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domingo, 4 de dezembro de 2011

A SEMANA - A MÃO COBRINDO A VERGONHA


Laerte Braga

Um dos fatos mais destacados da semana terá sido a foto do interrogatório de Dilma Rousseff (MILICANALHAS tem vergonha da cara!) numa Auditoria Militar do Rio de Janeiro. Os militares que integravam o Conselho Permanente de Justiça (complicado isso) cobriram o rosto com as mãos para não serem identificados.

Com certeza irão dizer que o gesto era necessário àquela época, que o país estava em guerra contra o “terrorismo”, coisas do gênero. Nem por um instante admitirão que se tratasse de vergonha pura e simples.

Covardes têm vergonha.

É difícil entender a posição das Forças Armadas no que diz respeito às torturas praticadas ao longo dos anos de chumbo da ditadura. Por vários motivos. O primeiro deles é que os militares que assumiram o poder derrubando o governo constitucional de João Goulart o fizeram em cima de mentiras, que continuam sendo repetidas até hoje e sob comando de potência estrangeira. Tentavam chegar ao poder na presunção que eram os únicos capazes de governar o Brasil desde a queda de Getúlio em 1945. Perderam três eleições. Duas com o brigadeiro Eduardo Gomes e uma com Juarez Távora.

A quarta, curiosamente, ganharam com um civil, Jânio Quadros, derrotando um militar legalista, um dos grandes nomes da história das Forças Armadas, o marechal Henrique Duffles Teixeira Lott. O azar foi que Jânio, além de louco, um dia bebeu demais e pôs tudo a perder.

No meio desse caminho algumas tentativas de golpe, o manifesto dos coronéis, toda uma trajetória até 1964. O embate se dava dentro das próprias Forças Armadas. Militares fiéis à legalidade e ao Brasil, caso de Lott, Moreira Lima e muitos outros deixam exemplos que é possível uma força armada comprometida primeiro com o seu País, segundo com a democracia.

A foto tem outro significado também. Serve para lembrar a presidente Dilma Rousseff suas origens, seus ideais, justo num momento em que seu governo parece perder-se em meio ao peleguismo de setores do seu partido, alianças terríveis com setores podres da política e do empresariado brasileiro, enfim, talvez um tranco para que Dilma acorde a tempo.

Não é o caso dos tucanos, matriz do peleguismo de setores do PT. O sub-chefe da Casa Civil de José Serra no governo de São Paulo, o tal Faustino, foi preso numa operação no Rio Grande do Norte – Sinal Fechado –, num esquema de milhões de reais em corrupção e que fora tentado no governo Maluf, no governo Pitta, no governo Serra e ressurgiu com força no governo de Gilberto Kassab.

Privatização e terceirização. As formas mais rápidas do dinheiro entrar em caixa. No caso a CONTROLAR, uma quadrilha que vistoriava por tarifa módica os carros em Natal, em São Paulo e planejava atender a dez estados da Federação em curto prazo para regar as campanhas tucanas.

Tem o outro lado também. 

Um trabalho extraordinário do engenheiro Antônio Fernando Araújo mostra a cobiça sobre as águas no Brasil. Potências e empresas estrangeiras deitando olhos sobre nossos mananciais e com um apetite sem medida. Pior, aliados a empresários brasileiros, com a complacência de políticos venais.

Há anos os EUA tentam, por exemplo, uma base militar na chamada Tríplice Fronteira, na região de Foz de Iguaçu, onde é grande a população de palestinos, árabes de um modo geral, com a alegação que ali existem focos de terrorismo. Nem FHC empregado da Fundação Ford conseguiu vender esse peixe.

Está ali o Aqüífero Guarani o quinto maior do mundo e na Amazônia acaba de ser descoberto um outro aqüífero fantástico, maior que o próprio rio. Um trabalho extraordinário do engenheiro Antônio Fernando Araújo mostra a cobiça sobre as águas no Brasil.

Nem tudo na vida é a saída de Fátima Bernardes do Jornal Nacional – o da mentira –. Esse “acontecimento” reflete apenas a disputa interna de poder na maior empresa de comunicação do Brasil, mostra que começa a cair o castelo de Ali Kamel – diretor geral de jornalismo – e vai tentar tapar os rombos na audiência matinal, já que dona Ana Maria Braga vem sendo sistematicamente batida pela principal concorrente, a TV Record, o mesmo valendo para o Bom(?) dia Brasil.

Não perceberam ainda que cada vez que Miriam Leitão (a que erra TODAS) aparece na telinha as pessoas se assustam e pensam que é invasão de monstros de outro planeta. O que não significa e nem tem nada a ver com Orson Welles. Welles era um gênio e Miriam Leitão uma variação de ornitorrinco mental.

Para além de nossas fronteiras continua a distorção sobre os fatos que acontecem no Oriente Médio, na tentativa de repetir na Síria o massacre que promoveram na Líbia. Encontram resistência maior, já que a Rússia de Putin e a China não estão dispostas a aceitar o cerco que o Conglomerado Israel/EUA S/A tenta impor ao resto do mundo.

O “vilão” da vez é a Síria. Além do Irã, é claro. Uma reunião de líderes da falida Comunidade Européia mostrou o governador da atual Micro-Bretanha (antiga Grã Bretanha), David Cameron, exibindo sua face Tony Blair. A da mentira repetida sistematicamente na velha teoria de Goebbels que as pessoas acreditem nos bons propósitos dos vassalos europeus de Washington.

A saída mais adequada para os países da Comunidade Européia seria tombá-los como patrimônio da humanidade, transformar tudo num grande parque turístico e pronto.

O rei da Espanha, por exemplo, poderia exibir sua perícia de caçador de búfalos. Isso para os de cima e deixar o resto por conta da classe trabalhadora, expurgando banqueiros e grandes corporações. Do contrário levam o dinheiro todo e dona Christine Lagarde, gerente geral do FMI, já está no Brasil tentando convencer dona Dilma Rousseff a investir em títulos podres de uma comunidade em processo de insolvência.

Sérgio Cabral, que finge governar o Rio de Janeiro – está vendendo o estado para empresários como Eike Batista que agora escreve livros de auto-ajuda – quer privatizar o Maracanã. Um dos símbolos do Rio, do Brasil e que tem sua imagem em todo o mundo.

Quem sabe o sogro (que tem a concessão de várias linhas de ônibus urbanos no Rio e vai pegar a do bondinho de Santa Teresa, lógico, macete velho) e a primeira dama não arranjam um jeito de colocar Luciano Huck na jogada.

Já não “legalizaram” a casa ilegal do cara em Angra? Ele já não andou dando declarações sobre vontade de participação política? Deve ter percebido que é mais negócio que aquela xaropada de todos os sábados à tarde. O deprimente espetáculo em versão terror da sociedade do espetáculo.

Olha! Se o senador Aloysio Nunes, um dos grandes nomes do tucanato saiu de Brasília para ir a Natal visitar o operador da quadrilha da CONTROLAR, preso pela Polícia Federal (já ganhou habeas corpus) na Operação Sinal Fechado, é que o negócio está prá lá de grave. Aloysio era o chefe do Gabinete Civil e Faustino o sub-chefe.

Na toca José Serra, o patético e que era o governador, como antes foi o prefeito.

Fora isso há uma expectativa que a OTAN possa usar suas forças para assegurar o direito de cidadãos norte-americanos saírem às ruas para protestar contra bancos, grandes corporações, governo, etc. É que a polícia está baixando o sarrafo, prendendo e arrebentando, no melhor estilo da democracia cristã e ocidental. Seria o mais coerente, não? Que tal uma R2P (Responsability to Protect) da ONU ou uma exclusão aérea sobre os EUA?

E a ficha limpa – que não vai mudar nada – ficou para mais tarde. Pedido de vistas do ministro Tófoli, nomeado por Lula e parceiro de Gilmar Dantas Mendes. Os tribunais superiores (STF, STJ et cataerva) sempre nos envergonham...

Não são só os militares que têm que cobrir os rostos com as mãos para esconder a vergonha. Tem muito mais gente.

Morreu Sócrates, um dos maiores jogadores de futebol de seu tempo. Um dos grandes do esporte em todos os tempos. Deixa lições de futebol e exemplos de coragem. Desafiou a ditadura militar em várias situações. Manifestou a crença que o futebol poderia e deveria ser um esporte livre de figuras como Ricardo Teixeira e outros tantos. Ao contrário dos militares que tamparam o rosto com as mãos para esconder a vergonha, Sócrates mostrava a cara a milhões de torcedores para mostrar sua coragem, do tamanho do seu futebol.

Tucanos imitam a VIIª arte...


O PODEROSO CHEFÃO (Capítulo PSDB)

Laerte Braga

Num dos filmes da trilogia de Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão, Al Pacino vai a uma comissão do Senado dos EUA negar as acusações que lhe eram feitas, defender a família Corleone e mostrar o patriotismo de quem combateu pelos EUA, ele próprio.

A trama mostra que a chave do FBI – Federal Bureau of Investigation – era um velho mafioso que testemunharia contra Michael Corleone e daria fim ao propósito de “legalizar” os negócios da “família”.

Como toda quadrilha que se preza a de Michael Corleone tinha a figura do conselheiro. Uma espécie de porta-voz, de analista das decisões e advogado quase sempre.

Aloysio Nunes, o Conselheiro
É esse conselheiro que visita a testemunha chave do caso, que no passado tivera ligações com a família Corleone e relembra a ele a ética da máfia, o compromisso do silêncio e a forma como devem proceder aqueles que se perdem num determinado momento.

A visita acontece numa prisão e na manhã seguinte a testemunha é encontrada morta dentro de uma banheira e com os pulsos cortados. Estava cumprida a ética da máfia.

O senador Aloysio Nunes foi a Natal, Rio Grande do Norte, visitar João Faustino, antigo subchefe da Casa Civil do governo de José Serra e preso – já está solto – na Operação Sinal Fechado. Aloysio Nunes foi ministro da Justiça no governo de FHC, o homem forte do governo de José Serra em São Paulo e é um dos principais líderes da quadrilha tucana.

João Faustino, Gilberto Kassab, José Serra, Paulo Maluf e outros são acusados de envolvimento nos “negócios” da empresa CONTROLAR.

Operador & Patrão
A um “preço módico”, em contrato sem licitação, a empresa realizava vistoria de veículos na cidade de São Paulo, em Natal e planejava atingir dez estados da Federação no próximo ano. O faturamento previsto por João Faustino era de um bilhão de reais e além do ganho dos integrantes da quadrilha, boa parte do dinheiro irrigou e iria continuar irrigando campanhas de candidatos do PSDB, dentre eles José Serra.

Alexandre Moraes, ex-secretário de Transportes de Kassab é o advogado de João Faustino que ao ser solto gritou “Viva o Corinthians”.

Aloysio Nunes foi a Natal lembrar a João Faustino os compromissos éticos da quadrilha, o maior deles o de não abrir a boca envolvendo chefões e, lógico, como no filme, garantir que o criminoso vai ter toda a assistência necessária.

Imagine um fato desses, investigado por uma dessas duplas de detetives que geralmente são os principais protagonistas das séries policiais norte-americanas.

Haveria um levantamento total das ligações telefônicas entre os acusados, dos encontros, das viagens feitas, um rastreamento de contas bancárias, transferência de recursos, todo aquele aparato que no final permitem aos policiais prender os bandidos.

Com certeza o alvoroço telefônico, em encontros reservados e movimentação financeira para a conta do advogado Alexandre Moraes – o defensor de João Faustino – apareceriam, isso se o pagamento não tiver sido feito cash para um paraíso fiscal, especialidade da filha de José Serra.

E nesses levantamentos, cruzamentos, etc., os nomes de José Serra e outras grandes figuras do tucanato viriam à tona mostrando ligações perigosas dos que formam a quadrilha PSDB.

O escândalo da CONTROLAR é apenas uma ponta – significativa – do que representa todo o processo de atuação política dos tucanos. Vender, privatizar, terceirizar e faturar. Tudo através de laranjas, em vários estados do País – onde elegem prefeitos e governadores –, como foi feito no governo de FHC. A CONTROLAR é apenas uma das muitas fachadas da quadrilha tucana.

Não tem escrúpulos – a quadrilha pela totalidade de seus integrantes – e nem tem compromisso algum com o Brasil ou com os brasileiros.

É, literalmente, a mais poderosa máfia partidária em atuação o Brasil, seguida pelo PMDB, o PR... E outros menores... Evidente.

A demonstração cabal de que o modelo político institucional vigente está falido; a democracia é uma farsa, pois deitam tentáculos mafiosos por todos os poderes da Republica, do aparelho estatal nos seus três níveis (União, Estados e Municípios).

Sem falar no controle da mídia. Esse tipo de fato só sai na GLOBO, se sair, em pequenos cantinhos do noticiário, sem envolver os poderosos chefões do crime político organizado no Brasil. No mais é silêncio total. O fato de Kassab estar sendo crucificado em alguns veículos da grande mídia é sintoma que o prefeito está sendo jogado às feras por ter fugido a compromissos políticos com os tucanos. A grande mídia, GLOBO à frente, é parte decisiva da quadrilha tucano/neoliberal. É a que mostra ao telespectador “idiota” (definição dada por William Bonner) a “verdade” segundo o tamanho da fatura.

João Faustino em "cana"
João Faustino entendeu o recado, acolheu as recomendações de Aloysio Nunes. Não é como no filme, um caso de suicídio. Está aí o ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda recolhido ao nada político, mas com todo o patrimônio roubado, garantido pela máfia tucana.

É a ética do silêncio, que resulta na solução do bode expiatório. Uma ética fundamental num momento em que se avizinham as eleições municipais do próximo ano e novas prefeituras são importantes para aumentar o faturamento da quadrilha através de empresas como a CONTROLAR. Tem a QUEIROZ GALVÃO, tem a NORBERTO ODEBRECHT, tem a CAMARGO CORRÊA (dona da CONTROLAR), uma infinidade delas a serviço de “negócios” desse porte.

Um detalhe interessante e que bem poderia ser objeto de investigação é o uso de figuras como João Faustino em operações como essa. Em Minas o procurador da FEAM - FUNDAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE – prestou serviços aos tucanos em um estado do norte do País, foi condenado pelo Tribunal de Contas a devolver dinheiro público – companhia de águas – e no governo Aécio e agora, pontifica “corruptando”, como João Faustino, nos muitos “negócios” tucanos. É conhecido como JoaQUINZINHO. Outro Faustino da vida.

Paulo Preto é o da direita...
Os tucanos dispõem de toda essa espécie de operadores do crime (lembram do Paulo Preto  em São Paulo que garfou a grana - 4 milhões de reais - do Caixa 2 do PSDB nas eleições de 2010?) que rodam o País por governos estaduais e municipais que o partido controla e mantêm cheios os cofres pessoais e do partido ensejando campanhas sempre recheadas de recursos.

Tudo como o poderoso chefão na vida real, ou o filme, é o mais correto. É apenas a demonstração do que representa o capitalismo, onde a corrupção é princípio, meio e fim.

Enviado por Sílvio de Barros Pinheiro

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A GRANDE QUADRILHA


Laerte Braga


Laerte Braga em O Rebate


O grupo GLOBO (jornais, revista, tevês e rádios) raciocina mais ou menos assim. O telespectador padrão Homer Simpson – definição de William Bonner para rotular o idiota, segundo ele a maioria dos que assistem ao Jornal Nacional – contenta-se com informações superficiais e/ou distorcidas, não importa. Importam os objetivos e o espectador é vítima de um processo permanente de alienação.

A forma é o espetáculo. Pode ser o casal Nardoni comovendo o Brasil com o assassinato de sua filha. Ou o traficante Nem e sua namorada cheia de jóias. Coisas do gênero.

A reboque, em meio ao furor que criam por conta de trocentas mulheres melancias, ou da edição anual do Big Brother, as mentiras sobre o que acontece no País, no mundo, tudo ao sabor dos que pagam.

A classe média, que presumivelmente é capaz de entender alguma coisa além de rapapés beneficentes e churrascos de fim de semana (comum a quase todas as classes, o que varia é a qualidade da carne, da cerveja e o cenário), recebe choques de Miriam Leitão e seu estilo errático/furibundo além de doses maciças de William Waack, o agente preferido de Hillary Clinton para análises que nem sempre se confirmam.

As elites pagam para que mídia mantenha esse estado de alienação e os políticos em boa parte são o braço dessas elites econômicas no aparelho estatal. Em troca, associados a grupos econômicos aos que se integram ou muitas vezes se representam por senadores, deputados, governadores, prefeitos, etc., tanto quanto se beneficiam desse controle que exercem sobre a informação, como se transformam em donos da comunicação através das concessões de rádios e tevês.

A história do País mostra isso; e hoje mais que nunca.

O recente escândalo envolvendo o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e o ex-governador José Serra, que se estende ao Rio Grande do Norte e alcança todo um leque de políticos naquele estado mostrando o caráter de quadrilha dos que detêm o poder no País.

A mídia é parte fundamental disso. É essencial que criminosos como Agripino Maia, Garibaldi Alves e outros sejam transformados em paladinos do combate à corrupção, da democracia, dos interesses populares, quando, no duro mesmo, são apenas bandidos que encenam um jogo, uma farsa e se apropriam da máquina estatal para proveito próprio, em suma, o modelo político e econômico que reina impune sobre o trabalhador brasileiro.

Para se ter uma idéia do papel da mídia basta uma rápida olhada nos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Norte.

Ali há uma figura central. José Maria Fernandes de Souza, aliado do senador Agripino Maia, aliado e laranja num canal de tevê que retransmite o sinal da Rede Record (é uma ilusão achar que quando a Record bate a Globo vai melhorar alguma coisa; são farinhas do mesmo saco).

Em Mossoró, importante cidade do estado e feudo da família Rosado, Rosalba Escóssia Ciarline Rosado, atual governadora do Rio Grande do Norte e filiada ao DEMO, tem o controle dos principais veículos de comunicação. A prefeita da cidade é Fátima Rosado, também filiada ao DEMO. Jogam nesse time Carlos Alberto de Sousa Rosado, deputado federal pelo DEMO, Ney Lopes de Sousa, ex-deputado federal do mesmo partido e o laranja por trás da RPC – Rede Potiguar de Comunicação/AM/FM. Deverá ser candidato ao Senado em 2014.

A figura em questão foi o mais entusiasmado dos relatores na Câmara que votaram pela extinção do monopólio estatal do petróleo, ou seja, queriam a Petrobras sob controle de empresas estrangeiras.

A posição de José Serra sobre a atual disputa dos royalties é conseqüência ou desdobramento desse e doutros fatos. A quadrilha age com um objetivo, tanto no Rio Grande do Norte, como em São Paulo e em todos os estados da Federação.

A TV Cabugi, que repete o sinal da Rede Globo é da família Alves, adversário de mentirinha dos Maias. O grupo tem sob seu controle também o jornal Tribuna do  Norte. O poderoso chefão era Aluísio Alves, ex-governador, já falecido e hoje o trono é ocupado pelo filho Henrique Alves filiado ao PMDB e provável futuro presidente da Câmara dos Deputados na política de alianças do PT. Garibaldi Alves, outro membro do clã/quadrilha dos Alves é hoje o ministro da Previdência.

A TV Ponta Negra, que repete o sinal do SBT, tem à frente a figura de Micarla de Sousa, atual prefeita de Natal, integra o partido de Marina da Silva, ou o ex-partido da ex-ambientalista, o PV (legenda de aluguel na maioria dos estados brasileiros). Herdou a rede do pai, Carlos Alberto de Sousa, ex-ARENA, ex PDS.  A rede envolve a TV e Rádio FM.

Os Rosados, em Mossoró, têm um canal de tevê, a TV Mossoró, a FM-93 e o jornal O Mossoroense.

Isso pode ser visto no comentário de João Maria Fernandes de Sousa no Blog do Nassif.

Alves e Maias são aliados, ao contrário do que acontecia antigamente quando disputavam o poder. Quadrilhas sempre concluem que é preferível a união para um melhor e maior saque ao butim.

Em 2010 Garibaldi Alves (PMDB) e José Agripino Maia (DEMO) fizeram um acordo e derrotaram Vilma de Faria, PSB, ex-governadora. Agripino e Garibaldi fizeram campanha para a mesma candidata ao governo, a atual chefe do Executivo, Rosalba Ciarlini e dividiam-se na campanha presidencial para garantir os “negócios”. Agripino ia para o palanque de José Serra e Garibaldi para o palanque de Dilma.

Ambos já firmaram compromisso de eleger o próximo prefeito de Natal. Provavelmente, Rogério Marinho, presidente do PSDB no RN, com o intuito de derrotar ou Vilma de Faria (PSB) ou Carlos Eduardo Alves (PDT), que rompeu politicamente com a família há muito tempo.

A afiliada da Rede Bandeirantes no Rio Grande do Norte é de propriedade do ex-senador e ex-governador Geraldo Melo. Os dois jornais mais importantes de Natal são Tribuna do Norte, da família Alves e o Novo Jornal. Este último consta como sendo do jornalista Cassiano Arruda, ligado ao senador Agripino Maia.

Um feudo que se repete em todos estados da Federação brasileira.

Quando FHC deu o golpe branco da reeleição – ele e Menem na Argentina –, Sérgio Motta, ministro das Comunicações e sócio do presidente em vários “negócios”, usou como moeda de troca com deputados e senadores para aprovar a emenda da reeleição, concessões de rádio e tevê. E dinheiro vivo é lógico. O inquérito está na Procuradoria Geral da República e até hoje não andou.

O escândalo da CONTROLAR – inspeção de veículos – em São Paulo e no Rio Grande do Norte é apenas uma ponta de uma teia de corrupção que mantém no poder elites podres e que não têm compromisso algum com o trabalhador, com o Brasil. com o conjunto de todos os brasileiros que não estejam entre os seus.

É na Minas Gerais de Aécio, no Espírito Santo de Hartung, em São Paulo dos tucanos e vai por aí afora. São poucos os governadores que escapam e quando escapam ou são alvo de campanhas de descrédito – como aconteceu com Brizola no Rio, Olívio Dutra no Rio Grande do Sul – ou cooptados, quando não montam quadrilhas rivais.

A mídia, o controle da informação é o caminho das pedras. É por aí que fazem a cabeça do brasileiro, que vendem suas mentiras e por trás dos cenários coloridos fazem os fantásticos negócios que criam u’a máquina estatal a serviço deles e de grandes banqueiros e corporações.

Esse tipo de situação não vai ser resolvido com eleições, é só entender o processo. Não tem saída dentro do mundo institucional, controlam os três poderes. A máquina? São eles que azeitam essa máquina para que funcione.

Quando um governador corrupto como Sérgio Cabral, ou um fantoche como Renato Casagrande saem em defesa de royalties para seus estados, como se isso fosse a sobrevivência dos mesmos, estão apenas defendendo interesses de empresas como a CHEVRON. Os royalties são fachada.

É a mídia é a pedra de toque. É ela quem traz um agente estrangeiro, William Waack, como revela e prova o WikiLeaks. É ela que em todas as suas dimensões molda o perfil do brasileiro e trata-o como Homer Simpson, ou seja, como idiota. É o que pensa e o que falou William Bonner.

É nas ruas que essa situação vai ser revertida. Com organização, direção e objetivos bem definidos. Do contrário, quando percebermos, estaremos caindo no abismo que trabalhadores de todo o mundo, inclusive nações como a Itália, a Espanha, a França, etc., estão caindo.

Ou sentindo os fogos não do ano novo, mas das bombas do terror sionista e norte-americano ao qual esses políticos e essas elites servem e do qual se beneficiam.

É a grande quadrilha e mesmo com o modelo falido vão saquear enquanto puderem, enquanto não reagirmos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A GOTA D’ÁGUA


Os “negócios” de Kassab, Serra, e dos amigos de Agripino Maia e do “operador” João Faustino

Laerte Braga

Tem horas que nem a chamada grande mídia consegue evitar que um ou outro, ou outros, dos bandidos que integram a grande quadrilha das elites políticas e econômicas do País, além de seus prepostos no Congresso, nas prefeituras, governos estaduais, em mandatos públicos, saiam ilesos de tanta bandalheira.

Quando isso acontece a maior parte da mídia ignora o fato, ou noticia superficialmente. O dinheiro que sustenta essa turma vem dessas quadrilhas (lembre-se do contrato de Alckmin com a Editora Abril sem licitação, foi feito também por José Serra) e o jeito acaba sendo a crucificação de um dos aliados, o bode expiatório, um anel para salvar os dedos dos esquemas podres que sustentam o capitalismo no Brasil.

É o que começa a acontecer com o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab acusado de corrupção num inquérito policial sobre contrato sem licitação com uma empresa de nome CONTROLAR. Cuida da vistoria de veículos e outras coisas mais. Opera também no Rio Grande do Norte, braço da quadrilha, ou vice versa, versa vice, tanto faz.

No caso de Kassab são dois aspectos. A necessidade de um bode expiatório para livrar a cara de José Serra – Kassab e outros – e isolar o prefeito de São Paulo. É que Kassab ao fundar o PSD imaginou-se maior do que é; e nesse jogo sórdido tentou criar um partido/moeda para trocas vantajosas em curto e médio prazo num primeiro momento, consolidando a longo prazo um poder sem tamanho nos subterrâneos do Poder Público.

Pensou que pudesse virar Serra, ou FHC. Pelo jeito vai se estrepar nos “negócios”, ou nos sonhos. Nem por isso deixa a Prefeitura pobre ou vai para a cadeia em termos de condenação, de cumprir sentença (tem sempre um Gilmar Mendes para salvar essa turma).

O que significa dizer que, numa certa e boa medida, o crime compensa.

Quando viajou para Londres Kassab estava informado que poderia ser preso, a tal prisão administrativa e tratou de “negociar” com seu comparsas um jeito de evitar o incômodo, digamos assim.

A Operação Sinal Fechado (Polícia Federal, Ministério Público Federal e juízes decentes), entre outras, resultou na prisão de João Faustino, suplente do senador Agripino Maia (DEM/RN) e tucano de filiação. Foi sub-chefe da Casa Civil do governo de José Serra em São Paulo (o chefe da Casa Civil é o atual senador Aluísio Nunes, ex-ministro da Justiça de FHC), deputado federal pelo Rio Grande do Norte em três mandatos e encarregado de arrecadar fundos para a campanha presidencial do tucano em outros estados que não São Paulo.

O filho de Faustino foi solto no fim de semana passado de uma prisão em Minas Gerais. Estava detido para responder sobre os “negócios”.

Kassab foi da base política de Paulo Maluf, secretário do governo de Celso Pitta e vice-prefeito na chapa de José Serra (2004). Assumiu a Prefeitura de São Paulo quando Serra saiu para ser candidato a governador. Foi reeleito em 2008 depois de uma disputa intra muros tucano/democratas com Geraldo Alckmin. O governador José Serra peitado pelos DEMOcratas mandou Alckmin às favas – liderava as pesquisas, Kassab era o terceiro colocado – e colocou todo o esquema a trabalhar para o seu sucessor.

Peitar Serra equivale dizer chantagear. Naquele momento Serra não tinha como sair da chantagem, iria liquidar com sua campanha presidencial em 2010, pagou o preço. Mais ou menos como FHC no escândalo da concorrência do SIVAM, logo no início de seu primeiro mandato. Chantageado engoliu em seco, aceitou o acordo e pagou. São fatos comuns entre bandidos, o tal rabo preso. Um com outro.

No Rio Grande do Norte esse esquema envolve desde João Faustino, um coordenador geral, ao senador Agripino Maia, ao senador Garibaldi Alves, a ex-governadora Wilma qualquer coisa, todos em partidos diferentes (PSDB, DEMO, PMDB e PSB), uma oligarquia que tem o controle da máquina pública e se reveza no saque aos cofres públicos, mais primos, sobrinhos, cunhados, genros, filhos, etc.

O ex-governador de Brasília, José Roberto Arruda, quando preso, era o preferido de José Serra para seu companheiro de chapa. Os inquéritos abertos contra Arruda mostravam que recursos públicos estavam, entre outros cofres particulares, sendo desviados para a pré-campanha do candidato tucano. Serra, numa reunião em Brasília, chegou a dizer que a chapa seria de “dois carecas”, ele e Arruda.

A quadrilha opera em todo o País.

Outro fato que chama atenção são os telegramas da embaixada dos EUA para Washington, dando conta da “indignação” das companhias petrolíferas estrangeiras com a decisão de manter a PETROBRAS como operadora do pré-sal, o fracasso do lobby no Congresso (compraram muitos, mas tem quem não se vende) e a declaração de José Serra, num dos telegramas. O então pré-candidato às eleições de 2010 dizia que era para deixar eles fazerem o que bem entendessem que quando fosse ele, Serra, o presidente, tudo chegaria ao desejado pelos chefes maiores.

O fecho de ouro do esquema iniciado com FHC. O Brasil entreposto do capital estrangeiro. Uma espécie de vice-reinado para a América Latina.

A CONTROLAR começou a operar o esquema de vistoria de veículos no governo Paulo Maluf, se manteve no governo Celso Pitta – já com restrições do MP e do Tribunal de Contas, além de técnicos da Prefeitura – saiu do circuito no governo Marta Suplicy e voltou a toda no governo Serra. Permanece intocada no governo Kassab. Estendeu seu esquema para o Rio Grande do Norte e os planos de João Faustino eram de um faturamento de um bilhão de reais neste ano com os “negócios”.

A íntegra da denúncia do Ministério Público pode ser vista no ANEXO

Já no governo de Celso Pitta, promotores e juízes conseguiram impedir que o “negócio” funcionasse.

Para se ter uma idéia só dos ganhos em São Paulo, o quarto maior aglomerado urbano do mundo e uma frota de sete milhões de veículos, a CONTROLAR inspecionou cerca de um milhão e quinhentos mil desses veículos em 2009 e quatro milhões e meio em 2010, a um custo de R$ 61,98 cada e um faturamento estimado para o ano passado da ordem de R$ 278,91 milhões. O dono de veículo que não pagasse a tarifa estaria impedido de renovar o licenciamento e a multa para tal era de R$ 550,00.

Negócio da China.  

A grande mídia nem toca no assunto, ou toca de leve. Esse tipo de maracutaia não vai para a capa de VEJA. VEJA está no bolso, foi comprada por nove milhões de reais e mais outros contratos semelhantes, só que em outras áreas de operação da quadrilha.

A CONTROLAR opera no Rio Grande do Norte, como os “negócios” da quadrilha se estendem por todo o Brasil, foram feitas prisões em vários estados na Operação Sinal Fechado. O Brasil, para esse tipo de gente, é apenas um “negócio” a mais. Nada, além disso.

O esquema da CONTROLAR no Rio Grande do Norte foi montado após o de São Paulo e José Serra, como governador, estendeu as “operações” a outros 217 municípios paulistas. E no meio do caminho a CONTROLAR foi vendida ao grupo CAMARGO CORRÊA, “patrióticos” empreiteiros e bandidos que operam em todos os ramos de “negócios” no Brasil.

O assunto foi ignorado pelo jornal O GLOBO, pelo portal de Daniel Dantas, o IG, um ou outro toque num ou noutro esquema da mídia e sempre de leve, como é que a mídia vai sobreviver sem o dinheiro dessa turma?

Edson José Fernandes Ferreira, o “Edson Faustino” foi preso em Minas, na Operação João Barro, solto agora no dia 25 de novembro. É filho de João Faustino, o do Rio Grande do Norte que operava em São Paulo e no estado nordestino. Serra não trouxe só esse esquema do Rio Grande do Norte não. Roberto Freire veio também, virou conselheiro dum trem qualquer em São Paulo; havia perdido as eleições em Pernambuco e acabou de novo deputado, agora por São Paulo. Fundiu o PPS com a quadrilha DEMO/PSDB/PMDB tucano/PSB e outros.

O volume de “negócios” da quadrilha é maior que o revelado pela operação Sinal Fechado. Cobre todos os setores do Estado brasileiro, das máquinas estaduais onde a quadrilha colocou as garras, envolve as elites empresariais, financeiras e latifundiários no País e fora do País.

Vai da inspeção de veículos ao lixo, aos serviços de saúde terceirizados, tem campo fértil em Minas Gerais onde Aécio pontifica com a aberração Antônio Anastasia. As brigas internas são brigas de poder, coisa comum e corriqueira entre máfias. Às grandes obras públicas, não há um setor onde não tenham presença, tudo.

As informações obtidas e reveladas aqui passam pelo NOMINUTO, como por Sinal Fechado: vejam como funcionava o esquema e quem está envolvido  ou no Território Livre da Laurita Arruda (várias postagens desde 24/11/11) e/ou, ainda no blog do Ailton (também com várias postagens desde 24/11/11)  mais as postagens no blog da Thais Galvão.

Há um monte de operações da Polícia Federal onde a turma está envolvida, com um detalhe fundamental. É grande o número de prefeituras em todo o País onde a quadrilha tem ramificações.

Em todos os estados sem exceção.

Não existe alternativa dentro desse modelo, do chamado mundo institucional. O cineasta Sílvio Tendler em proposta que faz para o Congresso Nacional mostra a falência de toda essa estrutura e propõe reações que, certamente, os mafiosos montados em cavalos com a bandeira da integridade – para inglês ver – não vão aceitar.

O que acontece em São Paulo, no Rio Grande do Norte, no Espírito Santo, em Minas, no Rio com Sérgio Cabral e no Espírito Santo com Casagrande (fantoche), a luta pelos royalties é fachada para a entrega do pré-sal.

Os caras são criminosos e o faturamento de Nem da Rocinha perto dessas quadrilhas faz do traficante “micro-empresário”.

Acabar com essas máfias é só querer. Não vão querer, eles próprios se julgam e se auto absolvem a despeito de promotores e juízes dignos (tem sempre um Gilmar Mendes).

A luta é nas ruas, é contra eles e o modelo. E antes que o vendaval de podridão caia sobre os trabalhadores e a própria classe média, embevecida porque troca de carro todos os anos perca o sono, porque vai acabar andando a pé.

Nessa altura do campeonato Nem, Fernandinho Beira-Mar e outros devem estar imaginando em suas celas que teria sido melhor virar tucano e tentar um mandato qualquer, ou em qualquer partido.

Esse modelo político e econômico foi desenhado para quadrilhas e os que lutam com bravura de caráter, dignidade, acabam como na igreja onde o sino é de madeira. Não ecoa.