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terça-feira, 26 de maio de 2015

Aiatolá Ali Khamenei: “O Irã nunca cede a ameaças. Os EUA perderam a honra”



6/5/2015, Guia Supremo da República Islâmica do Irã, Aiatolá Sayed Ali Khamenei
Discurso proferido num encontro com alunos em 6/5/2015
Transcrições em farsi e inglês
Enviado por Sayed Hasan e excerto traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

A seguir: vídeo em farsi, legendado em francês:
Nesse discurso, Sayed Ali Khamenei relembra as razões da hostilidade do ocidente contra o Irã, a saber, o fato de que o Irã é potência independente e anti-imperialista, que soube resistir a todas as tentativas de desestabilização orquestradas do exterior do Irã. Como para a reaproximação com Cuba, trata-se de os EUA reconhecerem o fracasso de sua política de agressão total (econômica, militar, diplomática, mediática etc.) visando a impor uma ‘mudança de regime’ a nações cujos regimes gozam de amplo apoio popular. Sayed Khamenei denuncia as ameaças de ataque militar, como fanfarronices vãs, e lembra que, com a agressão norte-americana e saudita contra o Iêmen, os EUA perderam toda a honra e a respeitabilidade que tivessem no Oriente Médio e no mundo.

Sua Eminência Aiatolá Sayed Ali Khamenei: [Excerto] “Há outro ponto que não tem relação com o sistema educacional, mas é umas das questões fundamentais do país. Esse ponto concerne ao modo como os inimigos comportam-se na relação com a República Islâmica.

Ao longo dos últimos 35 anos, a grandeza do movimento glorioso e nosso povo sempre atraiu a atenção de inimigos. Muitas vezes mostraram vangloriaram-se exibindo a própria vaidade e suas fanfarronadas, e fizeram tudo o que puderam fazer contra nós. Mas de um modo ou de outro sempre manifestaram temor respeitoso pelo povo do Irã e pela República Islâmica. Consequentemente, temos de preservar tudo isso. O temor respeitoso – que é realidade, não é ilusão – tem de ser preservado. Somos grande país com mais de 70 milhões de habitantes, e temos passado cultural e histórico profundo e mais original que o passado cultural e histórico de muitos países do mundo. Somos povo corajoso e determinado. Somos povo que defendemos nossa identidade e nosso caráter nacional.

Exemplo disso se viu durante os oito anos da Sagrada Defesa [1980-1988, a “Guerra Imposta” por Saddam Hussein contra o Irã]. Ao longo daqueles oito anos, todas as potências mundiais a leste e a oeste, bem como seus agentes e asseclas uniram forças para pôr de joelhos o povo iraniano, o que jamais conseguiram. O povo iraniano portanto não poderia expor-se aos olhos dos observadores mundiais em toda nossa grandeza e glória?

É claro que essa grandeza deve ser preservada. Os responsáveis políticos de diferentes países e os bem informados nos disseram – alguns disseram diretamente, outros não, mas falaram disso entre eles, e fomos informados – que se as sanções que nossos inimigos nos impuseram e as pressões que fizeram contra a República Islâmica, tivessem sido impostas e feitas contra qualquer outro país, ela teriam reduzido qualquer outro país a nada. Mas não fizeram tremer a República Islâmica. 

[Vozes da audiência: “Maior é Deus! Khomeini e Khamenei são nossos líderes!” “Morte aos EUA! Morte a Israel!”] 

Nós somos efetivamente uma grande potência. Não se trata de incidente de somenos; essa é uma realidade essencial.

Claro está que a propaganda mundial impõe sempre um manto, uma cortina, uma névoa para que os públicos não percebam corretamente as realidades. Enquanto isso, muita gente, pelo mundo e em numerosos países – sobretudo países próximos de nós – veem bem essas realidades. Todos os políticos pelo mundo veem essas realidades. Vocês não devem dar nenhuma atenção ao que dizem esses dirigentes nacionais, políticos e porta-vozes de diferentes países ocidentais e europeus, nos EUA e em outros pontos do mundo – que com frequência fazem declarações absurdas. Eles também conhecem a grandeza, a glória, a potência e a competência do povo iraniano, embora nada digam, pensando só nos seus próprios interesses.

Já várias vezes falei das negociações nucleares e de outras questões, e já comunicamos nossas exigências, mas todos – incluídos os responsáveis pela política exterior, outros responsáveis e as elites da sociedade – devem prestar atenção ao fato de que, se um povo não defende adequadamente a própria identidade e a própria grandeza ante potências estrangeiras, ele com certeza será rebaixado. Disso não há dúvidas. Temos de apreciar o valor de nosso caráter e de nossa identidade.

Os inimigos continuam a nos ameaçar. Ainda há poucos dias, dois políticos norte-americanos fizeram ameaças militares. E as mesmas ameaças foram feitas por inúmeros outros políticos que não ocupam postos importantes e sensíveis. Não compreendo. O que significam as negociações, à sombra dessas ameaças? Querem que negociemos sob ameaça! É como se erguessem uma espaça sobre nossas cabeças!

O povo do Irã não é assim. O povo do Irã não admite negociar sob ameaças. Por que nos ameaçam? Por que dizem tais absurdos? Dizem que em tal e tal caso, podem atacar o Irã. Para começar, ao diabo as ameaças de vocês! 

[Vozes da audiência: “Maior é Deus! Khomeini e Khamenei são nossos líderes!” “Morte aos EUA! Morte a Israel!”]

Vocês não ousarão nos atacar. E, segundo, já disse àquela época ao antigo presidente dos EUA – naquela época, ele também fazia ameaças –, que o tempo dos ataques relâmpago (atacar e fugir) está acabado. Vocês já não podem supor que “Atacamos e fugimos correndo” [risos na plateia]. Já não existe esse tipo de coisa.  Vocês se afundarão e nós os rastrearemos e apanharemos. O povo do Irã nunca deixará escapar quem tente qualquer violência contra nós. Rastrearemos e apanharemos qualquer um que tente tal coisa contra nós.

Todos, todo o mundo – inclusive os negociadores – que prestem muita atenção a isso. Nossos negociadores devem manter atentamente em consideração as nossas linhas vermelhas e nossas principais orientações. Sim, eles já fazem exatamente isso. Pela graça de Alá, continuarão a tomá-las em consideração e não violarão as linhas vermelhas.

Assim sendo, é absolutamente inaceitável que os norte-americanos tanto ameacem. Por que ameaçam tanto? Essas negociações são tão necessárias para eles, quanto para nós. Sim, claro, queremos o fim das sanções, mas mesmo que não acabem, algum jeito sempre daremos para lidar com as dificuldades. Está provado! Já falei sobre essa questão [Khamenei, “Economia de Resistência”[1]], e felizmente, hoje, já vejo o que dizem os economistas e outros diferentes responsáveis e os que conhecem bem as questões econômicas do país. Eles dizem que não é verdade que os problemas econômicos do país sejam tributários das sanções, e que os problemas econômicos não possam ser resolvidos, se as sanções não forem levantadas.

Os problemas econômicos podem ser resolvidos com nossa própria determinação, nossa vontade, nossas ações e nossas medidas, haja ou não haja sanções. Claro que, se as sanções sumirem, será tudo mais fácil. Com as sanções aí, será um pouco mais difícil, mas é possível.

Essa é nossa perspectiva sobre o tema das negociações, mas o atual governo dos EUA precisa realmente, e muito, dessas negociações.

Um dos pontos que os norte-americanos muito repetem é que teriam conseguido levar a República Islâmica à mesa de negociações e impor a ela uma ou outra coisa. Dizem, porque precisam disso. Se nossos adversários não precisassem dessas negociações mais do que nós precisamos – como é precisamente o caso –, no mínimo precisariam delas tanto quanto nós. Assim sendo, por que tantas ameaças?

Não concordo de modo algum com negociações conduzidas à sombra de ameaças. Nossos responsáveis podem ir e discutir. Podem negociar e chegar a um acordo. Tudo isso é aceitável – evidentemente, se e somente se forem observadas as principais linhas diretrizes –, mas em nenhum caso devem aceitar a coerção, a intimidação, a humilhação ou quaisquer ameaças.

Hoje, a reputação dos EUA está arruinada em todo o mundo. A ação do governo saudita no Iêmen não pode ser justificada, de modo algum, por nenhuma lógica ou argumento. Se alguém manda aviões para outro país, perguntando “Por que querem vocês que cicrano ou beltrano governe? Por que uma pessoa, não outra?”, e se a mesma pessoa decide agredir o povo, tomar por alvo peças de infraestrutura, cometer crimes, matar mulheres e crianças e incendiar as cidades... nada há que justifique esses atos. Não há. Mas os norte-americanos apoiam esse grande crime e essa ação injustificável.

Pode haver desonra e vergonha maiores que essas? Hoje, os EUA não têm honra, não lhes sobre nenhuma dignidade aos olhos dos povos da região. Todo o mundo vê essa situação.

Os norte-americanos dizem abertamente que fazem o que fazem e que não se sentem de modo algum envergonhados do que fazem. Na sequência, nos perguntam: “Por que vocês querem mandar ajuda [ao povo do Iêmen]?”

Gostaríamos de enviar uma ajuda farmacêutica, medicamentos para os feridos. Nunca quereríamos enviar armas, porque lá não há falta de armas. Todas as bases militares e forças armadas iemenitas estão em mãos das massas revolucionárias e do grupo “Ansarullah” [que os sunitas e a mídia-empresa ocidental chamam de “os houthis” (NTs)]. Esses iemenitas não precisam de nossas armas.

Queríamos enviar-lhe medicamentos, mas os EUA impuseram sítio de medicamentos contra todo um povo. Os EUA lhes impuseram bloqueio de alimentos e energia e, na sequência, decidiram “Ninguém pode ajudá-los”.

Os norte-americanos impediram até que o Crescente Vermelho levasse ajuda humanitária ao povo sacrificado do Iêmen. Os próprios norte-americanos fornecem informação militar aos sauditas. Fornecem armas e recursos a eles e lhes garantem apoio político. Os EUA já não têm boa reputação, nem lhes resta qualquer honra.

A via que o grande povo do Irã escolheu é via razoável, sólida e promissora. Para grande desassossego dos inimigos, nossa via será produtiva e frutuosa e o povo do Irã conhecerá o sucesso. Então o inimigo verá que fracassou no intento de alcançar seus objetivos viciosos contra o povo do Irã.

Que a misericórdia de Deus esteja com nossos amados mártires, que sacrificaram a vida, e com nosso Imã magnânimo, Imã Khomeini, que nos abriu essa via. Que a misericórdia de Deus esteja com vocês, queridos irmãos e irmãs, crentes e entusiastas, que têm papel tão grande nesse palco.

Que a paz de Deus desça sobre vocês, com Sua misericórdia e Suas bênçãos.

[fim do excerto]
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Nota dos tradutores

[1] 12/3/2014, em audiência aos responsáveis econômicos do governo: “Economia de Resistência” não é ‘austeridade’; ela se serve, isso sim, de políticas que assegurarão o conforto e a prosperidade da sociedade (...) São políticas que representam uma solução dinâmica e de longo prazo para a economia do país, uma vez que realizam os objetivos econômicos da Ordem da República Islâmica.” Na verdade, a aplicação da política da Economia da Resistência é uma variante da gestão do consumo, centrada no reajustamento do modelo de consumo e na propagação da cultura da produção nacional, sempre insistindo num programa que visa a assegurar a promoção qualitativa e concorrencial da produção. Nesse sentido, a Economia de Resistência distingue-se da austeridade econômica, porque a Economia de Resistência não limita recursos, mas promove o uso qualificado, da melhor maneira possível, dos recursos existentes, acompanhando um programa-calendário. Enquanto nos programas da chamada ‘austeridade’ econômica, eles partem de recursos e em capitais limitados, o que obriga a cortar o orçamento público ou a reduzir o consumo para, com isso, enfrentar as limitações e dificuldades.

Ponto essencial a destacar na Economia de Resistência é que ela visa a apoiar a produção nacional e a trabalhar para ampliá-la, consideradas as capacidades econômicas do país. (...) Nesse sentido, os contornos da Economia de Resistência definem-se em diferentes eixos: encorajar os investimentos, no plano das exportações, na planificação de uma economia nacional apropriada às exigências da exportação, constituição de novos mercados, diversificação de laços econômicos com diferentes países, sobretudo com os países da região (...). Essas são medidas que se encontram, na perspectiva da Economia de Resistência, nos antípodas da economia dependente e de consumo, necessitando, não só um movimento dinâmico, mas também reformas na estrutura econômica com vistas ao futuro” (12/3/2014, Ali Khamenei, Quels sont les objectifs de l’économie de Résistance?, excerto aqui traduzido).

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sayyed Hassan Nasrallah, Secretário-Geral do Hezbollah: Resistência e empenho máximo no combate em todas as frentes


24/5/2015, Al-Manar, Líbano
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Sayyed Hassan Nasrallah no Dia da Liberação
24/5/2015
O Secretário-Geral do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah destaca que a Resistência luta, maximamente empenhada, em todas as frentes. Mas lembrou que, embora o Hezbollah esteja combatendo na Síria, nunca perde de vista Israel.

Falando em gigantesca cerimônia no Dia da Resistência e Libertação, Sayyed Nasrallah falou da urgente necessidade de todas as frentes se unirem no Oriente Médio para destruir o esquema Takfiri, porque, disse Sua Eminência, aquele esquema ameaça toda a região.

Sua Eminência reiterou a importância da interação exército+povo+Resistência, observando que os países da região devem confiar nessa “equação de ouro”.

O líder da Resistência disse que o Hezbollah continuará sua batalha em Qalamoun até que toda a fronteira do Líbano esteja segura. Nesse contexto, Sua Eminência disse que o governo libanês tem de discutir e resolver a questão de Arsal, porque “nosso povo em Bekaa não deixará vivo nenhum militante Takfiri” na cidade fronteiriça.

Ao regime do Bahrain, Sayyed Nasrallah recomendou que atenda as demandas de seu povo, e disse que o ISIL está já em solo do Bahrain. Sua Eminência recomendou aos sauditas que ponham fim à agressão no Iêmen, para facilitar o diálogo político que começa em Genebra nos próximos dias.

A história se repete

Na abertura de sua fala, Sayyed Nasrallah apresentou condolências aos moradores da região saudita de Qatif, onde um suicida-bomba, dois dias antes, matou e feriu vários fiéis que rezavam na Mesquita do Imã Ali (que a paz esteja com ele).

No Dia da Resistência e da Libertação, Sayyed Nasrallah saudou as multidões que resistem, seus mártires, os feridos, todos os combatentes da Resistência e suas famílias. Saudou também os líderes da Resistência, Imam Sayyed Moussa al-Sadr, Sayyed Abbas al-Mousawi, Sheikh Ragheb Harb e Hajj Imad Moughnieh – e os aliados da Resistência, Irã e Síria.

Falando sobre a ocasião, Sayyed Nasrallah disse que o Hezbollah, com outras frentes patrióticas, decidiram-se pela Resistência – mas alguns grupos no Líbano não apoiaram essa decisão.

“Falarei sobre os primeiros estágios da Resistência, porque os eventos aos quais assistimos hoje sugerem circunstâncias semelhantes” – disse Sayyed Nasrallah à multidão que o saudava na cidade de Nabatiyeh.

E continuou:

“Quando o inimigo israelense invadiu o Líbano em 1982, os libaneses discordaram no modo de encarar a invasão. Alguns tinham compreensão clara da ameaça israelense, enquanto outros apostavam na invasão e participaram dos massacres que foram cometidos”.

“Sempre, desde que iniciamos a luta, houve quem duvidasse da dedicação e do patriotismo da Resistência”.

“Três anos depois, a Resistência conseguiu infligir perdas ao inimigo israelense, forçando-o a retirar-se sem condições – lembrou Sayyed Nasrallah, referindo-se à retirada dos israelenses, que tiveram de deixar várias cidades do sul, na guerra de 1985.

Degoladores "takfiris" são apoiados por Israel
Sayyed Nasrallah disse que, depois desses eventos, a Resistência manteve, até 2000, os efeitos daquela retirada humilhante da entidade sionista, que teve de deixar o sul do Líbano. E destacou que, se não tivesse havido resistência, o inimigo israelense teria invadido o Líbano.

“Foi vitória de alguns libaneses, embora tenha sido dedicada a todo o povo libanês”.

Depois de relembrar vários feitos da Resistência, principalmente a Libertação, Sayyed Nasrallah disse que, hoje, o Líbano enfrenta ameaça similar à ameaça israelense: o esquemaTakfiri.

“Hoje, a história se repete. O esquema que hoje ameaça toda a região, povos e exércitos, é o projeto Takfiri, do qual o ISIL é uma amostra”.  

“Infortunadamente, há alguns lados que entendem que os Takfiris não nos ameaçariam. E há os que se mantêm neutros. E também há os que apoiam aqueles Takfiris e apostam neles”.  

Sayyed Nasrallah falou sobre o perigo que são os Takfiris e disse que ninguém está a salvo deles, nem no Líbano nem na região.

“Estamos diante de ameaça sem precedentes. O que fez o ISIL no Iraque e Síria? O que fez até com grupos de sua própria tendência? Em vez de se unirem, eles se combatem e massacram-se uns os outros”.

“Meu conselho para os que estão calados e apostam nos Takfiris é que tenham muito cuidado, porque eles mesmos serão as primeiras vítimas”. Sayyed Nasrallah alertou que “líderes e deputados do movimento Futuro serão as primeiras vítimas dos Takfiris”.

Conclamou também os cristãos a que não se calem ante essa ameaça, sem saber quem os protegerá, quem protegerá suas famílias e igrejas, contra a ameaça Takfiri.

Frente Unida

No mesmo contexto, o líder da Resistência conclamou povos e governos da região a se unirem numa só frente, para lutar contra a ameaça Takfiri.

“Para derrotar os Takfiris, os povos dessa região têm de confiar neles mesmos e unir-se contra o inimigo de todos”.

Sua Eminência disse que “a equação de ouro é exército+povo+Resistência como solução para derrotar a insurgência Takfiri em qualquer país.

Noutro contexto, Sayyed Nasrallah disse que a coalizão chefiada pelos EUA e que estaria operando contra o ISIL no Iraque e Síria não é séria nem confiável para fazer frente ao grupo terrorista. “Os Takfiris movem-se de uma cidade para outra, no Iraque e Síria, sob as vistas de Washington”, disse.

Sua Eminência lembrou que “O número de ataques aéreos da coalizão chefiada pelos EUA ao longo de um ano contra os Takfiris é menor que o número de ataques aéreos de Israel contra o Líbano durante a guerra de julho, em 2006”.

Batalha de Qalamoun

Sobre a batalha que se trava nos terrenos pedregosos de Qalamoun, Sayyed Nasrallah disse que o Hezbollah prossegue nessa operação, mas que é errado apresentar a batalha contra os Takfiris em Qalamoun como batalha do Hezbollah.

Qalamoun, Líbano - localização geográfica
“Essa é batalha do governo” – destacou o Secretário-Geral do Hezbollah.

“A batalha nas áreas de Qalamoun continuará, até que as fronteiras do Líbano estejam seguras” – disse Sua Eminência, observando que a questão da cidade fronteiriça de Arsal, que tem sido considerada fortaleza dos Takfiris, deve ser discutida no Gabinete libanês.

“É responsabilidade do governo resolver essa questão. (...) O Ministro do Interior [Nouhad Mashnouq] diz que se trata de cidade ocupada. O governo que desocupe e retome a cidade”. Dirigindo-se aos representantes do movimento Futura, Nasrallah aconselhou-os a “não deixar de discutir no Gabinete a situação de Arsal”.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Sayyed Nasrallah: “Estamos no coração da batalha de Qalamoun. Se o Estado não assumir suas responsabilidades, o povo as assumirá”


16/5/2015, Zeinab Essaal-Ahed News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Hassan Nasrallah em 16/5/2015
O secretário-geral do Hezbollah, Sua Eminência Sayyed Hassan Nasrallah, falou sábado pela televisão libanesa, e tratou de vários tópicos internos e regionais, sobretudo das vitórias da Resistência em Qalamoun.

Na abertura de sua fala, Sua Eminência desmentiu todos os rumores mentirosos sobre seu estado de saúde. Disse que os boatos vêm no contexto da guerra psicológica contra a Resistência e seu povo.

Nova Nakba...

Sayyed Nasrallah disse que al-Nakba nos faz pensar imediatamente na Palestina ocupada, nos milhares de palestinos deslocados em 1976 e no estabelecimento da atual situação dos sionistas que conspiraram contra e atacaram todos os países em torno, incluindo Líbano, Síria, Egito e outros.

Convocou o mundo árabe e muçulmano a

(...) estudar as causas da Nakba e a identificar as responsabilidades, para que as gerações contemporâneas aprendam com a experiência passada, que incluiu as lutas honradas dos mujahidin e dos mártires e também os que traíram a própria nação para servir a interesses privados.

Na sequência, Sayyed Nasrallah alertou que a nação árabe e muçulmana enfrenta hoje uma nova Nakba:

No Líbano, na Síria, Iraque e em todo o mundo árabe e muçulmano onde hátakfiris, haverá uma nova Nakba.

Sua Eminência conclamou a que enfrentemos o novo projeto takfiri dos EUA, que criará uma nova Nakba e visa a segmentar nossa nação muçulmana.

Aconselhou a nação a aprender as lições do passado e que todos os lados têm de assumir suas responsabilidades na luta contra o projeto takfiri dos norte-americanos, que quer produzir uma Nakba ainda maior.

Nakba dos militantes takfiris foi trazida pela primeira vez à região pelo projeto sionista britânico. Agora que a traz é o projeto sionista takfiri norte-americano, e os EUA o usam para enfraquecer a nação muçulmana, dividi-la em pedaços e assumir o controle de nossas capacidades – disse Nasrallah.

No coração de Qalamoun. A vitória está próxima

Qalamoun, divisa com a Síria
Passando a tratar de alguns aspectos dos sucessos da Resistência em Qalamoun, Sayyed Nasrallah destacou que:

(...) o exército sírio, apoiado por outras forças sírias das cidades e vilas de Qalamoun, e o Hizbullah são uma única equipe. A equipe adversária é a Frente al-Nusra e o ISIL – disse Sua Eminência. A batalha de Qalamoun está sendo travada em áreas localizadas até a 2.500m acima do nível do mar. Já tivemos várias batalhas em Qalamoun, com derrota para os grupos adversários armados.

Sua Eminência anunciou que a Resistência continua no centro da batalha de Qalamoun. Observou também que a tomada dos postos terroristas em Qalamoun foi importante para garantir a segurança da rodovia Damasco-Homs e cidades libanesas de fronteira, lembrando as centenas de foguetes disparados da Síria, por grupos armados, contra o Líbano, ao longo de vários anos.

Não estou dizendo que a região esteja em total segurança, porque ainda há militantes nos arredores de Arsal – disse Nasrallah, que continuou – e enquanto estiverem nos arredores de Arsal e de outras áreas remanescentes de Qalamoun, não posso falar de segurança completa.

Para Sayyed Nasrallah,

(...) uma das consequências diretas da batalha de Qalamoun é impor forte derrota aos terroristas e obrigá-los a fugir da áreas onde houve combates. Com isso, foram reconquistados 300 km2 dos territórios libanês e sírio.
Os grupos armados sofreram grave derrota e retiraram-se de todas as áreas onde houve combates. As bases que deixaram para trás foram destruídas.

Sua Eminência disse também que

(...) os arredores de Assal al-Wared, al-Jebbeh e Flita foram conectados aos arredores de Baalbek, Nahleh e Younine.

As maiores fontes financeiras para grupos armados estão no Líbano, apesar de todas as medidas tomadas pelo exército libanês – salientou Nasrallah.

O líder da Resistência disse que residentes do Vale do Bekaa no Líbano, especialmente moradores de Baalbek e Hermel, não admitirão a presença de terroristas nos arredores de suas vilas e cidades.

Nasrallah previu que:

Se o Estado não assumir a responsabilidade de dar segurança a essas cidades, os moradores do Bekaa assumirão eles mesmos a própria segurança.

Enquanto isso, reiterou,

(...) é nosso direito e direito dos cidadãos de Baalbek e Hermel esperar pelo dia em que não haja nem um único terrorista nas áreas próximas da fronteira libanesa.

Nesse contexto, Sayyed Nasrallah garantiu que a Resistência está em combate contra os extremistas, e manifestou otimismo de que dia vira quando não haverá mais terroristas no Líbano, nem nas áreas de fronteira.

Parem de inventar brigas com o Exército Libanês

Exército libanês desloca-se para Qalamoun
Mas, segundo Sua Eminência,

(...) certas forças políticas libanesas lançaram campanha de propaganda de intimidação antes e depois da batalha de Qalamoun. Perdem tempo, porque nada conseguirá enfraquecer a determinação da Resistência.

Sua Eminência desmentiu também comentários segundo os quais o Hezbollah estaria tentando envolver o Exército Libanês na batalha de Qalamoun.

A Resistência aprecia e respeita o Exército Libanês e sua liderança, e tem cuidado para mantê-lo longe de qualquer conflito em Qalamoun – disse ele, garantindo que enquanto houver terroristas nos arredores de Arsal e em áreas remanescentes de Qalamoun não podemos dizer que a segurança seja completa.  
Os que sequestraram e mataram soldados do exército libanês, que assaltaram postos militares e áreas residenciais no Bekaa, detonaram carros bombas em diferentes áreas do Líbano e ocuparam fatias de territórios libaneses em Arsal são terroristas.

Aos que têm defendido os chamados “rebeldes”, Sayyed Nasrallah enviou mensagem clara:

Se a referência política daqueles grupos é a Arábia Saudita, Frente Nusra e o “ISIL”, e as cortes libanesas bem como a comunidade internacional consideram-nos terroristas, por que há forças políticas legais no Líbano que lhes dão apoio?

Respondendo a notícias fortemente exageradas, divulgadas pela mídia, sobre o número de mártires na batalha de Qalamoun, Sayyed Nasrallah revelou que

(...) até aqui, foram martirizados 13 combatentes do Hezbollah membros da Resistência Mujahideen. E o Exército Sírio e as unidades da mobilização de resistência popular síria somados, perderam sete combatentes.
Em Qalamoun, misturaram-se o sangue sírio e o sangue libanês, no combate contra os grupos takfiri. [...]

“A situação no Bahrain é miserável”

No plano regional, Sayyed Nasrallah informou que a situação dos prisioneiros nas cadeias e prisões no Bahrein é miserável.

A situação nas prisões no Bahrain é muito difícil, não só no que tenha a ver com desrespeito aos direitos humanos mais básicos. O que está acontecendo lá é terrível, e é consequência do silêncio internacional – disse o Secretário-Geral do Hezbollah. – Os bahrainis têm de encontrar forças e resistir contra o regime opressor e o silêncio da comunidade internacional.  

Os crimes dos sauditas

Arabia Saudita bombardeia áreas civis no Iêmen
Sobre a agressão ao Iêmen comandada por EUA-sauditas, Sua Eminência repetiu a condenação contra a brutalidade dos atacantes, destacando que nem com toda a violência conseguiram alcançar qualquer dos seus objetivos:

Riad só obtém fracasso sobre fracasso. A agressão não alcançou seus objetivos, fracassou em todos os objetivos que trazia: “a agressão pelos sauditas só consegue assassinar, destruir, brutalizar e destruir locais sagrados.

Sayyed Nasrallah disse que:

(...) nem os criminosos e bárbaros sionistas destruíram os locais sagrados. Os sauditas não respeitam nenhum limite.

Sua Eminência observou que a guerra dos sauditas é a comprovação de que o Irã é o principal aliado dos iemenitas, e que todos os países da coalizão saudita são inimigos do Iêmen. Na conclusão, Sayyed Nasrallah conclamou a nação libanesa a envidar todos os esforços ao seu alcance, para pôr fim à agressão saudita contra o Iêmen.