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domingo, 24 de agosto de 2014

O povo das repúblicas do leste da Ucrânia, entre milícias e oligarcas

16/8/2014, [*] Boris Kagarlitsky, de Moscou − International Journal of Socialist Renewal, Austrália
Traduzido do russo para inglês por Renfrey Clarke
Traduzido para português pelo pessoal da Vila Vudu


Contexto: Assim sendo, o que pode estar em preparação para a Ucrânia? Parece perfeitamente razoável que a Rússia deseje fim imediato do ataque militar contra os "separatistas" no leste da Ucrânia. E Washington não tem feito outra coisa além de ordenar que Kiev ataque sem descanso. Mas isso pode estar começando a mudar.

Se acontecer, Rússia e Alemanha ganharão espaço para respirar e enfiar por aquele território uma trilha de paz, que Putin e Merkel podem estar refinando lá entre os dois. Até aqui, Washington não faz outra coisa além de minar qualquer tentativa nascente de diálogo intraucraniano. Mas esse tipo de "rejeicionismo" pode também já não ser sustentável, se a Alemanha decidir jogar todo seu peso a favor do processo que leve ao diálogo.

Em resumo, se estamos interpretando corretamente os sinais, é possível que já se ouçam os primeiros tambores da retirada do Tio Sam. O conhecido estrategista russo Boris Kagarlitsky publicou coluna, em seu estilo caracteristicamente de provocação, em que dá várias pistas sobre a trama inacreditavelmente complexa das manobras em curso no leste da Ucrânia [adiante, traduzido] (...). Seja como for, o Kremlin ainda não precisou jogar todos os seus trunfos.
22/8/2014, A guerra pela Ucrânia pode estar chegando ao fim, MK Bhadrakumar, em inglês.

Ucrânia e as repúblicas de Novorússia
(em vermelho)
A guerra entre o governo da Ucrânia e as repúblicas da Novorrússia está gradualmente assumindo o caráter de impasse de posição. Os recursos dos dois lados estão exauridos, e as reservas para combate estão no fim. Para as repúblicas populares, que se autodefendem contra forças militares muito superiores do governo de Kiev, o princípio segundo o qual “governos têm de vencer; para uma insurreição, já basta não perder” opera com força total.

A situação econômica que se deteriora na Ucrânia, a crescente desmoralização dos apoiadores do regime de Kiev e o desenvolvimento gradual de um movimento partisan de resistência em território controlado pelo governo são fatores que, juntos, inauguram uma nova fase numa guerra civil que, claramente, se estenderá para bem além dos limites do sudeste.

Os meados do mês de agosto assistiram ao acentuado fracasso da mais recente ofensiva pelo exército do governo de Kiev (mais provavelmente, a última ofensiva na campanha de verão de Kiev). É significativo que, durante a ofensiva anterior, a imprensa-empresa ocidental dominante, que só faz sonegar aos seus consumidores qualquer informação real sobre a guerra, pôs-se repentinamente a publicar matérias sobre sucessos do exército do governo em Kiev. Como já ocorrera antes, depois das previsões otimistas, veio o silêncio.

O fracasso da segunda ofensiva seguiu exatamente o mesmo cenário que a primeira: as forças atacantes tiveram interrompido o contato com suas bases e acabaram cercadas. As vitórias ‘de noticiário’ viraram catástrofe no mundo real. Não há como vencer guerras no espaço informacional, se você está apanhando em terra firme.

Parece haver todas as razões para falar de prospectivas positivas para os povos das repúblicas da Novorrússia. Mas, nos bastidores de vitórias militares, desenrola-se uma crise política e administrativa que cria novos perigos, os quais, se não são maiores que os associados a ataque por forças militares, não são por isso menos graves.

Coronel Igor Strelkov
Ao longo de várias semanas, toda a liderança das repúblicas de Donetsk e Lugansk foi efetivamente trocada. O desenvolvimento mais inesperado e de mais impacto foi o afastamento do líder militar das milícias, Igor Strelkov. Na melhor tradição dos soviéticos, o anúncio veio vazado em termos de “transferência para outro serviço”. A decisão foi tomada num momento em que Strelkov estava em Moscou, longe de suas tropas.

A remoção de Strelkov, afastado de seu posto, é evidente ato de vingança, por aquelas forças dentro do Kremlin às quais o comandante das milícias populares infligiu uma séria derrota política no início de julho. As unidades de milícias, depois de campanha heroica de dois meses na defesa de Slavyansk, rompeu o círculo de forças ucranianas e avançou para Donetsk, onde figuras políticas ligadas ao Kremlin já planejavam a rendição da cidade ao governo em Kiev. A chegada das milícias foi seguida de um expurgo radical nas estruturas de poder. Ninguém reprimiu os conspiradores, mas todos foram forçados, um depois do outro, a assinar cartas de renúncia. Na sequência, deixaram a cidade sem excessivo alarido, alguns tomando o rumo de Moscou; outros, de Kiev. Aconteceu assim, contra um pano de fundo de crescente radicalização política dentro do movimento da resistência.

Boris Litvinov
Em agosto, foi publicada uma carta conjunta de soldados combatentes e comandantes das milícias da resistência, exigindo que o slogan “repúblicas sociais” que estava sendo proclamado em Donetsk e Lugansk fosse implantado em todos os seus efeitos reais; que a propriedade dos oligarcas tinha de ser nacionalizada e que eram urgentes inúmeras reformas a serem implantadas na defesa dos direitos dos trabalhadores. Quem assumiu o posto de presidente do Soviete Supremo foi Boris Litvinov, comunista que rompeu com a liderança oficial do Partido. Aprovou-se legislação que revertia a privatização-comercialização do atendimento à saúde que havia sido iniciada pelos líderes anteriores; e fizeram-se repetidas, embora várias vezes excessivamente tímidas, tentativas na direção da des-privatização.

Por sua parte, especialistas políticos próximos do Kremlin desencadearam campanha contra Strelkov na imprensa-empresa de massa russa. A amargura dos burocratas em Moscou e de seus assistentes para propaganda é compreensível: enquanto permaneciam no abrigo aconchegante de seus escritórios, traçando planos e tecendo intrigas, o povo, na vanguarda dos eventos, ia fazendo história sem consultá-los.

Paradoxalmente, foi Strelkov quem mais fez para estimular a radicalização do processo, apesar de suas simpatias pela monarquia pré-revolucionária e nostalgia do império russo. O líder das milícias não tem fama só pela honestidade e abertura-transparência (basta lembrar os relatos detalhados que distribuiu das próprias dificuldades e fracassos, que contrastam fortemente com a propaganda distribuída por Moscou e Kiev). Os instintos políticos de Strelkov o levaram, em grande medida apesar de suas próprias tendências ideológicas, a apoiar mudanças sociais e políticas. Ele e seus aliados destacaram repetidas vezes que não permitiriam que a Novorússia fosse convertida numa segunda edição de uma Ucrânia pré-Maidan – opondo-se assim diretamente à estratégia de parte do Kremlin, que queria obter exatamente isso.

Diferente de outros líderes de Donetsk e Lugansk que viajaram inúmeras vezes a Moscou para suplicar ajuda (na maioria dos casos sem qualquer sucesso), o comandante das milícias sempre podia ser localizado na linha de combate, com seus homens. Essa atitude, como a prática mostrou, foi mais segura para ele no campo político do que nos corredores do poder em Moscou.

Não se sabe como Strelkov foi atraído para Moscou e o que lhe fizeram para obrigá-lo a assinar a renúncia “voluntária” (se é que assinou alguma coisa semelhante a isso). É possível que tenha sido ameaçado com suspensão total do fornecimento de suprimentos russos para os territórios liberados da Novorússia. Em grau considerável, essa dependência das novas repúblicas populares, de recursos que lhe chegavam de fora, é resultado de gerência mal feita pelo pessoal que o próprio Strelkov demitiu de seus postos em julho e início de agosto: não conseguiram, ou recusaram-se a fazê-lo, organizar a economia na retaguarda, para garantir distribuição normal de recursos. Em agosto, já se configurava uma situação na qual as repúblicas estavam ameaçadas de desastre, a menos que carregamentos de comida e munição fossem trazidos da Rússia. Muito provavelmente, esse fator foi usado pelos intrigantes dentro do Kremlin, para se livrarem de Strelkov.

Oleg Tsarev
De um modo ou de outro, as forças conservadoras tiveram sua vingança e o comandante militar de Donetsk foi removido. Há quem suspeite de elos com os oligarcas indicados para postos chaves. Em Moscou, durante os últimos dias, o político ucraniano Oleg Tsarev, que não representa ninguém e foi expulso de Donetsk pelos combatentes das milícias da resistência, desfraldou uma “nova bandeira da Novorússia”. Sabe-se lá por que, era versão, de cabeça para baixo, da velha bandeira imperial; e foi obviamente pensada para ‘'neutralizar'’ a bandeira, vermelho-escuro com uma cruz de Santo André, sob a qual as milícias estão combatendo.

A imprensa-empresa russa já está noticiando abertamente um acordo que teria sido feito entre os burocratas de Moscou e o oligarca ucraniano Rinat Akhmetov. Nas melhores tradições do ancien régime, a burocracia do Kremlin decidiu sacrificar os territórios libertados e entregá-los ao novo vassalo, em troca de seus serviços como mediador nas relações futuras com Kiev e, depois, também com o ocidente. Ao mesmo tempo, contatos estão sendo revividos entre diplomatas russos e ucranianos, e estão em curso acaloradas discussões sobre o destino final do sudeste. Depois do fracasso da mais recente ofensiva, e ante crescentes dificuldades internas, Kiev pode muito bem estar pronta para assinar um acordo.

Rinat Akhmetov
A única coisa que os autores desse cenário não levaram em consideração é o pensamento do povo da Novorrússia e Ucrânia, nem o estado de espírito dos residentes em Donetsk e a lógica geral de um processo revolucionário para o qual a sociedade russa está sendo levada gradualmente. Os combatentes das milícias da resistência que, sob bombardeio, estão construindo um novo estado, já não mais aceitarão permanecer como agentes dóceis de decisões tomadas longe dali – as quais, não importa onde sejam tomadas, se em Moscou ou em Kiev, são decisões alheias aos próprios interesses locais.

Na Novorússia, as simpatias idealistas com uma Rússia abstrata, que caracterizaram os primeiros meses do levante, estão agora cedendo lugar a uma crescente irritação contra os burocratas do Kremlin, que estão sendo acusados de traição e sabotagem pelos apoiadores das repúblicas populares.

O mesmo estado de espírito alastra-se também, como avalanche, dentro da própria Rússia. Quanto a Igor Strelkov, um novo grupo de comandantes de campo está assumindo o lugar dele, aceitando-o, em vários sentidos, como exemplo, mas diferentes de Strelkov, porque se posicionam com mais radicalismo, mais à esquerda.

Mediante intrigas, chantagem e manipulação, o “aparelho” pode, talvez, conseguir alguns sucessos táticos, e a remoção de uma ou outra figura de liderança. Mas não conseguirá deter a crise revolucionária cujo desenvolvimento está agora ganhando impulso.
__________________________

[*] Boris Yuliyevich Kagarlitsky (em russo: Борис Юльевич Кагарлицкий, 29 de agosto de 1958, Moscou) é um teórico marxista e sociólogo russo. É o coordenador do projeto Crise Global do Transnational Institute e diretor do Instituto sobre la Globalización y Movimientos Sociales  (IGSO) de Moscou.

Livros publicados
  • The Thinking Reed: Intellectuals and the Soviet State from 1917 to the Present (1988)
  • The Dialectic of Change (1989)
  • Farewell Perestroika: A Soviet Chronicle (1990)
  • Disintegration of the Monolith (1993)
  • Square Wheels: How Russian Democracy Got Derailed (1994)
  • The Mirage of Modernization (1995)
  • Restoration in Russia (1995)
  • Globalization and Its Discontents: The Rise of Postmodern Socialisms (1996, com Roger Burbach e Orlando Nuñez)
  • New RealismNew BarbarismSocialist Theory in the Era of Globalization 
  • The Twilight of Globalization: Property, State and Capitalism (1999)
  • The Return of Radicalism: Reshaping the Left Institutions (2000)
  • Russia under Yeltsin and Putin: Neo-liberal Autocracy (2002)
  • The Politics of Empire: Globalisation in Crisis (2004, co-editado com Alan Freeman)
  • The Revolt of the Middle Class (2006)
  • Empire of the Periphery: Russia and the World System (2008)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Ucrânia: Relatório de Situação (SITREP) 30/4/2014 − Atualização − 1612 UTC/Zulu

EUA/UE e suas “sanções apavorantes”

30/4/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

“Ninguém espanta porco-espinho, só com bunda pelada”
[provérbio russo]



  • A China já criticou fortemente, oficialmente, todas as sanções; disse que não servem para nada.
  • Outras seis cidades no leste da Ucrânia rebelaram-se.
  • Dmitry Rogozin, Embaixador Extraordinário Plenipotenciário e vice-primeiro ministro da Rússia, encarregado da indústria da Defesa, declarou que a Rússia responderá palavras, com palavras; e ações, com ações. Por exemplo, disse que, se os EUA tentarem causar dano à indústria aeroespacial russa, os russos podem mandar astronautas, eles mesmos, para a Estação Espacial Internacional.
  • Oleg Tsarev, uma das figuras políticas mais populares do leste da Ucrânia abandonou oficialmente a corrida presidencial; disse que sua participação é impossível.
  • Mikhail Dobkin, figura destacada do Partido das Regiões, e amigo próximo do prefeito de Carcóvia, Gennadi Kermes – que sofreu atentado à bala e está em estado crítico num hospital israelense, declarou que também está pensando em desistir da candidatura à presidência.
  • Pilotos russos informaram que o sinal de GPS sobre a Ucrânia parece ter sido degradado pelos EUA. Os EUA fizeram o mesmo na Líbia, e durante o massacre de 8/8/2008 em Ossétia. Por sorte, a constelação de satélites GLONASS operam em plena capacidade (24) e já assumiram todas as frequências.
  • O Secretário de Estado dos EUA John Kerry: “Hoje, que a Rússia tenta mudar a paisagem de segurança da Europa do Leste e Central, temos de deixar absolutamente claro para o Kremlin, que o território da OTAN é inviolável e nós defenderemos cada polegada dele”.
  • Em Kiev, o Setor Direita e os maidanistas estão brigando entre eles. Turchinov admite que essa operação falhou: “Gostaria de dizer francamente que no momento as estruturas de segurança não conseguem retomar rapidamente sob seu controle a situação nas regiões de Donetsk e Luhansk. O pessoal de segurança encarregado da proteção dos cidadãos está sem apoio. Mais que isso, algumas dessas unidades ou ajudam ou cooperam com os terroristas. Nossa tarefa é, antes de tudo, deter a disseminação da ameaça terrorista para todas as regiões da Carcóvia e Odessa”.
  • Foi anunciado pelas autoridades militares na Rússia, que dois recém-chegados participarão do desfile do próximo dia 9/5/3014, “Dia da Vitória”, em Moscou: uma unidade da Spetsnaz, com os novos uniformes à prova de bala e rifles com silenciador; e uma unidade de Infantaria Naval da Frota do Mar Negro que levará a bandeira da República Russa da Crimeia. Pode-se facilmente imaginar a fúria dos attachés da OTAN, convidados para assistir ao desfile (como são sempre convidados, anualmente).
  • Boris Nemtsov, ativista neoliberal pró-EUA cometeu suicídio político, ao mostrar-se na TV da Junta de Kiev, e comparar Putin a Stálin. Não que tenha grande coisa a perder, dado que seu partido “Parnas” não descola do 1-dígito, nas pesquisas eleitorais.
  • Nemtsov, Khodorkovsky, Kasparov e Navalnyi e alguns outros, já são, absolutamente, cadáveres políticos.
  • No mesmo programa da TV da Junta de Kiev no qual falou Nemtsov, Iurii Lutsenko, conhecido nacionalista ucraniano, declarou, com ares de máxima seriedade, que “o código genético do povo ucraniano dá aos ucranianos a habilidade de viver longe de mentiras, mas o código genético de filhos de Gengis Khan os faz desejar viver em mentira e disseminar a sífilis patriótica”. Esse comentário sobre a “genética” soou particularmente cômico, porque Lutsenko estava sentado ao lado de um judeu (Nemtsov), em programa de TV cujo apresentador é judeu (Savik Shuster) e está co-organizando a conferência que convidou Nemtsov a Kiev com outro famoso judeu (Khodorkovsky). Fico pensando por que esses judeus, que são usualmente super sensíveis a questões “genéticas”, mantiveram-se calados e sorridentes enquanto um nacionalista neonazista afirmava, a sério, que os genes asiáticos dos russos os tornariam menos capazes de resistir a mentiras de uma suposta “raça” ucraniana.
  • EUA e União Europeia adotaram mais sanções simbólicas contra a Rússia, que só ajudam numa direção: convencer os russos de que o ocidente não pode tomar e não tomará qualquer medida punitiva significativa contra a Rússia.
  • Os EUA estão noticiando entusiasticamente que as sanções estão fazendo a Rússia sangrar horrivelmente, por efeito de uma fuga de capitais. Há uma certa saída de capitais, mas é capital especulativo, que, como aconteceu em 08/08/2008, está sendo sacado por plutocratas ocidentais, em movimento para ser “noticiado”; e rapidamente o dinheiro voltará para a Rússia. Até aqui não se vê qualquer sinal de desinvestimento, pela simples razão de que os plutocratas ocidentais não têm interesse algum em sofrer as consequências desse movimento.
Talvez eu já tenha escrito sobre ele, mas há um excelente ditado russo sobre ameaças vazias: “Ninguém espanta porco-espinho, só com bunda pelada”.

É precisamente o que EUA e UE tentam fazer agora: querem espantar a Rússia com sanções que ferirão muito mais EUA e EU, que a Rússia. E não só isso.

A simples noção de que impedir 15 ou 30 pessoas de viajar à Eurozona por seis meses abalaria a alma de gente que resistiu por 900 dias contra o cerco de Leningrado pelas forças alemãs (e que passou fome, frio, sede, sob raids aéreos diários da Luftwaffe) é risível.

A boa notícia é que Turchinov já admitiu que perdeu Lugansk e Donetsk Oblast [província], e que agora lhe resta impedir que os mesmos eventos atinjam outras partes da Ucrânia como as regiões de Odessa e Carcóvia.

Mapa atual  (quase) com todas as províncias (oblasts) da Ucrânia
(clique na imagem para aumentar) 
Minha sensação pessoal é que a Carcóvia também já foi. Mas Odessa pode ser mais complicada. E a situação em Dnepropetrovsk é ainda mais complexa.

O que pode acontecer é uma desintegração da Ucrânia, em duas etapas. Na primeira etapa, as regiões de Lugansk, Donetsk e Carcóvia separam-se e formam sua própria república independente. Na sequência, uma relativa calmaria, as futuras eleições presidenciais (assumindo-se que venham a acontecer), a questão das aposentadorias, os preços sobem e o fim, completo, do fornecimento de gás russo à Ucrânia. Então, ao longo do verão e início do outono, o resto da Ucrânia explodirá em protestos sociais, que empurrarão regiões como Odessa ou Zaporozhie a romper, enquanto os oligarcas e neonazistas combatem uns contra os outros pelo controle de Kiev.

Como fator mais poderoso, que afetará o processo de desintegração da Ucrânia, haverá o boom econômico da Crimeia. Se, ano passado, os ucranianos comparavam a prosperidade econômica dos russos e dos cidadãos da União Europeia, esse ano eles compararão a situação econômica na Ucrânia-da-Junta (que chamo de “Banderastão”) e a da Crimeia.

Quanto à República Popular de Donetsk, terá de se integrar á Rússia, mais cedo ou mais tarde, nem que seja por razões de segurança.

John Kerry
Daí que só resta rir da mais recente ejaculação de conversa fiada, de Kerry. O que, exatamente, significa(ria) “nós temos de deixar absolutamente claro para o Kremlin, que o território da OTAN é inviolável e que defenderemos cada palmo dele”?!

Será que Kerry acredita seriamente que alguém – qualquer pessoa, mas muito menos, ainda, os russos – acreditaria que os tanques russos estejam prestes a atacar a OTAN? E ainda falta(ria) explicar como, exatamente, a OTAN planeja lutar contra a Rússia, se a Rússia “já ocupou os Estados Bálticos” (que a Rússia não quer e dos quais a Rússia não precisa)...

Kerry está-se convertendo em bufão ridículo em tempo integral, que faz Hillary parecer racional.

Uma última coisa: Tenho ouvido que quase 70% dos norte-americanos não estão felizes com Obama nem com o modo como Obama está administrando a crise ucraniana; enquanto a popularidade de Putin não baixa dos 80% de aprovação.

Pode-se concluir que o povo russo e o povo dos EUA têm pontos de vista bem semelhantes. Azar, mesmo, da plutocracia parasitária que pôs no poder uma não entidade do quilate de Obama.


The Saker

sexta-feira, 11 de abril de 2014

EUA na Ucrânia: Fracasso geopolítico de proporções históricas

8/4/2014, John Robles, Voice of Rússia
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Mapa atualizado dos protestos pro-Rússia na Ucrânia
A situação na Ucrânia continua a desdobrar-se por vias obviamente jamais planejadas pelos arquitetos do golpe (CIA, neoconservadores à moda Victoria Nuland, Geoffrey Pyatt, Michael McFaul, Barack Obama, George Soros e os acólitos de Zbigniew Brzezinski) que comandam o establishment da política externa dos EUA.  

Mais uma vez, o governo dos EUA, servindo-se da agência USAID [United States Agency for International Development / Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional], da CIA e do Departamento de Estado, consumiu bilhões do dinheiro dos contribuintes norte-americanos para derrubar ilegalmente mais um governo, na mais recente tentativa de gerar mais alguns bilhões de dólares para os empresários patrões e expandir a dominação norte-americana. E, mais uma vez, os EUA estão na rota do fracasso.

A mais recente aventura geopolítica dos EUA, na Ucrânia, está fracassando pela mesma razão pela qual suas outras aventuras fracassaram em Cuba, Venezuela, Vietnã, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, Rússia, Irã e por todos os cantos: porque as elites em Washington, isoladas no seu mundo da fantasia, ignoram absolutamente tudo sobre os países que deliram que conseguirão dominar.

Como o ícone neoconservador Paul Wolfowitz disse ao general Wesley Clark, dos EUA, pouco depois do 11/9, o Pentágono e a OTAN estão no business de destruir países, o que provaram ser capazes de fazer muito bem desde a Iugoslávia, há 15 anos. Sim, os EUA provaram que podem desestabilizar países, invadir, ocupar e bombardear até fazer sumir da face da terra, e, isso, sob os mais absolutamente falsos pretextos, e fazer “mudança de regime” quase a seu bel prazer. O que os idiotas em Washington não sabem fazer é mudanças que perdurem; que convençam os “mudados” de que foram “mudados” para melhor; conquistar o coração das pessoas; estabelecer hegemonia real duradoura; nem obter da intervenção, para os próprios mudadores, vantagens significativas. Já nem se fala aqui de ter ou de preservar posição moral, nem de os EUA serem capazes de fazer “mudança de regime” que promova sociedade pacífica, produtiva, próspera e saudável. 

Por mais que suas “mudanças de regime” forçadas pelo lado de fora sejam ilegais nos termos da lei internacional, nada disso jamais impediu a ação dos “excepcionais” EUA.

Protestos pró-Rússia espalham-se pela Ucrânia
Sim, vocês leram bem: realmente escrevi que os EUA estão fracassando na Ucrânia.  

O golpe não “pega”; e os eventos em breve tomarão tal rumo que acabará por convencer os cidadãos norte-americanos, de vez, que devem meter no hospício, em celas de paredes acolchoadas, os seus tais “jogadores de xadrez” geopolítico. Isso, antes de que matem mais gente em todo o mundo e afundem ainda mais fundo outras gerações de norte-americanos contribuintes, arrastados para a miséria. 

Digo o que digo, não porque queira ajudar os criminosos em Washington, alertá-los para que fujam a tempo ou dar-lhes ideias. Sei que os arrogantes arquitetos globalistas e geopolíticos norte-americanos só ouvem e leem eles mesmos, nas suas câmaras de eco privadas. Detesto sinceramente ter de dizer, mas, sim: eu bem que avisei! Sim, sim, queridos leitores: eu os avisei de que assim seria.

Manifestação pró-Russia em Lugansk (6/4/2014)
Desestabilização, disseminação da violência, fim do Estado de Direito, guerra civil e anarquia 

A continuada intromissão pela CIA e seus agentes e co-conspiradores na Ucrânia só levará a mais danos e mais sofrimentos, para o povo da Ucrânia. Se está sendo feito para essa finalidade, então os EUA estão sendo temporariamente bem-sucedidos. Se aos EUA o que realmente interessa é guerra generalizada na Ucrânia, e se continuarem a impor aos ucranianos a agenda dos EUA, é bem possível que consigam, o que injetará bilhões de dólares no complexo industrial militar e arrancará sangue e lágrimas dos contribuintes norte-americanos e dos cidadãos da Ucrânia, mas não se pode ter tudo ao mesmo tempo e é preciso começar pela desestabilização.
A desestabilização, levada a efeito com táticas já ultrapassadas de revolução colorida desenhadas nos anos 1990s, foi, em boa parte, bem-sucedida. Resultou, sim, em mudança de regime. 

Mas foi, provavelmente, a mais amadorística e mal conduzida de todas as ações ilegais da CIA, do estado e de seus agentezinhos sicofantas. Claro que custou bilhões e todas as melhores cabeças da “mudança de regime” dos EUA estavam a bordo, mas isso não altera o fato de que aquela pseudo elitezinha ambiciosa odiadora de russos, pressupostos grandes “masters” de xadrez geopolítico, feitas as contas, nada sabem, absolutamente, sobre o povo com os quais estão lidando.

O primeiro fracasso dos EUA na Ucrânia foi terem escolhido neonazistas para dar o golpe e pôr no poder seus próprios fantoches. Que idiota, na CIA ou na Casa Branca, teve tal ideia? 

Lá estavam, num país devastado pela IIª Guerra Mundial, os nazistas originais e, ainda piores, colaboradores de nazistas liderados por Stepan Bandera, que os nazistas originais da SS consideravam brutal demais. E alguém no universo alternativo de George Soros realmente achou que esses animais poderiam liderar um levante popular na Ucrânia?! Inacreditável falta de visão. 

Claro que como os fanáticos psicopatas bebedores de sangue que se ocultam por trás da religião do Islã que os EUA usam por todo o Oriente Médio, os fanáticos descerebrados do Setor Direita (Pravy Sektor) foram a única 5ª Coluna que os EUA encontraram para fazer o serviço (mais) sujo na Ucrânia. Como a Frente Al-Nusra e o chamado “Exército Sírio Livre”, o Setor Direita e Dmitro Yarosh são só os açougueiros alugados para o “serviço” mais sujo, de usar facão de esquartejamento, onde se requereria bisturi, razão pela qual foram contratados, com dinheiro dos contribuintes norte-americanos, para nada fazer, além de arrancar sangue inocente. O pessoal de gente como John McCain, que selecionou esses lunáticos sanguinários, obviamente têm uma queda pelo mais violento dos violentos e não estão preocupados com as mãos e bolsos na direção dos quais corre o dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Serve qualquer coisa – nazistas, Al-Qaeda e paramilitares fanáticos de qualquer tipo, não importa, desde que o serviço seja feito.

Como já disse, não estou querendo ajudar os EUA. Mas ter escolhido como agente seu, um terrorista e assassino procurado, como Dmitro Yarosh, e seus nazistas banderistas, foi erro. Vejamos por quê.

Agora, fantoches dos EUA liquidarão o Setor Direita 

Oleksandr Turchynov
Oleksandr Turchynov, o presidente-fantoche ilegítimo que os EUA puseram na presidência da Ucrânia, traidor da Ucrânia e do povo ucraniano, que foi comprado e pago por Washington, e viabilizado pelas forças do Setor Direita e seu golpe, anunciou hoje (8’4’2014) que atacará e derrubará todos os neonazistas que o puseram no poder. Só para lembrar, a Ucrânia não tem lei alguma, em Constituição alguma, que dê base legal ao tal “presidente” Turchynov. A Ucrânia tem presidente eleito e chama-se Yanukovich, mas essa é outra história.

Todos sabemos que o Setor Direita construiu o golpe. Todos sabemos que todo o Parlamento e o novo “governo” da Ucrânia foram “eleitos” só pelos EUA e pelo Setor Direita e seus associados e nenhum desses pode, de modo algum, ser considerado legítimo (incluídos os EUA), para decidir que manda na Ucrânia.

Esse fato acompanha a mais recente “declaração” de Turchynov, mais uma piada ridícula da farsa que foi a tomada de poder por EUA-OTAN-União Europeia na Ucrânia:

Alguns cidadãos tentaram encenar uma provocação próxima ao Parlamento, sabendo ou não o que faziam, e agradeço aos deputados presentes no Parlamento, que conseguiram fazer abortar a provocação.

Aí, Turchynov falava da tentativa, pelos nazistas do Setor Direita, semana passada, de invadir o prédio do Parlamento, em protesto contra a morte de um de seus co-conspiradores. Os deputados aos quais o “presidente” tanto agradeceu, como todos lembramos, tiveram de escapar por uma saída de emergência para salvar a vida.

Turchynov deve ter contratado, para escrever seus discursos sem sentido, a mesma empresa de “Relações Públicas & Marketing Político” que escreve os discursos de Barack (“Venderemos gás [que os EUA não têm] à Europa”) Obama, porque o modo como a verdade é espancada e distorcida nos dois discursos é tão completa e patente, que se custa a acreditar, até, que os dois, mesmo que não as tenham escrito, tenham tido coragem de pronunciado tais palavras.

Segundo matérias de televisão, Turchynov declarou que agora atacará violentamente o Setor Direita, mostrando o que venho dizendo desde o início: que o Setor Direita não passou de ferramenta, que agora está sendo descartada.

Setor Direita (Pravy Sektor) enfrenta a polícia  em 24/3/2014
O Setor Direita procura novos recrutas 

Segundo vídeos reproduzidos pela televisão, do líder neonazista Yarosh, o grupo nazista está em busca de novos recrutas. Em sua fala, Yarosh disse que o Setor Direita está “pegando” qualquer um. Claro que “qualquer um” que não seja russo, nem judeu, nem negro.

Yarosh, fascista radical, é candidato à presidência 

Dmitry Yarosh (Setor Direita)
Chefe do Pravy Sektor
Apesar do muito que repete que está desempregado e sem renda a declarar e que, portanto, não pagou impostos (dinheiro da CIA, claro, ninguém declara ao fisco) Yarosh, o terrorista nazista arranjou lá os US$ 225,ooo necessários para registrar-se candidato à presidência. Pagou, pode concorrer. 

É o primeiro psicopata neonazista radical procurado por várias polícias em todo mundo, a concorrer a eleições presidenciais.  

Serviço secreto russo (FSB) captura terroristas do Setor Direita na Rússia

O Serviço Russo Federal de Segurança informa que capturou 4 grupos de terroristas neonazistas do Setor Direito que operavam na Rússia. 25 cidadãos ucranianos foram presos e logo expostos pela TV. Confessaram que planejavam ataques terroristas e ataques de provocação por toda a Rússia.

Setor Direita indignado por não obter ajuda financeira dos russos 

A farsa em que os nazistas do Setor Direita apoiados pelos EUA e os criminosos de Kiev estão convertendo a Ucrânia subiu para outro nível, quando o ministro (ilegítimo) de Energia da Ucrânia, Yury Prodan, indicado pela junta da praça Maidan “declarou” que a Rússia teria de pagar ao governo ilegítimo da junta... os 15 bilhões de dólares prometidos ao presidente Yanukovich (o mesmo que teve de buscar refúgio na Rússia, depois que o Setor Direita de Prodan ameaçou matá-lo).

Setor Direita vende serviços 

Segundo um site ucraniano, o Setor Direita está vendendo serviços. Quem estiver precisando de gangue de bandidos de alugue, não importa para que serviços, já sabe onde encontrá-los. Os serviços podem ser pagos em dinheiro (preços módicos) ou em armas.

Nazistas de Greystone (Blackwater/XE) e do Setor Direita: ativados 

Kiev enviou mercenários norte-americanos e bandidos armados do Setor Direita para o leste da Ucrânia, para enfrentar os crescentes protestos da população civil contra a junta em Kiev. O Ministério de Relações Exteriores da Rússia comentou a questão. Aparentemente, o Setor Direita não estava conseguindo número suficiente de forças, e a CIA foi obrigada a mandar para lá seu próprio pessoal. Esses quadros de “combatentes pró terrorismo” têm a missão de continuar a guerra clandestina de provocação e de intimidação contra a população civil pró-Rússia.

Ucrânia - mercenários Greystone Xe/CIA
Só o fato de haver 300 mercenários dos EUA/CIA armados e ativos em território ucraniano já é, só ele, ato de guerra. Se se puserem a atacar civis russos, cometerão crime de guerra, ao qual a Rússia será forçada a responder. A Rússia, é claro, não deixará que seus cidadãos sejam assassinados por mercenários norte-americanos e nazistas. Não cabe nem dúvida de que já há operações em andamento na Rússia para liquidar essa ameaça.

Os EUA não podem introduzir forças militares na Ucrânia; então, fez como conseguiu. Está pagando mercenários e contratando elementos limítrofes e radicais absolutamente doidos. A Rússia, até aqui, tem se mostrado extremamente contida nos protestos, mas, claro, sabe que já foi alvo de ato de guerra e de um ataque que visa a manipular a vontade política da população civil, pelo medo e pelo terror. É exemplo perfeito do que é o terrorismo e de em que se converteram os EUA: já passaram da fase de apoiar terroristas, para a fase de patrocinar terroristas.

EUA surpreendidos pelos eventos no leste da Ucrânia

Para os hipócritas em Washington, os neonazistas assassinarem 85 policiais em Kiev foi coisa normal: não provocou uma linha de ‘indignação’. Para os planejadores do golpe nazista em Kiev, problema, mesmo, são os comícios pró-Rússia nas cidades do leste da Ucrânia.

República Popular Independente de Donetsk

Donetsk declarou-se independente da Ucrânia – criou a República Popular de Donetsk – e convocou um referendo para oficializar sua integração à Federação Russa. Donetsk também solicitou a ajuda de soldados russos com atribuições para fazer a paz na cidade.

República Popular da Carcóvia 

Ativistas em Carcóvia proclamaram a República Popular da Carcóvia, e também se organizam para um referendo que oficialize a incorporação da nova República à Federação Russa. Bandidos armados do Setor Direita foram caçados e expulsos de Carcóvia.  

Lugansk quer ser República Federada

Lugansk está organizando seu plebiscito para devolver ao idioma russo o status de língua oficial e voltar a ser independente da Ucrânia; os cidadãos pedem a expulsão da junta e dos fascistas, de Kiev, e prisão para os banderistas.

Odessa exige o fim da junta de Kiev e o fim da repressão contra a população 

Odessa também se levantou contra os fantoches dos EUA, que governam Kiev.

MRE da Rússia acusa mercenários da GreystoneXe (Blackwater) de atuar na Ucrânia
Conclusão

Os planejadores norte-americanos, em sua campanha irracional contra a Rússia estão começando a irromper por linhas muito perigosas. Continuam a meter-se numa área do mundo na qual não são nem desejados nem bem-vindos. Continuam a ameaçar a segurança russa e a ameaçar a vida e o bem-estar de cidadãos russos e ucranianos. O continuado apoio que os EUA dão à junta e aos grupos de fascistas armados na Ucrânia é ameaça direta aos russo, aos ucranianos e a todos os povos eslavos.

O povo da Ucrânia (não os fantoches norte-americanos e os neonazistas) não quer por lá nem a União Europeia nem os EUA. A maioria vê os russos como irmãos e não há meio de EUA-OTAN-UE serem bem-sucedidos no esforço para dividir o mundo eslavo e ocupar a Ucrânia, berço da grande Rus. A Rússia e a Ucrânia derrotaram os nazistas uma vez e não há meio pelo qual, em 2014, os EUA aliados a nazistas consigam impor-se na Ucrânia. Até agora, a Rússia tem deixado acontecer, paciente e tolerantemente, já vários ataques contra sua soberania, perpetrados por Washington. Não é sinal de fraqueza. E, quando a paciência acabar, depois dessa infindável sucessão de agressões e violência provocada por EUA-OTAN-UE, a reação dos russos será impossível de conter.

Por isso, precisamente, a melhor providência hoje é meter em camisas de força e encerrá-los em celas estofadas, para que não detonem também a própria cabeça, todos os jogadores norte-americanos desse “xadrez geopolítico”.

Cada passo de cada um deles na Ucrânia é conhecido, documentado, conhecido. A tal operação “secreta”, pela CIA, de invasão da Ucrânia, já nada tem de secreta. Todo mundo sabe, todo mundo viu. Pois nem por isso a CIA parou. Continua, irracionalmente, sinal claro de que, em Washington, as luzes do alpendre acendem à noite e apagam pela manhã, mas, de fato, a casa está deserta.

UMA LISTA, para os que apreciam listas

Os mesmos neocons que destruíram Detroit tentam destruir a Ucrânia
Esses são os países (há também cidades, como Detroit, por exemplo, também destruída pelo mesmo grupo; e um estado dos EUA, de onde foram expulsos e onde foram assassinados povos originários do território norte-americano) nos quais os EUA organizaram golpes de estado, apoiaram campanhas contra governos eleitos, derrubaram governos, invadiram, anexaram, apoiaram oposição terrorista ou executaram líderes e governantes democráticos. A ordem é alfabética.

Afeganistão
Albânia
Alemanha
Angola
Arábia Saudita
Argentina
Bolívia
Bósnia
Brasil
Cambodia
Chile
China
Colômbia
Colorado
Congo
Cuba
Detroit
Dominicana, República
Egito
El Salvador
Filipinas
Grécia
Grenada
Guam
Guatemala
Haiti
Hawaii
Honduras
Iêmen
Indonésia
Irã
Iraque
Iugoslávia
Korea
Kuwait
Laos
Líbano
Libéria
Líbia
Macedônia
México
Nicarágua
Omã
Paquistão
Panamá
Porto Rico
Rússia
Samoa
Síria
Somália
Dakota do Sul
Sudão
Turquia
Uruguai
URSS
Venezuela
Vietnã
Ilhas Virgens e
Zaire (Congo).

Brasil - Vernon Walters (E), o real comandante do Golpe de 1964, conversa
com o MILICANALHA Castello Branco pouco antes do traiçoeiro "putsch"
aplicado contra o Brasil e o povo brasileiro
O que fizeram e continuam a fazer contra os norte-americanos nativos também poderia se somar a essa lista, com genocídio dos povos autóctones. Além da fundação de um racismo “norte-americano” e do “excepcionalismo” endêmico que acompanham exatamente as pegadas do genocídio dos povos nativos.

É mais que hora de o mundo acordar e começar a sancionar, isso sim, os verdadeiros criminosos.