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terça-feira, 9 de agosto de 2011

“Desestimulância” da impunidade reinante



“Assim, em que pese a indenização pecuniária se trate de forma de reparação secundária do bem ambiental lesado, é verdadeira medida de compensação ecológica que garante o caráter coercitivo da responsabilidade civil ambiental, desestimulante da impunidade ainda hoje reinante em um Poder Judiciário muito empenhado contra humildes infratores...”
 – Fernando Cordioli Garcia, Juiz de Direito.


Ana Echevenguá

Mais uma decisão bombástica foi produzida em Santa Catarina, pelo doutor Fernando Cordioli Garcia. Leitura obrigatória para os operadores de Direito Ambiental.

Comarca de Otacílio Costa. Sentença da Ação Civil Pública nº 086.08.000724-0.

Essa vai ficar na história!

1. Condenou os réus ao pagamento de indenização de um milhão de reais, a ser pago ao FRBL -Fundo de Reconstituição dos Bens Lesados de Santa Catarina; e fixou multa diária de cem mil reais, também revertidos para FRBL, para o caso do descumprimento da decisão. Para chegar a esse valor, baseou-se no

“lucro que os réus certamente aufeririam com a venda dos pinheiros de seu reflorestamento, bem como a capacidade financeira do GRUPO ZAPELINI, que com ele conta para continuar a ignorar e ludibriar as autoridades ambientais, apostando na rentabilidade diante do baixo risco da atividade clandestina”. Ou seja, a indenização corresponde “a cerca de 100% do lucro que pretendiam os réus auferir com a atividade não licenciada e degradadora do meio ambiente”.

2. Impôs a perda da madeira existente no local, que ocupa 30 hectares da fazenda (quase 30 campos de futebol), em prol do FRBL.
Uma das novidades implementadas nesse processo é que, de ofício, doutor Cordioli nomeou um Administrador Judicial,

com formação em Engenharia Florestal, para gerir a madeira em desenvolvimento, existente no local do dano, (...) a fim de evitar que eles procedam a retirada da riqueza natural, ou então, vingativamente, sua destruição”.

Decisões como esta abrem portas aos profissionais da iniciativa privada. Para Cordioli,

“é impossível nomear qualquer agente público, porquanto o dano, bem como a ação, já é fruto da incapacidade operacional dos órgãos públicos, especialmente a FATMA, de se desimcumbir de sua missão, requisições as quais ela mesma se nega a cumprir, mesmo legais e oriundas da Justiça”.

A ação foi movida pelo Ministério Público Estadual, após o descumprimento de um acordo judicial no qual os proprietários da Fazenda Mandori comprometeram-se a recuperar uma área degradada com plantio de pinus taeda,

“cujos malefícios causados ao solo são deveras conhecidos, mormente em razão de terem sido plantados em região lindeira aos cursos d'água”.

Resumo da ópera:

Pinus Taeda
Em 06/11/2002, a Polícia Ambiental constatou o desmate ilegal de 30 hectares de mata nativa, para plantio de pinheiro americano (pinus taeda).

Os infratores comprometeram-se a recuperar a área degradada e ao pagamento de R$3.000,00 à Polícia Ambiental. Mas, em 2007, constatou-se que, ao invés da recuperação, ocorreu o reflorestamento clandestino da área sub judice, com pinus, exclusivamente para fins comerciais.

Ou seja, ampliaram o reflorestamento irregular, atingindo inclusive APPs – áreas de preservação permanente.

Para o doutor Cordioli,

“a conduta se mostra cristalina para destacar o descaso dos réus pela Justiça e a certeza da impunidade”.

Sabemos o quanto isso é corriqueiro! Um TAC ou uma transação penal é assinado como se assina cheque sem fundos.

Leiam a decisão! Sintam-se felizes porque o Poder Judiciário ainda conta com magistrados que se preocupam com a defesa e proteção do meio ambiente.

E, nessa seara, o doutor Cordioli é exemplar!

Enviado por Ana Echevenguá – advogada ambientalista

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A História das Coisas

História das coisas -  Versão brasileira

Versão brasileira
Um projeto da comunidade PERMACULTURA no Orkut

Este vídeo mostra os problemas sociais e ambientais criados como consequência do nosso hábito consumista norte-americano; apresenta os problemas deste sistema e mostra como podemos revertê-lo, porque não foi sempre assim.
Dublagem: Nina Garcia


Enviado à redecastorphoto por Sílvio de Barros Pinheiro

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A nova Lei do lixo é um LIXO

Ana Echevenguá

Entrou em vigor no Brasil a Lei 12.305/2010, que trata da política nacional dos resíduos sólidos. Mas, como tantas outras leis, esta corre o risco de não sair do papel.

Digo isso porque um de seus dispositivos, que ordena que a “disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos” seja implantada até o dia 02 de agosto de 2014, coloca em dúvida sua aplicabilidade.

Primeiro, porque não há previsão de penalidade para o caso de descumprimento deste prazo. Nem na referida lei nem no Decreto Federal 7.404/2010 que a regulamenta.

E, segundo, porque vivemos no país dos lixões. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE - apurou, através da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008, divulgada em agosto de 2010, que apenas 50,8% dos municípios brasileiros dão destinação final adequada aos resíduos sólidos. E que somente 27,7% usam prioritariamente os aterros sanitários.

Ou seja, o lixão está arraigado à cultura brasileira. Todos querem o lixo distante da porta de sua casa, mas não se preocupam com a destinação dada a esse.

Assim, a nova lei não ajuda muito na aplicabilidade e eficácia da política dos resíduos no cotidiano dos brasileiros. Inicialmente, tudo vai girar em torno de estudos, elaboração de planos de gerenciamento, coleta de dados... Sem grandes avanços quanto à destinação final ambientalmente correta, que é o grande problema que vivenciamos.

A questão enfática da nova regra recai na obrigação denominada de “logística reversa” que obriga – no papel - os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de alguns produtos à implantação de métodos que viabilizem o retorno após o consumo.

Mas a forma e os prazos para a implementação dessa logística dependerá de acordos setoriais, regulamentos específicos ou termos de compromisso firmados entre o setor privado e o Poder Público. Para isso, será criado o Comitê Orientador para Sistemas de Logística Reversa, composto pelo Ministério do Meio Ambiente, da Saúde, do Desenvolvimento, da Agricultura e da Fazenda.

A questão da reciclagem recaiu em meras exigências de criação de programa de melhoria de condições de trabalho e de inclusão socioeconômica dos catadores e recicladores.

Um ponto chama a atenção e merece ser divulgado. Quem realmente poderá ser penalizado com essa nova lei é o consumidor. Ele terá que acondicionar adequadamente os resíduos reutilizáveis e recicláveis, quando da implantação do sistema de logística reversa ou de coleta seletiva. E, para garantir o cumprimento dessa obrigação, o Decreto prevê multa de R$ 50,00 a $500,00.

Quanto à responsabilidade do Poder Público, a lei exige elaboração de planos de gestão estratégica dos resíduos e o decreto limita-se a impor que o sistema público de limpeza urbana e manejo de resíduos estabeleça a separação entre resíduos secos e úmidos. E que, progressivamente, passe a exigir a separação de resíduos secos em função de sua natureza (plástico, papel, vidro...).

É importante reconhecer que se trata de uma medida bem intencionada; mas dificilmente atingirá seu objetivo: a correta destinação dos resíduos que produzimos diariamente. Nosso arcabouço jurídico é projetado por lobistas que defendem os interesses de seus clientes. E, neste caso, não estão contemplados os reais interesses da sociedade brasileira.

Enviado por Ana Echevenguá - advogada ambientalista - OAB/SC 17.413
Florianópolis - SC.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A NOVA GUERRA DE GIAP

O CAPITALISMO CHINÊS


Laerte Braga


Vo Nguyen Giap tem 98 anos de idade e derrotou franceses e norte-americanos nas guerras pela libertação da antiga Indochina, o Vietnã. Ao lado de Ho Chi Min e do povo vietnamita.


Um dos maiores estrategistas militares do século passado e chamado pelo jornal LA REPUBBLICA de “general de dois séculos”, acusa o governo de seu país de ser tolerante com o capitalismo chinês, com graves prejuízos para o ambiente e povo do Vietnã.


Seu discurso, duro e preciso, com a autoridade moral de quem se entregou à tarefa de viver pela dignidade e independência de seu país, não foi contestado pelas autoridades comunistas – como ele – do Vietnã.


Giap denuncia o capitalismo chinês, conhecido no Vietnã como “sinistro”, pelo absoluto e total desrespeito ao ambiente e aos países onde põe o seu tacão.


É difícil dizer que o regime chinês seja comunista. Num país onde a corrupção gerada pelo capitalismo – intrínseca ao sistema -- é cada vez maior o número de milionários num clube menor de privilegiados e maior o de escravos num clube de mais de um bilhão de pessoas, não há como escapar de uma conclusão simples. Uma ditadura cruel e perversa de um partido traindo os ideais revolucionários que, por um tempo, libertaram o povo chinês.


Giap denunciou a cessão de direitos sobre minas quase intocadas de bauxita na província de Cao Bang. A linguagem é típica de países capitalistas, países e negócios. A formação de “joint-ventures” com empresas chinesas. A região, como narra Raimondo Bultrini que conversou com o general e publicou suas declarações na edição de 19 de julho, “é uma encantadora cascata de montanhas e colinas cultivadas”, justamente na fronteira com a China.


Em 1979 os chineses invadiram o Vietnã em represália à condenação do governo de Ho Chi Min ao Khmer Vermelho do Camboja. A invasão teve apoio dos EUA (o Khmer matou milhões de pessoas no Camboja). Terá sido a última grande batalha do velho general. Giap, numa espetacular manobra só possível aos grandes estrategistas militares, cortou as linhas chinesas de suprimento, isolou os chineses e um acordo para aquele tipo de retirada nem tão devagar que parece provocação e nem tão depressa que pareça medo, foi a conseqüência. No duro mesmo foi bem rápida.


Os acordos feitos pelo governo comunista (o pragmatismo em determinados momentos cheira a rendição, submissão, partidos revolucionários viram empresas) do Vietnã com o governo sei-lá-o que-da-China, vão “mudar para sempre o rosto ainda não contaminado dos altiplanos centrais e setentrionais”.


A região faz parte da História das lutas do Vietnã pela independência, foi local de um dos refúgios de Ho Chi Min.


Breve o tacão capitalista chinês sufocando e destruindo o povo e o ambiente.


Os discursos e as entrevistas de Giap, além do apelo do prêmio Nobel Nguyen Huu Ninh, do manifesto de intelectuais, acadêmicos, veteranos das guerras de libertação, não foram capazes de sensibilizar o governo submetido a Pequim.


“É meu parecer que nós não devemos explorar a bauxita. A sua extração irá causar conseqüência graves ao ambiente, à sociedade e à defesa nacional”.


O acordo do governo do Vietnã foi firmado com a chinesa CHINALCO, uma das gigantes do setor de alumínio e em 2012 todo o aparato capitalista estará montado e destruindo a região.


Para Nguyen Tan Dung, primeiro-ministro do “novo comunismo” vietnamita, subordinado ao imperialismo chinês, todo esse amontoado de acordos e “joint ventures” é “uma das principais políticas econômicas do partido e do governo”.


Rios como o BA e o SEREPOK em breve estarão contaminados por agentes químicos e tóxicos derivados da “exploração, em uma região habitada pelo maior número de etnias indígenas não vietnamitas”.


Quinze milhões de dólares foi o valor pago a empresa estatal do Vietnã VINACOMIN, pela chinesa CHINALCO.


Comprou um país na chamada visão “social capitalista” do governo atual da antiga Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Min.


O discurso e vários pronunciamentos e entrevistas do general Giap calaram fundo em seu povo. A idade avançada e a doença, no entanto, impedem-no de uma luta maior e essa deve ser a primeira derrota de um dos maiores generais da História. Um raro general revestido de dignidade, numa seara onde a barbárie é quase regra geral.


“O ataque de Giap teve efeitos milagrosos. Deu coragem a outras vozes de dissenso, em uma sociedade que se moderniza velozmente. Quem se colocou como escudo do general de 98 anos, expondo-se, foram 135 acadêmicos, economistas e cientistas”. Eles também assinaram um pedido ao governo, com tons duros para com a China:


“A REPÚBLICA POPULAR TEM UMA FAMA SINISTRA PELOS DESASTRES AMBIENTAIS QUE ESTÁ PROVOCANDO”


O comunismo na China é rótulo. Mero capitalismo disfarçado e imposto a chineses, agora se estendendo por vários países da Ásia e alcançando a África.


O que se vê é apenas o embate de dois monstros predadores. EUA e China.


Deve servir de exemplo para o processo de integração latino-americana. Como não deve ser.


Giap e Fidel são os últimos governantes com estatura de estadistas, como Oscar Niemeyer, centenário em sua fidelidade a princípios. Giap não foi propriamente um governante, foi comandante militar de seu povo na luta pela independência, contra colonizadores e invasores.


O que se vê hoje são apenas homens de negócios vestindo essa ou aquela roupa segundo as conveniências, onde nada é pessoal, pois é um mundo em que pessoas são cada vez mais objetos.


CHINALCO, GENERAL MOTORS, CITY BANK, entre nós VALE, ARACRUZ, no mundo inteiro matando pessoas BAYER, MONSANTO, e os gerentes, Obama, Sarkozy, o primeiro-ministro inglês Cameron, etc, etc.


Não é um “Admirável Mundo Novo”, não, não é. É o mundo “O Macaco e a Essência”.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O ESTALEIRO E A INSÂNIA

Introdução

Por Raul Longo

Melancolicamente, ao final do governo que mais fez pela preservação da qualidade de vida do povo brasileiro, se está ameaçando com a perpetração do que será o maior crime sócio/ambiental da história do Brasil, depois da invasão amazônica dos anos 70, durante a ditadura militar.

E o mais lamentável é que se o faz com o apoio e o aval de importantes nomes e cargos deste governo que muito fez por merecer um desfecho mais memorável e sem a mancha de ser aquele onde se iniciou a degradação humana e paisagística de um dos mais belos e internacionalmente valorizados pontos turístico do país, composto por uma de suas sociedades de mais singulares características.

Um crime estúpido e desnecessário, por meras exigências de máxima lucratividade com o mínimo investimento do homem mais rico do país. Crime cometido através do ludibrio de uma população tímida e ingênua e da compra de abjetos políticos prostitutos sem o mínimo pudor de se reafirmarem como tal na lembrança de todo, brasileiro e/ou estrangeiro, que um dia tenha conhecido e admirado a bela Ilha de Santa Catarina e suas cercanias.

O ESTALEIRO E A INSÂNIA

Edison Jardim

O empresário Eike Batista, que a imprensa noticia ser a pessoa mais rica do Brasil, e a revista norte-americana Forbes colocou, em seu ranking mundial de fortunas de 2.010, como ocupando a oitava posição, com um patrimônio estimado em US$ 27 bilhões, almeja construir, por intermédio da empresa OSX- o braço naval do seu conglomerado-, um mega estaleiro no município de Biguaçu, na grande Florianópolis, ao custo previsto de R$ 2,5 bilhões. Luiz Henrique da Silveira, que, como governador do Estado, revelou-se um “intelectual” sem nenhuma percepção e sensibilidade para a questão ambiental, prometeu-lhe vida fácil. Afinal, já havia reduzido a FATMA, o órgão encarregado dos licenciamentos ambientais do governo do Estado, a um mero escritório “carimbador” dos interesses dos empresários poderosos. Isso ficou muito claro desde a denominada: “Operação Moeda Verde”, deflagrada pela Polícia Federal no dia 03/05/07, com a prisão de influentes empresários, políticos e agentes públicos, inclusive da FATMA e da FLORAM, este o órgão ambiental de Florianópolis.

A FATMA se arvorava no direito de “cuidar” sozinha do processo de licenciamento ambiental do estaleiro. O estaleiro seria o galinheiro... O Ministério Público Federal em Santa Catarina, conhecendo a história da FATMA na “defesa” do meio ambiente catarinense, e respaldado na legislação vigente, ameaçou interpor as competentes medidas judiciais para garantir à participação dos órgãos ambientais federais no licenciamento do estaleiro, afinal, a navegação dos navios seria realizada num corredor de reservas federais. Sem moral para bater o pé, a FATMA perdeu a parada, embora continuando no circuito.

Recentemente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade- ICMBio, órgão federal criado pela Lei nº 11.516, de 28 de agosto de 2.007, tendo procedido à análise do Estudo de Impacto Ambiental- EIA, apresentado pela OSX, tornou público alentado parecer redigido por cinco dos seus técnicos, cuja conclusão está vazada nestes termos peremptórios: “Considerando a incidência de impactos permanentes, negativos, de alto risco e irreversíveis para os ecossistemas costeiros e a biota da ESEC Carijós, APA do Anhatomirim e REBIO Arvoredo, incluindo a população de golfinhos-cinza, assim como para as atividades de maricultura, pesca e extrativismo no caso da APA do Anhatomirim e RESEX Pirajubaé, a equipe técnica integrante conclui pela inviabilidade ambiental do empreendimento para a alternativa locacional proposta. Portanto, recomendamos que o ICMBio não conceda a autorização requerida.” As abreviaturas acima têm os seguintes significados: ESEC é Estação Ecológica; APA é Área de Proteção Ambiental; REBIO é Reserva Biológica; e RESEX é Reserva Extrativista.

O risco ao meio ambiente é tão grande que o professor Paulo César Simões Lopes, reputado cientista de zoologia aquática, contratado pela OSX para elaborar os documentos legais de impacto ambiental, concluiu o seu parecer da seguinte forma:

“Sugere-se, fortemente, a recolocação do empreendimento para outra área, onde já existam complexos portuários fora de baías ou enseadas, de maneira que os efeitos nocivos não sejam potencializados como ocorre nas áreas internas”; recomendando, por fim, àquela empresa que “não aceite” bancar “o risco do passivo ambiental”.

O parecer técnico do ICMBio não é contra o empreendimento em si, mas defende com veemência, como visto, que ele seja realocado em uma outra área de Santa Catarina, dentre as três apontadas pelo próprio EIA apresentado pela OSX. Esta empresa recorreu para o Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, ameaçando com a possibilidade de construir o estaleiro no Estado do Rio de Janeiro.

Seguiu-se uma mobilização maior ainda dos aliados de sempre: a classe política- o empresário Eike Batista já deve estar providenciando as devidas contribuições financeiras para as campanhas eleitorais- e as entidades associativas do empresariado, dentre as quais a Fiesc, Acif e Sinduscon- cada uma pensando somente nos rentáveis negócios futuros das empresas que representam.

Enviado por Raul Longo

domingo, 18 de julho de 2010

La otra tragédia

18 Julio 2010

En mi reunión con los economistas del CIEM, el martes 13 de julio, les hablé del excelente documental del director francés Yann Arthus-Bertrand, con la participación de las más preclaras y bien informadas personalidades internacionales, acerca de otro terrible peligro para la especie humana que está ocurriendo ante nuestros ojos: la destrucción del medio ambiente.



El documental afirma de forma clara y lapidaria:


“En la gran aventura de la vida en la Tierra, cada especie tiene un papel que jugar, cada especie tiene su lugar. Ninguna es inútil o dañina, todas se balancean. Y ahí es donde tú homo sapiens, humano inteligente, entras en la historia. Te beneficias de un fabuloso legado de 4 000 millones de años, proveído por la Tierra. Solamente tienes 200 000 años, pero ya has cambiado la faz del mundo.”


“La invención de la agricultura cambió nuestra historia. Fue hace menos de 10 000 años.”


“La agricultura fue nuestra primera gran revolución. Resultó en los primeros excedentes y dio nacimiento a ciudades y civilizaciones. Los recuerdos de miles de años buscando comida se desvanecieron. Habiendo hecho del grano la levadura de la vida, multiplicamos el número de variedades y aprendimos a adaptarlos a nuestros suelos y climas. Somos como todas las especies en la Tierra. Nuestra principal preocupación diaria es la de alimentarnos. Cuando el suelo es menos que generoso y el agua se vuelve escasa somos capaces de hacer prodigiosos esfuerzos, para extraer de la tierra suficiente para continuar vivos.”


“La mitad de la humanidad labra el suelo, más de tres cuartas partes con las manos.”


“Energía pura. La energía del sol, capturada durante millones de años por millones de plantas hace más de 100 millones de años. Es carbón. Es gas. Pero sobre todo es petróleo.”


“En los últimos 60 años, la población de la Tierra se ha casi triplicado. Y más de 2 000 millones de personas se han mudado a las ciudades.”


“New York. La primera megalópolis del mundo, es el símbolo de la explotación de la energía que provee la Tierra al ingenio humano. La mano de obra de millones de inmigrantes, la energía del carbón, el indispensable poder del petróleo. Estados Unidos fue el primero en cabalgar el fenomenal, revolucionario poder del ‘oro negro’. En los campos, las máquinas reemplazaron a los hombres. Un litro de petróleo genera tanta energía como 100 pares de manos en 24 horas.”


“Producen suficiente grano para alimentar a 2 000 millones de personas. Pero mucho de ese grano no es usado para alimentar gente. Aquí y en otras naciones industrializadas es transformado en comida para ganado o en biocombustible.”


“Tan lejos como alcanza la vista, fertilizante abajo, plástico arriba. Los invernaderos de Almería, España, son el huerto de Europa. Una ciudad de vegetales de tamaño uniforme espera cada día a que cientos de camiones los lleven a los supermercados del continente. Mientras más desarrollado está un país, más carne consumen sus habitantes. ¿Cómo puede ser satisfecha la demanda mundial sin recurrir a granjas de ganado estilo campo de concentración? Cada vez más rápido. Como el ciclo de vida del ganado, que puede no haber visto nunca una pradera.”


“En estos lotes de comida, atestados de millones de cabezas de ganado, no crece ni una brizna de pasto. Una flota de camiones de cada rincón del país traen toneladas de grano, alimento de soya, y gránulos de proteína que se convertirán en toneladas de carne. El resultado es que se necesitan 100 litros de agua para producir un kilogramo de papas, 4 000 litros para un kilo de arroz y 13 000 litros para un kilo de carne de res. Sin mencionar el petróleo quemado en el proceso de producción y el transporte.”


“Sabemos que el fin del petróleo barato es inminente, pero nos rehusamos a creerlo.”


“Los Ángeles. En esta ciudad que se esparce a lo largo de más de 100 kilómetros, el número de autos es casi el mismo que el número de habitantes.”


“El día no parece más que un pálido reflejo de las noches que convierten a la ciudad en un cielo estrellado.”


“En todas partes las máquinas cavan, extraen y arrancan de la tierra los pedazos de estrellas enterradas en sus profundidades desde su creación… Minerales.”


“…80% de esta riqueza mineral es consumida por el 20% de la población mundial. Antes del final de este siglo, la minería excesiva habrá acabado con casi la totalidad de las reservas del planeta.”


“Desde 1950, el volumen de comercio internacional se ha incrementado veinte veces; 90% del comercio va por mar. Quinientos millones de contenedores son transportados cada año, enviados a los mayores centros de consumo…”


“Desde 1950, la captura de peces se ha incrementado cinco veces, de 18 a 100 millones de toneladas métricas por año. Miles de buques-fábricas están vaciando los océanos. Tres cuartos de las zonas pesqueras están agotadas, terminadas, o en peligro de serlo.”


“Quinientos millones de humanos viven en las tierras desérticas del mundo, más que toda la población combinada de Europa.”


“Israel convirtió el desierto en tierra arable. Aunque ahora estas granjas son irrigadas gota a gota, el consumo de agua continúa aumentando junto con las exportaciones.”


“El una vez poderoso río Jordán es ahora solo un arroyo, su agua ha volado a los supermercados de todo el mundo en cajas de frutas y vegetales.”


“La India está en riesgo de ser el país que más sufrirá por la falta de agua en el siglo venidero. La irrigación masiva ha alimentado a su creciente población y en los últimos 50 años, 21 millones de pozos se han excavado.”


“Las Vegas fue construido en el desierto. Millones de personas viven ahí. Miles más llegan cada mes. Sus habitantes están entre los más grandes consumidores de agua del mundo.”


“Palm Springs es otra ciudad del desierto con vegetación tropical y lujosos campos de golf. ¿Cuánto tiempo más continuará prosperando este espejismo? La Tierra no puede soportarlo.”


“El Río Colorado, que lleva agua a estas ciudades, es uno de esos ríos que ya no llegan al mar.”


“La escasez de agua podría afectar a 2 000 millones de gentes antes del 2025.”

“Toda la materia viva está ligada: agua, aire, tierra, árboles.”


“Los bosques primitivos proveen un hábitat para tres cuartas partes de la biodiversidad del planeta, es decir, de toda la vida en la Tierra.”


“…en solo 40 años, el bosque lluvioso más grande del mundo, el Amazonas, ha sido reducido en un 20%, ha dado lugar a ranchos ganaderos o granjas de soya; 95% de esta soya es usada para alimentar ganado y aves de corral en Europa y Asia. Así, un bosque es transformado en carne.”


“Más de 2 000 millones de gentes, casi un tercio de la población mundial, aún depende del carbón. En Haití, uno de los países más pobres del mundo, el carbón es uno de los principales bienes de consumo de la población.”


“En las colinas de Haití, solo queda el 2% de los bosques…”


“Cada semana, más de un millón de personas aumenta la población de las ciudades del mundo. Un humano de cada seis vive ahora en un ambiente precario, insalubre y sobrepoblado sin acceso a las necesidades diarias, como agua, drenaje, electricidad. El hambre se está extendiendo otra vez. Afecta a casi 1 000 millones de personas. Por todo el planeta, los pobres luchan por sobrevivir, mientras continuamos excavando por recursos sin los cuales ya no podemos vivir.”


“Nuestras actividades liberan cantidades gigantescas de bióxido de carbono. Sin darnos cuenta, molécula por molécula, hemos afectado el balance climático de la tierra.”


“La cubierta helada del Ártico se está derritiendo, por el efecto del calentamiento global, la cubierta helada ha perdido 40% de su espesor en 40 años. Su superficie en verano se encoge año por año. Podría desaparecer en los meses de verano para el 2030. Algunos dicen 2015.”


“Para 2050 una cuarta parte de las especies terrestres podría estar amenazada con la extinción.”


“…como Groenlandia se calienta rápidamente, el agua dulce de todo un continente fluye hacia el agua salada de los océanos.”


“El hielo de Groenlandia contiene el 20% de toda el agua dulce del planeta, si se derrite, el nivel del mar va a subir cerca de siete metros. La atmósfera de nuestro planeta es un todo indivisible. Es un bien que todos compartimos.”


“En Groenlandia están apareciendo lagos en el paisaje. La capa de hielo se está derritiendo a una velocidad que ni los más pesimistas científicos preveían hace 10 años. Más y más estos ríos alimentados por glaciales se están uniendo y emergiendo a la superficie. Se creía que el agua se congelaría en las profundidades del hielo. Al contrario, fluye bajo el hielo, llevando la corteza de hielo hacia el mar, donde se rompe convirtiéndose en iceberg.”


“La expansión del agua al calentarse causó, solamente en el siglo XX, una elevación de 20 centímetros. Todo se vuelve inestable. Los arrecifes de coral son extremadamente sensibles al más mínimo cambio en la temperatura del agua; 30% ha desaparecido. Son un eslabón esencial en la cadena de las especies.”

“Si el nivel del mar continúa subiendo más y más rápido, ¿qué harán las grandes ciudades, como Tokio, la ciudad más poblada del mundo?”


“…en Siberia, y en muchas partes en el mundo, hace tanto frío que el suelo está constantemente congelado. Se conoce como permafrost. Bajo esta superficie descansa una bomba de tiempo climática: metano, un gas de efecto invernadero veinte veces más poderoso que el bióxido de carbono. Si el permafrost se derrite, la liberación de metano podría causar que el efecto invernadero se salga de control con consecuencias que nadie puede predecir.”


“Veinte por ciento de la población del mundo consume el 80% de sus recursos.”


“El mundo invierte doce veces más en gastos militares que en ayuda a los países en desarrollo.”


“Cinco mil personas mueren al día por beber agua contaminada, 1 000 millones de personas no tienen acceso a agua potable.”


“Cerca de mil millones sufren de hambre.”


“Más del 50% del grano comerciado en el mundo es usado para alimento animal o biocombustibles.”


“Las especies están muriendo mil veces más rápido que el ritmo natural.”


“Tres cuartas partes de las zonas pesqueras están agotadas, disminuidas o en descenso peligroso.”


“La temperatura promedio en los últimos 15 años ha sido la más alta jamás registrada.”


“La capa de hielo es 40% más delgada que hace 40 años.”


En los últimos minutos del documental, el director Yann Arthus-Bertrand, suaviza el lenguaje para elogiar algunos hechos positivos de países a los que, sin ánimo de ofender ni lastimar, se vió en el deber de mencionar.


Sus palabras finales fueron:


“Es tiempo de estar todos juntos. Lo que es importante no es lo que se fue, sino lo que permanece. Aún tenemos la mitad de los bosques del mundo, miles de ríos, lagos y glaciares, y miles de exitosas especies.


Sabemos hoy que las soluciones están aquí. Todos tenemos el poder para cambiar. ¿Entonces, qué estamos esperando?


Depende de nosotros escribir qué es lo siguiente. Juntos.”


El tema que ha ocupado la mayor parte de mis esfuerzos: el inminente peligro de una guerra que sería la última de la prehistoria de nuestra especie, al que dediqué nueve Reflexiones desde el 1º de junio, constituye un problema que se agrava por día.


Como es lógico, el 99,9 % de las personas anidan la esperanza de que un elemental sentido común prevalezca.


Ya, desdichadamente, por todos los elementos de la realidad que percibo, no le veo la más mínima posibilidad de que sea así.


Por ello, pienso que sería mucho más práctico que nuestros pueblos se preparen para encarar esa realidad. En ello consistirá nuestra única esperanza.


Los iraníes han hecho precisamente eso, como hicimos nosotros en octubre de 1962, en que optamos por desaparecer antes que plegar nuestras banderas.


Fue ayer como hoy, por designios del azar, no méritos de la inteligencia o de la historia individual de cualquiera de nosotros.


Las noticias que llegan cada día procedentes de Irán, no se apartan un milímetro de la posición señalada por ellos de sostener sus justos derechos a la paz y al desarrollo, con un elemento nuevo: ya han logrado producir 20 kilogramos de uranio enriquecido al 20%, suficientes para construir un artefacto nuclear, lo que enloquece aún más a quienes hace rato adoptaron la decisión de atacarlos. Eso lo analicé el viernes 16 con nuestros embajadores.


Ni Obama podría alterarla, ni ha mostrado en ningún momento la decisión de hacerlo.


http://www.cubadebate.cu/wp-content/uploads/2010/07/firma-de-fidel-18-de-julio-de-2010-300x155.jpg

Fidel Castro Ruz

Julio 18 de 2010

4 y 28 p.m

enviado por CubaDabate