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terça-feira, 19 de maio de 2015

Sayyed Nasrallah: “Estamos no coração da batalha de Qalamoun. Se o Estado não assumir suas responsabilidades, o povo as assumirá”


16/5/2015, Zeinab Essaal-Ahed News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Hassan Nasrallah em 16/5/2015
O secretário-geral do Hezbollah, Sua Eminência Sayyed Hassan Nasrallah, falou sábado pela televisão libanesa, e tratou de vários tópicos internos e regionais, sobretudo das vitórias da Resistência em Qalamoun.

Na abertura de sua fala, Sua Eminência desmentiu todos os rumores mentirosos sobre seu estado de saúde. Disse que os boatos vêm no contexto da guerra psicológica contra a Resistência e seu povo.

Nova Nakba...

Sayyed Nasrallah disse que al-Nakba nos faz pensar imediatamente na Palestina ocupada, nos milhares de palestinos deslocados em 1976 e no estabelecimento da atual situação dos sionistas que conspiraram contra e atacaram todos os países em torno, incluindo Líbano, Síria, Egito e outros.

Convocou o mundo árabe e muçulmano a

(...) estudar as causas da Nakba e a identificar as responsabilidades, para que as gerações contemporâneas aprendam com a experiência passada, que incluiu as lutas honradas dos mujahidin e dos mártires e também os que traíram a própria nação para servir a interesses privados.

Na sequência, Sayyed Nasrallah alertou que a nação árabe e muçulmana enfrenta hoje uma nova Nakba:

No Líbano, na Síria, Iraque e em todo o mundo árabe e muçulmano onde hátakfiris, haverá uma nova Nakba.

Sua Eminência conclamou a que enfrentemos o novo projeto takfiri dos EUA, que criará uma nova Nakba e visa a segmentar nossa nação muçulmana.

Aconselhou a nação a aprender as lições do passado e que todos os lados têm de assumir suas responsabilidades na luta contra o projeto takfiri dos norte-americanos, que quer produzir uma Nakba ainda maior.

Nakba dos militantes takfiris foi trazida pela primeira vez à região pelo projeto sionista britânico. Agora que a traz é o projeto sionista takfiri norte-americano, e os EUA o usam para enfraquecer a nação muçulmana, dividi-la em pedaços e assumir o controle de nossas capacidades – disse Nasrallah.

No coração de Qalamoun. A vitória está próxima

Qalamoun, divisa com a Síria
Passando a tratar de alguns aspectos dos sucessos da Resistência em Qalamoun, Sayyed Nasrallah destacou que:

(...) o exército sírio, apoiado por outras forças sírias das cidades e vilas de Qalamoun, e o Hizbullah são uma única equipe. A equipe adversária é a Frente al-Nusra e o ISIL – disse Sua Eminência. A batalha de Qalamoun está sendo travada em áreas localizadas até a 2.500m acima do nível do mar. Já tivemos várias batalhas em Qalamoun, com derrota para os grupos adversários armados.

Sua Eminência anunciou que a Resistência continua no centro da batalha de Qalamoun. Observou também que a tomada dos postos terroristas em Qalamoun foi importante para garantir a segurança da rodovia Damasco-Homs e cidades libanesas de fronteira, lembrando as centenas de foguetes disparados da Síria, por grupos armados, contra o Líbano, ao longo de vários anos.

Não estou dizendo que a região esteja em total segurança, porque ainda há militantes nos arredores de Arsal – disse Nasrallah, que continuou – e enquanto estiverem nos arredores de Arsal e de outras áreas remanescentes de Qalamoun, não posso falar de segurança completa.

Para Sayyed Nasrallah,

(...) uma das consequências diretas da batalha de Qalamoun é impor forte derrota aos terroristas e obrigá-los a fugir da áreas onde houve combates. Com isso, foram reconquistados 300 km2 dos territórios libanês e sírio.
Os grupos armados sofreram grave derrota e retiraram-se de todas as áreas onde houve combates. As bases que deixaram para trás foram destruídas.

Sua Eminência disse também que

(...) os arredores de Assal al-Wared, al-Jebbeh e Flita foram conectados aos arredores de Baalbek, Nahleh e Younine.

As maiores fontes financeiras para grupos armados estão no Líbano, apesar de todas as medidas tomadas pelo exército libanês – salientou Nasrallah.

O líder da Resistência disse que residentes do Vale do Bekaa no Líbano, especialmente moradores de Baalbek e Hermel, não admitirão a presença de terroristas nos arredores de suas vilas e cidades.

Nasrallah previu que:

Se o Estado não assumir a responsabilidade de dar segurança a essas cidades, os moradores do Bekaa assumirão eles mesmos a própria segurança.

Enquanto isso, reiterou,

(...) é nosso direito e direito dos cidadãos de Baalbek e Hermel esperar pelo dia em que não haja nem um único terrorista nas áreas próximas da fronteira libanesa.

Nesse contexto, Sayyed Nasrallah garantiu que a Resistência está em combate contra os extremistas, e manifestou otimismo de que dia vira quando não haverá mais terroristas no Líbano, nem nas áreas de fronteira.

Parem de inventar brigas com o Exército Libanês

Exército libanês desloca-se para Qalamoun
Mas, segundo Sua Eminência,

(...) certas forças políticas libanesas lançaram campanha de propaganda de intimidação antes e depois da batalha de Qalamoun. Perdem tempo, porque nada conseguirá enfraquecer a determinação da Resistência.

Sua Eminência desmentiu também comentários segundo os quais o Hezbollah estaria tentando envolver o Exército Libanês na batalha de Qalamoun.

A Resistência aprecia e respeita o Exército Libanês e sua liderança, e tem cuidado para mantê-lo longe de qualquer conflito em Qalamoun – disse ele, garantindo que enquanto houver terroristas nos arredores de Arsal e em áreas remanescentes de Qalamoun não podemos dizer que a segurança seja completa.  
Os que sequestraram e mataram soldados do exército libanês, que assaltaram postos militares e áreas residenciais no Bekaa, detonaram carros bombas em diferentes áreas do Líbano e ocuparam fatias de territórios libaneses em Arsal são terroristas.

Aos que têm defendido os chamados “rebeldes”, Sayyed Nasrallah enviou mensagem clara:

Se a referência política daqueles grupos é a Arábia Saudita, Frente Nusra e o “ISIL”, e as cortes libanesas bem como a comunidade internacional consideram-nos terroristas, por que há forças políticas legais no Líbano que lhes dão apoio?

Respondendo a notícias fortemente exageradas, divulgadas pela mídia, sobre o número de mártires na batalha de Qalamoun, Sayyed Nasrallah revelou que

(...) até aqui, foram martirizados 13 combatentes do Hezbollah membros da Resistência Mujahideen. E o Exército Sírio e as unidades da mobilização de resistência popular síria somados, perderam sete combatentes.
Em Qalamoun, misturaram-se o sangue sírio e o sangue libanês, no combate contra os grupos takfiri. [...]

“A situação no Bahrain é miserável”

No plano regional, Sayyed Nasrallah informou que a situação dos prisioneiros nas cadeias e prisões no Bahrein é miserável.

A situação nas prisões no Bahrain é muito difícil, não só no que tenha a ver com desrespeito aos direitos humanos mais básicos. O que está acontecendo lá é terrível, e é consequência do silêncio internacional – disse o Secretário-Geral do Hezbollah. – Os bahrainis têm de encontrar forças e resistir contra o regime opressor e o silêncio da comunidade internacional.  

Os crimes dos sauditas

Arabia Saudita bombardeia áreas civis no Iêmen
Sobre a agressão ao Iêmen comandada por EUA-sauditas, Sua Eminência repetiu a condenação contra a brutalidade dos atacantes, destacando que nem com toda a violência conseguiram alcançar qualquer dos seus objetivos:

Riad só obtém fracasso sobre fracasso. A agressão não alcançou seus objetivos, fracassou em todos os objetivos que trazia: “a agressão pelos sauditas só consegue assassinar, destruir, brutalizar e destruir locais sagrados.

Sayyed Nasrallah disse que:

(...) nem os criminosos e bárbaros sionistas destruíram os locais sagrados. Os sauditas não respeitam nenhum limite.

Sua Eminência observou que a guerra dos sauditas é a comprovação de que o Irã é o principal aliado dos iemenitas, e que todos os países da coalizão saudita são inimigos do Iêmen. Na conclusão, Sayyed Nasrallah conclamou a nação libanesa a envidar todos os esforços ao seu alcance, para pôr fim à agressão saudita contra o Iêmen.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Pepe Escobar – Obama & Estados do Golfo: Convescote com atlanticistas wahhabistas

16/5/2015, [*] Pepe Escobar, RT – Rússia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Fotos: Kevin Lamarque


Barack Obama reúne-se com representantes do CCG (14/5/2015)
A reunião de cúpula do presidente dos EUA Barack Obama com o Conselho de Cooperação do Golfo – CCG, em Camp David, essa semana, cabe melhor nos anais do surrealismo que da geopolítica.

A gangue do petrodólar do CCG – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Bahrain e Omã – clamava por um “acordo de segurança” com Washington similar àquele “relacionamento especial” com Israel. Bem... Não vai acontecer, porque a coisa teria de ser aprovada pelo Congresso, absoluto não-não, considerando que o lobby pró-Israel controla a maioria do Congresso nos EUA.

Não sendo isso, a segunda opção seria espernear para arranjar alguma aliança formal com a OTAN. Ora, já existe praticamente isso mesmo, como na guerra à Líbia, que foi operação OTAN-CCG de fato. Pode-se chamar de atlanticismo wahhabista.

No final, o que com certeza obterão são mais armas norte-americanas cada dia mais caras. Isso sim, é fato consumado: bonança para o complexo industrial-militar – e mais pilhas de instrutores norte-americanos.

Quanto ao bônus extra, é pouco provável. Os sauditas também estão aos berros, querendo um escudo inexpugnável, feito escudo de mísseis de defesa, invencível, que os proteja da “agressão iraniana” Nonsense. Assumindo-se que haja algum acordo nuclear assinado pelo final de julho entre Irã e o P5+1 – do mais alto interesse para EU, China e Rússia – Teerã não só estará “normalizada” no ocidente, mas também receberá massivo influxo de fundos, logo que as sanções sejam levantadas.

Compare isso com a agenda não-dita – especialmente da Casa de Saud, dos falcões nos Emirados e do duro regime do Bahrain, que querem que o Irã continue sob sanção até o dia do Juízo Final, e que permaneça como estado pária perene no ocidente.

Barack Obama: EUA estarão com os Estados
do Golfo, contra “ataques externos”
O que torna tudo ainda mais absurdo é que os gastos militares dos países do CCG somados são muito mais altos que os do Irã. E também há divisões internas. Omã, menos linha dura que os demais membros do CCG, é amigável em relação a Teerã. E os Emirados Árabes Unidos – sobretudo via Dubai – não podem negar que estão vivendo tempos de vacas gordas em investimentos iranianos.

No final, lá veio o ‘'documento final'’ proverbialmente longo, vago, destacando que as partes devem fazer mais manobras militares conjuntas e cooperar em incontáveis campos, inclusive em matéria de mísseis balísticos de defesa. E há planos, também, para acelerar o armamento generalizado de todos. E repetiram sua “unidade” na luta contra ISISISILDaesh.

Cuidado com vassalos que pedem presentes

Não é mistério que o CCG – conveniente pós-apêndice do extinto Império Britânico – leva a palma no que tange a comprar lixo militar por bilhões de dólares e, no caso da Casa de Saud, também no que tange a fixar o preço do petróleo. Muitos dos membros do CCG recebem massivas populações de trabalhadores migrantes – quase todos vindos do sul da Ásia – que superam em número os locais e mal conseguem sobreviver, naquela armadilha suarenta em que caíram, com zero direitos humanos respeitados.

Absurdo extra aí, é Qatar e Arábia Saudita apoiando suas próprias redes, não necessariamente conflitantes, de jihadistas salafista na Síria. A Casa de Saud também disparou “operação cinética” ilegal ao estilo da “Tempestade Decisiva” do Pentágono, de guerra/bombas contra o Iêmen – operação que, reza a mitologia do Departamento de Estado, em termos os mais orwellianos, seria “esforço” ao qual Washington limita-se a “assistir”.

A proverbial histeria da imprensa-empresa comercial norte-americana decidiu que o ISIS/ ISILDaesh pode estar a alguns passos de tomar o Texas ou bombardear New York. Mesmo assim a maioria dos companheiros associados do CCG continuam paranoicos: naquela sua visão de mundo obtusa, a única coisa indispensável é esmagar o falso Califato que empodera o governo de maioria xiita em Bagdá, liderado por Haydar al-Abadi do Partido Da’wa, que ameaça os wahhabistas por serem o que são: intolerantes, armados e perigosos.

Por tudo isso, certo de que nada como um renovado surto de paranoia, e calculando que não sairia de Camp David com os presentes que foi buscar do governo Obama autodescrito como “Não faça merda coisa estúpida”, o novo capo da Casa de Saud, o rei Salman, deu chilique, resolveu não ir e mandar o seu novo príncipe coroado, príncipe Muhammad bin Nayef. Afinal, esse é o homem da hora, na “nova” Casa de Saud, como examinei aqui.

Presidente Obama olha para o Vice-Primeiro Ministro de Omã, Sayyid Fahd bin Mahmoud Al Said (esq.) e para o Emir do Kuwait, Sheikh Sabah Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sabah (2º à esq.), ao receber representantes das seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) em Camp David, Maryland, dia 14/5/2015
Onde está Osama?

E aí, surge o fantasma de Osama bin Laden.

Recente matéria assinada por Seymour Hersh, em que expõe o saco de mentiras da Casa Branca sobre o fim que deram a bin Laden continua a agitar as águas. Muitas das revelações já haviam sido noticiadas em 2011, por outras fontes.

O que emerge é que bin Laden foi inicialmente capturado pelos serviços secretos do Paquistão (ISI) e mantido sob estrita vigilância em Abbottabad desde 2006. Foi denunciado por um ex-alto funcionário da inteligência paquistanesa, que embolsou uma fortuna em troca da informação e vive hoje amoitado, com a família, na Virginia.

Importante jornal paquistanês dedicou-se à história por algum tempo. Em seguida, outro confirmou a identidade do informante.

Tendo assistido à CIA em ação do Af-Pak ao Iraque, não me surpreendi. A CIA jamais encontraria nem um dos cobertores marrons pashtuns de bin Laden, ao contrário do que ensinam mitos fixados por Hollywood, tipo A hora mais escura.

Quanto ao assassinato, foi – como se diz na gíria dos drones em Nevada – simples assassinato rotineiro, assassinato predefinido. Mais uma vez, diferente do que reza o mito, bin Laden não estava armado com sua Kalashnikov nem usou uma de suas esposas como escudo.

Hersh vai direto ao cerne da questão, quando escreve:

Mas o alto nível de mentiras continua a ser o modus operandi da política dos EUA, além das prisões secretas, ataques de dronesraids noturnos de forças especiais e por aí vai.

E elemento chave de todo o imbróglio é – mais uma vez – a longa mão da Casa de Saud. A citação radicalmente importante do artigo, de fonte top da CIA, falando a Hersh:

Os sauditas não queriam que a presença de bin Laden nos fosse revelada, porque ele era saudita; então disseram aos paquistaneses que o mantivessem fora de circulação. Os sauditas temiam que, se nós soubéssemos, pressionaríamos os paquistaneses para que deixassem bin Laden começar a nos contar o que os sauditas andaram fazendo com a Al-Qaeda. Eles estavam fazendo chover dinheiro – muito dinheiro! Os paquistaneses, por sua vez, temiam que os sauditas dessem com a língua nos dentes sobre [os paquistaneses] estarem com bin Laden. O medo era que, se os EUA soubessem de bin Laden por Riad, seria o inferno. Os EUA terem sabido sobre a prisão de bin Laden por um terceiro não foi a pior solução possível.

Examinei aqui por que toda a “guerra ao terror” é fraude. O que a torna a coisa diferente agora é que parece que os verdadeiros Masters of the Universe que comandam o eixo Washington/Wall Street começam a cansar-se da Casa de Saud.

Barack Obama: Patrocinador do terrorismo wahabbista
Agora, até o New York Times tem licença para publicar que:

Apoio saudita à jihad afegã há décadas ajudou a criar a Al-Qaeda.

Até há bem pouco tempo, essa ‘'notícia'’ seria totalmente inadmissível. A mesma matéria também registra que o novo rei Salman

(...) foi homem de ponta da realeza e levantador de fundos para jihadistas a caminho do Afeganistão, da Bósnia, de vários destinos.

Não é coincidência que esse tipo de matéria apareça exatamente quando Salman “esnobou” Obama ao não dar as caras naquele convescote wahhabista-atlanticista em Camp David.

Assim sendo, eis a conclusão: os que pela primeira vez financiaram Osama bin Laden e depois pagaram aos paquistaneses para que o mantivessem fora de circulação, agora querem que Washington lhes dê todos os tipos de “garantias” de segurança, para terem certeza de que permanecerão para sempre no poder. E continuam a ser a matriz ideológica da qual brotam milhares de novos Osamas.

História assim tão inverossímil, só se for verdade.

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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: SputinikTom Dispatch, Information Clearing HouseRed Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today, e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009. 
− Adquira seu novo livro Empire of Chaos, publicado no final de 2014 pela Nimble Books.




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Hassan Nasrallah: “No Bahrein, projeto semelhante ao projeto sionista”

9/1/2015, Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hezbollah, Al-Manar-TV
Vídeo legendado em francês (18’43) traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
Enviado por Sayed Hassan
O texto original do discurso pode ser lido em árabe

Já há quatro anos, o Bahrain é sacudido por vasto movimento popular pacífico (manifestações, greves, etc.). A população, com mais de 70% de xiitas, protesta de maneira não-violenta contra o autoritarismo, o desrespeito a direitos políticos e cívicos, a discriminação anti-xiitas e a corrupção, e exige reformas políticas e sociais. O regime responde com assassinatos, prisões em massa e até com uma onda gigante de naturalizações, para transformar radicalmente a própria identidade do povo do Bahrain.

Essa monarquia do Golfo Persa é governada há mais de dois séculos pela família Al-Khalifa, sunita e vassala fiel de Washington. No Bahrain, está a mais importante base naval norte-americana de todo o Oriente Médio, o que faz do país um pivô estratégico e militar dos EUA.


No Bahrain a casa reinante [e os EUA] tem hoje um projeto semelhante ao projeto sionista, quer dizer, há uma atividade de colonização no Bahrain, há ali uma invasão. Está em curso uma onde de naturalização forçada de cidadãos, sem precedentes, cada vez mais acelerada : chegam pessoas de todo o mundo. Chegam, recebem a cidadania, oportunidades de emprego, altos salários, segurança, respeito, dignidade... Ao mesmo tempo, os filhos dos cidadãos nativos do Bahrain, cujos pais e avós lá viveram há séculos, há milhares de anos, são despojados de todos os direitos, até dos direitos mais básicos.



(...)

Sobre a ameaça de ataques terroristas

Quero dizer apenas, sobre isso, sobretudo a quem vive no Bekaa e em vilas e cidades de fronteira, e também a todo o povo libanês: na confrontação contra esse perigo terrorista, os libaneses não somos nem incapazes nem frágeis, e não precisamos da ajuda de ninguém. Com nossa força, nosso exército, nosso povo e nossa Resistência, assim como derrotamos os israelenses, nós também venceremos os terroristas e os takfiris e venceremos quem quer que tente agredir o Líbano ou atacar a honra, a dignidade ou a segurança dos libaneses.

Quanto a isso, todos podem ter certeza absoluta: nem a neve, nem o frio, nem as tempestades de neve, nem os martírios, nem os sacrifícios, nem os ferimentos, nem os sofrimentos, nem a carga que tenhamos de carregar, nem qualquer acusação podem modificar coisa alguma na vontade, na determinação de nós todos, sobretudo dos combatentes de Deus, porque para isso existe a proteção do povo, da pátria, das famílias, das cidades. A Resistência já cumpriu com sucesso sua missão e está pronta a assumir essa responsabilidade até o fim.

Apelo a todos e conto com que ninguém se deixará enganar pela campanha de intimidação nem tentará meter medo às pessoas. Afinal de contas, ninguém pode garantir que não haja operação terrorista aqui ou ali. Hoje, o terrorismo pode atacar em qualquer país, seja França, Inglaterra, Espanha, todos os países estão em estado de emergência. Mas é baixo o risco de grande incursão militar.

Seja como for, o povo não foi dizimado, o país está repleto de homens e de mulheres de coragem, não há, nisso, problema algum. Por graça de Deus, ante um dos exércitos mais poderosos do mundo, da entidade sionista, nós resistimos e saímos vitoriosos. Não há dúvidas de que também sairemos vitoriosos da confrontação com grupos terroristas heteróclitos. Sobre a situação interior no Líbano, é o que tínhamos a dizer.

Para encerrar, devo comentar a situação regional – e não quero estender-me demais. Mas com certeza, há desenvolvimentos consideráveis na região, muito importantes. Na Palestina, onde desenvolvimentos muito perigosos ameaçam o povo palestino, a causa palestina e Jerusalém e a mesquita de Al-Aqsa, a questão da Faixa de Gaza e dos prisioneiros em Israel, e a situação na Síria, no Iraque, no Iêmen, no Bahrain, dentre outros pontos de nossa região e do mundo.

Não há tempo aqui para falar em detalhes da situação regional, mas, se Deus quiser, teremos uma entrevista televisionada nos próximos dias, quando poderei falar detalhadamente e quem se interessar poderá ser informado sobre nossa posição e nossas ideias.

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A situação regional: Bahrain

Nesses poucos minutos que restam, sinto-me obrigado a falar exclusivamente, hoje, da situação no Bahrain.

Bahrain - situação geográfica
Há poucos dias as autoridades do Bahrain prenderam o Secretário-Geral da organização nacional islâmica al-Wifaq, Sua Eminência Xeique Ali Salmane, que Deus o guarde e proteja. Evidentemente, foi desenvolvimento muito perigoso, e o fato de que sua detenção se prolongue também é muito perigoso. Quanto às razões dessa prisão, tudo que se possa dizer para condenar a arbitrariedade das autoridades do Bahrein é muito pouco.

Há algo muito importante que se deve destacar, a saber, que as autoridades do Bahrain estão num impasse e viram ruir todas as suas esperanças, apesar de tudo que fizeram nos anos recentes.

O povo do Bahrain reivindica seus direitos, direitos legítimos que ninguém pode contestar. Um dos direitos fundamentais mais básicos hoje, quando o mundo todo fala de democracia, que eles tenham um Parlamento eleito, e que a câmara que vota os direitos do povo do Bahrain seja eleita. Não basta que o Parlamento seja eleito e que só alguns dos membros sejam nomeados pelo governo para participal da votação das leis e do processo político. Pois bem, o que reivindica o povo do Bahrain? Reivindica um Parlamento eleito – e, claro, eleito por lei eleitoral válida e justa – e que tenha completa autonomia. Eis o primeiro ponto.

Segundo ponto: desde o primeiro dia, esse povo fez a opção pela não violência, por movimento pacífico. E é isso que torna único, hoje, o movimento do Bahrain. Porque vocês poderiam contra-argumentar: “Oh Sayed, você fala do Bahrain, mas observe o que está acontecendo nesse tal e nesse outro tal local...”

Ao falar do Bahrain, falo de um povo que afirmou, desde o primeiro dia: “Exigimos o que são direitos nossos, direitos naturais, legítimos, incontestáveis.” – Até aqui falei das reivindicações mais fundamentais, mas há outras.

Porque o povo do Bahrain fez uma opção clara e definitiva pela não violência. Atiraram contra eles, e eles não responderam. Foram mortos nas ruas, e não mataram ninguém. Não só não recorreram às armas e aos explosivos, nem trouxeram combatentes ou grupos de defesa do estrangeiro, mas não usaram nem a faca! Estão firmemente decididos a manter o caráter não violento do movimento. E isso como que encurralou mais firmemente as autoridades do Bahrain ao longo desses anos recentes.

Os dirigentes da oposição, direção ao mesmo tempo religiosa e política, estão firmemente de acordo com manter o caráter não violento do movimento. À frente deles está o Aiatolá Xeique Issa Qassem, que Deus o proteja, e em primeiro lugar o partido Al-Wefaq dirigido por Xeique Ali Salmane, que Deus o guarde. E todos nós libaneses sabemos bem o quanto é difícil respeitar a não violência, porque automaticamente, se atiram contra nós, se quer abrir fogo contra o agressor, a cólera sobre e o recurso às armas é quase imediato. Se há armas ou se é preciso comprar armas, o agredido pensa dia e noite em encontrar uma arma, seja como for.

Xeique Issa Qassem
Não o povo do Bahrain. Eles veem suas casas atacadas, suas mulheres atacadas, seus mais sábios jogados no cárcere, suas autoridades religiosas presas, seus comandantes políticos presos, suas mulheres, seus filhos, feitos prisioneiros. E todos sabemos bem o que acontece naquelas prisões. Isso, quando não são assassinados nas ruas... Mas nem assim o povo do Bahrain recorreu à violência. Continuaram o movimento como sempre, continuaram a fazer greves, a se manifestar, a reunir-se, a discursar, limitaram-se aos meios pacíficos, e, mesmo, as meios mais pacíficos.

A Resistência, como se sabe, tem meios reconhecidos como pacíficos, não violentos. Mas o povo do Bahrain só muito raramente recorreu aos nossos meios pacíficos: sempre, ou quase sempre, foram pacíficos à própria maneira deles.

As autoridades do Bahrain falam sempre de diálogo, mas na realidade jamais se envolveram seriamente em qualquer diálogo. E aquela oposição sempre, sempre, esteve disposta ao diálogo, sempre! Porque a própria natureza do movimento deles e de seus objetivos de paz implica o diálogo. Mas as autoridades sempre se negaram ao diálogo e a qualquer resultado de algum diálogo.

Qual o plano das autoridades do Bahrain durante os primeiros anos? Esperavam que, por fim, o povo se cansaria. Manifestaram-se no primeiro dia e no segundo dia; durante o primeiro mês e durante o segundo mês; por um ano, depois pelo segundo ano, terceiro ano... Nós, aqui no Líbano, cansamos de manifestações de rua ao final de um mês, dois meses. Passados dois meses, nos dizemos que basta, que manifestações de rua não levam a nada. Pois o povo do Bahrain está na rua, em manifestação, já há quatro anos. Como uma greve de quatro anos. O movimento popular não violento no Bahrain já dura quatro anos! É sem dúvida modelo excepcional e único no mundo atual.

Em todos os locais conhecidos, os movimentos populares ou se desencaminharam ou rapidamente se tornaram movimentos violentos. Não no Bahrain. E não porque não haja homens no Bahrain. O povo do Bahrain é conhecido pela coragem, pela nobreza, pela dignidade, pelo entusiasmo e pela audácia. É o que ensina a história do Bahrain.

Digo-lhes claramente, porque a família reinante, Al-Khalifa, não pode me meter numa daquelas prisões: não é que, no Bahrain, ninguém possa contar com muitas armas. Não é porque não haja alguém disposto a enviar armas ao Bahrain, ou, mesmo, disposto a enviar combatentes a armados para defenderem o povo do Bahrain. O Bahrain é como todos os demais países. É possível enviar armas e combatentes armados a absolutamente qualquer país do mundo. Até ao país mais controlado, pode-se mandar armas, combatentes e é possível sabotar qualquer governo de qualquer país do mundo. Pequenos grupos de sabotadores podem sabotar os maiores países.

Hamad bin Isa al Khalifa, rei do Bahrain
A verdadeira razão, a razão profunda, é que a vontade dos dirigentes religiosos e políticos da Resistência no Bahrain, assim como a vontade e a razão profunda do povo do Bahrain são absolutamente opostos à violência. Eles estão absolutamente decididos a manter a não violência e o diálogo pacífico como suas únicas armas.

As autoridades contavam com que os manifestantes acabariam por cansar-se e desesperar, mas, passados já quase quatro anos, o povo não se cansou nem desesperou. Apesar de o mundo ter abandonado completamente o Bahrain, a «comunidade internacional», os países, os governos... Inclusive muitos dos que apoiaram a Primavera Árabe não dão hoje sinal algum de apoiarem a causa do povo do Bahrain. E quando chegam ao Bahrain só fazem descrever a situação ali, injustamente, erradamente, só pela hostilidade, como se se tratasse de movimento sectário – quando a luta do povo do Bahrain absolutamente nada tem de sectária.

Infelizmente, não tenho tempo, agora, para falar com mais detalhes do Bahrain e do sofrimento infligido àquele povo? Vocês sabem o que fazem as autoridades no Bahrain? Quem são? O que querem? Preferiria não ter de usar esses termos, mas vou dar nomes às coisas, pelo menos uma vez.

No Bahrain a casa reinante tem um projeto semelhante ao projeto sionista, quer dizer, há uma atividade de colonização no Bahrain, há ali uma invasão. Está em curso uma onda de naturalização forçada de cidadãos, sem precedentes, cada vez mais acelerada: chegam pessoas de todo o mundo. Chegam, recebem a cidadania, oportunidades de emprego, altos salários, segurança, respeito, dignidade... Ao mesmo tempo, os filhos dos cidadãos nativos do Bahrain, cujos pais e avós lá viveram há séculos, milhares de anos, são despojados de todos os direitos, até dos direitos mais básicos. Em qualquer reivindicação política, quem se manifesta é preso, perde a nacionalidade. As autoridades estão fazendo o máximo esforço possível para modificar completamente a identidade do povo do Bahrain.

Dia virá em que os habitantes do Bahrain já não serão os povos nativos do Bahrain, mas outras pessoas. Exatamente como fazem os sionistas na Palestina, para que, um dia, todos os nativos da Palestina tenham sido expulsos de lá e lá só vivam judeus emigrados do mundo inteiro. É injustiça imensa. É grande opressão, ou não é?

Pois apesar de todas essas traições e dificuldades, o povo do Bahrain manteve seu movimento. Não desesperou. As autoridades viram que o povo não abandonou as manifestações.

Na sequência, o estado bahraini apostou em que os dirigentes religiosos e políticos abandonariam o povo, quando o povo lhes pedisse satisfações: “nos manifestamos sem parar durante um, dois, três, quatro anos, sempre pacificamente, e onde estão os resultados?” O governo do Bahrain contou com que o povo se desiludiria de seus guias religiosos, que desertariam. Nada disso aconteceu: os dirigentes políticos e religiosos populares mantiveram-se e mantêm-se ao lado do povo do Bahrain, decididos a manter vivo o movimento.

As autoridades do Bahrain mudaram de aposta – e assumo plenamente a responsabilidade pelo que digo, e espero que nossos irmãos no Bahrain ouçam minha tomada de posição. As autoridades passaram a tentar afastar os jovens para longe do movimento e do país, pela violência de seus atos de opressão. Porque muito interessa à família reinante no Bahrain, que o povo seja empurrado para a violência, porque se for possível acusar a oposição de praticar atos violentos, o poder poderá invocar a segurança nacional e civil e responder a tiros contra a oposição; pode matá-los em quantidades ainda maiores e pode ter mais esperanças de aniquilar a oposição.

Já há quatro anos o poder reinante no Bahrain tenta empurrar a oposição para um confronto armado e à plena violência. Até agora, sempre fracassou.

Repito aqui, mais uma vez, que uma das principais razões de o movimento manter sua natureza pacífica é a cultura do próprio povo e de seus dirigentes populares e religiosos. Porque, mesmo que a direção seja profundamente antiviolência, se a cultura do povo o empurrar noutra direção, todo o movimento caminhará para o enfrentamento e a direção popular, política e religiosa, não conseguirá operar milagres. A cultura e os dirigentes políticos e religiosos do povo do Bahrain é que garantem que o movimento se mantenha pacífico.

Xeique Ali Salmane
Como se poderia explicar a prisão do Xeique Ali Salmane? Foi preso exatamente porque é um dos chefes religiosos simbólicos que sempre insistiu e insiste em que o movimento se mantenha pacífico. O mais provável é que, daqui em diante, assistamos (e todos devem manter-se atentos) à prisão de todos os chefes que mais insistem em que o movimento se mantenha não violento. A ideia é que, se conseguirem matar o pacifismo que inspira o movimento popular no Bahrain, será possível matar todo o movimento.

E sabem qual a acusação feita contra o Xeique Ali Salmane? Foi preso por incitação à violência! Ora, quem queira acusar alguém apenas para «tirá-lo» de circulação, tem de encontrar acusação que seja, pelo menos, crível. Todo o povo do Bahrain conhece o Xeique Ali Salmane. É homem não violento, não violento, não violento (e podem repetir até perder o fôlego). Há gente, inclusive dos que vivem ao seu lado, que têm restrições, mesmo, ao pacifismo sem limites dele.

E esse Xeique, esse chefe, esse modelo, é acusado de quê? De incitar as pessoas à violência. Por que estaria ele incitando alguém a alguma violência? Para derrubar o regime. Na verdade, há dentro da oposição muitos debates, alguns defendem abertamente o golpe para derrubar o regime e a família reinante Al Khalifa; outros só querem reformas, com Parlamento eleito e governo eleito, como é natural em qualquer oposição. E o Xeique Ali sempre integrou essa segunda categoria de reformistas. Nunca pregou a derrubada do regime e jamais incitou à violência. Ele nunca apelou à mudança de regime e nunca incitou à violência. Mais uma vez, o regime serve-se de mentiras e de pretextos sem fundamento.

Mais cedo ou mais tarde, o governo e o regime do Bahrain acabarão por ver que cometeram ato estúpido, que agiram como doidos. Nunca conseguirão pôr fim ao movimento, nem metendo na prisão seus sábios e pensadores e símbolos, nem encarcerando o Xeique Ali Salmane ou qualquer outro líder religioso. Ainda que o governo do Bahrain conseguisse meter na cadeia todo o povo do Bahrain ou alguma vasta maioria, talvez pusesse fim ao movimento nas ruas, não dentro das prisões. Esse povo está resolvido a manter seu movimento, sob a orientação de seus chefes devotados, corajosos e sábios, e estão todos determinados a manter o caráter pacífico.

E aqui manifesto toda nossa solidariedade e apoio a eles, desde os primeiros instantes daquele movimento: nós sempre nos postamos ao lado daquele movimento popular pacífico e de seus objetivos dignos, buscados por meios civis.

Conclamamos todos os povos do mundo a apoiar o povo do Bahrain, a mostrar a todos a opressão que sofre, e conclamamos todos os países e organizações internacionais a fazer pressão contra aquele governo tirânico e opressor, para que assegure àquele povo direitos legítimos.

Conclamamos todos os povos do mundo e todas as organizações internacionais a fazer pressão a favor da libertação de todos os prisioneiros políticos (dirigentes populares, sábios, professores, etc.), e em primeiro lugar Sua Eminência e amigo da Resistência Xeique Ali Salmane.

Ao mesmo tempo, afirmo e confirmo (todos nós o defendemos) o apelo dos sábios e mestres e dos chefes do movimento popular do Bahrain – confirmado pelo Xeique Ali Salmane de dentro da prisão – para que o movimento persevere na trilha da não violência. Devemos ter todos em mente que as autoridades do esperam, com as atuais prisões e outras similares, empurrar o povo na direção da violência e da confrontação armada. A violência em nenhum caso interessa ao Bahrain nem ao povo do Bahrain. Para ter certeza, basta observar a situação de todos os países da região. Em todos os casos em que os movimentos populares armaram-se, qual foi o resultado? Que outro resultado haveria, em seja qual for o país ?

Fosse como fosse, tinha de evocar essa questão nessa ocasião. E esperemos que Alá renove a oportunidade, ano que vem, com nossa comunidade já vitoriosa de todas essas provas pelas quais passa, e que tenha podido superar seus desafios, com verdadeira vitória, com dificuldades superadas graças à unidade, à vigilância e à sabedoria. Assumindo suas responsabilidades e conseguindo fazer fracassar todos os ardis e complôs fomentados dentro e em volta de nossa comunidade, que sempre a podem lançar ao abismo.

Que Deus lhes assegure todo o sucesso, que sejam recompensados por estarem aqui. Tenham uma boa festa. Que a Paz e as Bênçãos de Deus estejam com vocês, e toda Sua Graça.