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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Jeremy Hammond: Websites oficiais invadidos - Brasil, Turquia, Síria, Porto Rico, Colômbia, Nigéria, Irã, Eslovênia, Grécia e Paquistão

“Os EUA usaram Sabu e, por extensão, me usaram, para fazer ilegalmente o que não podiam fazer legalmente”

16/11/2013, Dell Cameron, The DailyDot
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ver também:
12/11/2013, redecastorphoto em: Os revolucionários que vivem entre nós

Jeremy Hammond por Molly Crabapple

Jeremy Hammond, hackativista de 28 anos, foi sentenciado a 10 anos de prisão, na 6ª-feira, por participação no hacking da empresa privada de inteligência Stratfor. Mas a extensão da pena imposta a ele acabou por encobrir a acusação que ele fez contra o FBI durante a audiência de sentença.

Conforme documento distribuído por pastebin, postado por importante pesquisador de segurança, Hammond foi convencido por um informante do FBI a empreender ações de hacking contra vários governos estrangeiros. Foi o que ele tentou dizer, na declaração que leu na audiência de sentença, na 6ª-feira.

O documento ainda não está integralmente confirmado, mas testemunhas presentes na sala de audiência dizem que quando Hammond estava lendo sua declaração à Corte, a juíza Loretta Preska o interrompeu. As testemunhas dizem que a juíza Preska o interrompeu no meio da frase, depois que ele já citara três países – Turquia, Irã e Brasil. A juíza disse: “Sr. Hammond, acabamos de falar sobre omitir os países. Gostaria que o senhor não citasse países”.

Loretta Preska
Imediatamente depois de anunciada a sentença de Hammond, Sparrow Media e outros blogs publicaram o texto de sua declaração – mantendo as omissões que a juíza ordenara, por temor de que qualquer ação diferente dessa pudesse prejudicar Hammond.

Uma hora depois de anunciada a sentença, Jacob Appelbaum, conhecido pesquisador de segurança de computadores e associado a WiliLeaks distribuiu um documento por pastebin, que se supõe que seja uma versão não censurada da declaração de Hammond ao tribunal.

Ver tuítes em:
Jacob Appelbaum
Conforme o documento de pastebin, o FBI, servindo-se de um informante, entregou chaves a Hammond que lhe permitiram invadir sistemas de computadores de governos estrangeiros. Hammond, sem saber que recebera do FBI aquelas chaves, baixou todos os dados que obteve para um servidor controlado pelo FBI. Os agentes federais repetiram o mesmo processo várias vezes, tomando como alvo vários diferentes países.

Antes que a juíza o mandasse calar, tudo leva a crer que Hammond tentava revelar essa informação e os nomes dos países atacados, na presença da imprensa.

Hammond disse ao tribunal:

Essas intrusões, as quais foram todas sugeridas por Sabu quando já cooperava com o FBI, afetaram milhares de nomes de domínio; na grande maioria eram páginas oficiais de governos estrangeiros.

Adiante, se soube que Sabu, conhecido hacker cujo verdadeiro nome é Hector Xavier Monsegur, era informante do FBI.

Sabu também forneceu a Hammond listas de alvos vulneráveis a “zero day exploits” usadas para invadir sistemas, inclusive uma poderosa vulnerabilidade de raiz que afeta o conhecido e popular programa Plesk – lê-se no documento que Appelbaum publicou por pastebin. A pedido de Sabu, aquelas páginas foram invadidas, e os e-mails e bancos de dados descarregados no servidor FBI que Sabu usava, e foram-lhe fornecidas informações de senhas e a localização das “root backdoors”.

Desenhos de Molly Crabapple feitos na corte durante o julgamento 
(Clique na imagem para visualizar e ler os "balões")
O documento diz que mais de 2.000 domínios foram atacados entre janeiro e fevereiro de 2012 por instruções do FBI. Brasil, Turquia, Síria, Porto Rico, Colômbia, Nigéria, Irã, Eslovênia, Grécia e Paquistão são nomeados ali como países alvos de ataques, e o documento diz que houve ainda outros países. (...)

“Tudo isso aconteceu sob controle e supervisão do FBI” – diz o documento, que acrescenta que essas declarações são comprovadas em documentos que a defesa de Hammond apresentou ao tribunal durante o processo. A extensão total dos “abusos” cometidos pelo FBI, diz o documento, talvez jamais seja revelada, porque muitas das provas exibidas durante o julgamento foram protegidas por uma ordem de sigilo, da juíza.

O documento de pastebin conclui solicitando que todas as provas exibidas durante o julgamento de Hammond sejam tornadas públicas.

Runa Sandvik
repórter
Acredito que esses documentos comprovarão que as ações do governo dos EUA vão muito além de caçar hackers e impedir crimes “de computador”.

À repórter que lhe perguntou, pelo Twitter, sobre a autenticidade do documento publicado por pastebin, Appelbaum respondeu:

Foi vazado por gente que sabe. É verdadeiro. 

Ver tuíte em:
Embora a autenticidade do documento distribuído por pastebin não tenha sido confirmada e deva ser tratado com extrema cautela, Hammond já fez, antes, declarações semelhantes sobre Sabu e o FBI.

O que poucos sabem é que Sabu também foi usado por gente que o controlava, para conseguir invadir alvos que o governo selecionava – inclusive inúmeras páginas oficiais de governos estrangeirosHammond escreveu em agosto em FreeJeremy.net. O que os EUA não conseguiam fazer legalmente, usaram Sabu e, por extensão, eu e outros acusados agora no mesmo processo, para fazer ilegalmente.





terça-feira, 12 de novembro de 2013

Os revolucionários que vivem entre nós

Não deixem a paranoia e o medo afastá-los do ativismo. Trabalhem anônimos!

11/11/2013, [*] Chris Hedges, Truthdig
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Jeremy Hammond
NEW YORK – Jeremy Hammond estava sentado no Centro Correcional Metropolitano de New York, semana passada, numa pequena sala reservada para visitas dos advogados. Vestia o macacão de prisioneiro, largo demais. Muito alto e muito magro, o cabelo cai-lhe sobre as orelhas e está com uma barbicha rala. Falou com a clareza e a intensidade que se espera de um dos mais importantes prisioneiros políticos hoje presos nos EUA.

Sexta-feira, o ativista, de 28 anos, comparecerá para ouvir a sentença ante a Corte Distrital Sul de New York em Manhattan. Depois de ter-se declarado culpado, em troca de um acordo para reduzir a sentença, encara agora a possibilidade de ser condenado a 10 anos de prisão, por ter invadido os computadores da empresa de segurança privada Strategic Forecasting Inc., ou Stratfor, do Texas, que presta serviços sob contrato ao Departamento de Segurança Interna dos EUA; ao Marine Corps; à Agência de Inteligência do Departamento de Defesa e a inúmeras empresas entre as quais a Dow Chemical e a Raytheon.

Quatro outros envolvidos na mesma ação de hacking foram condenados na Grã-Bretanha, e todas as penas deles somadas – a mais longa foi de 32 meses – são muitíssimo menores que a pena possível de 120 meses que ameaça Hammond.

Hammond entregou o material todo à página WikiLeaks e à revista Rolling Stones e a outras publicações. Os três milhões de e-mails, quando tornados públicos, expuseram as ações de infiltração, monitoramento e vigilância contra manifestantes e dissidentes, sobretudo do movimento Occupy, feitas a serviço de empresas privadas e do estado de segurança nacional. Foi quando todos ficamos sabendo, comprovadamente, e talvez seja a revelação mais importante, que as leis antiterrorismo estão sendo aplicadas rotineiramente pelo governo federal dos EUA para criminalizar dissidentes democráticos não violentos, e para associar, falsamente, dissidentes norte-americanos e organizações internacionais terroristas. Hammond não procurava ganho financeiro. E nada recebeu.

Os e-mails que Hammond tornou de conhecimento público são parte das provas que instruem a ação que movi contra o presidente Barack Obama, nos termos da seção 1.021 da Lei de Autorização de Defesa Nacional [orig. National Defense Authorization Act (NDAA)]. Essa seção 1.021 permite que militares prendam cidadãos que o estado acuse de serem terroristas, permite negar-lhes o devido processo legal e mantê-los presos por tempo indefinido em instalações militares. Alexa O'Brien, estrategista de conteúdo e jornalista, co-fundadora de US Day of Rage [Um dia de Fúria-EUA], organização criada para reformar o processo eleitoral, é um dos coautores, comigo, naquela ação.

Katherine Forrest
Empregados da empresa Stratfor tentaram – e sabe-se pelos documentos que Hammond vazou – associar falsamente ela e sua organização a islamistas radicais e respectivas páginas de Internet, e à ideologia jihadista, pondo-a sob a ameaça de ser presa, nos termos da nova lei. A juíza Katherine B. Forrest decidiu, em parte por causa das informações vazadas, que nós tínhamos motivos razoáveis para ter medo, e anulou os efeitos da lei – decisão que foi anulada num tribunal de apelação, quando o governo Obama recorreu contra ela.

O estado-empresa já cancelou a liberdade de imprensa e a proteção legal a quem exponha abusos e mentiras praticados pelo estado e pelo governo. Daí resultaram o autoexílio de jornalistas investigativos como Glenn Greenwald, Jacob Appelbaum e Laura Poitras, além do processo contra Barret Brown. Todos os atos de resistência – inclusive o protesto não violento – já foram decididos, pelo estado-empresa, como atos terroristas. A imprensa foi castrada pelo uso repetido, pelo governo Obama, da Lei Antiespionagem [orig. Espionage Act], para acusar e condenar os tradicionais “tocadores de alarme” [orig. whistle-blowers].

Funcionários do estado e do governo norte-americano, que tenham consciência, estão aterrorizados e não procuram jornalistas, sabendo que o controle “no atacado” de tudo que se diga ou escreva pelos veículos de comunicação eletrônica é material rastreado e os torna facilmente identificáveis. E políticos eleitos ou o Judiciário já não impõem qualquer restrição à espionagem contra os cidadãos, ou eles mesmos nos espionam.

A última linha de defesa que nos resta são gente como Hammond, Julian Assange, Edward Snowden e Chelsea Manning, capazes de entrar dentro dos registros do estado de vigilância e controle, e que têm a coragem para entregar aos cidadãos o que lá encontrem. Mas o preço da resistência é muito alto.

Sarah Harrison
Nesses tempos de secretude e abuso de poder, só há uma solução: a transparência, escreveu Sarah Harrison, a jornalista britânica que acompanhou Snowden à Rússia e, de lá, partiu para o exílio, em Berlin.

Se os nossos governos já estão tão comprometidos a ponto de não dizer jamais a verdade, temos de avançar e pegá-la. Desde que se tenha em mãos as provas inequívocas, documentos, fontes primárias, é possível lutar e resistir. Se o governo não nos dá informação verdadeira, temos de tomá-la, nós mesmos.

Quando os “vazadores”, “tocadores de alarme”, nossos sentinelas, avançam e chegam à verdade, temos de lutar por eles, para que outros se sintam encorajados a avançar, continua ela...

Quando caem, temos de ser a voz deles. Quando são caçados, temos de garantir-lhes abrigo e escudo. E quando são encarcerados, temos de libertá-los. Dar a verdade à maioria não é crime. Os dados são nossos, a informação é nossa, é nossa história. Temos de lutar por eles. Coragem é contagiosa.

Bradley (Chelsea) Manning e Julian Assange
Hammond sabe desse contágio. Estava em casa, em Chicago, vivendo em regime de prisão domiciliar das 7h às 19h, condenado pela prática de vários atos de desobediência civil, quando Chelsea (então ainda Bradley) Manning foi presa por entregar a WikiLeaks informação secreta sobre crimes de guerra praticados por militares e mentiras do governo. Hammond, naquela época tocava programas sociais de ajuda para alimentar pobres famintos e enviar livros a prisioneiros. Ele tem, como Manning, especial talento para ciências, matemática e linguagens de computador, e sempre teve, desde menino. Invadiu os computadores de uma loja local da Apple, aos 16 anos. Invadiu a página do departamento de ciência computacional da University of Illinois-Chicago, no primeiro ano de universidade, ato pelo qual a universidade não o admitiu à universidade no ano seguinte, quando voltou das férias.

Foi precoce apoiador da “ciber-libertação” e em 2004 iniciou um jornal “jornal de desobediência eletrônica(o)” que batizou de Hack This Zine. Conclamou os hackers, em palestra na Convenção DefCon, em 2004, em Las Vegas, a usar suas competências e talentos para tumultuar a Convenção Nacional Republicana anual. Quando foi preso, em 2012, era uma das invisíveis estrelas do underground do ativismo hacker, dominado por grupos como Anonymous e WikiLeaks, nos quais só o anonimato e rígidas regras de segurança eletrônica, com frequentes troca de apelidos, garantiam o sucesso e a sobrevivência. A coragem de Manning induziu Hammond a praticar o seu próprio grande gesto de ciber-desobediência civil, embora soubesse que corria alto risco de ser identificado.

Vi o que Chelsea Manning fez – disse Hammond, quando falou na 5ª-feira (1/11/2013) passada, sentado a uma mesa de metal.

Com seu hacking, ela entrou no jogo e tornou-se alguém que mudou o mundo. Correu riscos tremendos, para mostrar a feia verdade sobre a guerra. Perguntei a mim mesmo: se ela pode correr esse risco, por que eu não poderia? Não estaria errado eu, ali, confortavelmente sentado, trabalhando nas páginas de “Comida, não bombas”, quando eu tinha competência para fazer algo parecido? Eu também podia fazer diferença. A coragem dela empurrou-me a agir.

Black Bloc Anarquistas
Hammond – que tem tatuagens pretas nos dois antebraços, num o símbolo do movimento de ciberativistas a favor da fonte aberta, conhecido como “o glider[1]; no outro, o hexagrama 7 do I Ching, “A Multidão” – é versado no pensamento radical. Na adolescência, migrou sem conflito, da ala liberal do Partido Democrata para a militância dos Black Bloc anarquistas. Foi leitor ávido, no ginásio, de material publicado pelo coletivo anarquista CrimethInc, [2] que publica literatura e manifestos anarquistas. Seu pensamento foi moldado por radicais da velha escola, como Alexander Berkman e Emma Goldman e revolucionários negros como George Jackson, Elaine Brown e Assata Shakur, além de membros do Weather Underground.

Disse que, enquanto esteve em Chicago fez várias viagens para visitar o Monumento aos Mártires de Haymarket, que homenageia quatro anarquistas enforcados em 1887 e outros que lutaram nas guerras do trabalho nos EUA. Aos pés do monumento de mais de 4m de altura, leem-se as últimas palavras de um dos condenados, August Spies: “Dia virá, quando nosso silêncio será mais poderoso que a voz que vocês sufocam hoje”. Emma Goldman está sepultada ao lado.

Monumento aos Mártires de Haymarket
Hammond tornou-se bem conhecido do governo por uma série de atos de desobediência civil ao longo da última década. Vão de pintar graffitis antiguerra em muros de Chicago, para protestar contra a Convenção Nacional do Republicanos em 2004, a invadir a página do movimento direitista Protest Warrior, ação pela qual foi condenado a dois anos de prisão no Instituto Correcional em Greenville, Illinois.

Disse que hoje luta como “comunista anarquista” contra “a autoridade do estado centralizado” e contra “corporações exploradoras”. Seu objetivo é construir “coletivos sem líderes baseados na livre associação, no consenso, na ajuda mútua, na autossuficiência e na harmonia com o meio ambiente”. É essencial, ele disse, que todos cortemos nossos laços pessoais com o capitalismo e nos engajemos na “organização de protestos, greves e boicotes de massa”. Hackear e vazar, ele disse, são parte dessa resistência – “ferramentas eficientes para revelar as feias verdades do sistema”.

Hammond passou meses dentro do movimento Occupy em Chicago. Abraçou suas “estruturas sem liderança nem hierarquia, como as assembleias gerais e os consensos, e ocupando espaços públicos”. Mas criticou fortemente a, como disse, “política vaga” em Occupy, que acolheu seguidores do libertarista Ron Paul, gente do Tea Party, além de “liberais reformistas e Democratas”. Hammond disse que não estava interessado em movimento que queria “apenas uma forma “mais suave” de capitalismo, e trabalhava por reformas, não por revolução”. Permanece firmemente enraizado no ethos do Black Bloc.

Disse que: Estar preso foi o que realmente abriu meus olhos para a realidade do sistema da justiça criminal...

(...) não é sistema de justiça criminal que tenha algo a ver com segurança ou reabilitação. Só fazem recolher os lucros do encarceramento em massa. Há dois tipos de justiça – uma para os ricos e poderosos que cometem os grandes crimes e se safam; outra para o resto de nós, especialmente para pretos pobres e os que perderam tudo. Julgamento justo é coisa que não existe. Em mais de 80% dos casos as pessoas são pressionadas para confessar, em vez de se beneficiar do direito de serem julgadas, sob a ameaça de sentenças longuíssimas. Acredito que não há reforma satisfatória possível. Temos de fechar todas as prisões e libertar todos os presos, sem condições.

Disse que (...) esperava que seu ato de resistência encorajasse outros, como a coragem de Manning o inspirou. Disse que os ativistas têm de conhecer e aceitar a repercussão pior possível antes de iniciar qualquer ação, e que têm de estar conscientes das operações de contrainteligência/vigilância que existem contra nossos movimentos.

Hector Xavier Monsegur,
o traidor Sabu
Um informante que se fez passar por companheiro, Hector Xavier Monsegur, conhecido online como “Sabu”, entregou Hammond e outros, réus no mesmo processo, ao FBI. Monsegur armazenou dados obtidos por Hammond num provedor externo em New York. Essa tênue conexão com a cidade permitiu que o governo processasse Hammond em New York, por ação de hacking feito de sua casa, em Chicago, contra uma empresa privada de segurança cuja sede está no Texas. New York é o centro das ações judiciais que o governo Obama move, em sua chamada ciberguerra; é exatamente onde as autoridades federais, pelo que se viu, queriam que Hammond fosse investigado e acusado.

Hammond disse que continuará a resistir de dentro da prisão. Algumas infrações menores, como ter tido resultado “positivo” em testes para consumo de drogas, com outros prisioneiros de sua ala, que contrabandearam maconha para dentro da prisão, custaram-lhe o direito de receber visitas por dois anos e “tempo na caixa” [cela solitária]. Pode ver jornalistas, mas meu pedido de entrevista demorou dois meses para ser aprovado. Disse que prisão implica “muito tédio”. Joga xadrez, ensina guitarra e ajuda outros prisioneiros nos estudos para os exames do General Educational Development (GED). Quando nos encontramos, ele estava trabalhando na redação da declaração, um manifesto pessoal, que lerá no tribunal, essa semana.

Insistiu que não se vê como diferente dos demais prisioneiros, especialmente os negros pobres, presos por crimes comuns, quase todos relacionados a drogas. Disse que há ali muitos outros prisioneiros políticos, encarcerados injustamente por um capitalismo totalitário que sufocou as oportunidades básicas para a divergência democrática e a sobrevivência econômica.

Disse que:

(...) a maioria dos pobres que estão na prisão fizeram o que fizeram, para sobreviver.

Quase todos eram muito pobres. Foram apanhados na guerra às drogas que, hoje, é o modo de ganhar a vida se você é pobre. A razão verdadeira por que estão na cadeia por tanto  tempo é que, assim, as empresas que administram as cadeias podem lucrar muito. Não se trata de justiça. Não vejo diferença alguma entre eles e eu.

Cadeia é, na essência, aguentar abuso e condições de desumanização, com frequentes solitárias e espancamentos. Você tem de constantemente lutar pelo respeito dos guardas, às vezes já sabendo que vai acabar na solitária. Mas não é porque estou preso que vou mudar o modo como vivo. Continuarei a desafiar, agitar e organizar sempre que conseguir.

Disse que a resistência tem de ser um modo de vida. Planeja voltar às tarefas de organização de comunidades quando for solto, embora, disse, vá fazer o possível para não ser novamente preso. “A verdade”, disse, “sempre aparece”.

Alertou os ativistas para manterem-se hipervigilantes e conscientes de que “um erro pode ser para sempre”. Mas, ele completou:

Não deixem a paranoia e o medo afastá-los do ativismo. Trabalhem anônimos!




Notas dos tradutores

[1] O glider (lit. “uma espécie de asa, para voo controlado; variante do paraquedas”) não tem nem marca registrada nem copyrights. Se quiser usá-lo em sua página, aqui vão as linhas que você pode copiar-colar:
hacker emblem

Entre os dias 8-23/11, a organização está promovendo um circuito de palestras, por várias cidades dos EUA, a serem apresentadas por “companheiros do Brasil”, que falarão sobre “Os levantes de 2013 no Brasil”. Bom serviço prestariam se falassem aqui. Mas... pois é.
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Chris Hedges escreve regularmente coluna no blog Truthdig.com. Formou-se na Harvard Divinity School e foi durante quase duas décadas correspondente no exterior do The New York Times. É autor de muitos livros, incluindo: War Is A Force That Gives Us Meaning, What Every Person Should Know About War, e American Fascists: The Christian Right and the War on America. Seu livro mais recente é Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of Spectacle.

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Saiba mais sobre Jeremy Hammond e o traidor Sabu (Hector Xavier Monsegur):


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quarta-feira, 14 de março de 2012

Enquanto SABU estava operando: O que AntiSec escreveu sob supervisão do FBI

14/3/2012,Timeline of ANTISEC as Created and Operated Under FBI Supervision”  Distribuída por @YourAnonNews, 14/3/2012, by Twitter
Traduzido (a partir de 20 de dezembro de 2011) pelo pessoal da Vila Vudu


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Sabu
Ver também, sobre a prisão do Anonymous-SABU:
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20 Dezembro 2011
SABU tuíta que dedos-duros são “um câncer na nossa sociedade”
(http://goo.gl/iCSD7) <– \o/ \o/

23 Dezembro 2011
SABU solicita repetidamente dados/vazamentos/vulnerabilidades do pessoal, pelo Twitter (http://goo.gl/eJ6pr http://goo.gl/yQsov | http://goo.gl/VR7CQ).

24-26 Dezembro 2011
Como parte das comemorações do LulzXmas, AntiSec anuncia que invadiu o think tank norte-americano global Stratfor. 860 mil endereços de e-mail; capturados 75 mil números de cartões de crédito e, adiante, distribuídos publicamente (http://pastebin.com/f7jYf5Wd |http://pastebin.com/q5kXd7Fd)

Dezembro 2011
SABU assume, pelo Twitter, todos os créditos do sucesso da operação HBGary (http://goo.gl/qcRnT), em resposta @Bitchiest[1].

The Real Sabu @anonymouSabu
@ Bitchiest Todos os meus [trabalhos de hacking] estão super documentados em todas as mídias sociais e públicas. HBGary, obviamente, foi trabalho meu, do começo ao fim

29 Dezembro 2011
ANTISEC captura e distribui dados de uma empresa fornecedora das Forças Especiais  SpecialForces.com (http://pastebin.com/QSX0XYiD )

1 Janeiro 2012
ANTISEC captura e distribuiu dados da Associação de Policiais da California (California State LawEnforcement Association, CSLEA). Mirror: http://www.zone-h.org/mirror/id/16495620. Captura e distribui também dados da Associação dos Chefes de Polícia do Estado de NY (New York StateAssociation of Chiefs of Police) (http://pastebin.com/gZ9pm207 ).

1 Janeiro 2012
SABU ameaça os “chapéus brancos” [os especialistas em serviços de segurança de dados, empregados de empresas] e agências de policiais, pelo Twitter (http://goo.gl/OW0Pw ).

6 Janeiro 2012
SABU estimula e encoraja o pessoal a distribuir vazamentos da Norton de segurança http://goo.gl/dnwsa.

16 Janeiro 2012
SABU incita a ciberguerra (http://goo.gl/v6cEa).

The Real Sabu @anonymouSabu
Adoro o cheiro de ciberguerra de manhã. #fuckisrael
10h33, 16/1/2012, via web ·Incorporar este Tweet

20 Janeiro 2012
SABU incita o pessoal a deixar de lado os tangodowns [operações mais “leves”, “for the lulz”] e a concentrar-se em operações mais sérias: sites de compras online, lojas, servidores de agências de publicidade, servidores que distribuem conteúdos para a rede (http://goo.gl/eQxH2).

20 Janeiro 2012
SABU incita o pessoal a baixar coisas ilegais, violar direitos de copyright (http://goo.gl/7srEg).

The Real Sabu @anonymouSabu
<-- Quero dizer: Chuva de downloads. Piratagem em massa. Baixem muitos filmes.
Compartilhem vídeos c/amigos. Apoiem The Pirate Bay e Megaupload.
(12:36, 20/1/2012, via web) · Incorporar este Tweet

21 Janeiro 2012
SABU indica, como “Alvo”, várias páginas antipirataria e org semelhantes (http://goo.gl/8A9uq)

The Real Sabu @anonymouSabu
Alvo: Páginas antipirataria e semelhantes, pelo mundo. Os artistas que apóiam SOPA/PIPA e leis semelhantes também têm de ser enquadrados
(17:28, 21/1/2012, via web) · Incorporar este Tweet


30 Janeiro 2012
SABU incita os “hackers de todo o mundo” a atacar “comunicações dos governos” (http://goo.gl/oLfps):

The Real Sabu @anonymouSabu
Hackers de todo o mundo uni-vos. Ajudem seus irmãos e irmãs. Usem suas habilidades pra interromper as comunicações dos governos, pela causa.
(5:52, 30/1/2012, via Twitter for BlackBerry®

Fevereiro 2012
AntiSec desmonta a página do escritório de advocacia Puckett & Faraj, em protesto contra o veredicto no massacre de Haditha. Mensagens de e-mail do escritório são distribuídos (http://goo.gl/7XWVk).

Fevereiro 2012
ANTISEC distribui vídeo de conversa entre agentes do FBI sobre a investigação do caso Anonymous:[2].

17 Fevereiro 2012
AntiSec invade e desmonta páginas da Comissão Federal de Comércio dos EUA [US Federal Trade Commission (FTC)] (http://pastebin.com/2qfEqS1p). [Quem tentasse entrar naquela página encontrava lá, entre outras coisas, o seguinte poema, aqui traduzido]:

O DESCONHECIDO: Poema

Como sabemos,
Há sabidos sabidos.
Há coisas que sabemos que sabemos.
Também sabemos
Que há não sabidos sabidos.
Quer dizer
Sabemos que há coisas
Que não sabemos.
Mas também há não sabidos não sabidos,
Que são as coisas que
Não sabemos que não sabemos

D.H.Rumsfeld (poeta norte-americano e drag queen super-sexy)


21 Fevereiro 2012
SABU tuíta, “Enquanto incendiamos os bancos deles, incendiaremos os websites deles. MinistryOfJustice.gr” (http://goo.gl/YrinH).

22 Fevereiro 2012
SABU distribui o que parece ser informação falsa sobre AnonymousAustria (http://goo.gl/NlyLI | http://goo.gl/Jfnwf | http://goo.gl/RY4do)

24 Fevereiro 2012
SABU fornece a hackers AntiSec, sem que lhe peçam, credenciais e senhas de acesso a seis páginas do governo brasileiro (http://pastebin.com/pqimeV3n)

6 Março 2012
São presos seis supostos Anonymous e supostos hackers LulzSec:
(1) Ryan Ackroyd / Kayla
(2) Jake Davis / Topiary
(3) Darren Martyn / pwnsauce
(4) Donncha O'Cearrbhail /palladium
(5) Jeremy Hammond / Anarchaos/sup_g e
(6) Hector Monsegur / SABU


Documentos importantes relativos às prisões de 6 Março 2012:

(1) Acusação formal contra Hector Xavier Monsegur, arquivada na Corte Judicial Federal, Distrito Sul da cidade de New York: (http://goo.gl/liy9z)

(2) Documento pelo qual é modificada a acusação contra Hector Xavier Monsegur, em troca de ele cooperar com o governo: (http://goo.gl/LQlrs

(3) São oficializadas na Corte Judicial Federal, Distrito Sul da cidade de New York as queixas-crime contra Ryan Ackroyd, Jake Davis, DarrentMartyn e Donncha O’Cearrbhail: (http://goo.gl/OnI0G)

(4) Queixa-crime emendada contra Donncha O’Cearrbhail: (http://goo.gl/4aUqY)

(5) Queixa-crime formalizada contra Jeremy Hammond: (http://goo.gl/U9VEr)




Notas dos tradutores
[1] Alguns tuítes estão aqui traduzidos. Nos endereços indicados, todos podem ser lidos em inglês.