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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Talibã festeja com curry de bode e arroz

4/6/2014, [*] MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoa da Vila Vudu

Ler também:
4/6/2014, Patrick Cockburn, ICH, redecastorphoto em: “Revelações de Bowe Bergdahl: E-mails mostram extensão do fracasso dos EUA no Afeganistão”.

Bode assado com arroz ao curry, prato típico do Afeganistão
O chefe Talibã, Mullah Omar, está coberto de razão, ao declarar uma “grande vitória” a troca de Prisioneiros de Guerra com os EUA. Muitos bodes foram carneados, e a tradicional ceia celebratória está sendo servida, nos vales e vilas de montanhas do Hindu Kush — curry de bode e arroz.

Fato é que os Talibã venceram em quatro diferentes modalidades:

Uma: não importa o que seja dito contra eles, os Talibã foram reconhecidos pela comunidade internacional. Pode ser pouco reconhecimento, mas reconhecimento é reconhecimento, e quando alguém é reconhecido, o reconhecimento tende a aumentar.

Duas: é imenso reforço na moral do movimento Talibã como um todo, que os EUA tenham sido forçados a libertar cinco altos comandantes Talibãs. É como prêmio à determinação obcecada dos Talibã, que qualquer acordo tenha de ser precedido pela libertação de seus comandantes ainda presos na Baía de Guantanamo.

Mullah Omar
Três: é claro que o Mullah Omar esteja sendo pintado como homem de 3m de altura, no bazaar afegão. Os afegãos respeitam muito uma boa barganha, e Omar venceu uma, das melhores, e barganhando contra uma superpotência.

Quatro, e por fim, o presidente Hamid Karzai termina sua presidência como força já completamente exaurida, e os Talibã, mais uma vez, veem confirmado o que sempre disseram com incansável insistência: que Karzai jamais teve qualquer importância para o futuro do Afeganistão.

E para onde vão os Talibã, a partir desse ponto a que chegaram? A declaração oficial diz que a libertação dos comandantes Talibã foi obtida pela “benevolência de Alá e pelos sacrifícios dos valentes e heróicos Mujahideen”. É justo. A declaração reconhece que houve “negociação indireta” entre os Talibã e os EUA, “mediada” pelo Qatar.

São fatos já de domínio público, mas é importante que os Talibã os tenham reconhecido oficialmente. Interessante: a declaração oficial dos Talibã afirma que as negociações podem continuar, para obter a libertação dos demais Talibã que permanecem presos em Guantánamo. A declaração não diz palavra sobre a resistência, nem traz sequer um termo de propaganda condenando os EUA.

Hamid Karzai ficou furioso...
Não surpreendentemente, Karzai está lívido de fúria por não ter sido envolvido nas negociações Talibã-EUA. Mas, já se sabe: no bazaar afegão Karzai sempre foi considerado sem importância para o futuro do Afeganistão. Não há dúvidas de que Washington humilhou Karzai além de qualquer limite reparável. O campo político de Karzai insiste que ele continuará a ter papel influente mesmo depois que deixar o poder. Mas é falar por falar.

O Dr. Abdullah Abdullah ou Asharf Ghani – os dois principais candidatos que disputam eleições dia 14 de junho, talvez não processem Karzai, mas tampouco quererão alguma eminência parda a pairar sobre eles. Perder poder implica perder capacidade para garantir apadrinhamento efetivo e quem não tem capacidade para apadrinhar efetivamente perde importância. É a lógica da vida desde tempos imemoriais na sociedade afegã.

Abdullah Abdullah e Asharf Ghani
Significativamente, nem Abdullah nem Ghani criticaram os EUA por negociarem com os Talibã. Claro: agora, como o resto do mundo, os dois também já sabem que o Paquistão está arbitrando todo o jogo envolvendo os EUA e os Talibã, e que o Qatar só está empurrando o carrinho com a bolsa de tacos. Há aí implicações para as políticas futuras de Abdullah e Ghani em relação ao Paquistão.

Como na Índia, há um campo barulhento nos EUA que também clama que a guerra contra os Talibã deve prosseguir até ser “vencida”, não importa o quanto demore ou custe. Uma avalanche de críticas apareceu no circuito de Washington contra o presidente Barack Obama. Mas logo amainará, porque há mais gente nos EUA que entende que essa não é guerra dos EUA e que os soldados têm de ser trazidos do Hindu Kush, de volta para casa, o mais depressa possível.

Barack Obama e Bowe Bergdahl
Claramente Obama está do lado certo da história. A troca de prisioneiros de guerra melhora consideravelmente as chances de negociar acordo que envolva os Talibã como elemento basilar da estabilização do Afeganistão. Os EUA estão caindo fora e tentando prender a maior quantidade possível de “fios soltos”: a troca de prisioneiros com os Talibã é movimento nessa linha.

Não esqueçam nem por um segundo que o sargento Bowe Bergdahl realmente desertou, desiludido com a guerra, há cindo anos: deu as costas e saiu andando da base dos EUA. Mesmo assim, Obama decidiu trazê-lo de volta para casa, ele também; e sabia que pagaria alto preço por isso. Minha opinião é que comandante-em-chefe existe para isso. Boa leitura o artigo de Paul Pillar, ex-analista da CIA, sobre a controversa decisão de Obama. 





[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Ásia Times Online, Al Jazeera, Counterpunch, Information Clearing House, e muita outras. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

terça-feira, 10 de junho de 2014

As mentiras dos EUA tornam-se mais e mais audaciosas...

6/6/2014, [*] Paul Craig Roberts − Institute for Political Economy
Traduzido por mberublue


G7 - Obama e seus "poodles" adestrados
Se por acaso ainda houvesse alguma dúvida de que os líderes do ocidente vivem em um mundo de faz-de-conta fantasioso elaborado a partir de suas mentiras, a reunião do G-7 e a celebração do 70º aniversário do desembarque na Normandia acabou com a dúvida.

As besteiras que foram gritadas nessas ocasiões bastam para explicitar quem é quem. Obama, com seu “poodle”, Cameron, ao lado, descreveu o desembarque da Normandia em 06 de junho de 1944 como sendo “a maior força de liberação que o mundo já conheceu” e fez com que os Estados Unidos e a Grã Bretanha ficassem com todo o crédito da derrota de Hitler. Nem a mais leve menção sobre a União Soviética e o Exército Vermelho, que por três anos, ainda antes do desembarque da Normandia já estavam lutando e derrotando a Wehrmacht.

A derrota alemã na IIª Guerra Mundial aconteceu na batalha de Stalingrado, que foi travada no espaço de tempo entre 23 de agosto de 1942 até 03 de fevereiro de 1943, quando a maioria dos remanescentes do poderoso Sexto Exército Alemão se rendeu, incluindo 22 generais.

A verdadeira maior força de invasão já montada no planeta Terra foi a que invadiu a Rússia, através de uma frente de batalha de mil e seiscentos quilômetros. Três milhões de soldados alemães de primeira linha; 7.500 unidades de artilharia, 19 divisões Panzer com 3.000 tanques e 2.500 aviões deslocaram-se pela Rússia por 14 meses.

Em junho de 1944, três anos depois, restava bem pouco dessa força. O Exército Vermelho a tinha mastigado. Quando os assim chamados “aliados” (um termo que aparentemente exclui a Rússia) chegaram à França, enfrentaram bem pouca resistência. As melhores forças que ainda restavam para Hitler estavam engajadas no front russo, que desabava dia após dia, conforme o Exército Vermelho se aproximava de Berlim. 

Exército Vermelho da URSS na IIa. Grande Guerra
O Exército Vermelho venceu a Alemanha. Americanos e britânicos só se arriscaram depois que a Wehrmacht estava exausta e em farrapos e podia oferecer fraca resistência. Stalin acreditava que Washington e Londres ficaram na espera até o último minuto, deixando a maior parte do trabalho de derrotar a Alemanha com a Rússia.

Cineastas de Hollywood e escritores de best-sellers, naturalmente, enterraram os fatos bem fundo. Os americanos produziram todo o tipo de filme, como “Uma ponte longe demais”, que retratam acontecimentos pontuais e insignificantes, mesmo sendo heróicos, como pontos de virada da guerra. Não obstante, os fatos reais são claríssimos. A guerra foi vencida no front oriental pela Rússia. Filmes de Hollywood são divertidos, mas não passam de nonsense.

A Rússia mais uma vez está sendo escanteada pela “comunidade internacional” porque os planos de Obama para se apoderar da Ucrânia e expulsar a Rússia de suas bases no Mar Negro deram com os burros n’água. A Criméia tem sido parte da Rússia por mais tempo que a existência dos Estados Unidos. Khrushchev, um ucraniano, anexou a Criméia à República Socialista da Ucrânia em 1954 quando Rússia e Ucrânia faziam parte do mesmo país.  

Quando o governo ucraniano, fantoche de e imposto por Washington declarou que estava por abolir o uso da língua russa e mandaria prender ucranianos que tivessem dupla cidadania Ucraniana/Russa, e ao mesmo tempo começou a derrubar memoriais de guerra russos que foram consagrados à libertação da Ucrânia dos nazistas alemães, o povo da Criméia usou a câmara de votação e a urna para primeiro, se dissociar da Ucrânia declarando a própria independência e em seguida, para reunificar-se à pátria mãe.

Washington, assim como outros países do G-7, que seguem caninamente as ordens de Washington descreveram este ato de autodeterminação, que em nada se difere do ato de autodeterminação declarado pelas colônias britânicas na América, como se fosse um caso de “invasão e anexação pela Rússia”. Outros esforços semelhantes de separação de Kiev estão em curso em diversos territórios que hoje compreendem o leste e o sul da Ucrânia. Washington tem equiparado o esforço de autodeterminação no leste ucraniano a “terrorismo” e encorajou seus fantoches em Kiev a usar violência militar contra manifestantes civis. A razão de chamar os manifestantes de “terroristas” é dar o OK para matá-los.

Gerald Celente
É muito esquisito para qualquer pessoa descobrir que o presidente dos Estados Unidos e os líderes dos estados da Europa ocidental declaram publicamente mentiras tão descaradas sobre o mundo. Há historiadores no mundo. O mundo tem pessoas esclarecidas com conhecimentos bem maiores que excedem de muito a mídia convencional também conhecida como Ministério da Propaganda Política, ou, como Gerald Celente a chama, “a presstituta”. Seja lá como a chamamos, a mídia ocidental é uma coleção de putas bem pagas. Eles mentem por dinheiro, por convites para jantares festivos, e convites para grandes contratos com bons honorários para escrever livros com enormes adiantamentos.

Eu sei. Eles tentaram me recrutar.

Observe a forma restrita pela qual Washington define a “comunidade mundial”. A “comunidade mundial” consiste no G-7 o Grupo dos Sete. É isto. Sete países formam a chamada “comunidade mundial”, a qual, na visão de Washington, é composta de seis países e do fantoche de Washington, o Japão. A “comunidade mundial” é feita dos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Japão. Todos os outros 190 paises não fazem parte da “comunidade mundial” de Washington. Pela doutrina neocon, sequer fazem parte da humanidade.

Toda a “comunidade mundial” não possui a população de apenas um dos países dela excluídos. Você pode escolher entre China e Índia. Não fiz os cálculos, mas provavelmente a massa terrestre da Rússia ultrapassa o total da massa terrestre da “comunidade mundial”.

Então, que diabos é essa “comunidade mundial”?

O conjunto dos países vassalos dos Estados Unidos forma a “comunidade mundial”. Alemanha, Inglaterra e França foram importantes no cenário do século XX. Suas histórias são objeto de estudos nas universidades. O padrão de vida de sua população é decente, embora não para todos. Seu passado é a razão de sua importância atual. Com efeito, estes países foram impulsionados pela história, ou pelo menos, pela história se tornaram importantes para o ocidente. O Japão, atualmente mero apêndice de Washington sonha tornar-se “ocidental”. É impressionante como pode um povo orgulhoso e guerreiro como o japonês anular-se até o nada.

Bom. Como finalmente parei de gargalhar com a presumida desimportância da Rússia na derrota de Hitler, podemos retornar para a reunião do G-7. Desta vez o Grande Acontecimento da reunião foi a exclusão da Rússia, encolhendo o G-8 para tornar-se o G-7. 

Bandeiras do G7 (ex G8) em Bruxelas, -4/6/2014
É a primeira vez em 17 anos que a Rússia não tem permissão para participar da reunião do grupo do qual faz parte. Por quê?

A Rússia está sendo punida. Está sendo isolada dos sete países que o Idiota da Casa Branca houve por bem dizer que constituem a “comunidade mundial”.

Obama está bravo porque seu Conselho de Segurança Nacional e os idiotas que nomeou para o Departamento de Estado e para a ONU não têm educação ou conhecimentos suficientes para saber que a maior parte da Ucrânia consiste de antigas províncias russas habitadas por russos. Os imbecis ignorantes que Obama nomeou acharam que poderiam tomar a Criméia, expulsar a Rússia, tirando seu acesso ao Mediterrâneo, o que a tornaria incapaz de manter sua base naval em Tartur, na Síria, facilitando a invasão da Síria por Washington.

A Crimeia tem sido parte da Rússia desde que a Rússia finalizou a reconquista dos tártaros. Eu me recordo da etnia Tártara ou Tartarlar, quando de minha visita a Timur, ao túmulo de Tamerlão, o Grande, em  Samarkande (cidade do Uzbequistão. O nome quer dizer “cidade de pedra” – NT) há 53 anos. A cidade de Tamerlane atualmente foi convertida em um centro turístico. 53 anos atrás eu vi um lugar desolado e em ruínas, com árvores crescendo por cima do topo dos minaretes.

Com o fracasso do plano de Obama de tomar a Ucrânia falhou, como se tornou comum em outros planos seus, os porta vozes de Washington para interesses privados resolveram aproveitar a oportunidade para demonizar Putin e a Rússia e restaurar a Guerra Fria. Obama e seus fantoches, ou vassalos, do Grupo dos 7, usaram a ocasião para ameaçar a Rússia com sanções reais, já que as sanções de fancaria da atual propaganda política não surtiram efeito. De acordo com Obama e seu poodle Cameron, Putin deve, sabe-se lá porque, evitar que a população russa da Ucrânia oriental proteste contra a subserviência a um governo neofacista em Kiev, apoiado por Washington e outros.

Poroshenko, o oligarca corrupto da Ucrânia
Supostamente Putin deveria abraçar fraternamente o oligarca, antigo ministro do governo derrubado pelo golpe patrocinado por Washington e colocado no cargo por falsos votos nos quais a participação da população votante da Ucrânia não passou de pequeno percentual do total. Putin deveria ainda beijar o oligarca corrupto nas duas faces, pagar as contas de gás natural da Ucrânia e esquecer todos os seus débitos. Adicionalmente, a Rússia em tese deveria repudiar o povo da Crimeia, rever sua adição à Federação russa e entregá-los aos assassinos do Pravy Sektor (Setor da Direita – partido ucraniano neonazista – [NT]) para que sejam eliminados como vingança pela vitória russa contra a Alemanha nazista, pela qual muitos ucranianos ocidentais lutaram. Em troca de tudo isso, a OTAN e Washington colocarão muitas bases de mísseis nas fronteiras russas como forma de proteger a Europa de mísseis balísticos intercontinentais iranianos que não existem.

Deveria ser então um jogo de ganha-ganha para a Rússia...

O regime de Obama, usando suas muito bem pagas ONGs acabou por derrubar um governo democraticamente eleito, um governo que não era mais corrupto que qualquer outro da Europa ocidental, oriental ou que Washington.

Na Inglaterra, França, Alemanha e Itália, os idiotas que as comandam estão sacudindo seus punhos fechados na direção da Rússia, ameaçando com mais sanções, desta vez reais. Será que esses dementes realmente querem que seu próprio fornecimento de energia seja cortado? Não há perspectiva, apesar da propaganda política enganosa, de que Washington possa suprir a energia de que a indústria alemã depende, ou a da qual dependem os europeus para não congelar no próximo inverno.

Eventuais sanções contra a Rússia destruirão a Europa e terão pouco ou nenhum efeito sobre a Rússia. Esta já se movimenta, juntamente com China e o restante dos BRICS, para fora do mecanismo de pagamento em dólares.

Na realidade o que o Bobo da Casa Branca, o neoconizado Conselho de Segurança Nacional, a mídia presstituta e o Congresso estão a fazer é apoiar e dar suporte às suas políticas com base apenas na presunção e na arrogância, o que está levando os Estados Unidos para o abismo.


Vocês escrevem o que dizemos
OBRIGADO, IMPRENSA CORPORATIVA

Nós não poderíamos controlar o POVO sem você
Mensagem do Ministério de Segurança Interna

Um abismo assim é como um buraco negro. Você não consegue sair dele.

As mentiras de Washington são tão claramente flagrantes e transparentes que Washington está destruindo a própria credibilidade. Considere, por exemplo, o caso da espionagem levada a efeito pela NSA. Documentos revelados por Snowden e Greenwald tornam bem claro que Washington não apenas espionou líderes governamentais e o povo comum, mas também empresas estrangeiras com o fito de privilegiar interesses comerciais e financeiros dos Estados Unidos. Nunca foi colocado em dúvida que os EUA roubam segredos comerciais chineses. Washington não apenas nega que os documentos apresentados provem alguma coisa, como posa de vítima e acusa cinco cidadãos chineses de espionar empresas norte americanas.

Estas acusações descabidas e sensacionalistas têm apenas uma finalidade: propaganda política manipulada. De qualquer outra forma que se olhe, as acusações são totalmente sem sentido, se não simplesmente falsas. Claro que a China nem pensa em entregar cinco de seus cidadãos para gáudio dos mentirosos em Washington, mas é uma oportunidade de ouro para a mídia presstituta desviar os holofotes da NSA e assestá-los na China, que vem a calhar para substituir a NSA como vilã.

Por que o Brasil, a China, a Alemanha e outros países espionados não emitem mandados de prisão contra os altos oficiais da NSA, contra Obama e contra os membros do Comitê de Fiscalização do Congresso? Por que permitem que os Estados Unidos sempre ataquem primeiro com sua propaganda manipulada para controlar as explicações?

Bowe Bergdhal
O povo dos Estados Unidos é muito suscetível à manipulação política dos fatos. Parecem mesmo gostar disso. Pense no ódio instigado até agora contra o sargento Bowe Bergdahl, um soldado dos EUA recentemente libertado pelo Talibã em uma troca de prisioneiros. A comemoração que se realizaria em sua cidade natal festejando a sua libertação foi cancelada por causa da sede de sangue desencadeada pelo ódio com o qual a mídia presstituta atacou Bergdahl. A engenharia do ódio erguida pela mídia contra Bergdahl tem feito acontecer uma enxurrada de ameaças contra a cidade de Hailey, Idaho.

Mas afinal de contas, em que se baseiam os ataques contra Bergdahl? Aparentemente, a resposta é que Bergdahl, como a estrela do futebol americano Pat Tillman, que recusou um contrato de 3,6 milhões de dólares para se unir aos rangers do exército e entrar em combate pela liberdade no Afeganistão, adquiriu um monte de dúvidas sobre a guerra. Originalmente, a morte de Pat Tillman foi atribuída a uma ação heroica e ao fogo inimigo. Depois, verificou-se que Tillman foi abatido por “fogo amigo”. Muitas pessoas concluíram que ele foi abatido porque o governo não precisa de um herói esportivo falando mal da guerra. Como agora Bergdahl está fora do alcance da batalha e do fogo amigo, ele tem que ser abatido pela imprensa, exatamente como a Rússia, China, Irã, Putin, Assad, o povo da Crimeia e a população de língua russa na Ucrânia.

Nenhuma única virtude moral tem sido cultivada nos EUA, mas o cultivo do ódio e o ódio vão bem, obrigado.



[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do  Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no  Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Revelações de Bowe Bergdahl: E-mails mostram extensão do fracasso dos EUA no Afeganistão

3/6/2014, [*]  Patrick Cockburn − The Independent, UK e ICH
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Para os EUA, receber de volta o único prisioneiro norte-americano que ainda havia naquele país os afasta ainda mais do Afeganistão. Para os afegãos, receber de volta os seus cinco comandantes prisioneiros em Guantánamo é sinal de reconhecimento da força e da legitimidade dos Talibã.

Sargento Bowe Bergdahl
O exército dos EUA é a maior piada que há hoje para o mundo rir – escreveu o sargento Bergdahl num e-mail depois publicado pela revista Rolling Stone.

É dura condenação para qualquer exército em dificuldades. E foi escrita por um soldado norte-americano, Bowe Bergdahl, no último e-mail para o pai e a mãe, enviado pouco antes de ele abandonar sua base no leste do Afeganistão, dia 30/6/2009.

Em questão de horas Bergdahl foi capturado pelos Talibã, que o mantiveram prisioneiro por cinco anos, até ser trocado por cinco altos comandantes dos Talibã que estavam presos na prisão norte-americana na Baía de Guantánamo.

O exército dos EUA é a maior piada que há hoje para o mundo rir. É exército de mentirosos, traidores, doidos e pervertidos. Os poucos sargentos que prestam estão caindo fora o mais depressa que podem, e recomendam que nós, os cabos, façamos o mesmo − escreveu o sargento Bergdahl num e-mail depois publicado pela revista Rolling Stone.

O Sargento Bergdahl alistou-se no exército quando faltavam soldados para mandar ao Afeganistão como parte de “avançada” [orig. surge] no número de brigadas de combate naquele país. Com absoluta falta de alistados, os EUA começaram a distribuir “credenciais” a recrutas acusados de crimes ou que tinham problemas com drogas e que antes haviam sido rejeitados pelo Exército. No caso do Sargento Bergdahl, campeão de tiro, bem educado e com uma visão romântica do que seria servir profissionalmente ao exército, a desilusão não demorou a implantar-se.

Sua companhia estava em desarranjo e com o moral baixo. Ele reclama que três bons sargentos foram obrigados a trocar de companhia e “não há maior merda do que ser mandado comandar essa equipe”. O comandante de seu batalhão era “velho, doido e arrogante” e os outros oficiais não eram melhores:

No exército dos EUA, você é perseguido se for honesto (...), mas se for um merda arrogante rico você pode fazer o que quiser e sempre acabará promovido.

O Sargento Bergdahl levou a sério a estratégia de contrainsurgência, que ele supunha que visasse a ganhar “corações e mentes” dos afegãos. Mas em vez disso, só viu que os soldados norte-americanos tratavam os afegãos com menosprezo agressivo:

Tenho vergonha de tudo que vejo aqui. Essas pessoas precisam de ajuda, mas o que recebem é o país mais arrogante do mundo a dizer a eles que eles não prestam, que são estúpidos, que não sabem viver.

Conta que viu uma criança afegã ser esmagada por um tanque blindado dos EUA, evento que seus pais estimam que tenha sido o que o levou a abandonar a base. O pai do Sargento Bergahl respondeu à última mensagem do filho com um e-mail no qual se lia, no campo “Assunto”: “Obedeça sua consciência”.

A seguir vídeo completo (tradução desnecessária) da libertação do Sargento Bergdahl:


As histórias da vida dos seis homens – cinco afegãos e um americano – que foram trocados nessa final de semana mostra o quão rapidamente o espírito dos exércitos no Afeganistão pode mudar, de plena confiança na vitória, para frustração e derrota. No verão de 2001, os Talibã acreditavam, com razão, que estavam próximos de tomar todo o Afeganistão, com seus inimigos cercados nas montanhas do nordeste.

Mas o 11/9/2001 mudou tudo isso e, em novembro, os EUA estavam em avançada e já haviam obtido sucesso fácil. Oito anos depois, as razões do sargento Bergdahl para abandonar a própria base sem autorização ilustram o quanto, até que ponto, o Afeganistão converteu-se, para os EUA, em guerra desmoralizante e impossível de vencer.

Os Talibã também viram azedar suas esperanças de vitória, e em período ainda mais curto. Mullah Mohammed Fazl, também conhecido como Mullah Fazel Mazloom, comandava 10 mil Talibã considerados responsáveis pelos massacres dos hazara e tadjiques no norte do Afeganistão. Rendeu-se à Aliança do Norte, da oposição, em 2001. Com ele, estava o governador da província de Balkh, Mullah Norullah Noori. Foram embarcados no navio de guerra USS Bataan e dali enviados para a prisão de Guantánamo.

Desde o início das primeiras conversas exploratórias entre os EUA e os Talibã, a primeira demanda dos Talibã sempre foi a libertação desses dois comandantes. Outro nome, na mesma lista, era Khirullah Said Wali Khairkhwa, fundador dos Talibã em 1994.

Naqueles dias, EUA super-autoconfiantes não viam razão alguma para ceder a qualquer demanda dos Talibã, nem davam qualquer importância a ex-comandantes Talibã. Os dois detentos remanescentes, também trocados afinal essa semana pelo sargento Bergdahl, são altos oficiais da segurança dos Talibã.

QUEM teria suposto, no final de 2001, que 13 anos depois, os EUA estariam trocando prisioneiros com os Talibã? Para os EUA, receber de volta o único prisioneiro norte-americano que ainda havia naquele país os afasta ainda mais do Afeganistão. Para os afegãos, receber de volta os seus cinco comandantes é sinal e reconhecimento da força e da legitimidade dos Talibã.


[*] Patrick Cockburn (nasceu 05 de março de 1950) é um jornalista irlandês que tem sido correspondente no Oriente Médio desde 1979 para o Financial Times e, atualmente, The Independent.
Está entre os comentaristas mais experientes no Iraque; escreveu quatro livros sobre a história recente do país. Recebeu o vários prêmios por seu trabalho incluindo o Prêmio Gellhorn Martha em 2005, o Prêmio James Cameron em 2006 e o Prêmio Orwell de Jornalismo em 2009. 
Cockburn escreveu três livros sobre o Iraque: One, Out of the Ashes: The Resurrection of Saddam Hussein, escrito em parceria com seu irmão Andrew Cockburn, antes da guerra no Iraque. O mesmo livro foi mais tarde re-publicado na Grã-Bretanha com o título: Saddam Hussein: An American Obsession. Mais dois foram escritos por Patrick sozinho após a invasão dos EUA e após a sua reportagem premiada do Iraque. Escreve também para CounterPunch e London Review of Books.