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sábado, 14 de setembro de 2013

Resumo da ópera 470: submeter-se ou não à imprensa-empresa?

14/9/2013, Blog O que será que me dá
Editado e comentado pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido no quiosque Ôco-do-Mundo na Vila Vudu: Decidimos editar esse excelente postado que recebemos por e-mail, para excluir dele o que ali havia de defesa do PT.
Essa defesa, que cabe perfeitamente no caso de disputas entre partidos, é absolutamente desnecessária para defender o caso do ministro José Dirceu, contra o imbecilismo fascistizante dos juízes que hoje julgam no STF.
Petistas e não petistas (como a Vila Vudu e a redecastorphoto) estamos unidos hoje na luta pelos direitos democráticos do ministro José Dirceu e de outros petistas acusados sem provas, num tribunal e num julgamento de exceção.
Mudamos também o ataque focado na “Globo”. Entendemos que se a “Globo” tivesse todo o poder que alguns supõem que ela tenha, não estaria na situação em que está, obrigada a lavar a fachada com creolina, dia sim, dia também, porque recebe pacotes de cocô lançados diretamente por cidadãos (consumidores) indignados.


Na sessão desta última quinta-feira, disse o ministro Barroso que “vota com sua consciência e não se pauta pelo que vai sair no jornal do dia seguinte”. É o resumo da ópera 470 – que a imprensa-empresa no Brasil chama de “Mensalão do PT”: submeter-se ou não à imprensa-empresa brasileira?

A estratégia preparada por Joaquim Barbosa foi a de isolar o derradeiro voto (que desempatará em 6 x 5 para um dos lados) para a próxima sessão, quarta-feira que vem, contando com jogar o ministro Celso de Mello à sanha dos jornalistas da imprensa-empresa durante os próximos 7 dias.

Se resistir à pressão vulcânica que o aguarda nesta semana, pela imprensa-empresa no Brasil, e acabar por aceitar os tais embargos infringentes – adiando ou apagando para sempre as capas que a imprensa-empresa sonha conseguir publicar há 8 anos – Celso de Mello salvará o STF (e talvez, com sorte, talvez salve alguma coisa, até, da reputação dos outros cinco ministros que tentam executar no garrote vil a primeira tentativa de governo progressista que o Brasil jamais conseguiu conceber e começa a construir).

Por outro lado, se o ministro dobrar-se à vontade da imprensa-empresa e consentir que se algemem em praça pública(da) réus acusados sem provas, terá realizado o sonho de curto prazo de Globo, Abril, FSP e Estadão, o Grupo GAFE. Mas nem assim, ao contrário do que muita gente pensa e ansiosamente deseja, a novela estará terminada.

Além de expor o STF como a casa da mãe Joana do Grupo GAFE e abrir precedentes para outros linchamentos nos mesmos moldes da 470 em qualquer tribunal do Brasil, a prisão de Dirceu, Genoíono, J. P. Cunha e Delúbio levará o caso à Corte da OEA – que tem o poder de anular o julgamento ou partes dele. Significará mais desmoralização, já aí internacional, para o STF e seus feios atores. Pode ser desenvolvimento muitíssimo importante, muitíssimo útil para ajudar a desmascarar o que alguns no Brasil ainda veem como uma alta corte e seus juízes.

Os ministros que votaram pela degola imediata dos réus parecem não se importar em serem achincalhados por quem entende de direito penal. Parece que o que mais aterroriza Barbosa e os demais que votam com ele é a opinião publicada na imprensa. Desde o início do julgamento ficou evidente, além dos maus bofes e falta de compostura, também a postura político-partidária de Joaquim Barbosa. Como se sabe, há fascistas sinceros, fascistas de fé, por convencimento pessoal profundo da “legalidade” do próprio poder fascista e fascistizante. Sempre houve. Vários deles estiveram sentados no Tribunal de Nuremberg. No banco dos réus, é claro.

Quem seriam?

Ao Grupo GAFE só interessa uma coisa: algemar e fotografar. Se mais tarde o julgamento for anulado, pouco importa.

Fato é que, até aqui, o STF dá sinais de que aceitou a “tese” parida nas fétidas redações do “jornalismo” brasileiro.

E Barbosa conduziu o caso costurando “indícios” que qualquer estudante de primeiro ano de direito sabe que são inadmissíveis. A omissão de provas a favor do chamado “núcleo político da quadrilha” já foi exaustivamente criticada por toda a comunidade jurídica do país. Argumentos como o “domínio do fato” só foram aceitos por jornalistas do Grupo GAFE e seus leitores coxinhas. E hoje, como já se vê, o Grupo GAFE já abandonou, acuado, o tal "domínio do fato" -- depois que até o jurista criador da teoria mandou calar-o-bico, às “sumidades” do STF.

Henrique Pizzolato é mais inocente que uma criancinha, mas fato é que, se aliviarem para um único réu, todo o julgamento desmoronará como castelo de areia. Por isso Barbosa optou por julgar e condenar todos ao mesmo tempo, apostando que conseguiria safar-se.

Os jornalistas e seguidores da empresa-imprensa no Brasil tentam dividir o mundo entre petistas e antipetistas.

Mas saber que o Mensalão nunca existiu, que nunca passou de fantasia “jornalística” cerebrada por um criminoso já condenado (Roberto Jefferson) e executada por uma “jornalista” incompetente, no campo técnico-jornalístico, e portadora de necessidades especiais no campo moral (Renata LoPrete), a serviço de uma empresa de imprensa bem conhecida por sua atividade a favor da ditadura e do golpe desde 1964 e até hoje, já no século 21, não significa ser petista. Significa saber ler jornais brasileiros, usando um mínimo de bom senso.

A maioria do povo brasileiro jamais foi às ruas para protestar contra os governos petistas. Ao contrário; a maioria do povo brasileiro elegeu e reelegeu esses governos que começam a aprender a ser progressistas no Brasil – e já reelegeu este governo por três vezes seguidas e com larga folga. E vamos reeleger Dilma, mais uma vez.

Fato é que o Golpe do “Mensalão” atentado pela imprensa-empresa brasileira é expediente desgastado. Foi utilizado sem o sucesso eleitoral esperado das urnas de 2006, 2008, 2010 e 2012. Para 2014, está sendo tentado, já como a raspa do tacho, mais uma vez. E depois do mensalão?

A oposição voltará a fazer política? Conseguirá construir um projeto alternativo e consistente para oferecer ao país? E o mais difícil de tudo: onde a oposição “educada” pelo opinionismo vicioso de “especialistas” uspeanos e pelas velhacarias do Grupo GAFE e de seus jornalistas incompetentes e de seu jornalismo insuficiente, encontrará candidato viável, que tenha coisa melhor a oferecer aos seus eleitores, além de mentiras “midiaticamente” construídas e velharias já forçadas a se conservar em formol e fardões. Velharia velhaca, que oculta a própria cara por trás da máscara do fardão da ABL.


De qualquer maneira, cedo ou tarde, a novela do chamado “Mensalão do PT” ficará para trás. Então, as “excelências” do STF terão vários pratos cheios aos quais dedicar seus sempre autoproclamados altos talentos jurídicos: o Mensalão do PSDB (e esse existiu! E há muitas provas, já reunidas e organizadas e conhecidas da opinião pública!), a sonegação da Globo, o cartel das licitações de Covas, Serra & Alckmin, o destravamento da Satiagraha de Daniel Dantas, a Privataria de FHC…

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Sem o POVO nas ruas, as FRAUDES sempre dominarão as OBRAS e SERVIÇOS públicos

Exemplo típico da "elite tomateira" do Brasil
[*] Laerte Braga

O Brasil tem uma elite bisonha. Tão bisonha que antes preferia Paris e hoje vai para Miami, refúgio de mafiosos (exceto tucanos de alta plumagem, esses continuam em Londres e Paris, mais afeitos à máfia de Bilderberg).

O escândalo, no sentido de show, espetáculo deprimente, diante da decisão do governo de trazer médicos estrangeiros para políticas primárias de saúde é um exemplo disso.


De repente se descobre que a maioria não trabalha, muitos não fizeram residência e outros tantos estão lotados em municípios do interior de um determinado estado e vivem e não trabalham nas capitais.

A mídia, logo a mídia conservadora, seis dedos de silicone que era usado para que os pontos fossem registrados sem a presença dos profissionais.

A reação? Batem o ponto e vão embora, não trabalham.

É claro que há falta de estrutura, que inclua um plano de cargos e salários, entre outras coisas, como é cristalino que os municípios foram penalizados, são penalizados pelos estados e pelo governo federal, por absoluta falta de recursos e fiscalização.


O que a roubalheira do metrô de São Paulo não daria para benefícios e criação de uma estrutura de saúde? O que os desvios de verbas no governo Aécio Neves em Minas, justamente na área de saúde (a cargo do deputado Marcus Pestana) não significariam para a saúde e o maior de todos, a criação da CPMF para suprir a saúde de recursos e o rumo que FHC deu ao dinheiro?

Adib Jatene
“Precisamos de médicos que cuidem de gente” é uma frase de Adib Jatene. Foi autor da idéia da CPMF e renunciou ao Ministério quando percebeu que FHC era um blefe, um sacripanta a serviço do capital internacional e que o dinheiro não usado na saúde, que fora logrado pelo presidente da República e pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, hoje principal executivo do grupo Eike Batista e condutor do golpe da falência fraudulenta.

Um estudo das Nações Unidas mostra que os médicos cubanos no Haiti fizeram muito mais pelo país, que toda a ostentação militar de norte-americanos, brasileiros e quejandos, de olhos na reconstrução (que nunca acontece). A divisão do butim.

Os problemas do Brasil são estruturais. Não é como num prédio onde se descobre que há um vazamento numa determinada sala e o conserto é feito sem que a fonte seja procurada, porque cada vazamento vai permitir a um cartel de empreiteiras “solucionar” o problema.

Mudanças estruturais como as reformas política, agrária, tributária, fiscal (impostos sobre igrejas e grandes fortunas, por exemplo) e, principalmente JUDICIÁRIA. A busca de tecnologias nacionais (somos capazes), por falta de investimento desde a educação básica, fazendo com que em nossas ruas não circule um só carro nacional, mas todos de montadoras estrangeiras sobre os quais pagamos royalties. Temos uma divida pública escandalosa. FHC desconstruiu o serviço público para privatizar e terceirizar setores essenciais do Estado, dentre eles a saúde e a educação.

E governos que administram o caos de uma constituição remendada, num cipoal de leis, em que os recursos são mínimos, pois a dívida consome a maior parte da receita do governo federal.

Pior, não existe a vontade política de mudar essa situação, exceto nas palavras vazias de políticos do tempo do império e que atuam em seus estados como imperadores.

“Quando as idéias não têm organização, morrem, somem” - Che Guevara

Hoje se sabe que os sistemas de satélites de espionagem podem alterar os resultados de uma eleição nas urnas eletrônicas, daí a razão e o medo do voto impresso, que impediria a fraude. Podem até identificar o eleitor.

Bancos, grandes empresas (formadoras de cartéis em setores essenciais da economia) e latifundiários (devastadores do Pantanal e da Amazônia) têm o controle do País; submetem o governo a constrangimentos vergonhosos, somam-se à bancada evangélica – uma das grandes ameaças à democracia – num jogo proposital de mais de 40 partidos (a maior parte sem qualquer representividade que não a busca de cargos). 

Gilmar "Dantas" Mendes                             Joaquim "Miami" Barbosa
Um Judiciário "preocupado" com a preguiça e outras coisas mais, onde as vozes sérias são caladas por ministros medíocres, pra dizer o mínimo, como, Helen Gracie, Luiz Fux, Marco Aurélio, Carmen Lúcia, Dias Tóffoli, e figuras suspeitas como Gilmar Mendes (ou seria Gilmar Dantas?) e Joaquim “Miami” Barbosa.

A saída está nas ruas. Mas de forma organizada, bem dirigida e voltada para bandeiras essenciais, básicas e não pontuais, pois acabam fazendo o jogo dos que subjugaram o Brasil no golpe militar e para eles pouco interessa o que quer, o que deseja o cidadão brasileiro.


A classe média envenenada pela mídia podre, corrompida. E o naufrágio a vista no imenso iceberg que é como uma espécie de barco dirigido pelos donos, nada natural.

O confronto entre trabalhadores e elites é inevitável, mas e preciso que seja organizado.

Do contrário vamos ter sempre pústulas tipo sergiocabrais, aécios, anastasias, alkimins, serras, richas, efeagacês e outros marginais dirigindo, de fato, o Brasil partir de interesses externos.

É um confronto que se deseja pacífico, mas nem sempre será. É a “explosão das ruas” como disse o jornalista Ricardo Boechat.

Não tem a menor importância, pois os EUA e os seus interesses apostam num novo Oriente Médio na América do Sul. O quanto mais cedo iniciarmos a luta real, concreta, sem caráter festivo, mais cedo conseguiremos nos livrar desse terror que nos vem sendo imposto sem perder de vista que somos um País continental e apostam na divisão. Fomentam essa divisão. O único risco real para o poder dessa gente, além da China e da Rússia é o Brasil, por isso os enormes olhos do grande irmão.

Teoria conspiratória? Quando se falava em cyber-espionagem diziam o mesmo...
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[*] Laerte Braga é jornalista, trabalhou no Diário Mercantil e no Diário da Tarde de Juiz de Fora, para os Diários Associados e pela agência Meridional (primeira grande agência de notícias do Brasil) e também dos Diários e Emissoras Associadas, tendo sido correspondente do Estado de Minas de Juiz de Fora e Zona da Mata, e também trabalhou como freelancer para revistas e jornais do Brasil e de outros países. Eventualmente colabora com a redecastorphoto.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Esqueceram dos empresários




Publicado em 28/05/2013 por Mário Augusto Jakobskind [*]

Causou estranheza o fato de a Comissão Nacional da Verdade ao apresentar um balanço sobre um ano de atividades dedicasse pouca informação relacionada com a participação do setor empresarial na ditadura. Para se passar o país a limpo será necessário ir fundo nessa questão, porque muitos apoiadores do regime de força hoje se apresentam como democratas desde criancinha, na prática enganando a opinião pública.

A área de mídia também merece uma investigação profunda, porque muitos veículos além de silenciarem na época deram apoio ostensivo ao regime ditatorial. O Globo é um exemplo, embora alguns digam que o patrono da empresa, Roberto Marinho, tenha livrado a cara de jornalistas que não eram bem vistos pelo regime. Mas os mais críticos, em função da subserviência aos generais de plantão, não absolvem as Organizações Globo, mesmo se eventualmente o seu patrono tenha livrado a cara de um ou outro jornalista do seu quadro das garras da repressão.

Não há notícias de que as Organizações Globo chegassem a ceder veículos para o aparelho repressivo, como fez o grupo Folhas, de Octávio Frias, em São Paulo. Os veículos de comunicação dos Marinhos se limitaram a abrir seus espaços de forma áulica aos generais de plantão e seus seguidores.

É preciso que os brasileiros, sobretudo os das novas gerações, sejam informados sobre o que se passou nos anos de chumbo e como se comportaram alguns setores que hoje se dizem defensores da democracia.

No relatório apresentado pela Comissão da Verdade, alguns fatos tornados públicos não chegam a ser novidade, como, por exemplo, que os que pegaram o poder à força torturavam opositores logo depois da derrubada do presidente constitucional João Goulart.

A tortura, portanto, não foi instituída a partir de 1968 com a promulgação do AI-5, como alguns ainda hoje apoiadores do regime justificam. Esta gente, que navega nas ondas do Clube Militar, ao deturpar a história diz que o regime ficou mais duro para enfrentar a guerrilha. Omitem o que acontecia antes de 13 de dezembro de 1968. E que a ação do próprio regime fez com que alguns setores da oposição, de forma precária, partissem para a luta armada por entenderem que seria o único caminho para acabar com o estado repressivo.

Exemplo argentino - A Argentina tem dado exemplo de como ir fundo nas questões da repressão. Além de julgar agentes do Estado que fizeram barbaridades em matéria de violações dos direitos humanos, agora mesmo a Justiça processou três ex-diretores da filial da Ford no contexto de uma causa que investiga o sequestro de trabalhadores em uma filial da empresa norte-americana.

Por ordem da juíza federal Alicia Vence, os acusados, Pedro Muller, do setor de manufaturas, Guillermo Galarraga, da área de relações trabalhistas e Héctor Francisco Jesús Sibilla, ex-chefe de segurança da empresa estão respondendo na Justiça pelo sequestro de 24 trabalhadores da Ford, na localidade de Pacheco, próximo a Buenos Aires, ocorrida entre 24 de março e 20 de agosto de 1976.

Os três, segundo a juíza, facilitaram informações sobre os trabalhadores à repressão. Ou seja, eram dedos-duros, fornecendo até fotografias e os endereços particulares para que as autoridades os prendessem.

Embora os acusados tenham sido considerados “participantes primários dos crimes de privação ilegal da liberdade dos trabalhadores, duplamente agravada por ter sido cometida por abuso funcional, com violência e ameaças”, mesmo assim a juíza ordenou o embargo dos bens dos processados, até alcançar a soma de 750 mil pesos, correspondente a cerca de 143 mil dólares.

É bem possível que a Comissão da Verdade destas bandas esmiuçando arquivos e toda a papelada da repressão possa chegar aos dedos-duros que infelicitaram a vida de muitos brasileiros, ajudando inclusive o trabalho da repressão, e seguem por aí como se não tivessem nenhuma responsabilidade sobre os acontecimentos.

Em suma, não basta conhecer os 1.500 agentes do estado ditatorial brasileiro, sejam militares ou civis, que cometeram atrocidades, inclusive estupros de opositoras, como informa a Comissão Nacional da Verdade. Para virar a página definitivamente é preciso fazer o mesmo que está sendo feito na Argentina. 

Por lá, em um primeiro momento duas leis, Ponto Final e Obediência Devida, livravam a cara dos que cometeram violações dos direitos humanos. Bastou aparecer um Presidente com vontade política, como Nestor Kirchner, para que a lei de anistia fosse revogada em 2003. A Corte Suprema em 2005 confirmou a constitucionalidade da decisão e começaram os julgamentos.

Por aqui, a instância máxima da Justiça brasileira, o Supremo Tribunal Federal (STF), em um julgamento lamentável, confirmou a Lei da Anistia que deixa impunes agentes do Estado que cometeram crimes de lesa humanidade. E ainda não apareceu um Presidente que tivesse vontade política para levar adiante para o Congresso o mesmo que aconteceu na Argentina.
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Mário Augusto Jakobskind [*] é correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE

Enviado por Direto da Redação


 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Kawô Kabiesile! De Xangô a Joaquim Barbosa: a distância entre o rei e o escravo

Raul Longo

Escrito e enviado por Raul Longo
Ilustrações: redecastorphoto (colhidas na internet)

Estou terminando de revisar o seriado “ORIXÁS” e em breve o distribuo completo a todos meus correspondentes e outros também. Resolvi dar cabo do projeto de Édison Braga e por essa razão tenho deixado de produzir crônicas e considerações sugeridas pelos acontecimentos nacionais, internacionais ou regionais daqui desta Santa Catarina que adotei.

Vez por outra algo comove ou provoca a indignação e não há jeito de não me manifestar, mas tenho ocupado a maior parte do tempo me concentrando exclusivamente no cumprimento do compromisso assumido em memória do amigo.

Nem mesmo as manifestações do escandaloso desnível da balança da justiça brasileira têm me demovido desse objetivo. Pudera! Embora permaneça como motivo de grande indignação, entre nós esse desnível é tão vulgar que há muito já não comove mais ninguém. E esse é o grande perigo.


Uma nação onde ninguém reage à impunidade, promovida pela mais alta corte do país, de estelionatários como Naji Nahas, Salvatore Cacciola, Paulo Maluf, Nicolalau dos Santos Neto, Daniel Dantas e tantos outros. Estupradores em série como Roger Abdelmassih. Assassinos como Pimenta Neves que atirou em uma mulher desarmada pelas costas, ou os jovens delinquentes que queimaram vivo o índio Galdino, ou ainda aquele que matou a Irmã Dorothy; dificilmente será encarada como digna pela comunidade internacional.

Econômica e socialmente a imagem do Brasil perante o mundo nunca foi melhor, mas em termos de justiça continuamos sendo equiparados às terras de ninguém da África e do Oriente, para onde se evadem os piores bandidos e escroques do Hemisfério Norte.

Pois pior ainda ficará a imagem da justiça brasileira quando a imprensa internacional, que vem se informando a respeito, concluir quem foram alguns dos recentes condenados pelo nosso Supremo Tribunal Federal.

Uma amiga da Suécia, por exemplo, me escreveu espantada estranhando informações que lhe pareceram desencontradas. Conhece os preconceitos racistas de nossa sociedade e é sobejamente informada sobre os crimes de nossa ditadura militar de orientação inconfundivelmente nazifascista. Também sabe que José Genoíno e José Dirceu foram heroicos líderes da luta contra aquele regime e por isso me escreveu atônita e desconfiada dos elogios dessa sociedade acintosamente racista ao juiz negro que condenou destacados combatentes em prol da liberdade do povo brasileiro.

Tive de colher algumas informações para lhe explicar quem é Joaquim Barbosa. Orgulhosa de seus conhecimentos sobre o Brasil, que realmente são muitos, apenas me retornou a pergunta como se não encontrasse qualquer relevância no que lhe consegui passar: “Quem é Joaquim Barbosa?”

De fato! Hoje é o presidente do STF, mas do STF que garantiu a impunidade dos internacionalmente mais rumorosos crimes de corrupção e estelionato público e político aqui praticados. Aliás, os mesmos juízes que exigiram prisão imediata de Dirceu e Genoíno foram os que concederam habeas corpus facilitando a fuga ou mantiveram a impunidade todo aquele rol de comprovados criminosos acima citados.


A nossa mídia já não é considerada como fonte de informação confiável sobre o Brasil pelos seus próprios colegas do resto do mundo. Uma publicação inglesa chegou a apontar a principal revista tida de informações no Brasil como “one gossip magazine”, ou uma revista de fofocas. O que não dirão de nosso sistema judiciário quando se derem conta do que realmente foi o julgamento da AP 470 que condenou por literatura, indícios e gossips ou fofocas da desqualificada imprensa brasileira, a heróis da luta contra um regime nazifascista?

A coisa é tão vergonhosa e disparatada que prefiro concentrar meu tempo e atenção nos roteiros do seriado “ORIXÁS”, mas ao finalizar o último episódio em que trato de Xangô, o Orixá da Justiça, me veio à lembrança a pergunta da amiga da Suécia: “Quem é Joaquim Barbosa?”

Tardiamente concluo que ao invés de pescar informações pela internet e já que não há nada no histórico do juiz que o compare a grandeza do histórico de um Genoíno ou Dirceu, deveria ter respondido à amiga que afora ser o primeiro presidente negro do STF, não há nada mais de relevante a respeito desse personagem. E para despistar ou escamotear minha insuficiência ou a daqueles que apontam o relator da AP 470 como herói, poderia tergiversar sobre Xangô, que foi o rei de Oyó, principal centro da civilização ioruba. E contaria que também orixá da justiça, Xangô usava um machado de dois gumes para representar o equilíbrio de sua justiça que tanto poderia condenar os de um lado como, se fosse o caso, igualmente condenaria os do outro lado. Diferentemente da balança da justiça brasileira que só garante impunidade aos do prato das elites político/financeiras, como todos aqueles criminosos acima citados.

Ou alguém já ouviu falar de não criminosos que tenham sido beneficiados pela justiça brasileira?

Mas contaria para minha amiga da Suécia que o cabo do machado de Xangô era feito de galho de ayan, árvore da região de Xangô.

Ayan – árvore de tronco muito duro que não é derrubada com machado. 
É consagrada à Xangô

Por fim contaria que por ter julgado mal ao seu povo, Xangô cumpriu com o significado de seu machado de dois gumes condenando-se a si mesmo. Condenou-se e foi seu próprio carrasco se enforcando num galho do ayan, árvore da foto que aí copio.

Pensava sobre isso tudo quando recebo a postagem do Antonio Fernando Araujo que também copio logo adiante, mas antes devo comentar que essa postagem e as inquirições da Suécia me fizeram avaliar as diferenças e semelhanças entre o orixá da Justiça do panteão dos cultos afro/brasileiros e o presidente do STF.

Reis como Xangô, mas lembrados por péssima reputação, existem muitos. Escravos que se tornaram lendários por seus feitos, também existem muitos. Esopo, o fabulista, foi um deles. Spartacus, que liderou o primeiro movimento de trabalhadores de que se tem notícia na história, foi outro.

Daqui a um século ou meio, quando se estudar os piores períodos da história do Brasil, sem dúvida se terá informações sobre os lideres dos que tiveram coragem e disposição para lutar contra a ditadura militar e sem dúvida se citará José Genoíno por sua luta nos interiores e José Dirceu por sua luta nos centros urbanos. Assim como hoje estudamos sobre Zumbi, o escravo que foi rei em Palmares no vergonhoso e longo período da escravidão.

Mas, e Joaquim Barbosa? Quem será Joaquim Barbosa? Quem é Joaquim Barbosa?

Depois de ler a postagem do Antonio Araújo, cheguei a conclusão de que a única semelhança entre o juiz Barbosa e Xangô, o orixá da Justiça, é que os dois são negros.

Não sei de quem é Joaquim Barbosa, mas na liberdade de Xangô eu acredito.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O SILÊNCIO DO POVO


(Vá às urnas, Ministro!)

Por Raul Longo
Texto enviado pelo autor

Dos anos da ditadura militar restaram-me silêncios inesquecíveis.

Primeiro foi o silêncio das ruas do bairro onde, ainda menino, morava com meus pais. No rádio falava-se em revolução, mas ao invés de exaltações o que vi e ouvi nas ruas foi um grande silêncio temeroso, contrastando com galhofas e pegadinhas tradicionalmente empregadas em todo 1º de Abril de anos anteriores a 1964.

Um silêncio não sem razão, pois além de não ter graça nenhuma a mentira pregada naquele 64 durou ¼ de século em que calou muitos outros silêncios que até hoje ecoam em meus ouvidos pela lembrança de vozes que nunca mais ouvirei. Eram vozes queridas e mesmo as que sobreviveram nunca mais voltaram a ser tão alegres e desinibidas. Algumas até se tornaram irrecuperavelmente soturnas.


Depois, as mesmas rádios, as tevês, revistas e jornais falavam tanto de um milagre econômico e da obrigação de se amar o país que comecei a ouvir vozes estranhas em diversas daquelas bocas a princípio caladas. Não eram vozes naturais e soavam como reprodução mecânica das máquinas de divulgação de um progresso que eu não conseguia ver nas ruas, pois o que via eram levas de silenciosos miseráveis a constituir favelas e periferias, vindos dos interiores para construir pontes, viadutos, túneis, estradas e metrôs.


Então, bem tentei lembrar o sacrifício daqueles silenciados pela espoliação e do custo daquele duvidoso progresso financiado e em benefício de minorias nem sempre nacionais, mas que algum dia todos teríamos de pagar. E onde tocava no assunto, eu era silenciado.

Assim percorri o país, mas mais do que o silêncio que a mim impunham doíam-me aqueles outros precedidos de urros e gemidos. Os silêncios impostos pela morte, pelo desaparecimento ou pelo exílio. Quantas dessas vozes perdi por todo o Brasil!

Mas no decorrer da ditadura militar escutei dois silêncios que ainda mais me impressionaram.

Um deles foi quando cheguei a um comício do “Movimento pelas Diretas Já” no Vale do Anhangabaú, em São Paulo. A passarela de pedestres sob o Viaduto do Chá transformada em palanque por Teotônio Vilela, Franco Montoro, Ulisses Guimarães, Mário Covas, Brizola, Fernando Henrique Cardoso e outros mais.

Sobre o viaduto e de um lado a outro do amplo vale, desde a Av. São João até o início da Av. 9 de Julho, a maior multidão que até então eu já vira reunida.

Ouvimos o Lula dizer que se algum daqueles da passarela aceitasse mais uma eleição indireta no Brasil, estaria traindo a todos nós que ali escutávamos não somente ao líder sindical, mas a todos demais políticos num silêncio oceânico. Um silêncio impossível em tamanho agrupamento de pessoas, mas real e consistente.

De fato fomos traídos e as vozes da mídia mais tarde nos convenceram ter sido melhor assim, para depois nos empulharem com elogios a um “caçador de marajás” e, ainda outra vez, com um poliglota a nos ludibriar em diversos idiomas. Até aprendermos a ouvir em nosso silêncio, nossas próprias vozes.

Já o silêncio do povo durante a ditadura militar que recordo agora, é mais pessoal e bem anterior, quatro anos depois daquele do primeiro 1º de Abril silencioso que experimentei na vida.

Não lembro o mês exato em que se deu, mas recordo vivamente quando a cavalaria entrou na Praça da Sé em meio ao nosso protesto contra o acordo MEC-USAID que, conforme prevíramos, trouxe o sistema de educação pública do Brasil ao estado calamitoso a que chegou.

Dispersamos e como muitos outros me enfiei pela Rua Direita com o galope dos cavalos atrás. A intenção era me meter nas Lojas Americanas, aproveitando a saída para a Rua José Bonifácio do outro lado para dali alcançar algum ponto de menor concentração policial. No entanto, uma multidão encostada às grandes portas do magazine impedia a entrada.

Não havia tempo para pensar e me joguei no meio das pessoas, mas não foi preciso empurrá-las porque me abriram espaço tão imediatamente quanto o fecharam. No último segundo algo dolorido me desequilibrou, ainda assim varei aquele estreito vão pelo recuo aos lados da densa cortina de gente e, na dor e no susto do outro lado, num instantâneo olhar atrás, já me levantando depois de cair no piso da loja, só vejo as costas de homens e mulheres num severo silêncio ressaltado pelo tinir irritado dos cascos do cavalo sobre o asfalto da rua. Se não me falha a memória a Rua Direita ainda não era calçada de pedras, mas já exclusiva aos pedestres.

Mais tarde, pela imagem de chapa de raio-X, um médico me advertiu sobre os dias em que me seria dificultoso e dolorido respirar e dormir, por causa de uma costela trincada. Fiquei imaginando o esforço do soldado da PM a se dobrar sobre o cavalo na tentativa de me derrubar com sua “Fanta”, como então se apelidou um cassetete mais extenso por analogia com o único refrigerante de litro então comercializado.

Evidente que não há nada de refrescante numa lambada de cassetete, mas a cada ardor da primeira trinca de ossos em meus ouvidos ecoava o orgulho por aquele silêncio da multidão a afrontar e barrar a afoiteza do cavalo.

Naquele silêncio muitas vezes me compenetrei do sentido dos tantos demais silêncios muito mais sofridos de meus companheiros dos tempos da ditadura.

Hoje ouço o tropel efusivo da mídia pela condenação daqueles que sempre lutaram contra tantos outros acordos espúrios e lesivos à pátria, como antes ouvia os mesmos veículos de informação e jornalistas silenciarem-se a estes acordos.

Fosse à ditadura, aos tempos do “Caçador de Marajás” que a própria mídia nos levou a eleger ou à era do poliglota fraudulento.

Mas também ouço o silêncio da multidão gritado nos resultados do primeiro turno destas eleições municipais e das pesquisas do segundo a se realizar no próximo domingo.

Ouço as acusações de entidades e organismos que se calaram aos tantos crimes contra o país, engavetados por quem deveria apontá-los e absolvidos pelos que devendo condenar se resumiram em sentenças de pena de férias em Miami, Paris, Roma ou qualquer outro nicho turístico internacional.

Ouço os pronunciamentos dos mesmos Ministros da Suprema Corte que viabilizaram a fuga de escroques e estupradores, agora fundamentados em indícios, indisposições e ilações de personagens comprovadamente desqualificados.

Pergunto-me como se comportarão esses mesmos juízes quanto aos documentos e provas reproduzidas no livro de maior vendagem da história de nossa literatura: “A Privataria Tucana”.

Como se pronunciarão e a que condenarão os acusados pelo mesmo crime de Caixa 2 praticado a cada eleição por todos os partidos políticos do país?

Ouço também um eco recente da voz do Ministro Joaquim Barbosa desafiando seu colega Gilmar Mendes a ir às ruas. Então Barbosa se referia ao burburinho contra a leniência de Mendes aos crimes financeiros do megaespeculador Daniel Dantas, financista dos projetos do anterior governo neoliberal.  

Por fim, me pergunto: com qual silêncio as ruas receberão os magistrados brasileiros se mais uma vez comprovarem o acentuado e vergonhoso desnível da balança do Poder Judiciário Brasileiro?

Barbosa apostou no alarido das ruas contra Gilmar Mendes, mas ao contrário de outros povos é em silêncio que o brasileiro tem comprovado a ilegitimidade e destituído poderes abusivos e inaptos.

Vá às urnas, Ministro! 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Em terra de bandidos você tem que ser “gangster” (Vitória de Pirro)*




Texto de Jair Alves - dramaturgo
Enviado por Ana Engelen
Original no Portal Macunaíma




 


O provérbio acima grafado no título foi usado pelo dramaturgo, Bertholt Brecht , na peça a “Ascensão e Queda de Arturo Ui”, uma parábola dos anos trinta, sobre o regime Nazi-fascista ambientado na cidade de Chicago explorando as contradições de um sistema mafioso à margem da Lei na realidade norte-americana.

A frase original quase intraduzível para a língua portuguesa, se não é exatamente essa (é algo parecido) e seu significado inequívoco. Esta fala próxima do paradoxal parece ter sido entendida pela maioria da população brasileira que nesse outubro continua escolhendo, via de regra, aquilo que melhor lhe parece.

Por mais que se juntem interesses econômicos inconfessáveis, protegidos por sigilos em que a Lei (ora a Lei) não alcança, a mesma população (estamos escrevendo de maioria) não se seduziu aos alardes de uma “nova moralidade” e vai votar ao seu bem estar o que, convenhamos, está mais do que certo.

Longe deste humilde “escrevinhador” em achar que esta maioria seja conivente com “o malfeito”, ela sabe perfeitamente que a ruptura com uma suposta legalidade pode se originar em dois caminhos distintos, um que leva à Libertação e um outro a Submissão.

É justamente a população quem sofre com Sistemas que criados à margem da Lei, tais como Máfia do botijão de gás; da Internet Banda Larga, clandestina; dos produtos pirateados, só para falar em alguns exemplos.

Esta não é a realidade particular dos juízes togados, protegidos justamente pelo pacto social que garante a todos o Império da Democracia. Garante mesmo? Lembro a pergunta que não quer calar, “como ficam os demais, aqueles que estão marginalizados pelo sistema?”. Poderia ser comovente conhecer, como uma nota ao pé da página, a vida pública desses juízes togados desde os bancos escolares, passando por universidades e o seu engajamento pela paz social e que ontem foi demagogicamente evocada pelo relator “mão pesada”.

Algumas páginas deste livro, provisoriamente intitulado “A República Brasileira”, foram arrancadas na construção desse enredo.

Já durante 2003 circulou à “boca pequena”, entre os oposicionistas, que o ex-presidente FHC havia se reunido em seu apartamento em Higienópolis, em São Paulo, com agentes do governo de Washington para discutir e tomar providencia para que um “mirabolante plano” não fosse colocado em prática pelo superministro, José Dirceu, que seria “tomar o poder” pelas vias legais que engessaria a oposição garantindo, assim, sempre maioria no Congresso.

Para dar mais veracidade a “denúncia”, não a da reunião no bairro chic da cidade de São Paulo, mas a do tal plano citava que lideranças dentro do Partido dos Trabalhadores, como o, hoje, presidente Rui Falcão estava preocupado com a ação da corrente majoritária liderada por Lula e José Dirceu, que obrigavam parlamentares da mesma corrente a destinar de seus proventos mensais uma parcela para financiar atividades políticas extraparlamentar. Não é difícil observar que, se verdadeiro este procedimento, já se tratava de um “antimensalão”.

Neste caso era um parlamentar dando dinheiro e não recebendo. O episódio caiu no esquecimento quando Carlinhos Cachoeira (sim, ele mesmo) entregou uma fita de vídeo para um inexpressivo senador do PSDB que afoitamente procurou a Revista Época, em busca de “celebridade”.

Houve, portanto, uma mudança de foco. Descobriu-se que um dos personagens dessa trama sórdida era Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil, indicado por Antoni Garotinho, à época um aliado ao Governo Lula.

Além de abortar o”plano de conspiração” contra o Governo Lula que deveria estourar às portas das eleições municipais de 2004 e não dar celebridade ao denunciador, que jamais se reelegeu, obrigou José Dirceu a dividir seus poderes com o, hoje, Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo que passou a responder pela Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais, com status de ministro.

Ou seja, no inicio de 2004 José Dirceu perdeu poderes políticos dentro do próprio governo, justamente no período alegado por Roberto Jefferson da onipresença do ex-ministro e, agora, condenado pelo STF.

Que está faltando algum pedaço nessa história, todos sabemos, o que demandara novas histórias mal contadas nos próximos capítulos. Não faltarão, como não faltam,  acusações, às vezes grosseiras, de que o ex-presidente Lula tem tudo a ver com este caso.

Outra pergunta que não quer calar: o que exatamente concluiu, a ação Penal que condenou Waldomiro Diniz e os seus antigos aliados? Provou que nem José Dirceu tinha conhecimento do passado escuso de seu ex-assessor, como, também o Partido dos Trabalhadores ou membros de sua direção tinha algum envolvimento com este caso; já Roberto Jefferson, este sim!

Cremos que a população, ainda que por intuição, captou o sentido dos versos de um (este, sim) extraordinário poeta, João Cabral de Mello Neto, quando escreveu lá no final da década de cinquenta: não se faz só com palavras à vida”. Não tão brilhante, um outro poeta e presidente do STF enfatizou, ontem, a respeito da vida a paridade entreDeus e a Política”, chegou a afirmar: “Deus no Céu e os políticos na terra”.

Que mundo vive este senhor, às portas dos setenta anos? Com toda certeza, ele Preside um Tribunal de um Mundo onde nós não vivemos. A maior parte da população, tampouco.

Sim, mas ainda existem os poetas, os artistas e, um deles, certa vez compôs: “poetas, seresteiros, namorados correi. É chegada a hora de escrever e cantar, talvez as derradeiras noites de luar”.

Tempos depois (FINAL DA DÉCADA DE SESSENTA) esse nosso pequeno mundo por nome BRASIL, fora assaltado por tenebrosas transações e um Império onde a Lei de nada valia. Alguns sobreviveram para reproduzir e cantar outros tempos, estes, sim, verdadeiramente novos.

Não sem razão que, em Salvador, hoje na terra de todos os santos, e aqui em Sampa onde se cruza a Ipiranga com a avenida São João, o artista em foco escolheu no presente, o caminho da Libertação de todos os homens:Este samba vai pra Dorival Caymmi, João Gilberto e Gilberto Gil...!”.

(*) O julgamento da AÇÃO PENAL 470 não se encerra nesta QUINTA FEIRA, como gostariam os promotores deste evento às portas das eleições de 2012, com prejuízos inequívocos ao Governo Federal. Ainda teremos novos desdobramentos, com resultados ainda a se conferir.