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sábado, 12 de janeiro de 2013

Quando vamos enfrentar seriamente os “banksters”?


12/1/2013, Michael Meacher, Partido Trabalhista (Labour, britânico)
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido num esconso da Vila Vudu: “Este artigo não é nenhuma maravilha... mas, pelo menos, ouve-se um deputado (inglês) espernear”.


Andrea Orcel
Andrea Orcel, novo diretor de investimentos do Banco UBS e, antes, no Banco Merrill Lynch, arquiteto da incorporação, pelo RBS, do Banco ABN Amro em 2007 (incorporação que lhe rendeu comissão de £7,5 milhões, mas custou £45 bilhões aos contribuintes quando, adiante, o banco incorporador teve de ser “resgatado”) – pois Andrea Orcel parece dizer agora a verdade (ou afinal criou alguma coragem), ao admitir hoje que os bancos são “arrogantes demais” e que “a indústria bancária tem de mudar”.

Parece que afinal, embora com cinco anos de atraso, até os “mestres do universo” começam a ver a luz. Ora, ora, há mais felicidade no Paraíso para a alma que se arrependa... Mas 99% dos bancos restantes continuam a chafurdar no pecado.

Os banqueiros do Banco UBS disseram à Comissão Parlamentar [na Grã-Bretanha] de Investigação das Atividades dos Bancos, ontem, que, apesar de auditores rigorosíssimos terem determinado que 40 empregados do banco sabiam das violações da legislação trabalhista, só 18 foram demitidos. E a alta direção do banco negou que tivesse conhecimento das infrações à legislação trabalhista – embora tivessem sido discutidas em teleconferência e em listas de discussão interna por e-mail, no Banco, por mais de 70 funcionários. Deve-se concluir que os “altos diretores” são altamente incompetentes, altamente negligentes ou mentirosos altamente descarados.

Assim sendo, o que se deve fazer com os bancos e com os que, dentro dos bancos, criaram a gigantesca e prolongada recessão que hoje tanto faz sofrer nosso país e o mundo?

Relatório da Comissão Leveson  e os "envolvidos" ( arte: Gary Barker)
Primeiro, deve instaurar-se (de fato, já devia estar ativa, porque toda a Coalizão [de governo] votou e aprovou a instauração de uma) comissão de inquérito com poderes amplos e independentes – semelhante à Comissão Leveson (ing. Leveson Inquiry) que investigou a imprensa – que terá a missão de investigar e expor todo o horror e a corrupção do sistema bancário na era do capitalismo neoliberal, particularmente na década que levou ao crash em 2007.

À luz do que seja investigado e exposto por essa Comissão – e a menos que se comprove que já estejam comprometidos demais, ou que são ineficientes demais, ou que estejam corrompidos demais para o que lhes exige a função – o Banco da Inglaterra e os “controladores” da Financial Services Authority (FSA) são as instituições que terão de atacar os bancos infratores (com multas, reestruturação, divisão em bancos menores) e condenar e punir os indivíduos que se comprovem culpados (com multas, desqualificação/desautorização para operar, cadeia).

Em segundo lugar, é indispensável que se demarque clara separação entre o braço de investimentos e o braço de serviços no varejo dos brancos (as recomendações do [relatório] Vickers [1], de que se construíssem “muralhas da China” entre partes dos banco, infelizmente, não foram adequadas).

Sir John Vickers e o Relatório sobre as Fraudes 
Em terceiro lugar, é indispensável que se promova uma grande reestruturação do sistema bancário no Reino Unido, para assegurar que os bancos sirvam ao objetivo para o qual existem – servir aos interesses da indústria britânica, às famílias e aos cidadãos britânicos.

Hoje, os “Cinco Grandes” [orig. Big 5: bancos HSBC, Royal Bank of Scotland (RBS) Group, Lloyds Banking Group, Barclays e Standard Chartered] têm poder demais, há tempos vivem dedicados prioritariamente aos serviços de especulação e sonegação de impostos em escala industrial e são, de fato, infiscalizáveis. RBS e Lloyds devem ser mantidos estatizados e transformados em bancos nacionais de investimento para promover o indispensável renascimento do comércio e da manufatura regionais; e os bancos Barclays e HSBC, corrompidos muito além de qualquer possibilidade de recuperação, devem ser fracionados em vários pequenos bancos especializados, orientados para atender às necessidades ainda desatendidas de uma economia moderna e de alta tecnologia.

Em quarto lugar, a gestão monetária – componente criticamente importante para determinar a direção futura da economia – deve ser tomada de volta, arrancada das garras das “desregulações” da “Era Thatcher”, para que volte a ficar sob bom controle público democrático, de modo que o renascimento da indústria e de toda a economia britânica volte afinal a ser outra vez possível.




Nota dos tradutores:
[1] O Relatório final da Comissão Independente sobre Bancos, presidida por Sir John Vickers, foi publicado em setembro de 2011.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

MENSALÃO E CORRUPÇÃO


Adriano Benayon* - 13.08.2012
Texto enviado pelo autor

1. Os principais jornais, revistas e TVs, sempre alinhados com os interesses imperiais, dão grande destaque ao julgamento, no Supremo Tribunal Federal, do mensalão, levado adiante nas instâncias do Estado, porque atinge principalmente José Dirceu, um líder centralizador de poder, e tido por ser de esquerda. Além disso, pode abalar a popularidade de Lula

2. Em todo o mundo, os oligarcas estrangeiros e seus agentes e laranjas locais tratam de minar quaisquer lideranças que aspirem a voos próprios e se tornem, assim, menos dependentes dos dinheiros daqueles.

3. O sistema de poder mundial trata de fazer alternar no Executivo partidos que cumpram suas determinações. No Brasil, conquanto tenha como agentes preferenciais o PSDB e aliados, a oligarquia anglo-americana - para dar espaço a Lula – se valera, em 1994, das fraudes que alijaram Brizola do segundo turno.

4. E ela não fez virar a mesa, quando, em 2002, Lula derrotou o candidato de FHC, desgastadíssimo pelos efeitos sobre a população dos desastres causados pelo governo do PSDB. Lula foi logo anunciando nomeações de agentes da oligarquia, como Meirelles para presidir o Banco Centra,l e Marina Silva, ministra do Meio-Ambiente.

5. Por outro lado, embora o PSDB não seja palatável para a maioria dos eleitores, a oligarquia conta com o tempo decorrido desde 2002 e com a amnésia ministrada pela grande mídia para fazer esquecer a devastação tucana.

6. E, para ajudar nisso, nada melhor que expor a responsabilidade do PT num grande esquema de corrupção, não porque o PT não esteja atendendo os interesses do poder mundial, mas porque os concentradores preferem manter viva sua alternativa mais segura, o PSDB.

7. Ademais, a corrupção está entre os temas que têm suscitado maior preocupação ao povo brasileiro, e não apenas no seio da classe média, tradicionalmente moralista.

8. Alguns blogs independentes ou patrocinados pelo atual governo lembraram que os tucanos cometeram, nos oito anos de FHC, atos de corrupção causadores de danos muito mais profundos para o País, e nisso esses blogs têm razão.

9. Falta, porém, razão aos que negam o mensalão. Mais relevante que isso: deixam de observar que a corrupção do mensalão comprou parlamentares de partidos menores, não para aprovar propostas favoráveis à sociedade brasileira, mas para aprovar emendas constitucionais e leis que deram continuidade à agenda do império, a do Consenso de Washington e do FMI.

10. Isso parece até contraditório, já que, para esse tipo de coisa, o PT poderia ter o apoio da “oposição”, PSDB, DEM, PPS e outros, fieis à agenda entreguista, embora houvesse a possibilidade de se oporem, como fez o PT, no período FHC, sabendo que ela seria adotada de qualquer modo.

11. Mais que isso: o PT julgou necessário garantir maioria estável no Congresso, ameaçada pela flutuação dos votos de grande parte dos parlamentares do PMDB e de outros partidos cujo apoio depende de cargos e vantagens.

12. De qualquer forma, o mensalão não passa de um caso da corrupção de varejo. Mas esse teve grande repercussão, ao contrário do mensalão tucano em Minas Gerais e da ainda mais grave compra de deputados para votarem a favor da emenda constitucional que permitiu a reeleição de FHC.

13. E que dizer dos casos de mega-corrupção tucana com as privatizações, evasão de divisas no escândalo do BANESTADO etc.?

14. O que o povo brasileiro precisa saber, para agir em consequência, é que a corrupção no País é sistêmica.Que quer dizer isso? Que ela decorre da estrutura econômica, social e política existente.

15. E o que caracteriza essa estrutura? A concentração da propriedade dos meios de produção em mãos de grupos econômicos, hoje, basicamente estrangeiros ou desnacionalizados.

16. Provém desses grupos a corrupção ativa, os abusos do poder sobre o mercado, as fraudes em prejuízo dos consumidores e outras formas de corrupção. Corrompem não só políticos e agentes públicos, mas gente do setor privado dentro desses próprios grupos e em outras empresas.

17. Tudo isso resulta no empobrecimento da grande maioria dos brasileiros, apesar de o País ser extremamente rico em terras férteis, água, minérios preciosos e estratégicos.

18. Passa, em geral, despercebido que a corrupção no setor público parte, amiúde, do setor privado. Concorre para essa falta de percepção a atitude seletiva da grande mídia, a qual enfatiza a corrupção no âmbito do Estado. Embora aponte também casos com empresários no pólo ativo da corrupção, trata de acobertar grandes transnacionais e bancos. 

19. O aspecto social da estrutura econômica mostra-se na concentração da renda, com 60% da população sem renda ou ganhando menos de dois salários mínimos. O quadro é tão deplorável, que os “especialistas” da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definem como de classe média as famílias com renda, por pessoa, entre R$ 291 e R$ 1.019 mensais.

20. Do outro lado, são colossais os ganhos das transnacionais e dos bancos, que comandam a economia e a política. As transferências das transnacionais ao exterior descapitalizam o País de forma aguda, inviabilizando que os ganhos do mercado sejam reinvestidos na economia produtiva. 

21. Até mesmo os brasileiros ricos, que têm muito menos poder e incluem servidores oficiais e extra-oficiais dos concentradores, já detinham, no final de 2010, recursos financeiros em paraísos fiscais no exterior de US$ 520 bilhões.

22. Claro está que os partidos políticos e os resultados das eleições são controlados pelos grupos concentradores, os quais determinam, ademais, o acesso das pessoas aos meios de comunicação e o que, através destes, se “informa” e desinforma aos cidadãos.

23. É de concluir, pois, que a estrutura política é incompatível com o Estado democrático de direito e decorre da estrutura econômica concentrada e desnacionalizada.

24. As normas democráticas da Constituição permaneceram letra morta, como a que limita os juros reais a 12% aa., enquanto as favoráveis aos concentradores são rigorosamente aplicadas e foram acrescidas das reformas de FHC, instituídas conforme as receitas do Consenso de Washington, FMI e Banco Mundial e mantidas e prorrogadas nos governos petistas.

25.  Deveria também ser conhecido de todos que a Constituição de 1988 foi fraudada para privilegiar o “serviço da dívida” no Orçamento Federal e realizar descomunal sangria, que já passa de R$ 7 trilhões, esvaziando do País os seus recursos.

26. Ninguém, entre os constituintes, reparou na fraude. Será? Se alguém notou, fingiu que não notou. Nem o relator nem o presidente da Assembléia Constituinte, nem seus assessores, nem líder de partido algum.

27. O estelionato foi cometido através de requerimento de fusão de emendas de redação aos atuais artigos 165/167, inserindo no 166 o dispositivo fraudulentamente acrescentado ao texto aprovado no primeiro turno, ao submetê-lo para aprovação em segundo turno.

28. Na página do requerimento em que o texto foi adulterado, está a rubrica de Nelson Jobim, agora nomeado por Sarney, presidente do Senado, para liderar o grupo de “notáveis” que elabora revisão do pacto federativo. Constituição cidadã? Não, demagogia!  

29. A concentração e a desnacionalização da economia intensificaram-se desde 1954, e, desde 1988, esse processo acelerou-se. Daí vem a inviabilidade de ser praticado no País qualquer sistema de governo democrático.

30. Está arraigada, nas universidades e nos demais meios de comunicação social a falsa ideia de que pluralismo de partidos, “liberdade” de imprensa e de informação e eleições periódicas são suficientes para caracterizar a democracia.

31. Que essas condições não garantem democracia alguma está sendo mais percebido nos países “desenvolvidos” abalados pelo colapso financeiro e pela depressão (recessão é eufemismo, mal fundamentado através da manipulação de dados estatísticos).

32. Naquelas “democracias”, como no Brasil, os partidos e as eleições são controlados pelos concentradores financeiros “privados”, os grandes bancos e transnacionais, que são de propriedade privada, mas exercem poder público.

33. Isso está na raiz dos colapsos econômicos e não só impediu de moderar a natural tendência à concentração do sistema capitalista, mas a agravou através da legislação e da política econômica.

34. Desde a crise de 2007, os concentradores privados ganharam recursos e vantagens governamentais da ordem de US$ 30 trilhões, enquanto as condições sociais se agravavam.

35. Portanto, é a oligarquia financeira que origina a corrupção sistêmica e dela se beneficia. Ademais as “formas democráticas” não evitaram sequer que fosse instituído nos EUA o Estado policial, principalmente a partir do golpe de 11 setembro de 2001.

36. Só os menos informados ignoram ter havido, nesse dia, um golpe da oligarquia para facilitar novas guerras e agressões imperiais e eliminar as garantias constitucionais, a pretexto de combater um terrorismo inexistente ou facilmente contível.

37. “democracia” brasileira é calcada nesses modelos nada exemplares, e a iniquidade social é maior que nos países “desenvolvidos”. E, como se isso tudo não bastasse há, ainda, a urna eletrônica sem a possibilidade de conferir o voto.

38.  Mas como erguer um sistema realmente democrático, com maior espaço para a democracia direta e capaz de assegurar que  a democracia representativa não mais seja a farsa que tem sido?

39. Como instituir sistema democrático sem transformação profunda na estrutura econômica e social? Ou será que teríamos de, antes, transformar as instituições políticas subordinadas aos concentradores da estrutura econômica?

42. Que fazer, então, diante do fato de que não há como sequer modificar superficialmente essas instituições enquanto elas estiverem de pé?

Adriano Benayon* é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, Editora Escrituras, SP.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

BBB, Banco Bota Banca

Zoroastro Sant’Anna - Jornalista e cineasta
Nosso Homem nº 16

Os bancos viveram as doçuras do paraíso durante dos dois governos Lula, gostinho de menta na boca dos banqueiros. Os três maiores bancos lucraram no Brasil R$ 29,221 bilhões, em 2011, um recorde na história do país que agora ocupa o sétimo lugar no panorama da economia mundial. Nunca tão poucos ganharam tanto. É dinheiro que nem político acaba.

Se você for a uma agência bancária, poderá perceber que a maioria dos guichês não funcionam, não tem funcionários. Muitas mesas também estarão desocupadas. Isso se deve ao desenvolvimento da tecnologia, da informática, são milhões de atendimentos via internet e caixas eletrônicos, dispensando a tão incômoda ida ao banco e dispensando também milhares de empregados, aumentando assim a rentabilidade dos banqueiros e instabilidade dos bancários.

Bancos cuidando da sociedade

A maioria dos setores criticou acidamente a política do ex-presidente Lula de privilegiar a área dos bancos, mais do que os setores produtivos. Mas o ex-presidente antevia o tsunami do capitalismo financeiro que arrasou dezenas de grandes bancos e centenas de instituições nos Estados Unidos em 2008, quando Wall Street desmoronou e poderosos empresários de repente estavam na cadeia ou no cemitério.

Todo mundo sabe que não existe governo forte sem um  sistema financeiro forte, sólido e estável. E foi esta política que fez com que o tsunami americano chegasse aqui como uma simples “marolinha”, segundo palavras do então Presidente que  passou a cuidar dos setores produtivos reduzindo impostos, garantindo as vendas e possibilitando o acesso ao mercado de consumo de novos milhões de brasileiros.

Passa-se o tempo e os bancos não se mexem, fingem de mortos, ganham e querem ganhar cada vez mais, a qualquer custo. Apesar da diminuição constante das  taxas de juros do Banco Central, redução da SELIC, o sistema bancário não repassou essas reduções aos seus clientes e continuam impunemente a engordar os seus lucros como nunca antes na história desse país.


Quando a Humanidade deixou de ser nômade e passou a plantar, caçar e trocar, deu início ao comércio, pai da moeda e dos bancos. A moeda surgiu entre os lídios, cerca de 700 anos antes de Cristo, para facilitar as negociações entre os diversos mercadores que pululavam o oeste do mar Egeu. A Lídia era rica em prata o que facilitou a cunhagem de moedas que tinham o valor do seu peso. Os chineses já usavam a moeda alguns séculos antes, mas só eles sabiam.

Foi na Fenícia que os comerciantes começaram a deixar suas moedas nas bancas de troca das feiras para não ter que carregar daqui para lá e por receio das possibilidades de roubos e  levavam um papel como garantia.

Na Idade Média, os homens que guardavam as moedas nas bancas de rua perceberam que podiam emprestá-las a  outros , mediante uma  pequena taxa, enquanto os donos não viessem buscar. Foi aí que se transformam de cambistas guardadores em banqueiros emprestadores.

Inquisição da Igreja Católica
Como os juízes da Inquisição da Igreja Católica não viam com bons olhos esse negócio de emprestar dinheiro a juros, os judeus tomaram conta do setor e se tornaram os grandes empreendedores do dinheiro na história do mundo, o que lhes tem causado grandes problemas nos últimos cinco séculos, por terem deixado que a palavra “judeu” ficasse definitivamente vinculada a palavra “dinheiro”.

Os bancos brasileiros estão obesos de lucros. Gordos como estão,  perderam a mobilidade e a agilidade que a economia popular exige. Os empréstimos são poucos, muito restritos, difíceis de se conseguir e muito caros, o que trava a movimentação do mercado. Em contraposição está o Governo Federal que precisa do fluxo produção/consumo para manter o ritmo de desenvolvimento pretendido e a inserção social de novas camadas da população.

Contra o capitalismo, mais capitalismo. Esta foi a receita escolhida, em rede nacional, pela Presidenta Dilma Rousseff para enfrentar o imobilismo e o conservadorismo dos pretensos donos do dinheiro. Baixou todos os custos financeiros dos bancos oficiais forçando os bancos privados a seguirem a mesma receita sob pena de perderem clientes e mercados.

Os críticos desta decisão, mesmo os internos, dizem que os bancos do governo deixarão de faturar bilhões nos próximos anos, que será um prejuízo incalculável para a nação. Uma visão míope do processo de desenvolvimento. Deixar de receber lucros financeiros não é necessariamente prejuízo, principalmente se considerarmos que esse dinheiro que deixa de entrar nos bancos está entrando no mercado e aquecendo a economia.

Maílson da Nóbrega num baile... Quando era ministro
O ex-ministro Maílson da Nóbrega saiu em socorro verbal dos banqueiros conservadores e disse que se eles baixarem os juros “estarão cometendo o suicídio”. O argumento dos banqueiros para resistir à baixa de juros é o volume da inadimplência.  Pois vejam o azar que eles deram; no dia seguinte a esta declaração da FEBRABAN, a taxa de inadimplência baixou de 5,7% para 5,4%, uma baixa pequena, mas foi uma baixa e não uma alta como argumentavam.

Os especuladores da Bolsa de Valores prometem fazer uma passeata pelados na frente do Palácio do Planalto porque seus investimentos estão ficando  a descoberto e suas estimadas ações dos bancos estão caindo entre 2 e 3%.

Já a alteração das regras da poupança, que só são válidas para as novas contas, funciona como uma gangorra: perde no rendimento e ganha na baixa dos juros dos financiamentos.

Bertolt Brecht
Os bancos nunca cultivaram uma flor no coração e, como dizia o escritor alemão Bertolt Brecht: “Qual o crime maior? Assaltar um banco ou fundar um banco?”

Os políticos esquecem que o poder é nosso e que outorgamos a eles o direito de exercê-lo através do voto. Este mesmo tipo de amnésia conveniente afeta também os banqueiros, pois esquecem eles que o dinheiro é nosso, de cada cidadão, de cada cliente e não deles.

Se retirarmos nossas moedas dos bancos cultuadores da usura e da ganância eles quebram. Os bancos não são nada sem o nosso dinheiro, como os políticos não são ninguém sem o nosso voto. Portanto, assim como é possível mudar a política mudando nosso voto, podemos dobrar os bancos inescrupulosos; é só mudar a conta  para um banco melhor. O que o nosso Banese pensa disso?

Minha filha tem um pequeno negócio na área do turismo e já trocou de banco, preferiu um que tem melhor atendimento e melhores taxas de juros. Essa queda de braço entre a Presidenta e os banqueiros só reforça a musculatura da economia e revigora a nossa crença de que, se cada um fizer a sua parte, o banco que agora bota banca, certamente estará na bancarrota.

  • Criminoso – Meu companheiro de lutas Eduardo Collier Filho, o Duda, estava desaparecido  desde 1973, a 39 anos.  Neste fim  de semana, foi lançado em  São Paulo o livro “Memórias de Uma Guerra Suja”,  do confessadamente torturador Claudio Antonio Guerra, 71 anos, ex-diretor do Dops que diz “se tive coragem de fazer, eu tenho que ter coragem de assumir meus erros.”  Segundo suas memórias sujas, Duda Collier, José Roman, Luiz Ignácio Magalhães Filho, Joaquim Pires Cerveira, Ana Rosa Kucinski e seu marido Wilson Silva, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, João Batista e o líder do PCB David Capistrano, que teve sua mão arrancada, tiveram seus corpos incinerados na Usina Cambahyba, de açúcar, em Campos, no Estado do Rio, propriedade de Heli Ribeiro Gomes, então vice-governador do Estado.

  • Criminoso II – O livro desce a detalhes, narrando a visita a Usina do coronel de Cavalaria Freddie Perdigão Pereira (SNI) e do comandante de Marinha Antonio Vieira (CENIMAR) para a aprovação do forno de cremação dos cadáveres dos presos políticos assassinados.

  • Criminoso III – O torturador memorialista Claudio Guerra revela ainda que o ex-Delegado do Dops, Sérgio Fleury, tido como morto num acidente no cais de Ilhabela, estava rico por desviar dinheiro de empresários que financiavam a repressão, teve sua morte decretada num descontraído jantar no restaurante Baby Beef, com a presença dos coronéis Brilhante Ustra, Ênio Pimentel da Silveira, coronel-aviador Juarez de Deus Gomes da Silva, comandante Antonio Vieira e delegado Aparecido Laertes Calandra.

  • Cinzas – Aí estão todos os nomes , todos os rostos dessa tragédia. Neste momento, fiquei sabendo que meu bom e velho companheiro Duda Collier agora é cinzas e nada mais.
Texto enviado pelo autor
Ilustrações e “links” catados na internet e inseridos por redecastorphoto


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Banqueiros querem mais lucros


Publicado em 12/04/2012 por *Urariano Motta


Recife (PE) - Depois que a presidenta Dilma reduziu os juros no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, os bancos privados, sob pressão, apresentaram ao governo 20 propostas, para que assim reduzissem também a agiotagem legal. Não querem nada, os pobres banqueiros. Entre outras exigências, reivindicam menos impostos e regras mais duras para recuperar o empréstimo inadimplente. Vale dizer, desejam o mesmo que sair da área econômica para entrar na área criminal, porque medidas mais duras equivalem a tomar tudo de quem deve até a vida. É sério. Os sofridos donos de banco reivindicam até maior “velocidade processual”, para a retomada mais rápida dos bens financiados. Na tora. 


O leitor, que apenas tem com os bancos a relação em que entra com o pescoço e os banqueiros com a guilhotina, atente para como agem com outros mais explorados, os bancários empregados no sistema. Segundo pesquisa da CUT e do Dieese, os bancos abriram 23.599 postos de trabalho em 2011 no Brasil, mas os novos contratados receberam salários 40,87% inferiores, em média, ao dos trabalhadores desligados das instituições. Na ponta das contratações oportunistas, está o bravo Bradesco. O que isso significa? Mais carga de jumento para quem entra por preços mais baixos.

De minha experiência de bancário, posso dizer que nunca quis ser caixa, pois grande era a tentação de pedir empréstimo em condições mais favoráveis. Mas lá na retaguarda bem pude sentir a parafernália tecnológica, aquela propaganda maravilhosa de financiamentos fáceis, que se contraem com um piscar de olho à recepcionista, naquele ambiente de ar-refrigerado, de eficiência, teclados on-line, telefones e sorrisos, muitos sorrisos, como eu poderia chamar a isso trabalho? Era a própria expressão do sofrer no paraíso.


Se o grande público tirasse as névoas dos comerciais, em lugar de se enfeitiçar com o mobiliário, com as máquinas, de ver apenas o palco onde se encena o bancário feliz, e passasse a olhar com o cérebro as informações dos balanços econômicos, bem perceberia a vida que pode levar um bancário em meio a tamanha selva de lucros astronômicos. Ganharia uma aula viva do conceito de mais-valia, esse outro brilho de Marx. E saberia que há muito as estatísticas põem os bancos em primeiro lugar no ranking dos Dort (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), que inclui doenças da coluna, tendinite, bursite e LER (Lesão por Esforço Repetitivo).

Talvez os números de sucesso empresarial de um lado e sucesso em mandar trabalhadores para o inferno de outro não sejam capazes de ferir a percepção. Pode-se até dizer, a relação entre as duas coisas não está clara. Isso é apenas uma coincidência, pode ser dito, uma coincidência forçada por quem escreve. Ora, se um avião cai no momento em que escuto Roberto Carlos, nem por isso podemos relacionar desastres aéreos à voz do Rei. Por isso passo a falar da viva experiência, que pode ter sido forçada, mas jamais uma coincidência.

O homem que se costuma imaginar como um trabalhador de jornada de começo às 10 e fim às 16 horas, chega ao banco muitas vezes às 7 da manhã, e sai por volta das 19, ou 20, ou 21, ou 22 horas, a depender do dia, que na linguagem bancária se chama de “movimento”. De um deles ouvi:

- A gente fecha os olhos no banco, e quando volta a abri-los, está no mesmo lugar.

Isso foi dito em um dia de grande “movimento”, em que cochilávamos em pé, poderia ser dito, por volta das 23 horas, quando estávamos todos mal cheirosos e pior ainda vestidos. Na rede privada, mulheres não casam, ou melhor, não podem dizer que se casam, porque o banco não pode correr o risco de pagar a licença-maternidade. Isso por um lado. Por outro, significa também que as bancárias, digo, mulheres sempre jovens, com formas e feições que despertem o calor do investimento, devem sempre guardar a perspectiva de uso para os clientes mais ricos. Maridos atrapalham, quando não embaraçam. Para quê esposos na vitrine dos produtos oferecidos? Entendam, não é bem que nos bancos privados seja oferecida à mulher a perspectiva de ser prostituta. Não, dizer isso seria cometer uma grosseria. Devemos dizer, de modo mais educado: os bancos apenas desejam que elas acenem, em mais uma das suas operações enganosas. Um sorriso, uma esperança... quem sabe? Mas se o cliente poderoso agarrar essa promessa com garras fortes, a isso comentará o banqueiro:

- Em minha empresa todos são livres.

Notícias assim não saem no Jornal Nacional. Quem pagaria o patrocínio?
_____________________________

*Urariano Motta é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Observatório da Imprensa. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e Os corações futuristas (Recife, Bagaço, 1997).

Enviado por Direto da Redação
Charges colhidas na internet pela redecastorphoto

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Feito para você... se irritar!


Raul no portão de casa

Raul Longo

Impressionante a agilidade desses nossos tempos informáticos.

Lembro-me das enormes dificuldades de 2 décadas atrás, quando ninguém possuía um útil e prático PC em casa. Muito menos eu, claro.

Morava em Ubatuba e de repente me surge a solução para problema típico de quem vive em cidade litorânea e tem de alugar outra moradia a cada véspera de temporada, por exigência de senhorios com natural maior interesse em locações aos turistas que em uma semana rendem mais do que todo um mês de aluguel convencional.

Mas como levantar o dinheiro para o sinal de entrada do contrato de compra do terreno onde construiria minha futura casa? Eram tempos bicudos de fim de governo Sarney e início do de Collor de Melo. O jeito foi recorrer ao Banco do Brasil, onde tinha conta. Telefono.

- Alô! Quem está falando? Oi Hélio! Deixa eu falar com o Douglas.

Meio que cochichando como se entre uma conspiração ou revelação de segredo nacional, Hélio explica que o banco está fechado e o o gerente não vai poder atender.

Era uma segunda-feira e primeiro dia do primeiro governo eleito desde 1964. Imaginei mais um golpe à nem bem reinstaurada democracia brasileira. De certa forma, sim, mas para verificar tive de pegar minha bicicleta (então e ainda hoje o veículo mais popular em Ubatuba) e ir até o centro da cidade. Na porta do BB pessoas tão assustadas quanto eu. Através do vidro da agência, acenei ao Douglas que, vindo de lá, entreabriu e perguntei pela fresta o que havia ocorrido.

- É o novo governo. Já entrou inventando novidade. Mas amanhã reabre.

Resumi a urgência de meu problema que teria de ser resolvido naquele dia e não pestanejou:

- Manda ver. Passa o cheque e depois a gente resolve.

Eu hein! E os juros? O novo governo? A instabilidade financeira do país?

- Solta essa porra desse cheque! Você é cliente há mais de 5 anos e eu confio, o banco confia. Se der merda e não puder pagar, paga com o terreno mesmo que pro banco é negócio. Mas não se preocupe que você não vai perder nada. Garanto.

Então eu não confiava nem no Banco nem no Brasil daquela época, mas já que o Douglas garantiu meti as caras e nunca mais tive de ficar me transferindo de casa em casa a cada final de ano até me mudar para Florianópolis, transferindo minhas contas bancárias como a do Itaú de que sou cliente desde aqueles morosos e desinformatizados antanhos de 1994, conforme se especifica nas folhas de meu talão de cheques.

Mas agora é outra coisa! Vivemos a era da informática. Tudo mais simples e rápido. Ágil!

E a segurança? Não dependo mais da palavra de um Douglas qualquer. Tenho um cartão e sua senha para garantir meu sigilo bancário, afinal não sou político nem me envolvo em transações escusas de offshores como as da família Serra, descritas pelo Amaury Ribeiro Jr. no best-seller “A Privataria Tucana”.

Tudo ficou muito mais fácil. É só consultar por um desses programas de navegação e sem sair de casa sei de meu saldo, faço cópias de meu extrato e milhares de outras transações, bastando, tão somente, decorar a senha do meu cartão.

Quer dizer... Na internet ou no telefone, preciso também de minha senha eletrônica.

Para eficientizar e maximizar a segurança, agora também tenho de manter a mão o i-token.

O anacrônico leitor ainda não sabe o que é i-token? Explico: trata-se de um chaveirinho digital onde magicamente duas casas de centenas numéricas se substituem de minuto a minuto.

Pegou a mancada? Só eu e o Itaú sabemos quais os dígitos que neste exato minuto surge no visor do meu i-token. Este sigilo nem a Verônica Serra consegue quebrar.

Seguríssimo! Além de ágil, eficiente como tudo nessa era da informatização. E contra qualquer especulação que não seja do interesse da filha do futuro prefeito dos paulistanos.

Mas eis que, se não quando, entra na história minha amiga, escritora e editora Urda Klueger. Bandida da Urda me passa os dados de sua conta na Caixa Econômica Federal, para que eu lhe pague uma dívida. Nada como aqueles 30 mil cruzados novos que no Plano Collor tornaram a ser Cruzeiros e hoje estariam aí por volta de meio milhão de reais, ainda que então com valor de compra pela metade e que no máximo se reverteu num terreno de 10 de frente por 25 metros de fundo. Trata-se apenas de uma graninha, mas faz falta à amiga como a qualquer tonto que se meta a escritor do país do Big Brother global.

Maldita a hora que contraí a dívida com a Urda, pois às 9 horas da manhã, ao tentar pagá-la de minha casa pelo Itaú bankline, surge um aviso na tela do monitor informando que o CNPJ de sua editora Hemisfério Sul não confere.

Como que não confere? Será que digitei errado? Digito novamente e novamente não confere.

Faço um interurbano para a Urda que afirma que sua inscrição no Ministério da Fazenda está em sua frente e o número é exatamente aquele que me informara. Com o tal mil ao contrário, a dezena final e tudo  o mais.

Insisto e página eletrônica do Itaú online insiste também. Quem vou xingar? A portentosa informatização do Olavo Setúbal?

Só posso imaginar que a autora da crônica “Os hippies passaram pela minha cozinha” ainda está voltando de Woodstock a pé e, em novo interurbano, peço os dados de sua conta como pessoa física.

Reluta, reclama pelos transtornos à sua contabilidade, mas não aguenta a pressão e acaba cedendo.

Volto ao Itaú bankline com os dados físicos da Urda. Ou melhor, da pessoa da Urda. Quero dizer, de sua conta bancária.

Tudo muito bonitinho, mas então, ao invés de indicar que não confere, a tela pede que abaixe mais um programa de segurança. O Guardião Itaú 30 horas!

Veem que maravilha? Nada como ter conta num banco onde se pode contar com um guardião por 30 horas! Seis horas a mais do que um dia normal! Nem Copérnico seria capaz de imaginar tamanha sistêmica de seguridade! É a informatização eletrônica!

Senha de cartão, senha eletrônica, i-token e Guardião 30 horas. Sou ou não sou o cliente bancário mais assegurado do mundo?

Nem tanto, pois mais uma tempestade se anuncia no horizonte da tela de meu monitor onde se anuncia a impossibilidade de realizar o “down load” ou seja lá qual for a ortografia desse arrazoado de termos em inglês que homeopaticamente engolimos pela informática cotidiana. E o mais interessante é que se o sítio eletrônico do Itaú avisa que o CNPJ não confere ou que a partir de agora existe um Guardião 30 horas, mas não é capaz de dizer uma palavra sobre a razão da não instalação de um programa necessário para utilizar os serviços anunciados como disponíveis pelo mesmo sítio.
Lembrando do Douglas na fresta da porta do Banco do Brasil  no dia em que a Zélia enriqueceu o Daniel Dantas, mais tarde sócio do José Serra, ao fechar todas as agências bancárias para garfar as economias da população brasileira; liguei à gerente de minha agência do Banco Itaú.

- Não tenho como ajudar. É preciso que o senhor venha até a agência.

Explico que a agência fica a cerca de cerca de 40 minutos de meu bairro onde não há agências bancárias por perto porque pautamo-nos pelo bucolismo. Coisa anacrônica, é verdade, mas os que moram aqui ainda gostam disso e já que hoje existe a informática, por que Woodstock não pode aceitar cartão de crédito ou débito? Nestas bem maiores distância florianopolitanas de tão deficitário sistema de transporte coletivo, por que não substituir a velha e antiga bicicleta pelo informático i-token ou qualquer outro dispositivo?

A gerente fecha questão e me passa outro número de telefone disponibilizado pelo Olavo Setúbal para ajudar retardados como eu.

Aí sim, começa a maratona. Um triátlon ciclístico, a remo e nado, que me afoga em menus de milhares de opções depois de obrigar-me a digitar sem o menor deslize o número de minha agência e conta, da senha eletrônica, do i-token, da raiz quadrada de PI elevada à enésima potência até que, depois de dúzias de opções indicadas por gravação eletrônica, sou atendido por uma voz humana e real.

Claro que nestas alturas tive de fazer um esforço cósmico para me conscientizar de que a moça não tem culpa alguma pelas taxas que o Olavo Setúbal extorque mensalmente para especular com meu saldo bancário. Só assim a simpática moça do outro lado da linha pode me fazer compreender que a impossibilidade de instalar o Guardião 30 horas estava no navegador que utilizei: o Google.

Não é fantástico? Depois de 2 horas alternando entre menus e drop downs, interurbanos (as ligações ao Itaú Bankfone não se incluem nas tarifas bancárias) e infinitos dígitos a comprovar que entre 0 e 9 nossa vã informática não serve para porra alguma, uma inteligência humana é capaz de me informar o que não funciona!

Mas, esclarece a esperançosa moça, o Internet Explorer funciona.

- O senhor tem o Internet Explorer no seu computador?

Tenho minha deusa! Tenho tudo o que você quiser. Casa, cama, comida e roupa lavada! Só não me abandone nessa hora e aguarde na linha enquanto verifico se agora realmente vai funcionar. Canto até uma música do Chico Buarque pra te distrair nesse meio tempo.

Mesmo com tanto dengo, depois de conseguir instalar o programa, a agilidade informática volta a me comunicar que o tal CNPJ continua não conferindo.

Mais uma vez sou salvo pela fada madrinha que, enfim, desfaz o feitiço da cor abobora da página do Itaú bankline esclarecendo que para fazer um DOC de R$ 200,00 (não 20 milhões que somariam aos bilhões internalizados com tanta agilidade pelas offshores da quadrilha do Serra) eu precisaria primeiro cadastrar os dados da conta da Urda num dos tantos links do menu da mesma página pela qual eu quis agilizar meu dia.

Aí, enfim, deu certo.

Sem dúvida uma maravilha essa tal da informática! Só falta o Olavo Setúbal treinar aquela gerente a quem liguei pela primeira vez para dar duas informações. Sem senhas, dígitos, menus e dow loads. Apenas duas informações:

1 - através de qual navegador se instala os programas do próprio Itaú;
2 - a necessidade de cadastramento prévio da conta para qual se pretende passar um DOC através de um dos serviços do próprio Itaú.

Apenas com isso, a era informática teria me beneficiado há cerca de 5 horas atrás, mas apesar de não ter nada a ver com Woodstock quem está vindo de lá a pé é o Banco Itaú feito para o Olavo Setúbal que não me indenizará pela manhã perdida.

Ah que saudade do Douglas!