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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Noam Chomsky: Os EUA são o maior estado terrorista do planeta


Deu no New York Times! Agora é oficial!

20/10/2014, [*] Noam Chomsky, Telesur, Venezuela
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Noam Chomsky
Imaginem que o Pravda publicasse na primeira página os resultados de um estudo feito pelaKGB que tivesse avaliado os resultados de todas as grandes operações terroristas que o Kremlin tivesse comandado ao redor do mundo, como parte do esforço para descobrir o que levou cada “ação” dessas ao sucesso ou ao fracasso, e estudo que, no final, concluísse que, desgraçadamente, atos terroristas raramente “dão certo” e de tal modo tendem a “dar errado” que, hoje, seria muito mais recomendável [o Kremlin recomendando!] repensar a política e as vias políticas, em vez de fazer terrorismo.

Imaginem também que o artigo citasse o presidente Putin, o qual dissesse que havia encomendado esse estudo à KGB para descobrir casos de “financiamento e apoio com armas e munição a insurgentes ativos dentro de país estrangeiro e que tivessem realmente dado certo. E a KGB [Putin falando] não conseguiu encontrar grande coisa. E que, por isso [Putin] relutava um pouco em repetir novos esforços terroristas.

Se – embora seja quase inimaginável – artigo desse tipo aparecesse publicado na imprensa, se ouviriam muitos gritos de ultraje e indignação que clamariam aos céus; e a Rússia seria amargamente criticada, condenada (e até coisa pior!) não só pelo terrível currículo como terrorista ativíssimo, afinal abertamente confessado, mas, também, por a classe política russa não mostrar nenhuma preocupação e nenhuma indignação, exceto pelo fato de o terrorismo de estado russo funcionar muito mal, e para ordenar que as práticas terroristas fossem aprimoradas.

Tudo isso é muito difícil de imaginar. Artigo desse tipo nunca seria publicado. O problema é que o tal artigo existe e foi publicado. De diferente, só um pequeno detalhe: apareceu publicado no New York Times – e é quase exatamente o tal artigo impossível.

Cabeçalho da reportagem do NYT
Dia 14/10/2014, a matéria de primeira página do New York Times tratava de um estudo feito pela CIA em que a Agência examina as principais ações terroristas comandadas pela Casa Branca em todo o mundo, num esforço para conhecer os fatores que levaram cada ação terrorista ao sucesso ou ao fracasso; e a CIA concluiu que, que, desgraçadamente, atos terroristas raramente “dão certo” e de tal modo tendem a “dar errado” que, hoje, seria indispensável repensar a política e as vias políticas, em vez de fazer terrorismo.

E o artigo cita o presidente Obama, o qual diz que havia encomendado esse estudo à CIA para descobrir casos de “financiamento e apoio com armas e munição a insurgentes ativos dentro de país estrangeiro e que tivessem realmente dado certo. E a CIA [é Obama falando] não conseguiu encontrar grande coisa”. E que, por isso [Obama] relutava um pouco em repetir novos esforços terroristas.

Não se ouviu nenhum grito de ultraje; indignação zero, nada.

A conclusão é clara. Na cultura política ocidental dá-se por natural e adequado que o Líder do Mundo Livre governa um estado-bandido terrorista e pode proclamar abertamente sua eminente liderança na prática de tais crimes. E dá-se por perfeitamente natural e adequado que o professor de Direito Constitucional e laureado com o Prêmio Nobel da Paz que tem as rédeas do poder só se deva preocupar com praticar com mais eficácia, o mesmo velho terrorismo de sempre.

Basta examinar mais de perto, para ter certeza que as conclusões a extrair são exatamente essas.

O artigo começa citando abertamente as operações [terroristas] dos EUA “de Angola a Nicarágua e a Cuba”. Acrescentemos um pouco do que o jornal omitiu.

Jonas Savimbi
Em Angola, os EUA uniram-se à África do Sul no apoio crucial ao UNITA, exército do terrorista Jonas Savimbi, e continuaram a apoiar aqueles terroristas mesmo depois de Savimbi já ter sido completamente derrotado numa eleição livre e cuidadosamente fiscalizada e até depois de a própria África do Sul já ter deixado de apoiar aquele “monstro cuja ânsia de poder trouxe terrível miséria para seu próprio povo” – nas palavras do embaixador britânico em Angola, Marrack Goulding, secundado pelo chefe da estação da CIA na vizinha Kinshasa, o qual já alertara que “não foi boa ideia” apoiar o citado monstro, “por causa da extensão dos crimes de Savimbi. Era homem terrivelmente brutal”.

Apesar das operações terroristas extensivas e violentíssimas apoiadas pelos EUA em Angola, forças cubanas conseguiram expulsar do país os agressores sul-africanos, os obrigaram a deixar também a Namíbia que ocupavam ilegalmente, e abriram caminho para a eleição em Angola na qual, depois de derrotado, Savimbi “desconsiderou completamente a avaliação feita por quase 800 observadores estrangeiros que acompanharam as eleições, para os quais as eleições haviam sido livres e justas” (New York Times), e continuou a sua guerra terrorista com o apoio dos EUA.

Os feitos heroicos dos cubanos na libertação da África e no fim do apartheid foram saudados por Nelson Mandela, quando afinal deixou a prisão. Dentre seus primeiros atos, Mandela declarou que:

(...) durante todos os meus anos de prisão, Cuba foi uma inspiração, e Fidel Castro, uma torre de fortaleza (...)[as vitórias cubanas] destruíram o mito da invencibilidade do opressor branco e inspiraram as lutas de massas da África do Sul (...) ponto de virada para a libertação de nosso continente – e do meu povo – do flagelo do apartheid. (...) Que outro país pode apresentar histórico de mais desapego e desprendimento que Cuba, em suas relações com a África?

Henry Kissinger
Bem diferente disso, o comandante terrorista Henry Kissinger ficou “apoplético” ante a insubordinação do “pipsqueak” [nulidade; zé-ninguém; meia-leca] Castro, que tinha de ser “esmagado”, como registram William Leogrande e Peter Kornbluh em seu livro Back Channel to Cuba, a partir de documentos recentementes liberados para conhecimento público.

Voltando à Nicarágua, é preciso não esquecer a guerra terrorista de Reagan, que prosseguiu ainda bem depois de a Corte Internacional de Justiça ter ordenado a Washington que cessasse seu “uso ilegal da força” – quer dizer: terrorismo internacional – e pagasse reparação substancial, e depois de já haver projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU conclamando todos os estados (de fato, só os EUA) a respeitar a lei internacional, que foi vetada por Washington.

Mas é preciso reconhecer que a guerra terrorista de Reagan contra a Nicarágua – à qual Bush-pai, “o Bush estadista” – não foi tão destrutiva quando o terrorismo de estado que o mesmo Reagan patrocinara entusiasticamente em El Salvador e na Guatemala. A Nicarágua teve a vantagem de contar com um exército para enfrentar as forças terroristas comandadas pelos EUA, enquanto nos países vizinhos os terroristas que assaltavam a população eram as forças de segurança armadas e treinadas por Washington.

Em algumas semanas estaremos comemorando o Grand Finale das guerras terroristas de Washington na América Latina: o assassinato de seis importantes intelectuais latino-americanos, sacerdotes jesuítas, por uma unidade terrorista de elite do exército salvadorenho, o Batalhão Atlacatl, armado e treinado por Washington, agindo sob ordens explícitas do Alto Comando, e com longo currículo de massacres das vítimas de sempre.

Atlacatl Battalion, armado e treinado pelos EUA
Esse crime chocante, cometido dia 16/11/1989, na Universidade Jesuíta em San Salvador foi o ápice da terrível praga terrorista que se espalhou pelo continente depois que John F. Kennedy mudou a missão dos militares latino-americanos, de “defesa hemisférica” – relíquia já ultrapassada da IIª Guerra Mundial – para “segurança interna”, o que significa: guerra contra a população doméstica, dentro de cada país.

Resultado disso aparece descrito sucintamente por Charles Maechling, que comandou o planejamento da contrainsurgência e defesa interna dos EUA, de 1961 a 1966. Ele fala da decisão de Kennedy, em 1962, como mudança de “tolerância com os roubos e a crueldade entre os militares latino-americanos”, para “cumplicidade direta” nos crimes dos mesmos militares, a ponto de os EUA garantirem apoio “aos métodos de Heinrich Himmler dos esquadrões-da-morte”.

Tudo isso está esquecido, exceto “o tipo certo de fatos”.

John Kennedy
Em Cuba, as operações terroristas de Washington foram lançadas a pleno furor pelo presidente Kennedy, para punir os cubanos por terem derrotado a invasão da Baía dos Porcos comandada pelos EUA. Como escreve o historiador Piero Gleijeses, JFK:

(...) ordenou a seu irmão, o advogado-geral Robert F. Kennedy (RFK), que comandasse o grupo de alto nível inter-agências que concebeu a Operação Mongoose [fuinha], um programa de operações paramilitares, guerra econômica e sabotagem, que ele lançou no final de 1961, para impor ‘os terrores da Terra’ a Fidel Castro, ou, dito mais prosaicamente, para derrubá-lo do governo.

A expressão “terrores da terra” é citada pelo historiador Arthur Schlesinger, sócio de RFK, na biografia semioficial que escreveu dele. RFK informou à CIA que o problema cubano passava a ser:  

(...) a principal prioridade do governo dos EUA – tudo o mais é secundário – e não se deve desviar nenhum minuto, nenhum esforço, nenhuma capacidade humana do esforço para derrubar o governo de Castro e levar “os terrores da Terra” a Cuba.

Robert Kennedy
A guerra terrorista lançada pelos irmãos Kennedy não foi coisa pequena. Envolveu 400 norte-americanos, 2 mil cubanos, uma esquadra privada de barcos rápidos e orçamento anual de US$ 50 milhões, controlado em parte por uma base da CIA que operava em Miami, em violação do Ato de Neutralidade e, presumivelmente, violando também a lei que proíbe operações da CIA dentro dos EUA. As operações incluíram bombardeamento de hotéis e instalações industriais, afundamento de barcos pesqueiros, envenenamento de rebanhos e de plantações, contaminação de estoques de açúcar exportados, etc.. Algumas dessas operações não foram especificamente autorizadas pela CIA, mas executadas pelas forças terroristas que a CIA fundara e financiava, diferença que nada significa no caso de ação contra inimigos oficiais.

As operações terroristas Mongoose foram comandadas pelo general Edward Lansdale, que tinha ampla experiência em operações terroristas comandadas pelos EUA nas Filipinas e no Vietnã. O trabalho da Operation Mongoose  era gerar “revolta aberta e derrubar o regime comunista” em outubro de 1962, o que, para “sucesso definitivo exigirá intervenção militar decisiva dos EUA”, depois que o terrorismo e a subversão tivessem preparado o terreno.

Outubro de 1962 é, claro, momento muito significativo na história moderna. Naquele mês, Nikita Khrushchev enviou mísseis para Cuba, desencadeando a crise dos mísseis que chegou ameaçadoramente perto de uma guerra nuclear terminal. Especialistas reconhecem hoje que Khrushchev foi motivado em parte pela imensa preponderância dos EUA em termos de força, depois que Kennedy respondeu aos seus pedidos para reduzirem as armas ofensivas, aumentando ainda mais a vantagem dos EUA, e em parte por preocupação de que os EUA pudessem invadir Cuba. Anos depois, o Secretário de Defesa de Kennedy, Robert McNamara, reconheceu que Cuba e Rússia tiveram razões para temer um ataque. “Se eu estivesse no lugar dos cubanos ou soviéticos, teria pensado como eles” – disse McNamara numa conferência internacional nos 40 anos da crise dos mísseis.

Raymond Garthoff
O muito respeitado analista político Raymond Garthoff, que teve muitos anos de experiência direta na inteligência dos EUA, relata que, nas semanas antes de a crise de outubro de 1962 eclodir, um grupo de cubanos terroristas que operavam da Flórida com autorização dos EUA executou

(...) um ousado ataque com barcos rápidos contra um hotel cubano próximo ao mar, nos arredores de Havana, onde se sabia que se reuniam técnicos militares soviéticos, matando grande número de russos e cubanos.

E pouco depois, continua Garthoff, as forças terroristas atacaram navios cargueiros britânicos e cubanos e outra vez invadiram Cuba, dentre outras ações cuja frequência aumentava no início de outubro. Num momento tenso da ainda não solucionada crise dos mísseis, dia 8 de novembro de 1962, uma equipe de terroristas enviada pelos EUA explodiu uma instalação industrial em Cuba, depois de as operações Mongoose já estarem oficialmente suspensas. Fidel Castro disse que 400 trabalhadores morreram nesse ataque, guiado por “fotografias feitas por aviões espiões”. Atentados para tentar assassinar Castro e outros ataques terroristas continuaram a acontecer imediatamente depois de a crise estar terminada, e escalaram novamente em anos posteriores.

Houve algumas poucas notícias de uma parte bem menor da guerra terrorista, muitos atentados para assassinar Castro, em geral deixadas rapidamente de lado como trapalhadas infantis da CIA. Além disso, nada do que aconteceu jamais atraiu muito interesse ou comentários nos EUA.

A primeira investigação séria, em idioma inglês, sobre o impacto daquelas ações sobre os cubanos foi publicada em 2010 pelo pesquisador canadense Keith Bolender, em seu Voices From The Other Side: An Oral History Of Terrorism Against Cuba, estudo valioso, largamente ignorado.

Os três exemplos considerados na matéria do New York Times sobre o terrorismo norte-americano são só a ponta do iceberg. Mesmo assim, é útil ver esse muito claro e significativo reconhecimento de o quanto Washington é dedicada a operações do terrorismo mais mortífero e destruidor, e do pouco, praticamente nada, que essa ação terrorista dos EUA significa para a classe política, que aceita como normal e adequado que os EUA se apresentem ante o mundo como superpotência terrorista, imune a leis e normas civilizadas.

Muito estranhamente, o mundo não pensa como a classe política norte-americana. Pesquisa internacional distribuída ano passado pelo Worldwide Independent Network/Gallup International Association (WIN/GIA) descobriu que os EUA ocupam o primeiro lugar, de longe, como “maior ameaça contra a paz mundial hoje”, muito à frente do Paquistão, segundo colocado (certamente inflado pelo voto dos indianos), e nenhum outro país sequer se aproxima desses dois.

Felizmente, os norte-americanos foram poupados, e não tiveram de tomar conhecimento dessa informação insignificante.


[*] Noam Chomsky, nasceu Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político estadunidense. É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts  (MIT). Seu nome está associado à criação da gramática ge(ne)rativa transformacional. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais, sendo o seu nome associado à chamada Hierarquia de Chomsky. Seus trabalhos, combinando uma abordagem matemática dos fenômenos da linguagem com uma crítica do behaviorismo, nos quais a linguagem é conceituada como uma propriedade inata do cérebro/mente humanos, contribuem decisivamente para a formação da psicologia cognitiva, no domínio das ciências humanas. Além da sua investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário, havendo quem o associe ao anarcossindicalismo. Seu mais recente livro é Power Systems: Conversations on Global Democratic Uprisings and the New Challenges to U.S. Empire.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Telesur, 6 anos de telejornalismo transformador

Neste domingo, 24 de julho, a Telesur – La Nueva Television del Sur - completou seu sexto aniversário cercada de simbolismo - é a data de aniversário de Bolívar - de conquistas e de desafios. O simbolismo é a missão, bolivariana, de ser a única emissora televisiva que nasce para promover a integração latinoamericana e se contrapor, editorialmente, ao jornalismo desintegrador e neocolonialista praticado subreptíciamente ou encandalosamente pelas redes internacionais de TV.

No terreno simbólico, quanto mais os povos vão tornando-se conscientes da prática cada vez mais hegemônica do jornalismo delinqüente , sobretudo nos países imperialistas, como agora se revela pelo fechamento do jornal News of the World, na Inglaterra, a Telesur caminha conquistando credibilidade consolidando um jornalismo de missão pública.

Enquanto a grande mídia inglesa, como nos EUA, França, Itália ou Espanha, revela sua absoluta relação intrínseca com governos imperais e guerreiros - e aqui estamos nos referindo também às suas mídias públicas que atuam em sintonia com os interesses da indústria bélica, participando da construção de mentiras que “justificam”, sob uma ótica das razões propagandistas de Hitler, as guerras contra o Iraque, o Afeganistão, agora contra Líbia, e os preparativos para ações militares contra a Síria e o Irã; Telesur esforça-se exatamente para revelar a existência de um terrorismo midiático que tentar intimidar os processos revolucionários e populares.

Jornalismo delinquente inglês, uma prática hegemômica

Sempre se soube da estreita ligação do jornalismo delinqüente  das empresas d Murdock com as políticas mais interessantes para a indústria de armamentos e a suposta “guerra ao terrorismo”. Estes oligopólios jornalísticos sempre tiveram sob controle os governos de Margareth Tatcher, John Major, Tony Blair, Gordon e agora de Cameron, e esta relação jamais foi posta sob questão pelo jornalismo da BBC, que também ofereceu suporte editorial a todas as ações bélicas destes governos. Telesur, ao contrário, permite que as vozes silenciadas, seja nos EUA, ou na Europa, possam deunciar e revelar as ações criminosas da OTAN que sempre contaram com o suporte editorial da grande mídia capitalista, inclusive daquela chamada públcia, mas que não foi capaz de escapar dos planos militares de seus governos contra os povos do Sul.  

 Para se ter uma idéia, basta citar dois exemplos recentes: :primeiro, nos embates eleitorais na América Latina, como no Peru recentemente, quando até a BBC de Londres também revelou-se representar  interesses neocoloniais ao fazer aberta campanha pró- Fujimori.,  lá estava Telesur informando sobre o significado histórico da vitória de Humalla. Segundo, a presença de Telesur na Líbia, única TV internacional a emitir de Trípoli, desmontando a vil farsa do “bombardeio humanitário da OTAN”, crime apoiado pela manipulação de todas as grandes redes, inclusive a TV Al-Jazeera,  representante dos interesses do estado oligárquico do Qatar, país ocupado militarmente pelos EUA,

Telesur é conquista dos povos do sul

Telesur é também uma conquista, não apenas da Revolução Bolivariana, que já erradicou o analfabetismo e assumiu com soberania  o destino de suas riquezas nacionais. Nunca tais causas e conquistas, também alcançadas por outras nações,  foram  adequadamente informadas. Jamais o tesouro cultural e das causas revolucionárias latinoamericanas   mereceram espaços justos  nas telas  como na Telesur, que retrata Che, Zapata, Gaitan, Perón, Lula, Fidel, Evo, Mandela, Agostinho Neto e Samora Machel como expressões históricas  das lutas populares.

Nas telas de Telesur há intensa e necessária divulgação, por exemplo, da vitória do povo da Bolívia contra o analfabetismo, ecoando a façanha da economia mais fraca da América do Sul já ser hoje “Território Livre do Analfabetismo”, ao passo que na economia mais forte da região sequer temos metas fixadas para erradicar esta vergonhosa mazela. Também há, por exemplo, qualificada informação sobre a retomada do desenvolvimento econômico na Argentina e seus progressos políticos, como na democratização dos meios de comunicação, o que permite que a Telesur seja hoje plenamente acessível aos nosso hermanos portenhos.. Os planos para a integração sulamericana - que é retratata com desdém e manipulação pela mídia capitalista - encontram na Telesur uma explicação lógica e contextualizada para os povos do sul. Desta cobertura jornalística, sistemática e regular, vai surgindo clara a idéia de que essa integração exige valores como o da solidariedade e da cooperação entre os povos, para o que também se fazem necessárias políticas baseadas no Estado de tal forma que se realizem as obras públicas indispensáveis, de infraestrutura, por exemplo, para que o crescimento e o desenvolvimento sócio-econômico seja para todos os países da região. Só a Telesur pode oferecer uma cobertura legítima, educativa e transparente sobre estas políticas porque é, ela mesma, produto deste processo de libertação e de integração latinoamericana.. E também porque não está submetida à ditadura do mercado, aquela que produz o jornalismo delinqüente da Inglaterra, mas não apenas lá.

Desafios

Muitos desafios, porém, cercam a Telesur. Entre eles: vencer a sabotagem permanente do império que coloca sempre mais e mais obstáculos para impedir o crescimento da visibilidade da Telesur no mundo. Apesar dela, Telesur já está na Espanha, caminha para a África de língua portuguesa. Além deste, há também  a incompreensão em alguns círculos nos governos progressistas, que ainda retardam integração midiática libertadora e preferem acordos com redes convencionais a cooperar com Telesur. Não há explicações lógicas para que, em sintonia com o processo e as políticas de integração latinomaericana, a TV Brasil ainda não tenha colocado em prática o convênio de cooperação firmado com a Telesur, permitindo, com isto, que os telespectadores brasileiros tomem conhecimento de um curso de transformações progressistas que avança em vários países da região. Aliás, a Telesur já foi bastante difundida nacionalmente no Brasil por meio de convênio com a TVE do Paraná, até o ano de 2010. Seria apenas levar ao terreno da comunicação políticas de cooperação que já existem nos planos econômico, político, educacional, de saúde, seja com a Venezuela, com Cuba, com a Bolívia e Equador, todos sócios da Telesur.. Apesar destes obstáculos, Telesur consegue cada vez mais presença e visibilidade mundialmente, comprovando o acerto de uma decisão que era considerada visionária, e vai levando na prática jornalística o seu lema “Nosso norte é o sul”, com o que prova e convida: um outro jornalismo é possível! E urgente!


Escrito Beto Almeida em 25.07.11
Enviado por Dani Tristão

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Israel, um Estado terrorista – ataque à Frota da Liberdade

A redecastorphoto vem, concomitantemente à dezenas de blogs e listas, apresentar o documentário realizado por David Segarra, um dos sobreviventes da Frota da Liberdade (Gaza Freedom March) produzido pela TELESUR e publicado em 29 de maio de 2011

O documentário trata do ataque covarde e ilegal efetuado em águas internacionais pelos comandos militares do Estado assassino de Israel contra a frota humanitária (Frota da Liberdade) que pretendia dirigir-se a Gaza para entregar ajuda com bens de primeira necessidade aos cerca de um milhão e meio de pessoas que sobrevivem há vários anos a um criminoso bloqueio imposto pelas forças de ocupação de Israel.

Neste ataque TERRORISTA aos pacifistas desarmados, os comandos israelenses assassinaram a nove deles e feriram gravemente quase uma centena de outros. Além de roubarem toda a carga humanitária (alimentos, medicamentos e utilidades civis) contida nas embarcações da flotilha.




As legendas em português foram traduzidas e editadas por Jair de Souza





Estes vídeos foram enviados por Raul Longo e extraídos do Portal Desacato

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Conferencia Nacional de Tribos Libias pela Paz e União

Com a convicção de que os conflitos na Líbia devem ser resolvidos pelo seu próprio povo, esta quinta feira (5 de maio de 2011) se instalou a Conferência Nacional de Tribos, pela paz, unidade e diálogo, confirmou o enviado especial, Rolando Segura, da teleSUR. A conferência tem a participação de 2.000 tribos.



enviado por Vera Vassouras

segunda-feira, 18 de abril de 2011

WikiLeaks: Várias embaixadas dos EUA opinam sobre o MERCOSUL


Reference ID
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Released
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Origin
[cabeçalho aqui omitido]
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Excerto do item SECRETO do telegrama 07ASUNCION396
A íntegra do telegrama não está disponível. Nessa tradução omitiram-se vários trechos de pura repetição de matéria jornalística.
Tradução de trabalho, não oficial, para finalidades didáticas.
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NOTA DOS TRADUTORES: 

Esse telegrama não tem qualquer importância, além de deixar bem claro que o grupo GAFE das “comunicações” no Brasil (Globo, Abril, FSP e Estadão) está TOTALMENTE na gaveta da Embaixada dos EUA e que não há imprensa independente no Brasil. Engraçado observar também que os EUA perdem dinheiro nessa empreitada: o grupo GAFE escreveria exatamente o que escreve, também “de grátis”.

Para que se avalie a extensão da baixa qualidade do serviço diplomático dos EUA, em comparação ao serviço diplomático do Brasil nos governos Lula-Dilma – o que dá ânimo e alegria pra prosseguir –, deve-se comparar esse telegrama e o que se lê em: Samuel Pinheiro Guimarães, “Nossos aliados são os vizinhos – Brasil/Estados Unidos: a rivalidade emergente”, em 5/3/2011, no Blog O Outro Lado da Notícia (e em vários blogs. A blogaria não está na gaveta da embaixada dos EUA – o que também é ideia estimulante).
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1. RESUMO: Durante a Conferência de Maio 8-9 [2007] do Cone Sul / Brazil COM, no Rio de Janeiro, os cinco Embaixadores do Cone Sul discutiram os planos agressivos de Hugo Chavez para criar um movimento bolivariano unificado em toda a América Latina, focando as atividades em seus respectivos países. Esse relatório é produto das observações e análises apresentadas por esses vários embaixadores [dos EUA]. 

O presidente venezuelano Hugo Chavez busca agressivamente dividir a América Latina entre os que aceitam suas políticas populistas antiamericanas e mensagem autoritária e os que buscam criar e fortalecer políticas e instituições democráticas baseadas no livre mercado. No cone Sul, Chavez trabalha para conquistar adeptos para seu campo, mediante o que parece ser um plano multifacetado que depende, fortemente, da capacidade de Chavez para oferecer energia e projetos grandiosos baseados em petrodólares. 

Alguns líderes regionais, em regiões miseráveis, podem ser tentados a deixar-se seduzir, mas muitos parecem interessados apenas em tomar o dinheiro de Chavez e nada dar em troca além de ‘conversa fiada’ [orig. paying only lip service] de apoio a suas políticas. E há também os que, na região, francamente rejeitam o homem. Seja como for, Chavez não deve ser subestimado. O dinheiro fala alto, as instituições democráticas ainda são frágeis na região; e a economia de livre mercado ainda não garantiu soluções consistentes nos países do Cone Sul, que continuam social e politicamente doentes. 

Essa embaixada reúne nesse telegrama as opiniões coletivas de vários embaixadores sobre que ameaças essa campanha implica para os interesses dos EUA, mas é evidente que precisamos de mais recursos (e de recursos mais flexíveis) e ferramentas para resistir aos esforços de Chavez, que quer conseguir domínio cada vez maior sobre a América Latina, à custa da liderança dos EUA e dos nossos interesses. FIM DO RESUMO.

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O LIVRO DE REGRAS [orig. playbook] 
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2. A embaixada venezuelana em 2006 expôs em detalhes sua estratégia para o Paraguai, em documento semelhante a esse nosso. Aquele livro de regras articula o seguinte, como principais metas políticas e econômicas para a região:

Fortalecer a posição da Venezuela na economia internacional. Embora os termos sejam grandiosos e nebulosos, reforçam o desejo de Chavez de transformar o campo de jogo na América Latina, com a Venezuela no comando do jogo.

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ESFORÇOS POLÍTICOS PARA ROMPER A DEMOCRACIA 
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3. (S/NF) Chavez envolveu líderes políticos na região para que promovessem sua visão da região sob a bandeira da Solidariedade Latino-americana e Integração, como parte de uma campanha que muito investe no contato pessoal. Também se dedicou a engajar as populações locais para que promovam sua imagem como generoso fornecedor de projetos de ajuda social, pintando uma imagem dos EUA como elitista e favorecedor só do big business. 

Enquanto isso, clandestinamente, o governo da Venezuela oferece dinheiro e apoio material a grupos esquerdistas simpáticos aos bolivarianos, usando para isso as embaixadas da Venezuela na região, quase sempre como parte de uma campanha para ganhar cada vez mais influência, inclusive em resultados eleitorais em eleições de líderes políticos e organizações chaves, algumas das quais mantêm íntima relação com o presidente Kirchner. 

Kirchner atualmente não vê problemas em manter relacionamento próximo com Chavez, sobretudo em ano eleitoral, uma vez que Chavez continua relativamente popular na Argentina – 52% dos argentinos tinham opinião favorável sobre Chavez em dezembro de 2006 –, enquanto os EUA não são populares. Kirchner tentou manter-se publicamente distanciado das posições antiamericanas de Chavez e tentou manter a percepção de uma linha mais independente, para não afugentar a maioria dos eleitores, mas sua estratégia econômica visa, claramente, a criar laços comerciais e financeiros mais estreitos com Chavez, posicionando-se entre Chavez e Lula no espectro político regional.

Ao mesmo tempo, Kirchner procura equilibrar seu relacionamento com Chavez. Isso é evidente no apoio que Kirchner e a esposa tem demonstrado à comunidade de judeus venezuelanos, ao mesmo tempo em que ainda não deram qualquer apoio público à liberdade de expressão ou à RCTV por exemplo, presente em todos os nove estados bolivianos e muito ativos em outros setores do governo boliviano. 

O governo de Morales mantém processo de consultas freqüentes com Chavez e os dois mantêm relações profundas. O Embaixador Venezuelano à Bolívia, Julio Montes, jurou publicamente em outubro de 2006 que correria sangue venezuelano, ao lado de sangue boliviano, se a revolução boliviana fosse ameaçada. E Chavez é popular tanto entre a classe política (jornalistas de política) como entre o público em geral. 

Chavez é cada vez mais visto como rival emergente de Lula, competindo ambos pela liderança regional e ameaça ao tipo de integração progressiva latino-americana que vários governos brasileiros já tentaram encorajar. 

Contra o quadro de pouco favorecer Chavez, Lula teve um movimento favorável, quando publicamente apoiou a reeleição de Chavez e elogiou os benefícios da integração econômica com a Venezuela, apesar de, privadamente, lamentar o comportamento imprevisível e errático de Chavez e retórica grandiloquente. 

Tudo leva a crer que Lula continuará nesse modo e parece preparado para deixar que a crítica política, em relação a Chavez, separe os dois. Isso por duas razões: por causa das prioridades da política externa do Brasil com a Venezuela; e porque há alguma simpatia ideológica residual entre Lula e seu círculo íntimo, e o fanado socialismo-populista da revolução bolivariana. 

Mas líderes chilenos reconhecem que Chavez é agressivo e que tem de ser vigiado de perto. A Inteligência do Exército do Chile (DINE) informa que a Embaixada Venezuelana financia grupos bolivarianos e de esquerda.

A presidente Bachelet é socialista com certa simpatia ideológica por Chavez, mas também é pragmática e reconhece que as políticas de livre mercado bem sucedidas no Chile e o modelo que deu estabilidade política ao país são preferíveis a qualquer oferta que Chavez faça. Resultado disso, o Chile continua a promover sem alarde o próprio modelo, e Bachelet não se oporá publicamente a Chavez.

Muitos líderes paraguiaos (tanto da oposição quanto do Partido Colorado que está no governo) desconfiam dos motivos que inspiram Chavez e têm manifestado preocupação com sua interferência na política interna do Paraguai. O acordo entre Venezuela e Bolívia para fortalecer a ajuda militar que a Bolívia recebe também aumenta essas preocupações. 

Ao mesmo tempo, o presidente Duarte deu um passo à esquerda, na retórica, e aplaudiu a visão chavista ao longo dos últimos dois meses; está tentando superar a ameaça, contra o poder dos Colorados dentro do governo, para as eleições de 2008, representada pelo padre esquerdista Fernando Lugo, que lidera as pesquisas. 

Embora haja fracos sinais de que a campanha de Lugo esteja recebendo financiamento significativo, há quem diga que a Embaixada Venezuelana ofereceu-lhes apoio, por ordem direta de Chavez, e que a campanha de Lugo reagiu favoravelmente. 

Vários pequenos grupos, a maioria de estudantes ou organizações da sociedade no Paraguai recebem apoio financeiro e material da Venezuela, mas até agora são grupos pouco influentes na cena social; funcionários de prefeituras disseram a elementos dessa embaixada que a Venezuela oferece treinamento a líderes camponeses, para prepará-los para liderar movimentos sociais. A Venezuela pagou os custos das viagens de centenas de paraguaios pobres, que voaram até Cuba para fazer cirurgias nos olhos. A Venezuela parece estar conseguindo algumas conversões, no plano das massas – ao mesmo tempo em que as elites mostram-se cada vez mais preocupadas.

– No Uruguai, a influência da Venezuela cresce, mas ainda é pequena. Chavez esteve mais visível e mais ativo nas vésperas de a Venezuela entrar no Mercosul, mas depois seu interesse parece ter arrefecido. Muito funcionários uruguaios riem-se de suas falas, pelas costas dele. Mas em público, são rápidos em agradecer a Chavez e aproveitar-se das vantagens econômicas (sobretudo petróleo) que Chavez parece disposto a distribuir. Chavez, por exemplo, doou 20 milhões de dólares ao centro de tratamento de câncer de um hospital público (o presidente Tabaré Vazquez é médico oncologista e a doação parece visar diretamente a agradá-lo.) Chavez também investiu em empresas comerciais e financeiras que enfrentam dificulades.

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ESTRATÉGIAS ECONÔMICAS PARA ESTRANGULAR O LIVRE COMÉRCIO 
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4. (U) Chavez usa seus petrodólares para fazer avançar objetivos políticos e econômicos na região. Tem buscado agressivamente acordos de energia em troca de apoio a objetivos políticos, como, dentre outros, a admissão da Venezuela no Mercosul e a criação do Banco Bancosur. No processo, tem contribuído para crescente politização do Mercosul e feito aumentar a resistência contra a ALCA. (...)

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MERCOSUL: O RABO SACUDINDO O CACHORRO?
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5. A entrada da Venezuela no Mercosul claramente alterou o equilíbrio de poder e a dinâmica da organização. O Mercosul claramente evoluiu de união aduaneira imperfeita para organização política mais restritiva e antiamericana. Exemplo claro do dano que causou a entrada da Venezuela vê-se na questão do assento não-permanente no CSONU. Depois de mais de 50 votações sucessivas, os membros do Mercosul continuavam a apoiar a candidatura da Venezuela. Mas a solidariedade dos membros do Mercosul só durou até que se mencionou o Uruguai como outro possível candidato. A Argentina disse que vetou o movimento e o Brasil tampouco parece apoiar o Uruguai. Em várias ocasiões os ministérios de Relações Exteriores de Paraguai e Uruguai sinalizaram que teriam de consultar outros membros do Mercosul sobre questões chave de política exterior.

6. No Uruguai, é voz corrente que a inspiração para que o Brasil apóie a admissão da Venezuela ao Mercosul é a crença de que Chavez pode ser mais facilmente controlado de dentro da organização, do que se for deixado solto, fora dela. Considerado em geral, parece contrudo que Chavez pode ser ainda mais difícil de controlar do que os membros do Mercosul supunham. Chavez desafiou abertamente os brasileiros, ao apoiar e supostamente encorajar  Evo Morales a emcampar as instalações da Petrobras na Bolivia e várias vezes roubou a cena nas reuniões do Mercosul onde o presidente Lula do Brasil reinava. Esses atritos, por outro lado, abrem oportunidades. (...)

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O PODER DA MÍDIA DE MASSA 
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8. (U) Em vários países da AL, campanhas agressivas de doutrinação pela mídia induzem o apoio a Chavez e ao seu plano para constituir uma América Latina Bolivariana, como bloco de oposição aos EUA. A Telesur da Venezuela é a principal fonte de emissão de propaganda anti-EUA e visa sobretudo as populações rurais e mais pobres em todos os países da regiaçao. Essa embaixada suspeita que o governo da Venezuela esteja envolvido em operação para influenciar a mídia argentina, cujos veículos são abastecidos com retórica antiamericana. 

Na mídia impressa na Argentina, o jornal que mais claramente trabalha a favor de Chavez é jornal esquerdista pró-governo, Pagina/12. 

Pagina/12 não criticou o fechamento da RCTV, questão que todos os grandes jornais da mídia impressa na Argentina noticiaram como agressão à liberdade de imprensa (como La Nacion e Clarin. O Grupo Clarín, como é típico do tipo de jornalismo que faz é essencialmente neutro em relação a Chavez, que nem apóia nem critica declaradamente. Vários jornais fazem forte oposição a  Chavez, entre os quais La Nacion, Ambito Financiero e La Prensa.

O Governo da Argentina comprou 20% das ações sem direito a voto da Telesur e contribui, sobretudo, com conteúdo em termos de material para televisão. A Direct TV, com base em Miami mantém um canal dedicado à Telesur, mas o serviço só alcança pequena porcentagem de argentinos. Alguns programas diretos de Telesur são exibidos pelo canal estatal Channel 7, o qual, contudo, recentemente, tirou os programas de Telesur do horário nobre e passou a transmiti-los depois da meia noite. (...)

– Em abril de 2006, a Bolivia comprou 5% da Telesur a partir de Caracas, proposta por Chávez como alternativa latinoamericana à programação da CNN. (...) Pesquisas recentes mostram que cerca de 77% dos chilenos não aceitam o que Chavez oferece. 81% entendem que Chavez é movido por razões de autopromoção. A mídia negativa, em 2006, noticiou que muitos dos chilenos levados para serem operados [de catarata] na Venezuela acabaram cegos.

– O Uruguai é dono de 10% da Telesur (à qual fornece conteúdo) e o canal estatal tem transmitido quantidades maiores de propaganda conspiracional anti-EUA, nos últimos meses. Na mídia impressa, Chavez só conta com o apoio do esquerdista La Republica que o apóia abertamente nas manchetes, enquanto o conteúdo das matérias é mais moderado. Os jornais populares e centristas, em geral, fazem oposição a Chavez.

9. (S) No início de abril 2007, jornais brasileiros indicavam que a Venezuela tentava desacreditar as posições do Brasil, a favor da Venezuela, por vários meios. Por exemplo, no final de 2006, funcionários da Embaixada da Venezuela em Brasília foram acusados de oferecer dinheiro a uma fonte jornalística no Brasil, em troca da publicação de artigos pró-Chavez e anti-EUA. (ref. B) (...) 

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COMMENT
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11. (S/NF) A camapanha de Chavez para expandir sua influência no Cone Sul é multifacetada e depende fortemente, mas não exclusivamente de assistência generosa no campo da energia e acordos de investimento. É atraente para muitos dos despossuídos da região que ainda esperam pelos benefícios que a globalização lhes trará em termos de livre comércio e governança democrática. Ao integrar a Venezuela nas instituições existentes e criar novos corpos regionias, Chavez visa a unificar o Cone Sul sob sua visão. A campanha tem produzido resultados misturados. Alguns países mostraram capacidade para resistir à sedução da Venezuela, com seus pacotes de ajuda e investimentos. Enquanto a influência de Chavez expandiu-se significativamente na região, há líderes regionais que suspeitam de seus motivos e intenções. Muitos concordam com sua mensagem de que o Cone Sul e, de fato, toda a América Latina devem fixar uma identidade separada da hegemonia dos EUA, mas ressentem-se dos EUA ou de outros que definam a mensagem deles. Os EUA não podem esperar que líderes regionais mobilizem-se para nos defender. Cabe aos EUA sermos mais proativos e defender nossa causa e implementar nossa estratégia transparente para a região. 

Nossa visão de uma comunidade democrática inclusiva de nações, que ofereça perspectivas de futuro mais próspero para seus coidadãos é a resposta certa para Chavez. Essa embaixada apresentará sugestões reunidas nas embaixadas da região, de o que fazer para responder melhor. Claro que precisamos de melhores recursos e de melhores ferramentas para fazer frente aos esforços políticos da Venezuela, que visa a fazer fracassar as estratégias de economia democrática, e impedir que se fixem no Mercosul as políticas favoráveis ao estreitamento dos laços de defesa comum e campanhas de mídias de massas.

12. (U) Colaboraram para esse telegrama as embaixadas de Asuncion, Brasília, Buenos Aires, La Paz, Montevideo e Santiago. [assina] CASON