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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Imagens do Nulandistão: O que os EUA e União Europeia jogaram contra a Ucrânia


(fotos e vídeos, legendados em inglês)

12/5/2014, [*] Mahdi Darius Nazemroaya, Global Research
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ucrânia em chamas
Neonazistas comandados pela Junta de Kiev/EUA queimam civis vivos em Odessa
As ditas “operações antiterrorismo” do regime de Yatsenyuk nas regiões (oblasts) do sul e do leste da Ucrânia são, na realidade, uso de força marcial contra civis ucranianos que se opõem ao regime golpista instalado em Kiev. Ucranianos predominantemente pacíficos que se opõem aos líderes do golpe – não “separatistas armados” – têm sido o principal alvo dos tiros e ataques das milícias do regime golpista apoiado por EUA e União Europeia.

O discurso sobre separatistas “pró-Rússia” é tentativa viciosa para esconder a real natureza dos protestos contra o regime golpista; os protestos se dão, ali, contra um golpe. A principal questão é manifestantes antigolpe versus uma junta neofascista; não se trata de separatistas e federalistas versus Kiev. Referir-se à junta neofascista em Kiev, como se fosse o governo da Ucrânia, é encobrir, ocultar ou ignorar que o “governo” da Ucrânia, hoje, é governo ilegal – diga Obama o que disser.

Conheçam o Nulandistão [1] ucraniano: o “Khaganato dos Nulands” 

Sempre que o governo dos EUA diz que está promovendo democracia e liberdade, como faz a Secretária-Assistente de Estado dos EUA, Victoria Nuland, sobre a Ucrânia, com absoluta certeza já houve ou continua a haver destruição, miséria, empobrecimento, sectarismo, ataques, luta e morte.

Conheçam, então, dessa vez, a Ucrânia pós-golpe, ou o Nulandistão.

O novo paraestado segue os precedentes e tradições de desestabilização e violência sempre divulgados e disseminados por agentes norte-americanos como o senador John McCain no McCainistão em que ele tentou converter a República Árabe Síria; e por Hillary Clinton no Clintonistão em que ela converteu a Jamahiriya Líbia Árabe.

Arseniy Petrovych Yatsenyuk, que assumiu ilegalmente o posto de primeiro-ministro ucraniano, com apoio de EUA e União Europeia, jamais foi muito favorecido por número significativo de cidadãos e manifestantes autênticos na Praça EuroMaidan, nem nos movimentos de base de aliados daqueles manifestantes autênticos. Quando, sem eleições ou qualquer discussão pública, o homem foi arbitrariamente empossado como primeiro-ministro, muitos ainda reunidos na Praça EuroMaidan o vaiaram furiosamente; ouviram-se até gritos de “caia fora, ou leva uma bala na testa”. É homem a soldo da infame Yulia Volodymyrivna Timoshenko, vaiada também quando apareceu na praça, logo depois de sair da cadeia onde estivera presa por corrupção. Na realidade, Yatsenyuk e outros políticos ucranianos que se identificam com a Praça Euro-Maidan, como o ultranacionalista Oleh Tiahnybok do partido Svoboda, apropriaram-se indevidamente das esperanças e sonhos dos ucranianos que protestavam não só contra o governo ucraniano de Viktor Fedorovych Yanukovich, mas contra todo o establishment político ucraniano.

Ocultado por trás dos protestos, o Partido Batkivshchyna – de Yatsenyuk e de Timoshenko – usou as milícias das gangues de ultranacionalistas nazistas e neonazistas para lançar um golpe violento em Kiev [O QUE ACONTECEU DIA 22-23/2/2014 – como o presidente Putin já cansou de explicar, com todas as provas e toda a razão].

Nada há semelhante a democracia operante na Ucrânia e, com o pleno apoio da União Europeia e do governo dos EUA, a própria livre manifestação democrática de ideias está sob ataque na Ucrânia, vítima do novo regime e suas gangues de mercenários e bandidos comuns. O regime golpista de Yatsenyuk já destruiu todas as liberdades constitucionais, inclusive a liberdade de manifestação; já enviou militares e forças de segurança contra o próprio povo, sob o pretexto de que o povo estaria engajado em operações de terrorismo, contra as quais a OTAN também foi mobilizada; o mesmo governo golpista de Yatsenyuk também já iniciou expurgos e caça a bruxas, por toda a Ucrânia. Começou com o presidente da Empresa Nacional de Televisão da Ucrânia, Aleksandr Panteleymonov – que foi ameaçado e, na sequência, espancado por deputados do Partido Svoboda, Igor Miroshnynchenko e Andrey Ilyenko, para que renunciasse ao posto.


Uma atmosfera de intimidação e abusos é a ordem do dia no Nulandistão e políticos da oposição têm sido regularmente ameaçados e espancados, alguns ainda feridos e ainda expostos a risco de morte. Táticas de intimidação e violência também foram usadas para forçar políticos e funcionários públicos ucranianos a renunciar e, em geral, a abandonar os respectivos postos em toda a Ucrânia.

Dentro do Verkhova Rada ou Parlamento ucraniano, qualquer dos deputados remanescentes que se atrevam a falar contra o regime e suas políticas são silenciados e espancados. É a liberdade de manifestação que os EUA pregam e que, agora, está sendo “ensinada” à Ucrânia, por gente do naipe de Victoria Nuland. Por exemplo, o veterano deputado Petro Symonenko foi impedido de falar e empurrado violentamente para longe da tribuna (há filmes), apenas porque se atreveu a condenar o uso de força militar e de forças especiais armadas contra civis que se manifestavam contra o regime de Yatsenyuk. Antes de ser silenciado, Symonenko conseguiu dizer que os ultranacionalistas estavam a serviço de interesses externos, não de qualquer interesse nacional da Ucrânia e que, de fato, estão dividindo o país do leste europeu. O gabinete do prestigiado deputado ucraniano foi incendiado, como outros gabinetes políticos de partidos ucranianos que se opõem ao golpe comandado por EUA e União Europeia.

Assim, pois, conheçam o Nulandistão: está sendo apresentado a vocês sob o alto patrocínio do Departamento de Estado dos EUA, da CIA, da agência USAID, da fundação National Endowment for Democracy (NED) e de toda uma vasta coorte de outros tentáculos igualmente venenosos do governo dos EUA.


Desde que assumiram o poder, os supostos “democratas” da Praça Euro-Maidan e seguidores dos neonazistas de Yatsenyuk puseram-se a matar os ucranianos que se opunham a eles ou protestavam contra o governo golpista apoiado pelo “ocidente”. No processo, o regime Yatsenyuk nega aos ucranianos os direitos que Arseniy Yatsenyuk, Victoria Nuland, John McCain, Catherine Ashton e os neonazistas do movimento Euro-Maidan dizem que estariam legitimando o golpe apoiado pelos EUA e a tomada do poder por golpe violento, em Kiev.

O massacre no prédio dos Sindicatos, em Odessa

Na famosa cidade portuária de Odessa, no litoral do Mar Negro, o regime de Yatsenyuk tentou criar provocação sectária, ao permitir que se realizasse um jogo de futebol entre os times Chernomorets Odessa e Metalist Kharkov, sabendo, como todos sabiam, que os hooligans ultranacionalistas das torcidas organizadas acorreriam a Odessa, para o jogo, dia 2/5/2014. Depois do jogo, os apoiadores do governo neonazista golpista de Kiev puseram-se a gritar “Faca na barriga dos russos” e palavrões. Na sequência, grupos que pareciam ser de ativistas antigolpe, que apoiavam a federalização ou a separação e usavam Fitas de São Jorge [2] e braçadeiras vermelhas nas mangas, enfrentaram os apoiadores do governo neonazista de Kiev, o que levou a confrontos violentos em toda a cidade de Odessa.

Adiante ficou comprovado que aqueles bandidos armados eram, de fato, agentes clandestinos provocadores, trabalhando a serviço dos neonazistas de Kiev. Alguns dentre eles eram agentes da polícia antitumultos enviados contra a população pelo regime de Kiev, e que usavam as mesmas braçadeiras vermelhas, para serem confundidos com agentes ativistas anti-Kiev. Antes de esses ativistas clandestinos que passaram a ser chamados de “terceiros não identificados” terem desaparecido das ruas, eles atacaram as pessoas que se reuniam na área do Prédio dos Sindicatos de Odessa. Quando os manifestantes entraram no prédio à procura de proteção, as portas foram trancadas e o prédio foi incendiado por coquetéis Molotov lançados para dentro. Os policiais assistiram ao ataque e viram os manifestantes pacifistas serem colhidos naquela armadilha e, na sequência, serem queimados vivos; simultaneamente, fecharam as passagens, de modo que caminhões de bombeiros e ambulâncias não se pudessem aproximar para salvar as pessoas presas dentro do prédio em chamas.


Neonazista da Praça Maidan atira em pessoas que tentam escapar do fodo pelas janelas do Edifício da Central Sindical em Odessa

Há provas em vídeos que mostram apoiadores do Partido Svoboda e dos neonazistas da Praça Maidan em Kiev, atirando a queima-roupa contra as pessoas trancadas dentro do prédio do Sindicato em Odessa, alguns com armas, atirando de fora para dentro, e outros dentro do próprio prédio (imagens na página). Um homem, que se autoidentificou como Sotnik Mykola, líder de EuroMaidan, foi inclusive filmado enquanto atira contra o prédio, contra pessoas que tentam escapar do fogo (imagens abaixo). Vê-se uma mulher grávida que grita por socorro, antes de ser estrangulada por um neonazista apoiador do regime em Kiev (na primeira imagem, vestindo jaqueta azul e branca). Uma das apoiadoras ultranacionalista do governo norte-americano de Yatsenyuk, que estava em Odessa durante os ataques, escreveu elogios ao assassinato de ativistas antigolpe, em sua página de Facebook.

Minha jaqueta cheira a borracha queimada e está manchada de sangue. Por um lado, é horrível, quando relembro os rostos dos mortos; mas, por outro lado, que orgulho! E ninguém pode fazer nada: o que está feito está feito” – escreveu ela [imagens abaixo].

"Print Screen" da página do Facebook da terrorista nazista Angela Aravina

O Canal Russo Perviy Kanal (Channel One ou Primeiro Canal) usou vídeos distribuídos por YouTube para noticiar os confrontos em Odessa, para mostrar o que se passava na cidade conhecida como “a pérola do Mar Negro”. Essas matérias foram retransmitidas também pelo canal RT International em inglês, para audiências planetárias. Tatyana Ivananko, que sobreviveu ao ataque dos ativistas antigolpe, disse ao jornalista ucraniano Alexey Yaroshevsky do canal RT International, em longa entrevista, que “a polícia lá ficou, sem nada fazer” e que os apoiadores do golpe “mataram com as próprias mãos alguns dos que conseguiam escapar do prédio incendiado e jogavam pela janela os que não conseguiam matar, para acabar de assassiná-los na calçada”. A mesma testemunha confirmou que não havia estrangeiros no prédio e que os agentes provocadores – “os terceiros não identificados” – nada tinham a ver com o grupo de manifestantes que a própria Tatyana integrava.


As operações “antiterrrorismo” do governo neonazista de Yatsenyuk são cortina de fumaça

A Oblast [província, região] de Donetsk foi sitiada pelo governo golpista que os EUA instalaram em Kiev. Civis ucranianos desarmados foram assassinados em Mariupol por ordens do regime de Yatsenyuk-Obama, dia 9/5/2014. Vídeos (abaixo) filmados em Mariupol mostram civis ucranianos desarmados assassinados em nome de falsas ‘operações’ antiterrorismo ordenadas pelo governo Yatsenyuk-Obama, no esforço para controlar partes da Ucrânia que não reconhecem o governo instalado pelo golpe do dia 22/2, que derrubou o governo eleito da Ucrânia.



Mais civis ucranianos foram mortos dias 10/5/2014, quando votavam em referendo legal e legítimo que se realizava em várias províncias ucranianas numa área do país chamada Novorossiya por razões históricas e sociológicas. Houve escaramuças entre o governo neonazista de Yatseniuk-Obama e combatentes da resistência armada em cidades como Slavyansk, onde o governo neonazista Yatsenyuk-Obama assassinou civis ucranianos nessa região, quando tentavam exercer o direito democrático de votar pacificamente nos referendos. Por exemplo, em vez de permitir que os moradores de Krasnoarmeysk, na província de Donetsk, votassem para decidir o próprio futuro, a junta neonazista apoiada por EUA-União Europeia enviou seus mercenários armados para impedir as pessoas de chegar aos locais de votação. Foi feito sob o pretexto de ‘operações antiterrorismo’. Essas operação apoiadas pelos EUA e ditas “antiterrorismo” não passam de cortina de fumaça para ocultar os verdadeiros – e escandalosos – motivos pelos quais EUA e neonazistas seus aliados obram para desqualificar os referendos.





O regime de Kiev está usando a chamada Guarda Nacional da Ucrânia para forçar os oponentes a obedecer. É importante observar que essa Guarda Nacional foi criada em março de 2014, pelo governo instalado no poder pelo golpe neonazista, como força de proteção dos próprios golpistas. Essa milícia incorporou setores dos mesmos grupos ultranacionalistas que promoveram a derrubada do governo legal da Ucrânia, dia 22-23/2/2014. Em outras palavras, os mesmos homens armados que invadiram os gabinetes do governo ucraniano no momento do golpe, atuam hoje como ‘força oficial’ do mesmo governo neonazista de Kiev. Além do mais, embora a Guarda Nacional seja oficialmente apresentada como força de reserva das Forças Armadas da Ucrânia, está sob jurisdição e controle do ministério do Interior – vale dizer: hoje, está sob controle de agências do governo dos EUA (CIA e FBI) e de fanáticos ultranacionalistas.  O motivo disso é que os militares ucranianos não obedecem ao regime neonazista de Kiev. Por isso, essa Guarda Nacional irregular, que reúne os mercenários e pistoleiros ultranacionalistas que são leais ao governo neonazista de Kiev foram organizados como ‘exército’; dado que dependem diretamente dos líderes do golpe, esses mercenários têm-se mostrado dispostos a cumprir qualquer tipo de ordem, por mais sujo que seja o serviço – por exemplo, atirar contra civis, o que os militares ucranianos regulares recusaram-se a fazer.

O governo de Yatsenyuk-Obama: disposto a cometer quaisquer atrocidades e crimes na Ucrânia

A Junta que responde a Yatsenyuk-Obama e seus apoiadores estão ansiosíssimos para novamente usar a força contra civis. O discurso sobre “pró-Rússia” e, mesmo, a favor dos falantes de russos, é um falso discurso.

A verdadeira natureza da oposição no sul e no leste da Ucrânia é oposição a governo ilegal, instalado em Kiev mediante golpe.

Todas as demais questões: autonomia local, federalização, separação ou reunificação com a Federação Russa, são subprodutos do tema central.

Já no início de março, dia 10/3/2014, apoiadores dos neonazistas de Euro-Maidan como o empresário ucraniano Gennady Balashov começaram a declarar publicamente que era preciso ‘eliminar’ as partes leste e sul da Ucrânia, matando os habitantes.  Balashov também exigiu o bloqueio do gás natural russo para países da União Europeia e sugeriu outras ações, como movimentos deliberados para provocar a reação da Federação Russa. Disse que não acredita em diálogo e falou declaradamente em banho de sangue, massacres e limpeza étnica; falou do que se conhece como genocídio, em locais como Crimeia, Carcóvia, Dnepropetrovsk e Donetsk. Para ele, qualquer voz que se opusesse ao governo dos neonazistas de Yatseniuk-Obama em Kiev, teria de ser morto sem mercê. Nesse grupo se incluiriam todos os que exibissem a Fita de São George. [2] Falando sobre os manifestantes nas áreas leste e sul da Ucrânia, Balashov disse que:

Temos de bloquear o gasoduto. Não podemos deixar que o gás natural flua. Só assim os invasores serão detidos. Temos de bloquear o gasoduto e deixar que os “Alfas” atirem em tudo que se mova por ali. Aquela gente está em território estrangeiro. Crimeia, Kharkov, Dnepropetrovsk, Donetsk são cidades ucranianas. Se usam a Fita de São George, se humilham nossa bandeira, temos de acertar-lhes a testa, porque são o inimigo. Nada de conversar com eles. Nada de argumentar com eles.

A fala de Gennady Balashov ecoa o discurso infame, anti-Rússia e anti-russos de Iryna Dmytrivna Farion, deputada do Partido Svoboda no Parlamento Ucraniano. Farion não mede palavras quando fala à imprensa, e diz que o regime golpista de Yatsenyuk-Obama instalado em Kiev deve assassinar todos os ucranianos que se manifestem contra o governo de Kiev. Política ultranacionalista, mas sempre apoiada pelos EUA, ela já disse, até, que os manifestantes que se opõem ao regime que Obama apoia em Kiev são “alienígenas” que têm de ser mortos, como providência para “limpar o país”. Farion exige nada menos que operação de genocídio, chama seus compatriotas de “criaturas” a serem eliminadas. [...]


A maioria dos russófonos e falantes de ucraniano são descendentes dos mesmos ancestrais locais. A diferença entre os dois grupos é, só, que uma das comunidades adotou o idioma russo como idioma principal. De fato, os dois idiomas leste-eslavos, o russo e o ucraniano, são quase idênticos e a maioria da população ucraniana é bilíngue em russo e em ucraniano. O tribalismo mítico que modela o pensamento fascistizante de Iryna Farion e de outros nacionalistas na Ucrânia nada é além de tentativa de distrair o foco e a atenção das graves injustiças e da distribuição desigual de poder e de riqueza, na sociedade ucraniana; serve como distração para a população local, que deixa de se concentrar nas questões reais da própria vida e das dificuldades do próprio país, baixa a guarda contra os exploradores oligarcas e as estruturas injustas da sociedade na qual vivem.


Os perpetradores do terrorismo culpam as vítimas: quem são os reais terroristas?

Quem são os reais terroristas? Civis desarmados que tentam votar, ou golpistas feito Arseniy Yatsenyuk, o doido, autoproclamado “líder” do movimento EuroMaidan, que enviou grupos de mercenários armados para matar civis na praça? Além do mais, as ações do governo de Yatsenyuk-Obama validam a premissa em Moscou, segundo a qual foi preciso enviar soldados especiais russos para a Península da Crimeia, para assegurar que a votação acontecesse sem turbulências e distorções. Não fossem os soldados russos de forças especiais – “os homens polidos vestidos de verde e fortemente armados” – o referendo do dia 16/3/2014 jamais teria acontecido, haveria luta e mortes, e a Crimeia estaria hoje tão desgraçada quanto o leste e o sul da Ucrânia.


Cidadãos ucranianos desarmados podem ser ouvidos a gritar, claramente, contra as milícias da tal “guarda nacional” de Yatsenyuk, que são “Fascistas”, em vários dos vídeos que estão começando a emergir de dentro da Ucrânia controlada pelos golpistas de Yatsenyuk-Obama. Ucranianos civis e desarmados que tentaram impedir, por meios pacíficos, que os militares ucranianos e a “guarda nacional” invadissem cidades e vilas, são apresentados com bandidos e vilões [imagens na página]. O crime desses civis desarmados é ter tentado impedir que o regime golpista de Kiev implantasse sua lei marcial nas cidades e vilas ucranianas, ao mesmo tempo em que o governo golpista obrava para impedir que a população ucraniana votasse livremente em referendo legal e legítimo e limpo. Esses ucranianos são os homens e mulheres que o governo dos EUA e da União Europeia condenam, ao mesmo tempo em que tentam jogar sobre a Rússia a responsabilidade – que é dos neonazistas do governo Yatseniuk-Obama – por estar assassinando civis desarmados.


Os reais terroristas e fascistas são os líderes do golpe no Nulandistão, que se venderam e venderam a Ucrânia a potências externas. Além desses, também são reais terroristas e fascistas os apoiadores do regime de Yatsenyuk – nos EUA,  na Grã-Bretanha, na França, na Polônia, no Canadá e na Alemanha – que geram divisão, ruína, destruição por todo o planeta, da ex-Iugoslávia, Iraque e Líbia, à Síria e ao Mali, à República Centro Africana e à República Bolivariana da Venezuela.

Quando Mahmoud Ahmadinejad, ex-presidente do Irã, foi mal interpretado e mal traduzido pela imprensa-empresa nos EUA e na Europa Ocidental, que informou que ele teria dito que quereria “varrer Israel do mapa”, durante uma reunião, o governo dos EUA e da União Europeia consumiu dias e dias em incansável ‘condenação’ contra o Irã.

No Nulandistão, o governador lá imposto pelo partido golpista Khersonshchyna, Yuri Odarchenko, pode elogiar a invasão da Ucrânia por Adolph Hiter e pela Alemanha Nazista: foi o que fez dia 9/10/2014, para fúria dos veteranos ucranianos de guerra, enquanto EUA, Canadá e União Europeia – para eterna vergonha de seus povos – não disseram palavra.

Blindados enviados pela Junta de Kiev-EUA contra a população civil em Donetsk


Que ninguém espere noticiário em profundidade pelas redes CNN, BBC, France 24, Fox News e sua gangue “jornalística” sobre o assassinato de civis desarmados na Ucrânia, por obra do regime de Yatsenyuk-Obama. Essas redes de imprensa-empresa comercial estão fazendo a guerra da informação contra todos os países e governos que se oponham aos EUA e aos seus aliados. Em vez de noticiar o que realmente acontece, a imprensa-empresa nos EUA e na União Europeia continuará a distorcer os fatos e a culpar a Rússia e os ucranianos pelo assassinato de civis ucranianos. É o meio que a imprensa-empresa mais bem conhece e usa, sempre que precisa encobrir a verdade, “noticiar” mentiras e promover, como se fosse legal e legítimo, um governo neonazista, neofascista, apoiado pelos EUA, e que chegou ao poder na Ucrânia mediante golpe e mediante crime.



Notas dos tradutores:

[1] Recapitulando rapidamente: aí está o resultado direto do gasto de US$ 5 bilhões de Washington – número oficial, fornecido por Victoria “Foda-se a União Europeia” Nuland – para promover a “mudança de regime” na Ucrânia. O que se vê é que a Crimeia pode ser incorporada gratuitamente à Rússia, enquanto o “Ocidente” ficará com o atraso e a bancarrota (Oeste da Ucrânia), do que um leitor de Asia Times Online descreveu, descrição indelével, como o “Khaganato dos Nulands”  (reino de Gengis, por exemplo, dentre outros khans), misturado com terra de ninguém, onde reina o marido de Victoria (“Foda-se” etc.) Nuland Kagan [7/3/2014, redecastorphoto Pepe Escobar: “C’mon baby, incendeie o meu incêndio (crimeano)”].


[2] A Fita de São Jorge, com as cores laranja e preto, é tradicionalmente usada na Rússia no dia 9 de maio, quando os russos celebram o “Dia da Vitória” e a vitória contra os nazistas na IIª Guerra Mundial. Laranja e preto (simbolizando fogo e fumaça) são as cores tradicionais das medalhas russas (desde o Império) e soviéticas por bravura em combate. Usando a Fita de São Jorge, os russos manifestam gratidão e respeito pelos que salvaram o país do nazismo (imagem interessante, de Putin - 2007, e ao lado). A Fita de São Jorge reapareceu na Ucrânia, como símbolo do movimento contra o golpe em Kiev e pode ser vista em: 15/4/2014, blog do Saker traduzido na redecastorphoto em 16/4/2014: Ucrânia, Relatório de Situação (SITREP) 15/4/2014, 18:30 EST − atualização 1

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[*] Mahdi Darius Nazemroaya é cientista social, escritor premiado, colunista e pesquisador. Suas obras são reconhecidas internacionalmente em uma ampla série de publicações e foram traduzidas para mais de vinte idiomas, incluindo alemão, árabe, italiano, russo, turco, espanhol, português, chinês, coreano, polonês, armênio, persa, holandês e romeno. Seu trabalho em ciências geopolíticas e estudos estratégicos tem sido usado por várias instituições acadêmicas e de defesa de teses em universidades e escolas preparatórias de oficiais militares. É convidado freqüente em redes internacionais de notícias como analista de geopolítica e especialista em Oriente Médio.  
Atualmente, em viagem pela América Central, está com a Frente Sandinista de Libertação Nacional, em sua base em León, na Nicarágua. Esteve como observador internacional em El Salvador, no primeiro turno das eleições em El Salvador, onde esteve em contato com funcionários do governo salvadorenho.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Temos de quebrar o silêncio: contra a guerra dos EUA

“Fora EUA!” 
“Não à guerra dos EUA!”

14/5/2014, [*] John Pilger, Asia Times Online
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Harold Pinter (1930 - 2008) 
Por que toleramos a ameaça de mais uma guerra mundial, em nosso nome? Por que permitimos todas as mentiras que justificam esse risco? A escala em que somos doutrinados, escreveu Harold Pinter é:  

(...) “brilhante, inteligente, se se pode dizer, uma encenação muito bem sucedida de hipnose coletiva”, como se “os fatos jamais tivessem acontecido, mesmo que estivessem acontecendo à nossa vista”.

William Blum
Todos os anos, o historiador norte-americano William Blum publica seu “sumário atualizado dos feitos da política externa dos EUA”, que mostra que, desde 1945, os EUA já tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos dos quais democraticamente eleitos; interferiram pesadamente em eleições em 30 países; bombardearam populações civis em 30 países; usaram armas químicas e biológicas; e tentaram assassinar líderes estrangeiros.

Em muitos casos, a Grã-Bretanha trabalhou ao lado dos EUA, como colaboradora. O grau de sofrimento humano, para nem falar da criminalidade, é apagado no Ocidente, apesar de aí estarem ativos os sistemas mais avançados de comunicações e, supostamente, o jornalismo mais “livre” do planeta. É absolutamente proibido noticiar que o maior número de vítimas de ações terroristas não são “ocidentais”, mas, sim, muçulmanos.

Esse jihadismo extremo, que levou ao 11/9, foi nutrido como arma de política anglo-norte-americana (“Operação Ciclone” no Afeganistão). Em abril, o Departamento de Estado observou que, depois da campanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, em 2011, “a Líbia foi convertida em paraíso seguro para terroristas”.

 Mossadeq
O nome do “nosso” inimigo mudou ao longo dos anos: de comunismo, para islamismo, mas, em geral, qualquer sociedade independente da potência ocidental, que ocupe território considerado estrategicamente relevante ou rico em recursos a saquear, é “inimigo” dos EUA e da Grã-Bretanha. Os líderes dessas nações obstrutivas são em geral varridos do mundo em ação criminosa, como os democratas Muhammad Mossadeq, no Irã e Salvador Allende, no Chile; ou são assassinados como Patrice Lumumba no Congo. E todos somos submetidos a uma campanha, conduzida mediante as estruturas do jornalismo da imprensa-empresa que conhecemos, para caricaturar e vilificar o homem da hora, seja quem for: Fidel Castro, Hugo Chavez; agora, como se vê, Vladimir Putin.

O papel de Washington na Ucrânia só é diferente nas implicações que tem para o resto do mundo. Pela primeira vez, desde os anos Reagan, os EUA estão ameaçando arrastar o mundo à guerra. Com o leste da Europa e os Bálcãs agora convertidos em entrepostos militares da OTAN, o último estado “tampão” junto às fronteiras russas está sendo detonado. Nós – o “ocidente”, tão orgulhoso de sua “civilização” e dos seus valores – estamos apoiando neonazistas, num país onde os nazistas ucranianos apoiaram Hitler.

Tendo cerebrado o golpe de fevereiro contra o governo democraticamente eleito em Kiev, Washington planejou tomar para ela a base naval russa de águas temperadas, legítima e histórica, na Crimeia. Mas o plano fracassou. Os russos defenderam-se – como sempre se defenderam contra todas as ameaças e invasões do ocidente, sempre, há quase um século. Mas o cerco militar que a OTAN tenta foi acelerado, combinado a ataques orquestrados pela CIA e pelo FBI-EUA contra russos étnicos na Ucrânia.

Vladimir Putin em 17/12/2013
Se conseguirem arrastar Putin para uma guerra provocada, em defesa daqueles russos, essa função de “estado pária” será utilizada como pretexto para desencadear uma guerra de guerrilhas que a OTAN fará crescer enquanto puder, até que respingue no próprio território russo.

Putin, contudo, pôs o partido da guerra a andar em círculos, feito peru bêbado, ao procurar acomodação e acordo com Washington e com a União Europeia; e retirou seus soldados da fronteira ucraniana, conclamando os russos étnicos no leste da Ucrânia a desistir do referendo planejado, interpretado como ação de provocação. Esses falantes de russo e bilíngues – um terço da população da Ucrânia – há muito tempo procuram organizar uma federação democrática que reflita a diversidade étnica do país e que seja, simultaneamente, autônoma e independente de Moscou. A maioria deles não são nem “separatistas” nem “rebeldes”, mas cidadãos que aspiram a viver em paz e segurança na própria terra.

Como as ruínas hoje do Iraque e do Afeganistão, a Ucrânia também foi transformada em parque temático da CIA – comandado pelo diretor John Brennan em Kiev, com “unidades especiais” de CIA e FBI montando a “estrutura de segurança” que supervisiona os ataques mais selvagens contra os que se opõem, lá, ao golpe de fevereiro.

ASSISTAM AOS VÍDEOS (legendados em inglês), leiam os relatos de primeira-mão de testemunhas do massacre em Odessa, há poucos dias.


Bandidos fascistas queimaram o prédio da sede do sindicato, matado 41 pessoas que foram presas lá dentro, enquanto o prédio era incendiado. Assistam ao que fez a Polícia, parada, assistindo ao “espetáculo”. Um médico contou que tentou desesperadamente tirar as pessoas presas no prédio, “mas fui impedido por radicais nazistas ucranianos. Um deles empurrou-me com violência, gritando que, em breve, outros judeus de Odessa teriam também o mesmo destino... Não entendo por que o mundo inteiro continua em silêncio!”

Os ucranianos falantes de russo estão lutando pela vida. Quando Putin anunciou a retirada dos soldados russos da fronteira, o secretário de “defesa” da junta neonazista de Kiev – e membro fundador do partido fascista Svoboda – pôs-se a esbravejar que os “insurgentes” não arredariam pé. Em seu típico estilo orwelliano, a propaganda ocidental inverteu tudo e “noticiou” que “Moscou tenta orquestrar novos conflitos e provocações” – foram as palavras do secretário britânico de Relações Exteriores, o lastimável William Hague. Foi cinismo só comparável às grotescas “congratulações” que Obama enviou à junta neonazista, pela “notável contenção” que manifestou... depois do massacre de Odessa!

Henry Kissinger
É junta ilegal e dominada por fascistas. Para Obama, foi “devidamente eleita”. O que conta – como Henry Kissinger disse certa vez, não é a verdade, mas o que alguém supõe que seja a verdade.

Nos veículos da imprensa-empresa norte-americana, a atrocidade de Odessa foi descrita como “triste” e “feia” e “uma tragédia” na qual “nacionalistas (de fato, são neonazistas) atacaram “separatistas” (de fato, eram pessoas que recolhiam assinaturas a favor de um referendo a favor da federalização da Ucrânia).

O Wall Street Journal de Rupert Murdoch culpou as vítimas: “Deadly Ukraine Fire Likely Sparked by Rebels, Government Says [“Fogo mortal iniciado pelos rebeldes, diz o governo” [“Coquetéis molotovs caíram acidentalmente sobre manifestantes”].

Na Alemanha, a propaganda foi pura guerra fria, com o Frankfurter Allgemeine Zeitung alertando os leitores contra “a guerra russa não declarada”. Para os alemães, é apenas ironia histórica que Putin seja o único líder em todo o planeta a condenar o ressurgimento do fascismo na Europa do século XXI.

Há quem repita que “o mundo mudou depois do 11/9”. Mas... o que mudou? Segundo o grande alertador-vazador Daniel Ellsberg, houve um golpe silencioso em Washington e, depois daquele dia, o país é governado por militarismo rampante. O Pentágono só faz comandar “operações especiais” – guerras secretas – em 124 países.

Em casa (nos EUA), o que se vê é miséria crescente e a morte da liberdade por hemorragia – duas consequências históricas de um estado em guerra perpétua. Acrescente-se o risco real de guerra nuclear, e a questão se impõe: por que nós, cidadãos do mundo, toleramos os EUA?
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[*] John Pilger - nasceu em Bondi na área metropolitana de Sydney, Austrália, 9 de outubro 1939. A carreira de Pilger como repórter começou em 1958; ao longo dos anos tornou-se famoso pelos artigos, livros e documentários que escreveu e/ou produziu. Apesar das tentativas de setores conservadores de desvalorizar Pilger, o seu jornalismo investigativo já mereceu vários galardões, tais como a atribuição, por duas vezes, do prêmio de Britain’s Journalist of the Year Award na área dos dos Direitos Humanos. No Reino Unido é mais conhecido pelos seus documentários, particularmente os que foram rodados no Camboja e no Timor-Leste. Trabalhou ainda como correspondente de guerra em vários conflitos, como na Guerra do Vietnam, no Camboja, no Egito, na Índia, em Bangladesh e em Biafra. Atualmente reside em Londres.


domingo, 11 de maio de 2014

O Banderastão ucraniano – tão feio quanto ridículo

10/5/2014, The Saker, The Vineyard of the Saker
Traduzido por mberublue


The Saker
Todos vimos as imagens oriundas de Mariupol hoje. Não é preciso postá-las aqui. Gente simples tentando deter uma gangue de bandidos pesadamente armados que se veem como uma espécie de “força especial”, cuja especialidade parece ser atacar civis desarmados ou muito mal armados.

Não seria correto comparar esses bandidos ucranianos com a SS, como alguns fizeram. Apesar de todos os seus erros a Waffen-SS lutava bem. Não apenas contra civis indefesos, como em combate real. Mas essas “unidades especiais” de Kiev ainda não conseguiram subjugar nem Slaviansk ou Kramatorsk! Claro, havia uma parada em Slaviansk em comemoração ao Dia da Vitória, onde Pavel Gubarev, o “governador eleito pelo povo” da região de Donetsk, usou da palavra em comício oficial. A mesma coisa em Kramatorsk, onde também aconteceu uma celebração do Dia da Vitória.

Pavel Gubarev, discursa em Slaviansk no Dia da Vitória (9/5/2014)
Incrível, n'é?

Segundo a contagem oficial de Kiev, estamos já na segunda fase da segunda “operação antiterrorista”; e as forças “especiais” ainda não capturaram sequer uma cidade, uma, que fosse!

Agora, há Mariupol. O que se passou ali foi quase tão repugnante quanto o massacre em Odessa.

A grande diferença é que em Odessa pelo menos a Junta não usou “forças especiais” uniformizadas, mas torcedores holligans e bandidos neonazistas especialmente deslocados de Kiev. Em Mariupol, forças “oficiais” uniformizadas atiraram contra civis. Com que objetivo, afinal? Quantos “terroristas” *armados* foram capturados ou mortos em Mariupol?

Em Slaviansk, um atirador disparou e conseguiu atingir no peito um garoto de 12 anos. Deve ser motivo de orgulho para os loucos em Kiev. A imprensa local está informando que o SBU (Serviço de Segurança Ucraniano [NT]) deve mandar reforços para Slaviansk. Ridículo.

Além disso, fiquem sabendo que o primeiro batalhão de soldados ucranianos convocados teve que ser mandado de volta para casa, depois de apenas 45 dias de “operações”. Pior ainda: todos os que, de alguma forma, participaram das “operações de combate” contra o povo do Donbass têm garantido o status oficial de “veteranos de guerra” com todos os privilégios inerentes à honraria.

Realmente, 
Glória à Ucrânia! 
Aos heróis, Glória! 
(slogan dos Ukie neonazistas).

Todo o tempo, essa miniguerra civil oscila entre a farsa e a aberração. Ontem vi um vídeo de Yulia Timoshenko, no qual ela avisava Putin de que o glorioso povo da Ucrânia derrubará o governo russo. Não, não estou brincando. Como o Ukie favorito de Nuland – “Yats” – que apareceu em algum ponto da “linha de frente” perto de Slaviansk para “encorajar as tropas”.

Mas meu favorito é um sujeito chamado Oleg Liashko, extravagante “pedo-cum-homo-sexual” (agora casado com uma mulher russa), e que se exibe metido num antigo uniforme de combate, negro, e aparece para interrogar “terroristas” capturados, como produtores de TV, ou mais recentemente, um “ex-ministro da Defesa” da República de Donetsk. Em seguida, os vídeos são enviados para YouTube, em aparente preparação para as próximas eleições presidenciais (suponho que reforçando as credenciais de Liashko como machão).

Oleg Liashko, de boné, interroga civil capturado como "terrorista"
(8/5/2014)
Oleg Liashko em "treinamento de combate"
Liashko não passa de mais uma figura particularmente curiosa, dessa galeria de doidos. Os interessados podem conhecer outros tipos de inacreditáveis nacionalistas ucranianos, como a notória Irina Farion (ex-comunista, agora convertida em nacionalista), ou Valentin Nalivaichenko, provavelmente o agente da CIA de mais alto escalão, na atual Junta.

Muitas vezes me refiro ao regime em Kiev como um “show de horrores”. Não o faço para ofender: apenas constato. O pessoal que tomou o poder em Kiev é quase completamente louco, e tudo o que fizeram até agora só confirma isso.

Começo a suspeitar de que não conseguirão impedir que aconteça o referendo marcado para amanhã, domingo. Francamente, tinha – e ainda tenho – sérias dúvidas sobre a habilidade das forças pró-Rússia no Donbass para organizar referendos em tão curto tempo, e em plena guerra, que não é menos cruenta por ser pequena. Mas se examino os loucos em Kiev e seu “balanço”, não vejo como conseguirão impedir o referendo, cada vez mais próximo (mas, sim: meu currículo de eventos previstos com sucesso na Ucrânia é horrível).

Primeiro, jamais me passou pela cabeça que a Criméia pudesse ser incorporada à Rússia. Aconteceu. Depois, duvidei da capacidade do pessoal do Donbass para enfrentar o regime de Kiev. Pois enfrentaram, pode-se dizer. Não de forma total, nem tão eficaz. Mas suficientemente efetiva para deter toda a máquina repressiva da junta neonazista, deixando-a paralisada. Francamente, não consigo creditar esse sucesso à Rússia ou Putin. Eles fizeram muito menos para destruir a Ucrânia como um Estado unitário do que fazem os loucos instalados em Kiev, que estão neste mesmo momento assustando e enfurecendo mais e mais o povo em Odessa e Mariupol. 

As coisas começam a degringolar a partir de agora, pelo menos para a Junta.

Em primeiro lugar, a Rússia anunciou que a menos que a Ucrânia faça o pagamento antecipado pelo gás a ser entregue em junho, a Rússia fechará a torneira. O prazo está correndo.

Segundo, embora eu esteja disposto a admitir que não faço a menor ideia de qual será o resultado do referendo, a menos que a maioria vote contra (coisa difícil de imaginar), não consigo ver como a Junta imagina conseguir submeter cidades enormes, como Donetsk ou Carcóvia, se, até agora, sequer logrou conquistar Slaviansk ou Kramatorsk, cidades muito menores.

Sim, sei do que dizem supostas pesquisas, mas não as considero: as “pesquisas” contradizem tudo que ouço de fontes locais. Mas... Se a maioria do povo do Donbass votar que prefere um Banderastão unitário dirigido por Junta de aberrações, para mim está ótimo. Seja como for, não vejo nenhuma razão para confiar nesta pesquisa. Nenhuma.

Se partirmos do princípio de que: 

A) o referendo acontecerá; e
B) que a maioria do povo do Donbass votará por uma declaração de independência (hipótese bem razoável), não vejo o que os Ukies possam fazer.

Terceiro, a crise econômica começará para valer em junho e não amainará em um futuro previsível. Se o Donbass pode sobreviver com a ajuda do dinheiro russo, o resto do Banderastão desabará no abismo econômico, no próximo verão. O que, pelo amor de Deus, podem os malucos de Kiev fazer para recuperar o controle da situação?

Quarto, se a crise atingir a Ucrânia tão duramente quanto prediz a maioria dos especialistas, dará muito combustível aos descontentes em cidades como Odessa, que em um mundo normal, deveria ser bastante próspera. O mesmo vale para Nikolaev ou Mariupol. Mesmo Kiev, costumava ser uma cidade próspera e bonita.

(Como não puderam ser traduzidas algumas postagens anteriores do Saker, acrescentamos a seguir 3 vídeos curtos dessas  postagens não traduzidas; são auto-explicativos e os acontecimentos se deram em Mariupol [Nrc])




Seria necessário um gênio, assessorado por staff governamental brilhante, com o apoio e confiança da grande maioria do povo, para arrostar o desastre multidimensional que está prestes a acontecer. Em vez disso, a Ucrânia é atualmente governada por gangue de malucos sórdidos e ignorantes. Não há modo de fazer funcionar. O Banderastão implodirá. Restará aos neonazistas, antes de tudo desabar, voltarem-se uns contra os outros, num desesperado, derradeiro acesso de fúria.

Nada há que EUA e União Europeia possam fazer para prevenir tais acontecimentos, exceto uma providência: sentar à mesa de negociações e conversar seriamente com a Rússia, conscientes de que estão em posição muito frágil para negociar e que a Rússia detém todas as cartas boas, inclusive uma crucial: o tempo.

Se EUA e União Europeia fecharem acordo realmente sério com a Rússia, talvez ainda se salve alguma coisa da “Ucrânia” – que será forçosamente bem menor do que hoje; que terá de eliminar os nazistas; e terá de ser, no mínimo, realmente neutra.

Infelizmente, a única solução pragmática seria muito humilhante para os palhaços pomposos dos EUA e da União Europeia. Para os EUA, seria humilhação ainda pior que o fracasso total de sua política para a Síria. Com poucas exceções, quase todos os políticos dos EUA/EU aplicaram toda a própria autoridade, o peso da própria influência, no apoio à parada de loucos em Kiev. Agora, têm de admitir que “o imperador está nu!”.

Como na fábula original:

O rei tremeu, desconfiado de que eles tinham razão. Mas o desfile tem que continuar”, pensou ele. Então andou ainda mais orgulhosamente que antes, e os vassalos ergueram mais alto a cauda da roupa que não estava lá.

O imperador está nu!
Se as coisas acabarão nesse tom, então, OK, o império está com os dias contados, e dele não restará muita coisa. Mas é difícil de engolir. Se a razão me diz que é quase inevitável, o instinto me diz que alguém, de algum lugar, de alguma forma, aparecerá com um truque de mágica tirado da cartola e, feito gato que cai da árvore, o império desabará sobre as próprias patas.

Só que todos os impérios têm de acabar e este já ultrapassou em várias décadas o tempo de validade. Ao colocar toda a própria autoridade a serviço de uma deplorável gangue de neonazistas malucos, os anglo-sionistas desacreditam-se, completamente, eles mesmos.

Que regime, que império algum dia sobreviveu a atos tão vergonhosos? Não sei de nenhum.

The Saker