Mostrando postagens com marcador Doutor Honoris Causa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Doutor Honoris Causa. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de maio de 2012

DOUTOR LULA


Por Rafael Patto

Hoje pela manhã (4/5/2012) tive a honra e o prazer de participar, no Teatro João Caetano, no centro do Rio de Janeiro, da cerimônia de entrega do título de Doutor Honoris Causa, concedido por cinco universidades: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Estiveram presentes personalidades do mundo das artes além de autoridades políticas e acadêmicas.

Compareceram a Deputada Benedita da Silva, os atores Hugo Carvana e Paulo Betti, o cineasta Luiz Carlos Barreto (o Barretão), o Secretário e ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o Senador Lindbergh Farias, o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, a quem saudei com um “bom dia, prefeito”, além do ex-ministro Franklin Martins, entre tantos outros.

Doutor Lula e Dilma
Ao entrar no teatro, enquanto procurava uma cadeira para me sentar, tive a minha grande surpresa do dia: ao pedir licença a quem já estava sentado para poder alcançar um lugar vago no meio da fileira, uma senhora muito gentilmente me ofereceu a cadeira onde ela havia colocado sua mochila, e que eu julgava estar já ocupado por alguma outra pessoa.

Agradeci o gesto e me sentei ao lado daquela senhora, que imediatamente me confessou: “eu não estou nem acreditando que eu estou aqui”. Ao me virar em sua direção para poder conversar com ela, percebi o quanto estava emocionada. Ela secava com uma toalhinha de rosto suas lágrimas que rolavam desenfreadamente.

Eu disse a ela: “o Lula merece todas as homenagens desse mundo”.

Ao que ela assentiu: “todas! É graças a esse homem que hoje minha filha está na universidade. Ela sonhava em fazer zootecnia, e com a nota que ela obteve no ENEM eu disse a ela, ‘você vai consguir’. Hoje ela estuda aqui em Seropédica, na Federal Rual do Rio de Janeiro”.

Doutor Lula e Dilma
Por sinal, uma das instituições que homenageavam o ídolo daquela mãe orgulhosa da vitória de sua filha. Como é meu costume nessas ocasiões, procurei saber mais sobre aquela mulher que, só por estar ali manifestando tanto carinho por alguém a quem eu também tenho como ídolo, já havia conquistado minha simpatia.

Após finalmente termos nos apresentado pelos nossos nomes, fui sondar de onde ela vinha: “Peruíbe, litoral sul de São Paulo. Passei a noite toda num ônibus, e agora estou aqui. Não estou nem acreditando...” Me contou ainda muito emocionada, a incrédula Gisele.

Daí então pude concluir que aquela mochila que ela trazia consigo, e que agora estava colocada no chão entre os seus pés, para que eu pudesse me sentar, provavelmente guardava as provisões básicas de alguém que se aventurara a pegar estrada para poder, de algum modo, estar próximo de quem se admira. Hipótese que me deixou ainda mais tocado por aquela mulher tão emotiva que exalava, de uma forma absolutamente discreta, a gratidão mais sincera que eu já tinha visto na minha vida.

Quando Camila Pitanga, a mestre de cerimônia, falou ao microfone, as expectativas se assomaram. Muito descontraída (e linda, permitam-me), convidou aqueles que comporiam a mesa para que tomassem seus lugares: o presidente da UNE, os ministros de Estado da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, o governador e o vice-governador do Rio de Janeiro e o prefeito da Capital, além dos cinco reitores.

Ao ser anunciada a entrada de Lula na companhia da presidenta Dilma, a platéia não se conteve. Embalado por aquela euforia, soltei meu grito de “olê-olê-olê-olá Lula, Lula!”.

Doutor Lula, Dilma e Camila (Veta Dilma!) Pitanga
Nesse clima de descontração, Camila Pitanga pediu licença para quebrar o protocolo: “gente, eu não vou resistir. ‘Veta, Dilma!’”.

Gesto que, de tão espontâneo, arrancou risadas da presidenta e ganhou a adesão unânime da platéia.

Todo aquele entusiasmo só foi contrastado pela surpresa que tive ao ver que, hoje, Lula exibe uma silhueta mais esguia do que aquela a que meus olhos estavam acostumados. Efeito natural do tratamento a que teve de se submeter para vencer mais um dos incontáveis desafios que teve de transpor ao longo de toda a sua biografia.

O efeito ruim dessa surpresa se desfaria ao constatar a enorme disposição de Lula em sorrir e em evidenciar o seu bom-humor de sempre. Mesmo admitindo alguma fraqueza, Lula fez questão de mostrar sua satisfação em estar ali, sendo homenageado por cinco centros de excelência acadêmica do país, e sendo acarinhado por uma platéia composta por inúmeras giseles.

Ao ser convidado para ser investido nos trages talares, conforme protocolo cerimonial, ouviu-se uma emocionante interpretação da Bachiana nº 5 de Villa-Lobos.

Já devidamente composto, Lula voltou para sua posição ao centro da mesa, e todos fomos convidados a nos colocarmos de pé para a execução do Hino Nacional.

Estava aberta a cerimônia.

A partir dali, os cinco reitores se encarregaram de, por meio de seus discursos, expressarem a justiça daquela homenagem que se fazia ao maior presidente da história desse país.

O reitor da UniRio chegou a dizer que “Lula, diferentemente de outros presidentes letrados do passado, foi quem se comprometeu com a qualidade do ensino no Brasil”.

O reitor da UERJ, que se referiu a Lula como “Doutor da causa da Humanidade”, em um discurso maravilhoso, recordou a história da sua universidade, que foi a primeira do país a oferecer cursos noturnos, que criaram maiores oportunidades para os trabalhadores poderem estudar, e também a primeira instituição de ensino superior a praticar a reserva de cotas no Brasil.

O reitor da UFRJ, por sua vez, disse que se tivesse de oferecer ao Lula um título exclusivamente criado para o presidente, este serio o de “Campeão das utopias realizadas”, e ressaltou a realização utópica da própria trajetória de vida de Lula, um sertanejo de alfabetização tardia, que tendo se destacado na liderança sindical chegou à presidência de um país de 200 milhões de habitantes e se tornou reconhecido internacionalmente pela transformação social que operou neste país.

Todos os cinco reitores fizeram questão de mencionar o trabalho de Fernando Haddad, que estava na platéia, como fator fundamental para os progressos alcançados no campo da educação no nosso país.

O reitor da UFF reivindicou maior participação da educação no Orçamento nacional e enfatizou que as metas do governo Dilma, ainda mais ambiciosas do que as de Lula, serão sim alcançadas, “claro que em dois mandatos”, como ele fez questão de salientar.

O reitor da UERJ ainda se confessaria testemunha ocular de muitos episódios da atividade política de Lula, e se lembrou de uma ocasião em que presenciou Lula e Hélio Pellegrino travarem um debate intelectual na casa de Frei Betto.

Pelas palavras do reitor, “nem nos momentos mais elevados da minha vida acadêmica eu tive a oportunidade de presenciar um debate tão fecundo como aquele.”

Ao final de cada discurso, Lula recebia os diplomas e posava com cada um deles para fotos.

Já devidamente agraciado, foi a vez dele falar, matando a nossa saudade de sua voz. Iniciou se justificando que faria seu discurso sentado, diferentemente do seu costume. E alertou também para o risco de, no meio da leitura, vir a precisar de um “substituto”, como ele mesmo disse em tom de brincadeira, para terminar por ele o pronunciamento, caso sua garganta viesse a pedir descanso.

Não foi preciso.

Incansável como sempre, Lula foi até o fim. Com sua voz sensivelmente rouca, leu quase sem nenhum improviso o texto que havia preparado para o evento. Ressaltou os progressos do país a partir de seu governo e reafirmou seu compromisso com a educação do país. Enalteceu o governo de Dilma Rousseff e se disse confiante nas metas que o Brasil tem para o futuro.

Terminado o discurso do homenageado, Camila Pitanga encerrou o evento.

“Tico-tico no fubá” foi tocada por dois clarinetistas que se apresentaram no palco e a platéia de pé fazia a sua algazarra: cada um manifestava da forma como dava o seu carinho.

Gritos dos mais variados: “Lula, eu te amo!”, “Dilma linda!”, “Lula, guerreiro do povo brasileiro!”, e outras muitas declarações de amor que devem ter sido feitas silenciosamente, no íntimo daqueles que não gritaram porque só conseguiam externar sua emoção com lágrimas, como a Dona Gisele.

Gratificados por termos estado ali, nos demos um abraço de cumplicidade. Acho que é uma reação natural que ocorre a quem está muito emocionado e quer compartilhar com alguém tanto sentimento.

Eu disse para ela: “ainda bem que viemos”, ao que ela só me respondeu com um suspiro e o peculiar gesto de erguer a cabeça para cima no mesmo momento em que se fecham os olhos. Ao abri-los novamente, abriu-se junto um sorriso de indizível contentamento.

Foi de fato edificante.

Gisele Martensen
Antes de nos despedirmos, arrisquei: “você tem Facebook?”. Contrariando minhas expectativas, ela me respondeu: “tenho sim. Gisele Martensen”. Fomos cada um para um lado, e eu lhe prometi que a procuraria para adicioná-la como amiga. Estou só aguardando que ela chegue novamente na sua Peruíbe, depois de visitar a filha universitária em Seropédica, para aceitar meu convite.

Gisele Martensen, minha mais nova amiga de infância com quem compartilhei um momento muito gostoso da minha vida, e que acabei de contar aqui para quem teve paciência e disposição de ler tudo isso.

Enviado por Maria Rodrigues

domingo, 23 de outubro de 2011

LECH & LULA

DO ELETRICISTA AO TORNEIRO, O CHOQUE QUE MOLDOU IDEOLOGIAS

Raul Longo observa o seu legado
Raul Longo

Lá pro final do governo Lula distribui pela internet um texto (O Legado do Cara), onde abri comentando que desde Spartacus, nos anos 60 a. C., muitas lideranças populares de ambos os sexos fizeram por merecer o reconhecimento da humanidade, mas poucas foram tão distinguidas quanto o torneiro mecânico Lula da Silva.

Pra quê? Um tal de Marcus ou Marco Gutermann do blog do Estadão, entendeu ou quis entender que eu estaria comparando Lula a Spártakos (em grego) ou Spartacus (em latim) que o Gut aportuguesou para Espártaco (quando não em inglês, eles aportuguesam para facilitar aos seus ledores).

Daí foi uma borbulhante feira de indignações. Os ledores (leitor é classificação que não convém ao caso) do Estadão, boquiabertos, buscando fôlego ao que entenderam como uma comparação de Lula da Silva ao escravo romano da Trácia (atual Bulgária).

Peixes fora d’água! Se eu quisesse comparar Lula a algum herói das lutas populares, não iria buscar nos Balcãs e evocava mesmo era o Zumbi dos Palmares, ali de Alagoas, ao lado de Pernambuco. Só me referi ao Spartacus por ser o mais antigo líder popular de que tenho memória.

Os ledores do Estadão sempre foram assim mesmo: eruditos! Se chamar de puta, se ofendem. Mas chamou de messalina, ficam coquetes e oferecem o número do telefone.

Já pra quem é leitor de fato, não preciso nem explicar que liderança popular sequer precisa ser de esquerda, posto que as de direita também há. E deixa o blog atrasado do Estadão pra lá. Atrasado não de anacrônico, mas porque antigo, lá do ano passado. Embora desde antes do ano passado Lula já fosse uma das mais distinguidas lideranças populares da história da humanidade, querendo o Marcus Gutemberg e Guarabyra, ou não.

Hoje Lula  sem dúvida alguma, é a mais citada, falada, documentada, honrada e premiada personalidade política, pra desespero do aquário.

E se for olhar no aquário do Estadão daqui a alguns dias, estará lá os bichinhos de guelras inchadas pelo título deste texto propondo comparação de Lula com o único líder popular da história que eles aplaudem depois do Spartacus. Walesa pelo que entendem de ideologia, o trácio pelo que creem por erudição. Já o brasileiro, nem debaixo d’água!

É uma calamidade, coitadinhos! O mundo capitalista se inundando de Lula e esses alevinos brasileiros no seco do abandono pelo cardume buscando em Lula o canal por onde sair do encalhe.

Que situação! Não bastasse os 96% de aprovação dos brasileiros e ainda vem o pessoal do Conselho de Davos a conferir ao homem o título de Estadista Global!  Já aí o Estadão se confirmou estadinho, mas o Guto ainda insistiu ao me reprender pelo Spartacus que seria cedo para julgar se a herança lulista era bendita ou maldita.

Cedo pro Gutinho, porque Lula já era mais que bem agraciado por títulos honoris causa do que se poderia ter imaginado cinco anos antes. Depois do Instituto Sciences, uma entidade da Sorbonne, ficou ainda mais evidenciado que em menos de uma década a direita brasileira ficou mais de século atrás da direita do restante do mundo.

Marcel Proust foi um dos raros homenageados por este título que ao longo dos 140 anos de existência do Sciences só foi entregue a 16 personalidades internacionais, sendo a última e única da América Latina o brasileiro Luís Ignácio Lula da Silva. E o Guto preocupado com que eu esteja comparando Lula a Spartacus!

Esses caras não perderam... Eles despencaram do trem da história!

Quem mandou surfar onde não deve? Ora vejam! Eu é que moro no fim do mundo e o Mauricinho Gutterman é quem banca o suburbano.

E podis crê que vai pegar o bonde errado outra vez, assim que souber que falei do Lula e do Walesa. Mas a culpa não é minha! É do próprio Lech Walesa que ao entregar o prêmio “Lech Walesa” pro Luís Ignácio Lula da Silva pediu desculpas e deu explicações pelas críticas que fez ao colega brasileiro no passado, aquelas mesmas em que O Estadão insiste, apesar de -- que eu saiba -- só em setembro o mundo ter distinguido Lula com três grandes honrarias.
Apesar de todo esse embasamento, Walesa não conseguiu se reeleger em 95 e nas eleições do ano 2000 obteve apenas 1% dos votos. Em 2006 rompeu com o Solidariedade, o sindicato que havia criado.


Como presidente do sindicato de metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em 1977 Lula liderou movimento grevista por reposição salarial. Em 1980 fundou o Partido dos Trabalhadores e em Diadema organizou o 1º comício pela redemocratização do país. O movimento se estendeu pelo ABC paulista, mas sem adesão de convidados de outros partidos políticos.

A última de que tive notícia foi em Iowa, nos Estados Unidos, mas teve a do eletricista de Gdansk que deu um choque na ideologia socialista nos anos 80.

Se O Estado de São Paulo me permite, Lech Walesa possibilita interessante comparação com Lula e não apenas por ambos terem sido líderes da classe trabalhadora e presidentes de seus países, mas pela trajetória de cada um dentro do histórico das sociedades a que pertencem.

Durante 123 anos a Polônia foi dividida entre a antiga Prússia, a Rússia e a Áustria, se tornando independente em 1918. 21 anos depois, em 1939, foi invadida pelos nazistas e depois da Segunda Guerra ali se instalou um dos mais cerrados governos aos moldes soviéticos.

Em 1980 Lech Walesa liderou o movimento grevista considerado precursor da queda do regime soviético não apenas na Polônia, mas em todo o leste europeu. Aclamado como herói no Ocidente (inclusive pelo Estadão) e, sobretudo na Polônia, recebeu o insofismável apoio do patrício e Papa Carol Wojtyla; além do Prêmio Nobel da Paz em 1983. Em 1990 foi eleito o primeiro presidente da história da Polônia, com ampla maioria de votos.

Apesar de todo esse embasamento, Walesa não conseguiu se reeleger em 95 e nas eleições do ano 2000 obteve apenas 1% dos votos. Em 2006 rompeu com o Solidariedade, o sindicato que havia criado.
Lech & Lula
Como presidente do sindicato de metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em 1977 Lula liderou movimento grevista por reposição salarial. Em 1980 fundou o Partido dos Trabalhadores e em Diadema organizou o 1º comício pela redemocratização do país. O movimento se estendeu pelo ABC paulista, mas sem adesão de convidados de outros partidos políticos.

Por fim, em 83 o Senador Teotônio Vilela lança o Movimento das Diretas Já por um programa da TV Bandeirantes e com a participação de todos os partidos de oposição as manifestações se espalharam pelo país ao longo de 2 anos, finalizando com uma passeata no centro de São Paulo que se constituiu na maior manifestação pública da história do país: hum milhão e meio de participantes.

No entanto, os oposicionistas acordaram com os militares mais uma eleição indireta. O PT absteve-se de participar desta eleição e somente em 1989, quando depois de 25 anos o povo brasileiro pôde voltar a escolher seu presidente, Lula concorre com um político que apesar de desconhecido em pouco mais de um ano foi transformado pela mídia brasileira em mítico caçador de marajás.

Dois anos depois o caçador é cassado por um impeachment e, substituindo-o no cargo, Itamar Franco indica o sociólogo Fernando Henrique Cardoso para o Ministério da Economia. A mesma equipe que já formulara anteriores planos econômicos para o Brasil e a Argentina cria nova moeda congelando o câmbio e os salários. Dessa forma se obteve imediato controle da inflação que, então, era o mais agudo problema da economia popular. O entusiasmo pelo Real garantiu a vitória de Fernando Henrique sobre Lula em 1994 e o efeito se manteve em 1998, após a emenda constitucional que possibilitou sua reeleição.

Neste segundo mandato do que se chamou de “Era FHC” o custo do Real foi cobrado em privatização de grandes empresas estatais e serviços estratégicos. Reflexos de crises financeiras de países de outros continentes agravaram a fragilidade econômica do Brasil e se deu uma triplicação da dívida externa. O país estagnou e os níveis de desemprego cavaram profunda crise social. Fatores que garantiram a vitória de Lula em 2002, por reduzida margem de votos acima do candidato de Fernando Henrique: José Serra.

Apesar de desde a campanha de 1989 o ex metalúrgico ser apontado como anacrônico trânsfuga do regime soviético, “ralé e besta quadrada que se chegar ao poder o país vai virar uma grande bosta” (Paulo Francis); indicado como racista que abandonou a própria filha (Miriam Cordeiro); e seu partido, o PT, ser responsabilizado pelo sequestro do empresário Abílio Diniz (Pão de Açúcar), entre centenas de outras acusações; ao longo dos primeiros 4 anos de seu governo se conseguiu intensificar e rebaixar ainda mais o nível dessas críticas. Se propôs impeachment, se o acusou de bêbado, apedeuto, anta (Diogo Mainardi) e se o ameaçou de tapas na cara em plenário do Senado (Arthur Virgílio) e da Câmera Federal (Antônio Carlos Magalhães Neto).

No entanto, apesar da maior concentração de esforços dos meios de comunicação para a derrubada de um presidente de que já teve notícia no mundo, Lula foi reeleito em 2006 e desde aí seu nome atingiu projeção internacional entre as mais diversas correntes ideológicas. Apontado por Barack Obama como o mais popular presidente entre as nações, Lula terminou seu segundo mandato com 96% de aprovação, elegendo sua sucessora, também vitimada pelo mesmo teor de acusações e ofensas pessoais.

Ao contrário do previsto em 1989 pelo então presidente da maior entidade patronal brasileira, a FIESP, Lula não espantou os empresários do país. Apesar de se assumir como socialista desde o início de sua militância política, hoje é o conferencista mais bem pago e mais convidado pelas maiores empresas do mundo.

Exatamente no socialismo de Lula o ex-líder de Gdansk baseou suas desculpas pelas críticas do passado, lembrando que, então, a Polônia buscava uma saída ao socialismo proposto pelo líder do ABC paulista, mas que hoje entende que o modelo de socialismo de Lula é bem outro do o que se impôs àquela nação.

Ou seja, se os ledores do blog do O Estado de São Paulo pretendem continuar chocados, que o fiquem com o Walesa. Mas se querem saber quem tem andado por aí, da África à Europa e América do Norte, dando sugestões para se moldar o ocidente e todo um mundo melhor, que se tornem leitores e busquem por outras fontes de informações porque eu não tenho nada a ver com isso.

Só gosto de me divertir um pouquinho como os Gutos da mídia brasileira.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A elite miserável do Brasil

 http://sul21.com.br/jornal/wp-content/uploads/2011/09/Lula-recebe-t%C3%ADtulo-de-Doutor-Honoris-Causa-em-Paris.-Foto-Ricardo-StuckertInstituto-Lula.jpg

Publicado em 29/09/2011 – Urariano Motta

Recife (PE) - No dia em que Lula recebeu o título de Doutor Honoris Causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Richard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, deem uma olhada no que escreveu Martín Granovsky, um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín, “Escravistas contra Lula”:

Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros... Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República”. E chorou.

“Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?”, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de “irmão” a Muamar Kadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings o observou com atenção antes de responder. “As elites não são apenas escolares ou sociais”, disse. “Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.

Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para reflexão. A primeira delas é a educação de Lula.

Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui.

Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já veem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em “Minhas Universidades”, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.
Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto.

Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais?

Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo?

Não, não sabem e nem veem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores.

Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso: 

Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: “O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?”... E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!... Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!

O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto.

Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande... Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.

O povo espera que não demore vir abaixo.

*Urariano Motta é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997). 

Enviado por Direto da Redação

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Entrevista com Luiz Inácio Lula da Silva em Paris – Sciences Po em 27/9/2011

Título de Doutor Honoris Causa

Interview with Lula from Sciences Po on Vimeo.


A la rencontre de Lula from Sciences Po on Vimeo.

Enviado pelo pessoal da Vila Vudu

Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva - Doutor Honoris Causa – Sciences Po - Paris, França - 27 de setembro de 2011





Minhas amigas e meus amigos,

É uma grande honra, para mim, receber o título de Doutor Honoris Causa do Instituto de Ciências Políticas de Paris. Honra que se torna ainda maior por eu ser o primeiro latino-americano a recebê-lo.

Estou profundamente grato à direção da Sciences Po e a todos os seus professores, funcionários e alunos por me conferirem uma láurea tão prestigiosa.

Esta casa, a um só tempo humanística e científica, é reconhecida e admirada no mundo todo por seus elevados propósitos e pela excelência do seu corpo docente e discente.

É uma instituição que representa de modo exemplar o compromisso da França com a liberdade intelectual, a dignidade da política e o aperfeiçoamento permanente da democracia.

Representa essa França consciente de suas conquistas materiais e espirituais, ciosa de seus valores civilizatórios, mas nem por isso menos aberta a povos e mentalidades diferentes, à compreensão do outro.

Essa França insubmissa e libertária que, durante séculos, inspirou – e continua, de alguma forma, inspirando – a trajetória de muitos países, entre eles o Brasil.

Essa França que, desde o século 18  até os dias atuais, é tão relevante para o Brasil, seja no terreno das ideias políticas e sociais, seja na esfera da educação e da cultura, seja no que se refere às parcerias produtivas e tecnológicas.

Minhas amigas e meus amigos,

Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que este título de Doutor Honoris Causa é uma homenagem ao povo brasileiro que nos últimos anos vem realizando, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social, dando um enorme salto histórico rumo à prosperidade e à justiça. Depois de prolongada estagnação, o Brasil voltou a crescer de modo vigoroso e continuado, gerando empregos, distribuindo renda e promovendo inclusão social.

Deixamos para trás um passado de frustrações e ceticismo. Os brasileiros e as brasileiras voltaram a acreditar em si mesmos e na sua capacidade de resolver problemas e superar obstáculos, por mais difíceis que sejam.

Graças a um novo projeto de desenvolvimento nacional, com forte envolvimento da sociedade e intensa participação popular, conseguimos tirar 28 milhões de pessoas da miséria e levamos 39 milhões de pessoas para a classe média, no maior processo de mobilidade social da nossa história.

Em oito anos e meio foram criados 16 milhões de novos empregos formais. O salário mínimo teve um aumento real de 62%, e todas as categorias de trabalhadores fizeram acordos salariais com ganhos acima da inflação.

Além disso, implantamos vários programas de transferência direta de renda, dos quais se destaca o Bolsa Família, que é o principal instrumento do Fome Zero e, no final do ano passado, beneficiava 52 milhões de pessoas.

Dessa forma, a desigualdade entre os brasileiros atingiu o menor patamar em 50 anos. Nos últimos dez anos, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou 10%, enquanto a dos 50% brasileiros mais pobres teve um ganho real de 68%.

O consumo se ampliou em todas as classes, mas no segmento popular cresceu sete vezes.

Os pobres passaram a ser tratados como cidadãos. Governamos para todos os brasileiros e não apenas para um terço da população, como habitualmente acontecia.

Acreditamos firmemente que o desenvolvimento econômico precisa estar a serviço da redução das desigualdades sociais, sem paternalismo, promovendo a inclusão das pessoas mais pobres à plena cidadania.

Acreditamos, igualmente, que isso pode, deve e será feito sem que se descuide do equilíbrio macroeconômico, combatendo com firmeza a inflação.

Minhas amigas e meus amigos,

Ao mesmo tempo em que resgatávamos grande parte de nossa dívida social, trabalhamos para modernizar o país, preparando-o para os desafios produtivos e tecnológicos do século 21.

Investimos fortemente em educação, pesquisa e desenvolvimento. Orgulho-me de ter criado 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias, democratizando e interiorizando o acesso ao ensino público.

Também lançamos o Reuni, um programa para fortalecer o ensino público universitário, com a valorização dos docentes.

Ele contribuiu para que dobrássemos o número de matrículas nas instituições federais.

Mas não ficamos restritos a isso e instituímos o Prouni, um sistema inovador de bolsas de estudo em universidades particulares. Com ele, garantimos que 912 mil jovens de baixa renda pudessem cursar o ensino superior.

E a oportunidade não foi desperdiçada: os jovens com bolsas do Prouni têm-se destacado em todas as áreas, liderando em muitos casos os exames nacionais de avaliação feitos pelo Ministério da Educação. Ou seja, bastou uma chance e a juventude brasileira deu firme resposta ao mito elitista segundo o qual a qualidade é incompatível com a ampliação das oportunidades.

Também me orgulho muito de termos inaugurado 214 novas escolas técnicas federais, que criaram possibilidades inéditas de formação profissional para a juventude.

A boa qualidade do ensino na rede de escolas técnicas federais também abre as portas para as universidades, mesmo para quem trabalha durante o dia inteiro, porque durante o meu governo aumentamos o número de vagas nos cursos universitários noturnos.

Esses jovens têm que continuar sonhando, têm que lutar para conquistar o doutoramento, para trabalhar nos diversos centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico que existem no Brasil.

Deixamos de considerar a educação como um gasto para tratá-la como investimento que muda a vida das pessoas e do país. Por isso, em meus dois mandatos, triplicamos o orçamento do Ministério da Educação, que saltou de 17 bilhões de reais para 65 bilhões de reais em 2010.

Essas mudanças eram imprescindíveis, pois a garantia de acesso à educação de qualidade, da pré-escola aos cursos de pós-graduação, é um dos principais instrumentos para promover a igualdade social, combater a pobreza e assegurar um desenvolvimento econômico, científico e tecnológico sustentável em longo prazo.

A educação foi colocada como prioridade estratégica para o país. O investimento público direto em educação passou de 3,9% do Produto Interno Bruto em 2000  para 5% em 2009. E, agora, a presidenta Dilma Rousseff assumiu o compromisso de ampliar o investimento em educação progressivamente até atingir 7% do Produto Interno Bruto.

Minhas amigas e meus amigos,

O Brasil já tem muito a mostrar no segmento de pesquisa e desenvolvimento. A Lei da Inovação, aprovada em dezembro de 2004, incentivou as universidades a compartilhar seus projetos de pesquisa e desenvolvimento com as empresas públicas e privadas, para alavancar a inovação tecnológica no ambiente produtivo.

O número de cientistas envolvidos em pesquisa e desenvolvimento passou de 126 mil em 2000 para 211 mil em 2008. E o número de patentes depositadas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) cresceu de 21 mil em 2000 para 280 mil em 2009.

Além disso, o governo federal destinou 41 bilhões de reais ao setor de pesquisa e inovação no período de 2007 a 2010, através do Programa de Aceleração do Crescimento.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma das preocupações do meu governo – e que continua a ser um firme compromisso da presidenta Dilma – foi garantir que o crescimento econômico e os investimentos estruturantes fossem sustentáveis do ponto de vista ambiental.

Nos últimos anos, o Brasil superou a falsa contradição que opunha o desenvolvimento à sustentabilidade ambiental.  Nesse período, a taxa de desmatamento caiu 75%.

Em nosso governo, fixamos como meta reduzir as emissões de CO2 entre 36% e 39% até 2020. Esse compromisso foi incorporado à Política Nacional de Mudanças Climáticas, apresentada em Copenhague, em dezembro de 2009, e posteriormente transformada em lei pelo Congresso Nacional.

O Brasil é uma referência no enfrentamento dos desafios ambientais do século 21, pois é responsável por 74% das unidades de conservação criadas no mundo desde 2003. Também alcançamos recentemente o menor nível de desmatamento dos últimos 22 anos.

Minhas amigas e meus amigos, os avanços que conquistamos nos últimos anos foram possíveis porque praticamos intensamente a democracia. Não nos limitamos a respeitá-la – o que é um dever –, mas levamos suas possibilidades ao limite, promovendo um amplo processo de participação social na definição das políticas públicas.

Estabelecemos uma nova relação do Estado com a sociedade, na qual todos os setores sociais foram ouvidos, mobilizados, e puderam discutir não somente com o governo, mas também entre eles próprios. Multiplicaram-se os canais de interlocução da sociedade com o Estado, o que contribuiu de modo decisivo para que crescimento econômico e desenvolvimento social caminhassem juntos.

Para tanto, realizamos 74 conferências nacionais entre 2003 e 2010, precedidas por reuniões em níveis municipal e estadual, que contaram com a presença de cerca de 5 milhões de pessoas.

Discutimos e aprofundamos nessas conferências temas importantes: do meio ambiente à segurança pública; dos transportes à diversidade sexual; dos direitos dos indígenas às políticas de telecomunicações; da igualdade racial à política nacional de saúde, dentre muitos outros.

Conselhos de políticas públicas, com ampla representação popular, foram criados junto a todos os ministérios.

Em outras palavras, apostamos decididamente na política. Porque sempre acreditamos na força da política como promotora da emancipação individual e coletiva.

A participação política é o melhor antídoto contra a alienação e as tentações autoritárias.

Eu próprio sou produto da política. A luta sindical me deu a convicção de que era necessário incorporar os trabalhadores às decisões políticas.

Foi por isso que, em 1980, criamos o Partido dos Trabalhadores, que em menos de 20 anos tornou-se o maior partido de esquerda da América Latina e chegou à Presidência da República. Também construímos a maior a central sindical da América Latina, a Confederação Única dos Trabalhadores.

Tenho a plena convicção de que os problemas da sociedade só podem ser resolvidos com mais democracia e mais envolvimento da sociedade no exercício do poder.

Minhas amigas e meus amigos,

O Brasil não está sozinho nessa trajetória virtuosa, que reuniu democracia, desenvolvimento econômico e justiça social.

A esperança progressista do mundo, hoje, navega no vento que sopra do Sul.

A América do Sul não é mais o estuário dos problemas do mundo, e sim a mais promissora fronteira da luta pela justiça social em nosso tempo.

Sem os países em desenvolvimento, não será possível abrir um novo ciclo de expansão que combine crescimento, combate à fome e à pobreza, redução das desigualdades sociais e preservação ambiental.

No momento em que se está constituindo um mundo multipolar, a América do Sul afirma a sua presença no plano internacional, renovando a confiança em si e na capacidade de seus povos de construir um destino comum de democracia e crescimento econômico com inclusão social.

Vivemos numa região de paz. Não há ódio religioso entre nós. Os governantes de todos  os nossos países foram eleitos em pleitos democráticos e com ampla participação popular. A democracia é o nosso idioma comum.

Minhas amigas e meus amigos,

Avançamos muito no Brasil nos últimos anos. Ampliamos a inclusão social e a democracia se fortalece cada vez mais. Elegemos, pela primeira vez na nossa história, uma mulher para a Presidência da República.

Fizemos muito, mas ainda há muito por ser feito. E o governo da presidenta Dilma Rousseff assume esta responsabilidade.

Lançou o programa Brasil sem Miséria para erradicar totalmente a extrema pobreza.

Fortaleceu a área da educação, ao ampliar o programa e ensino técnico e aumentar o número de bolsas de estudos no exterior.

O lançamento de uma nova política industrial, com o programa Brasil Maior, fortalecerá a inovação e a competitividade.

Por último, quero enfatizar que o conhecimento e a informação são cada vez mais importantes para o aprimoramento espiritual da Humanidade e também para viabilizar o progresso econômico e o bem-estar dos povos.

O governante que não enxerga isso, não está preparado para governar uma Nação. Governante que não sonha não transmite esperança. Agradeço novamente à Science Po por ter sido agraciado o título de Doutor Honoris Causa e estou honrado por fazer parte do seleto grupo de pessoas que mereceram esta honra.

Muito obrigado.
 
enviado por Fernando Rossas Freire