Mostrando postagens com marcador Detroit. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Detroit. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de abril de 2014

EUA na Ucrânia: Fracasso geopolítico de proporções históricas

8/4/2014, John Robles, Voice of Rússia
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Mapa atualizado dos protestos pro-Rússia na Ucrânia
A situação na Ucrânia continua a desdobrar-se por vias obviamente jamais planejadas pelos arquitetos do golpe (CIA, neoconservadores à moda Victoria Nuland, Geoffrey Pyatt, Michael McFaul, Barack Obama, George Soros e os acólitos de Zbigniew Brzezinski) que comandam o establishment da política externa dos EUA.  

Mais uma vez, o governo dos EUA, servindo-se da agência USAID [United States Agency for International Development / Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional], da CIA e do Departamento de Estado, consumiu bilhões do dinheiro dos contribuintes norte-americanos para derrubar ilegalmente mais um governo, na mais recente tentativa de gerar mais alguns bilhões de dólares para os empresários patrões e expandir a dominação norte-americana. E, mais uma vez, os EUA estão na rota do fracasso.

A mais recente aventura geopolítica dos EUA, na Ucrânia, está fracassando pela mesma razão pela qual suas outras aventuras fracassaram em Cuba, Venezuela, Vietnã, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, Rússia, Irã e por todos os cantos: porque as elites em Washington, isoladas no seu mundo da fantasia, ignoram absolutamente tudo sobre os países que deliram que conseguirão dominar.

Como o ícone neoconservador Paul Wolfowitz disse ao general Wesley Clark, dos EUA, pouco depois do 11/9, o Pentágono e a OTAN estão no business de destruir países, o que provaram ser capazes de fazer muito bem desde a Iugoslávia, há 15 anos. Sim, os EUA provaram que podem desestabilizar países, invadir, ocupar e bombardear até fazer sumir da face da terra, e, isso, sob os mais absolutamente falsos pretextos, e fazer “mudança de regime” quase a seu bel prazer. O que os idiotas em Washington não sabem fazer é mudanças que perdurem; que convençam os “mudados” de que foram “mudados” para melhor; conquistar o coração das pessoas; estabelecer hegemonia real duradoura; nem obter da intervenção, para os próprios mudadores, vantagens significativas. Já nem se fala aqui de ter ou de preservar posição moral, nem de os EUA serem capazes de fazer “mudança de regime” que promova sociedade pacífica, produtiva, próspera e saudável. 

Por mais que suas “mudanças de regime” forçadas pelo lado de fora sejam ilegais nos termos da lei internacional, nada disso jamais impediu a ação dos “excepcionais” EUA.

Protestos pró-Rússia espalham-se pela Ucrânia
Sim, vocês leram bem: realmente escrevi que os EUA estão fracassando na Ucrânia.  

O golpe não “pega”; e os eventos em breve tomarão tal rumo que acabará por convencer os cidadãos norte-americanos, de vez, que devem meter no hospício, em celas de paredes acolchoadas, os seus tais “jogadores de xadrez” geopolítico. Isso, antes de que matem mais gente em todo o mundo e afundem ainda mais fundo outras gerações de norte-americanos contribuintes, arrastados para a miséria. 

Digo o que digo, não porque queira ajudar os criminosos em Washington, alertá-los para que fujam a tempo ou dar-lhes ideias. Sei que os arrogantes arquitetos globalistas e geopolíticos norte-americanos só ouvem e leem eles mesmos, nas suas câmaras de eco privadas. Detesto sinceramente ter de dizer, mas, sim: eu bem que avisei! Sim, sim, queridos leitores: eu os avisei de que assim seria.

Manifestação pró-Russia em Lugansk (6/4/2014)
Desestabilização, disseminação da violência, fim do Estado de Direito, guerra civil e anarquia 

A continuada intromissão pela CIA e seus agentes e co-conspiradores na Ucrânia só levará a mais danos e mais sofrimentos, para o povo da Ucrânia. Se está sendo feito para essa finalidade, então os EUA estão sendo temporariamente bem-sucedidos. Se aos EUA o que realmente interessa é guerra generalizada na Ucrânia, e se continuarem a impor aos ucranianos a agenda dos EUA, é bem possível que consigam, o que injetará bilhões de dólares no complexo industrial militar e arrancará sangue e lágrimas dos contribuintes norte-americanos e dos cidadãos da Ucrânia, mas não se pode ter tudo ao mesmo tempo e é preciso começar pela desestabilização.
A desestabilização, levada a efeito com táticas já ultrapassadas de revolução colorida desenhadas nos anos 1990s, foi, em boa parte, bem-sucedida. Resultou, sim, em mudança de regime. 

Mas foi, provavelmente, a mais amadorística e mal conduzida de todas as ações ilegais da CIA, do estado e de seus agentezinhos sicofantas. Claro que custou bilhões e todas as melhores cabeças da “mudança de regime” dos EUA estavam a bordo, mas isso não altera o fato de que aquela pseudo elitezinha ambiciosa odiadora de russos, pressupostos grandes “masters” de xadrez geopolítico, feitas as contas, nada sabem, absolutamente, sobre o povo com os quais estão lidando.

O primeiro fracasso dos EUA na Ucrânia foi terem escolhido neonazistas para dar o golpe e pôr no poder seus próprios fantoches. Que idiota, na CIA ou na Casa Branca, teve tal ideia? 

Lá estavam, num país devastado pela IIª Guerra Mundial, os nazistas originais e, ainda piores, colaboradores de nazistas liderados por Stepan Bandera, que os nazistas originais da SS consideravam brutal demais. E alguém no universo alternativo de George Soros realmente achou que esses animais poderiam liderar um levante popular na Ucrânia?! Inacreditável falta de visão. 

Claro que como os fanáticos psicopatas bebedores de sangue que se ocultam por trás da religião do Islã que os EUA usam por todo o Oriente Médio, os fanáticos descerebrados do Setor Direita (Pravy Sektor) foram a única 5ª Coluna que os EUA encontraram para fazer o serviço (mais) sujo na Ucrânia. Como a Frente Al-Nusra e o chamado “Exército Sírio Livre”, o Setor Direita e Dmitro Yarosh são só os açougueiros alugados para o “serviço” mais sujo, de usar facão de esquartejamento, onde se requereria bisturi, razão pela qual foram contratados, com dinheiro dos contribuintes norte-americanos, para nada fazer, além de arrancar sangue inocente. O pessoal de gente como John McCain, que selecionou esses lunáticos sanguinários, obviamente têm uma queda pelo mais violento dos violentos e não estão preocupados com as mãos e bolsos na direção dos quais corre o dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Serve qualquer coisa – nazistas, Al-Qaeda e paramilitares fanáticos de qualquer tipo, não importa, desde que o serviço seja feito.

Como já disse, não estou querendo ajudar os EUA. Mas ter escolhido como agente seu, um terrorista e assassino procurado, como Dmitro Yarosh, e seus nazistas banderistas, foi erro. Vejamos por quê.

Agora, fantoches dos EUA liquidarão o Setor Direita 

Oleksandr Turchynov
Oleksandr Turchynov, o presidente-fantoche ilegítimo que os EUA puseram na presidência da Ucrânia, traidor da Ucrânia e do povo ucraniano, que foi comprado e pago por Washington, e viabilizado pelas forças do Setor Direita e seu golpe, anunciou hoje (8’4’2014) que atacará e derrubará todos os neonazistas que o puseram no poder. Só para lembrar, a Ucrânia não tem lei alguma, em Constituição alguma, que dê base legal ao tal “presidente” Turchynov. A Ucrânia tem presidente eleito e chama-se Yanukovich, mas essa é outra história.

Todos sabemos que o Setor Direita construiu o golpe. Todos sabemos que todo o Parlamento e o novo “governo” da Ucrânia foram “eleitos” só pelos EUA e pelo Setor Direita e seus associados e nenhum desses pode, de modo algum, ser considerado legítimo (incluídos os EUA), para decidir que manda na Ucrânia.

Esse fato acompanha a mais recente “declaração” de Turchynov, mais uma piada ridícula da farsa que foi a tomada de poder por EUA-OTAN-União Europeia na Ucrânia:

Alguns cidadãos tentaram encenar uma provocação próxima ao Parlamento, sabendo ou não o que faziam, e agradeço aos deputados presentes no Parlamento, que conseguiram fazer abortar a provocação.

Aí, Turchynov falava da tentativa, pelos nazistas do Setor Direita, semana passada, de invadir o prédio do Parlamento, em protesto contra a morte de um de seus co-conspiradores. Os deputados aos quais o “presidente” tanto agradeceu, como todos lembramos, tiveram de escapar por uma saída de emergência para salvar a vida.

Turchynov deve ter contratado, para escrever seus discursos sem sentido, a mesma empresa de “Relações Públicas & Marketing Político” que escreve os discursos de Barack (“Venderemos gás [que os EUA não têm] à Europa”) Obama, porque o modo como a verdade é espancada e distorcida nos dois discursos é tão completa e patente, que se custa a acreditar, até, que os dois, mesmo que não as tenham escrito, tenham tido coragem de pronunciado tais palavras.

Segundo matérias de televisão, Turchynov declarou que agora atacará violentamente o Setor Direita, mostrando o que venho dizendo desde o início: que o Setor Direita não passou de ferramenta, que agora está sendo descartada.

Setor Direita (Pravy Sektor) enfrenta a polícia  em 24/3/2014
O Setor Direita procura novos recrutas 

Segundo vídeos reproduzidos pela televisão, do líder neonazista Yarosh, o grupo nazista está em busca de novos recrutas. Em sua fala, Yarosh disse que o Setor Direita está “pegando” qualquer um. Claro que “qualquer um” que não seja russo, nem judeu, nem negro.

Yarosh, fascista radical, é candidato à presidência 

Dmitry Yarosh (Setor Direita)
Chefe do Pravy Sektor
Apesar do muito que repete que está desempregado e sem renda a declarar e que, portanto, não pagou impostos (dinheiro da CIA, claro, ninguém declara ao fisco) Yarosh, o terrorista nazista arranjou lá os US$ 225,ooo necessários para registrar-se candidato à presidência. Pagou, pode concorrer. 

É o primeiro psicopata neonazista radical procurado por várias polícias em todo mundo, a concorrer a eleições presidenciais.  

Serviço secreto russo (FSB) captura terroristas do Setor Direita na Rússia

O Serviço Russo Federal de Segurança informa que capturou 4 grupos de terroristas neonazistas do Setor Direito que operavam na Rússia. 25 cidadãos ucranianos foram presos e logo expostos pela TV. Confessaram que planejavam ataques terroristas e ataques de provocação por toda a Rússia.

Setor Direita indignado por não obter ajuda financeira dos russos 

A farsa em que os nazistas do Setor Direita apoiados pelos EUA e os criminosos de Kiev estão convertendo a Ucrânia subiu para outro nível, quando o ministro (ilegítimo) de Energia da Ucrânia, Yury Prodan, indicado pela junta da praça Maidan “declarou” que a Rússia teria de pagar ao governo ilegítimo da junta... os 15 bilhões de dólares prometidos ao presidente Yanukovich (o mesmo que teve de buscar refúgio na Rússia, depois que o Setor Direita de Prodan ameaçou matá-lo).

Setor Direita vende serviços 

Segundo um site ucraniano, o Setor Direita está vendendo serviços. Quem estiver precisando de gangue de bandidos de alugue, não importa para que serviços, já sabe onde encontrá-los. Os serviços podem ser pagos em dinheiro (preços módicos) ou em armas.

Nazistas de Greystone (Blackwater/XE) e do Setor Direita: ativados 

Kiev enviou mercenários norte-americanos e bandidos armados do Setor Direita para o leste da Ucrânia, para enfrentar os crescentes protestos da população civil contra a junta em Kiev. O Ministério de Relações Exteriores da Rússia comentou a questão. Aparentemente, o Setor Direita não estava conseguindo número suficiente de forças, e a CIA foi obrigada a mandar para lá seu próprio pessoal. Esses quadros de “combatentes pró terrorismo” têm a missão de continuar a guerra clandestina de provocação e de intimidação contra a população civil pró-Rússia.

Ucrânia - mercenários Greystone Xe/CIA
Só o fato de haver 300 mercenários dos EUA/CIA armados e ativos em território ucraniano já é, só ele, ato de guerra. Se se puserem a atacar civis russos, cometerão crime de guerra, ao qual a Rússia será forçada a responder. A Rússia, é claro, não deixará que seus cidadãos sejam assassinados por mercenários norte-americanos e nazistas. Não cabe nem dúvida de que já há operações em andamento na Rússia para liquidar essa ameaça.

Os EUA não podem introduzir forças militares na Ucrânia; então, fez como conseguiu. Está pagando mercenários e contratando elementos limítrofes e radicais absolutamente doidos. A Rússia, até aqui, tem se mostrado extremamente contida nos protestos, mas, claro, sabe que já foi alvo de ato de guerra e de um ataque que visa a manipular a vontade política da população civil, pelo medo e pelo terror. É exemplo perfeito do que é o terrorismo e de em que se converteram os EUA: já passaram da fase de apoiar terroristas, para a fase de patrocinar terroristas.

EUA surpreendidos pelos eventos no leste da Ucrânia

Para os hipócritas em Washington, os neonazistas assassinarem 85 policiais em Kiev foi coisa normal: não provocou uma linha de ‘indignação’. Para os planejadores do golpe nazista em Kiev, problema, mesmo, são os comícios pró-Rússia nas cidades do leste da Ucrânia.

República Popular Independente de Donetsk

Donetsk declarou-se independente da Ucrânia – criou a República Popular de Donetsk – e convocou um referendo para oficializar sua integração à Federação Russa. Donetsk também solicitou a ajuda de soldados russos com atribuições para fazer a paz na cidade.

República Popular da Carcóvia 

Ativistas em Carcóvia proclamaram a República Popular da Carcóvia, e também se organizam para um referendo que oficialize a incorporação da nova República à Federação Russa. Bandidos armados do Setor Direita foram caçados e expulsos de Carcóvia.  

Lugansk quer ser República Federada

Lugansk está organizando seu plebiscito para devolver ao idioma russo o status de língua oficial e voltar a ser independente da Ucrânia; os cidadãos pedem a expulsão da junta e dos fascistas, de Kiev, e prisão para os banderistas.

Odessa exige o fim da junta de Kiev e o fim da repressão contra a população 

Odessa também se levantou contra os fantoches dos EUA, que governam Kiev.

MRE da Rússia acusa mercenários da GreystoneXe (Blackwater) de atuar na Ucrânia
Conclusão

Os planejadores norte-americanos, em sua campanha irracional contra a Rússia estão começando a irromper por linhas muito perigosas. Continuam a meter-se numa área do mundo na qual não são nem desejados nem bem-vindos. Continuam a ameaçar a segurança russa e a ameaçar a vida e o bem-estar de cidadãos russos e ucranianos. O continuado apoio que os EUA dão à junta e aos grupos de fascistas armados na Ucrânia é ameaça direta aos russo, aos ucranianos e a todos os povos eslavos.

O povo da Ucrânia (não os fantoches norte-americanos e os neonazistas) não quer por lá nem a União Europeia nem os EUA. A maioria vê os russos como irmãos e não há meio de EUA-OTAN-UE serem bem-sucedidos no esforço para dividir o mundo eslavo e ocupar a Ucrânia, berço da grande Rus. A Rússia e a Ucrânia derrotaram os nazistas uma vez e não há meio pelo qual, em 2014, os EUA aliados a nazistas consigam impor-se na Ucrânia. Até agora, a Rússia tem deixado acontecer, paciente e tolerantemente, já vários ataques contra sua soberania, perpetrados por Washington. Não é sinal de fraqueza. E, quando a paciência acabar, depois dessa infindável sucessão de agressões e violência provocada por EUA-OTAN-UE, a reação dos russos será impossível de conter.

Por isso, precisamente, a melhor providência hoje é meter em camisas de força e encerrá-los em celas estofadas, para que não detonem também a própria cabeça, todos os jogadores norte-americanos desse “xadrez geopolítico”.

Cada passo de cada um deles na Ucrânia é conhecido, documentado, conhecido. A tal operação “secreta”, pela CIA, de invasão da Ucrânia, já nada tem de secreta. Todo mundo sabe, todo mundo viu. Pois nem por isso a CIA parou. Continua, irracionalmente, sinal claro de que, em Washington, as luzes do alpendre acendem à noite e apagam pela manhã, mas, de fato, a casa está deserta.

UMA LISTA, para os que apreciam listas

Os mesmos neocons que destruíram Detroit tentam destruir a Ucrânia
Esses são os países (há também cidades, como Detroit, por exemplo, também destruída pelo mesmo grupo; e um estado dos EUA, de onde foram expulsos e onde foram assassinados povos originários do território norte-americano) nos quais os EUA organizaram golpes de estado, apoiaram campanhas contra governos eleitos, derrubaram governos, invadiram, anexaram, apoiaram oposição terrorista ou executaram líderes e governantes democráticos. A ordem é alfabética.

Afeganistão
Albânia
Alemanha
Angola
Arábia Saudita
Argentina
Bolívia
Bósnia
Brasil
Cambodia
Chile
China
Colômbia
Colorado
Congo
Cuba
Detroit
Dominicana, República
Egito
El Salvador
Filipinas
Grécia
Grenada
Guam
Guatemala
Haiti
Hawaii
Honduras
Iêmen
Indonésia
Irã
Iraque
Iugoslávia
Korea
Kuwait
Laos
Líbano
Libéria
Líbia
Macedônia
México
Nicarágua
Omã
Paquistão
Panamá
Porto Rico
Rússia
Samoa
Síria
Somália
Dakota do Sul
Sudão
Turquia
Uruguai
URSS
Venezuela
Vietnã
Ilhas Virgens e
Zaire (Congo).

Brasil - Vernon Walters (E), o real comandante do Golpe de 1964, conversa
com o MILICANALHA Castello Branco pouco antes do traiçoeiro "putsch"
aplicado contra o Brasil e o povo brasileiro
O que fizeram e continuam a fazer contra os norte-americanos nativos também poderia se somar a essa lista, com genocídio dos povos autóctones. Além da fundação de um racismo “norte-americano” e do “excepcionalismo” endêmico que acompanham exatamente as pegadas do genocídio dos povos nativos.

É mais que hora de o mundo acordar e começar a sancionar, isso sim, os verdadeiros criminosos.





quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Robôs, racismo e neoliberalismo mataram Detroit (e o que significa para você)

4/12/2013, Juan Cole, Informed Comment
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Juan Cole erra tudo sobre Líbia e Síria. Mas, nisso, acerta: mataram Detroit”.
5/12/2013, Pepe Escobar, Facebook
Trilha sonora sugerida: No Fun [Não é divertido, não tem graça] (Iggy and the Stooges). Ouça a seguir:

População de Detroit, de mãos dadas, reza para que não roubem suas aposentadorias e pensões
O juiz decidiu que a municipalidade de Detroit pode beneficiar-se do direito de falência e reestruturação financeira. Significa que as aposentadorias e pensões podem, pelo menos em parte, ser roubadas dos trabalhadores. (...)

A grande pergunta é se a bancarrota de Detroit e o declínio, que prossegue, são só uma rebarba, ou se nos dizem algo sobre o estado distópico em que os EUA estão-se convertendo. Parece-me que os problemas da cidade são as dificuldades do país como um todo, especialmente no que tenha a ver com desindustrialização, robotização, desemprego estrutural, crescimento territorial das propriedades totalmente gradeadas do 1% e o racismo. O prefeito convocou as famílias que ainda vivem no oeste da cidade, muito esvaziado, a se mudarem para o centro, para que possam ser atendidas. Soa-me como o pós-apocalipse. Vez ou outra, os bairros abandonados pegam fogo; em pouco tempo, 30 prédios viram fumaça em Detroit.

  |
No auge do sucesso, nos anos 1950s, Detroit tinha quase 2 milhões de habitantes. Quando me mudei para o sudeste de Michigan em 1984, ainda viviam 1 milhão de pessoas em Detroit. Lembro que, na época do censo de 1990, os políticos muito falavam sobre manter o status de cidade de 1 milhão de habitantes, porque havia um dinheiro federal extra para essas áreas urbanas, e eles precisavam de todos os moradores. Conseguiram, por pouco. Mas em 2000 a cidade caiu abaixo de 1 milhão. Em 2010, já eram 714 mil, por aí. Google estima que, hoje, sejam 706 mil. Nada faz crer que não continue a encolher e chegue a nada ou quase nada.

Thomas J. Sugrue
O conhecido historiador da moderna Detroit, Thomas J. Sugrue, explicou o declínio da cidade. Primeiro, Detroit cresceu de 400 mil para 1,84 milhão de habitantes, de 1910 a 1950, basicamente por causa da indústria de automóveis e demais indústrias que a alimentavam (de ferramentas, autopeças, serviços, etc.).

De 1950 até hoje, duas coisas aconteceram, de importante, que arruinaram a cidade industrial. A primeira foi a robotização.

A automação de muitos processos nas fábricas reduziu o número de trabalhadores necessários, e produziu desemprego. Foi o golpe do capitalismo industrial, contra os negros que acorreram para Detroit nos anos 1940s, para escapar de ser boia-fria na Geórgia e por todo o Sul profundo, onde, quando eles partiram, até esses empregos já começavam a desaparecer.

Então, a autoindústria começou a partir, e com ela as indústrias de apoio, para reduzir gastos com salários, para reduzir custos de produção ou para escapar a leis regulatórias.

A recusa, pela população branca, a permitir que os imigrantes negros se integrassem, gerou forte divisão racista em moradia e educação inadequada para negros norte-americanos. Ao longo dos anos finais da década dos 1950s e durante a década dos 1960s, houve fuga substancial de brancos, que deixavam a cidade, movimento do qual os tumultos raciais de 1967 foram uma continuação. As classes médias altas, os empresários e os ricos em geral levaram a riqueza com eles para os arredores da cidade; assim, feriram a base municipal da arrecadação de impostos. A queda nos impostos arrecadados veio na sequência, somada à migração das fábricas. Quanto menos a cidade arrecadava, piores os serviços públicos, e mais gente deixava Detroit. Os negros de classe média alta e ricos começaram a partir nos anos 1980s e hoje já se foram praticamente todos.

Manifestações em Detroit contra a decisão judicial
Outros observadores sugeriram outros fatores que se somaram para o declínio, como mau planejamento urbano ou a incapacidade para atrair imigrantes estrangeiros em número suficiente. Desconfio que o declínio do porto de Detroit tem algo a ver com a história (só uma das quatro velhas docas em Sault St. Marie permite hoje que navios de grande calado cheguem a parte baixa dos Grandes Lagos e portanto a Detroit. Uma nova doca grande e moderna está sendo construída para acomodar grandes embarcações, mas faltam décadas para que comece a operar). Alguns observadores lembram que Detroit bem poderia ser um grande porto de entrada no meio-oeste para navios internacionais de transporte de contêineres, se as docas fossem ampliadas e conectadas por ferrovias às cidades da região, mas desconfio que seria preciso uma nova conexão à linha SOO.

Depois de todas essas décadas de esperanças desfeitas, é difícil para mim levar a sério as conversas de que a cidade dará “a volta por cima” ou que algum projeto de renovação tenha alguma chance de sucesso. Parece-me que hoje se trata de o que fazer para fixar uma população que, se nada for feito, continuará a partir. A ideia das “hortas urbanas” parece-me especialmente falha, como hipótese de solução [tampouco bicicletas e patinetes resolverão alguma coisa!].

Parece bonito, soa bem, mas hortelãos não ganham dinheiro como operários industriais urbanos – motivo pelo qual eles sempre deixam as hortas e mudam-se para as cidades. Ninguém injeta dinheiro na vida de uma cidade economicamente moribunda, com hortas [nem, tampouco, com bicicletas e patinetes! (NTs)].

Embora outras cidades ainda consigam evitar o destino fatal de Detroit, parece-me que os EUA, como um todo, enfrentam alguns dos problemas intratáveis que essas cidades enfrentam. E acho que os EUA não temos solução para eles.

Considerem-se, por exemplo, os robôs (e falo da produção computadorizada e altamente mecanizada de mercadorias). Mais e mais trabalho automatizado, e mais e mais avanços na tecnologia de computação, podem aumentar substancialmente a produtividade. Mas o uso crescente de robôs viola o acordo que os capitalistas firmaram com os consumidores norte-americanos depois da Grande Depressão: o capitalismo ofereceria empregos bem remunerados, e os operários, em troca, comprariam as mercadorias que as fábricas produzissem – num ciclo de consumo. Se as mercadorias podem ser produzidas sem operários, e se os operários, por isso, acabam recebendo em troca só desemprego de longo prazo (como em Detroit)... quem comprará as mercadorias de consumo?

O capitalismo sobreviverá a uma Detroit. Mas e se, depois de Detroit, vierem várias Detroits?

Parece-me que, se a produção divorciou-se do trabalho humano, é preciso deixar para trás o capitalismo.

Entendo que o trabalho robotizado tenha de ser estatizado e posto a operar extensivamente a serviço do setor público; e os cidadãos receberão dividendos, uma renda mínima, gerada por financiarem a automação. Assim, se os robôs fabricarem um automóvel, os lucros não irão só para a empresa proprietária dos robôs; serão distribuídos entre todos os cidadãos. Afinal de contas, de que serviriam os robôs, a produzirem produtos para seres humanos desempregados e sem vintém para comprá-los? Talvez precisemos de uma versão “século 21” de “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades”. [1]

Formas mecanizadas/computadorizadas de propriedade comum também ajudariam a resolver o problema da crescente desigualdade de renda nos EUA. O 1% está hoje levando para casa 20% da renda nacional, por mês: mais de 10% a mais, em relação há algumas décadas. O 1% fez estrago considerável no sudeste de Michigan com seus mercados desregulados de derivativos e hipotecas podres; o crash de 2008 atingiu duramente a região, que já estava sendo duramente atingida.

O estado da antiga fábrica da Packard em Detroit
A área de Detroit é terrível exemplo da praga que é riqueza extrema (Bloomfield Hills, Grosse Pointe) e extrema miséria (quase toda a cidade de Detroit) co-existindo numa mesma área urbana metropolitana. Não dá certo. Os ricos não têm cidade onde se divertir, e a cidade não tem meios para impor impostos e auferir qualquer benefício da riqueza que se acumula dos arredores da cidade. Esses problemas são exacerbados de fato pelo racismo, a segregação racial: há muito mais negros desempregados em Detroit, que brancos; e nos arredores ricos vivem muito mais brancos, que negros.

A crise do capitalismo está sendo adiada por causa do crescimento da Ásia e da emergência de novos mercados consumidores em pontos nos quais a população está crescendo rapidamente. As empresas norte-americanas mudaram-se para lá em números que continuam a aumentar, porque lá encontram mão de obra barata. E deixam comunidades tradicionalmente de operários, como Detroit, ociosas e abandonadas. As empresas dos EUA fabricam mercadoria no Vietnã, para vender a consumidores chineses e indianos. Mas a população mundial parará de aumentar em 2050 e daí em diante, provavelmente, declinará. Nesse momento, o consumismo terá alcançado seus limites, porque, de ano em ano, o número de consumidores diminuirá. (E há também o problema de o consumismo clássico dos anos 1940s e 1950s não ser ambientalmente sustentável).

Com os robôs trabalhando para os humanos, energia solar e eólica, e população global diminuindo, os seres humanos pós-2050 poderão ter, universalmente, alto padrão de vida. Poderão dedicar suas energias a criar software, biotecnologia e arte – todas essas atividades sustentáveis. A renda assegurada aos humanos pelo trabalho dos robôs será renda básica para todos, mas as pessoas poderão gerar outros ganhos, pelo empreendedorismo ou pela criatividade. E, porque todos terão uma renda mínima garantida, todos poderão comprar bens extra e serviços. Esse futuro depende de alguma coisa parecida com esse comunismo do trabalho robótico, e que que se supere para sempre o racismo, para que todos os membros das comunas humanas vivam iguais e integrados em novos espaços urbanos sustentáveis.

Insistir numa política econômica de capitalismo-tubarão à moda do século 19, quando já há trabalho mecanizado inteligente e estamos em pleno declínio da indústria baseada na exploração do trabalho humano que gera Detroits. Detroit é filha do racismo e dos preconceitos. Encolher o estado, matá-lo de fome e impotência e cortar serviços, ao mesmo tempo em que se obrigam os operários a trabalhar por salários cada vez menores (ou, até, expulsando-os para sempre do mercado de trabalho) gera Detroits. Na essência, Detroit é produto natural dos princípios do Partido Republicano dominado pelo Tea Party que os EUA temos hoje. Não funciona. Isso não é o futuro.

O futuro não é o cadáver de Detroit, nem o governo estadual dos Republicanos em Lansing. É coisa diferente. A morte lenta e dolorosa de Michigan está tentando nos ensinar algo: que formas ensandecidas e doentias de globalização, racismo, robôs a serviço dos ricos são a morte das cidades governadas pelas regras dos barões ladrões. Precisamos de novas regras.




Nota dos tradutores
[1] É frase bíblica e parece entrar como tal, nesse artigo. Mas é frase conhecida, também, já ressignificada por Marx:

Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e, com ela, o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; quando o trabalho não for somente um meio de vida, mas a primeira necessidade vital; quando, com o desenvolvimento dos indivíduos em todos os seus aspectos, crescerem também as forças produtivas e jorrarem em caudais os mananciais da riqueza coletiva, só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em suas bandeiras: De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades. (MARX, Karl. Crítica do Programa de Gotha”, 1875, onde pode ser lido, em português)

Quer dizer: é muito bonito, no artigo, mas... Com a frase, é hoje já INDISPENSÁVEL considerar também toda a “Crítica ao Programa de Gotha”, que Marx escreveu, contra os Lassalistas.  No prefácio, em que apresenta sua edição do manuscrito de Marx, Friedrich Engels escreveu, em Londres, dia 6/1/1891:

(...) Mas o manuscrito ainda tem uma outra significação e de maior alcance. Pela primeira vez, a posição de Marx para com a orientação tomada por Lassalle desde a sua entrada na agitação é aqui clara e firmemente exposta, e isto tanto no que diz respeito aos princípios económicos como à táctica de Lassalle. A impiedosa severidade com que o projecto de programa é aqui dissecado, a inflexibilidade com que os resultados obtidos são enunciados [e] os pontos fracos do projecto são mostrados. (...) Lassallianos específicos já só existem no estrangeiro como ruínas isoladas e o programa de Gotha, em Halle, foi abandonado mesmo pelos seus criadores, como inteiramente insuficiente [negritos dos tradutores].

Pelo sim, pelo não, melhor aproveitar, desse artigo, só as informações sobre o assassinato de Detroit (como Pepe Escobar avisou pelo Facebook)