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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Protestos em Hong Kong: E os imperialistas apoiariam, se fosse movimento democrático?

7/10/2014, [*] Sara FloundersWorkers World
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Hong Kong - Mapa político
Demonstrações em Hong Kong, China, com demandas sobre os procedimentos a serem seguidos em eleições em 2017 naquela cidade, tornaram-se assunto internacional e fonte de confusão política.

Os protestos, chamados “Occupy Central” , têm recebido enorme e muito favorável cobertura, pela imprensa-empresa norte-americana. Todos os noticiários comentam com enorme entusiasmo a ocupação de algumas partes de setores comerciais do centro de Hong Kong, como protestos “pró-democracia”. As manifestações, que começaram dia 22 de setembro, ganharam impulso depois que a polícia de Hong Kong usou gás lacrimogêneo para reabrir vias públicas e prédios do governo.

Ao avaliar esse movimento emergente, é importante observar que forças políticas estão apoiando o movimento. Que demandas o movimento traz, a quem apelam e qual a composição social dos que se movimentam?

John Kerry
Os governos de EUA e da Grã-Bretanha lançaram declarações de apoio às manifestações. O secretário de Estado John Kerry “exigiu” que o Ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, atendesse às demandas dos que estavam na rua. Wang, em resposta, mandou-o respeitar a soberania da China. A Grã-Bretanha, que roubou Hong Kong da China em 1842 e a manteve como colônia durante 155 anos, sob governo nomeado em Londres, apoia hoje a demanda por mais “democracia” em Hong Kong. O vice-primeiro-ministro, Nick Clegg convocou o embaixador chinês, para dar-lhe conhecimento das ansiedades britânicas.

Atualmente, esses imperialistas podem não contar com a derrubada do governo do Partido Comunista Chinês, na China. Mas “Occupy Central” em Hong Kong é como uma cunha ali metida, com o objetivo de enfraquecer o papel do estado na economia chinesa.

Os imperialistas esperam fortalecer os elementos burgueses e estimular a cada vez mais forte classe dos capitalistas na China, para que se tornem mais agressivos e exijam a derrubada da ordem socialista estabelecida depois da Revolução Socialista de 1949, inclusive do papel central do Partido Comunista, num estado soberano forte.

Repressão policial: México, Itália, Filipinas

Manifestantes de Nápoles, Itália - 2/10/2014
No México, dezenas de milhares de estudantes protestaram contra mudanças nos currículos e novos preços. Mais de 50 mil reuniram-se na Cidade do México pela terceira vez. No oeste do México, 57 estudantes de uma escola de formação de professores desapareceram depois que atiradores abriram fogo contra uma manifestação de que participavam, matando três estudantes e ferindo outros três. Um funcionário de Guerrero, diz que testemunhas identificaram os atiradores, como policiais locais. Foram descobertas covas coletivas numa área aterrorizada pela Polícia e por gangues.

Dia 2 de outubro de 2014, em Nápoles, Itália, a polícia nacional atacou manifestantes que protestavam contra a “austeridade” e uma reunião do Banco Central Europeu. Policiais usaram gás lacrimogêneo e canhões de água, contra milhares de manifestantes.

Milhares de corajosos manifestantes protestaram em Manila contra a assinatura de um acordo com os EUA para uma escalada na rotatividade de soldados, navios e aviões dos EUA estacionados nas Filipinas, durante visita do presidente Obama, em abril passado. Enfrentaram canhões d’água, gás lacrimogêneo e prisões em massa.

Polícia de New York usa gás de PIMENTA contra movimento Occupy Wall Street
Alguém soube de funcionários da Casa Branca reunidos com funcionários mexicanos, para manifestar qualquer preocupação pelo destino dos estudantes mortos ou desaparecidos? Algum funcionário britânico convocou representantes oficiais da Itália, para lhes dar a conhecer sua indignação ante o uso de gás lacrimogêneo e canhões d’água? A imprensa-empresa comercial mundial deu alguma (qualquer) atenção aos ataques contra jovens filipinos? Que fim levou o frenesi “democrático” da mídia?

Por que é tudo tão dramaticamente diferente, desde que tenha algo a ver com “Occupy Central” em Hong Kong?

O uso de gás lacrimogêneo pela polícia de Hong Kong é denunciado pelos mesmos jornalistas e “especialistas”  que se mantiveram bem calados enquanto a polícia militarizada em inúmeras cidades dos EUA usa rotineiramente, não só gás lacrimogêneo, mas também tanques, blindados para transporte de policiais, munição viva, disparadores de descargas elétricas, balas revestidas de borracha, cachorros e drones, em ações de policiamento.

Polícia local usa gás lacrimogêneo contra movimento Occupy Oakland
Ouvir funcionários dos EUA a “denunciar” restrições a candidatos em Hong é especialmente ofensivo para qualquer um que conheça os procedimentos nas eleições nos EUA hoje. Por aqui, é necessário ter milhões de dólares para candidatar-se. Os candidatos passam por inúmeras “pré-seleções” realizadas nas sedes de grandes empresas, e pelos aparelhos internos dos dois grandes partidos pró-imperialismo que há nos EUA. Em todos os estados e cidades dos EUA há medidas legais, implantadas com o claro objetivo de dificultar que maior número de cidadãos votem em eleições municipais e estaduais.

“Revoluções coloridas”

Autoridades e publicações chinesas veem as ações de “Occupy Central” como mais uma “revolução colorida” paga pelos EUA, e as comparam às agitações de rua que varreram a Ucrânia e outras ex-repúblicas soviéticas.

Vários analistas têm exposto com algum detalhe o vasto papel de organizações do estado norte-americano como National Endowment for Democracy (NED) e Democratic National Institute (DNI), além de fundações privadas que pagam os líderes e muitos dos “manifestantes” nos protestos de Hong Kong.

Tumulto em Hong Kong é chamado de Umbrella Revolution
Milhares de ONGs, cada uma delas com equipes imensas, mantêm base em Hong Kong. Têm o objetivo declarado de construir a democracia. Mas seu real objetivo é minar o papel central do Partido Comunista Chinês na organização da sociedade chinesa. Hong Kong, diferente do resto da China, permite, há décadas, a presença praticamente sem restrições, dessas ONGs e associações políticas mantidas pelos EUA.

O status especial de Hong Kong

Hong Kong não é importante por causa do tamanho. Sua população de 7,5 milhões de pessoas equivale a 0,5% da população da China. Mas Hong Kong é centro importantíssimo do capital financeiro. Segundo o Fórum Econômico Mundial de 2011, Hong Kong já superou Londres, Nova Yorque e Singapura em termos de acesso financeiro, ambiente para negócios, serviços financeiros e de banking em geral, ambiente institucional, serviços financeiros non-banking e mercados financeiros.

Hong Kong atua como portão financeiro de acesso à China. E tem status administrativo especial, protegido, banking-friendly. É conhecida por seus serviços financeiros protegidos por seguros e seus muitos milhares de empresas de advocacia, de contadores, de assessoria e de outros serviços profissionais solidamente estabelecidas. Capitalistas que mantêm base em Hong Kong são hoje os maiores investidores estrangeiros que investem na China.

Hong Kong tem também os maiores extremos de riqueza e miséria que o mundo conhece. A cidade é conhecida pelos arranha-céus coloridos e faiscantes, pelos centros de compras de luxo, e lá vivem alguns dos mais ricos do planeta. Mas metade da população vive em habitações coletivas públicas, superlotadas e em ruínas. 1/5 da população vive abaixo da linha da pobreza.

Gaiolas moradia para pobre em Hong Kong
Mais de 170 mil “trabalhadores pobres” vivem em apartamentos subdivididos, em leitos semelhantes a gaiolas. Esses leitos chamados “caixotes de cachorro”, medem 1,80m por 0,90m de largura e altura, e há 30 desses por dormitório. Não há salário mínimo em Hong Kong.

Occupy?

Embora aproveitem o nome, as táticas de rua e o “charme” do movimento Occupy Wall Street, o movimento “Occupy Central” nunca fez qualquer crítica ou exigência aos bancos em Hong Kong.

Bem diferentemente, Occupy Wall Street sempre foi movimento focado na indignação de dezenas de milhares de jovens contra o serviço criminoso que fazem os bancos da Wall Street, sobretudo depois que arrancaram um trilhão de dólares do governo dos EUA para um “resgate” que salvou os grandes bancos e banqueiros, mas deixou no desespero milhões de trabalhadores despejados de suas casas, além dos vários milhões de desempregados.

Ocupação do centro da praça principal de Hong Kong
Em Hong Kong o papel dos bancos é protegido por lei pelos próximos 50 anos. Como seria possível não ver isso?! Compreender o status especial dessa ex-colônia britânica dentro da China é elemento chave para compreender o que é e o que representa o movimento Occupy Central.

Status colonial

Hong Kong, que foi colônia britânica de 1842 até 1997, jamais conheceu eleições ou qualquer forma de democracia. Por 155 anos, seus governadores foram nomeados pelos britânicos.

Hong Kong tornou-se colônia, a partir de uma série de tratados desiguais impostos pelo imperialismo britânico. Em vez de pagar em prata, a Grã-Bretanha impôs a venda de ópio à China, em troca de chá, especiarias, seda e porcelana, itens de alto valor comercial no Ocidente. A crescente venda de ópio foi combatida pela Dinastia Qing, que, em 1838, confiscou mais de uma tonelada de ópio.

Os britânicos despacharam para lá vapores blindados e, em nome do “livre comércio”, abriram fogo contra cidades chinesas nos rios Pérola e Yangtze, onde a maioria das construções era feita de madeira e bambu. Cidades e armazéns foram incendiados. Os britânicos tomaram a ilha de Hong Kong com seus muitos portos naturais na boca do vitalmente importante Rio Pérola como base naval e militar para futuras guerras na China.

Tratado de Nanquim de 1842
O Tratado de Nanquim de 1842 exigia que a China pagasse pesadas indenizações e desse à Grã-Bretanha e a outras nações posição privilegiada de extraterritorialidade na China, além de ceder portos e entregar a Ilha de Hong Kong. A segregação racista contra chineses era prática rotineira em Hong Kong e em todas as demais “concessões estrangeiras”.

Na Segunda Guerra do Ópio, 15 anos mais tarde, comerciantes britânicos, franceses, norte-americanos, japoneses e do Império Russo impuseram ainda mais exigências, mobilizando vapores armados e milhares de soldados. A China foi forçada a entregar ainda mais territórios e a abrir ainda mais cidades. As exigências não pararam. E, em 1898 foi assinado o arrendamento, por 99 anos, das ilhas em torno de Hong Kong, chamadas “novos territórios”. A China mergulhou num período de fome devastadora, guerras civis e disputas entre senhores-da-guerra, com subdesenvolvimento e miséria terrível para a grande maioria dos chineses.

A Revolução de 1949

A Revolução Chinesa que culminou em 1949, sob a liderança revolucionária de Mao Tse-Tung e do Partido Comunista Chinês, pôs fim aos tratados desiguais e ao tratamento racista ao povo chinês dentro do próprio país, e iniciou a reorganização da economia chinesa sobre uma base socialista.

O exército de Mao Tse Tung desfila vitorioso em 1/10/1949
Mas Hong Kong permaneceu em mãos britânicas imperialistas; Macau permaneceu em velhas mãos colonialistas portuguesas; e na ilha de Taiwan o reacionário, derrotado regime do Kuomintang, do ditador Chiang Kai-Shek sobreviveu como protetorado dos EUA. Os países imperialistas no Ocidente e o Japão negaram desenvolvimento tecnológico e industrial à empobrecida e subdesenvolvida China Popular.

Nos anos 1980s, a China socialista começou a abrir-se para investimentos capitalistas ocidentais em ritmo sempre crescente. O mercado capitalista na China e a influência das relações capitalistas de propriedade erodiram gravemente a noção da posse socialista. Mas a centralidade do Partido Comunista na política e na economia não foi quebrada.

Assim como os imperialistas há 100 e 200 anos sabotaram qualquer tentativa de impor controles à dominação econômica deles, Wall Street, hoje, continua a obrar por todos os meios para reconquistar acesso irrestrito aos mercados chineses.

HKSAR: Hong Kong Special Administrative Region of China (Região Administrativa Especial da China em Hong Kong)

Em 1997, deveria expirar o acordo de 99 anos que fazia de Hong Kong colônia britânica. Em1984, a China assinou um acordo com a Grã Bretanha sobre o status futuro de Hong Kong. Esse acordo recebeu o nome de Lei Básica de Hong Kong [orig. Hong Kong Basic Law].

Deng Xiaoping
Para evitar instabilidade e o fim do fluxo de investimento estrangeiro através de Hong Kong, o governo chinês, ao mesmo tempo em que insistia no retorno de Hong Kong à soberania chinesa, concordou em dar garantias de 50 anos às relações capitalistas ali vigentes, nos termos de um acordo chamado “Um País, Dois Sistemas”, ideia originalmente proposta pelo Secretário-Geral do Partido Comunista, Deng Xiaoping.

Hong Kong passou a ser “Região Administrativa Especial da República Popular da China em Hong Kong” (ing. HKSAR). Pelo acordo com o imperialismo britânico, a HKSAR manteria o status de centro financeiro, com livre fluxo de capital. O dólar de Hong Kong continuou a ser livremente convertível.

O status dos direitos de propriedade, contratos, propriedade de empresas, direitos de herança e investimento estrangeiro, tudo isso recebeu garantias. O acordo estipulava que o próprio sistema capitalista de Hong Kong e o way of life local permaneceriam inalterados até 2047. Uma rede de escolas privadas, universidades e a grande imprensa-empresa comercial não mudaram de mãos. A Lei Básica de Hong Kong também declarava que o sistema socialista e políticas socialistas não seriam vigentes em HKSAR.

Aos banqueiros, financistas e proprietários de indústrias de Hong Kong foi assegurada autonomia, exceto em assuntos de política externa e de defesa, campos nos quais a República Popular da China seria única autoridade. Esse controle mínimo é que o movimento Occupy Central está desafiando agora, ao exigir a renúncia do Chefe Executivo, Cy Leung.

Um judiciário antiquado, baseado na Common Law britânica protege as leis que defendem as mais violentas relações de propriedade privada. Tribunais de pequenas causas, cortes especiais para proprietários de terra, tribunais do trabalho, tribunais para adolescentes, tribunais presididos por coroners e tribunais de apelação, todos trabalham com leis capitalistas muito antigas e desconhecem a legislação sob a qual vivem os restantes 99,5% da população da China.

As RIDÍCULAS perucas de juiz inglês
Os juízes de Hong Kong ainda usam trajes ao estilo britânico, com perucas feitas de crina de cavalo, luvas brancas, togas e capas vermelhas, reservadas para cerimônias oficiais.

As garantias de lei que protegem o capitalismo mais irrestrito em Hong Kong por 50 anos significam que se veem ali, lado a lado os mais espantosos extremos de riqueza e de miséria.

ONGs mantidas pelos EUA

Temerosos das mudanças democráticas que viriam com o avanço da classe trabalhadora, depois de assinado o acordo com os britânicos em 1984, a classe governante imediatamente começou a violar aquele acordo, implantando novos partidos políticos e organizações para operarem depois que o território voltasse a pertencer à China. Depois de 145 anos de governos nomeados, de repente, pomposamente, puseram-se a exigir mudanças democráticas.

A polícia de Hong Kong utilizou gás lacrimogêneo para conter invasões de prédios públicos
Três anos antes de entregarem a soberania em 1997, os britânicos modificaram a constituição e criaram conselhos distritais, urbanos e regionais, e um conselho legislativo. Essas reformas de cima para baixo encontraram forte oposição do governo chinês, como violação do tratado vigente e tática para subverter seu sistema político.

Mas muito pior que todas as mudanças oficiais foi a vasta expansão do “poder soft”  dos EUA em Hong Kong.

Há hoje mais de 30 mil ONGs registradas em Hong Kong. Cobrem praticamente todos os aspectos da vida (Social Indicators of Hong Kong).

Os EUA financiam ONGs para subversão política através da Agência para Desenvolvimento Internacional do Departamento de Estado, que transfere dinheiro para órgãos oficiais como National Endowment for Democracy (NED), National Democratic Institute (NDI),  National Republican Institute, Ford Foundation, Carter Center, Asia Foundation, Freedom HouseOpen Society de George Soros e Human Rights Watch, dentre muitas outras.

Todos esses grupos e muitos outros financiam projetos que se apresentam como de promoção e defesa de direitos humanos, democracia, imprensa livre e reforma eleitoral. Esse mecanismo que mantém e financia redes sociais opera para as mesmas finalidades também na América Latina e no Caribe, por todo o Oriente Médio e África, no Leste da Europa e nas ex-repúblicas soviéticas.

O imperialismo norte-americano jamais implantou democracia em nenhuma de suas centenas de guerras, intervenções, ataques com drones, golpes de estado ou vigilância global. Mas a fachada de “promovendo a democracia” tornou-se cobertura para todos os tipos de ataques contra a soberania de outros países em todo o mundo.

Claro que grupos religiosos e outros estados, especialmente da União Europeia, também mantêm associações políticas e redes sociais em Hong Kong e por todo o mundo. Alguns desses grupos talvez até operem de modo genuinamente independente e ofereçam ajuda legítima a trabalhadores imigrantes, desempregados, ou cuidem de suprir carências de moradia ou atendimento à saúde dos mais pobres, absolutamente não representados em Hong Kong. Mas a maior parte das ONGs é uma rede de organizações da chamada “sociedade civil” controladas por e a serviço do poder das corporações norte-americanas.

ONGs mantidas pelos EUA para desestabilizar países, inclusive o Brasil...
(clique na imagem para aumentar)
Número crescente de artigos na imprensa chinesa já estão ligando os pontos e já conhecem a ligação estreita entre os líderes de Occupy Central e ONGs mantidas pelos EUA.

Segundo China.org.cn,

(...) cada um e todos os líderes de “Occupy Central” são diretamente ligados ao Departamento de Estado dos EUA, a NED e NDI, ou estão envolvidos em um dos muitos esquemas do NDI (6/10/2014).

O autoproclamado líder de Occupy Central, Benny Tai, é professor de Direito que recentemente recebeu bolsas de estudos de NDI NED e foi membro da direção de um Centro para Lei Pública e Comparada, financiado pelo NDI. Participou de inúmeros eventos e conferências patrocinados pelo NDI. Vale também para outra figura de destaque em Occupy Central, Audrey Eu.

Benny Tai
Também segundo China.org.cn,

(...) Martin Lee, presidente fundador do Partido Democrata de Hong Kong é outra figura de destaque que se aliou ao movimento Occupy Central. Esse ano, Lee esteve em Washington em reunião com o vice-presidente Joseph Biden e a Republicana Nancy Pelosi, e até participou de uma conferência realizada pela NED planejada especificamente para promovê-lo pessoalmente e promover sua agenda de “democracia” em Hong Kong. Lee chegou até a receber um prêmio “Democracia”, da NED do Departamento de Estado dos EUA, em 1997. Também esteve em Washington, acompanhando Lee, Anson Chan, outra destacada figura política, que apoia os crescentes tumultos pelas ruas de Hong Kong.

No ocidente também começam a aparecer publicações que tomam conhecimento dessas informações, dentre os quais Counterpunch em: Hong Kong and the Democracy Question; e Global Research em U.S. Now Admits It Is Funding Occupy Central in Hong Kong.

Mesmo em Hong Kong, uma pesquisa descobriu que a maioria dos que ganham US$ 10 mil por ano ou menos, são contra os tumultos; mas que quem está fazendo US$ 100 mil ou mais por anos apoia a continuação dos tumultos.

Wall Street não está satisfeita com as profundas entradas que o capitalismo já abriu para a China, e cada dia mais teme a competição dos chineses nos mercados globais. A pressão dos EUA por “liberalização” política na China visa, exclusivamente, a promover abertura econômica cada vez maior e privatização crescente de indústrias estatais.

Empresas com "interesses" na economia da China.
(Note que estas empresas estão mencionadas no quadro de mantenedoras de ONGs)
O imperialismo de EUA e Grã-Bretanha espera usar Hong Kong como fez há 150 anos, como base de apoio para conseguir agir politicamente com mais profundidade dentro da China. De diferente que, hoje, não terão pela frente uma dinastia feudal atrasada.

Com a dominação dos EUA na produção e nas finanças já em decadência, o “pivô” do governo de Obama significa que a classe governante nos EUA e seu aparelho militar tomaram a decisão de se tornarem mais confrontacionais na relação com Rússia e China.

Movimentos que se opõem às guerras dos EUA e organizações que defendem interesses dos trabalhadores nos EUA podem ter papel importante, se se recusarem a alinhar-se com os esquemas e ardis dos EUA orientados para sabotar as normas pró-socialistas que há na China e para minar a soberania chinesa.

[*] Sara Flounders é um escritora norte-americana e tem sido ativa na organização "progressista" e anti-guerra desde os anos 1960. É membro da Secretaria do Workers World Party, e a principal liderança do IAC −  International Action Center. É co-autora e/ou editora 10 livros publicados sobre o IAC sobre a guerras e sanções praticadas contra o Iraque e Iugoslávia, contra o uso pelos EUA de armas de urânio empobrecido naqueles países incluindo seu uso no Haiti e na Colômbia, e em oposição recrutadores militares. Escreve freqüentemente para o jornal Workers World.
Flounders organizou delegações que visitaram o Iraque durante os anos em que as sanções internacionais estavam em vigor, logo depois da Guerra do Golfo de 1991. Participou de manifestações contra a presença norte-americana nas Filipinas e Coréia. Viajou ao Sudão após a Operação Infinite Reach, e para a Iugoslávia durante o bombardeio contra a Sérvia. Visitou a Síria e o Irã e organizou delegações para visitas ao Líbano. Viajou várias vezes para Gaza.
Flounders faz parte do Conselho de Administração para o Anti-imperialist Coordinating Committee; é fundadora e organizadora com a United National Antiwar Coalition; Secretária do National Board of National Coalition to Protect Civil Freedoms (Conselho Nacional de Coalizão Nacional para a Proteção das Liberdades Civis). Trabalha em esforços de defesa jurídica para Dr. Aafia Siddiqui, Lynne Stewart, Mumia Abu-Jamal, e outros presos políticos.

domingo, 15 de maio de 2011

A Síria e o imperialismo dos EUA


por Sara Flounders
Cartoon de Vicman.




Quando o imperialismo dos EUA se empenha num ataque a qualquer governo ou movimento, os movimentos políticos dos trabalhadores e dos progressistas para uma transformação precisam forçosamente de reunir o maior número de informações disponíveis e assumir uma posição.


É uma cobardia manter-se neutro e é uma traição alinhar com o polvo imperialista, que procura dominar o mundo.


Isto é o ABC dos movimentos dos trabalhadores ao longo dos 150 anos de lutas com consciência de classe. É a própria base do marxismo. Reflecte-se nas canções sindicais que lançam o desafio "De que lado é que estás?" e por intermédio dos dirigentes sindicais que explicam vezes sem conta: "Uma ofensa feita a um é uma ofensa feita a todos".


O mundo árabe está a ser abalado por uma explosão social. O imperialismo americano e todos os antigos regimes da região a ele ligados estão a tentar desesperadamente gerir e conter esta revolta de massas, que ainda está em evolução, canalizando-a de modo a não ameaçar o domínio imperialista na região.


Os EUA e os seus colaboradores também estão a tentar dividir e corroer as duas alas de resistência – as forças islâmicas e as forças nacionalistas seculares – que, em conjunto, derrubaram as ditaduras apoiadas pelos EUA no Egipto e na Tunísia. Há neste momento um esforço concertado dos EUA para virar essas mesmas forças políticas contra dois regimes na região que se têm oposto ao domínio dos EUA no passado – a Líbia e a Siria.


Tanto a Líbia como a Síria têm os seus problemas de desenvolvimento, que são exacerbados pela crise geral do capitalismo global e por décadas de compromissos que lhes foram impostos quando tentavam sobreviver num ambiente hostil de ataques permanentes – políticos, por vezes militares, e que incluíam sanções económicas.


Os bombardeamentos dos EUA/NATO sobre a Líbia clarificaram a posição do imperialismo em relação a este país. Os exploradores transnacionais estão apostados em apoderar-se totalmente das mais ricas reservas de petróleo da África e eliminar os milhares de milhões de dólares com que a Líbia estava a contribuir para o desenvolvimento de países africanos muito mais pobres.


A Síria também é um alvo do imperialismo – por causa da sua heróica defesa da resistência palestina durante décadas e da sua recusa em reconhecer a ocupação sionista. Não podemos esquecer o apoio da Síria ao Hezbollah na sua luta para acabar com a ocupação israelense do Líbano e a sua aliança estratégica com o Irão.


Embora seja difícil compreender uma grande parte da situação interna da Síria, é importante assinalar que, nesta luta em curso, apareceram nítidas declarações de apoio ao governo sírio e contra as tentativas dos EUA de desestabilização vindos de Hugo Chávez da Venezuela, do secretário geral do Hezbollah Seyyed Hassan Nasrallah do Líbano e de diversos dirigentes exilados do Hamas, a organização palestina que foi eleita pela população de Gaza. Estes líderes políticos têm sofrido campanhas de desestabilização dos EUA que utilizaram maquinações dos media empresariais, de grupos da oposição financiados a partir do exterior, de assassínios programados, de operações especiais de sabotagem e de operacionais da Internet bem treinados.


Do lado da supostamente "oposição democrática" estão reaccionários como o senador Joseph Lieberman, presidente da poderosa Comissão de Segurança Nacional do Senado, que apelou ao bombardeamento da Síria a seguir ao da Líbia. Os veementes apoiantes da oposição na Síria incluem James Woolsey, antigo director da CIA e conselheiro da campanha presidencial do senador John McCain.


A Wikileaks denuncia o papel dos EUA


Um artigo intitulado "Os EUA apoiaram secretamente grupos da oposição síria", de Craig Whitlock (Washington Post, 18 de Abril) descreveu com grande pormenor as informações contidas em telegramas diplomáticos americanos que a Wikileaks enviou a agências noticiosas de todo o mundo e publicou no seu sítio web. O artigo resume o que esses telegramas do Departamento de Estado revelam sobre o financiamento secreto de grupos políticos da oposição, incluindo a difusão de programação anti-governamental no país através de televisão por satélite.


O artigo descreve esses esforços, financiados pelos EUA, como fazendo parte de uma "campanha já antiga para derrubar Bashar al-Assad, o líder autocrático do país" que assumiu o poder durante o mandato do presidente George W. Bush e continuou com o presidente Barack Obama, apesar de Obama ter afirmado estar a reconstruir as relações com a Síria e ter enviado um embaixador para Damasco pela primeira vez em seis anos.


Segundo um telegrama de Abril de 2009 assinado pelo principal diplomata americano em Damasco na altura, as entidades sírias "consideravam obviamente quaisquer fundos americanos destinados a grupos políticos ilegais como equivalentes a um apoio à alteração do regime". O artigo do Washington Post descreve com algum pormenor as ligações entre a TV Barada da oposição, financiada pelos EUA, e o papel de Malik al-Abdeh, que está na sua direcção e distribui vídeos e protestos actualizados. Al-Abdeh também está na direcção do Movimento para a Justiça e Democracia, que é presidido pelo seu irmão, Anas Al-Abdeh. Os telegramas secretos "relatam receios persistentes entre os diplomatas americanos de que os agentes de segurança sírios tenham descoberto o rasto do dinheiro a partir de Washington".


Papel da Al Jazeera


Talvez que o desafio mais revelador e a denúncia da campanha de desestabilização na Síria tenha surgido com a demissão de Ghassan Ben Jeddo, o jornalista mais conhecido do noticiário da televisão Al Jazeera e chefe do seu escritório de Beirute. Bem Jeddo demitiu-se como forma de protesto pela cobertura preconceituosa da Al Jazeera, referindo-se sobretudo a uma "campanha de difamação contra o governo sírio" que transformou a Al Jazeera numa "agência de propaganda".


A Al Jazeera fez uma cobertura favorável do imparável levantamento popular de milhões no Egipto e na Tunísia. Mas este canal de notícias por satélite também noticiou extensivamente todas as reivindicações e acusações políticas, independentemente de serem ou não consubstanciadas, feitas pela oposição política tanto na Síria como na Líbia. Tornou-se na voz mais forte na região, seguida por milhões de visitantes, a clamar pela intervenção "humanitária" dos EUA, zonas de interdição aérea e bombardeamento da Líbia. Portanto é importante compreender a posição da Al Jazeera como uma corporação de notícias, principalmente quando ela afirma ser a voz dos oprimidos.


A Al Jazeera, que tem a sede em Qatar, nunca noticia que 94 por cento da força de trabalho no Qatar é formada por imigrantes que não têm quaisquer direitos e existem em condições de quase escravatura. A repressão brutal do movimento de massas na monarquia absoluta do Bahrein, que fica mesmo ao lado de Qatar e está hoje ocupada por tropas sauditas, também pouca cobertura recebe da Al Jazeera.


Será que esta censura existe porque as Notícias TV Al Jazeera são financiadas pelo monarca absoluto de Qatar, o emir Sheikh Hamad bin Khalifa Al Thani?


È muito importante assinalar que a Al Jazeera nunca se refere à imensa base militar americana Central Command ali mesmo em Qatar. Os aviões de controlo remoto levantam regularmente daquela base em missões secretas por toda a região. Qatar também tem enviado aviões para participar no bombardeamento dos EUA/NATO na Líbia.


Qatar trabalha em ligação estreita com o Departamento de Estado dos EUA apoiando a intervenção americana na área. Qatar foi um dos primeiros estados árabes, e o primeiro dos estados do Golfo, a estabelecer relações com Israel. Durante o bombardeamento de Gaza por Israel, em 2009, cancelou essas relações mas já propôs restabelecê-las.


O Facebook e a contra-revolução


A CIA e a National Endowment for Democracy tornaram-se especialistas na utilização duma barragem dos media sociais, tal como o Facebook, o Twitter e o Youtube para atulhar os governos visados com milhões de mensagens fabricadas, boatos falsos e imagens.


Alertas fabricados sobre lutas e divisões entre facções rivais nas forças armadas da Síria, com vista a provocar demissões, vieram a provar-se serem falsos. Por exemplo, o major general al-Rifai (Ret.) desmentiu, por não terem fundamento, notícias difundidas por televisão satélite de que estava a liderar uma divisão nas forças armadas. Acrescentou que já se tinha reformado há dez anos.


Izzat al-Rashek, da Comisão Política do Hamas, e Ali Baraka, representante do Hamas no Líbano, desmentiram publicamente afirmações de que a liderança desta organização de resistência palestina estava a mudar-se de Damasco para Qatar. Ali Baraka explicou que isso era uma invenção americana para pressionar Mahmoud Abbas da Fatah e impedir a reconciliação palestina, agudizando o conflito entre os movimentos de resistência e a Síria.


O governo sírio denunciou que franco-atiradores tinham disparado sobre manifestações, visando militares e policiais na tentativa de levar a polícia a abrir fogo sobre os manifestantes.


Boatos, publicações anónimas na Internet e notícias por televisão satélite destinadas a agudizar diferenças sectárias fazem parte da campanha de desestabilização.


Carácter duplo da Síria


Não é difícil perceber porque é que o imperialismo dos EUA e os seus peões na região, incluindo Israel e as monarquias corruptas dependentes da Jordânia, do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita, querem ver uma 'mudança de regime' na Síria.


A Síria é um dos poucos estados árabes que não tem relações com Israel. Várias organizações de resistência palestina têm escritórios no exílio na Síria, incluindo a Hamas. A Síria é um estreito aliado do Irão e do Líbano.


A Síria actualmente não é um país socialista nem país revolucionário. O capitalismo, com as suas inevitáveis desigualdades, não foi derrubado. Há uma classe capitalista na Síria, muita gente dentro dela beneficiou das 'reformas' que privatizaram antigas indústrias anteriormente na posse do estado.


No entanto, o estado sírio representa forças contraditórias. Tem sido um bastião na defesa das conquistas alcançadas nas lutas anti-colonialistas e nos levantamentos das massas árabes nos anos 60 e 70. Durante esse período foram feitas muitas conquistas sociais importantes, foram nacionalizadas as principais indústrias e recursos que tinham pertencido ao capital estrangeiro e foram feitos importantes avanços nos cuidados de saúde garantidos, nos padrões de vida e na educação.


A Síria, sob o Partido Baath Socialista Árabe, é um país rigorosamente laico. Manteve a liberdade de religião para toda a gente, embora sem permitir que um grupo religioso dominasse ou fosse promovido pelo estado.


Mas o regime na Síria também tem reprimido duramente as tentativas dos movimentos de massas, com base no Líbano e na Síria, que pretendiam continuar a lutar. Justificou a repressão dos movimentos passados apontando para a sua posição precária mesmo ao lado de Israel, o impacto das duas guerras israelenses em 1967 e 1973, e a consequente ocupação israelense e anexação da importante região dos Montes Golan na Síria durante 44 anos.


Anos de sanções dos EUA e anteriores tentativas de desestabilização também tiveram um efeito cumulativo. O aparelho de estado, sempre temeroso duma intervenção externa continuada, passou a ter medo da mudança.


É essencial reconhecer este carácter duplo e não desculpar nem ignorar todos os problemas que daí decorrem.


A Síria ainda tem o fardo acrescido de albergar mais de 500 mil refugiados palestinos e seus descendentes nos últimos 63 anos. As condições destes são melhores do que em qualquer dos países vizinhos porque, ao contrário do Líbano e da Jordânia, os cuidados de saúde, o ensino e a habitação são acessíveis aos palestinos na Síria.


O impacto da guerra do Iraque


A maciça invasão americana e a destruição do Iraque vizinho, o debate Bush-Blair sobre um ataque semelhante à Síria em 2003, e as novas e duras sanções sobre a Síria aumentaram a pressão intensa.


Mas o factor mais perturbador nunca é discutido nos media: mais de um milhão e meio de iraquianos invadiram a Síria para fugir aos últimos oito anos de ocupação dos EUA.


Esta foi uma invasão brutal para um país com uma população de 18 milhões em 2006. Segundo um relatório de 2007 do gabinete do Alto Comissário para Refugiados dos EUA, a chegada diária de 2 000 iraquianos desesperados teve um impacto enorme sob todos os aspectos da vida da Síria, em especial nos serviços prestados pelo estado a todos os seus cidadãos e a todos os refugiados. A Síria tem o nível mais alto de direitos cívicos e sociais para refugiados em toda a região. Outros países vizinhos exigem uma conta bancária mínima e impedem a entrada de refugiados pobres.


A chegada inesperada destes refugiados iraquianos teve um impacto dramático nas infra-estruturas, nas escolas primárias e secundárias garantidas, nos cuidados de saúde grátis, na disponibilidade de habitações e noutras áreas da economia. Levou a um aumento de custos a todos os níveis. Os preços dos géneros alimentícios e dos bens básicos aumentaram 30 por cento, os preços do imobiliário de 40 por cento e as rendas de casa em 150 por cento.


Os refugiados iraquianos também beneficiaram dos subsídios estatais sírios na gasolina, na alimentação, na água e noutros bens essenciais fornecidos a toda a gente. Uma massa tão grande de gente desempregada levou ao abaixamento dos salários e a uma concorrência acrescida nos empregos. O impacto das dificuldades económicas globais durante este período difícil agudizou os problemas. (Middle East Institute, 10/Dezembro/2010, relatório sobre Cooperação com Refugiados)


Os EUA criaram a crise de refugiados, que provocou a deslocação de mais de 25 por cento da população iraquiana, por causa da violência sectária. No entanto, são os que aceitam o menor número de refugiados e dão menos do que o custo de um dia de guerra no Iraque para os custos de assistência das Nações Unidas. As sanções americanas na Síria aumentaram as deslocações económicas.


Tudo isto reforçou a consciência do governo sírio e da população quanto aos perigos da ocupação americana e da desestabilização interna e quanto ao banho de sangue que pode resultar da violência sectária instigada pelos EUA.


Washington afirma estar preocupado com a instabilidade na Síria. Mas o imperialismo americano enquanto sistema é obrigado a criar a instabilidade. O domínio esmagador e o poder das corporações militares e petrolíferas na economia dos EUA e os enormes lucros dos contratos militares reforçam infindavelmente o pendor para procurar soluções militares.


Todas as declarações feitas pelo governo sírio têm reconhecido a importância de fazer reformas internas importantes embora mantendo a unidade nacional num país extremamente diversificado que tem diferenças históricas na religião, nas tribos e nas regiões e contém actualmente 2 milhões de refugiados.


As diversas nacionalidades, religiões e grupos culturais na Síria têm todo o direito de fazer parte deste processo. Mas o que eles precisam sobretudo é do fim da constante e cruel intervenção dos EUA.


EUA fora da Síria!

06/Maio/2011
O artigo original, em inglês, encontra-se em: Syria and the U.S. Imperialism
A tradução de Margarida Ferreira encontra-se em:Resistir