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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Quem pagará pela derrota do golpe contra Assad?

15/10/2013, Al-Manar TV, Líbano (trad. árabe-inglês de Sara Taha Moughnieh)
Traduzido para o português pelo pessoal da Vila Vudu

(...) Moussawi entende que o período pré-Genebra-2 é mais importante que qualquer anúncio que se faça durante a conferência, porque os resultados da conferência internacional já estão sendo negociados hoje [outubro/2013, data desta matéria (NTs)], e a conferência será ocasião, apenas, para divulgar o documento final e tirar fotografias para os arquivos.

Entreouvido na Tendinha do Oco do Mundo na Vila Vudu: Pelo que se sabe hoje, um mês depois desta matéria, dia 10/11/2013, a conferência Genebra-2 pode ser ocasião também para que o mundo veja, bem exposta, a violência da entidade sionista e o papel vergonhoso que a França de Hollande & Fabius faz hoje, ante o mundo, como a última “aliada” que resta aos sionistas ocupantes.

Mapa político do Oriente Médio
(clique no mapa para visualizar melhor)
As abordagens sobre a possibilidade de um acordo amplo na Região diferem entre os analistas políticos. Alguns entendem que o curso dos eventos aponta para um alívio, que resultará de acordos amplos a serem firmados, mas que demorarão até chegarem à forma definitiva; um acordo que comece na Síria, para incluir negociações de questões regionais, até que se possa considerar a possibilidade de um pacote que trate do futuro da região; outros analistas preferem não se deixar levar por excessivo “otimismo”.

O telefonema de Obama a Rouhani

Todos os analistas concordam que, à falta de qualquer acordo, a guerra é risco real, guerra que várias partes regionais não se cansam de buscar. Ninguém nega que as questões que estão começando a ser negociadas são, todas, extremamente sensíveis.

Falando à página Internet da rede Al-Manar, o analista político libanês Hussein Khalil entende que as coisas caminham rumo a um impasse, porque as exigências dos EUA não são itens que os iranianos considerem negociáveis. Khalil lembra que os EUA insistem em dar prioridade à segurança da entidade sionista, em todas as negociações regionais; mas, em todos os casos, para ele, Israel está bem consciente de que o Irã tem mais capacidade para defender-se, do que a entidade sionista ocupante, para atacá-lo.

Em outra entrevista, o especialista libanês em assuntos da Turquia, Mohammad Noureddine, lembra, com cautela, que a crise síria é sempre sujeita a surpresas, apesar de todos os pontos importantes que o Exército Sírio continua a obter em solo; mas há interferência de muitos elementos, internos, regionais e internacionais, o que só faz aumentar a complexidade da questão síria.

Amir A-Moussawi, especialista iraniano em questões estratégicas, considera que há indicações de que as coisas encaminham-se para um possível acordo, apesar de ainda haver questões pendentes entre a República Islâmica do Irã e os EUA, porque o Irã negocia na defesa de seus princípios, e os EUA tentam defender a liderança que lhes resta, no “eixo da arrogância global”.

“Abordagem”: os EUA encaminham em direção ao Irã

“O telefonema que sacudiu o Oriente Médio e os países que decidem pelo Golfo”, foi o tema escolhido por  Abdul Rahman Al-Rashed, escrevendo no jornal Asharq Al-Awsat para comentar o telefonema que o presidente Obama fez ao presidente do Irã, Sheikh Hasan Rouhani. Para Rashed, esse telefonema foi, mais, um anúncio do início de um movimento político, cujos resultados ainda não podem ser determinados.

O telefonema Obama - Rouhani
O governo dos EUA, que não conduz suas ações em termos de negociações, mas exclusivamente a partir de “fatos em campo”, acabou por se convencer de que a única via que lhe restava para arrancar-se do fracasso regional no qual naufragara, seria através do Irã. Segundo matéria assinada pelo Dr. Hussein Khalil, isso aconteceu porque o Irã tem ampla influência no Iraque e mantém boas relações no Afeganistão. É o aliado n. 1 da Síria, que se manteve inabalável ante todos os tipos de ataques globais, além de apoiar os movimentos de resistência que mudaram as equações do poder no Líbano e na Palestina. Além disso, Teerã tem sido acusada de estimular o caso dos houthis no Iêmen e tem simpatias pelas demandas da oposição no Bahrain, num momento em que já há mais de dois anos, os planos dos EUA-Ocidente para derrubar o governo sírio só conhecem derrotas e fracassos.

Aiatolá Khamenei
Quanto a isso, os iranianos não exageram quando falam de “abordagem séria”: o ministro de Relações Exteriores do Irã correu, imediatamente depois do telefonema entre Obama e Rouhani, e disse que nada daquilo implicava normalização de relações entre os dois países. Imediatamente, na sequência, foi o Imã Khamenei, em declaração para reafirmar “que o governo dos EUA não é interlocutor confiável e vive a quebrar promessas”, e que o povo iraniano já provara sua firmeza na defesa dos próprios direitos e benefícios, e na afirmação de seu desejo de coexistência pacífica.

Amir Moussawi diz que a República Islâmica do Irã valorizou devidamente alguns passos dados pelos EUA, como o presidente americano não ter assinado novas sanções já aprovadas pelo Congresso sobre a venda do petróleo iraniano; e que também apreciou a posição da União Europeia, que levantou as sanções contra navios mercantes iranianos... Mas, mesmo assim, o Irã espera mais, depois que manifestou sua disposição para cooperar plenamente com os estados do P5+1 na discussão de seu programa nuclear.

O especialista em assuntos regionais explica que as relações entre EUA e Irã estruturam-se por dois eixos: posições e benefícios.

Entende que o primeiro eixo está desativado, porque só leva a becos sem saída, porque nem o governo dos EUA está preparado para abandonar a defesa dos interesses da entidade sionista ocupante, nem o Irã abandonará a causa palestina e dos movimentos de resistência. Assim sendo, as duas partes estão convencidas de que qualquer entendimento possível terá de ser construído, antes, no eixo dos benefícios para os dois países; e adia-se para depois disso outro entendimento mais amplo. Por isso, Moussawi entende que o período pré-Genebra-2 é mais importante que qualquer anúncio que se faça durante a conferência, porque os resultados da conferência internacional já estão sendo negociados hoje [outubro/2013, data da matéria (NTs)], e a conferência será ocasião, apenas, para divulgar o documento final e tirar fotografias para os arquivos.

Visita de Rouhani, como reconhecimento pela exclusão de Bandar e Faysal

Abdul Rahman
Al-Rashed
“Muitos dos que esperavam pelos mísseis Tomahawk, como castigo ao governo sírio, e cartada que poria fim ao enriquecimento de urânio pelo Irã, foram profundamente abalados pelas notícias sobre o telefonema”. É a opinião do editor-chefe do canal de notícias Al-Arabiya, Abdul Rahman Al-Rashed, em coluna publicada no jornal saudita Asharq Al-Awsat. Para ele, “o telefonema” abalou os centros decisórios no Golfo, na Jordânia, na Turquia, em Israel e outros”.

Em seguida surgiu a informação, revelada pelo Canal 2 israelense, de uma reunião Golfo-sionistas, acontecida em Telavive. A informação foi depois confirmada, quando a imprensa publicou os nomes da delegação do Golfo, que incluía: o chefe da inteligência saudita Bandar Bin Sultan; o vice-presidente do Conselho Executivo e Conselheiro Nacional de Segurança em Abu Dhabi, Hazza bin Zayed Al-Nahyan; além do chefe da inteligência do Bahrain, general Adel bin Khalifa Al-Fadhel, um dos funcionários da inteligência do Golfo que tem laços mais fortes com o Mossad israelense.

Nesse contexto, a recusa do ministro de Relações Exteriores saudita, Saud Al-Faisal, que não leu seu discurso anual à Assembleia Geral da ONU, também foi interpretada como clara mensagem de objeção contra o movimento dos EUA de se aproximarem do Irã.

A posição obcecada dos sauditas veio acompanhada de discussão sobre se o presidente Rouhani aceitaria ou não o convite dos sauditas, que chegou dia 15/9, para que viajasse à Arábia Saudita como peregrino. Adiante, o presidente declinou o convite, sob o argumento de que qualquer atmosfera positiva que talvez se criasse durante a visita seria imediatamente destruída pelas intrigas do chefe da inteligência e ministro do Exterior saudita.

Em entrevista à página Al-Manar na Internet, Moussawi também reconheceu que qualquer abordagem Irã-sauditas resolverá muitas questões e ajudará a reduzir as tensões sectárias na região. Mas lembra que o discurso moderado dos iranianos jamais será aceito pelos sunitas mais linha-dura; assim, o valor de troca a ser exigido para que essa aproximação se faça tem de ser a exclusão de personagens como Bandar Bin Sultan e Saud Al-Faisal das negociações e dos possíveis benefícios; para tanto, tratar-se-á de dar papel mais destacado aos filhos do rei Abdullah, como os príncipes Mutaib e Abdul Aziz Bin Abdullah.

Bashar al-Assad
O fracasso do golpe atentado contra a Síria exige que Bandar seja aposentado

Os iranianos têm hoje consciência clara da posição forte em que negociam, depois do fracasso da conspiração contra a Síria, que não conseguiu derrubar o governo do presidente Bashar Al-Assad. Além disso, a Síria vê hoje uma batalha entre facções de uma “oposição” armada, sobretudo entre o chamado “Exército Sírio Livre” apoiado pela Turquia e brigadas islamistas apoiadas pela inteligência saudita. Aqueles combates expõem as diferenças que há entre Turquia e Qatar, por um lado; e entre Turquia e Arábia Saudita, por outro.

Moussawi sabe que o conflito entre grupos da “oposição” síria é mortal; e que a luta entre eles é mais feroz e sem lei que os combates contra o Exército Sírio. 

Além disso, entende que a luta hoje, na Síria, trava-se para definir quem “representará” a “oposição” nas negociações que virão; hoje, os sauditas assumiram o controle sobre a “Coalizão Síria” presidida por Ahmad Al-Jarba, homem dos sauditas; o que excluiu o homem do Qatar, Mouaz Al-Khatib.

Bandar Bin Sultan supõe que quanto mais consiga “esmagar” o “Exército Sírio Livre” e controlar os pontos de fronteira entre território sírio e territórios da Turquia, Iraque e Jordânia, mais firmemente conseguirá manter-se como parte das negociações.

As intensas batalhas em solo e o controle das brigadas islamistas (Daesh, Islamic Army, Al-Nusra Front …) confirmam a informação publicada pelo jornalista britânico Robert Fisk, sobre conversas entre membros do “Exército Sírio Livre” e alta fonte muito próxima do presidente Bashar Al-Assad, e de possíveis negociações entre o governo sírio e o “Exército Sírio Livre” que acredita numa solução síria para a guerra. Essas informações foram seguidas, imediatamente, por notícias de membros do ESL e de facções turcas armadas que combatiam contra brigadas islamistas, que se renderam ao Exército Sírio.

Bandar bin Sultan (E) de Saud al-Faisal (D)
Os combates mortais que se veem hoje acontecem porque nenhum dos dois lados conseguiu impor a causa pela qual fizeram guerra contra a Síria, uma vez que nem o Exército Sírio foi destruído, nem o presidente Assad foi deposto, nem a Síria desistiu do apoio aos movimentos da resistência na região. Assim sendo, quem pagará o custo do fracasso da operação para destruir a Síria?

Analistas têm lembrado que o envolvimento da Arábia Saudita na crise síria vem reforçar a influência de uma segunda geração que disputa o poder na Casa de Saud... especificamente os filhos do príncipe Sultan Bin Abdul Aziz. Por isso os combates se expandiram no cenário sírio, visando a alcançar também o Iraque e o Líbano, na tentativa de pressionar os aliados da Síria a mudar a equação do poder, antes de a guerra aproximar-se do fim.

Funcionários sauditas engajados na crise síria, e os filhos do príncipe Sultan, especialmente os que controlam o Exército e a Inteligência provavelmente pagarão o preço do próprio fracasso, em benefício dos filhos do rei Abdullah e príncipe Nayef… De sua parte, os iranianos apostam em mudanças dentro do reino, depois da aposentadoria de Bandar Bin Sultan e do ministro Al-Faisal – que os iranianos definem como “linha-dura”.

A Turquia fracassou... e o Qatar está pagando a conta!

Mohammad Noureddine
Quanto à Turquia, o Dr. Mohammad Noureddine, especialista em assuntos turcos, entende que a Turquia definiu como seu alvo, desde o início da crise síria, a deposição do presidente Assad. Nesses termos, qualquer acordo que exclua a derrubada de Assad marca claro fracasso da política turca.

O Dr. Noureddine concorda com análises que veem a Turquia como um dos grandes derrotados na região, especialmente depois da deposição do governo da Fraternidade Muçulmana no Egito.

Falando à página da Internet da rede Al-Manar, ele acrescenta que:

(...) o governo de Erdogan perdeu os curdos dentro e fora da Turquia, por causa do apoio que deu aos militantes que combateram contra os curdos na Síria. Também perdeu prestígio nos planos político, público e social (na Síria, no Líbano, no Iraque e no Irã) e perdeu a confiança dos eleitores, que dificilmente recuperará. 

Mas a maior perda da Turquia, segundo o Dr. Noureddine, acontecerá se as repercussões da crise síria invadirem pesadamente o território turco, “especialmente se a Al-Qaeda e seus aliados escolherem lado, no confronto dentro da Turquia”.

Nesse contexto, os analistas concordam que, em todo o projeto, o “maior perdedor” foi o Qatar.

O Qatar recebeu uma tarefa, e quando não conseguiu dar conta dela, sofreu o peso da derrota – diz o analista político libanês Hussein Khalil.

Toda a derrota do ocidente e dos EUA foi empurrada para cima do Qatar e, na sequência, os EUA tentaram desvencilhar-se das políticas que o Qatar praticou. O ex-Conselheiro Especial do Departamento de Estado dos EUA, Jeremy Shapiro, escreveu na revista Foreign Policy:

O pequeno mas ambicioso emirado do Golfo tentou usar sua imensa riqueza de petróleo para financiar a armar guerras civis na Líbia e na Síria, apoiar o Hamás em Gaza, e mediar disputas no Sudão e no Líbano. Algumas vezes seus interesses coincidem com os interesses dos EUA – mas na maioria das vezes, não coincidem.

Na sequência, Shapiro lembra também que:

Tamim [Tamim bin Hamad bin Khalifa Al Thani, Emir do Catar] é considerado um dos arquitetos da política do Qatar para a Líbia e a Síria nos últimos dois anos, incluindo o patrocínio que dá à Fraternidade Muçulmana.
Jeremy Shapiro

Hoje, o fracasso dos EUA está sendo impingido ao Qatar. É o que Shapiro sugere bem fortemente, ao dizer que o governo dos EUA quer minimizar a influência do Qatar na Síria, dando mais peso ao papel dos sauditas. O analista insiste na importância de que o reino receba a oposição qatari e as vozes dissidentes que não reconhecem a legitimidade do atual regime.

Shapiro indicou também que:

(...) o governo dos EUA pode sugerir que universidades e think tanks convidem membros de ramos colaterais da família Thani, que fazem oposição ao emir e ao seu ramo familiar, para eventos nos EUA e em outros países, para expor as fraturas ou, pelo menos, para sinalizar que conhece as fraturas que há no interior da família reinante.

E mais:

Os EUA devem considerar a ideia de uma campanha sistemática para divulgar as condições deploráveis em que vivem um milhão de trabalhadores migrantes, no Qatar. Essa publicidade negativa também abalaria a reputação do Qatar, sensível sobretudo agora, quando se prepara para sediar a Copa do Mundo de 2022.

O Qatar sabe perfeitamente que é a carta mais fraca, que o ocidente queimará em qualquer acordo futuro. Tanto sabe que, segundo várias fontes, já começou a propor novas políticas para a região. Por trás das cortinas, há notícias de que o Qatar está colaborando num acordo para libertar reféns libaneses sequestrados em Azaz, [1] como mensagem amistosa do emirado.


Nota dos tradutores
[1] Já foram libertados. Ver “Discurso de Hassan Nasrallah”, 28/10/2013, Al-Manar TV.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sayyed Nasrallah no Arba’een [1]: “Nossa certeza de que trilhamos o caminho certo só aumenta”


14/1/2012, Sara Taha Moughnieh, Al Manar TV, Beirute
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
Milhares de pessoas marcharam ontem [sábado] de várias regiões do Líbano para a cidade de Baalbek para comemorar o Arba’een, em cerimônia organizada pelo Hezbollah, intitulada “Procissão de Luto e Orgulho”.

Em discurso na véspera do Arba’een, na 6ª-feira à noite, o secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Hasan Nasrallah, explicou que a cerimônia foi organizada em Baalbek, porque os cativos de Karbala passaram por essa região, quando levados de Karbala ao castelo de Yazid em Damasco.

Sayyed Hasan Nasrallah
Os cativos eram o Imã Ali Bin Hussein, Sayyeda Zainab e todas as esposas e filhos do Imã martirizado, seus amigos e sua família.

No final da cerimônia, que incluiu leitura de versos do Corão, recitação e lamento pela tragédia da Ashura, Sayyed Hasan Nasrallah falou, em discurso em que lembrou as grandes lições da Ashura e comentou alguns eventos do quadro político local e regional.

Começando com as lições aprendidas do Imã Ali Bin Hussein e Sayyeda Zainab, quando foram levados ao castelo de Yazid, Sayyed Nasrallah disse: “Colhemos uma frase da fala de Ali Bin Hussein antes de Yazid e uma frase da fala de Sayyeda Zainab, para fazer delas nosso mote, nossa fala e nossa posição.”

“Hoje, vendo o que está acontecendo no mundo, vendo as ameaças que fazem EUA, Israel e seus agentes na região, repetimos aquelas falas e dizemos: Vocês nos ameaçam com a morte? Somos filhos de Hussein, Zayn Al-Abidin, Profeta de Alá, somos sua família, seus amigos, somos os filhos [das batalhas de] Badr, Khaybar, Hunain e Karbala. A morte para nós é lei e Alá nos honra com o martírio.”

Sayyed Nasrallah continuou: “Com esse espírito nós enfrentamos vocês desde 1982… e com a força de Zainab lutamos todas as lutas e dizemos aos tiranos do mundo: Usem todos os seus poderes, façam tudo que consigam fazer e, por Alá, vocês jamais apagarão nem nossa presença nem nossa memória nem o efeito de nossa ação. E vocês jamais conhecerão nossos limites.” 

Resposta a Ban Ki-Moon:

O secretário-geral do Hezbollah reiterou a adesão ao caminho da resistência armada, e repetiu que essa resistência e essas armas, além do exército e do povo, são a única garantia que há para a segurança, dignidade e estabilidade do Líbano.

“Ontem, foi uma felicidade para mim ouvir o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon dizer que está preocupado com o poder militar do Hezbollah. Digo-lhe que isso nos alegra, porque queremos, sim, que vocês, EUA e Israel, preocupem-se mesmo, e muito. Que vocês estejam preocupados não nos preocupa. Só nos preocupa a segurança de nosso povo. Porque há resistência armada no Líbano vocês estão impedidos de ocupar ou violar a dignidade do Líbano” – disse Sua Eminência, em resposta à fala de Ban Ki-Moon, 6ª-feira, no Líbano, na qual pediu que o Hezbollah entregue suas armas.

“Digo a ele e a todo o mundo que a resistência continuará armada no Líbano, e aumentará seu poder, suas capacidades, a prontidão. A certeza de que fizemos a escolha certa só aumenta. De nossa experiência no Líbano, na Palestina, no Iraque – em todas as regiões que conheceram e conhecem a ocupação – nós perguntamos: “Que benefício alguém obteve por confiar na Liga Árabe, nos governos árabes, na Organização da Conferência Islâmica, na Organização das Nações Unidas, no Conselho de Segurança, na União Europeia e em organizações como essas?”

E continuou: “O resultado é que a Palestina continua ocupada, mais de dez mil palestinos continuam presos em prisões israelenses, milhões de palestinos vivem exilados fora da própria terra, e Al-Quds [Jerusalém] é violada diariamente e judaicizada pelos sionistas.”

“Por outro lado, a resistência no Líbano, que crê em Deus e confia na força de seus combatentes e no apoio de seu povo, conseguiu a libertação, como a resistência em Gaza e no Iraque.”

Sobre o Diálogo Nacional:

Sobre a questão do diálogo nacional, Sayyed Nasrallah assegurou que o Hezbollah está pronto para iniciar diálogo sobre a estratégia de defesa nacional que protege o Líbano; mas rejeita qualquer diálogo sobre o desarmamento da resistência.

Sobre o Imã Moussa Al-Sadr e a causa de seus companheiros:

O secretário-geral do Hezbollah falou sobre o caso do Imã Moussa Al-Sadr e seus dois companheiros Xeique Mohammad Yaaqoub e Sr. Abbas Badreddine, e garantiu o apoio do Hezbollah às medidas tomadas pelo governo libanês e a delegação libanesa à Líbia sobre a questão. E agradeceu aos funcionários líbios que se dispuseram a cooperar.

Sobre a segurança interna:

No plano da segurança nacional, Sua Eminência destacou o compromisso do Hezbollah com a paz e a estabilidade civis, e destacou que as diferenças políticas nesse campo não devem afetar a segurança e a paz civis.

“Insisto nesse compromisso e destaco que preservar a segurança e enfrentar o crime em todas as regiões é responsabilidade do governo, do exército e dos aparelhos de segurança” – disse.

Sobre o governo do Líbano:

Paralelamente, Sayyed Nasrallah espera que o primeiro-ministro e os demais ministros empreendam grandes esforços para que o governo seja bem sucedido.

Sua Eminência convocou o Gabinete a ser mais ativo e a dar prioridade às questões que afetam os mais pobres, para ganhar apoios; e alertou que há grupos que não desejam que o atual governo seja bem-sucedido.

Sobre os desenvolvimentos na Síria:

Sayyed Hasan Nasrallah lembrou que o Líbano é o país mais afetado pelos desenvolvimentos na Síria. Sobre isso, disse:

“Além de nosso interesse e de nosso amor pelo povo, exército e presidente da Síria, conclamamos a oposição síria, dentro e fora do país, a responder ao chamado do presidente Bashar Al-Assad para que todos se reúnam em um diálogo nacional sírio; e que todos cooperem com o presidente para implementar as reformas já anunciadas. Conclamamos todos, além do mais, a restaurar a paz e a estabilidade no país, a deporem armas e a buscar pelo diálogo a solução para o país.”

Lembrando algumas declarações recentes, Sua Eminência alertou para o risco de algumas declarações incitarem ao sectarismo na região: “Digo a todos os países que a atitude de incitar à violência pela imprensa e nas ruas é que abre o caminho para confrontos sectários. Quem esteja honestamente empenhado em manter a Síria e nossa região a salvo de guerras sectárias deve começar por mudar aquela atitude e empreender esforços para unir os árabes, em cooperação com a República Islâmica do Irã e com a Turquia, para ajudar a pôr fim à crise na Síria, em vez de se empenharem em assoprar as chamas para aumentar o fogo e as tensões em toda a região.”

Sobre as explosões no Iraque:

Comentando os suicidas-bomba e as recentes explosões no Iraque, que mataram e feriram centenas de pessoas nas preparações para comemorar o Arba’een do Imã Hussein, Sayyed Nasrallah disse que todos devem condenar esses atos. 

Conclamou “os intelectuais, políticos, partidos e movimentos libaneses, especificadamente os islâmicos, a denunciar os suicidas-bomba que visam civis exclusivamente por diferenças ideológicas, políticas ou religiosas, seja no Iraque, no Paquistão, no Afeganistão, na Síria, na Somália ou na Nigéria e onde ocorram, e visem muçulmanos ou cristãos.”

Sua Eminência prosseguiu: “O único crime dos que hoje estão sendo mortos no Iraque é ter querido visitar o filho do Profeta de Alá. A verdade é que os matadores queriam vingar-se da resistência iraquiana que derrotou os exércitos da ocupação e obrigou-os à retirada.” 

“Digo àqueles matadores, sejam quem forem, que matar é inútil, e que eles não conseguirão deter a caminhada dos que buscam Alá, como a matança em Karbala não deteve a marcha, nem a marcha será detida por matanças no Líbano, na Palestina, no Iraque ou no Irã.”

Sobre o assassinato do cientista iraniano:

Sayyed Nasrallah afirmou que o assassinato de cientistas nucleares no Irã não conseguirá impedir que a República Islâmica prossiga na trilha do desenvolvimento científico e tecnológico.

“Assassinam os cientistas nucleares porque querem que nós, nessa parte do mundo, sejamos todos cantores, bailarinos, gente que desperdiça, sem qualquer proveito, seus dias e suas noites. Mas se produzimos aqui nossos cientistas, químicos, físicos ou médicos, e se fizermos de nós mesmos nações que produzem conhecimento – que é hoje o maior poder – eles não aceitam e matam nossos cientistas e nossos especialistas locais” – disse Nasrallah.

Sobre eventos regionais:

Na conclusão, Sayyed Nasrallah conclamou as autoridades do Bahrain a atender as demandas do povo, a iniciar as reformas e a manter diálogo sério com a oposição.

Falou sobre a situação na Palestina: “Dia após dia o povo palestino está vendo que a resistência é a única escolha, e que os inimigos da Palestina não querem que os palestinos se unam e se reconciliem, porque seu único objetivo, a meta da qual jamais desistem, é manter-nos divididos e fragmentados.” 

“Irmãos e irmãs no Líbano, Palestina, Síria, Iraque e em toda a região, nossa trilha para a glória, a dignidade, a independência, a libertação, o poder, a prosperidade e a segurança tem de ser a trilha da unidade, evitando todas as provocações e incitações à divisão e ao conflito, resolvendo as dificuldades mediante o diálogo, persistindo no espírito da livre escolha e da resistência” – disse Sayyed Nasrallah.

“Ao longo da história, a experiência, como se vê também aqui nesse grande evento, prova que o espírito da resistência rejeita a humilhação, ama o martírio e tem fé no futuro e na vitória que se aproxima. O espírito da resistência nos levará à unidade, ao poder, à segurança, à glória e à vitória” – concluiu Sua Eminência.



Nota dos tradutores
[1]  Arba’een (Arabic: اربعين‎, “quarenta”) ou Chehelom (Persian: چهلم “o quadragésimo [dia]”), é uma das maiores peregrinações do planeta, quando mais de 10 milhões de pessoas visitam a cidade de Karbala no Iraque. Reúne os muçulmanos falantes de persa e de urdu do sul e do centro da Ásia. O Arba’een é solenidade religiosa dos muçulmanos xiitas que se realiza 40 dias depois do Dia da Ashura, e realiza-se em todo o mundo, para recordar o martírio de Hussein bin Ali, neto do Profeta Maomé. A solenidade é realizada no vigésimo dia do mês de Safar.