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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Michael Hudson: “Operação Abutre” na Ucrânia e protestos trabalhistas


28/5/2015, [*]  Michael Hudson, Naked Capitalism
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Entreouvido no Porãozinho da Macumba na Vila Vudu: O procedimento que aqui se denuncia é/foi padrão em todas as ditaduras implantadas pelos EUA, para “mudar regimes” não subservientes. Aconteceu também no Brasil: o mais importante líder político surgido das lutas históricas da sociedade brasileira contra a ditadura desde os anos 1970, o Ministro José Dirceu, candidato óbvio à presidência do Brasil, agora, por exemplo, na sucessão da presidenta Dilma... foi a primeira vítima do ataque ensandecido do “JUDICIÁRIO”, “jornalistas”, empresas comerciais de “mídia”, políticos etc., a serviço dos interesses norte-americanos.

Ucrânia - Colapso Econômico, Social e Financeiro
O colapso da Ucrânia depois do golpe de fevereiro de 2014 converteu-se num guarda-chuva que protege uma “operação” de “roube-o-que-puder-ização” [1] galopante.
Dano colateral nessa condição de assalto generalizado, tem sido o trabalho. Muitos trabalhadores simplesmente não são pagos, e o que recebem é quase sempre ilegalmente baixo. Os empregadores retiram das contas das empresas o que lá encontrem e transferem tudo – preferencialmente para o ocidente ou, no mínimo para alguma moeda estrangeira.
€Os atrasos salariais são cada dia maiores, porque, com a Ucrânia aproximando-se da véspera de dar calote nos mais de € 10 bilhões que deve a Londres, os cleptocratas e empresários começam a abandonar o navio. Já viram que os empréstimos externos secaram, e que a taxa de câmbio só despencará cada vez mais. O anúncio, pelo Parlamento, semana passada, de que subtraiu € 8 bilhões d da reserva para pagar o serviço da dívida, para usar o dinheiro em mais um ataque militar na região exportadora ocidental do país foi a gota d’água para os credores externos, e até para o FMI. Esses empréstimos ajudaram a sustentar a taxa de câmbio da hryvnia (moeda ucraniana) por tempo suficiente para que banqueiros, empresários e outros “agentes econômicos” tirassem do país a quantidade possível de ativos, o máximo de euros e de US dólares que pudessem, antes do iminente colapso que virá, em junho ou julho.
Nessa situação de pré-bancarrota, esvaziar as prateleiras significa não pagar empregados nem outras contas. Há notícias de que os salários em atraso já alcançariam 2 bilhões de hryvnias, devidas a meio milhão de trabalhadores. Essa situação levou a Federação dos Sindicatos da Ucrânia a organizar um protesto contra o Gabinete de Ministros ontem, 4ª-feira, 27/5/2015. E mais protestos estão marcados para as próximas duas 4ªs-feiras, dias 3 e 10 de junho/2015. Segundo o vice-presidente da Federação Serhiy Kondratiuk,
(...) o atual salário de subsistência de 1.218 hryvnias ucranianas é 60% inferior ao que determina a lei ucraniana, cálculo confirmado também pelo Ministério de Política Social (...). O salário mínimo no país é de 3.500 hryvnias ucranianas mensais. Mas o governo recusa-se a manter diálogo com a sociedade, para revisar os padrões.
O cenário que vem por aí
Esvaziar de vez os bancos comerciais ucranianos deixará prateleiras vazias. Com a economia ucraniana já quebrada, os únicos compradores existentes são milionários europeus e norte-americanos. Vender a estrangeiros é, pois, o único modo de gerentes e proprietários obterem algum retorno significativo – e compras pagas em moeda garantida depositada em contas no exterior, bem longe das futuras taxas e multas ucranianas. Privatização e fuga de capitais andam juntas.
DÍVIDA da Ucrânia - Algum dia tudo isso será de vocês.
E o mesmo se dá no campo do trabalho. Os novos compradores reorganizarão os ativos que compram, declaram a falência das empresas antigas e apagam os salários atrasados, junto com qualquer outra dívida incômoda que os empregados imaginem ter a receber. As empresas reestruturadas declararão que a falência apagou qualquer coisa que os ex-proprietários (ou as empresas públicas) devessem aos empregados. É praticamente o que os fazem nos EUA os compradores da massa falida de empresas, para apagar quaisquer obrigações que haja com pensões ou outras dívidas. Lá como cá, esses abutres declararão que “salvaram” a economia ucraniana e a tornaram “competitiva”.
Operação Abutre
O golpe do general Pinochet no Chile foi ensaio geral para o que hoje se vê em todo o mundo e também na Ucrânia. No Chile, a junta militar golpista apoiada pelos EUA atacou furiosamente líderes sindicais, jornalistas, acadêmicos e líderes políticos potenciais. No Chile, foram extintos todos os Departamentos de Economia nas universidades, exceto os que recebiam “especialistas” em “livre-mercado” vindos de Chicago, e que se concentraram na Universidade Católica. Ninguém pode ter “livre-mercado” à moda Chicago, sem tomar essas medidas totalitárias.
Os estrategistas norte-americanos gostam de dar nomes de aves míticas a esses seus golpes: Operação Fênix, no Vietnã; Operação Condor, na América Latina. Hoje, está em andamento programa semelhante contra falantes de russo que vivem na Ucrânia. Não sei que nome-código darão a mais esse “golpe padrão”. Sugiro chamá-lo Operação Abutre.
Para os sindicalistas, o problema não é só receber salários atrasados mas, também, conseguir algum salário mínimo necessário que permita sobreviver. Se não saírem às ruas e protestarem, simplesmente não serão pagos. Por isso estão organizando uma manifestação “neo-Maidan” a favor, declaradamente, dos direitos dos trabalhadores da Ucrânia – tentando assim que os pistoleiros-atiradores ocultos que matam a serviço do Setor Direita (Pravy Sektor e os neo-nazis do Svoboda [Nrc]) não os tomem por manifestantes pró-Rússia. Os sindicatos estão tentando proteger-se buscando o apoio da Organização Internacional do Trabalho e da Confederação Internacional de Sindicatos em Bruxelas.
A tática mais efetiva para enfrentar a corrupção que está permitindo o não pagamento de salários e aposentadorias, é focar o ataque sobre o apoio externo que o atual regime na Ucrânia recebe, sobretudo do FMI e da União Europeia.
Usar os sofrimentos dos trabalhadores como manto de proteção, para exigir outras reformas. Essas outras reformas podem incluir advertências bem explícitas de que qualquer venda a estrangeiros, de terras, matérias primas, aparelhos de infraestrutura e outros itens do patrimônio público ucraniano são negócios que serão desfeitos no futuro, quando houver na Ucrânia governos menos corruptos.
A favor dos sindicalistas, está o fato de que o FMI já violou suas próprias “Regras para Acordos de Empréstimos”, ao emprestar dinheiro para finalidades militares. No momento em que esse último empréstimo chegou às mãos de Poroshenko, ele anunciou que estava escalando sua guerra contra o leste do país. Esse movimento põe o empréstimo feito pelo FMI bem próximo do que os teóricos de Direito Comercial chamam de “Dívida Odiosa”: dívidas assumidas por junta que toma o poder à força, saqueia o Tesouro e faz dívidas, que deixa para algum futuro governo pagar pelo que a junta tenha roubado.
Operação Abutre
A luta dos sindicatos por salário digno não visa só a saldar dívidas sociais passadas: visa também a pôr em prática um plano de recuperação que proteja a economia ucraniana de ser tratada como a da Grécia ou da Letônia, à moda dos neoliberais.
Estrategistas norte-americanos vem tentando classificar como “Dívida Odiosa” – para escapar da obrigação de saldá-la – os US$ 3 bilhões que a Ucrânia deve à Rússia, que vencem em dezembro. Tentam também classificar essa dívida como “ajuda externa”, o que a tornaria não cobrável. Por irônico que pareça, o Peterson Institute of International Economics, George Soros e outros Guerreiros da Guerra Fria, têm fornecido aos futuros governos ucranianos um vasto repertório de razões plenamente legais, para safarem-se da dívida externa que sufoca o país – e liberar recursos para pagarem salários e aposentadorias em atraso.
Se não for isso, só resta aos credores internacionais pensarem primeiro no FMI, na União Europeia e nos acionistas externos, e deixarem “prá depois” a defesa de direitos soberanos capaz de impedir a autodestruição da Ucrânia.
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Nota dos tradutores
[1] Orig. Grabitization. “A peça central do programa ocidental de rápida privatização do sistema comunista de produção em pouco tempo passou a ser conhecida na Rússia pelo termo grabitization: a apropriação ilegal de patrimônio do estado e da população soviética, por apparatchiks do partido, que logo se tornaram oligarcas com preciosas conexões dentro do poder”.
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[*] Michael Hudson (nascido em 1939, Chicago, Illinois, EUA) é pesquisador emérito e professor de Economia da Universidade do Missouri, em Kansas City. e pesquisador associado do Bard College. É ex-analista e consultor em Wall Street; presidente do “Instituto para o Estudo de Tendências Econômicas de Longo Termo” (Institute for the Study of Long-term Economic Trends − ISLET) e um membro-fundador da “Conferência Internacional de Pesquisadores de Economias do Antigo Oriente Próximo” (International Scholars Conference on Ancient Near Eastern Economies − (ISCANEE). 
Seus dois livros mais recentes são: The Bubble and Beyond e Finance Capitalism and its Discontents. O próximo livro tem o título de Killing the Host: How Financial Parasites and Debt Bondage Destroy the Global Economy.

terça-feira, 24 de março de 2015

Michael Hudson: Importância do novo banco chinês

20/3/2015, Sharmini Peries entrevista [*] Michael Hudson - TRNN
Vídeo e entrevista transcrita: traduzida pelo pessoal da Vila Vudu



SHARMINI PERIES, PRODUTORA EXECUTIVA, TRNN: Muito obrigada por nos receber. [...]

0’50” – MICHAEL HUDSON, prof. de Economia, University of Missouri-Kansas City: Muito bom estar com vocês.

PERIES: Considerando o nosso assunto hoje, Michael, acho que vamos falar sobre um livro que você publicou há muitos anos, com o título de Super Imperialism (1ª ed., 1972; reeditado em 2002). E há um capítulo especial do seu livro, para o qual chamo especial atenção, sobre o Banco Mundial. Quem se interesse pelo que Michael apresentará hoje, terá muito proveito se examinar aquele livro. Muito obrigada, Michael, pela sua atenção.

HUDSON: Ótimo falar com vocês, Sharmini.

PERIES: Então, Michael, comecemos pelo Novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura [orig. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)]. Os chineses criaram esse banco, com investimento inicial de US$ 50 bilhões. E então? Chega a representar concorrência significativa contra o Banco Mundial?

HUDSON: Bem, a ideia é trabalhar sob uma filosofia do desenvolvimento alternativa à do Banco Mundial. Desde o começo, o Banco Mundial sempre foi, basicamente, uma extensão do Departamento de Defesa dos EUA, desde o primeiro presidente, que foi secretário de Defesa assistente, John J. McCloy, até Robert McNamara, de 1968 até 81, e, depois disso, o neoconservador e guerreiro da Guerra Fria, Paul Wolfowitz, de 2005 a 2007; e Larry Summers, o economista em chefe, com Bob Zoellick.

Assim se tem o objetivo dos empréstimos do Banco Mundial: emprestar para grandes plantadores do agrobusiness que colhem para exportar, principalmente para exportar grãos, por exemplo, a preços tão subsidiados, que os demais países e os agricultores locais nos diferentes países não consigam jamais produzir grãos que tenham condição de competir com os grãos norte-americanos.

Por mais que todas as missões do Banco Mundial que visitam os vários países só digam que os países devem promover distribuição de terras, fazer reforma agrária que ajudem a promover a agricultura familiar, para que os países se autoalimentem, a verdade é que o Banco Mundial jamais empresta dinheiro para essa finalidade.

O Banco Mundial, sob pressão do Congresso dos EUA disse: “Veja bem, não vamos financiar países que pensem em se tornar independentes dos EUA; nossa função é forçá-los a exportar sempre mais para os EUA e comprar mais dos EUA”.

Equivale a dizer que os financiamentos do Banco Mundial foram principalmente para financiar desenvolvimentos de infraestrutura, sempre com custos superestimados, em países do Terceiro Mundo, com o único objetivo de fazer dinheiro para as grandes construtoras norte-americanas e empresas de engenharia; também emprestaram dólares para fazer engordar as dívidas daqueles países; o pior de tudo, o objetivo final do “processo” sempre foi promover a privatização dos bens e dos recursos naturais dos países “alvo”.

Aí está o que vejo como a grande diferença entre a filosofia do Novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, e a filosofia do Banco Mundial.

O Banco Mundial é pressionado, em todo o mundo, para fazer a privatização de bens e recursos públicos, da infraestrutura básica. Empresta dinheiro aos governos para desenvolver essa infraestrutura, ou estradas, e depois vende as empresas ou as concessões, ou o acesso aos recursos naturais, sempre baratos, a compradores norte-americanos, que, na essência, vão criar monopólios e transformar o que foi construído como infraestrutura, em empresa da qual extraem lucros, dividendos, taxas de administração que, em todos os casos, acabarão nos cofres de empresas ou do estado norte-americano. Esse é o mecanismo que faz subirem os preços de serviços básicos – comunicações, transporte, água e outros, em todo o Terceiro Mundo.

Esse é também o mecanismo que tornou aquelas economias incapazes de concorrer com as empresas norte-americanas, que tem economia mista, na qual o governo subsidia a infraestrutura.

O Novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, que chamamos de Banco Chinês de Desenvolvimento vem para ajudar outros países a escapar desse tipo de filosofia econômica neoliberal de extrema direita, para trabalhar no plano de governos democráticos, governo-a-governo, e ajudar outros governos a desenvolver a própria infraestrutura, para que os estados locais possam prover serviços básicos a preços mais baixos ou a preços subsidiados ou, mesmo gratuitos. Essa não é alguma perigosa tática “comunista”. Esse é o modo como os países europeus e os EUA enriqueceram.

E o único modo de repetir esse processo é romper completamente com os EUA e com o Banco Mundial.

PERIES: Sim, mas... Sei que o Secretário de Estado Kerry disse que há muitas preocupações com os padrões do novo banco. Como podemos saber que o Novo Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura dos chineses não seguirá o mesmo modelo do Banco Mundial? Porque o presidente da China, Xi Jinping, já disse que emprestaram políticas e padrões do Banco Mundial. Como responder ao que disse o secretário Kerry.

HUDSON: Acho que os chineses falaram de um modo polido. Os chineses são muito, muito polidos. Nas minhas muitas visitas a Pequim, sempre que os chineses disseram que aprenderam com o Banco Mundial, estavam dizendo que aprenderam o que não fazer.

Os “bons” padrões a que Kerry se referiu, naquela sua retórica orwelliana, são padrões da mais absoluta corrupção. São os padrões que levaram o FMI a emprestar dinheiro militar à Ucrânia, semana passada. São os padrões que sempre levaram o Banco Mundial a apoiar ditaduras e a armar governos por todo o mundo, e a isolar governos que não estejam integrados à órbita diplomática dos EUA, a isolar Cuba, Irã, Coreia do Norte; e a não emprestar coisa alguma a governos que tentem qualquer tipo de economia mista.

Não há dúvidas de que se a China diz que aprendeu com esses padrões, está dizendo que aprendeu o que evitar, para fazer o contrário, para criar sistema financeiro e de comércio independente e sistemas de desenvolvimento que não acabem gerando dinheiro e desenvolvimento exclusivamente nos EUA, para a economia dos EUA.

Há uns 30, 40 anos, o Banco Mundial produziu um documento intitulado “Parceiros no Progresso”. No meu livro Super Imperialism, eu o chamei de “Parceiros no Atrasismo”. Nas muitas discussões que tenho tido na China, na Rússia, os economistas com quem tenho falado sabem perfeitamente e dizem claramente que o Banco Mundial, por lá, só promoveu o subdesenvolvimento.

No caso da Rússia, por exemplo: colegas meus, especialistas em terras, que se reuniram em São Petersburgo e em Moscou, inclusive com Vladimir Putin, e já desde 1991, lá estavam para traçar o projeto pelo qual a Rússia poderia manter sua base de arrecadação se taxasse a terra, os recursos naturais. No momento em que saíram de lá, o Banco Mundial apareceu, visitou várias cidades russas que haviam aceitado a ideia de taxar a terra e os recursos naturais para gerar renda para as administrações públicas locais, e disse a todas as autoridades locais que haveria gordos e generosos empréstimos para todos, sob a condição de que não se criassem impostos sobre a terra e os recursos naturais locais. É indispensável acabar com os impostos e não taxar coisa alguma, para que a privatização atraia interessados. Deu certo, e a terra e muitos recursos naturais foram privatizados, vendidos a oligarcas cleptocratas.

Na sequência, o único modo pelo qual os oligarcas cleptocratas e outros proprietários que compraram terra e recursos naturais na Rússia podiam converter aquelas propriedades em dinheiro era vendê-las a investidores norte-americanos que investem em petróleo, gás, minérios, diamantes, níquel e outras matérias primas que a Rússia tinha.

Foi como a Rússia afinal entendeu – quando chegaram o Banco Mundial e a AID [International Development Agency (?)], com aqueles Harvard-boys, e com Larry Summers à frente do cortejo. Chegaram, para acabar com a Rússia.

Desse modo, os russos tiveram de aprender a tomar outras vias para o desenvolvimento, a construir independência alimentar, a ser independentes também em outros produtos, e a ser independentes sobretudo desse tipo de estratégia viciosa de desenvolvimento que os EUA espalham pelo planeta.

O novo banco, de modo especial, está sendo construído para financiar duas coisas:

(1) para financiar o desenvolvimento da infraestrutura na China e em outros pontos. Com certeza é melhor do que ver chegar as grandes empreiteiras norte-americanas, cobrando preços exorbitantes para construir estradas e aeroportos cuja construção sempre interessa mais às próprias empreiteiras do que aos locais. Muito melhor que venham os chineses.

Mas há outra razão para essa união China-Rússia, nesse novo banco:

(2) os EUA já começaram uma Guerra Fria financeira contra China, Rússia e os BRICS. Estão avançando, um país depois do outro.

Na Ucrânia, por exemplo, os EUA disseram: façam o possível para não pagar o que vocês devem à Rússia. Foram ao Sri Lanka e disseram: vamos voltar para a velha ditadura de direita do grupo que não paga a China. Significa que a China tem tido muito trabalho para receber o retorno dos investimentos gigantes em infraestrutura que foram feitos nesses países e que esses países deveriam estar começando a pagar.

Os EUA agora estão tentando endurecer para conseguir que vários países deem o calote, que não paguem nenhum empréstimo devido aos BRICSs ou a qualquer país fora da órbita militar da Guerra Fria dos EUA.

Além de tudo isso, a China pensa, bem, se tivermos um banco internacional da mesma estatura que o Banco Mundial e o FMI, no caso de os países deverem dinheiro e não pagarem, não farão como os EUA manda que façam hoje e se endividem para jamais pagar, porque no Banco de Desenvolvimento chinês há vários países associados, França, Itália e outros países asiáticos, nos quais os EUA não interferem.

O Banco chinês é também um meio de proteger os investimentos chineses no exterior, e os empréstimos que a China faça a governos para desenvolver infraestrutura local. No caso dos bancos controlados pelos EUA, quando o país devedor não pode pagar em dólares, vem o FMI, impõe austeridade, e fornece os dólares para que o país pague aos bancos... norte-americanos, aumentando a dívida do país, até uma nova rodada de “cobrança”. Não há qualquer indicação de que a China cogite de impor o mesmo tipo de austeridade incapacitante que o Banco Mundial e o FMI vivem de impor aos países.

PERIES: E como é que você sabe disso?

HUDSON: Nas discussões que tenho tido com especialistas chineses e russos, só se discute isso. O primeiro livro, dos meus, que foi traduzido para chinês e russo foi Super Imperialism, e, por causa dele, temos tido anos e anos de discussões.

PERIES: O que tenho visto é que, por exemplo, a China traz milhares de trabalhadores chineses, para trabalhar nos projetos de infraestrutura que constroem noutros países. Está importando trabalho, não contratando mão de obra local para esses projetos. Isso é o que tenho visto acontecer. Como poderemos saber que será diferente com a China, além do que eles dizem a você, nas reuniões que você tem com eles? Será que os chineses tentam associações mais colaborativas, com os países do sul?

HUDSON: Não há novidade alguma em a China trazer seus empregados e sua própria gerência, nesses projetos gigantes de infraestrutura que mantém pelo mundo. O Banco Mundial sempre trouxe, para os locais dos projetos financiados por ele, a caríssima mão de obra gerencial norte-americana e trabalhadores norte-americanos. A Grã-Bretanha faz exatamente o mesmo. A China, suponho, quer ter certeza de que está no controle dos projetos onde põe o seu dinheiro. Mas a verdade é que os chineses treinaram essa mão de obra super especializada para esses projetos.

O Banco Mundial e o FMI sempre tomaram todos os cuidados para impedir que outros países desenvolvessem o tipo de mão de obra e treinamento que permitiu a eles e só a eles criar infraestrutura, precisamente para manter os países sempre dependentes dos EUA e do Banco Mundial. Claro que, não havendo pessoal especializado, a China usará seu trabalho qualificado. Mas em princípio, obviamente, cada país tem de desenvolver essas competências, de tal modo que possam dizer, ‘não precisamos da mão de obra de vocês, também temos nossa força de trabalho’.

PERIES: Obrigada, Michael, no próximo programa, falaremos sobre a importância de países europeus participarem do projeto do Banco de Desenvolvimento chinês, e sobre os impactos que essa participação pode vir a ter no relacionamento – pelo menos, no relacionamento entre os EUA e aqueles países europeus.

[Fim da entrevista] 


[*] Michael Hudson (nascido em 1939, Chicago, Illinois, EUA) é pesquisador emérito e professor de Economia da Universidade do Missouri, em Kansas City. e pesquisador associado do Bard College. É ex-analista e consultor em Wall Street; presidente do “Instituto para o Estudo de Tendências Econômicas de Longo Termo” (Institute for the Study of Long-term Economic Trends − ISLET) e um membro-fundador da “Conferência Internacional de Pesquisadores de Economias do Antigo Oriente Próximo” (International Scholars Conference on Ancient Near Eastern Economies − (ISCANEE).
Seus dois livros mais recentes sãoThe Bubble and Beyond e Finance Capitalism and its Discontents. O próximo livro tem o título de Killing the Host: How Financial Parasites and Debt Bondage Destroy the Global Economy.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Eurobancos vs. trabalho grego

Varoufakis quer arrocho [“austeridade”] para os banqueiros

24/2/2015, [*] Michael Hudson entrevistado por  Sharmini Peries, TRNN
Traduzido da transcrição pelo pessoal da Vila Vudu


Lembram há alguns anos, quando a Europa disse: a Grécia tem uma dívida externa de 50 bilhões? Pois foi-se ver e descobriu-se que o Banco Central Europeu entregara aos partidos gregos uma lista de sonegadores. Ficou conhecida como “Lista Lagarde” (como a então Ministra das Finanças da França, hoje presidenta do FMI, Christine Lagarde), com a relação dos sonegadores que mantinham contas em bancos suíços. Somadas, aquelas contas chegavam a mais de 50 bilhões de euros. Em vários sentidos, bastaria a Grécia cobrar o que lhe devem esses sonegadores, para poder pagar o que deve aos bancos. (...)

Não podemos aparecer e dizer “esse é o plano”. Antes, é preciso garantir, com muita segurança, que quem esteja expulsando a Grécia sejam os Ministros das Finanças de Alemanha, Espanha, Portugal, Irlanda e Finlândia, todos representantes de banqueiros; não o Banco Central Europeu, não o FMI e nem, sequer, governos de centro.


SHARMINI PERIES: A extensão de quatro meses que o ministro das finanças da Grécia conseguiu na 6ª-feira (20/2/2015), veio com a condição de que a Grécia apresente uma lista de medidas para aplacar as ansiedades de seus credores internacionais, especialmente dos bancos alemães representados pelos ministros das finanças em Bruxelas, que temem que Atenas não cumpra a promessa de cortar gastos e implantar medidas de arrocho [‘austeridade’]. No domingo, Atenas apresentou a tal lista. Aqui, para nos falar desse plano, está o professor Michael Hudson.

MICHAEL HUDSON, PROF. DE ECONOMIA, UNIV. MISSOURI, KANSAS CITY:Obrigado.

PERIES: Michael, esses bancos internacionais representados em Bruxelas pelos ministros das Finanças que lá estão reunidos, quando estiveram em crise e foram “resgatados” pelo Tesouro Público, não viram problema algum [em torrar dinheiro público para arrancá-los da bancarrota]. Por que, agora, se recusam a ajudar a Grécia quando a Grécia precisa, quando até vários políticos e até a chamada Troika parece mais receptiva ao que a Grécia diz?

HUDSON: Porque o que há aí, realmente, é guerra de classes. Não se trata, como dizem os jornais, de Alemanha versus Grécia. Trata-se de fato de guerra de bancos contra o trabalho. E é uma continuação do thatcherismo e do neoliberalismo. O problema não é só que a Troika quer que a Grécia equilibre o orçamento; quer que equilibre o orçamento arrochando salários e impondo arrocho e mais arrocho [“austeridade”] sobre a força de trabalho. Diferente disso, os termos que Varoufakis sugeriu para equilibrar o orçamento “transferem” o arroxo e devem impor austeridade à classe financeira, aos magnatas e aos sonegadores de impostos.

Varoufakis propõe que, em vez de reduzir pensões e aposentadorias de trabalhadores e aposentados, em vez de fazer encolher o mercado doméstico, em vez de perseguir um arrocho de autodestruição, uma “austeridade” que se autoderrota, vamos extrair dois e meio bilhões de euros dos poderosos magnatas gregos. Vamos cobrar os impostos que devem. Vamos acabar com contrabando de petróleo e outras redes de tráfico e vamos cobrar impostos e taxas devidas de proprietários. Porque as classes ricas gregas tornaram-se notórias sonegadoras.

Isso enfureceu os bancos. Fato é que os Ministros das Finanças da Europa não querem de modo algum equilibrar orçamento algum, se, para isso, se criarem impostos sobre fortunas, impostos que os ricos tenham de pagar, porque os bancos sabem que todo o dinheiro que não vai para pagar impostos, vai para sustentar os bancos. Os duelantes tiraram as luvas. A luta de classes está aí, diante de nossos olhos.

Originalmente, Varoufakis pensou que estivesse negociando com a Troika, quer dizer, com o FMI, o Banco Central Europeu e o Conselho Europeu. Mas logo ficou sabendo que não; que a Grécia estava negociando com os Ministros de Finanças europeus, e Ministros de Finanças europeus são todos muito parecidos com Tim Geithner nos EUA. São lobbyistas a serviço dos grandes bancos. E os ministros de finanças disseram: “como podemos acabar com esse sujeito e garantir que a Grécia seja usada para aplicar uma lição a outros recalcitrantes, mais ou menos como os EUA fizeram com Cuba nos anos 1960s?”.

PERIES: Um momento, Michael. Vamos explicar isso, porque o Ministro grego, Yanis Varoufakis, é muito bem informado e bem posicionado. Por que ele suporia que estivesse negociando com a Troika quando, de fato, estava negociando com os Ministros de Finanças?

HUDSON: Porque oficialmente a negociação estaria sendo feita com FMI, BCE e CE. Varoufakis acreditou no que lhe disseram. E depois descobriu – e James Galbraith, que foi com Varoufakis a Bruxelas, publicou coluna na revista Fortune [traduzida], em que diz, não, não, calma, os Ministros de Finanças estão contra a Troika. A Troika e os Ministros estão às turras, não se entendem entre eles, sobre o que realmente deve ser feito. E para realmente pôr fim a qualquer possibilidade de entendimento, o Ministro alemão, Schäuble, inventou que, “nada de acordos, temos de trazer o governo espanhol e o governo português e o governo finlandês e todos têm de concordar”.

Ora, a posição da Espanha é manter seu partido liberal thatcherista no poder. Se a Grécia consegue avançar, escapar do arrocho [“austeridade”] e salvar seus trabalhadores, nesse caso aumentam as chances do Partido Podemos da Espanha também vencer as próximas eleições e a elite espanhola ter de deixar o poder. Por isso, os líderes espanhóis estão tentando convencer a todos de que Varoufakis e a Coalizão Syriza são completos fracassos, para que possam dizer aos trabalhadores:

Viram o que aconteceu com a Grécia? Foi atropelada, e vai aconteceu o mesmo a vocês, se tentarem fazer o que os gregos fizeram. Se tentarem criar impostos para os ricos pagarem, se tentarem controlar os bancos e impedir a cleptocracia... será o fim do mundo, será um desastre.

Por isso os governos de Espanha e Portugal também querem impor o arrocho [“austeridade”] contra a Grécia. Até a Irlanda começa a acordar e diz:

Santo Deus, o que fizemos nós? Impusemos arrocho [austeridade] durante uma década contra nossos cidadãos, só para “resgatar” bancos falidos. Até o FMI já nos criticou por acompanhar a Europa e resgatar bancos e impor mais e mais arrocho [austeridade]. Se a Syriza vence na tentativa de evitar o arrocho [austeridade] na Grécia, nesse caso todo nosso sacrifício, todo o sacrifício e nossa população, toda a miséria que impusemos ao nosso próprio povo, todo o thatcherismo que impusemos foi desnecessário e não tínhamos nenhuma necessidade de causar toda aquele mal..

Há todo um efeito-demonstração, e aí está a razão pela qual estão tratando a Grécia como caso exemplar, porque a Grécia está mostrando aos trabalhadores que dizem “ninguém tem de impor arrocho [austeridade] contra o próprio povo, e governos populares podem, sim, cobrar os impostos que os sonegadores não querem pagar.

Lembram há alguns anos, quando a Europa disse: a Grécia tem uma dívida externa de 50 bilhões? Ora! Foi-se ver e descobriu-se que o banco central entregara ao governo grego uma lista de sonegadores. Ficou conhecida como Lista Lagarde (como a Presidenta do FMI, Christine Lagarde, que então era Ministra de Finanças da França), com a relação dos sonegadores que mantinham contas no banco HSBC. Somadas aquelas contas chegavam a mais de 50 bilhões de euros. [1] Em vários sentidos, basta a Grécia cobrar o que lhe devem esses milionários sonegadores de impostos, para pagar o que deve... aos bancos.

Mas o caso é que, nesse caso, se trataria de arrancar dinheiro de dentro de bancos suíços e outros. De fato, os bancos estariam pagando a eles mesmos. E os bancos não querem pagar coisa alguma a eles mesmos. O que querem é arrochar os trabalhadores [a isso os bancos e a imprensa-empresa e até Obama (veja abaixo) chamam de “austeridade”. Não é “austeridade”: isso é arrocho contra os trabalhadores]; e querem deixar livres os sonegadores e os magnatas gregos para continuar a roubar os governos e estados. Por tudo isso, de fato, a Troika – nem é, de fato, a Troika, são mais os Ministros de Finanças representantes de bancos privados – estão apoiando os sonegadores e os barões-ladrões na Grécia, os mesmos contra os quais a SYRIZA tenta agir. [2]

E o FMI, dessa vez, pode assumir posição mais suave. Até o presidente Obama já se intrometeu e, parece, telefonou à chanceler alemã Merkel, para dizer que:

Veja, você não pode forçar a “austeridade” além de um certo ponto, porque você vai empurrá-los para fora do euro, e os empurrará para fora do euro nos termos da SYRIZA.
E a SYRIZA poderá dizer aos gregos: nós fizemos o que prometemos; acabou a austeridade; nos expulsaram do euro; fomos expulsos, como parte da luta de classes.

PERIES: Há alguns dias, você fez também uma analogia entre o que se passa na Grécia e o que houve com Cuba.

HUDSON: Cuba, no governo de Castro, criou um sistema social alternativo. Queria distribuir a riqueza – nesse sentido, foi sistema marxista. Queria livrar-se dos escroques que cercavam Batista, e que governavam o país, os ricos que não pagavam impostos. Castro queria uma revolução social. Os EUA temiam muito que, se Cuba fosse bem-sucedida, haveria revoluções por toda a América Latina. Os latino-americanos perceberiam que, podiam encampar as plantações norte-americanas de açúcar, as plantações norte-americanas de banana e obrigar os ricos a pagar impostos, e obrigar empresas a pagar impostos, e obrigar os exportadores a pagar impostos – não só o trabalho e os trabalhadores.

Os norte-americanos pensaram: “nós podemos sindicalizar o trabalho, podemos educar o trabalho, podemos adestrar o trabalho – mas se Cuba conseguir ensinar o trabalho a operar de outro modo”... será terrível desastre para os planos neoliberais! Porque se o trabalho é socialmente ensinado e tem programa social de democratização, os trabalhadores logo perceberão que há alternativa ao thatcherismo neoliberal.

Esse é o problema sobre o qual Varoufakis escreveu esse mês, no Guardian [3] sobre como se relaciona com o pensamento marxista. Disse que o problema que a Grécia enfrenta é que, se sair do euro, se for empurrada para fora do euro, haverá um trauma econômico.

A esquerda em toda a Europa, como na América, não tem, de fato, um programa econômico. Assim sendo, a única alternativa para a SYRIZA, e que têm programa econômico, são os neonazistas da Aurora Dourada. O que preocupa Varoufakis é que ele não está discutindo só com Ministros das Finanças de países da Europa num único front; está discutindo também no front grego contra os partidos de direita e são os partidos nacionalistas, como o de Marie Le Pen na França. E esses partidos é que estão dizendo: sim, sim, nós temos alternativa. Basta que saiam do euro.

Mas essa não é nem alternativa nem retirada que a esquerda possa assumir porque, de fato, nem há grande esquerda na Grécia, exceto o pequeno partido (Coligação) SYRIZA. O partido socialista de Papandreou com certeza não é esquerda; nem é esquerda o partido só nominalmente socialista da Espanha, que é partido neoliberal thatcherista, e com certeza o Labour Party britânico tampouco é partido de esquerda (é “trabalhista” à moda Tony Blair!).

Tudo isso para dizer que Varoufakis tem cerca de quatro meses para educar o público grego para o fato de que, sim, há alternativa e é a seguinte.

A alternativa para o neoliberalismo não precisa ser o nacionalismo neonazista de direita. Há uma alternativa socialista, e estamos tentando construir todos os arranjos que pudermos, para que, se formos expulsos do euro, e os bancos desabarem, tenhamos um plano B. Não podemos aparecer e dizer “esse é o plano”. Antes, é preciso garantir, com muita segurança que quem esteja expulsando a Grécia sejam os Ministros das Finanças de Alemanha, Espanha, Portugal, Irlanda e Finlândia, todos representantes de banqueiros; não o Banco Central Europeu, não o FMI, nem, sequer, governos de centro.
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[1] Vide 27/10/2012, “The Controversial ‘Lagarde List’ Has Leaked, And It's Bad News For The Greek Prime Minister”, Matthew Boesler, Business Insider.

[2] Notícia de hoje (28/2/2015), em IO Publico (Portugal): Grécia. A declaração de guerra de Varoufakis.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, admitiu hoje a criação de uma “taxa extraordinária” para “aqueles que podem pagar”, com o objetivo de garantir o equilíbrio do orçamento do país.

Estamos comprometidos com garantir orçamento equilibrado. Se tiver que impor um imposto especial, fá-lo-ei, mas sobre aqueles que podem pagar” – afirmou o governante numa entrevista concedida à estação televisiva grega Skai. “Não vamos pedir dinheiro aqueles que sofrem”, garantiu Varoufakis.

Estamos interessados naqueles que têm dinheiro e que nunca pagaram. Eles são o nosso alvo e seremos implacáveis”, realçou o responsável. E acrescentou: “Queremos encontrar uma solução para fazer pagar aqueles que têm dinheiro”.

O ministro helênico disse aguardar que os parceiros europeus ajudem a Grécia a fazer cumprir o pagamento dos impostos devidos pelas empresas do país que escapam à tributação e que não se limitem a dar “lições” ao país.

O Primeiro-Ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou na sexta-feira um primeiro conjunto de medidas para lutar contra a evasão fiscal e aumentar as receitas do Estado, incentivando os contribuintes a pagar parte de suas dívidas. (...)

[3] Ensaio adaptado de VAROUFAKIS, Yanis (2013), 24/2/2015, redecastorphoto:   Confissões de um Marxista Errante, nas Sombras de uma Revoltante Crise Europeia, traduzido.
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[*] Michael Hudson (nascido em 1939, Chicago, Illinois, EUA) é pesquisador emérito e professor de Economia da Universidade do Missouri, em Kansas City. e pesquisador associado do Bard College. É ex-analista e consultor em Wall Street; Presidente do “Instituto para o Estudo de Tendências Econômicas de Longo Termo” (Institute for the Study of Long-term Economic Trends - ISLET) e membro-fundador da “Conferência Internacional de Pesquisadores de Economias do Antigo Oriente Próximo” (International Scholars Conference on Ancient Near Eastern Economies - (ISCANEE).
Seus dois livros mais recentes são The Bubble and Beyond e Finance Capitalism and its Discontents. O próximo livro tem o título de Killing the Host: How Financial Parasites and Debt Bondage Destroy the Global Economy.