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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ativistas pró-Gaza ocupam embaixada espanhola

Impedidos pelo governo grego de seguir viagem para Gaza, os tripulantes de um barco espanhol da “flotilha da paz” decidiram ocupar a embaixada para reclamar pressão política de Madrid contra o bloqueio da Grécia negociado com Israel.


Flotilha Palestina | Embaixada Atenas

Extraído do Esquerda.net

quarta-feira, 29 de junho de 2011

SIONISTAS SÃO GENOCIDAS - ISRAEL TERRORISMO DE ESTADO

Laerte Braga

Laerte Braga

Israel é uma aberração jurídica inventada pelas grandes potências ao fim da 2ª Grande Guerra a guisa de justificar o assassinato em massa de judeus nos campos de concentração nazistas. No duro mesmo uma ocupação de terras palestinas para garantir o petróleo no Oriente Médio.

É, desde a sua instalação, um Estado terrorista. Não significa que judeus sejam criminosos, mas que a imensa e esmagadora maioria dos que controlam o país/terrorista e seus principais líderes religiosos – os chamados ortodoxos, ou fundamentalistas – são os principais acionistas dos Estados Unidos e todo o seu entorno continental ou além mar. São genocidas.

A propalada ajuda a Grécia havia sido negada até que banqueiros judeus/sionistas e alemães, em sua maioria, alertaram à primeira-ministra Ângela Merkel que seriam eles os maiores prejudicados com a falência daquele país (aos olhos do capitalismo), já que detinham a maior parte dos títulos da dívida pública grega.

A Europa Ocidental é uma parte do mundo em processo de dissolução. No terror do capitalismo o que se impõe à Grécia é uma política econômica de terra arrasada, tal e qual fizeram com o Brasil no governo de FHC e fazem sistematicamente com todos os países no mundo desde o fim da União Soviética.

Trabalhadores, em todo o mundo, pagam o preço dessa estupidez.

A verdade única, absoluta do terrorismo de Estado. Escora-se em sangue de um arsenal nuclear que é capaz de destruir o mundo cem vezes se preciso for. Foi assim no Iraque onde não existiam armas químicas e nem biológicas de destruição em massa, apenas petróleo. É assim no Afeganistão onde assumiram inclusive o controle da produção e tráfico de drogas. Ou na Colômbia, onde sustentam um governo de cartéis das drogas.

No Brasil agentes da MOSSAD – organização terrorista israelense a que chamam de serviço de inteligência – transitam à vontade com a omissão do governo (deste e dos anteriores) na velha e surrada mentira da presença de terroristas entre os refugiados ou imigrantes de nações árabes na região de Foz do Iguaçu.

Em Porto Alegre, um vereador descabeçado – para que servem câmaras municipais? – impôs o ensino do holocausto nas escolas públicas da capital.

E os ciganos, os negros, os homossexuais, os adversários do regime de Hitler assassinados nos mesmos campos de concentração? O holocausto não é privilégio dos judeus. 

Quem vai ensinar e mostrar o genocídio contra o povo palestino? As prisões indiscriminadas, os estupros de mulheres palestinas, a tortura, o roubo de terras, das águas e riquezas dos palestinos?

O governo de Gaza – Hamas – foi eleito em pleito livre e democrático que resultou dos acordos assinados pelo então presidente Bill Clinton, o primeiro ministro de Israel Itzak Rabin e o líder palestino Yasser Arafat. Nas comemorações da paz Rabin foi assassinado por um fundamentalista, ou ortodoxo, contrário à paz e com a convicção que judeus são o povo eleito e, portanto, superiores.

A mesma visão de Hitler, os mesmos procedimentos. Um imenso muro que tenta transformar a Palestina num grande campo de concentração.

Detentores do controle acionário de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A assombram o mundo suas ogivas nucleares e a barbárie que os caracteriza.

Einstein desistiu do sonho de uma nação judia ainda em 1948, em carta publicada no jornal THE NEW YORK TIMES, quando percebeu o caráter terrorista do Estado de Israel.

A FLOTILHA DA PAZ inicia sua jornada saindo de vários pontos do mar Mediterrâneo levando ajuda humanitária aos habitantes de Gaza submetidos a um implacável bloqueio dos terroristas de Israel.

Cidadãos de várias nacionalidades vão tentar chegar a Gaza e mostrar ao mundo o horror e os crimes praticados pelo governo de Israel. Entre eles Hedy Epstein, 86 anos de idade, norte-americana, judia e que teve os pais assinados pelos nazistas. Hedy participou da primeira FLOTILHA e indignou-se com a violência, o massacre praticado pelos soldados de Israel.

Não são humanos. São assassinos por natureza e caráter.

Em meio à boçalidade das tropas de Israel os palestinos de Gaza preparam uma recepção especial para a FLOTILHA DA PAZ.

Barack Obama, o cínico, já disse que não pode se responsabilizar pela vida dos norte-americanos a bordo dos barcos da FLOTILHA. Só se responsabiliza pela vida de norte-americanos se estiverem a serviço de empresas, bancos, conglomerados da indústria petrolífera e da indústria bélica. Tem eleições a enfrentar em 2012 e não quer contrariar os donos do negócio, falo dos EUA, os judeus sionistas.

O governo de Israel já anunciou que não vai permitir que a FLOTILHA DA PAZ, carregando alimentos, remédios, chegue a Gaza, fure o bloqueio. Segundo o terrorista Avigdor Lieberman, dito ministro das Relações Exteriores, os “ativistas estão buscando confronto e sangue”.

Quem sabe às vezes a OTAN – ORGANIZAÇÃO DO TRATADO DO ATLÂNTICO NORTE – tão empenhada em “libertar” a Líbia dê uma ajuda? Afinal são direitos humanos.

Na primeira tentativa de ajudar a população de Gaza nove ativistas turcos, um deles com dupla nacionalidade, norte-americana também, foram mortos pelas hordas assassinas de Israel.

O discurso do nazi/sionista Lieberman é o de sempre. Segundo ele entre os ativistas da paz existem terroristas. Deve ser a vovó de 86 anos que perdeu os pais em campos de concentração nazistas e sabe o que são essas prisões hoje controladas por Israel ou pelos EUA.

A Marinha de Israel está instruída a não permitir a aproximação dos barcos e a reprimir qualquer tentativa de furar o bloqueio.

São desumanos, covardes e assassinos em sua gênese.

E depois a culpa é do Irã.

Israel é um câncer para a paz mundial. Os níveis de barbárie e boçalidade praticados pelo governo de Tel Aviv só encontram paralelo nos mais terríveis tiranos da história, Hitler entre eles, naturalmente onde aprenderam o know how da estupidez que usam contra palestinos. Ao contrário da senhora Hedy Epstein, a judia norte-americana que vai num dos barcos da FLOTILHA DA PAZ cheia de indignação.

A FLOTILHA DA PAZ deve chegar às águas territoriais de Gaza (controladas pela Marinha de Hitler) na quinta, ou na sexta-feira e provavelmente o mundo vai assistir a mais um espetáculo de horror e violência comuns aos nazistas.

Sionistas são nazistas.

O Conselho de Segurança da ONU não vai resolver nada. Das mais de cinqüenta resoluções contra Israel por violações de direitos humanos nenhuma foi implementada. Têm o controle acionário da maioria do Conselho e da própria Organização.

O embaixador dos EUA vai estar lá para defender os interesses dos seus patrões em Israel e o primeiro-ministro inglês David Cameron vai dizer novamente, é lógico, que o “multiculturalismo acabou”, no racismo explícito de uma nação decadente, mera base militar do complexo EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

No Egito o povo continua massacrado por militares que diante das manifestações de meses atrás. Se livraram de um anel, Hosni Mubarak e mantiveram os dedos da ditadura intactos. Não são forças armadas egípcias, mas braço de Israel e dos EUA. Como boa parte dos militares na maioria dos países do mundo, inclusive o Brasil, onde escondem atrás da covardia do sigilo eterno.

Temem a liberdade, temem a democracia, temem a paz.

Os navios da FLOTILHA DA PAZ sairão com perto de 500 integrantes de várias nacionalidades e de muitos pontos do Mediterrâneo. Levam ajuda humanitária, vão tentar sensibilizar a manada conduzida pela sociedade do espetáculo no resto do mundo, mostrar a situação dramática dos habitantes da Faixa de Gaza e todo o povo palestino.

Serão cúmplices os governos que se omitirem a qualquer ato terrorista dessa aberração jurídica/política e econômica que é o Estado terrorista de Israel. 

Nessa história toda Obama é só um cínico, um espertalhão, destituído de princípios e respeito pelo que quer que seja, que não o que os sionistas determinarem.

A FLOTILHA DA PAZ leva os que teimam em resistir como seres humanos diante da barbárie que é o capitalismo. 

sábado, 25 de junho de 2011

Barco de ajuda a Gaza responde ao governo Obama

By The passengers of The Audacity of Hope
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
  
A Audácia da Esperança
Atenas, 24/6/2011 – Os ativistas pacifistas norte-americanos que se preparam para partir levando mensagem de solidariedade ao povo de Gaza a bordo do barco de bandeira norte-americana “A Audácia da Esperança” [título de livro de Obama] manifestaram profundo desapontamento, depois de “alerta” emitido pelo Departamento de Estado dos EUA no dia 22/6/2011. 

Em vez de escrever ao governo de Israel, exigindo livre passagem para um barco que conduz cidadãos norte-americanos desarmados com ajuda humanitária aos palestinos, o governo dos EUA pressiona seus próprios cidadãos para que não empreendam movimento legal que livremente decidiram empreender.

Na 4ª-feira, o departamento de Estado emitiu um “alerta de viagem” dirigido a cidadãos norte-americanos que planejem participar da Flotilha de Liberdade para Gaza. O documento aconselha os cidadãos norte-americanos a não viajar para Gaza por qualquer meio, por terra, mar ou ar, “considerando que em tentativas anteriores de entrar em Gaza por mar, os barcos foram impedidos por comandos israelenses, ação que resultou em mortos e feridos, além de prisão e deportação de cidadãos dos EUA.” 

“Pelos termos dos documentos, conclui-se que o Departamento de Estado entende que os atos de violência previsíveis de Israel contra manifestantes desarmados seriam eventos tão naturalmente previsíveis quanto maremotos ou tempestades” disse Hagit Borer, professora de Linguística da Universidade Southern California e passageira do barco norte-americano. “É atitude espantosa, vinda de governo que garante a Israel bilhões de dólares em ajuda militar e usa rotineiramente seu poder de veto para impedir que o governo de Israel seja censurado pelo Conselho de Segurança da ONU, pela prática de crime de ocupação ilegal de terras palestinas”. 

Os passageiros do barco norte-americano observam que o Departamento de Estado tem o dever legal de proteger os cidadãos, sempre que viagem ao exterior. “Até hoje, os funcionários do governo dos EUA falharam sempre que se tratou de impedir que autoridades israelenses nos atacassem fisicamente” – disse Robert Naiman, diretor político da organização Just Foreign Policy, outro passageiro do barco para Gaza. “É claro que o Departamento de Estado deveria manifestar-se contra quem nos ameaça, em vez de tentar impedir que nós viajemos. É terrivelmente decepcionante constatar que não fazem o que devem fazer”.

A seguir, o texto da carta que os passageiros do barco “A Audácia da Esperança” enviaram, dia 14 de junho, ao presidente Obama, à secretária de Estado Hillary Clinton e a outras autoridades. Ainda não receberam resposta.
________________________________________

14 de junho de 2011

Senhor Presidente 
Casa Branca 
1600 Pennsylvania Avenue NW, Washington, DC 20500

Senhor Presidente Obama:

Escrevemos para informar-lhe que 50 norte-americanos desarmados partirão nos próximos dias em barco sob bandeira dos EUA, que batizamos “A Audácia da Esperança”, e que integrará mais uma Flotilha da Paz rumo a Gaza.

Nossa manifestação pacífica fará pressão contra o bloqueio de Israel a Gaza, que já é, de fato, campo de prisioneiros no qual Israel mantém aprisionados 1,6 milhão de civis, a maioria dos quais com menos de 16 anos. O bloqueio israelense reduziu à miséria a população de Gaza, privou os palestinos de Gaza de itens básicos de sobrevivência e de materiais de construção para reconstruir as casas que o exército israelense destruiu no ataque de 2008-9; continua a impedir que os doentes e deficientes físicos encontrem socorro médico; e impede que estudantes já contemplados com bolsas de estudos ausentem-se de Gaza para estudar. Em Gaza, 45% da população em idade de trabalhar está desempregada.

Além de 10 passageiros, 5 tripulantes e 10 jornalistas, nosso barco leva também milhares de cartas de solidariedade, apoio e amizade reunidas em todos os EUA e endereçadas aos homens, mulheres e crianças de Gaza. Não temos a bordo nenhum tipo de arma. Não levamos a bordo nenhum produto comercial a ser entregue em Gaza. A nossa, é missão da sociedade civil dos EUA, dirigida à sociedade civil de Gaza. Não somos grupo partidário nem temos qualquer ligação com governo ou grupo de opinião. Nossa ação é ação não violenta, de solidariedade humana e de apoio ao povo palestino de Gaza, para ajudá-los a defender seus direitos humanos.

Na honrada tradição de ativismo não violento da sociedade norte-americana, que sempre se ergueu em manifestações pacíficas contra a injustiça, viajaremos a Gaza com a esperança de que nossa viagem prove ao povo de Gaza que não estão sós. Nossa viagem visa também a chamar a atenção dos EUA e do mundo para o castigo coletivo, moral e legalmente indefensável, que Israel impõe, em Gaza, a civis.

Sr. Presidente, o senhor com certeza já sabe que o bloqueio contra Gaza é insustentável. E seu governo já várias vezes manifestou apoio a manifestações pacíficas ao longo dessa “Primavera Árabe”.

Como cidadãos dos EUA, esperamos que nosso país e seu governo se empenhem para assegurar livre passagem para os barcos da Flotilha da Paz até Gaza. Contamos também com que nosso país apoiará nosso clamor, de caráter humanitário, para que o bloqueio israelense contra Gaza seja imediatamente levantado. 

Para tanto, é preciso que o governo dos EUA notifique Israel, em termos claros, de que não deve impedir pela força que a nova Flotilha da Paz – à qual se integrou nosso barco “A Audácia da Esperança” – chegue a Gaza. É o que nós, que estaremos a bordo desse barco – engenheiros, pedreiros, bombeiros, advogados, trabalhadores sociais, aposentados, sobreviventes do Holocausto, funcionários públicos aposentados – esperamos de nosso presidente e do governo que ajudamos a eleger.

Nosso barco partirá do leste do Mediterrâneo na última semana de junho. Agradecemos desde já suas providências, para proteger nossas vidas e nos assegurar livre trânsito por mar até Gaza. 

Atenciosamente,

Norte-americanos a bordo do barco “A Audácia da Esperança”, de bandeira norte-americana: Nic Abramson, Johnny Barber, Medea Benjamin, Greta Berlin, Hagit Borer, Regina Carey, Gale Courey Toensing, Erin DeRamus, Linda Durham, Debra Ellis, Hedy Epstein, Steve Fake, Ridgely Fuller, Megan Horan,Kathy Kelly, Kit Kittredge, Libor Koznar, Melissa Lane, G. Kaleo Larson, Richard Levy, Richard Lopez, Ken Mayers, Ray McGovern, Gail Miller, Carol Murry, Robert Naiman, Henry Norr, Ann Petter, Gabe Schivone, Kathy Sheetz, Max Suchan, Brad Taylor, Len Tsou, Alice Walker, Paki Wieland, Ann Wright.

Cc:
Sr. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU
Sra. Hillary Clinton, secretária de Estado dos EUA 
Sr. Jeffrey Feltman, secretário de Estado (assistente) dos EUA 
Sra. Susan E. Rice, representante permanente dos EUA na ONU
Sr. James B. Cunningham, embaixador dos EUA em Israel (e outros)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Israel, um Estado terrorista – ataque à Frota da Liberdade

A redecastorphoto vem, concomitantemente à dezenas de blogs e listas, apresentar o documentário realizado por David Segarra, um dos sobreviventes da Frota da Liberdade (Gaza Freedom March) produzido pela TELESUR e publicado em 29 de maio de 2011

O documentário trata do ataque covarde e ilegal efetuado em águas internacionais pelos comandos militares do Estado assassino de Israel contra a frota humanitária (Frota da Liberdade) que pretendia dirigir-se a Gaza para entregar ajuda com bens de primeira necessidade aos cerca de um milhão e meio de pessoas que sobrevivem há vários anos a um criminoso bloqueio imposto pelas forças de ocupação de Israel.

Neste ataque TERRORISTA aos pacifistas desarmados, os comandos israelenses assassinaram a nove deles e feriram gravemente quase uma centena de outros. Além de roubarem toda a carga humanitária (alimentos, medicamentos e utilidades civis) contida nas embarcações da flotilha.




As legendas em português foram traduzidas e editadas por Jair de Souza





Estes vídeos foram enviados por Raul Longo e extraídos do Portal Desacato

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Harakiri?

A Comissão Turkel, em Israel (sobre os eventos da Flotilha da Paz)

14/08/2010, Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz], Israel

Traduzido pelo Coletivo de tradutores Vila Vudu


Se Deus assim o desejar, vassoura vira espingarda – foi o que escrevi logo depois de constituída a Comissão Turkel [1]. Citava um dito popular judeu, na esperança de que, contra todas as possibilidades, alguma coisa resultasse do trabalho daquela comissão.

A verdade é que a Comissão Turkel foi concebida em pecado. Nenhum dos indicados para constituí-la tinha qualquer interesse em descobrir coisa alguma. O seu único interesse era impedir que se instalasse uma comissão internacional de inquérito ou uma Comissão de Inquérito Oficial do Estado de Israel, para investigar o ataque à Flotilha da Paz e o bloqueio de Gaza. Os "termos de referência" foram impostos à Comissão e são extremamente estreitos. Na versão inicial, a Comissão tinha poderes para convidar, mas não tinha poderes para exigir que as testemunhas convidadas se apresentassem.

Em resumo: uma comissão de investigação constituída para não investigar, vassoura feita para não varrer.

Mas sempre esperei que os membros da comissão não aceitassem tão facilmente dançar pela música do governo Netanyahu. Ainda é cedo para saber, mas parece que a Comissão não rebentará as cadeias que a prendem.

Essa semana, depois dos depoimentos das três testemunhas principais – Binyamin Netanyahu, Ehud Barak e Gabi Ashkenazi – pode-se tirar uma primeira conclusão: a comissão não se deixou limitar pelos termos de referência que lhe foram impostos. Os termos de referência foram ignorados. A comissão praticamente não fez qualquer ligação entre os fatos que lhe cabe investigar e a legislação internacional. Quanto ao resto, houve de tudo.

Não foi difícil, porque as três testemunhas encarregaram-se de ignorar completamente os termos de referência que elas mesmas inventaram. Os três se dedicaram empenhadamente, apenas, a demonstrar que cada um sempre agiu mais acertada e sabiamente que os outros. E, assim, rapidamente, todos esqueceram o objeto real que a Comissão deveria investigar.

Um fato, pelo menos, ficou firmemente estabelecido: a comissão não precisará, nunca mais, limitar-se aos termos de referência. (É possível que os termos de referência voltem a ser lembrados no final, no momento de a Comissão redigir as conclusões.)

Interessante também observar como as três testemunhas ouvidas pela Comissão Turkel foram recebidas pela mídia: praticamente toda a imprensa israelense criticou Binyamin Netanyahu e Ehud Barak, tanto quanto glorificou Gabi Ashkenazi.

Netanyahu foi leviano e superficial até a frivolidade. Atribuiu toda a responsabilidade a Barak e não disse coisa com coisa, sequer sobre os fatos conhecidos. Afinal, estava no exterior naquele momento, e o que vocês queriam que ele soubesse? Barak fez tudo absolutamente sozinho e segundo sua pessoal avaliação de momento.

Depois de ferozmente atacado pelos jornais e televisões, Netanyahu convocou rapidamente uma conferência de imprensa e anunciou, grandiloquente, que, sim, assumia, sozinho, toda a responsabilidade por todos os acontecimentos. Barak nada fez. Ele próprio, Netanyahu, não Barak, fez tudo sozinho.

Barak foi mais esperto. Falou infindavelmente, afogou a comissão num dilúvio de detalhes e, sim, sim, assumiu plenamente toda a responsabilidade. No parágrafo final concluiu que não, não, nada teve a ver com os acontecimentos daquela noite e chutou toda a responsabilidade para os militares. O governo, disse ele, decidiu sobre a missão. Mas os militares executaram a missão. Os responsáveis pelo que possa ter saído errado, pois, são os militares. Também foi duramente criticado pelos jornais e televisões.

Gabi Azkhenazi, chefe do comando do Estado-Maior do exército apontou erros na execução da operação, todos cometidos pelos soldados mais rasos da Marinha e dos serviços de inteligência. Ao final, impressionantemente magnânimo, também assumiu a responsabilidade pelos erros dos soldados e marinheiros e espiões dos escalões mais rasos e, sim, se declarou responsável por tudo. Também fez tudo sozinho.

O depoimento de Azkhenazi foi uma obra prima. Surpreendentemente, se mostrou muito mais astuto que os dois experientes políticos. Enquanto os dois exibiram-se como enguias ensaboadas, ocupados, cada um, só com defender a própria pele, Azkhenazi fez-se de urso simpático, simples, honesto, sem sofisticações, um velho soldado, pleno de integridade, que sempre diz a verdade porque não sabe mentir.

Ashkenazi é muito mais matreiro do que parece. Sim, o depoimento foi cuidadosamente ensaiado com seus assessores e conselheiros, mas chefe matreiro sabe selecionar assessores e conselheiros matreiros.

Outra vez se comprovou que, em Israel, a imprensa e, de fato, todo o Estado, são controlados pelo Exército. Frases recebidas com risadas e desconfiança, quando ditas por Netanyahu e Barak, mereceram a mais reverente atenção, quando ditas pelo comandante do Exército. Um coro de admiradores elogiou Ashkenazi nas redes de televisão, pelo rádio e nos jornais. Que homem íntegro! Que perfeito soldado! Que comandante responsável e de alto nível! Se havia alguma diferença entre os porta-vozes do Exército, uniformizados, e os jornalistas militares, à paisana, ninguém viu.

A imagem geral que emergiu dos três principais depoimentos é bem clara: não houve qualquer preparação séria para enfrentar o 'evento' da Flotilha da Paz, por mais que todos soubessem com antecedência de meses que algum plano havia. Tudo foi improvisado, como obra de amadores, na famosa tradição da improvisação em Israel: "confie em mim" e "tudo há de dar certo".

Houve eventos anteriores em que navios de ajuda humanitária só transportavam pacifistas não-violentos. Então, todos deram por resolvido que aconteceria o mesmo com o Mavi Marmara. Ninguém deu atenção aos ativistas turcos, imbuídos de outro tipo de ideologia. Mas, afinal, quem se interessa pelo que turcos pensem?! O glorioso Mossad sequer se deu o trabalho de plantar um espião entre as centenas de pacifistas a bordo do navio.

A operação foi planejada sem qualquer atenção, sem inteligência, sem análise de alternativas, sem avaliar a possibilidade de cenários potencialmente perigosos. Fato é que ninguém precisa ser profeta, para saber que ativistas turcos, cheios de fervor religioso, poderiam estar também a bordo – e a bordo de um navio turco! –, e poderiam irritar-se muitíssimo ao ver um barco (turco e carregado de pacifistas e material de ajuda humanitária para Gaza) ser abordado em águas internacionais por soldados israelenses. Que surpresa!

Conclusão? O comandante do Exército concluiu sem hesitar: da próxima vez, o Exército usará atiradores para "conter" quem esteja no convés (ou "os atacantes", na linguagem dos comentaristas militares) e dar cobertura aos soldados que descem dos helicópteros.

Dado que Netanyahu e Barak empurraram toda a responsabilidade para os militares, e Ashkenazi reconheceu os erros de planejamento e execução, resta uma questão de ordem prática: como a Comissão Turkel conseguirá investigar alguma coisa, se a Comissão não tem poderes para convocar o pessoal militar?

Para contornar o problema, o comandante do Exército jogou dois ossos para a Comissão roer: o Advogado Geral do Exército e Giora Eyland poderão falar à Comissão. (Eyland é o general aposentado que dirigiu o inquérito interno do Exército.) Mas nem de longe é suficiente. Para cumprir sua tarefa, a Comissão teria de ouvir também o Comandante da Marinha e seus subordinados diretos. Em resposta à consulta do Bloco da Paz, a Suprema Corte já deixou caminho aberto nessa direção: se a Comissão Turkel exigir esses depoimentos, a Suprema Corte determinará que a Marinha atenda à exigência.

Nenhum dos três que já depuseram sequer se aproximou da questão principal: a própria existência do bloqueio contra Gaza.

Na fatídica reunião do "Septeto" (os principais ministros), ficou bem claro que todos crêem que o bloqueio é necessário, assim como é necessário impedir, pela força, sendo o caso, todas as tentativas de rompê-lo.

Os aspectos legais do caso talvez provoquem muita discussão. Pelo que sei, a legislação internacional não é muito explícita, nem no que tenha a ver com impor bloqueios nem no que tenha a ver com modalidades de bloqueios. A lei não está posta de forma consistente. Há espaço para várias interpretações. Não haverá, portanto resposta única, acordada e clara.

Seja como for, a questão não é legal, mas moral e política: qual o objetivo de Israel ao impor o bloqueio a Gaza?

Até agora, todas as testemunhas ouvidas repetiram o mesmo argumento ensaiado: Israel está em guerra contra a Faixa de Gaza (tenha a Faixa o estatuto legal que tiver, e mesmo que não seja Estado reconhecido), o bloqueio é necessário, para impedir a importação de material bélico. Portanto, o bloqueio seria legal e moral.

Mentiras e mais mentiras.

É muito simples controlar o movimento de cargas transportadas por mar. O que se faz nesses casos é deter o barco, inspecionar a carga, confiscar o material transportado que não esteja regular e liberar o barco para que prossiga viagem. Em todos os casos, a carga pode ser inspecionada no porto de partida.

Nada disso foi feito, no caso da Flotilha da Paz, porque toda essa conversa sobre material bélico não passa de pretexto. Israel impôs o bloqueio de Gaza pelo motivo exatamente oposto: para evitar que cheguem materiais não-bélicos, os mesmos materiais que também não chegam a Gaza pelos postos de passagem em terra: vários tipos de alimentos e remédios, matéria prima para a indústria da Faixa de Gaza, materiais de construção, peças de reposição para máquinas e carros e vários outros itens, de cadernos escolares a equipamento de purificação de água.

O pouco que torna a vida ainda possível chega à Faixa pelos túneis, com preços estratosféricos, muito acima da capacidade de compra da maioria dos habitantes.

Desde o início, o objetivo do bloqueio foi tornar impossível a vida normal na Faixa de Gaza, para levar a população ao desespero e induzi-la a levantar-se e derrubar o governo do Hamás. Esse objetivo sempre foi evidentemente apoiado pelo governo dos EUA e seus Estados-satélites no mundo árabe e talvez também, como muitos crêem, pela Autoridade Palestina em Ramallah.

Netanyahu disse, em seu depoimento, que "não há crise humanitária na Faixa de Gaza". Tudo depende de como se interpretem as palavras.

É verdade, não há gente morrendo de fome e doenças pelas ruas. Não é o gueto de Varsóvia. Mas a subnutrição cresce entre as crianças, há pobreza e miséria. O bloqueio gerou desemprego em alta escala, porque praticamente toda a produção agrícola e industrial está paralisada. Não há importação de matérias primas, nenhuma exportação de qualquer tipo, falta combustível. Os produtos de Gaza não conseguem chegar à Cisjordânia, a Israel ou à Europa, como antes. Tudo isso é verdade ainda hoje, apesar de a Flotilha da Paz ter sido parcialmente bem sucedida, porque obrigou Israel a permitir a entrada de vários itens que, antes, estavam bloqueados.

O fechamento do porto de Gaza também contribui para aumentar a crise humanitária. Há dezessete anos, Shimon Peres escreveu: “O porto de Gaza tem grande potencial de crescimento. Os produtos e cargas que partirão daqui a caminho de importadores israelenses, palestinos, jordanianos, sauditas e até iraquianos serão demonstração da revolução econômica que beneficiará toda a região.” Talvez fosse o caso de convocar Shimon Peres para depor à Comissão Turkel.

A palavra chave dos depoimentos foi "responsabilidade". Todos os ouvidos pela Comissão primeiro assumiram a "responsabilidade" e em seguida passaram-na adiante, como jogador de futebol americano que recebe a bola e imediatamente a joga para o mais longe que possa.

O que significa responsabilidade? Noutros tempos, quando um líder japonês assumia a responsabilidade por grandes fracassos, metia a espada na própria barriga; "harakiri" significa exatamente "cortar a barriga". Essas práticas bárbaras não existem no ocidente. Mas, pelo menos no Japão, e ainda em vários países ocidentais, líder responsável por grandes fracassos sempre pode renunciar.

Em Israel, não. Não, pelo menos, nos tempos que correm. Na Israel de Netanyahu, quem anuncia que "assume a responsabilidade" passa a merecer reverência. Que coragem! Quanta nobreza! "Ele assumiu a responsabilidade!" E fica tudo por isso mesmo.


Nota de Tradução

[1] A Comissão Turkel é a comissão formada para investigar o ataque israelense à Flotilha da Paz e o bloqueio de Gaza. Leva o nome do juiz aposentado da Suprema Corte encarregado de presidi-la, Jacob Turkel. A investigação deve ser acompanhada por dois observadores internacionais: o ex-primeiro ministro da Irlanda do Norte William Trimble e pelo ex-juiz militar Ken Watkin. Foi instalada dia 17/6/2010 (mais em: Turkel Commitee).

O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Harakiri?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Barco somente com mulheres vai levar ajuda humanitária a Gaza

Nas próximas semanas mais um barco com ajuda humanitária para a população de Gaza deverá partir do porto libanês de Trípoli.
A bordo irão apenas mulheres, 50 para ser exato, de várias partes do mundo.
O barco estampa o nome singelo de Máriam, nome da mãe de Jesus de Nazaré.
Por conta disso, e para evitar represálias das autoridades israelenses, todas as mulheres serão identificadas com o nome de máriam.
Serão Mariam 1, Mariam, 2 , Mariam 3 e assim por diante.
Uma das organizadoras, Samar Al Haj explicou que o nomeMáriam é uma homenagem merecida já que a Virgem Maria é reconhecida por todas as religiões”.
Máriam 1 é uma advogada hindu, casada com um almirante: “sou seguidora dos ensinamentos de Mahatma Gandhi, que lutou pacificamente contra todas as formas de opressão ao longo da vida. Ele também se opôs à ocupação da Palestina ", afirmou.

Máriam 2 é uma bióloga de descendência armênio-libanesa: “fiquei indignada com os israelenses que assaltaram o barco turco de ajuda humanitária Mavi Marmaris”.

Além de mantimentos, o barco transportará medicamentos, principalmente remédio contra o câncer, proibido de entrar em Gaza por Israel.

domingo, 11 de julho de 2010

Navio líbio de ajuda humanitária navega para Gaza[1]

11/7/2010, PressTV, Teerã, 13:50:28 GMT - Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu de tradutores

Um navio líbio está navegando rumo à Faixa de Gaza, apesar das ameaças de Telavive. A tripulação já declarou que carrega exclusivamente materiais de ajuda humanitária e que sua única preocupação é a grave situação em que vivem os palestinos em Gaza.

A viagem do navio Amalthea, que navega sob bandeira da Moldóvia, foi organizada pela Associação Internacional Gaddafi de Caridade e Desenvolvimento com sede em Trípoli e leva 12 tripulantes e 2 mil toneladas de materiais e produtos de ajuda humanitária, da Grécia à Faixa de Gaza.

O ministro israelense (sem pasta) Yossi Peled disse hoje que “Israel não permitirá que o barco atraque em Gaza” e ameaçou que qualquer tentativa de levá-lo até lá “terá muito graves conseqüências”. O ministro da Defesa de Israel Ehud Barak declarou que o movimento de ajuda humanitária seria “provocação desnecessária”.

Para Mashallah Zwei, organizador do movimento pró-palestinos, a viagem prosseguirá: “Vamos até Gaza e não alteraremos a rota.”

Zwei, que viaja no navio Amalthea, disse que a organização “não visa a qualquer tipo de confronto ou provocação.”
“Nosso único interesse é levar ajuda aos palestinos de Gaza”, disse ele. “Contamos com a solidariedade e o apoio da comunidade internacional, que nos ajudará a chegar até Gaza.”

Declaração do ministro da Defesa de Israel, contudo, divulgada ontem à noite, diz que “recomendamos que os organizadores ou permitam que o barco seja escoltado até o porto de Ashdot em Israel, ou naveguem diretamente para o porto de El-Arish (no Egito)”.

O ministro de Negócios Exteriores de Israel Avigdor Lieberman, simultaneamente, fez contatos com os gregos, para exigir que a Grécia force o navio a seguir a rota que Israel determinou. Um porta-voz do ministério de Relações Exteriores da Grécia Grigoris Delavekouras informou à PressTV que seu ministério “recebeu garantias da embaixada líbia, de que o barco ancorará no porto egípcio de El-Arish.”

Os esforços de Telavive para deter o barco de ajuda humanitária antes de que se aproxime de Gaza são efeito do desastre, dia 31 de maio, quando comandos israelenses atacaram a Flotilha da Paz, que também tentava levar ajuda humanitária até Gaza, matando nove cidadãos turcos que viajavam naquele comboio.

O ataque de Israel aos pacifistas lançou ondas de indignação por todo o mundo, e levou vários grupos a exigir investigação internacional que esclareça aqueles trágicos eventos.

Consequência da onda de indignação internacional, Telavive declarou que reduziria o bloqueio por terra que cerca os palestinos de Gaza, mas manteria sem qualquer alteração a vigilância naval e o completo bloqueio do litoral de Gaza.

Os palestinos que vivem em Gaza, dizem que a situação não melhorou em nada e que o bloqueio israelense continua, como antes, a privar de comida, combustível e outros artigos de primeira necessidade, os 1,5 milhão de palestinos de Gaza.

O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Libyan aid ship en route to Gaza

Nota de tradução:

[1] Nota do COLETIVO DE TRADUTORES VILA VUDU: Pode-se ler a notícia da Folha de S.Paulo sobre o mesmo fato “Navio com ajuda líbia se recusa a mudar rumo e vai para Gaza” , da agência EFE, em Jerusalém). Ali se lê, por exemplo:

“Israel impôs um ferrenho bloqueio a Gaza em junho de 2007, quando o movimento islamita Hamas assumiu o controle do território e expulsou os moderados ligados ao presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas. Recentemente, Israel suspendeu algumas das restrições por causa das pressões internacionais após a morte de nove ativistas turcos na abordagem militar em 31 de maio a uma frota de seis navios que levava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. Apesar do alívio do bloqueio, persiste o cerco terrestre, marítimo e aéreo à faixa, que Israel justifica com a necessidade de impedir que armas cheguem às milícias palestinas.”

É interessante ler as notícias lado a lado, para conseguir ver os aspectos que um e outro jornal destacam. A imprensa sempre tem lado. No Brasil, onde os grandes jornais (todos) só fazem repetir notícias de agências internacionais (e sempre DAS MESMAS), vivemos sob informação de segunda-segunda, pode-se dizer quarta, mão. E o lado, em todos esses casos, é sempre o lado de EUA-Israel. Assim se vê o quanto, e como, os grandes jornais brasileiros influenciam na deformação da opinião pública, no Brasil. Exatamente assim o público leitor de jornais – e quem lê jornais também é ELEITOR – no Brasil, vai sendo empurrado e mantido lá, para um dos lados das discussões políticas que se travam no mundo. Assim, exatamente, o público brasileiro leitor de jornais – e quem lê jornais também é ELEITOR – vai sendo exilado, posto e mantido à margem, das grandes discussões políticas do século 21.
Só na internet, graças ao trabalho de tradutores militantes não jornalistas, o Brasil pode ler, lado a lado, a opinião de Israel-EUA e a opinião, de viva voz, dos que defendem Gaza contra Israel (NTs) .

sábado, 10 de julho de 2010

Aziz Dweik, Deputado do Hamás: “A Flotilha da Paz fez mais que 10 mil mísseis”

8/7/2010, Robert Naiman, The Huffington Post - Traduzido por Caia Fittipaldi

Quem ainda duvida de que a ação estratégica não violenta possa transformar a política no conflito entre Israel e os palestinos? Aziz Dweik, deputado do Hamás, já não tem dúvidas disso, como noticia o Wall Street Journal [1]:


“Quando usamos violência, ajudamos Israel a conquistar apoio internacional”, disse Aziz Dweik, destacado deputado do Hamás na Cisjordânia. “A Flotilha de Gaza fez mais que 10 mil mísseis”.


Há poucos meses, o bloqueio de Gaza não era item de destaque na agenda mundial. Hoje, o governo israelense está sendo politicamente obrigado a “aliviar” o bloqueio. Não, ainda, a levantar completamente o bloqueio: continuam proibidos de sair de Gaza produtos de exportação; ainda não podem entrar matérias-primas e peças de reposição para as fábricas de Gaza. Mas mesmos as medidas que “aliviam” o bloqueio e que acabam de ser anunciadas, além de Israel ter substituído a lista de itens proibidos por lista de itens permitidos, são demandas dos palestinos que, antes da Flotilha da Paz, o governo de Israel rejeitara sumariamente.


E a história ainda não acabou: a imprensa internacional informa sobre o bloqueio mais do que jamais antes; analisa as declarações de Israel, como jamais antes; dá espaço aos argumentos de grupos defensores de direitos humanos israelenses, palestinos e internacionais, como jamais antes. E há mais barcos a caminho de Gaza [2].


O que se poderá conseguir, se governos e movimentos de massa que se opõem às políticas israelenses para os palestinos jogarem todo seu peso a favor de outras exigências dos palestinos, igualmente irrefutáveis, do ponto de vista moral?


O que acontecerá se, por exemplo, governos e movimentos de massa que se opõem às políticas israelenses para os palestinos exigirem que os EUA parem de subsidiar – pelo uso abusivo do dinheiro dos contribuintes encaminhado para grupos que apóiam as colônias exclusivas para judeus em terra palestina –, a construção de colônias israelenses na Cisjordânia, que até o governo israelense reconhece que são construções ilegais?


Vários grupos, nos EUA, fazem doações, isentas de impostos, para ajudar colonos israelenses a construir nos territórios ocupados, obstruindo, na prática, a criação de um Estado palestino, e contra a política declarada do governo dos EUA e, em alguns casos, contra, também, o governo de Israel, como noticia o New York Times [3]:


O NYTimes anota vários traços extraordinários sobre essa atividade:

  • em vários casos de doações, não se pagam impostos devidos;
  • algumas das colônias israelenses subsidiadas por grupos norte-americanos são ilegais, sob a lei israelense;
  • o governo israelense não isenta de impostos grupos que apóiam a construção de colônias, enquanto que, nos EUA, esses grupos acabam por se tornar isentos, dado que não respeitam a lei norte-americana;
  • funcionários dos EUA e oficiais militares israelenses, privadamente, têm reclamado do trabalho desses grupos, em parte porque alguns dos movimentos de judeus que recebem ajuda desses grupos norte-americanos desafiam abertamente o governo israelense e participam, regularmente, de movimentos violentos contra a lei e a polícia israelenses;
  • parte significativa da atividade dos grupos de colonos judeus radicais é financiada por grupos protestantes de extrema direita (chamados “dispensationalistas [4]” [ing. "Dispensationalist"]), que trabalham para fomentar o conflito entre Israel e seus vizinhos, porque crêem que essa guerra seria realização de profecias bíblicas.

O que aconteceria se governos e movimentos de massa que se opõem às políticas do governo de Israel para os palestinos exigissem que o governo dos EUA parasse de subsidiar construções de colônias exclusivas para judeus na Cisjordânia (subsídio que existe, na prática, porque os EUA isentam de impostos grupos que financiam a construção dessas colônias)? Em particular, se passassem a exigir que:


  • o governo dos EUA fiscalizasse diretamente todos os grupos que apóiam a construção de colônias exclusivas para judeus na Cisjordânia;
  • o governo dos EUA negasse direitos de isenção de impostos a qualquer grupo ou pessoa que apoiasse financeiramente a construção de colônias na Cisjordânia que o governo israelense considere ilegais;
  • o governo dos EUA negasse direitos de isenção de impostos a qualquer atividade na Cisjordânia de apoio a construção de colônias que não seja atividade isenta de impostos, também, pelo governo de Israel?

Como o governo dos EUA conseguiria explicação plausível para recusar-se a aceitar essas demandas? No caso de essa questão se tornar risco internacional para a confiabilidade do governo dos EUA, será que algum think-tanks de Washington, algum jornal, algum grupo de pacifistas, ou algum deputado ou senador não se poria a comentar o assunto?


O ataque militar israelense contra o navio Mavi Marmara trouxe à tona, também, a questão do “boicote a Israel”.


Quanto a isso, governos como o da Turquia – e outros países ‘moderados’ de maioria muçulmana – poderiam mudar a história, se garantissem liderança estratégica para uma luta que parece ainda não ter encontrado foco e direção. Como Naomi Klein escreveu, “Boicote não é dogma; é tática” [5]. Boicotes são tanto mais efetivos quanto mais são usados estrategicamente, quando visam especificamente a algum comportamento extremo contra o qual seja possível arregimenta r vastas fatias da humanidade. A questão não é nem a nação nem o Estado de Israel. A questão é a ocupação da Palestina, por Israel.


Imaginemos que o governo da Turquia – que já ameaçou cortar relações diplomáticas com Israel, por causa do bloqueio de Gaza – anunciasse que estaria disposto a liderar um movimento internacional de boicote a empresas ligadas à ocupação israelense da Cisjordânia, de Gaza e de Jerusalém Leste. O que aconteceria se a Turquia proibisse a exportação, para a Turquia, das escavadeiras fabricadas pela Caterpillar – como a escavadeira que matou Rachel Corrie?


E se a Turquia e outros Estados ‘moderados’ de maioria muçulmana fizessem aprovar na Organização da Conferência Islâmica, uma Resolução de apoio ao boicote contra corporações ligadas à ocupação da Cisjordânia, de Gaza e de Jerusalém Leste? Que argumento plausível o governo dos EUA encontraria para resistir a esse movimento, se, ao resistir contra a ocupação, aqueles Estados de maioria muçulmana estivessem, simplesmente, tentando fazer valer uma política defendida e afirmada pelo governo dos EUA?


Atenção, recado para o Hamás e todos os muçulmanos que visam, de fato, a derrotar a ocupação israelense da Cisjordânia, de Gaza e de Jerusalém Leste: o grupo Jewish Voice for Peace [Voz dos Judeus pela Paz] acaba de publicar uma relação de empresas que, precisamente, trabalham a favor da ocupação (Carterpillar, Motorola, dentre outras) e devem ser boicotadas. Temos o mar pela popa e o adversário à proa.

O artigo original, em inglês, pode ser lido em: Hamas Lawmaker: Gaza Flotilla Did More Than 10,000 Rockets


Notas de tradução:

[1] WSJ, 2/6/2010, “Israel's Foes Embrace New Resistance Tactics” [“Inimigos de Israel abraçam novas táticas de resistência”]. Curioso, nesse artigo do Wall Street Journal, que o Huffington Post repercute quase quatro dias depois de publicado, é que o Wall Street Journal parece reunir, num só artigo, todos os argumentos que a secretária Hillary Clinton vive a repetir (que o Hamás e o Hizbollah devem “renunciar à resistência armada”, por exemplo; e faz declarada campanha contra o Hamás e a favor do Fatah), além de apresentar a versão dos israelenses sobre o ataque aos pacifistas que viajavam na Flotilha. Por exemplo: “O Hamás reza por uma cartilha que prega a destruição de Israel; jovens palestinos continuam a atacar, com pedradas, soldados israelenses ao longo do muro de separação na Cisjordânia. E o incidente da Flotilha não se encaixa nos padrões convencionais de protesto pacífico: enquanto alguns ativistas resistiram pacificamente aos soldados israelenses, vários militantes, no barco no qual manifestantes foram mortos, atacaram os soldados, como se viu nos filmes distribuídos por Israel e nos depoimentos dos soldados.” Adiante, o WSJ cita palavras de Mark Regev, porta-voz do governo israelense: “Estão usando as manifestações pacíficas para provocar violência. Continuam a trabalhar para destruir Israel.” Na conclusão, o WSJ repete, quase literalmente, o argumento de Obama, a favor do reinício de conversações diretas de paz: “A falta de conversações de paz, por já praticamente dois anos, empurrou os líderes da Autoridade Palestina a também abraçar o movimento [de resistência não violenta]. A AP, controlada pelo Fatah, mais moderado, defende há muito tempo um acordo negociado com Israel e nunca antes havia apoiado protestos populares.” De fato, observado de perto, o artigo do WSJ parece ter sido escrito para ser lido por Netanyahu, como se fosse ‘recado’ de Obama-Clinton.

O Huffington Post, no artigo acima, dá outro tipo de enfoque-uso às mesmas informações e parece mais "sinceramente" empenhado, mesmo, mais em pregar o recurso a táticas de não violência, do que opor Fatah e Hamás (o Huffington Post, por exemplo, abre o artigo com palavras do Hamás); e por explorar mais a fundo algumas questões muito objetivas que não se veem discutidas e expostas no artigo do WSJ. No artigo do Huffington Post não se veem tantos interesses ocultados, como se vêem nas entrelinhas do Wall Street Journal [NT].

[2] Al-Ahram Weekly, Cairo, 24-30/6/2010,
“Coming ashore in Gaza”[A caminho do porto de Gaza], Dina Ezzat.

[3] New York Times, 5/7/2010,
“Tax-Exempt Funds Aid Settlements in West Bank” [Fundos isentos de impostos ajudam colônias na Cisjordânia”].

[4] "Dispensacionalismo". Tradição protestante evangélica, baseada numa específica interpretação da Bíblia, segundo a qual haveria várias “dispensações”, ou períodos históricos nos quais Deus falaria aos homens. No que tenha a ver com Israel, a nação de Israel que há hoje nada teria a ver com a terra prometida, que Deus ainda não teria indicado aos judeus. Para os dispensacionalistas, portanto, a Israel que há hoje não é a terra prometida aos judeus e os judeus que lá vivem em heresia (Wikipedia
). O resumo é grosseiro, mas, por hora, terá de bastar. [NT].

[5] Naomi Klein, 12/1/2009, “
Boicote a Israel para acabar com violência em Gaza”, em português em Carta Maior