bom português a maioria na conversa de ou dá ou desce preferiu não descer. Ficou.

E Paulo Hartung continua a governar de fato o extinto estado do Espírito Santo, Casagrande faz de conta que tem uma bússola, se é que sabe o que é isso e assim, vida que segue, um dos estados brasileiros com verdadeiros paraísos ecológicos vai se transformando, na sanha de criminosos, em síntese do que conhecemos como crime organizado.

Destruído no tal progresso que só beneficia a turma de cima.

Se Capone vivesse hoje duvido que iria optar por Chicago. Pelas bandas do extinto Espírito Santo os “negócios” são mais lucrativos e os riscos de ser pego praticamente inexistem. 

Abaixo o link onde a história pode ser lida in totum.