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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Terceira Intifada: contra a frente EUA-Israel

26/9/2011, Rami G. Khouri, Counterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Rami G. Khouri é Editor Geral do The Daily Star, e Diretor do Issam Fares - Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais na Universidade Americana de Beirute, em Beirute, Líbano.

Ainda não se pode saber tudo que realmente mudará, nas condições objetivas, nos meses à frente, depois de os palestinos terem tomado a iniciativa de requerer às Nações Unidas que reconheça um estado palestino nos territórios que Israel ocupou em 1967 e garanta aos palestinos seja o estatuto de estado-membro pleno, ou de observador. O movimento pode revelar-se como ganho substantivo para o povo palestino, como vitória apenas simbólica ou como considerável risco de retrocesso, se EUA e Israel converterem sua ácida retórica vingancista em políticas ainda mais duras. Ainda que se deva esperar para poder avaliar com mais clareza o real impacto da iniciativa dos palestinos, parece não haver qualquer dúvida de que, desde já, em vários sentidos, vivemos uma semana histórica.

I.

O principal importante desenvolvimento, que historiadores futuros registrarão, é que essa última semana de setembro de 2011 marcou o momento em que o conflito entre árabes e Israel foi estruturalmente transformado em conflito entre árabes, de um lado e, de outro, EUA-Israel – por causa do modo explícito e profundo como o governo dos EUA assumiu o lado de Israel. Os EUA historicamente sempre tentaram, sem grande sucesso, mas com empenho, manifestar apoio à sobrevivência e à segurança de Israel enquanto, simultaneamente, tentavam mediar uma solução para o conflito que levasse ao nascimento de um estado palestino em parte, pelo menos, das terras ocupadas em 1967. Esse movimento de equilibração, por menos convincente que tenha sido, foi formalmente extinto: foi morto a tiros, vários tiros no coração, por um esquadrão-da-morte constituído de políticos dos EUA que dispararam saraivadas de tiros contra o frágil e já fracassado personagem que um dia atendeu pelo nome de “os EUA como mediadores”.

Os EUA optaram por defender Israel e o fizeram de duas maneiras importantes:

[1] O presidente disse claramente que a Casa Branca preza mais os direitos de Israel que os direitos dos palestinos; e
[2] o Congresso dos EUA, dominado pelos Republicanos, assumiu que representa não só a vontade do povo dos EUA mas, também, a vontade dos sionistas.

Israel passou, da fase em que considerava o próprio bem-estar nacional e a restauração de tempos ancestrais como “cidade na colina”, para a situação de hoje, quando toda a segurança dos israelenses passou a depender exclusivamente de os sionistas controlarem ‘a Colina do Capitólio’  [ing. The Hill], quer dizer, de controlarem o Congresso dos EUA.

O novo conflito, no qual o mundo árabe vê-se confrontado pelo par EUA-Israel, não será disputado por meios militares, como aconteceu desde 1947, no ‘velho’ conflito entre árabes e Israel. Esse novo conflito encontra os árabes e seus apoiadores, aliados e amigos já explorando meios políticos e outros meios pacíficos para resistir e simultaneamente desafiar  EUA-Israel pelas vias pelas quais o mundo inteiro desafiou a África do Sul do Apartheid, há décadas. Tudo isso, porque os EUA já mostraram, acima de qualquer dúvida, que encampam a posição de Israel nas questões existenciais de reconhecimento do estado, soberania e direitos nacionais, que são o cerne do conflito entre Israel e os palestinos e, também, do conflito mais amplo entre Israel e os povos árabes. 

Esse novo ator político coletivo (EUA-Israel) posicionou-se claramente na oposição, contra vasta gama de sentimentos universais e morais, além de legais, em todo o mundo, que veem o reconhecimento de um estado palestino como o melhor meio para pôr fim às fracassadas negociações bilaterais ‘mediadas’ pelos EUA; e que querem garantir justiça e segurança para os dois lados daquele conflito. 

EUA-Israel, esse ente recém criado, nasce isolado e é visto como autor de crimes pela maioria dos povos do mundo. Não é visto como “nova Jerusalém”, pela qual EUA-Israel às vezes tenta fazer-se passar; a nova entidade EUA-Israel está sendo vista como “nova África do Sul do Apartheid”.

II

Igualmente importante é o segundo evento histórico desse mês: palestinos, árabes e o resto do mundo democrático já não têm medo de fazer frente a EUA-Israel. O imenso poder de EUA-Israel já nada intimida os que discordam ou estão decididos a resistir contra seus excessos e a condenar os crimes que cometem contra palestinos e outros árabes. 

O fato de que um líder palestino sem representatividade popular, muito fraco, em termos políticos, como Mahmoud Abbas, tenha resistido às pressões fortíssimas, ameaças e tentativas de suborno às quais Israel-EUA submeteu-o ao longo das últimas várias semanas indica que já entramos na 3ª Intifada.

A 3ª Intifada será disputada contra a posição política de EUA-Israel, não mais contra exclusivamente a ocupação israelense. As implicações de palestinos e outros estarem desafiando EUA-Israel serão imensas; e precisarão de tempo, para poderem ser avaliadas com clareza. 

Se se combinarem iniciativas como o requerimento à ONU; desobediência civil popular; e resistência de massa contra Israel em todas as arenas nas quais haja contato entre Israel e árabes – nas fronteiras, na Cisjordânia, em Gaza, em Jerusalém Leste, dentro de Israel e nas embaixadas de Israel em todo o mundo – é provável que se vejam pressões significativas para que se formule e construa algum outro mecanismo, inteiramente novo, para tentar resolver por vias pacíficas o conflito entre árabes e Israel. E a opção pacífica é sempre preferível.

III

O Oriente Médio vive dias históricos em todos os fronts:

  1.  dentro dos países árabes;
  2.  nas relações da Turquia na região;
  3.  no conflito entre árabes e Israel;
  4.  nas interações entre os países árabes e os EUA; e talvez, de alguma forma, também
  5.  em novos papéis para Europa ou Rússia.

Serão necessários anos, para que se sintetizem esses cinco domínios. Quando acontecer, poderemos, provavelmente, revisitar esse setembro de 2011 e vê-lo como ponto de mudanças cruciais na atuação de todos esses atores chaves.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Uri Avnery: “Cães de guerra: quando setembro vier”

3/9/2011, Uri Avnery, Gush Shalom [Bloco da Paz], Israel
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Não se ouvia falar de cães de guerra mais aterrorizantes, desde O Cão dos Baskervilles.

Foram cevados por um antigo admirador do falecido “rabino” Meir Kahane, que até a Suprema Corte de Israel definiu como fascista. A tarefa deles é proteger os colonos judeus e atacar os palestinos. São cães colonos judeus ou, melhor, colonos judeus cães.

Todos os canais de televisão em Israel os mostraram demoradamente, louvando-lhes a eficácia e o ardor.

Tudo isso, em preparação para “Setembro”.

SETEMBRO não é só nome de mês, o sétimo do antigo calendário romano. Setembro é símbolo de um terrível perigo, de uma inominável ameaça existencial.

Em poucas semanas, os palestinos pedirão à ONU que reconheça o Estado da Palestina. Já têm ampla maioria na Assembleia Geral. Depois, segundo avaliação oficial pelo exército de Israel, abrir-se-ão as portas do inferno. Multidões de palestinos se levantarão, atacarão o muro “de separação”, atacarão as colônias exclusivas para judeus, desafiarão o exército, criarão o caos.

“A Autoridade Palestina está planejando um banho de sangue”, disse Avigdor Lieberman, animadíssimo. E quando Lieberman prevê violência, não é prudente ignorá-lo.

O exército de Israel prepara-se, há meses, para essa eventualidade. Essa semana, anunciou que está treinando os colonos, também, para que conheçam perfeitamente os casos em que estão autorizados a atirar para matar. Isso confirma o que todos já sabemos: não há qualquer diferença clara entre o exército e os colonos que vivem nas colônias exclusivas para judeus – muitos colonos são oficiais do exército, e muitos oficiais vivem nas colônias. A frase oficial é “o exército de Israel defende os israelenses onde estejam”.

Um dos cenários para os quais o exército de Israel está preparado, como disseram, é o caso de os palestinos atirarem contra militares e colonos “de dentro das manifestações públicas”. É declaração terrível. Participei de centenas de manifestações e jamais vi ninguém atirar em ninguém “de dentro” de alguma manifestação. Esse atirador teria de ser louco, porque quem atira “de dentro” de uma manifestação de massa expõe todos os que estão à volta à retaliação. Mas foi o pretexto que Israel encontrou para atirar contra manifestantes em manifestações não-violentas.

Soa tão assustador e horrendo, porque já aconteceu no passado. Depois da primeira intifada, uma história de sucesso dos palestinos (e levou ao acordo de Oslo), o exército israelense preparou-se diligentemente para a segunda. A arma escolhida foram “atiradores de elite”.

A segunda (“al-Aqsa”) intifada começou depois do fim da conferência de Camp David em 2000 e da “visita” de deliberada provocação, de Ariel Sharon, ao Templo do Monte. Os palestinos faziam manifestações de massa, não violentas. O exército de Israel respondeu com “assassinatos seletivos”. Duplas de um atirador “de elite” e um oficial do exército tomavam posição em diferentes pontos do percurso por onde passariam os manifestantes; o oficial do exército selecionava os alvos – manifestantes que lhe parecessem “animadores”. Foram assassinados.

A tática foi considerada altamente efetiva. Em pouco tempo, as manifestações não violentas acabaram, substituídas por ações muito violentas, ditas “terroristas”. E, assim, o exército de Israel voltou à brutalidade que conhece bem, terreno familiar.

No total, na segunda intifada, foram assassinados 4.546 palestinos, 882 dos quais crianças; e 1.044 israelenses, 716 dos quais civis, 124 crianças.

Temo que as preparações para a terceira intifada, prevista para começar no próximo mês, seguem as mesmas linhas. Mas as circunstâncias serão bem diferentes. Depois dos eventos no Egito e Síria, os manifestantes palestinos podem reagir de outro modo, e o “banho de sangue” pode ser muito maior. E também será maior a reação internacional e dos árabes. Imagino cartazes e faixas contra Binyamin al-Assad e Bashar Netanyahu.

Mas a maioria dos israelenses não estão preocupados. Acreditam que todo o cenário é resultado de maquinações de Netanyahu, como truque para pôr fim aos enormes protestos sociais que agitam Israel. “Os jovens que protestam querem justiça social e estado de bem-estar, como crianças que querem sorvete, enquanto o desastre espreita na próxima esquina” – nas palavras de um dos coronéis (aposentado). 

Os colonos judeus e seus cães mal podem esperar.

Até faz sentido, porque os colonos judeus desempenham papel central no conflito. São eles que impedem que se faça qualquer tipo de acordo de paz. Não admitem, sequer, qualquer tipo de negociações de paz significativas.

É até bem simples: qualquer tipo de paz entre Israel e o povo palestino terá de basear-se em devolver a Cisjordânia, Jerusalém Leste e a Faixa de Gaza ao futuro Estado da Palestina. Já há, sobre isso, amplo consenso mundial. A única questão é saber exatamente por onde passarão as fronteiras, uma vez que também há consenso sobre algumas pequenas trocas de território.

Isso implica que a paz, necessariamente, implicará remoção de grande número de colônias hoje ocupadas por judeus e a evacuação de todos os colonos das colônias exclusivas para judeus espalhadas por toda a Cisjordânia.

Os colonos e seus aliados dominam completamente a coalizão que hoje governa Israel. Opõem-se à devolução de qualquer palmo do território que Deus prometeu só aos judeus. (Até os colonos judeus que não acreditam em deus, acreditam que fazem jus à terra que deus prometeu só aos judeus.) Por isso, não há negociações de paz, não tem fim a construção de prédios e mais prédios em territórios ocupados, nem se vê qualquer movimento em direção a qualquer tipo de paz.

Os colonos judeus foram postos onde estão, na Cisjordânia, especificamente para essa finalidade: criar “fatos em campo” que destruíssem qualquer possibilidade de criar-se um Estado Palestino viável. Portanto, nem interessa discutir se são os colonos judeus ocupantes que impedem que os territórios ocupados sejam devolvidos em troca de paz, ou se o governo de Israel usa os colonos como força de ocupação, para o mesmo objetivo. Dá sempre na mesma: os colonos judeus ocupantes boicotam qualquer esforço de paz na região.

Como diriam os norte-americanos: São os colonos judeus ocupantes, estúpido!

Muitos bons judeus israelenses estão fazendo papel de idiotas, ou são idiotas.

Anda “na moda”, em alguns círculos, “abraçar” a causa dos colonos judeus ocupantes, em nome da unidade nacional. Judeus não devem brigar entre eles, dizem, como ensinava a velha sabedoria dos guetos. Colonos judeus ocupantes e armados são como nós.

Destaca-se entre os que dizem isso a deputada Shelly Yachimovitch, candidata, com outros cinco candidatos, à liderança do moribundo Partido Trabalhista (Labor). Durante anos, trabalhou na defesa da justiça social, falava de paz, ocupação, colônias, Palestina e temas afins. Agora, como parte da campanha pela liderança, aparece como defensora apaixonada dos colonos ocupantes. Como ela mesma disse, “É claro que não considero a empreitada dos colonos como pecado ou crime. No início, houve perfeito consenso. O Partido Trabalhista foi quem promoveu a colonização dos territórios [ocupados]. Esse é um fato histórico.”

Há quem acredite que Yachimovitch apenas finge que pensa assim, para conquistar os votos de que precisa para chegar ao comando do partido, e que planeja atrair o que resta do Partido Kadima, para tentar deslocar Tzipi Livni e, talvez, chegar ao posto de primeiro-ministro.

Pode ser. Pessoalmente, acho que ela realmente acredita no que diz – o que, sei, é raro em políticos, homens ou mulheres.

Falando sério: não é possível abraçar, ao mesmo tempo, a causa dos colonos judeus armados e a luta por justiça social em Israel. Não é pensável, não há meio possível, ainda que alguns líderes do movimento de protesto social defendam essa via, como recurso tático.

Não há nem pode haver estado de bem-estar em Israel, enquanto houver guerra. Os incidentes de fronteira, nas duas últimas semanas, mostram como é fácil distrair a opinião pública e silenciar os protestos: basta desfraldar a bandeira da segurança. E como é fácil, para o governo, alimentar e prolongar qualquer tipo de incidente.

Semear o medo de “quando setembro chegar” é outro exemplo.

Mas as razões pelas quais o governo não se interessa por separar justiça social e segurança são mais profundas. Reformas sociais sérias exigem dinheiro, muito dinheiro. Mesmo depois da reforma do sistema de impostos – impostos diretos mais “progressivos”, impostos indiretos menos “regressivos” – e ainda que tivéssemos posto fim aos cartéis dos ‘magnatas’, são necessários dezenas de bilhões de dólares para recuperar as escolas, os hospitais e os serviços sociais em Israel.

Esses bilhões só podem vir do orçamento militar e das colônias. Investem-se somas astronômicas nas colônias – não só na moradia fortemente subsidiada para colonos judeus, salários pagos pelo Estado a muitos colonos (em porcentagem muito superior à que se vê na população em geral), mas, também, em infraestrutura (estradas, fornecimento de água e eletricidade, etc.) e no enorme contingente militar necessário para proteger as colônias. As preparações em curso para “quando setembro vier” mostram outra vez o quanto tudo isso custa.

Mas essa ainda não é toda a história. Por trás de todos esses fatos jaz a principal razão para a deformação de tudo, em Israel: o próprio conflito entre israelenses e palestinos.

Por causa do conflito, é preciso manter gigantesco establishment militar. Cada israelense paga, para manter as forças armadas, mais do que qualquer outro cidadão em qualquer outro país ocidental. Israel, com população de apenas 7,5 milhões de habitantes, mantém o 4º ou 5º maior establishment militar do mundo. A ajuda militar que os EUA paga a Israel cobre apenas pequena parte dos custos. 

Assim sendo, o fim da guerra é condição necessária para qualquer esforço que vise a converter Israel em estado de bem-estar com padrões “escandinavos”, com satisfatória justiça social. O conflito não é um fator a mais das dificuldades sociais em Israel: é o principal fator.

Pode-se amar ou odiar os colonos judeus armados, fazer-lhes oposição ou abraçar aquela causa, como cada um entenda. Nada disso altera o fato de que as colônias exclusivas para judeus armados, nos territórios palestinos ocupados, são o principal obstáculo à paz e ao estabelecimento, em Israel, de algum estado de bem-estar. Não só pelo muito que custam em dinheiro; não só por causa dos pogroms que colonos judeus armados fazem, de tempos em tempos; não só pelo modo como hoje controlam o sistema político. Mas, sim, porque existem.

Diferentes do cão dos Baskervilles, no romance de Sherlock Holmes, que era pista importante justamente porque não latiu na noite do crime, os cães das colônias exclusivas para judeus em Israel estão latindo muito alto. É latido de guerra

terça-feira, 17 de maio de 2011

Os palestinos avançam

Sami Moubayed

18/5/2011, Sami Moubayed, Asia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


DAMASCO. Houve e há vários passos importantes para o que se tem chamado de “Terceira Intifada [levante] Palestina”, e que começou dia 15 de maio, data que marcou os 63 anos da criação do estado de Israel. Para designar o mesmo dia, o importante historiador sírio Constantine Zureik usou pela primeira vez a palavra Nakba [“desastre”, “catástrofe”, em árabe]. Desde então, o nome manteve-se. 

Naquele dia, em 1948, os exércitos da Síria, Jordânia, Líbano, Iraque e Egito (no total, 25 mil soldados) entraram em guerra contra Israel – que resultou em dolorosa derrota coletiva para os árabes. Em 2011, uma massa humana desarmada, sem soldados, marchou contra Israel. 

Carregavam bandeiras palestinas e as chaves das casas de pais e avós – símbolos sagrados da identidade palestina, passados de mão em mão, de geração a geração, desde 1948. 

No front sírio, centenas de sírios e palestinos romperam a cerca de arame farpado, enfrentaram a pedradas os soldados, rumo ao Golan Sírio, ocupado por Israel desde 1967. Chegaram até a cidade ocupada de Majdal Shams, onde o exército israelense abriu fogo contra a multidão e matou quatro civis. 170 pessoas foram feridas próximo à fronteira síria. 

No Líbano, houve confronto semelhante, quando libaneses e palestinos alcançaram a cidade fronteiriça de Maroun al-Ras, onde o exército de Israel atirou e matou dez e feriu mais de 110 manifestantes. Na Cisjordânia, jovens palestinos tentaram assumir o comando do posto de controle de Qalandiya, entre Ramallah e Jerusalém. Também ali, o exército de Israel abriu fogo, ferindo 40 manifestantes. E as manifestações chegaram até Jerusalém. No Egito, o exército impediu que manifestantes chegassem ao muro que demarca a fronteira com Gaza, ação que gerou confrontos que fizeram mais de 120 feridos. 

É a guerra? Ainda não. Mas, como disse Eran Makov, do ministério da Defesa de Israel, o 15 de maio “foi como o ensaio geral para setembro”. Em setembro, os palestinos estarão ante a Assembleia Geral das Nações Unidas, para exigir que a ONU reconheça seu estado palestino, já reconhecido por mais de 100 estados. Israel dirá não e, então, sim, estará declarada a Terceira Intifada. 

O chefe do Shin Bet de Israel, Yuval Diskin, disse recentemente que estava “muito preocupado” com a Palestina ser reconhecida como estado independente, em setembro. Segundo várias estimativas, os palestinos receberão 140 votos favoráveis na Assembleia Geral da ONU; para o reconhecimento oficial, bastam 128 votos. 

Ehud Barak, ministro da Defesa, também está preocupado. Para ele, Israel enfrentará “um tsunami político”, se até setembro não houver, bem delineado, um plano de paz. “Há 43 anos Israel governa outro povo. Nunca houve tal coisa no mundo contemporâneo. De nenhum modo o mundo continuará a aceitar isso.” 

Israel não conseguiu criar qualquer plano de paz alternativo, depois do fracasso das negociações no final de outubro de 2010. O presidente Mahmoud Abbas, que esse mês assinou acordo de unificação com o Hamás, disse que aceitaria reiniciar conversações de paz imediatamente, no momento em que o primeiro ministro Benjamin Netanyahu ordenar o fim de qualquer tipo de construção nos territórios ocupados na Cisjordânia e em Jerusalém Leste. 

Netanyahu, que estará nos EUA dia 20 de maio, tem-se recusado a aceitar qualquer alteração no ritmo de construção nos territórios ocupados. E seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Liebermann, já respondeu que “Aceitaremos conversar, mas sem qualquer precondição”. E acrescentou que não haverá qualquer congelamento das construções em territórios ocupados “nem por três meses, nem por três dias, nem por três horas”. 

O levante dos palestinos, é preciso considerar, não pode ser surpresa para Israel. Há uma página no Facebook já há semanas, convocando os palestinos para as manifestações do 15 de maio. Mas, muito estranhamente, Israel esperava levante interno, semelhante aos que houve em 1987 e 2000; e foi surpreendida pelas manifestações nas fronteiras com países árabes. Mesmo os que já esperavam hostilidade, nunca supuseram que algo acontecesse na fronteira entre Síria e Israel, que não conhece qualquer agitação desde 1973. 

Segundo os organizadores da Terceira Intifada, a Fase I estava prevista para ser “manifestação pacífica, com os manifestantes sentados” no domingo, quando refugiados palestinos que vivem na Síria, Jordânia, Egito e nos Territórios Palestinos Ocupados se reuniriam em diferentes pontos próximos das respectivas fronteiras com Israel. A Fase II seria “A Avançada”, quando os manifestantes caminhariam em marcha pacífica, desarmados, saindo cada grupo do ponto onde estivesse, em direção à fronteira, avançando o mais que o terreno permitisse. A Fase III seria “O Retorno”, quando os refugiados entrariam na Palestina, com um único objetivo em mente: a libertação. E a última fase, Fase IV, quando cada refugiado alcançasse sua cidade ou vila de origem, ou o ponto mais próximo possível; ali aconteceria uma segunda “manifestação”, com os manifestantes permanecendo cada um no local onde estiver, até ver reconhecido seu “direito de retorno”. 

No domingo, teve início a Fase I, que imediatamente atraiu a atenção de todo o mundo árabe e da mídia, afastando-os do que acontecia na Líbia, Iêmen, Bahrain, Egito e Síria. Por mais que os árabes estejam furiosos com os respectivos governos e ditadores, todos, sem dúvida, dispõem-se a superar diferenças locais que os separem, para unir-se numa única frente de luta, contra Israel. 

Desnecessário dizer que vários governos árabes veem com interesse a possibilidade de uma Terceira Intifada. Ao longo da história, sempre que a popularidade de algum regime árabe vê-se ameaçada, monarcas e presidentes imediatamente jogam “a carta palestina”. Foi o que fez Yasser Arafat, da OLP, em 2000, quando usou o dia da Nakba para reconquistar a popularidade que estava perdendo nos Territórios Ocupados. Hasan Nasrallah, do Hezbollah no Líbano, disse, em fala no domingo à noite: “Vocês, os mais honrados, deram novo significado à Nakba!” 

Até o primeiro-ministro interino Saad al-Hariri, sempre aliado do ocidente, foi obrigado a criticar o ataque de Israel contra palestinos como “violência intolerável”. 

Mais importantes, ouviram-se algumas vozes de condenação aos ataques israelenses também dentro de Israel. Daphne Richmond-Barak do Herzilya Interdisciplinary Center, por exemplo, reconheceu que os tiros contra manifestantes desarmados constituem violação de leis internacionais. (...)

Se as manifestações iniciadas dia 15 de maio repetirem-se regularmente, até se converterem em prática regular pelos próximos quatro meses, Israel ver-se-á isolada na comunidade internacional, e os palestinos conquistarão corações, mentes e telas de televisão em todo o mundo [no Brasil, infelizmente, não conquistarão nenhuma tela de televisão (NTs)]. 

Depois de assassinar Osama bin Laden e de ter declarado que os EUA não estão em guerra contra o mundo muçulmano, o presidente Barack Obama dos EUA tem de manifestar-se na questão mais sagrada para os árabes: terra e justiça para os palestinos. Há mais de dois anos, os israelenses só fazem criar dificuldades para Obama, recusando-se a parar de construir em território palestino ocupado, recusando-se a participar de conversações de paz, atacando barco turco e agredindo pacifistas de vários países em junho passado e, mais recentemente, quando os israelenses recusaram-se a reconhecer o acordo histórico que reaproximou os partidos palestinos Fatah e Hamás. 

A última coisa que Obama quer é mais problemas com Israel em questões de fronteiras com países árabes – e Obama sabe que Israel, como faz sempre, engolirá a isca, atirará contra manifestantes pacíficos e envolverá os EUA em nova grave questão internacional. 

No domingo, os palestinos deram a Netanyahu toda a corda de que precisa para enforcar-se, antes da Assembleia Geral da ONU, em setembro.

Israel - um país assassino

Gaza, Palestina – Israel fuzila manifestantes palestinos desarmados
15 de maio de 2011 - Reportagem de Kim O’Keefe

terça-feira, 5 de abril de 2011

A terceira Intifada Palestina

Jamal Harfoush

(enviado por Laerte Braga)
Por Jamal Harfoush

Convocada a Terceira Intifada do Povo Palestino com a Marcha dos Milhões à Palestina.




«O que está acontecendo na Palestina, não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética.
Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos jueus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.»
Gandhi

Dito isto, está marcada para o dia 15 de maio de 2011, a Terceira Intifada e a Marcha dos Milhões à Palestina. Milhões de Refugiados Palestinos estão se organizando ao redor do mundo, na própria terra que nos foi roubada e nas fronteiras, para iniciarem a maior Intifada (revolta) da história da humanidade contra a fundação terrorista de Israel na Palestina, em busca de seus direitos que foram violados pela fundação de Israel, no dia 15 de maio de 1947.

Desta vez, as mídias corruptas e compradas para mentir a nosso respeito, não conseguirão esconder as violações e manipularem a verdadeira história do Povo Palestino, como sempre fizeram.

Desde a sua fundação, os judeus-sionistas, que não são os judeus palestinos, são os internacionais, de outras terras, não pararam de violar os direitos do povo palestino e ainda continuam matando pessoas indefesas, expulsando famílias de suas próprias casas e dentro do seu próprio país e descaradamente roubando suas terras.

Os palestinos nunca aceitaram a fundação de Israel, sempre lutaram contra a sua existência dentro do território palestino. A Palestina é a nossa terra, é o nosso solo sagrado.

Nosso povo apelou a todas as entidades internacionais, para reaver seus direitos e obtiveram milhares de resoluções da ONU, favoráveis ao Povo Palestino, que sistematicamente condenam os atos terroristas praticados pelos fundadores de israel. Uma das resoluções imposta pela ONU a Israel é a 194, que afirma aos palestinos refugiados, o direito incontestável de retornarem a sua terra que lhes foi tomada a força.

A resolução nunca foi respeitada ou mesmo cumprida pelos israelenses, tanto que nunca permitiram que os palestinos retornassem ao seu próprio país do qual foram expulsos pelos judeus de outros países que acordados pelas Nações Unidas, invadiram e tomaram o nosso solo amado.

Para piorar a nossa subsistência o estado terrorista denominado de Israel, conta com o apoio de governantes corruptos, como são os EUA, do regime nefasto da Jordânia e que nesta questão, sempre bloqueou os caminhos para impedir que os palestinos retornassem à sua pátria, garantindo, assim, a segurança dos terroristas israelenses que lhes pagam com o dinheiro que recebem do sionismo internacional. Lembrando que, a Jordânia tem fronteira com a Palestina, e lá vivem milhares de palestinos refugiados, que aguardam o retorno a Palestina. Não podemos também nos esquecer do governante corrupto do Egito, Hosni Mubarak, hoje, destronado, mas que sempre garantiu também a tranquilidade e a segurança dos israelenses na fronteira do lado do Egito em troca, recebendo milhões e milhões de dólares dos Estados Unidos e de todo mundo sionista internacional.

Ainda existem mais governantes corruptos no mundo árabe, mas o povo de cada país começou a derrubá-los um a um para abrir os caminhos de retorno à Palestina onde está instalado um estado religioso ilegal, ocupando os espaços físicos do povo nativo palestino, constituído por árabes palestinos, por judeus palestinos e como diz a Constituição Palestina, liberdade religiosa para todos os povos que habitam o seu território, embora a religião oficial seja o islamismo.

A Revolução dos árabes tem vários objetivos claros, um deles é derrubar os regimes corruptos, abrir os países para o desenvolvimento sustentável, modernizar-se sem prejudicar a própria história, mostrar ao mundo a sua capacidade intelectual tão prejudicada ao longo dos anos pelos invasores ocidentais que lutam para destruir a nossa cultura milenar, passando a ideia de que sejamos primitivos, tudo com a intenção de nos intimidar e de roubar nossas riquezas nacionais. Os movimentos acontecem para limpar seus países dos falsos patriotas, para afastar os traidores, para afastar os exploradores e o principal, por uma questão de honra e justiça, abrir suas fronteiras para resolver a questão Palestina. Sem Israel, as guerras, as mortes, os prejuízos humanos, tudo desaparecerá e nossas crianças e jovens poderão sonhar com um país, com países livres da ingerência internacional e buscaremos o nosso futuro com alegria e muita satisfação.

Assim, até o mês de maio, muitos caminhos se abrirão para que a Marcha dos Milhões ultrapasse a fronteira e adentre na Palestina, ou seja, os palestinos refugiados irão retornar em uma Marcha histórica e pacífica a sua pátria assaltada e hoje gerenciada pelos sionistas-israelenses. É um direito nosso e garantido por todos os códigos de ética e apoiado por centenas de resoluções da ONU.

A Terceira Intifada Palestina, contará com apoio de todos os árabes e simpatizantes do mundo que entrarão junto com os palestinos, na Marcha dos Milhões, pela fronteira do Egito que, foi aberta com a queda do regime corrupto pró-Israel. Também, passarão pela fronteira da Jordânia, assim que os movimentos terminem de derrubar o regime corrupto do Rei, e, ainda, milhões irão marchar a partir das fronteiras do Líbano e da Síria, rumo a Terra Santa Palestina.

A organização dos jovens conta com milhões de apoiadores que estão se organizando em comissões para garantir o sucesso da sua realização.

Essas comissões encontram-se nos países Árabes, no mundo e no espaço virtual.

REDE SOCIAL/FACEBOOK – Uma das redes sociais, o Facebook, destacou-se nos últimos meses pelo alto índice de acessos de internautas que fizeram funcionar essa ferramenta criada pelo Mark Zuckerberg, valorizando muito sua marca e suas ações no mercado financeiro. Ainda, chamou a atenção de grande quantidade de empresas que começaram investir milhões de dólares em publicidade nesta rede.

Mais de 350.000.000 dos internautas estão ligados a rede que aborda a Revolução dos Povos Árabes, e, ainda estão apoiando a Marcha dos Milhões para a Palestina. Muitos deles organizam-se conforme orientado pelo movimento, e outros voluntários, através da rede social do Facebook. Se esses milhões de usuários não usarem mais o Facebook, este não se destacará no mercado e não atrairá empresas que investirão milhões em
publicidade.

O FUNDADOR DO FACEBOOK TREMEU DE MEDO DIANTE DO GOVERNO INVASOR

ISRAELENSE

O fundador usou da inteligência para criar a rede, mas, não o foi ao aceitar a ordem de um ministro israelense para retirar uma página que aborda a Revolução do Povo Palestino, do ar. A atitude do fundador do Facebook foi infeliz, e cometeu crime contra a liberdade de expressão de mais de 350.000 usuários da página. Ora, o fundador criou a rede para conquistar sua namorada, logo virou uma rede social para as pessoas se expressarem, mas, o mesmo ainda não acordou, e, está ainda brincando como ele brincava com ela. Agindo desta forma os investidores irão abandonar sua rede que ficou inconfiável e desvirtuou o seu objetivo, e assim, não servirá para mais nada. Como acreditar nesta Rede Social se a qualquer momento as opiniões são proibidas? Ou será que a rede só serve para namoricos e para seu dono ganhar dinheiro?

A organização do movimento enviou uma carta ao fundador do Facebook, orientando-o, a colocar a página no ar e, a cuidar do sucesso de sua empresa, ao invés de obedecer as ordens dos terroristas israelenses, representados pelo seu ministro da diplomacia e terror israelense para o mundo, Yuli Edelstein, que solicitou a retirada imediata da página, tentando assim, impedir a liberdade de expressão de uma revolta justa do Povo Palestino.

No dia 01 de abril de 2011, os usuários não acessaram a rede em resposta a atitude leviana do fundador do Facebook, que tirou a página do ar. Foi uma queda e tanto nos acessos da rede social, pois, o mesmo não contava que a página em versão árabe, tem outras versões em todos os idiomas do mundo e, que a falta de acessos desses usuários fez com que sua rede perdesse 75% do total de acessos do Facebook. Será que a população da República Invasora de Israel irá compensá-lo se já a consideram inimiga dos judeus?

Desta forma, o Facebook não valerá mais nada sem ter os milhões de usuários que fizeram essa ferramenta ser muito utilizada, e assim, as ações desta empresa cairão da mesma forma que subiram.

Cabe a mobilização de todos para ficarem atentos e denunciarem esse tipo de prática de boicotar a liberdade de expressão cometida por empresas que, antes eram nada, do tipo site Facebook que tirou o site da Terceira

Intifada Palestina da versão Árabe, do ar , realizando vontade de um terrorista que faz parte de Israel.

Diversas manifestações e campanhas brotaram de diversas partes do mundo, inclusive do Brasil, para denunciar a atitude leviana do fundador do Facebook e já começaram a boicotar essa empresa imigrando para outras redes.

IMPORTANTE: Para colaborar com a defesa da liberdade de expressão, faça o seguinte:

1- Crie uma conta na rede social ORKUT;

2- Entre na sua rede social no site do Facebook e avise seus amigos sobre sua imigração para a nova rede ORKUT, e, incentive-os a fazer o mesmo. Isso é muito importante para todo e qualquer usuário de visão e inteligência que acredita que a liberdade de expressão não tem preço e é inviolável.

OBSERVAÇÃO: Ao digitar o endereço do ORKUT para seus amigos na rede social Facebook, procure colocar espaços entre as letras, pois, o sistema do Facebook boicota esse site, já que é seu concorrente.