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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quando Fidel encontra Ahmedinejad


12/1/2012, *MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ahmadinejad e Fidel
O presidente do Irã Mahmoud Ahmedinejad chegou a Havana. Há notícias de que tem reunião marcada com Fidel Castro. Cuba abriu o tapete vermelho para receber Ahmedinejad – que esteve antes na Nicarágua; foi convidado de honra à cerimônia de posse do presidente Ortega (reeleito para o segundo mandado). 

Os EUA estão enfurecidos: o Irã não parece nada “isolado” internacionalmente. A presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara de Deputados em Washington, Ileana Ros-Lehtinen, atacou tudo e todos. “Irã e Cuba são estados que patrocinam terroristas e têm de ser tratados como ameaças diretas à segurança nacional dos EUA (...). O regime iraniano rejeitou todas as aberturas propostas pelos EUA, e o regime de Castro nunca alterará suas posições”.

Interessante observar que o islã político e a esquerda latino-americana aproximaram-se sem dificuldades. O ímã mágico que atrai um grupo na direção do outro é a resistência. 

Chávez e Ahmadinejad
Vê-se hoje já bem evidente uma acomodação politicamente articulada entre o islamismo como força política e a esquerda latino-americana. Ahmedinejad é visto como agente de uma nova forma exemplar de antiimperialismo internacionalmente ativo, que sabe operar em ressonância com a consciência política da esquerda latino-americana, e vê nela traços pelos quais a pode identificar ao seu próprio projeto histórico. E o presidente venezuelano Hugo Chávez já esteve inúmeras vezes em Teerã, para conversas com Ahmedinejad. 

A atual viagem de Ahmadinejad reforça essa nova sintaxe da acomodação política entre os dois lados, e deixa para trás a patética história da Guerra Fria, quando o ocidente conspirava para jogar os marxistas contra os islâmicos, tentando assim abrir caminho para obter vantagens geopolíticas no Oriente Médio rico em petróleo. 

Infelizmente, poucos lembrarão que houve história semelhante a essa – que Ahmadinejad, Chávez, Castro e outros reinterpretam agora, e que remonta ao tempo da revolução bolchevique na Rússia.

Lênin promoveu um movimento antiimperialista na Ásia, contra as potências coloniais, e sempre viu os militantes islâmicos como aliados dos bolcheviques, na luta de libertação. No 2º Congresso do Comintern, em 1920, essa ideia estava já bem clara.

Ortega e Ahmadinejad
O idioma político que se escuta na atual viagem de Ahmedinejad também chama a atenção. Ahmadinejad saudou o presidente Ortega como “meu irmão revolucionário” e disse: “Nossos dois povos, em diferentes partes do mundo, lutamos para estabelecer a solidariedade entre todos e a justiça para todos.” 

Ortega, reeleito em novembro último para um segundo mandato, com 62% dos votos, estava felicíssimo. Convidou Chávez para participar de outra cerimônia da posse, na 3ª-feira, em Manágua: Ortega, Chávez e Ahmedinejad celebrarão na América Latina a vitória do partido de Sandino.

Antes, em Caracas, Chávez recebera Ahmedinejad com efusivas palavras de boas vindas, falando de Venezuela e Irã como “vítimas da ganância das superpotências”. Ahmedinejad respondeu que “Teerã e Caracas enfrentarão juntas a ganância de todas as grandes potências que querem dominar o mundo. Defenderemos nossos direitos.”

O trecho cubano da viagem será a cereja do bolo. Que conselho Havana dará a Teerã? Fidel Castro já mais de uma vez previu guerra nuclear, caso EUA-Israel ataquem o Irã.

*MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

sábado, 7 de maio de 2011

“FATO ABOMINÁVEL” – O SILÊNCIO DOS CÍNICOS

Laerte Braga

Laerte Braga

O mais lúcido documento escrito sobre o assassinato de Osama bin Laden terá sido, juízo pessoal, o de Fidel Castro.  Chama o crime de “fato abominável”. O governo terrorista de Barack Bobama está impedindo a compra de remédios nos EUA para crianças cubanas com câncer.

A barbárie no caso do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A tem requintes conscientes de perversidade.

A arrogância da presunção de superioridade.

Barack Bobama virou arroz de festa. Vai passar os próximos meses aproveitando o efeito do “fato abominável” em campanha eleitoral. Cada vez mais Bush.

O Dalai Lama considerou justa a ação dos Estados Unidos. O papa Bento XVI não se pronunciou sobre o assunto. O líder budista ocidental é mero instrumento do conglomerado terrorista na luta pelo Tibete. Nada além. Não está preocupado com seu povo, mas com sua conta bancária. E seus livrinhos de auto-ajuda. Concorrente de um sem número de autores num mundo cada vez mais desumanizado. Não tem nada a ver com Buda e muito menos com o budismo. 

Bento XVI
Bento XVI se imagina o centro do universo e contabiliza os dólares para salvar uma igreja que vive um processo falimentar – em todos os sentidos – desde a ascensão de João Paulo II, o “beato”. No Brasil, então, embora a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – não revele de público, o sinal vermelho já acendeu faz tempo. O número de católicos hoje em boa parte das regiões do País é menor que o de fundamentalistas evangélicos. Outro tipo de terror religioso.

Todos convergem para os EUA. Edir Macedo prefere Miami. Outrora os gangsteres ou iam para Chicago ou para Las Vegas. Macedo não é o primeiro brasileiro a optar por Miami. Sérgio Naia foi pioneiro.

A curva de católicos – em números – é descendente e a de fundamentalistas evangélicos ascendente. Bento XVI ou a maioria dos bispos brasileiros jamais vai entender o porquê dessa história. Acham-se iluminados e acreditam piamente que num dado momento a rotação da Terra, que já foi plana para muitos papas, conserta esse “desacerto”. Olhar para dentro e perceber a autofagia isso é inimaginável. Daí o silêncio do papa sobre o assassinato do líder da al Qaeda.

Mais ou menos em boca fechada não entra mosquito. No banco do Vaticano entram dólares, desde os tempos do famigerado cardeal Marcinkus (não podia sair do Vaticano, na operação contra as máfias teve a prisão preventiva decretada pela justiça italiana).

Gerônimo
Os apaches, através de um neto do chefe Gerônimo, manifestaram seu repúdio ao uso de seu nome na operação criminosa. Gerônimo foi ludibriado pelos norte-americanos em termos de reserva indígena, teve roubada a terra de seu povo e passou vinte anos preso. Morreu aos noventa anos no início do século passado. E esse Gerônimo é com “g” mesmo.

Mas não perdeu a dignidade. Barack Bobama não tem a menor idéia do que seja isso. É o self made man padrão. Tipo os fins justificam os meios.

Bento XVI e o Dalai Lama ocidental então!

Cinismo absoluto.

Bobama segue à risca o traçado de “líder charmoso”.

“O líder charmoso constitui com freqüência a imagem do irmão. Com sua característica dominante: a solidariedade. Frente ao mundo dos adultos. Frente à sociedade estabelecida, representada pelos pais. Esse PLANETA DOS JOVENS (Jean Duvignaud – La Planète des Jeunes – Paris, Stock, 1975) projeta sua agressividade sobre o que está FORA DA IRMANDADE” – “O Estado do Espetáculo”, Roger-Gérard Schwartzenberg, Difel, 1978 –.

É importante passear com o cachorrinho dos filhos pela Casa Branca, ou arregaçar as mangas e servir cerveja aos amigos.

Murílio Híngel, ex-ministro da Educação, disse uma vez que é comum àqueles que sobem das mais baixas às mais altas camadas sociais costumam se esquecer de sua origem.

É “eu me fiz por mim mesmo”. Trágico, bárbaro, boçal.

Logotipo da al Qaeda
“Cortamos a cabeça da al Qaeda”. Que palhaçada dita diante de militares mercenários – as forças armadas dos EUA são constituídas de soldados contratados e em muitos casos a empresas privadas em clima tucano de terceirização. Que nem Dilma com os aeroportos por aqui. Ou o código florestal ao sabor de latifundiários.

Bobama lembrou os mortos do ataque às torres gêmeas e destacou o apoio de Cuba aos EUA naquele momento. Em seguida lembrou as centenas de milhares de mortos nas guerras estúpidas desfechadas pelos norte-americanos em nome dessa justiça de tortura e prisões secretas.

O xis da questão não é o ser humano. É o jogo do poder. Ai vai o “líder charmoso”.

Esse líder sabe, como definia Montesquieu, que “a gravidade é o escudo dos tolos”.

Prefere o cinismo à espontaneidade.

Parecer ser do povo com um toque de coquetismo.

Ou uma aura de santo.

E haja dízimo para sustentar todo esse aparato que no fim se guarda num arsenal capaz de destruir o mundo cem vezes se preciso for. Fidel fala de uma nação poderosa como nunca houve, ao referir-se aos EUA e ao “fato abominável”.

Jano, o deus das portas, das entradas e das saídas tem duas faces. É o vigilante, a imagem do imperialismo sem limites.

Mas, nos EUA, tem que renovar o carimbo de quatro em quatro anos, com no máximo oito anos e isso é fundamental para a porta de entrada.

Barack Bobama, em bandeja de prata, está servindo a um povo que conta milhões de desempregados, de sem teto, milhões sem saúde pública, a cabeça de Osama bin Laden para um banquete. O  Festim da Boçalidade.

Estátua de Incitatus (atualizada)
E conta com o silêncio cúmplice dos cínicos. “Job well done” – serviço bem feito disse Bobama em pose de comandante em chefe aos militares numa base do conglomerado em seu território continental.

É a divindade de plantão na Casa Branca. Só falta arranjar um Incitatus. Tocar fogo em Roma como vem fazendo desde antanho, quando os “deuses” tinham outros nomes.

E dizem que é perder tempo ler o que Fidel escreve.

“Fato abominável”... Repugnante.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Fechar caminhos ao capitalismo e abri-los ao novo socialismo

Cuba - Batalha de ideias

Domingo, 12 Setembro 2010 02:00

120910_cubaDiário Liberdade - [Narciso Isa Conde - Tradução do Diário Liberdade] O autor quase não precisa de apresentação. É Narciso Isa Conde, dirigente histórico da esquerda da República Dominicana e caribenha. Amigo solidário de Cuba, conhecedor como poucos do processo revolucionário cubano.

Ensaísta e autor de uns 20 livros. Combatente contra o tirano Trujillo e os invasores estadunidenses em 1965. Foi membro do governo em armas que presidiu Francisco Caamaño Deñó. Sofreu cárcere, perseguições e exílio por suas ideias. Nas notas que se seguem analisa, criticamente, a realidade do "modelo socialista" a propósito da entrevista de Fidel Castro em The Atlantic. (Redação)


Introdução

As transições de uma formação econômica-social para outra e os modelos econômicos e sistemas políticos dentro dessas formações são muito variados.

A história do capitalismo registra muitos modelos econômicos e um grande número de sistemas políticos e formas institucionais, bem como múltiplas combinações deles por fases e períodos: capitalismo de livre concorrência, capitalismo monopólico e oligopólico com predomínio da propriedade privada, capitalismo monopolista de Estado, capitalismo de Estado de desenvolvimento médio, capitalismo dependente, modelo liberal, modelo neoliberal, democracia representativa liberal, fascismo, ditaduras militares, tiranias, democracias burguesas monárquicas, democracias restringidas, semi-ditaduras?

Em termos históricos, o socialismo ainda não trespassou a primeira idade e seria absurdo pretender uma evolução ou desenvolvimento linear do mesmo; isto é, com um só modelo de transição, com um sistema político único, com uma institucionalidade uniforme e inalterável.

Os processos anti-imperialistas e anticapitalista de orientação socialista foram e terão de ser muito variados, com transições diferentes, com combinações diferentes, com modelos diferentes, com diferentes graus de democracia e formas de participação, com modelos institucionais, com evoluções contraditórias e projetos de maior ou menor profundidade; submetidos permanentemente à prova do acerto e do erro.

É verdade que a enorme gravitação da URSS e do estatismo-burocrático em que lamentavelmente derivou seu inicialmente formidável processo de transição para o socialismo, mais tarde influiu negativamente nos outros países que puderam sair da corrente capitalista, restando diversidade, impondo fórmulas, reduzindo a necessária socialização e negando a democracia como poder do povo.

Cuba, ainda em permanente luta contra a dogmatização, não foi a exceção e progressivamente cedeu até finalmente sucumbir ao decalque de não poucas de estruturas econômicas, formas institucionais e componentes do sistema político próprios do modelo estatista euro-oriental.

Que esse modelo não funcione não significa que o socialismo não sirva

Nestes dias difundiu-se em grande escala que Fidel afirmou que o modelo econômico cubano "já não funciona", mas posteriormente assinalou que foi mal interpretado.

Entendo que afirmar que "o modelo cubano já não funciona" não equivale a dizer que o socialismo não serve, como com má intenção se apressaram a difundir inimigos da revolução cubana e partidários do capitalismo para semear confusão e fomentar a chantagem mediática.

Na verdade não é preciso o desmentido de Fidel em relação ao modelo cubano tal e como foi plasmado nestes parágrafos, ainda que sim esteja clara sua negação do capitalismo:

"Em outro momento da conversa, Goldberg conta: "perguntei-lhe se ele achava que o modelo cubano era qualquer coisa que ainda valia a pena exportar." É evidente que essa pergunta levava implícita a teoria de que Cuba exportava a Revolução. Respondo-lhe "O modelo cubano já não funciona nem sequer para nós." Expressei-lho sem amargura nem preocupação. Divirto-me agora ao ver como ele o interpretou ao pé da letra, e consultou, pelo que diz, com Julia Sweig, analista do CFR que o acompanhou, e elaborou a teoria que expôs. Mas o real é que minha resposta significava exatamente o contrário do que ambos jornalistas norte-americanos interpretaram sobre o modelo cubano.

"Minha ideia, como todo mundo conhece, é que o sistema capitalista já não serve nem para os Estados Unidos nem para o mundo, conduzindo-os de crise em crise, que são a cada vez mais graves, globais e repetidas, das quais não podem escapar. Como poderia servir semelhante sistema para um país socialista como Cuba." (FIDEL CASTRO.-Mensagem na apresentação do livro "A contra-ofensiva Estratégica", Havana 10-09-2010)

De qualquer jeito, acho -independentemente do dito e/ou reformulado pelo respeitado e admirado líder histórico dessa revolução e do que pensem os meritórios dirigentes cubanos- que o modelo estatista-burocrático que tem predominado desde faz algumas décadas em Cuba está esgotado e precisa ser substituído preferivelmente por um socialismo participativo com democracia integral.

Por que?

Porque isso é o que pode evitar tanto o acontecido na URSS e Europa do Leste como o que está passando na China.

Porque nas transições socialistas do século XX predominou -repito- o modelo estadista-burocrático, mal chamado "socialismo real" ou "socialismo de Estado", e sua crise na Europa Oriental deveio em restauração capitalista ocidental e na China num capitalismo de Estado "sui generis".

Mudar o modelo ratificando a via socialista

O tema do estancamento, a crise do estatismo e a necessidade da mudança de modelo em Cuba vem propondo-se desde faz tempo por não poucos militantes marxistas, socialistas, comunistas; sem que isto signifique renegar do socialismo, mas todo o contrário. De minha parte proponho-o desde faz décadas -e em muitas ocasiões- de uma óptica socialista-revolucionária.

Agora quero transcreer aqui alguns parágrafos do artigo que escrevi a raiz de 50 aniversários da Revolução Cubana:

"A opção desejável do ponto de vista revolucionário, a que resta por tratar, é a socialização progressiva do estatal, através da autogestión e cogestión dos trabalhadores, através da cooperativização e/ou colectivização das pequenas e médias empresas productivas e de serviços, da combinação de variadas formas de propriedade e gestão social, e de diversas formas de usufructo social da propriedade pública e da conversión progressiva da economia de mercado em economia de equivalencia (na que reja o valor das mercadorias e não seus preços)
?A opção deseable desde uma óptica revolucionária é avançar para uma autentica democracia socialista, separando as funções do partido e do Estado, e das organizações sociais e do Estado, dando-lhe vida real ao poder popular, à participação, aos princípios de revocabilidad, ao controle de cidadãos sobre as instituições, à liderança social e político separado ou não dos cargos governamentais, ao relevo generacional.

"Trata-se de acelerar o trânsito para um socialismo autogestionário, participativo, rejuvenescido; para uma democracia integral. E Cuba conta com grandes reservas culturais e políticas para consegui-lo, o que além do mais desarmaria politicamente a hipócrita campanha de seus adversários a favor da democracia.

"Trata-se também de retomar a partir da sociedade política e civil as linhas de solidariedade em favor da nova independência e a revolução continental, separando com clareza a diplomacia estatal do internacionalismo revolucionário necessário, do antilhanismo e o latino-americanismo consequentes. E isto ajudaria a acelerar e aprofundar o processo transformador que tem lugar hoje na nossa América, em direção ao trânsito para uma democracia participativa e um novo socialismo. (CUBA, Cinquenta anos de revolução: velhas heresias reclamam outras novas.-30 de dezembro 2008)

A essas ideia gerais agreguei em outros trabalhos a necessidade de assumir a maior profundidade a erradicação da cultura machista patriarcal, o adulto-centro (concepção que exclui, menospreza e subordina as jovens gerações), a homofobia e o racismo em todas suas expressões; bem como a necessidade de assumir o tema ambiental em sua real dimensão emancipadora e de criar um sistema de meios de comunicação geradores de democracia socialista. Todas metas inseparáveis de um autêntico projeto socialista.

É claro também que esses eixos de socialização podem assumir diferentes modalidades, graus, velocidades, combinações e formas institucionais, dando lugar a modelos específicos em constante mutação.

Superar o atraso e descartar as opções pró-capitalistas

Lamentavelmente o estancamento prolongou-se demasiado e só agora se fazem mornas tentativas de reformas e readequações, sem que estas apontem para a socialização do estatal e a democratização a fundo da sociedade cubana.

Em Cuba não se esgotou o socialismo, mas sim a falta de socialismo no caminho para ele, determinada pelo fato de que a expropriação do capital privado e multinacional e o poder de decisão passou mãos de um súper Estado proprietário ineficiente e burocratizado, e não ao povoo trabalhador e da sociedade organizada. Isto sem negar seu destacado papel em matéria de redução das desigualdades, saúde pública, educação, desportos... ainda dentro de significativas precariedades e sem obviar que é bem mais fácil transitar da estatização para a socialização que da privatização para o socialismo.

Não se deve perder de vista que a vigência prolongada desse modelo deu lugar à aguda crise estrutural do mesmo, aproveitável pelos inimigos abertos e ocultos do socialismo que aspiram a restaurar o capitalismo em qualquer de suas variantes.

Por isso, junto às propostas e esforços em favor da superação do modelo existente, é preciso se dispor a barrar a passagem a todas as variantes de capitalismo, privado ou de Estado, burdo ou maquilhado, "verme" ou "achinesado".

No meio dessa crise do modelo há quem aposte na substituição do estatismo por um modelo capitalista de tipo Ocidental, dando rédia solta à privatização em todas as vertentes; e também há quem proponha reformas econômicas pró-capitalistas ao "estilo chinês": um modelo em que o estatismo modernizado se combine com as privatizações e o alargamento das concessões ao capital multinacional.

Estas duas opções -reitero- são sumamente negativas:

-A primeira porque é entreguista, recolonizadoras, drasticamente contrarrevolucionária e altamente traumática.

-A segunda porque ainda que menos traumática, mais nacional e desenvolvimentista, é afinal de contas capitalista e, em consequência, promotora da exploração, as desigualdades e as injustiças sociais.

As duas conduzem em termos relativos -e com vulnerabilidades maiores em Cuba- a situações indesejáveis (ainda que diferentes em muitos aspectos), presentes hoje na Europa do Leste e na China.

Socialismo ou barbárie

Como dissemos muitas vezes dantes: essa disjuntiva não é fatal. Existe uma outra opção, uma terceira opção, para superar o status quo em crise.

Sim, há outra via que pode se resumir assim: socializar o estatal com autogestão e cooperativização, promover o contaproprismo e a pequena propriedade estimulando sua associação, incorporar novas formas de propriedade social e de gestão e co-gestão democráticas, impulsionar a economia de equivalências, a descentralização e democratização política para a democracia participativa, cultural e de gênero, para o novo socialismo.

Pode resumir-se assim e se despregar e se desenvolver com criatividade, com constante esforços superador, com formas em mudança, com intensidades e ênfases diferentes.

Entre estas três opções (enunciadas a traço grosso e sem descartar outras que surgirem do talento e a criatividade socialista) é preciso escolher a mas conveniente para a colectividade cubana com determinação e de minha parte não vacilo em favorecer o caminho da nova democracia e o novo socialismo, com as particularidades e modulações de lugar.

Um caminho que parte da análise crítica-construtivo das experiências socialistas frustradas no século XX e do negativo devir dos processos de restauração capitalista na Europa e na Ásia, para revitalizar o ideal socialista, recuperar seu caráter popular-democrático expressado na origem e nas fases iniciais das revoluções proletarias-camponesas e de libertação nacional do século passado, sublinhar as mudanças no capitalismo e o imperialismo em sua fase senil, assumir os contributos teóricos-práticos registrados ao longo das últimas décadas e recrear uma proposta socialista à altura do século XXI.

Assumo esta opção porque estou convencido hoje é mais verdadeiro que nunca que: ou criamos novo socialismo caminho ao comunismo, ou não espera o caos, a destruição e a barbárie.

Fonte: Kaos en la Red.

extraído do Diário da Liberdade

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

La autobiografía de Fidel en “La victoria estratégica” (+ Fotos y documentos)

5 Agosto 2010



26-de-julio_jpg

En exclusiva para Cubadebate, publicamos el ensayo autobiográfico que inicia “La victoria estratégica”, el libro del Comandante en Jefe Fidel Castro. La obra fue presenta este lunes por su autor en La Habana, ante un auditorio encabezado por un grupo de guerrilleros que lo acompañaron en la Sierra Maestra.

Lea más haciendo clic con la isquierda del ratón en la introducción abajo:

Introducción

terça-feira, 3 de agosto de 2010

La victória estratégica - Vídeo






extraído de CubaDebate







La victória estratégica - Presentación

2 Agosto 2010

Foto: Roberto Chile

Alberto Alvariño, Fidel y Ktiuska Blanco. Foto: Roberto Chile

En las primeras filas los Comandantes, capitanes y soldados de la Sierra Maestra. Esperan como todos, conversando con los compañeros que ocupan los asientos cercanos, en el saloncito del Palacio de las Convenciones. La Heroína del Moncada, Melba Hernández, y Teté Puebla, hoy General de Brigada, son las mujeres en primera fila.

A Melba la saluda de primera, con un beso y un abrazo, y va poco a poco, dedicando a todos una frase cariñosa, un gesto alegre. A Fidel se le ve feliz en este reencuentro con sus compañeros de lucha de toda una vida: Ramirito, Guillermo, Furry, Polito, Espinosa, Efigenio, Quinta Solá, Lussón… Los va llamando por el nombre de pila, dándose de vez en cuando golpecitos en la frente como si cada rostro le devolviera antiguas imágenes a la memoria. “Organizando mis recuerdos”, dirá después, cuando hable de la intensa búsqueda documental que necesitó para escribir La victoria estratégica, el libro que presenta hoy ante sus “muchachos”, los que lo acompañaron en los primeros y en todos los combates, los que han vuelto a tener ahora 15, 20, 30 años. Como Teté Puebla, que tenía 16 años cuando comenzó a colaborar con Celia Sánchez. Pero de eso hablaremos al final.

Katiuska Blanco, la investigadora que tuvo a cargo de la edición de Por todos los caminos de la Sierra: La victoria estratégica, que es el título que aparece en la cubierta, inicia la presentación del libro. “Comenzó a escribirse realmente en la Sierra Maestra, de manera heroica, cuando eran 300 combatientes contra 10 000 soldados del Ejército de Batista. Aunque quienes enfrentaron inicialmente la Ofensiva eran menos; se fueron reorganizando después”, dice Katiuska, autora de Todo el tiempo de los cedros, sensible mapa de la familia Castro Ruz, publicado en el 2003.

Katiuska recuerda a Celia Sánchez, que recopiló cada papelito escrito en la Sierra Maestra, y después del Triunfo de la Revolución organizó un pequeño equipo que recorrió las montañas por donde habían pasado los rebeldes, para que investigaran en el terrero y tuvieran por guía la memoria de los protagonistas. Gracias a ese esfuerzo nació la Oficina de Asuntos Históricos del Consejo de Estado que preservó los documentos, partes militares transmitidos por la emisora Radio Rebelde, los mensajes de los jefes guerrilleros y los testimonios de cientos de personas.

En estos se apoyó el Comandante en Jefe para rearmar minuciosamente los días de 1958, cuando el Ejército de la dictadura lanzó su ofensiva contra el Primer Frente Rebelde y la tenaz defensa de ese territorio por las fuerzas guerrilleras, en el firme de la Sierra Maestra.

Katiuska resume emocionada lo que cree perdurará de este esfuerzo editorial: “Fidel, histórico líder de la Revolución cubana, con su sello peculiar de guerrillero escritor, con un estilo literario ágil y fresco -que podríamos definir de una sencillez hemingweyana por el perfeccionismo de la búsqueda del mejor vocablo, la limpieza del lenguaje y la profundidad y simbolismo de las ideas expresadas-, devela para el futuro las claves del triunfo de unos pocos combatientes contra todo un Ejército, armado y equipado hasta la desmesura.”

EN EL DÍA DEL TRABAJADOR GRÁFICO

Por puro misterio del azar, el libro se presenta justo el Día del Trabajador Gráfico, el 2 de agosto. Y no es cualquier edición, sino una que marca un antes y un después de la técnica poligráfica en Cuba. Alberto Alvariño Atiénzar, vicejefe del Departamento Ideológico del Comité Central del Partido, asegura que “por su volumen y complejidad, La victoria estratégica es de lo más relevante que ha realizado la industria editorial y las artes gráficas del país”.

Es este un libro voluminoso de 896 páginas, cosido a máquina, con una impresión de cubierta que tiene un tratamiento combinado de barniz ultravioleta, brillo mate, con estampado y relieve, “una técnica de la más moderna y universal en las artes gráficas, que enaltece a nuestros trabajadores, particularmente a la imprenta ‘Federico Engels’ y Durero Caribe, con el apoyo de la Imprenta ‘Alejo Carpentier’”.

Buena parte de los especialistas y obreros de estas instituciones que trabajaron en la impresión de la obra, así como diseñadores y editores, integran el auditorio que asiste a la presentación del libro en la sala del Palacio de las Convenciones. Están también Elián González y sus dos hemanitos; su padre Juan Miguel y Nersy.

Alvariño comenta que en este momento están en proceso de producción los primeros 10 000 ejemplares, de ellos 3 500 se encuentran en fase de terminación. Proseguirán trabajando en unos 50 000 libros, para tenerlos en manos de la población lo antes posible.

Realizados por el Grupo Creativo del Comité Central del Partido, el diseño y la edición son exquisitos. La victoria estratégica tiene un diseño sobrio, elegante, con amplios márgenes, una tipografía legible y múltiples fotos y manuscritos de la época, los cuales conservan los colores degradados por el tiempo, que el lector disfrutará como si tuviera en sus manos los documentos originales. Tiene además mapas -entre ellos un croquis dibujado por el Comandante en Jefe, al final de un mensaje al capitán guerrillero Ramón Paz- e ilustraciones de los terrenos, reproducidos con rigor cartográfico e histórico, comprensible para un público no especializado.

Las situaciones de las tácticas militares se animaron gráficamente con los armamentos y simbologías que permiten ubicarse fácilmente en el lugar, sin ser un especialista, y cierra el pliego de imágenes con los armamentos empleados en la guerra, muchos de ellos reconstruidos a partir de fotos de la época.

En fin, una joya.

LOS RECUERDOS SE VAN ORGANIZANDO

Sorprendido por la belleza del libro y emocionado por los recuerdos. “Es algo especial que uno siente al recordar todo aquello”. Ese fue su primer comentario. Luego el acierto de escoger para la portada, no una foto, sino ese mapa hecho por él en los históricos días de enfrentamiento a la Ofensiva del Ejército de Batista en agosto de 1958: “ahí está todo, el Turquino, (el alto de) Joaquín, La Jeringa, la tiendecita…” precisa y recuerda cómo le gustaban esos sitios, especialmente el Turquino y Joaquín, “porque había fresco que después se volvía frío…”

“Para mí no resultó muy difícil con todo el trabajo que habían hecho ellos durante varios meses”, comenta Fidel refiriéndose a Katiuska y el equipo de la Oficina de Asuntos Históricos, “que todavía están desempolvando papeles, un montón de papeles”, y pide que le traigan una muestra de lo que ha estado revisando en los días previos a este encuentro para… otro libro en preparación. Le alcanzan una verdadera montaña de expedientes que pone sobre la mesa, los ojea y mientras estos vuelven a su lugar, dice, mirando al Comandante de la Revolución Ramiro Valdés que asiente con la cabeza: “Los recuerdos se van organizando”.

Habla luego de la Introducción y la Autobiografía, como las partes a las que dedicó su mayor esfuerzo en la etapa final, pero insiste en destacar el trabajo colectivo en la localización de fotos, mapas, mensajes, datos generales.

Después entra directamente en el contenido del libro, en el que trabajó duramente desde junio de 2009. Se centra en la importancia del último parte de la Ofensiva, emitido por Radio Rebelde el 7 de agosto de 1958, y que aparece reseñado en el capítulo 25 “El balance final de la batalla”. Katiuska le indica la página que está buscando, la 701, y escuchamos:

Fue una victoria rotunda de nuestras fuerzas guerrilleras.

Con la retirada de la últimas unidades del Ejército de la tiranía de Las Mercedes quedó derrotada de forma aplastante y definitiva la gran ofensiva enemiga contra el territorio rebelde del Primer Frente de la Sierra Maestra, durante la cual el mando militar de la dictadura lanzó sus más poderosos recursos en un intento final por destruir el núcleo central guerrillero.

El valor, la tenacidad, el heroísmo y la capacidad de los combatientes rebeldes en la férrea y organizada defensa de las posiciones, y la aplicación contundente de todas las formas tácticas de acción de la guerrilla, desbarataron la ofensiva en 74 días de incesante e intenso batallar.

Dentro de esa brillante actuación de todos nuestros combatientes, contribuyeron en particular a este desenlace victorioso, un grupo de aguerridos y eficientes capitanes que actuaron en la primera línea de combate, con inteligencia y coraje, al frente de sus hombres.

En este balance final es obligado destacar, en primer lugar, al Che y Camilo, quienes cumplieron cabalmente con su papel de ser mis principales lugartenientes en diferentes momentos, así como a Andrés Cuevas, Ramón Paz, Daniel, Angelito Verdecia, Ramiro Valdés, Guillermo García, Lalo Sardiñas y Pinares, entre otros.

Como escribí en el parte leído por Radio Rebelde el 7 de agosto, apenas al día siguiente de concluida la Batalla de Las Mercedes:

La ofensiva ha sido liquidada. El más grande esfuerzo militar que se haya realizado en nuestra historia Republicana, concluyó en el más espantoso desastre que pudo imaginarse el soberbio Dictador, cuyas tropas en plena fuga, después de mes y medio [de] derrota en derrota, están señalando los días finales de su régimen odioso. La Sierra Maestra está ya totalmente libre de fuerzas enemigas.

En ese punto detiene la lectura y recuerda un nombre. Pregunta por el Teniente Puertas y le responden que murió hace unos cuatro años. Se le advierte el gesto contrariado de un lamento que no pronuncia, pero que está en el espíritu de sus palabras.

Todo el tiempo hablará de los combatientes por sus nombres, recordará con emoción el valor, el arrojo, la manera en que fueron alcanzando la categoría de héroes aquellos muchachos sencillos crecidos en el combate, como el Vaquerito, que ganó su nombre por las botas y el sombrerito que usaba y llegó a ser el legendario jefe del Pelotón Suicida, tan decisivo en la victoria de la Batalla de Santa Clara.

LA VERDAD SIEMPRE

El espíritu humanitario y la vocación justiciera de la Revolución cubana no es un hecho reciente, sino una esencia. El Ejército Rebelde atendía y curaba a sus prisioneros, a tal punto que alguna vez Fidel pensó que muchos de aquellos soldados integrarían el nuevo ejército tras la victoria, solo que ya para entonces había una masa nueva y pura, salida del pueblo, que se uniría a las filas de lo que serían las Fuerzas Armadas Revolucionarias: “La vida, al fin, desbordaba nuestras predicciones y sueños”, sentencia.

En esa misma línea de razonamientos, anuncia otro libro en preparación que da continuidad a éste en el sentido de que narra “la contraofensiva estratégica final del Ejército Rebelde”, un regalo enorme para él por todo lo que tiene que ver y recordar.

Se refiere a los Partes de Guerra de Radio Rebelde y enfatiza que el arma principal del Ejército Rebelde fue siempre la verdad. Lee uno de estos Partes, el del 17 de octubre de 1958, después de lo que él llamó un revés táctico. Desde sus primeros párrafos estremece la sala donde nos encontramos:

Un revés táctico puede ocurrir a cualquier unidad en una guerra, porque el curso de la misma no tiene que ser necesariamente una cadena ininterrumpida de victorias contra un enemigo que ha contado siempre con ventajas de armamentos y recursos bélicos que ha llevado sin embargo la peor parte en esta contienda.

Consideramos un deber del mando de nuestro ejército informar de cualquier vicisitud que pueda ocurrir a cualquiera de nuestras fuerzas en operaciones por cuanto entendemos como norma moral y militar de nuestro movimiento que no es correcto ocultar los reveses al pueblo ni a los combatientes.

Los reveses hay que publicarlos también, porque de ellos se derivan lecciones útiles; para que los errores que cometa una unidad no los cometan otras, para que el descuido en que pueda incurrir un oficial revolucionario no se repita en otros oficiales. Porque en la guerra las deficiencias no se superan ocultándolas y engañando a los soldados, sino divulgándolas, alertando siempre a todos los mandos, exigiendo nuevos y redoblados cuidados en el planeamiento y ejecución de los movimientos y acciones.

“Nosotros solo decíamos la verdad. Si poníamos un fusil de más, engañábamos a nuestros propios compañeros. Decir la verdad fue un principio elemental que nunca falló”, añade Fidel.

El Parte detalla cómo una columna rebelde cayó en una emboscada y fue masacrada posteriormente sin piedad por un sargento de la tiranía batistiana que allí ganó el título de “carnicero”.

“¿Quién entrenó a ese ejército de torturadores, quién le suministró las armas, los tanques, los aviones, las fragatas, quién los enseñó a matar prisioneros y a torturarlos? El imperio, el gobierno de los Estados Unidos, ese mismo que ahora tortura a Gerardo (Hernández) sin justificación alguna, ¿por qué?, ¿hasta cuándo va a durar eso?”, se pregunta Fidel.

Cierra así un análisis que enlaza las historia de hace medio siglo con la actual en el permanente y nunca abandonado propósito imperial de someter a la nación cubana, sin reparar en métodos por repugnantes y cobardes que puedan resultar.

Marta Rojas, periodista y escritora, testigo del Juicio del Moncada, recuerda que hace 57 años, un primero de agosto, ella escuchó la voz de Fidel en una emisora local de Santiago de Cuba. Acababa de ser capturado por el teniente Sarría, que lo condujo al vivac de Santiago de Cuba. ¿Pensó en la metodología que lo llevaría después a la lucha clandestina, a México, al Granma, a la Sierra?, pregunta Marta. “No”, responde Fidel. “Estaba muerto ya casi”, aludiendo al hecho de que no pensaba que podría sobrevivir después de la captura.

Los historiadores Francisca López y Rolando Rodríguez indagan por la ideología del líder del Asalto al Moncada. “Tuve el privilegio de estudiar; y estudiando me convertí en marxista, leninista y martiano… Éramos marxistas-leninistas radicales y estudiábamos el marxismo. Pero por una cuestión táctica no lo decíamos. Usted no va tomar una fortaleza lanzándose de cabeza para chocar contra ella. Usted da la vuelta, la rodea…”

Termina el diálogo, y una inolvidable fila de jefes y soldados del Ejército Rebelde espera para que él les firme el libro. No alcanzamos a escuchar lo que él les dice, pero está indudablemente feliz. Se ríe por momentos como un niño.

Teté Puebla sale con su libro de la fila, tiene lágrimas en los ojos. Lo acaricia. Ha descubierto un pasaje donde Fidel la menciona: “La mensajera a la que hacía referencia el Che resultó ser Teté Puebla, eficaz colaboradora de Celia, quien tuvo una participación destacada en este episodio (se refiere a la entrega de los prisioneros tomados en la batalla de El Jigüe) y más adelante sería la segunda jefa del pelotón femenino Marina Grajales”.

“Yo tenía 16 años, una muchachita. No querían darme tareas serias”, le comenta Teté a un compañero. “Y mira a la muchachita aquí…¿Quién me hubiera dicho que iba a volver a vivir mis 16 años?”

Combatientes del Ejército Rebelde que asistieron a la presentación del libro La victoria estratégica

  • Comandante de la Revolución Ramiro Valdés Menéndez
  • Comandante de la Revolución Guillermo García Frías
  • General Cuerpo Ejército Abelardo Colomé Ibarra
  • General Cuerpo Ejército Leopoldo Cintras Frías
  • General Cuerpo Ejército Ramón Espinosa Martín
  • General Cuerpo Ejército Joaquín Quinta Solá
  • General de División Efigenio Ameijeiras Delgado
  • General de División Antonio Enrique Lussón
  • General de División Ramón Pardo Guerra
  • General de División Romárico Sotomayor
  • General de Brigada Delsa Esther Puebla
  • General de Brigada (R) Raúl Castro Mercader
  • General de Brigada (R) Luis Alfonso Zayas
  • General de Brigada (R) Reinaldo Mora
  • General de Brigada (R) Harry Villegas
  • General de Brigada (R) Rolando Kindelán
  • Coronel (R) Orlando Pupo Peña
  • Coronel (R) Orestes Guerra
  • Coronel (R) José R. Silva Berroa

PARTE MILITAR QUE SE INCLUIRÁ EN UN SEGUNDO VOLUMEN DE LAS MEMORIAS DE FIDEL

RADIO REBELDE: Octubre 17 de 1958

LA SITUACIÓN MILITAR

Hemos recibido hoy de la Comandancia General el siguiente parte de guerra: “La columna Nº 11, al mando del capitán Jaime Vega, sufrió un serio revés en su zona de operaciones en la provincia de Camagüey.

Sobre este hecho ocurrido hace más de dos semanas no habíamos ofrecido información alguna en espera de las investigaciones y los datos exactos que fueron ordenados al respecto. Un revés táctico puede ocurrir a cualquier unidad en una guerra, porque el curso de la misma no tiene que ser necesariamente una cadena ininterrumpida de victorias contra un enemigo que ha contado siempre con ventajas de armamentos y recursos bélicos que ha llevado sin embargo la peor parte en esta contienda.

Consideramos un deber del mando de nuestro ejército informar de cualquier vicisitud que pueda ocurrir a cualquiera de nuestras fuerzas en operaciones por cuanto entendemos como norma moral y militar de nuestro movimiento que no es correcto ocultar los reveses al pueblo ni a los combatientes.

Los reveses hay que publicarlos también, porque de ellos se derivan lecciones útiles; para que los errores que cometa una unidad no los cometan otras, para que el descuido en que pueda incurrir un oficial revolucionario no se repita en otros oficiales. Porque en la guerra las deficiencias no se superan ocultándolas y engañando a los soldados, sino divulgándolas, alertando siempre a todos los mandos, exigiendo nuevos y redoblados cuidados en el planeamiento y ejecución de los movimientos y acciones.

Pero en este caso, además, la acción fue caracterizada por hechos posteriores que el pueblo debe conocer cabalmente que atañen muy seriamente al destino de las fuerzas armadas de la República y que de continuarse repitiendo pueden tener consecuencias muy graves para el futuro de esos institutos.

Nosotros hemos proclamado muchas veces que no estamos en guerra contra las fuerzas armadas sino contra la tiranía. Pero la actuación y la corresponsabilización de los oficiales, clases y soldados del ejército principalmente, con ciertos actos de inaudita barbarie puede llegar a un grado tal, que ningún militar hoy en activo tenga justificación para sentirse ajeno de culpa con los hechos que están ocurriendo desde que la ambición desmedida de un dictadorzuelo sin escrúpulos y la traición de unos cuantos oficiales el diez de marzo de mil novecientos cincuenta y dos, condujo al ejército al rol antidemocrático, inconstitucional e indigno que está desempeñando.

Los hechos a que me refiero ocurrieron así: El Capitán Jaime Vega descuidando las medidas tácticas de seguridad contenidas en las instrucciones precisas recibidas y que deben tomarse siempre en territorios dominados por el enemigo, avanzaban en camiones la noche del 27 al 28 de Septiembre por un terraplén que conduce del Central Francisco al Central Macareño al sur de la provincia de Camagüey.

La compañía 97 de las fuerzas de la Dictadura, emboscadas en el terraplén abrieron fuego por sorpresa sobre la columna a las dos de la madrugada del día 28 apoyados con barraje de ametralladoras pesadas. Las descargas cerradas del enemigo contra los vehículos ocasionaron a la Columna, 18 muertos cayendo prisioneros once de los heridos que no pudieron ser recuperados en medio de la noche bajo el fuego de las ametralladoras enemigas emplazadas en posiciones ventajosas. Los prisioneros heridos rebeldes fueron llevados al hospital de Macareño, siendo atendidos por el médico de ese lugar y dos médicos que mandó a buscar a Santa Cruz del Sur el Teniente Suárez, Jefe de la Compañía 97. Al día siguiente llegó en un avión el coronel Leopoldo Pérez Coujil y poco después arribaron en un automóvil el teniente coronel Suárez Souquet, el Comandante Domingo Piñeiro y el Sargento Lorenzo Otaño de su guardia personal.

El coronel Pérez Coujil, le obsequió a la compañía con $ 1, 000.00, en efectivo que se distribuyeron entre los soldados.

Después lo primero que hizo fue golpear en el rostro a uno de los prisioneros heridos. Una vez que los hubo interrogado dio instrucciones al Teniente Coronel Souquet de que había que matar a todos los heridos. Este último, designó al comandante Piñeiro para que simulando un combate, al trasladar a los heridos para Santa Cruz del Sur, los ultimara en el camino.

Prepararon camiones con colchones donde los colocaron y partieron con ellos. Después de caminar algunos kilómetros empezaron ellos mismos a tirar mientras el comandante Piñeiro gritaba: “Nos están atacando los rebeldes”, en cuya oportunidad el sargento Otaño lanzó dos granadas de mano en los camiones donde iban los heridos, los que a su vez creyendo que realmente eran sus compañeros decían: “compañeros, somos nosotros que estamos heridos, no disparen”. El sargento Otaño subió a los camiones y con un fusil -ametrallador- fue ultimando a los que estaban agonizando; algunos habían perdido los brazos por efecto de las granadas, otros la cabeza y en el interior del camión no quedó más que un amasijo de carne y sangre humana. Al sargento Otaño desde entonces, los propios soldados lo apodan “el carnicero”. Después colocaron los restos en un camión y los llevaron para Santa Cruz del Sur donde abrieron una fosa y los enterraron.

La narración de estos hechos por sí sola es suficiente para indignar al más insensible. Pero sobre ningún ciudadano puede producir los mismos efectos que sobre los médicos rebeldes que curaron a más de cien soldados prisioneros heridos en los días de la ofensiva contra la Sierra Maestra, sobre nuestros combatientes que los transportaron en hombros y camillas, desde los campos de batalla a los hospitales a muchas millas de distancia. Tal vez entre esos heridos rebeldes asesinados se encontrasen algunos de los compañeros que durante la batalla del Jigüe transportaron enemigos heridos desde la línea de fuego a los sitios donde recibieron la primera atención en horas de la noche, escarpando las farallas casi inaccesibles. Esos heridos asesinados en Camagüey, vieron desfilar ante sus ojos en la Sierra Maestra los 442 soldados de la tiranía entregados a la Cruz Roja Internacional y Cubana y compartieron con ellos sus medicinas y alimentos.

La falta de reciprocidad no puede ser más repugnante y cobarde, no es éste un caso aislado por parte de un oficial o una tropa determinada, es una costumbre generalizada en todo el ejército hasta un grado que produce asco.

Cuando el ataque al Moncada, asesinaron a los prisioneros; cuando el Goicuría, asesinaron a los prisioneros; cuando el desembarco del Granma, asesinaron a los prisioneros; cuando el asalto a Palacio, asesinaron a los prisioneros; cuando el desembarco de Calixto Sánchez, asesinaron a los prisioneros; cuando la sublevación de Cienfuegos, asesinaron a los prisioneros. Pero en todos aquellos casos el ejército podía tener todavía alguna esperanza de conservar el poder, era fuerte, no había sufrido derrotas sustanciales, podía pensar que sus crímenes iban a permanecer impunes, ante la impotencia de un pueblo desarmado. Lo sucedido en Camagüey, sin embargo es doblemente indignante y absurdo, primero porque todavía está fresca en la memoria de la ciudadanía los cientos de sus soldados que fueron devueltos a la Cruz Roja por los rebeldes, sanos y salvos y segundo, porque los soldados de la tiranía están perdiendo la guerra, han sido vencidos en numerosas batallas, pierden cada día más terreno, retroceden en todas partes.

Están perdiendo la guerra, y sin embargo, asesinan a los pocos heridos prisioneros que caen en sus manos del ejército que está venciendo. Por ese mismo territorio de Camagüey, marcharon victoriosas e incontenibles las columnas Nº 2 y Nº 8 de los Comandantes Camilo Cienfuegos y Ernesto Guevara, sin que pudieran detener su paso las numerosas fuerzas que lanzó contra ellos la dictadura. La vanguardia invasora ha penetrado ya más de cincuenta kilómetros en el territorio de Las Villas.

¿Qué sentido político o militar puede tener ese alevoso asesinato de los rebeldes heridos, sino lanzar sobre las fuerzas armadas, harto desprestigiadas ya, una mancha de sangre que muchas veces recordará la Historia como una vergüenza infinita para cualquier soldado que hoy viste el uniforme infame y deshonrado del que no puede volver a llamarse jamás “Ejército de la República”. Este hecho será denunciado ante la Cruz Roja Internacional y demandaremos el envío de delegados, de la misma para investigar lo sucedido y será dirigida también una carta abierta a las fuerzas armadas, haciéndoles ver la responsabilidad que están echando sobre sus hombros. En poder nuestro están, además, numerosos soldados prisioneros, un Teniente Coronel, para mayor paradoja herido y siendo atendido en un hospital nuestro, un comandante y dos capitanes.

Constituye una cobardía infinita y una ausencia total de compañerismo, la conducta del coronel Leopoldo Pérez Coujil, el Teniente Coronel Suárez Souquet, el Comandante Triana y demás miserables asesinos, olvidarse de esos compañeros suyos que están aquí, prisioneros de nosotros, sin otras garantías para sus vidas que la calma y la serenidad que hay que tener frente a estos hechos vandálicos, el sentido humano y justiciero de la guerra que estamos librando, el ideal de lucha que nos inspira y el concepto verdadero que tenemos del Honor Militar. No crean ninguno de los responsables de tales actos que tendrán escapatoria. No los salvará siquiera un viraje del ejército a última hora, porque una de las condiciones que hemos puesto y mantendremos firmemente ante cualquier golpe de Estado es la entrega inmediata de los criminales de guerra y de todos los militares y políticos que se hayan enriquecido con la sangre y el dolor del Pueblo, desde Batista hasta el último torturador.

De lo contrario tendrán que seguir afrontando la guerra hasta su total destrucción, porque la Revolución no podrán obstruccionarla lo más mínimo ni la asquerosa farsa que se prepara para el próximo 3 de Noviembre, ni el golpe de Estado que no venga precedido por las condiciones que establece el Movimiento “26 de Julio” y mediante acuerdo previo.

Los que han sembrado vientos recogerán tempestades. Nadie duda ya que las decadentes y desmoralizadas fuerzas de la tiranía no podrán contener el empuje victorioso del pueblo.

Para eso tendrían que vencer primero a cada una de las columnas que ya están operando sólidamente en cuatro provincias y después tomar en la Sierra Maestra hasta la última trinchera en la cúspide del Pico Turquino defendida por el último soldado rebelde y el ejército de Batista ha demostrado ya suficientemente que es incapaz de hacerlo.

A la Comandancia General ha llegado un informe extenso de la Columna Invasora Nº. 2 Antonio Maceo, que después de atravesar victoriosamente la provincia de Camagüey ha penetrado en el territorio de Las Villas. Dicho informe, que contiene la narración detallada de una extraordinaria proeza militar, será leída, por Radio Rebelde y el pueblo tendrá oportunidad de conocer uno de los episodios más emocionantes con los que se está escribiendo la historia viva de la Patria.

Fidel Castro
Comandante Jefe.

extraído de CubaDebate