Mostrando postagens com marcador Dolar versus rublo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dolar versus rublo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Rússia deterá a queda do rublo e continuará a extrair petróleo

20/12/2014, Marin Katusa, Fortune, Strategic Culture - “Editor Choice”
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Rublo: variação da cotação de 10/6 até 16/12/2014
O rublo pode ter subido fortemente na 4ª-feira (17/12/2014), mas a queda, em dias recentes, estimulou muita conversa sobre a catástrofe do país, com gente dizendo, até, que a nova Rússia estaria a ponto de seguir a trilha da velha URSS. Não acreditem em nada disso.

A Rússia não é os EUA, e os efeitos de moeda em queda livre por lá são muito menos dramáticos do que seriam nos EUA.

Importante, para lembrar, é que a queda do rublo foi acompanhada de queda igualmente vertiginosa do preço do barril de petróleo. Mas nem esses dois preços não são tão intimamente conectados como se poderia supor. Sim, a Rússia tem economia baseada em recurso principal, que se ressente de qualquer abalo que o petróleo sofra. Mas seu petróleo é vendido em dólares norte-americanos em praticamente todos os pontos do mundo, e o dólar goza de considerável poder, ainda.

Significa que os produtores de petróleo russo podem vender o produto deles nesses dólares fortes, mas pagar suas despesas em rublos desvalorizados. Assim, podem fazer melhorias de capital, investir em novas capacidades, prospectar mais por menos do que lhes custaria antes de o valor do rublo ser ceifado pela metade contra o dólar. O setor permanece saudável e capaz de continuar a fornecer a parte do leão, das taxas governamentais.

Nem a volatilidade do rublo afetará a capacidade de muitas empresas russas pagar o serviço de suas respectivas dívidas. A maior parte da dívida privada denominada em dólares a ser rolada nos próximos meses foi contraída por empresas estatais, que têm entrada estável de moeda estrangeira, das exportações de gás e petróleo.

Vladimir Putin, popularidade em alta
Os consumidores russos serão atingidos, é claro, dados os altos preços dos bens importados, e o aperto que a inflação impõe aos salários. Mas, pelo mesmo processo, as exportações serão muito mais atraentes para compradores estrangeiros. Rublo barato faz crescer a perspectiva de lucros para todas as empresas russas envolvidas no comércio internacional. Além do mais, quando à atual fraqueza da moeda soma-se a sanção que impede que se importem alimentos da União Europeia, as duas forças podem eventualmente levar a um boom de substituição de importações na Rússia.

Em qualquer caso, aconteça o que acontecer, que ninguém espere que as privações inspirem tumultos nas ruas de Moscou. A popularidade do presidente Vladimir Putin já chegou à estratosfera, desde o início da crise na Ucrânia. Os russos confiam no presidente. Apertarão os cintos e não se verá nenhuma revolta contra suas políticas.

Além do mais, o alto preço do petróleo durante o super ciclo da commodity, combinado a uma taxa de câmbio alta, levou a um grave declínio nos setores russos de manufatura e agricultura ao longo dos últimos 15 anos. Essa correlação – que os economistas chamam de “doença holandesa” – fez baixar a parte correspondente ao setor de manufatura na economia russa, de 21%, para 8%, em 2000.

Quanto mais tempo o rublo permanecer fraco, porém, menos a doença holandesa dará as cartas. Moeda mais baixa significa que volta a fazer pleno sentido econômico investir na agricultura e na manufatura russas. Ambos devem receber impulso real.

Baixos preços também são bons para os grandes consumidores do petróleo russo, especialmente a China, com quem Putin está construindo laços cada vez mais fortes. Se, como se espera que aconteça, Rússia e China passem a fazer transações em rublos e/ou yuan, o mecanismo aproximará ainda mais os dois países e minará mais ativamente a hegemonia do dólar em todo o mundo. Putin sempre pensa décadas à frente. Qualquer perda nas entradas de energia no curto prazo será largamente recompensada em ganhos de longo prazo das alianças econômicas que estão sendo construídas.

No desenvolvimento mais recente, o Banco Central Russo reagiu e elevou as taxas de juro para 17%. Por um lado, visa também a conter a inflação. Por outro, é resposta direta aos vendedores especuladores de curto prazo que estão atacando o rublo. Agora, terão de pagar prêmios adicionais, dado que a razão risco/recompensa aumentou. Os especuladores terão de pensar duas vezes, antes de atirar-se novamente ao ataque.

O aumento nas taxas de juro faz lembrar o modo como Paul Volcker, ex-presidente do Fed dos EUA, combatia a inflação nos EUA no início dos anos 80s. Funcionou para Volcker, quando o mercado de ações nos EUA embarcou em disparada vertiginosa. Os russos – cujo mercado foi derrubado na crise petróleo/moeda – esperam resultado similar.

Mas o mercado russo não é, nem de perto, tão importante para a economia daquele país, quanto o mercado dos EUA é importante para a economia norte-americana. Os russos não usam o mercado como os norte-americanos. Na Rússia, não há nada semelhante ao Mad Money de Jim Kramerovsky da CNBC. 

Mas a Rússia não está em vias de virar um Zimbábue. Está assentada sobre vasto superávit de moedas estrangeiras e confortável fundo de reserva de cerca de US$ 375 bilhões. Mais que isso, tem forte razão dívida/PIB de apenas 13% e estoque gigante e crescente de ouro.

Putin enxerga longe...
E há o relacionamento de energia entre Rússia e a União Europeia, principalmente com a Alemanha. Putin mostrou seu peso quando “costurou” o gasoduto “Ramo Sul” e anunciou que faria passar as tubulações através da Turquia. Bastou anunciar, para que a União Europeia voltasse atrás e lhe desse o que ele exigia para repor o Ramo Sul no trajeto anterior. A Alemanha jamais admitirá que a Turquia converta-se em guardião da segurança energética da Europa.

Com o inverno chegando [hoje, 21/12, é o solstício de inverno, no hemisfério norte (NTs)], a dependência da União Europeia, do gás e do petróleo russos assumirá o centro do palco, e a interação terá, mais uma vez, influência estabilizadora sobre a Rússia.

Em resumo: por menos que a atual situação trabalhe a favor da Rússia, o país está longe da bancarrota. Com certeza os russos conterão a queda do rublo e continuarão a bombear petróleo. A economia se contrairá, mas não quebrará.

A dura realidade é que os campos de xisto dos EUA têm muito mais a temer dos preços em queda livre do petróleo, que os russos (ou os sauditas), porque os custos de produção são aí muito mais altos. Muitos dos poços de xisto dos EUA tornar-se-ão antieconômicos, se o preço do petróleo cair mais. E se começarem a fechar, será desastroso para a economia dos EUA, uma vez que o crescimento da indústria do xisto serviu 100% como base para o crescimento econômico dos EUA nos últimos vários anos.


Os que estão festejando a queda do rublo, bem fariam se observassem o que se passa em outros países que enfrentam crise real de moeda, e países integralmente dependentes da economia do petróleo, como Venezuela e Nigéria, além da Ucrânia. Daí, não da Rússia, é que virão os problemas realmente graves.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A Rússia prepara “reuniões de desdolarização”: China e Irã dispostos a abandonar o dólar americano no comércio bilateral

14/5/2014, [*] Tyler Durden, Zero Edge
Traduzido por mberublue


Não é segredo para ninguém que a Rússia tem se esforçado em conseguir acordos comerciais que venham a diminuir a participação (e influência) do dólar americano desde o início da crise ucraniana (e mesmo antes): a questão já foi abordada antes nestas páginas (veja: Gazprom prepara emissão “simbólica” de títulos em Yuan chinês; Petrodólar em alerta: Putin prepara-se para anunciar o “Santo Graal” (Acordo de gás com a China): Rússia e China prestes a assinar o “Santo Graal” (Acordo sobre gás}; 40 Bancos Centrais apostam que esta será a nova moeda de reserva [e outros artigos assinados por “Tyler Durden” no Zero Edge - NT].

Afinal de contas, não é realmente “ridículo” que qualquer país possa sequer considerar viver fora dos limites ideológicos e... religiosos do Petrodólar? Porque se qualquer um puder fazer isso, todos poderão e isso, vocês sabem, significará para os EUA a hiperinflação, colapso social, guerra civil e tudo o que sói acontecer apenas em repúblicas de bananas como a Venezuela, que infelizmente não possui de seu nenhuma moeda mundial de reserva para dar-lhe um pontapé na...

Ou pelo menos é isso que os economistas keynesianos, também conhecidos como grão sacerdotes da já mencionada religião do Petrodólar nos querem fazer acreditar.

Desglobalização

Porém ainda que isso esteja sendo chato para os estadistas lerem, a Rússia está trabalhando duro para ver o dólar dos Estados Unidos pelo espelho retrovisor, com a firme intenção de substituí-lo por um sistema monetário que seja livre dele. Ou, como está sendo chamado na Rússia, um mundo “desdolarizado”.

A Voz da Rússia, citando fontes da imprensa russa, reporta que o Ministério das Finanças está pronto para iniciar um plano para incrementar radicalmente a participação do rublo russo nas operações de exportação, o que acarretará a redução do percentual nas transações com utilização do dólar americano. Fontes do governo crêem que o setor bancário russo está “preparado para organizar o incremento no número de transações com utilização do rublo”.

Conforme a agência de notícias Prime, o governo organizou em 24 de abril um encontro especial cujo mote foi a procura de uma forma de se livrar do dólar nas operações russas de exportação. Experts de nível superior dos setores energético, bancário e de agências governamentais foram convocados e colocados frente a certo número de medidas a serem tomadas como uma resposta às sanções aplicadas à Rússia pelos Estados Unidos.

Igor Shuvalov
Pois é... Se o mundo ocidental queria uma resposta russa ao crescente número de sanções contra o país, está na iminência de vê-la.

A “reunião de desdolarização” presidida pelo vice primeiro Ministro da Federação Russa, Igor Shuvalov, é prova de que Moscou tem sérias intenções de parar de usar o dólar americano. A reunião seguinte foi presidida pelo vice Ministro das Finanças, Alexey Moiseev o qual declarou mais tarde ao canal Rossia 24 que “será incrementada a proporção atual de contratos em rublo” acrescentando que nenhum dos especialistas e representantes de bancos, ao serem inquiridos, viu qualquer problema no plano governamental de aumentar a quota dos pagamentos em rublo.

Para a comodidade dos leitores que falam russo, a entrevista com Moiseev pode ser vista em: 
Моисеев: объем рублевых расчетов будем увеличивать

 Então, se você pensou que apenas o supremo Obama poderia reinar sozinho através de ordens executivas, você estava enganado. Os russos também podem fazer isso de forma tão eficiente quanto. Clique em ordem executiva de troca de moeda.

Alexey Moiseev
É interessante que em sua entrevista, Moiseev tenha mencionado um instrumento legal que pode ser descrito como “ordem executiva de troca de moeda”, afirmando que o governo russo tem o poder legal de obrigar as companhias russas a comerciar uma percentagem de certos bens e serviços apenas em rublos. Referindo-se aos casos em que essa proporção pode chegar a 100%, a autoridade russa afirmou que “seria um caso extremo e não posso dizer neste momento como e quando o governo russo usará esse poder”.

Bem. A todo o tempo em que a opção for válida.

Mas o mais importante não é que a Rússia tenha realmente qualquer chance prática de implementar as medidas, se não fosse a existência de outras nações que se disponham a relações de comércio bilateral livres do dólar. Ocorre que esses países existem e não deve ser surpresa para ninguém que dois deles que já intensificaram essa prática são nada mais nada menos que Irã e China.

Claro, o sucesso da campanha de Moscou para a mudança para o rublo ou outras moedas regionais nas negociações comerciais depende da boa vontade de seus parceiros comerciais de se livrar do dólar. Dois países estariam dispostos a apoiar a Rússia, conforme fontes citadas por Politonline.ru: Irã e China.

Dado que Vladimir Putin deve visitar Pequim em 20 de maio próximo, pode-se especular que os contratos de gás e petróleo que deverão ser assinados entre Rússia e China o serão em rublos e yuans, não em dólares.


Em outras palavras, no tempo de uma semana veremos não apenas o anúncio do “Santo Graal” no acordo do gás Rússia-China já descrito aqui, mas seu termo financeiro, que agora parece quase certo que será fechado exclusivamente em RUBLOS e YUANS e não em DÓLARES AMERICANOS.

E como já explicamos repetidamente, quanto mais o ocidente hostiliza a Rússia, quanto mais pesadas se tornam as sanções, mais a Rússia se vê forçada a abandonar um sistema de comércio dominado pelo dólar americano, voltando-se para a China e a Índia. É por isso que o anúncio a ser feito na próxima semana é inovador e, certamente será, mas é apenas o começo.
__________________


[*] Tyler Durden é o apelido de numerosos blogueiros que comentam no Zero Hedge. O nome foi copiado de personagem do romance de Chuck Palahniuk (depois filme) Fight Club (Clube de Luta).