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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Tailândia: intromissão descabida dos EUA na Ásia

4/2/2015, [*] Tony Cartalucci, New Eastern Outlook, NEO
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido no ensaio do GRES da Vila Vudu: A situação na Tailândia (que é monarquia constitucional, com Parlamento eleito) é bem semelhante à do Brasil em alguns aspectos cruciais: um governo “amigo de Washington” [o governo dos irmãos Shinawatra, lá; e o governo da gangue neoliberal do PSDB-DEM de FHC-Serra-Aécim, aqui] foi tirado do poder [lá, por movimento popular apoiado pelo exército; aqui, em eleições que elegeram presidentes populares progressistas].

Tanto na Tailândia como no Brasil, a vontade popular pôs no poder governos que NÃO SÃO os “amiguinhos” com que Washington sonha.

Por isso, esses governos, lá como cá, enfrentam todos os tipos de golpismos & falcatruas coordenados pela CIA-EUA, sempre interessados em conseguir “mudança de regime” que ponha no governo grupos favoráveis a Washington e Wall Street governarem o Brasil, a Tailândia, a Síria, a Ucrânia, a Venezuela, a Rússia, a Grécia, a Argentina, o Equador, a Bolívia, etc. etc. etc. e a imprensa-empresa noticia os golpismos como se fossem alguma “normalidade” democrática.

A verdade é que é praticamente IMPOSSÍVEL que uma pessoa bem informada sobre a Tailândia e os golpes da CIA por lá consiga engolir a “narrativa” fantasiosa de UOL News, por exemplo, que acompanha o catecismo de Washington, segundo o qual Shinawatra e sua irmã seriam “governo democrático eleito”. Segundo esse “jornalismo”, “manifestantes pró-democracia” seriam só a dúzia e meia de “cidadãos” que apoiam a gangue dos Shinawatra.

É como “noticiar” que “manifestantes pró-democracia”, no Brasil, seriam exclusivamente a meia dúzia de “democratas” do Instituto Milênio, da Opus Dei e do Instituto Fernando Henrique Cardoso, todos eles dedicados a derrubar governos eleitos, golpistas cujos “movimentos” são sempre “noticiados” com destaque no “noticiário” [só rindo] de veículos das empresas de imprensa paulistas.


Yingluck (E) e seu irmão Thaksin Shinawatra
Comentários distribuídos na esteira da derrubada do regime serviçal que os EUA mantinham na Tailândia alienam ainda mais a superpotência em declínio.

Primeiro em Hong Kong, agora na Tailândia, estão em absoluto curto circuito os planos dos EUA para instalar regimes fantoches e assim tentar manter ou ampliar a hegemonia norte-americana na região do Pacífico asiático.

A mais recente grande confusão começou depois que o Secretário-Assistente de Estado dos EUA para Assuntos do Leste da Ásia e Pacífico, Daniel Russel, fez comentários em que condenou a recente deposição, e depois o impeachment, da ex-Primeira-Ministra tailandesa Yingluck Shinawatra, acusada de envolvimento em longa lista de atos de corrupção e de abuso de poder.

Conforme transcrição oficial, pelo Departamento de Estado dos EUA, do discurso que fez na Tailândia, Daniel Russel disse que:

Daniel Russel
(...) processo estreito, restrito, limitado – cria a risco de que muitos cidadãos tailandeses sejam esquecidos, que se sintam excluídos do processo político.

Por isso nós continuamos a defender um processo político inclusivo e mais amplo, no qual todos os escalões da sociedade sintam-se representados, sintam que suas vozes são ouvidas. Acrescento que a percepção de justiça também é extremamente importante. Na verdade, quando um líder eleito é removido do poder, é deposto, depois tem seu impeachment declarado pelas autoridades – e pelas mesmas autoridades que comandaram o golpe que o depôs –, e quando um líder político é alvo de acusações criminais, em contexto em que os processos e instituições básicas do país estão interrompidos, a comunidade internacional não tem outra impressão se não a de que todos esses “movimentos” podem ter sido politicamente manipulados.

O comentário de Russel sobre “cidadãos tailandeses que se sentiram excluídos” sempre foi o primeiro parágrafo de todos os discursos do próprio Shinawatra, quando precisou justificar os atos de terrorismo de seu governo e o golpe armado que deixou centenas de mortos. E é linha sempre presente em todas as falas em que os EUA precisam “explicar” a violência que organizam e financiam em outros países, sempre para “mudança de regime”.

A ideia de Russel, de que as acusações criminais contra Shinawatra teriam sido “politicamente manipuladas” é perfeito desvario, sandice.

Barack Obama e Yingluck Shinawatra em 18/11/2012
No caso dos EUA, defender a primeira-ministra evidentemente posta lá como “procuradora” de seu irmão, criminoso condenado que vive fora do país para não ser preso, e que comandou um regime que destruiu a economia tailandesa, ao mesmo tempo em que mandava assassinar seus adversários políticos pelas ruas, é muito visível quebra do protocolo diplomático e expõe muito claramente a prática vergonhosa do próprio Departamento de Estado.

Na verdade, o Departamento de Estado dos EUA existe para representar o povo dos EUA em outros países; não existe para impor os interesses dos EUA sobre e contra todos os demais povos da Terra.

O governo tailandês rapidamente condenou os comentários e, na sequência, viu-se uma sucessão de revides e respostas contra o que já está sendo abertamente denunciado como interferência descabida dos EUA em assuntos internos da Tailândia.

O que os EUA veem nos [irmãos] Shinawatras

Yingluck Shinawatra assumiu o poder em 2011, concorrendo declaradamente como preposta de seu irmão, Thaksin Shinawatra, criminoso condenado que fugiu do país e assim escapou de cumprir sentença de dois anos de prisão, dentre longa lista de acusações ainda pendentes nas cortes tailandesas.

O slogan eleitoral do partido “Peua Thai” de Thaksin Shinawatra era, literalmente, “Thaksin Pensa, Peua Thai Faz” – admissão declarada de que o homem, criminoso condenado, ainda tenta governar literalmente o país.

Protestos contra os Shinawatra
Para entender o por quê de os EUA tão descaradamente quebrarem todas as regras protocolares e diplomáticas e atacarem a própria soberania da Tailândia, com discurso em que “comentam” assuntos internos do país, é preciso lembrar que o próprio Thaksin Shinawatra sempre foi amigo íntimo da dinastia política dos Bush; que foi membro do Grupo Carlyle e que desde que foi deposto, ele próprio, em golpe apoiado pelo exército tailandês leal à monarquia, em 2006, sempre apareceu abertamente representado por alguns dos mais caros lobbyistas profissionais das empresas de lobbying mais conhecidas do mundo, dentre os quais Kenneth Adelman de Edelman PR  (Freedom House, International Crisis Group, PNAC), James Baker de Baker Botts (CFR, Carlyle Group), Robert Blackwill (CFR) de Barbour Griffith & Co.; Rogers (BGR), Kobre & Co.; KimBell Pottinger (sobre isso, ver também Guardian) e é atualmente representado por Robert Amsterdam de Amsterdam Partners (Chatham House).

No poder, Shinawatra tomou posição firmemente pró-EUA, economicamente e geopoliticamente. Contra a vontade do Exército Real da Tailândia e do próprio povo tailandês, Shinawatra enviou soldados tailandeses para colaborarem na invasão e ocupação ilegais do Iraque. Também autorizou a CIA-EUA a usar território tailandês para as práticas do horrendo programa de “entregas especiais”, pelo qual prisioneiros eram entregues a vários países do mundo para serem torturados fora de território norte-americano. Shinawatra também tentou assinar um acordo de livre comércio, impopular, além de ilegal, com as empresas de Fortune 500, dos EUA.

Também durante seu mandato, Shinawatra cometeu incontáveis atrocidades contra os próprios tailandeses. Primeiro, em 2003, iniciou o que chamou de “guerra às drogas”. Cerca de 3 mil pessoas foram executadas nas ruas, sem qualquer julgamento ou processo, ao longo de apenas 90 dias. Adiante se descobriu que mais da metade dos mortos nada tinham a ver com tráfico de drogas. Só nesse episódio, Thaksin passou a ser o tailandês autor de maior número de crimes contra direitos humanos de toda a história do país. No ano seguinte, o mesmo Thaksin poria fim com extrema violência aos protestos em províncias no sul do país, em que 85 manifestantes foram assassinados num único dia, episódio conhecido hoje como o “incidente de Tak Bai”.

Em Tak Bai 400 presos e 80 assassinatos 
Além desses dois eventos criminosos bem divulgados, 18 militantes defensores de direitos humanos foram assassinados ou desapareceram durante o primeiro mandato de Tahksin, segundo a Anistia Internacional. Dentre eles, está o advogado e ativista defensor de direitos humanos Somchai Neelapaijit. O advogado foi visto pela última vez em 2004, ao ser preso por policiais. Depois disso, nunca mais se soube dele.

Shinawatra também moveu uma campanha de terror e assassinatos contra seus oponentes. Em abril de 2009, pistoleiros atiraram mais de 100 vezes contra o veículo de um ativista do movimento dos “camisas amarelas” anti-Shinawatra, líder de protestos e magnata “midiático” dono de uma rede de televisão, Sondhi Limthongkul, em tentativa de assassinato à plena luz do dia. Dia 10/4/2010, militantes pesadamente armados organizados por Thaksin Shianwatra e seus “camisas vermelhas” emboscaram a mataram a tiros o coronel Romklao Thuwatham que, naquele momento, comandava as operações de controle das manifestações de rua perto do Monumento à Democracia em Bangkok. Os “camisas vermelhas” de Thaksin manteriam luta contra o exército tailandês durante semanas, antes de encerrar suas manifestações com uma onda de saques e depredações que se alastrou por toda a cidade. E em agosto de 2013, o empresário e principal adversário político de Thaksin, Ekkayuth Anchanbutr foi sequestrado e assassinado.

*****

Cartazes contra os Shinawatra
Para quem conheça a natureza profunda e inalterada da política exterior dos EUA, nada há de novidade em os EUA garantirem apoio irrestrito a ditador violento e brutal, mas obediente a Washington; é história que se repete até hoje, com o Departamento de Estado dos EUA sempre trabalhando abertamente para minar a legitimidade do atual governo tailandês e os esforços que o atual governo tem empreendido para arrancar todos os ramos do regime Shinawatra e as redes de agitação e subversão organizadas, pagas e mantidas pelos EUA, que ajudam ainda os Shinawatra a manter-se firmemente agarrados às alavancas do poder político na Tailândia por, já, mais de uma década.

Que a mão pesada dos irmãos Shinawatra e respectivo grupo comece a dar sinais de já não ser tão poderosa indica claramente que a enorme capacidade dos EUA para interferir impunemente começa a diminuir.

Os comentários de Russel não caíram em ouvidos de público tailandês receptivo aos EUA. A maioria dos tailandeses apoiou o golpe militar que depôs o regime dos Shinawatra. Mesmo em 2011, apenas 35% do eleitorado tailandês total votava com o partido de Shinawatra, o partido Peua Thai, que não alcançou a maioria dos votos. Segundo pesquisa de uma fundação asiática realizada em 2010, apenas 7% dos 70 milhões de cidadãos tailandeses identificam-se como “vermelhos”, a cor associada à frente política de Shinawatra.

A fantasia de que os militares derrubaram “governo popular democraticamente eleito” não poderia estar mais distante da verdade – e outras fantasias e mitos desse tipo só ganharam tração por causa da vastíssima e incansável campanha continuada de propaganda e apoio aos Shinawatra movida pelos EUA e pelas redes de televisão, rádio e imprensa-empresa tailandesa em geral, já perfeitamente integradas aos vastos monopólios ocidentais de “mídia”.

Apesar, contudo, da ação desses monopólios, a reação contra os comentários de Russel foi desastrosa para o prestígio do próprio Russel e para a agenda dos EUA na Tailândia. Dia a dia aumenta o número de tailandeses que vão deixando de interpretar a atual crise política como mera batalha entre Thaksin Shinawatra e a ordem política tradicional tailandesa, e passam a vê-la como guerra existencial nacional contra agenda de potência estrangeira que inventou e continua a proteger o clã Shinawatra e contra, também uma vasta rede que só espera derrubar toda a ordem política e a soberania da Tailândia.


[*] Tony Cartalucci é pesquisador de geopolítica e escritor sediado em Bangkok, Tailândia. Seu trabalho visa cobrir os eventos mundiais a partir de uma perspectiva do Sudeste Asiático, bem como promover a auto-suficiência como uma das chaves para a verdadeira liberdade.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

EUA declararam guerra à democracia

Puro fascismo!

26/2/2014, [*] Kevin Barrett, Press TV, Irã
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Thomas Woodrow Wilson  (1856 - 1924) 
Desde os dias do presidente Woodrow Wilson – quer dizer, por quase 100 anos – os EUA têm estado empenhados numa cruzada à sua própria moda, para “tornar o mundo seguro para a democracia”.

Guerras colossais, quentes e frias, combatidas contra kaisers e fuhrers alemães, contra comunistas russos e contra nacionalistas no Terceiro Mundo. E em todos os casos o povo norte-americano ouviu que estariam “defendendo a democracia”.

Os norte-americanos massacraram 3,5 milhões de vietnamitas, e quase mais outro milhão de cambojanos, para “defender a democracia” no sudeste da Ásia.

Assassinaram milhões de iraquianos com guerras e sanções para “defender a democracia” no Oriente Médio.

André Vltchek
Segundo Andre Vltchek e Noam Chomsky em seu livro On Western Terrorism, [1] o governo dos EUA já assassinou algo entre 55 e 60 milhões de pessoas desde o fim da IIª Guerra Mundial, em guerras e intervenções por todo o mundo. Se se acredita no que dizem os propagandistas do império, esse holocausto promovido pelos norte-americanos teria sido grande defesa da democracia.

Mas o que se vê hoje, às vésperas da a Iª Guerra Mundial completar o 100º aniversário, é que os EUA já embarcaram em nova cruzada – dessa vez para tornar o mundo ainda mais INSEGURO para a democracia.

Na Ucrânia, na Venezuela e na Tailândia, os EUA estão gastando bilhões de dólares para derrubar – inconstitucionalissimamente – governos democraticamente eleitos. 

Na Palestina, os EUA estão tentando derrubar o governo democraticamente eleito do Hamás desde o dia em que chegou ao poder. 

No Egito, os EUA – por pressão dos sionistas – derrubou recentemente o único governo jamais eleito democraticamente no país, em 5 mil anos de história documentada. 

Noam Chomsky
Na Síria, os EUA insistem que o povo sírio não teve a oportunidade e os meios democráticos para reeleger democraticamente Assad, e não importa quantos observadores internacionais estejam presentes para comprovar que as eleições são livres e limpas. 

E na Turquia, os EUA só fazem minar o governo democraticamente eleito do primeiro-ministro Erdogan, favorecendo Fethullah Gulen – o fantoche que a CIA quer “eleger” lá.

Considerando o longo prazo, os EUA trabalham incansavelmente para destruir a democracia no Irã, na Rússia e na América Latina.

Por que, diabos, o governo dos EUA odeia a democracia?

Porque os banqueiros internacionais que são proprietários do governo dos EUA e comandam o império norte-americano nem sempre podem comprar votos em quantidade suficiente para impor o desejo deles a um país inteiro. Assim sendo, a democracia é ótima – desde que os eleitores elejam o candidato da Nova Ordem Mundial. Mas se acontece de os eleitores votarem em candidato que não convém aos oligarcas... Preparem-se, que aí vem golpe!

Os banqueiros derrubarão qualquer governo que se oponha a eles – mesmo nos EUA. O “término com detrimento extremo” [orig. termination with extreme prejudice] da presidência de John F. Kennedy foi mensagem clara enviada a todos os futuros presidentes dos EUA.  

Mayer Rothschild
Mayer Rothschild disse, em frase que ganhou fama, que “Deem-me o controle sobre o dinheiro do país e pouco me importa quem escreva as leis”. Exagero, é claro. Os banqueiros da Nova Ordem Mundial gastam muito dinheiro para derrubar governos democraticamente eleitos por todo o mundo, precisamente porque eles se importam, sim, E MUITO, com quem escreva e faça cumprir a lei.

Agora, os banqueiros da Nova Ordem Mundial estão destruindo a Ucrânia em movimento geoestratégico contra a Rússia, onde Putin impôs rédea curta aos oligarcas russo-sionistas e meteu uma pedra no caminho do projeto de governança mundial dos banqueiros. Sim, o presidente Yanukovich da Ucrânia venceu eleições livres e justas. Mas a democracia nada significa para os faraós psicóticos da grande finança e seus pistoleiros neoconservadores alugados.

Os banqueiros (e os governos ocidentais que eles controlam) estão também tentando derrubar o presidente Nicolas Maduro da Venezuela, que chegou ao poder, pelas urnas, depois que a CIA assassinou o presidente Hugo Chávez. O presidente Maduro superou todos os esforços que os banqueiros empreenderam para derrotá-lo nas eleições do ano passada; agora, é o presidente democraticamente eleito da Venezuela. Nada disso impediu os banqueiros de tentarem derrubá-lo com um golpe pseudo populista.

Hugo Chávez
Na Tailândia, os banqueiros e seus cleptocratas locais estão tentando derrubar o governo democraticamente eleito da primeira-ministra Shinawatra. Aparentemente, os esforços de Shinawatra para garantir educação e assistência à saúde públicas aos cidadãos, e infraestrutura, e um salário mínimo, ofendeu os oligarcas.

Na Ucrânia, na Venezuela, na Tailândia, como antes na Síria e no Egito, os banqueiros está acrescentando violência ao seu joguinho de “revoluções coloridas”, o plano que conceberam para destruir a democracia. Parece incoerente, porque o intelectual-pau-mandado da Nova Ordem Mundial, Gene Sharp, chamado “o Maquiavel da não violência”, pregava que as “revoluções coloridas” originais sempre seriam levantes pacíficos e democráticos.

George Soros
Mas as chamadas “revoluções coloridas” inventadas por Sharp, a começar pela Revolução Rosa, na Geórgia, em 2003 e pela Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004, jamais foram genuínas revoluções do povo. Foram tentativas de golpe, orquestradas pelos banqueiros, e desde o primeiro momento. George Soros cuidaria de encaminhar o dinheiro dos Rothschild para o bolso de apparatchiks sedentos de poder, que inundariam seus países-alvos com propaganda e alugariam paus-mandados para vestirem camisetas de uma ou outra cor, posarem para as imagens de jornais e televisões e fazerem-se, eles mesmos, de “o espetáculo”, na esperança de, assim, seduzir jovens tolos (ou arrogantes) ou ingênuos para que se unam à “revolução” – cujo objetivo real é sempre instalar no poder um fantoche da Nova Ordem Mundial.

Mas agora, até a falsidade da não violência já desapareceu. A máscara risonha de Mickey Mouse da Nova Ordem Mundial caiu, revelando a bocarra sedenta de sangue dos banqueiros satânicos, empenhados em impor ao mundo uma só grande ditadura orwelliana.

Na Síria, o “levante pacífico” de março de 2011 tornou-se pretexto para mandar para lá bandidos e terroristas pesadamente armados, com a missão de desestabilizar o país. No Egito, o “levante” gerado pelos banqueiros no verão passada virou desculpa fabricada para um violento golpe de Estado. Na Tailândia, Venezuela e Ucrânia, os banqueiros pagam torcidas organizadas para encenar protestos violentos, destruir propriedade pública, combater contra a polícia e incitar cada vez mais violência – na expectativa de, assim, conseguir derrubar governos democraticamente eleitos.

Isso é puro fascismo.

O fascismo é falsamente “das massas”. Sempre há fascistas fantasiados de “revolucionários”, pagos para usar uniformes de uma ou outra cor, marchar em passo-de-ganso pelas praças, derrubar governos democraticamente eleitos... e pôr no poder uma ditadura velada dos mais ricos, na qual se misturam o poder das empresas e o poder do estado/governo.

Mussolini e Hitler desfilam em Berlim (1937)
Foi o que fez Mussolini em 1922. Foi o que fez Hitler em 1933. E é o que os neoliberais neoconservadores e seus patrocinadores banqueiros estão fazendo hoje... por todo o mundo. O incêndio do Reichstag de 11/9, que pôs a única superpotência na direção do total fascismo, foi o tiro que desencadeou a avalanche.

Objetivo da jogatina: uma ditadura fascista global, que faria o IIIº Reich parecer piquenique no parque.

Só há um meio para derrotar esses monstros. Todas as grandes fortunas, a começar pelos tesouros de trilhões de dólares das hordas de Rothschilds e amigos, têm de ser confiscadas e devolvidas aos cofres públicos. Todos os grandes bancos têm de ser estatizados e suas operações terão de ser tornadas absoluta e completamente transparentes. Todas as maiores empresas, a começar pelas empresas proprietárias dos veículos da chamada “grande” imprensa têm de ser estatizadas, em seguida partidas em várias pequenas empresas regidas por legislação antitruste.

Essa revolução – para derrubar a oligarquia global – é a única revolução que realmente importa.



Nota dos Tradutores
[1] CHOMSKY, Noam; VLTCHEK, André. On Western Terrorism, Londres: Pluto Press, 2013, 208 p.
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[*] Dr. Kevin Barrett, é Ph.D., arabista-islamologista e um dos principais críticos norte-americanos da Guerra ao Terror. Comentou muitas vezes na FoxNews, CNN, PBS e outros canais de mídia eletrônica; publicou artigos de opinião no New York Times, no Christian Science Monitor, no Chicago Tribune e em outras publicações líderes. Lecionou em faculdades e universidades em San Francisco, Paris e Wisconsin, onde ele concorreu para o Congresso em 2008. É co-fundador da Muslim-Christian-Jewish Alliance, e autor dos livros Truth Jihad: My Epic Struggle Against the 9/11 Big Lie (2007) e Questioning the War on Terror: A Primer for Obama Voters (2009). Seu site é www.truthjihad.com

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Modelão dos golpes da “CIA”, da Guerra Fria, de volta à cena

19/2/2014, [*] Wayne Madsen, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

200 anos de RACISMO, MENTIRAS, LAVAGEM CEREBRAL EM MASSA, CENSURA, INVASÕES, CRIMES DE GUERRA E GENOCÍDIO.
Fazendo o mundo seguro para a HIPOCRISIA.
A HISTÓRIA DOS EUA QUE VOCÊ NÃO DEVE SABER

A maior quantidade de entusiastas do status quo pode ser encontrada na sede da Agência Central de Inteligência dos EUA [tão secreta que o nome jamais é traduzido], a conhecida CIA, em Langley, Virginia. Com muitas nações em todo o mundo tentando livrar-se das garras políticas, militares e financeiras de Washington, a CIA está voltando a recorrer ao velho manual, para lidar com governo recalcitrantes.

Depois de ter ajudado a fomentar uma rebelião na Ucrânia, contra o governo democraticamente eleito do presidente Viktor Yanukovych, o aparelho de propaganda de Washington – centralizado na organização National Endowment for Democracy (NED), na Agency for International Development (USAID) e no Instituto Sociedade Aberta [Open Society, OSI] de George Soros – está focado na Venezuela.

A Venezuela identificou três funcionários da embaixada dos EUA em Caracas, que estavam em contato com manifestantes da oposição e ajudando a planejar tumultos antigoverno por todo o país. Os três “funcionários consulares” dos EUA – Breann Marie McCusker, Jeffrey Gordon Elsen e Kristopher Lee Clark – foram expulsos do país, pelo governo da Venezuela. Em outubro passado, o país expulsou outros três diplomatas dos EUA − chargés d’affaires Kelly Keiderling, David Moo e Elizabeth Hoffman – também por estarem ajudando a promover agitação interna no país. Os seis supostos diplomatas trabalhavam em atividades frequentemente associadas aos agentes da CIA, como “serviço clandestino oficial”.

Diplomatas dos EUA expulsos da Venezuela em 30/9/2013  por promoverem baderna
Exatamente como no caso do Embaixador dos EUA em Kiev, Geoffrey Pyatt, e da Secretária de Estado assistente para Assuntos Europeus e notória visitante boca-suja Victoria Nuland, que se encontraram com líderes da oposição ucraniana para ajudar a planejar os protestos antigoverno, os diplomatas norte-americanos em Caracas foram acusados de estar trabalhando ao lado do grupo de oposição reunido em torno de Leopoldo Lopez, o agente de interesses de empresas norte-americanas treinado em Harvard. O governo venezuelano descobriu que Lopez, como outro líder da oposição venezuelana, Henrique Capriles Radonski, recebem apoio financeiro clandestino da CIA, que lhes chega através de NED e USAID, para planejar protestos e ações de sabotagem contra o governo eleito da Venezuela.

Já se conhecem os laços que unem o partido Voluntad Popular de López e organizações associadas ao ex-presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, da direita pró-Israel, com pegadas óbvias da CIA e de narcoterroristas; nesse caso, o dinheiro chega ao partido de Lopez por ONGs colombianas mantidas por George Soros e Uribe, como a Fundación Centro de Pensamiento Primero Colômbia [Fundação Centro de Pensamento Primeiro Colômbia] e Fundación Internacionalismo Democrático [Fundação Internacionalismo Democrático].

Edifício-sede da Embaixada dos EUA em Caracas, Venezuela
A embaixada dos EUA em Caracas, como no caso de Kiev e Moscou, sempre serviu como espaço virtual para planejamento de protestos pela oposição financiada pelos EUA na Venezuela. A única coisa que os cabeças da oposição ucraniana, Arseniy Yatsenyuk, Vitali Klitschko e Oleh Tyahnybok; da oposição russa Alexei Navalny e Garry Kasparov; e da oposição venezuelana Lopez, Capriles e Maria Corina Machado têm em comum é passe livre para entrar nas embaixadas dos EUA em suas respectivas capitais quando bem entendam, e sair, levando a maior quantidade de dinheiro que consigam transportar.

Traço que une as campanhas de desestabilização organizadas e promovidas pela CIA na Ucrânia e na Venezuela é, nos dois casos, a arregimentação de fascistas locais, para as forças antigoverno. Na Venezuela, apoiadores reacionários de antigos regimes oligárquicos fascistas são aliados espontâneos dos EUA; e na Ucrânia, os fascistas reunidos em torno de Tyahnybok garantem a conexão continuada entre a oposição ucraniana e EUA-Israel.

Um relatório da CIA recentemente tornado público, datado de 4/4/1973, anotava que já durante o tempo da República Socialista Soviética Ucraniana o Partido Comunista recomendava “vigilância estrita sobre o nacionalismo e o sionismo na Ucrânia” – apresentados como ameaças gêmeas já então, na Ucrânia. Como se vê hoje, pouca coisa mudou na natureza e na orientação da oposição ucraniana.

Além de abastecer os cabeças da oposição venezuelana com dólares, os EUA e seus banqueiros nunca cessaram de atacar a economia e a moeda venezuelanas, usando a imprensa-empresa privada para espalhar notícias falsas sobre “desabastecimento” e carência de produtos básicos (itens sempre citados são papel higiênico, sal e açúcar) na Venezuela. Esse é um velho truque da CIA, que sempre o usou contra o governo de Cuba e de outras nações cujos governos opõem-se ao imperialismo norte-americano.

A mesma tática de usar a imprensa-empresa privada para disseminar “notícias” sobre carência de produtos está sendo usada pela CIA contra o governo da Primeira-Ministra Yingluck Shinawatra apoiada pelos Camisas Vermelhas na Tailândia; lá o que estaria faltando nas prateleiras seria arroz; e a carência estaria acontecendo por que a Primeira-Ministra insiste em vender arroz à China. 

Manifestação dos Camisas Vermelhas pró-governo na Tailândia
A campanha conduzida pela CIA contra Yingluck resultou em denúncias já formalizadas contra o Primeiro-Ministro por uma das ONGs da “sociedade civil” típicas do modelo que Soros promove, a Comissão Nacional Contra a Corrupção – criação dileta dos monarquistas Camisas Amarelas e falsos “reformadores” constitucionais, como o octogenário Amorn Chantarasomboon.

Exatamente como a CIA já fizera antes, quando tentou golpe fracassado contra o presidente Hugo Chávez em abril de 2002, a Agência e seus prepostos locais lançaram ataques de propaganda contra a PDVSA – a empresa estatal venezuelana de petróleo – proprietária da CITGO nos EUA. Os veículos de propaganda da CIA estão divulgando o meme de que a PDVSA seria tão corrompida e moribunda, que a Venezuela já estaria sendo forçada a importar gasolina dos EUA. É história absolutamente falsa, mas a imprensa-empresa privada, inclusive os veículos e “fontes” que constituem a rede global de propagandistas mantida por Soros, dedicam-se a repetir incansavelmente sempre a mesma mentira, como se fosse fato.

A imprensa-empresa privada, principalmente The Miami Herald, porta-voz das perversões e fantasias dos oligarcas venezuelanos exilados no sul da Florida, exatamente como faz também com os cubanos de direita e com os sionistas nacionalistas que vivem em comunidades fechadas de leitores, também não se cansa de repetir que a Venezuela está sofrendo massiva onda de crimes, porque o presidente Nicolás Maduro é incapaz de prover segurança aos cidadãos. Esse é outro dos velhos truques da CIA, sempre usado para minar governos estáveis em todo o mundo, Iraque, Paquistão e Afeganistão, por exemplo: oferecer ajuda e meios a terroristas e ao crime organizado locais, para que ataquem a população civil.

A CIA já usou esse mesmo jogo para fazer sabotagem econômica contra o governo socialista do presidente Salvador Allende no Chile. Na Venezuela, a CIA ataca a indústria do petróleo. No Chile, a CIA usou ataques contra a indústria do cobre, para sabotar a base da economia chilena, antes de lançar o sangrento ataque do dia 11/9/1973, quando o presidente Allende foi assassinado, e começou o massacre de seus apoiadores, por esquadrões da morte treinados pelos EUA.

Outros países latino-americanos estão atentos aos ataques clandestinos dos EUA contra a Venezuela. Os EUA suspenderam formalmente a ajuda econômica que davam à Bolívia, depois que o governo de Evo Morales expulsou do país os representantes da USAID, acusados de fomentar a rebelião no país. O Presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou formalmente que seu país está-se retirando do Tratado Interamericano de Mútua Assistência – fachada inventada pelo Pentágono para “legalizar” a implantação de bases militares dos EUA em países latino-americanos.

Vista aérea do Complexo-sede da CIA - Central Intelligence Agency em Langley, Virgínia
Mas, para a CIA, a difícil situação que os EUA enfrentam na América Latina ainda pode ser revertida. Derrubar o governo da Venezuela, por golpe da direita, é ação que, segundo a Agência, pode conter e fazer reverter as tendências de esquerda em outros países.

Memorando de Inteligência da CIA, datado de 29/12/1975, intitulado “Relações Externas em mutação na América Latina” [orig. Latin America’s Changing Foreign Relations], registra a esperança de que o sangrento golpe contra Allende em 1973 tenha tido resultados benéficos para os EUAI. Para a CIA, o fim do governo de Allende e de seu “Terceiro Mundismo” ajudaria a pôr fim à “demagogia” do presidente Luis Echeverria do México, e às políticas para o petróleo de líderes do Equador e Venezuela na OPEP. A CIA errou, como sempre, em sua avaliação da América Latina.

Não só o México, Equador e Venezuela resistiram à pressão norte-americana (os dois últimos foram punidos com a exclusão do Tratado de 1974 de redução de tarifas, sob a lei de Reforma do Comércio dos EUA), mas o Chile votou na Assembleia Geral da ONU contra os EUA e a favor de uma resolução que definiu o sionismo como racismo.

Dado que pressões sutis pela CIA em meados dos anos 1970s não levaram ao resultado esperado na América Latina, a CIA está agora recorrendo a velhos métodos bem testados, para calar seus opositores na América Latina. Os assassinatos do panamenho Omar Torrijos e de Jaime Roldos presidente do Equador – ambos conhecidos por suas políticas anti-EUA, mostraram ao mundo que os EUA não pensam duas vezes ante nenhum tipo de crime.

Hoje, o presidente Obama já mostrou que nada mudou: Obama autoriza semanalmente os “assassinatos premeditados” – operações clandestinas para eliminar pessoas (também civis) que se oponham à dominação norte-americana.
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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al Jazeera,Strategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.