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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pepe Escobar: “Marco Zero redux”


11/9/2012, Pepe Escobar, Asia Times Online – The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Pepe Escobar
NEW YORK – No impressionante filme de David Cronenberg, Cosmópolis (França/Canadá, 2012), baseado em romance de mesmo título de Don DeLillo, o jovem bilionário Eric Packer (Robert Pattison) cruza lentamente as ruas de New York em sua limusine branca, instalado num trono almofadado com telas incrustadas à volta dele.

Sente... nada. Essencialmente, ele suga o mundo para dentro de sua própria inércia. Do lado de fora daquela silenciosa câmara rodante, o caos é total, com ativistas atirando ratos em restaurantes, e a tensa ameaça de apocalipse iminente.

É o mundo que se vai metamorfoseando em, ou sendo devorado e deglutido pelo ultracapitalismo desmaterializado; mundo em estado de crise, regido pela violência e cujo único horizonte possível é a violência. Como uma libidinosa mercadora de arte (Juliette Binoche) informa Packer: “O cibercapital cria o futuro”.

Uma caminhada na calada da noite de New York pelo Marco Zero oferece contexto extra a Cosmopolis. É onde começou nossa modernidade pós-apocalíptica, há 11 anos – e onde o cibercapital ainda cria pelo menos parte do futuro. Como Cosmópolis mostra, o turbocapitalismo não está em crise, apenas; em formulação taquigráfica: o turbocapitalismo É crise.

Tarde da noite, o Marco Zero é visão aterradora. Lá está o memorial. As duas torres de vidro ainda inacabadas. E buracos do tamanho do Marco Zero em todas as linhas da narrativa oficial.

Essa semana, 11 anos depois do 11/9, a conversa na cidade (crise) é um “herói” SEAL da Marinha, que trocou o anonimato pelo proverbial punhado de dólares, e conta a coisa como a coisa foi – sendo “a coisa” o ato de puxar o gatilho e mandar dessa para melhor “Geronimo”, também conhecido como Osama bin Laden, dito “o cérebro” do 11/9, o negócio todo embalado para presente em termos de “fazê-lo pagar”. [1]

Mas a verdade é que o despacho de “Geronimo” dessa para melhor não pôs fim a coisa alguma, nem ninguém pagou coisa alguma; só conseguiram mandar um saco de verdades inconvenientes para o fundo do Mar da Arábia. Há mais de três anos, o indispensável Sibel Edmonds já demonstrava e provava que Osama foi “um dos nossos filhos-da-puta” até o dia 11/9. [2] Antes disso, Richard Behan já distribuíra sucinta desconstrução da estrada até o 11/9, expondo mais uma vez a falácia da “guerra ao terror”. [3]

Quando entrevistei o Leão do Panjshir, Ahmad Shah Masoud, no final de agosto de 2001 – duas semanas antes de ele ser assassinado dia 9/9, assassinato que deu luz verde para o 11/9 – Masoud estava convencido de que os EUA não invadiriam o Afeganistão para acabar com "Geronimo". (Em Pepe Escobar, Masoud: From warrior to statesman [Masoud: de guerreiro a estadista], 12/9/2001, Asia Times Online). 
O que Masoud não sabia foi o que se passara dia 2/8 em Islamabad, quando a negociadora do Departamento de Estado, Christine Rocca reiterou, pela última vez, em termos claros, ao embaixador do Talibã no Paquistão Abdul Salam Zaeef: “Ou vocês aceitam o tapete de ouro que oferecemos agora, ou serão varridos p’ra baixo do tapete, à bomba”. A oferta tinha a ver com o Oleogasodutostão – um “cartão-ouro”, quer dizer, plenos direitos de passagem para os Talibã, em troca de a Union Oil Company of California, UNOCAL [A], construir o óleogasoduto TAP (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão).

Mas já antes do ultimato de Rocca, o governo George W Bush – na reunião do G-8 em Gênova, Itália, em julho – havia informado secretamente aos europeus plus Paquistão e Índia, que Washington começaria a bombardear o Afeganistão em outubro. Aconteceu várias semanas antes do tão amado e sempre cultuado “Pearl Harbor” que a Providência mandou aos neoconservadores, sob forma de 11/9.

Uma carreira de “Combatentes da Liberdade”

11 anos depois, os proverbiais estenógrafos do império vivem de ansiosamente promover... a al-Qaeda (e que grande novidade!). O governo Obama – que arquivou a terminologia da “guerra ao terror” e está agora orwellizando seus métodos – trabalhou lado a lado com o Grupo de Combate Islâmico Líbio, braço da al-Qaeda, para derrubar Muammar Gaddafi na Líbia; e, lado a lado com a Casa de Saud, apoia um rosário de jihadistas salafistas da al-Qaeda para derrubar o governo de Bashar al-Assad na Síria. [4]

Todos relembram os mujahideen na foto, ao lado de Ronald Reagan; eram elogiados como “combatentes da liberdade”. A volta do chicote no lombo de quem bateu era inevitável no Afeganistão – como será na Líbia e no norte da África e na Síria e no Oriente Médio.

Enquanto isso, permanecem sem resposta toda aquela constelação de perguntas. Dentre elas:

  • Por que “Geronimo” nunca foi formalmente acusado pelo Federal Bureau of Investigation, FBI, como responsável pelo 11/9? Como 19 muçulmanos acusados de autores do crime foram identificados em menos de 72 horas – e sem, sequer, que a cena do crime tivesse sido examinada?

  • Quem fez sumir as oito caixas pretas indestrutíveis que havia a bordo dos aviões do 11/9? Como todos os super elaborados sistemas de alerta e defesa do Pentágono foram simultaneamente desativados? Por que toda a Guarda Aérea Nacional de Washington DC estava “em licença não-autorizada temporária”  [B]?

  • Como se explica que vasto número dos mais renomados arquitetos e engenheiros repitam incansavelmente que a narrativa oficial absolutamente não explica o maior colapso estrutural jamais registrado na história (as duas Torres Gêmeas) nem o colapso do prédio 7 do World Trade Center, que sequer foi atingido por algum avião?

  • Por que o prefeito de New York, Rudolph Giuliani ordenou envio imediato para China e Índia, para reciclagem, de todos os restos recolhidos do WTC?

  • Por que se encontraram pedaços de metal do avião da Pennsylvania, à distância de quase 10km do local onde foi encontrada a fuselagem – o que sugere que Dick Cheney ordenou que o jato fosse derrubado?

  • Quem, de dentro do Serviço Secreto do Paquistão [Pakistani Inter-Services Intelligence (ISI)] transferiu US$100,000 para Mohammed Atta no verão de 2001 – cumprindo ordem do principal diretor do ISI, o próprio tenente-general Ahmad, como insiste em afirmar a inteligência da Índia? Omar Sheikh, principal especialista em tecnologia de Osama bin Laden, seria o agente a serviço do ISI paquistanês, que, mais tarde, organizou a execução do jornalista Daniel Pearl em Karachi? A inteligência do Paquistão estaria diretamente envolvida no 11/9?

"Geronimo"

  • E “Geronimo” teria dado entrada no Hospital Americano em Dubai, dia 4/7/2001, tendo partido de Quetta, Paquistão, tendo permanecido hospitalizado e em tratamento até dia 11/7? Nunca saberemos. E “Geronimo” já não fala. O que se sabe é que o cibercapital cria o futuro; a “guerra ao terror” foi – é – monumental conversa fiada; e as elites em Washington não dão um réis de mel coado de atenção àqueles “cabeça de toalha”. O que as faz tremer de medo é o Império do Meio.
_______________________

Notas de rodapé

1.
Vídeo da CBSNews a seguir:


2. 31/7/2009, Daily Kos em: Bombshell: Bin Laden worked for US till 9/11

4. 6/9/2012, Washington Post, David Ignatious em: Syria’s eerie parallel to 1980s Afghanistan



Notas dos tradutores
[A] Hoje, a UNOCAL é empresa do grupo Chevron.

[B]Orig. AWOL, “Absent Without Leave”, literalmente, “ausente do posto, sem autorização, mas temporariamente, quer dizer, sem se caracterizar a deserção”. 

sábado, 8 de outubro de 2011

Dez anos do Golpe nos EUA – Parte 2


Amigos,

Adriano Benayon ressalta neste seu artigo vários factos e argumentos que põem em causa a versão oficial do fatídico 11 de Setembro de 2001, em NY, cuja verdade, ou seja, quem de facto planeou e executou o hediondo acontecimento daquela data, está por esclarecer, passados que são dez anos.  

Pouco mais de um mês após o derrube das Torres Gémeas em NY, o Dr. Oswald Le Winter, ex-agente da CIA, emigrado em Portugal, publicou em Portugal o livro “Desmantelar a América”, cuja leitura recomendamos, em que, perplexo, levanta sérias dúvidas sobre os supostos autores do atentado.

Homem familiarizado com a investigação e com os procedimentos oficiais de segurança não acredita que 19 islâmicos possam alguma vez ter cometido tão arriscado atentado. Mais, considera que, pelos meios envolvidos e pelo grau elevado de coordenação, tais terroristas não tinham capacidade técnica para o fazer.

Como 19 terroristas repartidos por quatro aviões comerciais de duas companhias aéreas diferentes conseguiram iludir os funcionários do chek-in e o controle da tripulação a bordo antes da partida, procedimentos de controle de passageiros obrigatórios?

Como puderam iludir os múltiplos Serviços Secretos dos USA? Deviam estar todos com uma grande ressaca…

Mais estranho para este autor é o facto de as listas de passageiros divulgadas pela CNN, na primeiras horas, não conterem qualquer passageiro com nome tipicamente árabe…

Estas dúvidas levantam a suspeita que os referidos aviões utilizados na operação foram manobrados a partir do solo pelo sistema ANAPIRCS (The Anti-Air Piracy Remote Control System). Este sistema foi desenvolvido a partir de 1970 pela Agência de Projectos Avançados de Defesa (DARPA) e destina-se a recuperar à distância uma aeronave comercial desviada. Permite a controladores em terra escutarem as conversas no cockpit e assumir o controle dos computadores de bordo, a partir do momento em que é enviado um código especial de “transponder” pela tripulação, independentemente da vontade dos terroristas. Contudo esse código nunca foi accionado. E não foi por que nenhum dos aviões tinha pilotos humanos… De onde conclui que “…o que nos dá a prova concreta final de que o ataque aéreo foi pirateado electronicamente a partir do chão, e não por terroristas árabes”.

Artur Teixeira
O que é facto, é que a partir dessa data fatídica, o Complexo Militar-Industrial que se acantona no Pentágono e na Casa Branca, passou ter os argumentos necessários e suficientes, junto da opinião pública norte-americana e mundial, para desencadear a Guerra irrestrita ao “Eixo do Mal”, previamente planeada nos bastidores da Elite Global.

Abraços.
Artur Teixeira (Ponta Delgada -PT)

Dez anos do Golpe nos EUA – Parte 2

Adriano Benayon
(continuação de “Dez Anos do Golpe nos EUA”)
Adriano Benayon* – 26.09.2011

1. Antes de expor para que a oligarquia financeira mandou destruir as Torres Gêmeas (WTC), em Nova York, e avariar o Pentágono, em Washington, concluamos a demonstração de que os autores só podiam ser dos aparelhos de segurança e militar do governo dos EUA.

2. Isso emerge de dezenas de documentos. Em um filme de 49’, produzido na Itália, de que participa o prêmio Nobel, Dario Fo, falam peritos, na maioria estadunidenses, em engenharia, física, materiais, aeronáutica e segurança.

3. Um sobrevivente, que trabalhava no 84º andar da Torre Sul, quando do impacto de um avião poucos andares abaixo, conseguiu descer ao térreo, passando pelos andares com fumaça, e diz que tudo parecia normal, até com luzes e sistema de ar.

4. Muitas testemunhas, como o heróico porteiro William Rodriguez, ouviram as explosões da implosão, 55 minutos após o choque do avião. O Prof. Ray Griffin refere pessoas que ouviram “bangs” das explosões e foram atiradas ao solo.

5. Quando do choque, a Torre sacudiu, mas voltou ao lugar. Foi desenhada e edificada para suportar impactos, como confirma o construtor dela, Frank de Martin.

6. Ademais, o filme mostra a Torre Windsor, em Madrid, que, em 2005, ardeu, durante 30 horas, tendo as estruturas metálicas ficado de pé após o incêndio.

7. Tudo isso evidencia o ridículo da versão oficial, o relatório do NIST, segundo o qual as Torres desabaram em função do calor do incêndio causado pelo avião.

8. Não bastasse, o professor emérito de física, Steven Jones, e outros experts esclarecem que só a 1.000 graus de calor se derretem estruturas metálicas, enquanto a queima do combustível de avião não gera sequer 300 graus.

9. Kevin Ryan, ex-diretor do Underwriters Labs,  foi demitido por ter provado que as amostras salvas de andar atingido pelo incêndio tinham temperaturas muito baixas, e que o NIST fraudou os parâmetros da análise, dobrando o tempo de  exposição ao fogo.

10. O perito em metalurgia Paolo Marin atesta que a Torre caiu “como se não houvesse sequer resistência do ar”: se ela não tivesse  sido pulverizada, não poderia desabar na vertical e em 7 segundos. Isso ocorreu devido a explosivos de uso militar, a ponto de não terem sobrado nem pedaços de móveis, computadores e corpos das vítimas.

11. O governo fez retirar os destroços antes de qualquer investigação, e pedacinhos do aço das estruturas derretidas foram exportados à China.  Mas, três semanas depois, foi retirado do local material com thermite, explosivo composto por alumínio, óxido de ferro e enxofre, capaz de causar a fusão de colunas de aço,  comprovando a implosão controlada e acionada por rádio, como confirma William Cristison, ex-CIA.

12. Como a Torre foi atingida por um avião, e a manobra é impossível com Boeings 757, não se sabia o que a tocou. O filme mostra um avião da Força Aérea, certamente teleguiado.

13. Em 12.07.2006, o general Albert Stubblebine, ex-Comandante-Geral do Comando de Inteligência e Segurança do Exército dos EUA (INSCOM) definiu o 09.11 como farsa: “o buraco no Pentágono teve 5 metros de largura, e a envergadura de um Boeing tem 38 metros: simplesmente não encaixa!” “Nem sequer restos de motores foram encontrados”.

Para quê

14. Demonstrado como e quem, falta para que. A oligarquia financeira tem um só objetivo: concentrar poder, e a guerra é um dos meios para isso. Assim, inventou a estória do sequestro dos Boeings para inculpar “terroristas islâmicos” e justificar as agressões ao Afeganistão e ao Iraque.

15. Havia planos para controlar o Afeganistão, rota de hidrocarburantes da Ásia Central, e o Iraque, dono de enormes reservas de petróleo, além de estender as intervenções militares a mais países islâmicos.

16. As potências anglo-americanas, a França, a Rússia etc. haviam, anos antes, fornecido ao Iraque todo tipo de armamentos, inclusive armas químicas, para a  guerra contra o Irã, que, mesmo assim, não foi vencido.

17. Depois, os anglo-americanos fizeram a intervenção genocida sobre o Iraque, em 1990-91, usando quantidade incrível de bombas com pontas de urânio.

18. Apesar da terrível destruição sofrida, Saddam Hussein não perdeu o controle do Iraque e adotou políticas favoráveis a seu país, inclusive deixando de vender petróleo por dólares.

19. Em seguida ao 11.09.2001, os EUA e seus aliados  realizaram agressões imperiais ao Afeganistão e ao Iraque, abusando  de mais mentiras, como acusar esse país de ter “armas de destruição de massa” (que as potências imperiais têm em doses inimagináveis). Tal falsidade prevaleceu até contra as verificações de inspetores das Nações Unidas.

20. O golpe das Torres Gêmeas serviu para anular a resistência dentro dos EUA - e reações em outros países - àquelas agressões, que completaram a destruição das instituições, inclusive culturais e milenares do Iraque, além de causar vítimas na casa dos milhões.

21. Rememorados a cada ano com enorme dramatização pela mídia, os “ataques” de 11.09 permitiram, ainda, radicalizar  o Estado policial nos EUA e continuam servindo de pretexto para mais intervenções: na  Somália, no Iêmen e em outros países. Faz também que desinformados aplaudam o latrogenocídio cometido contra a Líbia.

22. Ao final dos mandatos de Bush, os EUA mantinham tropas especiais em 60 países, como planejado antes de 2001. Com Obama, esse número chega a 75. O desastre na economia é acompanhado por crescente belicismo.

23. A oligarquia não lança guerras para dinamizar a economia - o que aconteceu, provavelmente por acaso - na época da 2ª Guerra Mundial. Ademais, hoje, a guerra emprega muito mais equipamento que gente.

24. O objetivo da oligarquia é  implantar sua tirania em âmbito mundial. Para isso tem concentrado poder financeiro em grau inimaginável, o que acarreta a depressão da economia produtiva e acentua as dificuldades e a impotência dos dominados.  Calcula que quanto maior essa impotência, mais poderá avançar na escravização da humanidade.

25. Nesse processo, a oligarquia tirânica assenhoreia-se, com exclusividade, também dos recursos reais: minérios preciosos e estratégicos, energia, água e terras agricultáveis.

26.A busca do controle sobre a energia explica a escolha dos “terroristas” islâmicos como objeto da demonização, já que o petróleo abunda sob terras muçulmanas.

27.As monarquias totalitárias inventadas pelos britânicos (Arábia Saudita, Coveite, Catar, EAU, Bahrein etc.) não são problema para a oligarquia anglo-americana, uma vez que entregam petróleo em troca de dólares e os aplicam principalmente no exterior. Não são  sequer países: não têm população assentada em terras, mas só cidades entre o deserto e o mar, urbanizadas com dinheiro do petróleo, técnicos e trabalhadores importados.

28.Nesses lugares a CIA, o M-16 e outros serviços secretos não fomentam, nem financiam nem armam “rebeldes”, cuja proteção “humanitária” serve de pretexto para intervenções, como sucedeu com a Líbia.

29.O Irã é um país de verdade, e por isso os imperiais o consideram do “Eixo do Mal”.  Saddam Hussein, no Iraque, e Muamar Gaddafi, na Líbia, investiram internamente recursos do petróleo, além de pretender vendê-lo em moedas que não o dólar.

30. A guerra, no caso, serve aos objetivos de assegurar acesso ao petróleo, em condições coloniais, e de assegurar sobrevida ao dólar, moeda que, de outro modo, já estaria fora de uso como divisa internacional, devido ao caos financeiro e orçamentário dos EUA.

31. Visa também a fomentar a indústria de armamentos e investir nesta como instrumento de poder e gerador de divisas, o único setor com balança comercial positiva, outra ajuda ao dólar em vias de colapso.

32.O Brasil é o país mais bem dotado em minérios preciosos e estratégicos, energia, água e terras agricultáveis. Econômica e politicamente controlado, de modo cada vez mais intenso, desde 1954, seus inestimáveis recursos vão sendo saqueados sob os olhares negligentes ou benignos dos três Poderes da República.

33. Por isso, a intervenção permanente que sofre dos serviços secretos das potências imperiais prescinde, desde 1964,  da participação direta de forças militares norte-americanas.

34.Fica o Brasil sem perspectiva de independência real, enquanto não se liberar do subdesenvolvimento programado que lhe é imposto através do domínio de empresas transnacionais sobre sua economia. Está, assim,  destituído do controle sobre tecnologias estratégicas, como os chips da eletrônica.

35.Sem indústria nacional, manietada e dizimada desde a instituição de subsídios às transnacionais, desde 1954, o Brasil carece de armamentos essenciais à sua defesa. Apesar de seu tamanho territorial e populacional, está tão sujeito a intervenções militares imperiais, como o Afeganistão ou a Líbia. Se isso não está em pauta é porque não há resistência ao saqueio dos recursos do País.


*Adriano Benayon é Doutor em Economia e autor de “Globalização versus Desenvolvimento”

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Dez anos do golpe nos EUA

Adriano Benayon

*Adriano Benayon - 11.09.2011

1. Há dez anos foi perpetrada a implosão das Torres Gêmeas em Nova York. No mesmo dia foi lançado míssil sobre uma ala do Pentágono, em Washington.

2. Está comprovado – exceto oficialmente, é claro - que esses crimes só podem ter sido mandados cometer por gente com poderes sobre as forças de defesa e segurança dos EUA, com autoridade sobre o território dos EUA, tendo à disposição recursos materiais e tecnológicos dos mais avançados.

3. Que isso surpreenda a maioria das pessoas ilustra o poder tirânico da oligarquia financeira anglo-americana, que controla a grande mídia e os formadores de opinião que a esta tem acesso. Demonstra, ademais, que essa oligarquia está obtendo os resultados da desinformação massiva e os do abaixamento do nível cultural, dos valores éticos e da capacidade de discernimento dos povos, que promove, desde há mais de um século, em escala crescente, para submeter a humanidade á sua tirania.  

4.Atentemos para os esclarecimentos da Associação Arquitetos e Engenheiros pela Verdade, formada nos EUA por 1.500 engenheiros e arquitetos, acessíveis em Truth-Out.

5. Em vídeo, mais de 20 engenheiros e arquitetos, altamente qualificados, expõem, com  clareza, que as torres gêmeas - e o prédio ao lado, o WTC - ruíram verticalmente, em 7 segundos, por meio de implosão perfeita. O engenheiro brasileiro Thomas Fendel assinala que implosões convencionais não conseguem isso, nem em sonho.

6. Aimplosão realizada só podia ser feita por pessoal especializado e preparada durante meses. Tem de ser calculado cada local onde os explosivos de extraordinário poder calorífero (nanothermite) são colocados. Essa técnica fez derreter as vigas de aços especiais, sem o que as torres não cairiam como caíram. Foram literalmente pulverizadas, algo impossível sem essa técnica, à luz das leis da física elementar, como lembra Fendel.

7. Em 14.09.2009, o Prof. David Ray Griffin publicou artigo The Mysterious Collapse of WTC Seven - Why NIST’s Final 9/11 Report is Unscientific and False” (Porque o Relatório Final do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia sobre o 11/9 é falso e não-científico). Cito:Um relatório de cientistas, inclusive o químico Niels Harrit da  Universidade de Copenhague, mostrou que a poeira do WTC continha nanothermite, explosivo de alto poder – diferente da thermite ordinária, que é só incendiária. O relatório, assinado, entre outros, por Steven Jones e Kevin Ryan, só foi publicado em 2009.”

8. Como consta do site dos engenheiros pela verdade, o coronel-aviador Razer, da Força Aérea dos EUA, está 100% convencido de que as três torres do WTC foram destruídas por demolição controlada, implodidas com explosivos. Ele é um dos pilotos de maior experiência, no mundo, em todo o tipo de aviões, e em matéria de destruição de edifícios de aço e concreto.  Para Razer está claro que a implosão não foi orquestrada por um bando de amadores muçulmanos liderados por um sujeito metido numa caverna no Afeganistão (Bin Laden).

9. Ademais, só pessoas autorizadas podiam ter acesso às Torres, para realizar o serviço, o que, claro, não inclui islâmicos desempregados, que mal falam inglês e não têm como obter visto de entrada nos EUA (os brasileiros que fazem fila nos Consulados norte-americanos conhecem as  exigências).

10. Os islâmicos acusados pelo atentado, presos e torturados, jamais teriam:

1) formação, especialização e experiência para montar e realizar a implosão;
2) acesso aos edifícios conduzindo explosivos (nem eles, nem qualquer pessoa sem o respaldo dos serviços inteligência do governo dos EUA);
3) sequer a possibilidade de ingressar nos EUA sem o patrocínio desses serviços;
4) a menor condição de pilotar os aviões nas manobras para atingir as Torres, com cursinhos de piloto na Flórida no esquema montado pela CIA de recrutar os bodes expiatórios.

11. Pilotos profissionais e experimentados, de jatos como o Boeing 754, afirmaram que nem eles conseguiriam fazê-lo. Como os aviões bateram nas torres é pergunta que fica no ar. Telecomando? Não sei.

12 Conforme peritos, o calor gerado por queima do carburante de  aviões não é, nem de longe, capaz de fazer derreter as estruturas dos andares atingidos, para nem falar dos demais, e tudo ruiu em bloco.  Além disso, ruiu também o WTC 7, sem ter sido tocado por qualquer aeronave.

13. Outro ponto é o seqüestro dos aviões: como tudo foi facilitado desde ao aeroporto etc.. Mais notável: os radares da Força Aérea dos EUA detectam o desvio de rota de qualquer avião e têm procedimento padrão para fazer imediatamente decolar seus caças supersônicos. Não corrigida a rota, depois do aviso, os pilotos dos caças o abatem.

14. Por que o desvio durou quase uma hora, até que os aviões se chocassem com as Torres Norte e Sul? Claro que os pilotos da Força Aérea receberam ordens para não sair do chão.

15. Isso se relaciona com a única das nove questões básicas da Comissão de Cidadãos dos EUA, respondida pelo governo estadunidense: “Everyone “goofed” that day, according to the Bush administration and the 9/11 Commission (todos bobearam, segundo a administração Bush e a comissão oficial).

16. Por essa resposta pode-se, sem muita ironia, dizer que o governo dos EUA nem precisa responder as demais. Se ele tivesse alguma seriedade e dissesse a verdade, os militares e civis responsáveis, no melhor dos casos, pela injustificável negligência teriam de ser submetidos à corte marcial e exemplarmente punidos.

17. Mas que aconteceu? Eles foram promovidos. Como não supor que foram recompensados? Por quê? Por terem sido cúmplices, cumprindo ordens contrárias aos regulamentos, às Leis e à Constituição de seu país. Pior que isso: ordens de traição a seu país, a não ser que se confundam os EUA com a oligarquia financeira que ali exerce sua tirania.

18. Eis, a seguir, perguntas da Comissão de Cidadãos dos EUA (omito as de ns. 5 e 7 por pouco acrescentarem ao dito acima):

1. Como poderiam ser sequestrados quatro aviões comerciais, que voaram no espaço aéreo dos EUA durante até 46 minutos sem envolvimento militar?

2. Como dois aviões comerciais poderiam causar implosão semelhante à das demolições planejadas nos dois edifícios mais altos do mundo, dotados de estruturas de aço?

3. Como o FBI identificou os 19 “sequestradores árabes”, se nenhum nome árabe aparece na lista de passageiros, nem da de tripulantes em qualquer das aeronaves?

4. O trabalho rápido do FBI em identificar os 19 “sequestradores” e a rede Al Qaeda de Bin Laden (sem provas) não sugere que o governo tinha conhecimento prévio de um ataque?

6. Por que empreiteiros começaram a retirar destroços antes de os investigadores estudarem a cena do crime?

8. Por que não foram achadas partes do Boeing 757 - asas, fuselagem, trem de aterrissagem, motores? Por que não havia restos de passageiros nem de suas bagagens?  

9. Dúzias de câmeras de vigilância dentro e fora do Pentágono teriam gravado imagens de alta qualidade do que aconteceu. Por que nenhuma foi usada como prova para sustentar a teoria governamental do Boeing 757?

19. Em razão do que precede e à luz do que o governo dos EUA fez após os fatos de 11 de setembro de 2001, é lícito concluir que eles foram um golpe de Estado de terríveis consequências para quem mora nos EUA ou ali vai, e ainda piores no exterior. Isso será objeto de outro artigo.

20. Desde já, diga-se que o povo dos EUA  vem sendo aterrorizado e ludibriado. Com a aprovação da Lei Patriot II (a Patriot I o fora na época de Clinton, após outro atentado), foi ainda mais radicalizado o estado policial, podendo ser presa qualquer pessoa sem ordem judicial, em função de simples suspeita por parte dos órgãos de segurança.

21. Que dizer dos países vitimados pelas bombas de urânio que mísseis e aviões dos EUA e de seus satélites lançaram, em seguida, no Afeganistão e logo no Iraque, depois em outros países e recentemente na Líbia, destruindo infra-estruturas e matando mais de um milhão de pessoas?

*Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras.

Enviado por Beatrice

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Legados gêmeos do 11/9

Mahan Abedin


12/9/2011, Mahan Abedin, Asia Times Online 
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu



Quando os EUA e aliados choram os ataques de há dez anos, vale a pena pôr aqueles eventos e suas consequências numa perspectiva intelectual e geopolítica coesa, que faça sentido. 

O dia 11/9/2001 ficou na história como data dos mais audaciosos e mortais ataques terroristas da história moderna. O perfeito timing da ação ampliou o impacto do que aconteceu nos dois prédios gêmeos e no Pentágono – e deu aos ataques significado geopolítico não merecido. As atrocidades aconteceram num momento de profunda confusão intelectual sobre o rumo de várias questões mundiais, sobre, afinal, a própria natureza das relações internacionais, na aurora de um novo século. 

Os anos 1990s haviam assistido ao crescimento dramático da teoria da “globalização”, com universidades em todo o mundo ocidental pontificando sobre o declínio do estado nacional e a ascensão de vasta gama de atores não estatais, de empresas multinacionais a redes transnacionais de terrorismo, para preencher o vazio. 

À primeira vista, o assalto da al-Qaeda aos EUA pareceu dar credibilidade a essas teorias, e nem o mais empedernido realista escaparia ao feitiço da simbologia: uma pequena organização terrorista, plena de idiossincrasias, desmoraliza a maior potência da história. Mas, passado o impacto imediato, a natureza e a intensidade da resposta dos EUA e seus aliados rapidamente puseram fim a teorias liberais da globalização e, mais uma vez, obrigaram a repor as principais nações-estados no epicentro das relações internacionais. 

O “11/9”, como passou a ser chamado, parece ter deixado dois restos-legados duradouros, os quais, ambos, modelarão a política internacional na primeira metade do século 21. Primeiro, o esforço concentrado dos EUA para acumular a máxima hegemonia possível, para tentar gerir o próprio declínio, que os EUA temem que venha com a segunda metade do século, assegurando ‘pouso suave’. Segundo, a provável evolução política do Islã, como fator estável na política regional. 

Catarse estratégica 

Inevitavelmente, os ataques terroristas do 11/9 passaram por intensa e prolongada avaliação política, por analistas que recomendavam a presença decisiva dos EUA no cenário mundial e analistas que se opunham a ela. Também inevitavelmente, surgiram muitas teorias conspiracionais, a maioria das quais centrada na premissa de que teria havido interferência do governo dos EUA nos ataques, na expectativa de colher benefícios estratégicos.

A narrativa oficial sobre os ataques do 11/9, corporificada no relatório da comissão oficial de investigação, deixa sem respostas muitas perguntas e não é resultado de investigação exaustiva; mesmo assim, é, provavelmente, a mais próxima que há, da verdade.

Os chamados jihadis da al-Qaeda que planejaram e executaram os ataques contra os dois prédios do Centro Comercial Mundial em New York e contra o Pentágono em Washington DC agiram, muito provavelmente, movidos por seus próprios desejos e projetos políticos e estratégicos. Mas houve muita especulação, muitos erros de informação jornalística e análises quase sempre superficiais sobre as origens, a natureza da ideologia dos jihadis e sobre a precisa relação entre eles e movimentos políticos mais amplos e mais conhecidos no mundo árabe. 

Ingrediente importante nessa confusão foi o crescimento astronômico da indústria dos “estudos sobre o terrorismo” nos EUA e, em menor escala, em toda a Europa ocidental, indústria que se apresenta como produtora de pesquisa independente, mas que, longe disso, existe exclusivamente como arrimo ou das políticas oficiais ou de uma chusma de interesses políticos e ideológicos – privados –, nos EUA, a maioria dos quais são abertamente calvinistas e, em muitos casos, islamofóbicos. 

O trabalho determinado de várias entidades e empresas político-intelectuais nos EUA (com raízes profundas no governo e nas grandes corporações empresariais) para construir laços diretos entre os ataques terroristas e o Islã político e, portanto, laços também com o próprio Islã, não é apenas manifestação de visão intelectual e política estreita, que deixa sem considerar um muito amplo conjunto de questões políticas, históricas e teológicas; é trabalho também intelectualmente desonesto e impressionante exemplo de perversão intelectual. 

Não se trata de desassociar completamente os ataques aos EUA, de um lado, e, de outro, a perspectiva ideológica, política e estratégica do pensamento árabe islamita dominante e, mais especificamente, da Fraternidade Muçulmana (FM) e de suas décadas de trabalho para reformular toda a infraestrutura política e social do mundo árabe pelo parâmetro da própria específica visão islâmica da própria FM. 

Mas, dada a natureza religiosa da ideologia da al-Qaeda e, mais importante, dada a evidência de que o movimento formula em termos religiosos os seus objetivos políticos e estratégicos, o mais provável é que haja conexões indiretas e polinização cruzada de ideias e visões entre os vários principais grupos islâmicos. Para realmente entender essas conexões é preciso pesquisa séria, detalhada, e alto padrão de seriedade e respeitabilidade intelectuais. 

O fator motivador mais imediato para os ataques do 11/9 foi a maturação de um conjunto de ressentimentos profundamente enraizados, reais ou sentidos como tais, contra as políticas dos EUA no mundo árabe e no mais amplo mundo muçulmano. As décadas de apoio que os EUA garantiram a regimes árabes autoritários, justificadas pela busca de segurança no campo da energia, afetaram profundamente a rua árabe, ressentimento fundo que foi vorazmente explorado pela al-Qaeda, que se autoapresenta como vanguarda da opinião pública árabe e muçulmana. 

A aquiescência dos EUA (em vários casos o apoio direto) com o papel desestabilizador que Israel desempenha no Oriente Médio, também foi profundamente ressentida e, mais uma vez, também pôde ser facilmente explorada por grupos que se apresentam como vanguarda da consciência no mundo muçulmano. 

Motivações mais profundas podem ser encontradas na experiência direta dos jihads árabes no Afeganistão nos anos 1980s; e a crença genuína (com a correspondente húbris) de que o envolvimento da chamada Jihad afegã teria sido fator decisivo que forçou a retirada dos soviéticos do Afeganistão em 1989, o que teria precipitado o colapso da União Soviética, dois anos depois. Alguns dos líderes da al-Qaeda contaram com que o movimento teria destino semelhante na disputa contra os ainda mais formidáveis EUA. 

Essa surpreendente fantasia explica em boa parte que, embora a al-Qaeda e seus aliados sejam adeptos da propaganda e de construir narrativas complexas, sejam incapazes de produzir pensamento estratégico elaborado e próprio. 

O fato de o terrorismo da al-Qaeda ter-se conectado com as correntes intelectuais e ideológicas mais amplas do pensamento árabe islamita é resultado de a al-Qaeda ter sabido explorar, com oportunismo, a inabilidade da Fraternidade Muçulmana, que jamais conseguiu expor, nem em versão mínima, seus objetivos políticos. Nesse ponto, a al-Qaeda respondia à frustração dos elementos mais radicais, nas franjas da Fraternidade Muçulmana e grupos associados, que declaradamente rejeitavam a violência, ao mesmo tempo em que, em segredo, esperavam ansiosamente qualquer chance de acertar golpe forte contra a fonte ressentida de seus fracassos. 

A soma desses fatores levou a grau altíssimo de estresse e de expectativa, que direta e indiretamente levaram à concepção e ao planejamento dos ataques, cuja execução eventual visava a alcançar uma espécie de catarse estratégica, e a conseguir ampliar o conflito com os EUA, levando-o a um novo nível. 

O efeito imediato da resposta de vingança e retaliação dos EUA jogou a favor da agenda da al-Qaeda, resposta automática, não refletida, que foi reforçada em seguida com conteúdos intelectuais-ideológicos incorporados sobretudo na declaração de uma “guerra ao terror” – contra-ataque retórico surpreendentemente inadequado e pouco inteligente, manifestação do que há de mais superficial na cultura política dos EUA. 

Mas é erro supor que a resposta de médio e de longo prazo dos EUA, em campo – especificamente o maior envolvimento militar no Oriente Médio e Sul da Ásia, além do avanço gradual rumo à Ásia Central (que a Rússia, por muito tempo, considerou quintal seu) – teria sido diretamente influenciada pela experiência do 11/9, na busca da chamada guerra ao terror, que os estrategistas do Pentágono, adiante, rebatizaram de “Guerra Longa”. 

Apesar do indiscutível golpe no prestígio nacional norte-americano, os ataques do 11/9 serviram aos interesses dos EUA, porque levaram as melhores cabeças dos EUA a focarem-se no estudo das perspectivas futuras, em inúmeros campos de atividade profissional, dos militares aos intelectuais de academia. Todos se puseram a estudar a questão do declínio nacional dos EUA e os melhores modos de adiá-lo, e, logo depois, de administrá-lo, quando de fato for realidade estabelecida. As políticas que os EUA tentam implantar atualmente na Eurásia, sejam quais forem os objetivos estratégicos e políticos declarados, visam todas a criar ambiente intelectual e estratégico favorável àqueles dois objetivos. 

A transformação do Islã político 

O fato de que muçulmanos terem sido a força motriz que levou aos ataques do 11/9 levou todos, inevitavelmente, a ter de considerar o papel do Islã, sobretudo do Islã político, no mundo contemporâneo. Nem toda a publicidade, que levou o assunto às massas, foi força só negativa, o que se vê no aumento dramático do número de conversões ao islamismo em todo o mundo, inclusive na Europa, na Austrália e nos EUA, regiões tradicionais do império judeu-cristão. 

Muitos jornais e televisões ocidentais foram rápidos ao apontar um dedo acusador contra o Islã político. Empresas e veículos de comunicação ainda mais míopes tentam ainda implicar um fenômeno vasto e muito diversificado como o Islã, nas artes negras do terrorismo e da chicana política. 

O Islã, como religião planetária, não é mais nem menos violenta que qualquer outra religião ou ideologia comparável. Nesse sentido, a vasta maioria dos atores políticos no mundo árabe e muçulmano que se autodescrevem ou são descritos como “islamitas” têm-se manifestado publicamente contra a violência política. 

Mesmo assim, a proximidade ideológica entre os Jihadis e os islâmicos em geral gerou dúvidas legítimas (desde que não exageradas) sobre a visão política e, mais especificamente, sobre o comportamento potencial desses atores políticos, no caso de virem a ocupar posições de poder político em seus respectivos países. 

Os regimes árabes autoritários e Israel trabalharam para explorar, precisamente, esses medos, desde os primeiros momentos depois do 11/9, em patética tentativa para, de uma vez por todas, remover do mapa político todos os islâmicos. Esses esforços, inspirados em questões de segurança, pouco conseguiram, porque não deram o peso devido à resiliência ideológica e a conectividade social dos movimentos islâmicos no Oriente Médio e Norte da África. 

Imediatamente depois do 11/9, os islâmicos perceberam os perigos que se formavam no horizonte, mas também identificaram ali ampla gama de oportunidades, dentre as quais – e a principal – a evidência de que o Islã e os atores políticos que mais intimamente se identificam com o Islã, haviam sido lançados para o topo da agenda global e política, presentes em todas as manchetes de jornais e televisões, em todo o mundo; foi efeito dos ataques terroristas. 

Os mais espertos, nas fileiras islâmicas, invadiram imediatamente, e ativamente, o debate ocidental contra o terrorismo, não pensando em subvertê-lo, mas em modificar, pelo menos, alguns dos traços mais desagradáveis, conceitualmente mais errados e intelectualmente mais distorcidos daquele debate. 

Até aqui, no que tenha a ver com as atenções da mídia e dos políticos, o 11/9 trabalhou mais a favor dos islâmicos, não só no mundo árabe, mas em todo o planeta. Mas é no mundo árabe, território do Islã, que o Islã político pode afinal mostrar se é ou não capaz, em termos de versatilidade e visão política, para cumprir suas promessas de reformas e progresso autênticos. 

O 11/9 criou condições favoráveis de propaganda e “mídia” para a narrativa islâmica; em seguida, a Primavera Árabe fez começarem a surgir condições políticas e socioeconômicas para a implementação da agenda política islâmica. Afinal, a extensão de sucessos ou fracassos não será avaliada pela reação de estados como o Egito à possibilidade de acolher islamitas no governo, mas, sim, pelo resultado das lutas ideológicas internas, dentro do próprio movimento islâmico. 

No que tenham a ver com a Fraternidade Muçulmana no Egito, as principais lutas ideológicas travam-se entre (a) uma nova geração de reformadores e pensadores progressistas, que querem aprofundar reformas socioeconômicas, e (b) a geração mais velha, ou envelhecida, de islâmicos conservadores cuja visão pouco alcança além de uma muito superficial pregação a favor da implementação também superficial da Xaria islâmica. 

Para serem bem sucedidos no mundo político, os islamitas árabes terão de passar por importante transformação, não só em termos de visão, mas também em termos táticos, das ações diárias indispensáveis a implementar qualquer nova visão. 

Os dois restos/legados mais duradouros do 11/9 aqui alinhavados – a saber: a luta dos EUA para conseguir acumular mais e mais poder nacional na primeira metade do século 21, para ter melhores condições para administrar o declínio que virá na segunda metade do século; e as dores do parto de uma nova geração de políticos islamitas no mundo árabe – , mais cedo ou mais tarde estarão em contato íntimo. Se haverá colisão ou não, depende de o quanto os islâmicos conseguirão, na trilha de converterem-se, eles mesmos, em fator de estabilização da política regional, entrincheirados fundamente na estrutura de governos nacionais. 

Enquanto sua segurança energética não for diretamente ameaçada, os EUA são capazes de conviver com islamitas árabes no poder – mais ou menos como os EUA conviveram durante as últimas três décadas com a República Islâmica do Irã. Entendimento mais estável e duradouro só será possível se os EUA modificarem suas políticas regionais, a começar, e principalmente, o apoio aparentemente sem restrições e incondicionado, dos EUA a Israel. 

Por mais que seja fantasioso, pelo menos no futuro hoje previsível, esperar que os EUA abandonem Israel ao próprio destino, um apoio um pouco mais racional, com condições mais claras e explicitadas ao estado judeu, seria passo importantíssimo para fazer avançar consideravelmente as condições geopolíticas subjacentes na região, com resultados benéficos, de longo prazo, para os interesses de EUA no Oriente Médio e no norte da África.