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domingo, 5 de julho de 2015

Grécia: Momento de grandes decisões


1/7/2015, [*] Stathis Kouvelakis, Revista Jacobin
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A despeito da DESINFORMAÇÃO da imprensa-empresa, e da CHANTAGEM da União Europeia, as forças anti-ARROCHO da Grécia continuam fortes com vistas ao referendum de 5/7/2015.

Atenas - Campanha anti-ARROCHO nas ruas

Meu “silêncio atípico” dos últimos dias, como alguém escreveu em página Facebook, deve-se ao fato de que, desde que cheguei a Atenas para a campanha do “Não”, no referendo de domingo, dormi pouquíssimo e trabalhei muito. Hoje, falei em dois comícios em locais de trabalho (na estação central de trens em Atenas e no prédio central do Metrô). Grande experiência. Minha agenda para amanhã inclui reuniões na zona industrial de Moschato e um comício em Petroupoli, nos subúrbios no oeste de Atenas.
Os trabalhadores sentem a pressão da situação criada pela histeria da imprensa-empresa comercial e o fechamento dos bancos. Criticam duramente as concessões que o governo fez durante as tais exaustivas “negociações”, mas, em geral, estão confiantes na vitória do “NÃO”. Esperam que seja um recomeço para o governo do Syriza e que consiga implementar parte mais substancial do seu programa.
Aconselharia todos os que estão acompanhando o que acontece na Grécia com a mistura típica de ansiedade e esperança que mantenham a cabeça o mais fria possível.
A imprensa-empresa comercial grega está em surto histérico, e a imprensa-empresa ocidental não faz diferente. Um dos seus temas preferidos, além da atmosfera apocalíptica que estão divulgando e promovendo, é que o referendo não acontecerá, que o governo na verdade aceitou o plano de Juncker e que o referendo será cancelado a qualquer momento. Todo o cuidado é pouco com esse tipo de ação de desinformação.
É verdade que algumas iniciativas do governo são, para dizer o mínimo, ambíguas e discutíveis. É especialmente verdade sobre a proposta de ontem, de mais um empréstimo requerido ao Mecanismo Europeu de Estabilidade, e sobre a carta do ministro Tsipras ao Eurogrupo, divulgada hoje. O objetivo nos dois casos é mostrar boa vontade e dar crédito à posição de que o que advirá na próxima semana, depois de uma potencial vitória do “NÃO”, será um novo ciclo de “negociações.” Mas todos sabem que:
(a) é muito pouco provável que aconteça assim; e
(b) em qualquer caso, não há hoje qualquer negociação adequada: Merkel deixou absolutamente claro que não se considera nenhum tipo de conversa antes do domingo.
Há, portanto, algo de encenação dos dois lados, e de movimentação tática do lado do Syriza, mas também é verdade que isso é reflexo das contradições dentro do governo e do Syriza. A ala “realista” do partido (liderada pelo Vice-Primeiro Ministro, Yannis Dragasakis) está tentando fazer avançar a ideia de que o referendum é apenas um parêntese conflitual, desagradável (mas rápido), e que as negociações poderão realmente recomeçar, a partir das muito graves concessões que o governo já fez antes do rompimento das negociações. A posição oficial, contudo, é que as negociações começarão de uma “base zero”, o que significa que todas as propostas gregas feitas antes têm agora de ser consideradas obsoletas.
O discurso de Tsipras foi bem recebido e considerado amplamente como desafiante, o que conseguiu reverter o impacto desmobilizador das mais recentes propostas. Mas, claro, o melhor aliado do campo do “NÃO” é a atitude arrogante, de provocação e cheia de húbris dos credores, que não deixam espaço para “concessões”, nem do pior tipo.
Alexis Tsipras/Syriza
Segundo pesquisas de opinião publicadas hoje, “NÃO” está com vantagem de 12-13 pontos, mas a diferença diminuiu consideravelmente desde 2ª-feira (29/6/2015), por causa do fechamento dos bancos, das retiradas limitadas de dinheiro nas caixas de atendimento automático, e dos problemas que os aposentados estão encontrando para receber seu dinheiro.
Tudo isso criou inevitavelmente uma atmosfera de incerteza e medo, que é exatamente o que os líderes do Eurogrupo tinham em mente, quando decidiram interromper o fluxo de fornecimento de qualquer liquidez. Também não é surpresa que só entre os aposentados e entre mulheres que só trabalham em casa o “SIM” esteja à frente ou mais próximo do “NÃO” da maioria. Em todos os demais grupos sociais, inclusive pequenos empresários, o “NÃO” está à frente.
Muita coisa dependerá da capacidade de cada campo para mobilizar e ganhar votos, mas particularmente do lado do “NÃO”. O comício do “SIM”, na 3ª-feira (30/6/2015), foi grande e bem organizado, mas só reuniu a classe média alta, e aquilo provavelmente foi o máximo que eles conseguem em matéria de mobilização. Levando-se em conta que foi altamente improvisado, o comício do “NÃO” na 2ª-feira (29/6/2015) foi início bem-sucedido. A campanha em campo começou hoje, e será quase completamente monopolizada pelo campo “NÃO”. O humor na sociedade grega é de crescente polarização – que acompanham as linhas de classe nos centros urbanos, menos claramente dividida nas áreas do interior do país e nas pequenas cidades.
Em termos qualitativos, os ramos do Syriza estão galvanizados, e há excelente relação com os camaradas de Antarsya. Outras forças, dos movimentos sociais e várias campanhas, também se estão integrando. Uma campanha de tipo “frente unida” começa a ganhar forma, o que é excelente notícia.
A parte menos bem-sucedida e estimulante é a atitude do Partido Comunista, que só se pode qualificar como “traição”. (Em geral não gosto desse termo, mas nesse caso parece justificado.) Vão apresentar cédula própria no referendum, com um “duplo não” (ao plano da troika e ao plano do governo, vistos como “dois lados da mesma moeda”) – cédula de papel que é, claro, inválida. Supõe-se que eles mesmos apurarão os seus votos e anunciarão o resultado como algum tipo de “sucesso” da posição deles.
Se o “NÃO” vencer – o que parece provável, mas não certo – e se obtiver ampla maioria, o que tampouco é garantido, é quase inevitável que o confronto com a União Europeia e a classe dominante doméstica escalará. A Grécia já se recusou a pagar ao FMI em junho/2015, e a situação oficial de inadimplência será declarada em 30 dias. As armas da moeda e da liquidez serão usadas ainda mais pesadamente, com o BCE e o Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira exigindo que seus empréstimos sejam imediatamente quitados. Chegará então, inevitavelmente, o momento das “grandes decisões” para o Syriza.
Uma vitória do campo do “NÃO” galvanizará as forças populares. Mas esse resultado de modo algum deve ser considerado fato consumado. Esse é o objeto da impressionante batalha que está agora em andamento.
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[*] Stathis Kouvelakis ensina Teoria Política no King’s College London e é membro do Comitê Central do SYRIZA. Obteve Mestrado e Doutorado em Filosofia pela Universidade de Paris 10 e Doutorado em Filosofia Política pela Universidade de Paris 8. Foi professor na Universidade de Paris 8 e bolsista de investigação na Universidade de Wolverhampton, antes de começar a lecionar no King’s College em setembro de 2003 onde está até hoje.
Seus principais interesses de pesquisa estão nos estudos sobre Marx, Filosofia alemã e Teoria crítica recente. Sua pesquisa tem-se centrado na formação do pensamento político de Marx, a trajetória dos Jovens Hegelianos e na crítica ao liberalismo político. Também pesquisa a Política Francesa Contemporânea e sobre a história dos protestos sociais na França. Kouvelakis está atualmente trabalhando em dois livros, o primeiro sobre a política atual, discutindo as noções de temporalidade e decisão no pensamento político contemporâneo, o segundo sobre o estado atual da Teoria Marxista. Seu projeto de longo prazo inclui um estudo da formação da Teoria de Marx no contexto (político, intelectual e cultural) das Revoluções Europeias de 1848 e suas consequências. É membro do conselho editorial das revistas francesas Contretemps e La Pensée, do Groupe d'Etudes Sartriennes e da série de livros sobre Materialismo Histórico em Brill Academic Publishers (Leiden, Holanda).

sábado, 4 de julho de 2015

Stathis Kouvelakis: “Europa declarou guerra à Grécia”



1/7/2015, [*] Stathis Kouvelakis entrevistado por Sarah Halifa-Legrand do Le Nouvel Observateur
Traduzida para inglês por David Broder e para português pela Vila Vudu



Não há dúvidas de que convocar o referendum foi ato político de extrema coragem. E coragem política é coisa de que já ninguém sabe o que seja, do modo como a política está desprestigiada em toda a Europa. Decisões políticas importantes são sempre e necessariamente arriscadas.
 Stathis Kouvelakis sobre Tsipras


Stathis Kouvelakis na Praça Sintagma, Atenas


Por que o Primeiro Ministro grego A. Tsipras convocou afinal um referendum?
Mesmo depois de Tsipras ter assinado o mais recente bloco de propostas gregas, as instituições europeias continuaram determinadas a submetê-lo a verdadeiro exercício de humilhação, querendo sempre mais, além do que ele poderia manobrar politicamente: já estava claro que o partido, a maioria parlamentar e porção cada dia maior da sociedade não estavam dispostos a aceitar mais concessões.
Como chegamos a esse ponto, depois de cinco meses de negociações?
Não houve negociações. O termo é inadequado para descrever o que houve. As instituições europeias mantiveram a mesma linha desde o primeiro dia, a saber: impor um plano de ARROCHO ao novo governo grego, forçá-lo a permanecer num quadro idêntico ao dos antecessores e assim mostrar que nenhuma eleição na Europa terá efeito algum sobre as políticas a serem implementadas, a fortiori mesmo que o partido eleito tenha posição de esquerda radical antiarrocho. O que se está chamando de negociações não passou de uma armadilha mortal – armadilha que se fechou sobre Tsipras. O erro dele foi não ter compreendido isso logo no primeiro momento. O ministro pensou que, se levasse as discussões adiante o mais longe possível, os europeus acabariam por ceder, em vez de correrem o risco de uma ruptura. Mas os europeus não cederam coisa alguma, e Tsipras concedeu muito ao longo desses últimos cinco meses: fez concessões enormes, a opinião pública habituou-se à ideia de algum acordo seria possível. E os cofres públicos estão vazios.
Tsipras não terá errado também ao pensar que poderia obter menos arrocho, ao mesmo tempo em que permanecia na Eurozona?
O meu grupo dentro do Syriza sempre entendeu, desde o primeiro dia, que tentar reconciliar a rejeição ao arrocho que os europeus vinham impor e permanecer no euro é uma contradição. E com o BCE decidindo cortar todas as linhas de financiamento dos bancos gregos em fevereiro, vimos que realmente nunca seria possível. A arma da moeda serviu para pressionar o governo grego, para forçá-lo a renunciar à sua política antiarrocho. O mais recente episódio dessa chantagem foi o Eurogrupo forçar Tsipras a fechar os bancos durante toda a semana, porque se recusaram a prorrogar o atual programa.
O objetivo é claramente político: fazer os gregos reféns dos banqueiros e criar uma situação de pânico, especialmente entre as classes médias e os ricos. Estão tentando forçar o governo a não manter o referendum, ou, não sendo isso possível, querem ditar as condições sob as quais o referendum acontece e ajudar o campo do “Sim”. A Europa declarou guerra à Grécia.
A sociedade grega parece muito dividida...
É, as duas tendências agora estão em confronto. O campo do “não” é constituído de toda uma parte da população que já está muito gravemente afetada pelo arrocho, e que percebe nas novas condições que a Troika quer impor uma tentativa para humilhar a Grécia. Mas o campo do “sim”, fortalecido pelo medo de os bancos fecharem, também está reunindo forças. Não há dúvidas de que convocar o referendum foi ato político de extrema coragem. E coragem política é coisa de que já ninguém sabe o que seja, do modo como a política está desprestigiada em toda a Europa. Decisões políticas importantes são sempre e necessariamente arriscadas.
Quais os cenários possíveis depois do referendum?
Uma vitória do “sim” seria grave derrota para Tsipras, e com certeza o forçará a convocar novas eleições. Por outro lado, uma vitória do “não” só reforçará sua determinação na disputa com as instituições europeias, e lhe dará mandato diferente do que recebeu nas eleições gerais de 25/1/2015. Agora se tratará de romper com as políticas de arrocho, sejam quais forem as consequências – inclusive se isso implicar deixar a Eurozona.
Quando Tsipras anunciou que seria realizado o referendum, foi o primeiro discurso em que a palavra “euro” não apareceu. Não é coisa que aconteça por acaso.
Tudo isso é o atestado de óbito da Europa?
O modo como a crise grega desenrolou-se marca o fim de uma certa ideia, ou, melhor dizendo, de uma certa ilusão de Europa. Todos podem ver o caráter antidemocrático da União Europeia, que só respeita a lei do mais forte e o neoliberalismo do mais forte, e desdenha todo e qualquer tipo de controle democrático. Todos puderam ver que, embora o Syriza só buscasse ruptura parcial, moderada, pragmática, contra as políticas de arrocho, sem desafiar os fundamentos do quadro europeu, mesmo assim o confronto foi ultraviolento. Simplesmente porque esse governo democraticamente eleito não aceitou capitular ante os diktats neoliberais.
Mesmo que a União Europeia consiga derrotar a resistência grega, em todos os casos, me parece, pagará preço muito pesado pela vitória, nos termos em que terá sido obtida.

A Grécia é só o ponto mais avançado da crise europeia: o projeto da União Europeia tem a cada dia menos apoio na opinião pública do continente.
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[*] Stathis Kouvelakis ensina Teoria Política no King’s College London e é membro do Comitê Central do SYRIZA. Obteve Mestrado e Doutorado em Filosofia pela Universidade de Paris 10 e Doutorado em Filosofia Política pela Universidade de Paris 8. Foi professor na Universidade de Paris 8 e bolsista de investigação na Universidade de Wolverhampton, antes de começar a lecionar no King’s College em setembro de 2003 onde está até hoje.
Seus principais interesses de pesquisa estão nos estudos sobre Marx, Filosofia alemã e Teoria crítica recente. Sua pesquisa tem-se centrado na formação do pensamento político de Marx, a trajetória dos Jovens Hegelianos e na crítica ao liberalismo político. Também pesquisa a Política Francesa Contemporânea e sobre a história dos protestos sociais na França. Kouvelakis está atualmente trabalhando em dois livros, o primeiro sobre a política atual, discutindo as noções de temporalidade e decisão no pensamento político contemporâneo, o segundo sobre o estado atual da Teoria Marxista. Seu projeto de longo prazo inclui um estudo da formação da Teoria de Marx no contexto (político, intelectual e cultural) das Revoluções Europeias de 1848 e suas consequências. É membro do conselho editorial das revistas francesas Contretemps e La Pensée, do Groupe d'Etudes Sartriennes e da série de livros sobre Materialismo Histórico em Brill Academic Publishers (Leiden, Holanda).

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Grécia: FIM DA CHANTAGEM


Em discurso, o Primeiro-Ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciou a realização de REFERENDUM para saber se a população grega aceita o “RESGATE” da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI)




27/6/2015, [*] Alexis Tsipras, “Discurso do Referendum”, Atenas, 1h da madrugada Jacobin Magazin
Tradução ao inglês e “links” por [*] Stathis Kouvelakis
Traduzido do inglês para português pelo pessoal da Vila Vudu


Alexis Tsipras

Aos cidadãos gregos
Já há seis meses estamos batalhando em condições sem precedentes de sufocamento econômico para implementar o mandato que recebemos dos cidadãos gregos dia 25 de janeiro.
O que estivemos negociando com nossos parceiros era pôr fim ao arrocho [não é “austeridade”, é ARROCHO] e fazer que a prosperidade e a justiça social voltassem ao nosso país.
Recebemos mandato para obter acordo sustentável que respeitasse simultaneamente a democracia e as regras comuns europeias e nos levasse, afinal, a sair da crise.
Ao longo desse período de negociações, nos pediram que implementássemos os acordos concluídos por governos anteriores com os Memorandos, apesar de eles já terem sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.
Mas nem por um segundo consideramos a possibilidade de nos render, que é trair a confiança dos gregos.
Depois de cinco meses de dura barganha, nossos parceiros, infelizmente, lançaram no Eurogrupo, anteontem, um ultimato contra a democracia grega e o povo grego. Ultimato que contraria os princípios fundadores e os valores da Europa, os valores de nosso projeto europeu comum.
Disseram ao governo grego que teríamos de aceitar uma proposta que acumula nova carga insustentável para o povo grego e mina a recuperação da economia e da sociedade gregas, proposta que não apenas perpetua o estado de incerteza, mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.
A proposta das instituições inclui: medidas para desregulação ainda maior do mercado de trabalho, cortes em aposentadorias, mais reduções nos salários do setor público e aumento do Imposto sobre Valor Agregado sobre comida, hospedagem e turismo, ao mesmo tempo em que se eliminam as vantagens tributárias que as ilhas gregas recebem.
Essas propostas violam diretamente os direitos sociais e fundamentais europeus: mostram que, no que tenha a ver com trabalho, igualdade e dignidade, a meta de alguns dos parceiros e instituições não qualquer acordo viável e benéfico para todas as partes, mas a humilhação de todo o povo grego.
Aquelas propostas destacam sobretudo a insistência do FMI em fórmulas do arrocho mais duro e punitivo e em tornar mais fácil do que jamais, para as grandes potências europeias colher a oportunidade e tomar iniciativas que afinal terminarão definitivamente com a crise da dívida soberana grega, crise que afeta outros países europeus e ameaça o próprio futuro da integração europeia.
Concidadãos gregos, nesse momento pesa sobre nossos ombros a responsabilidade histórica pelas lutas e sacrifícios do povo grego para consolidar a democracia e a soberania nacional. Nossa responsabilidade pelo futuro de nosso país.
E essa responsabilidade exige que respondamos àquele ultimato a partir do desejo soberano do povo grego.
Há pouco, em reunião do gabinete, sugeri que façamos um REFERENDUM de modo que o povo grego possa se manifestar de modo soberano. A sugestão foi aceita unanimemente.
Amanhã, a Câmara de Representantes será convocada em regime de urgência para apreciar a proposta do Gabinete, de que se realize um referendum no próximo domingo, 5 de julho, sobre se aceitamos ou rejeitamos a proposta que as instituições nos apresentaram.
Já dei conhecimento de minha decisão ao Presidente da França, à chanceler alemã, ao Presidente do Banco Central Europeu, e amanhã, por carta, solicitarei formalmente que os líderes e instituições da UE prorroguem por apenas uns poucos dias o atual programa, de modo a que o povo grego decida, livre de qualquer pressão ou chantagem, como exigem a Constituição grega e as tradições democráticas da Europa.
Concidadãos gregos,
À chantagem do ultimato que quer nos fazer aceitar arrocho [não é “austeridade”; é ARROCHO] severo e degradante sem fim, sem qualquer possibilidade de recuperação social e econômica, peço que todos respondam de modo soberano e honroso, como o exige a história do povo grego.
Ao autoritarismo e ao arrocho, responderemos com democracia, decididamente e com calma.
A Grécia, berço da democracia, dará retumbante resposta democrática à Europa e ao mundo.
Pessoalmente me comprometo a respeitar o resultado de nossa escolha democrática, seja qual for. Tenho confiança absoluta de que a escolha da maioria honrará a história de nosso país e enviará ao mundo nossa mensagem de dignidade.
Nesses momentos críticos, todos temos de lembrar que a Europa é o lar comum dos povos. Que na Europa não há proprietários e hóspedes. A Grécia é continuará a ser parte integral da Europa e a Europa é parte integral da Grécia. Mas sem democracia, a Europa será amontoado de países sem identidade e sem bússola.
Convoco todos a manifestarem, em calma, nossa unidade nacional, para que tomemos as decisões certas. Por nós, pelas gerações futuras, pela história dos gregos. Pela soberania e dignidade de nosso povo.
[Fim do discurso]
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[*] Stathis Kouvelakis ensina Teoria Política no King’s College London e é membro do Comitê Central da Syriza. Obteve Mestrado e Doutorado em Filosofia pela Universidade de Paris 10 e Doutorado em Filosofia Política pela Universidade de Paris 8. Foi professor na Universidade de Paris 8 e bolsista de investigação na Universidade de Wolverhampton, antes de começar a lecionar no King’s College em setembro de 2003 onde está até hoje.
Seus principais interesses de pesquisa estão nos estudos sobre Marx, Filosofia alemã e Teoria crítica recente. Sua pesquisa tem-se centrado na formação do pensamento político de Marx, a trajetória dos Jovens Hegelianos e na crítica ao liberalismo político. Também pesquisa a Política Francesa Contemporânea e sobre a história dos protestos sociais na França. Kouvelakis está atualmente trabalhando em dois livros, o primeiro sobre a política atual, discutindo as noções de temporalidade e decisão no pensamento político contemporâneo, o segundo sobre o estado atual da Teoria Marxista. Seu projeto de longo prazo inclui um estudo da formação da Teoria de Marx no contexto (político, intelectual e cultural) das Revoluções Europeias de 1848 e suas consequências. É membro do conselho editorial das revistas francesas Contretemps e La Pensée, do Groupe d'Etudes Sartriennes e da série de livros sobre Materialismo Histórico em Brill Academic Publishers (Leiden, Holanda).
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[*] Aléxis Tsípras (em grego Αλέξης Τσίπρας) (Atenas, 28/7/1974), é um político grego, Primeiro-Ministro de seu país desde 26/1/2015. É presidente do partido de esquerda Synaspismos (SYN) e o líder da Coligação da Esquerda Radical (SYRIZA).
Tsípras possui um diploma em engenharia civil e pós-graduação em agrimensura e planeamento. Trabalhou como engenheiro civil no setor de construções e é autor de vários estudos e projetos sobre temas da cidade de Atenas
Com a vitória do SYRIZA, que  ganhou as eleições legislativas da Grécia, Tsípras, foi nomeado Primeiro-Ministro, formando um governo de coligação com os partidos SYRIZA e Gregos Independentes.