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domingo, 10 de novembro de 2013

A Invasão do Google e Yahoo pela NSA

Seu (nosso) e-mail provavelmente está sendo monitorado

5/11/2013, [*] Alfredo Lopez, Counterpunch
Traduzido por João Aroldo

Edward Snowden
Que semana! Pouco depois que o secretário de Estado John Kerry admitiu que talvez o governo tivesse ido “longe demais” em seus programas de vigilância, o Washington Post soltou outra bomba de Edward Snowden demonstrando que o governo está indo muito mais longe do que todos sabiam.

John Kerry
por Jason Seller 
Se a admissão Ersatz [1] de Kerry – redigida em uma defesa da vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA) – provocou um bocejo coletivo em muitos que seguem estes desenvolvimentos, essa última de Snowden nos chamou a atenção. O Washington Post publicou um artigo detalhando a interceptação pelo NSA de informação entrando e saindo de servidores do Google e Yahoo em linhas privadas e internas de fibra ótica. Apenas em dezembro de 2012, o programa (reveladoramente chamado “MUSCULAR”) processou 181.280.466 registros do Google e Yahoo que incluíam e-mail, buscas, vídeos e fotos.

Até agora, a NSA defendeu suas ações dizendo que está combatendo o terrorismo através da captura de dados em um espaço público, a Internet, após obter ordens judiciais. Isso mostra que eles estavam mentindo. MUSCULAR é roubo de quase 25% de todos os dados da Internet de duas das maiores empresas de processamento de dados sem ordens judiciais ou supervisão em completo desafio à lei e a nossos direitos. Isto é, simplesmente, gangsterismo de governo.

E isso traz à tona a questão mais importante: por quê? Porque não se trata de contraterrorismo, não com todos aqueles registros e sua captura sub-reptícia. Trata-se de vigilância e análise das comunicações diárias de um país inteiro e boa parte do mundo.

A tecnologia do MUSCULAR, um programa criado conjuntamente pela NSA e sua congênere britânica, não é difícil de explicar. Essencialmente, os tecnólogos nas agências de espionagem descobriram uma maneira de interceptar os dados sendo trocados entre servidores que armazenam tudo o que você faz no Google e Yahoo.     

Eis a diferença entre isso e os demais programas espiões revelados anteriormente. Seus dados viajam pela Internet para chegar até esses servidores e ser armazenados lá. Para os outros verem quais dados você salvou, eles devem sair, novamente, pela Internet. Isso são dados protegidos legalmente e o NSA (pelo menos, teoricamente) precisaria de uma ordem judicial para tirá-los dos servidores. A corte FISA (a fonte de bênção da NSA) quase sempre autoriza os pedidos da NSA, então é bem fácil conduzir esse tipo de extração de dados, mas pelo menos ainda existe um registro do quê a NSA está procurando e por que e alguma base para tomar ações legais contra isso.


Muscular não chega perto dos dados enquanto estão viajando pela Internet ou enquanto estão nesses servidores. Ao invés disso, ele intercepta dados (ilustração do WPost acima)que já estão armazenados e estão viajando por conexões não públicas entre os muito servidores das empresas enquanto as empresas sincronizam os dados armazenados ou os transferem internamente. Gigantes da Internet como Google transferem dados entre seus servidores constantemente em redes de servidores conhecidas como (você já ouviu isso) “nuvens”. Essa transferência constante ajuda a distribuir atividade dos servidores para que um pico de solicitações por dados em um servidor particular não o trave (chamado “gerenciamento de carga”) ou para manutenção, segurança e outros motivos. Para isso eles usam cabos de fibra ótica especiais que conectam vários servidores e não são disponíveis publicamente.

Os dados transferidos entre esses servidores é tipicamente codificado, então ninguém pode ter acesso sem as chaves decodificadoras. Isso é uma medida de segurança. De acordo com esses relatos, a NSA descobriu uma maneira de decodificar esses formatos, então ela captura os dados sendo transferidos quando entram nessas conexões e, então, sem que ninguém fora da NSA saiba, decodifica e analisa essas coisas para decidir o que, se for o caso, fazer com isso. Se eles decidirem armazená-los, eles têm vários centros de backup da NSA para salvá-los. Então eles deixam os dados seguirem seu caminho. Tudo isso acontece em microssegundos.

Isso é chamado tipicamente de “interceptação de intermediário” e é como ligar um cabo entre seu computador e um hard drive externo que você usa para backup — exceto que é multiplicado por centenas de milhões de vezes.

Eu sabia que o desenho da NSA era real pela carinha smiley, escreveu David Auerbach da Slate, referindo-se ao ícone smile da Internet usado no diagrama vazado e reproduzido acima . Só mesmo um engenheiro de software ansioso e míope — vendo a interceptação de dados do Google e Yahoo como um desafio e um jogo ao invés de uma questão de segurança e política — faria uma coisa tão alegre e satisfeita com a possibilidade de invadir os servidores internos do Google.  

Claro, isso não é um jogo. Isso é um método altamente sofisticado e intencionalmente intrusivo de coleta de dados: espionagem pernicionsa realizada constantemente em e-mails, fotos, vídeos e outros dados postados por pessoas nos EUA (e em muitos outros países).

Keith Alexander
O diretor da NSA, Keith Alexander, foi imediatamente enviado para dar suas desculpas previsíveis:

Isso seria ilegal para fazermos. Portanto, eu não sei qual é o relato, ele disse em uma conferência de de cibersegurança na semana passada. Mas eu posso dizer factualmente que nós não temos acesso aos servidores do Google e Yahoo. Nós precisamos de uma ordem judicial.

Alexander mostrou-se um mestre de evasão no passado, mas isso foi bizarro. Isso se trata de conectar cabos, e não acessar servidores.

Funcionários do Google e Yahoo tentaram pôr maquiagem em seus olhos roxos com declarações de ultraje, pedidos de “contenção”, e garantias de que eles não foram “avisados” da ação de vigilância em massa que eles nunca aprovariam. Mas o fato é que isso está acontecendo e suas garantias guiadas por RP aos usuários de que seus dados estão seguros não significam nada.

Que confusão! No período de duas semanas, o presidente Obama afirmou publicamente que ele não sabia da extensão da espionagem mas vai “examiná-la” agressivamente. O secretário Kerry admite que ela pode ter ido muito longe, mas é feita por uma boa causa. Alexander evitou comentários sobre a revelação real e o chefe do conselho de segurança nacional, James Clapper, parecia decidido a evitar completamente a questão ao divulgar uma de suas famosas declarações que não desmentem. De fato, os não desmentidos estavam pulando como bolas de pingue pongue num terremoto — se chocando umas nas outras loucamente. E isso ligado com o fluxo de ultraje retórico vindo de vários países já que as informações de Snowden deixaram claro que a vigilância é conduzida em tudo, desde as contas de e-mail de cidadãos espanhóis aos e-mails pessoais (e talvez telefones) da chanceler alemã Angela Merkel.

Obviamente, a coleta de dados dessa magnitude não é para capturar terroristas. Isso poderia ser certamente parte do resultado, mas não há como analisar mais de 183 milhões de partes de dados para identificar alguns malucos. Outra coisa está acontecendo.

Barton Gellman

(…) aparentemente eu não vejo nenhuma evidência de que eles estão desrespeitando a lei aqui. Eles fazendo de maneiras que as empresas e o público não esperavam.

Mas isso desafia a razão. Entrar nos sistemas internos de uma empresa para remover dados sem o conhecimento da empresa certamente parece ilegal. No mínimo, isso revela um cinismo perturbador da parte do governo sobre o espírito da lei e sobre o que as leis de privacidade dizem ao governo sobre como ele deve se relacionar com os cidadãos.

A questão, contudo, não é se isso é legal, mas o que a administração Obama está tentando fazer com a definição de legalidade. O histórico desta administração demonstra que ela está se preparando para tempos muito conturbados e essas preparações são obscenamente repressivas. Com uma economia que simplesmente não pode levar 25 milhões de desempregados de volta ao trabalho, a redução maciça dos direitos das pessoas, o corte dos benefícios sociais, uma sociedade marcada pela histeria frenética semanal de terrorismo interno, uma extrema direita insana e crescente e o Congresso que não tem apoio popular e não está governando ninguém, o surgimento de protestos e resistência em massa em cada canto da sociedade não é surpresa. Nem precisamos de muita visão para predizer que as coisas vão ficar ainda mais quentes.

Os poderosos políticos estão envolvidos num debate intenso sobre como governar essa sociedade enquanto o contrato social usado no passado não pode mais ser cumprido. O debate continua, mas está claro que todos estão falando sobre uma sociedade mais restritiva. A chave para tal restrição está na captura de dados. Não importa quão intensa e generalizada essa repressão seja, eles têm os dados que eles precisam para ter todas as opções possíveis, incluindo o esmagamento de movimentos de protesto. Nós confiamos que eles não vão usar os dados dessa maneira?

Em contribuições passadas para estas páginas, eu escrevi que, enquanto não estamos em um estado policial, o governo construiu uma capacidade de transformar o país com um botão de liga-desliga do sistema legal.

Esse é o significado das revelações do MUSCULAR. Quanto aos dados, tudo está no lugar.
__________________________

[*] Alfredo Lopez escreve atualmente sobre avanços tecnológicos no blog This Can’t Be Happening! . Alfredo Jose Miguel Lopez (nasceu em 1949) é um ativista, escritor, produtor de mídia, professor e organizador no Brooklyn, New York. Atualmente, ele é um ativista de Internet bem conhecido e Co-Diretor de May First/People Link, organização dos usuários da Internet. Lopez é autor de seis livros e milhares de artigos. Foi um dos líderes do Puerto Rican Socialist Party durante os anos 1970. É o principal organizador do Dia da Solidariedade com o Puerto Rico no Madison Square Garden, a maior demonstração de seu tipo na história, e do 1976 Counter-Bicentennial. Ele coordenou a delegação dos EUA na Conferência Internacional de Solidariedade em Porto Rico em 1975, a primeira conferência internacional sobre o assunto. Durante esse mesmo período, editou a edição em inglês do jornal PSP Claridad. Em anos mais recentes foi o arquiteto da campanha para impedir que os hospitais públicos NYC fossem privatizados, notadamente nos anos 1990. Tem participado da organização de dezenas de campanhas semelhantes ao longo de seus 40 anos de ativismo. É um dos fundadores da The Brooklyn New School como escola alternativa em Brooklyn. Recentemente, em 2007, foi um dos organizadores do grupo de tecnologia para o United States Social Forum.

 Nota do tradutor 
[1] Substituta, em alemão.

domingo, 3 de novembro de 2013

Pepe Escobar: “Porque Vladimir governa e Obama bombardeia”

1/11/2013, [*] Pepe Escobar, Russia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama
Nos dois casos, na saga da Agência de Segurança Nacional dos EUA e na crise síria, Putin jogou xadrez, e Obama jogou damas com ele mesmo – e perdeu.

Anualmente, a revista Forbes publica sua lista de gigantes, chefes de estado, magnatas das finanças e dos negócios que “realmente governam o mundo”. Quase sempre, o presidente em exercício dos EUA – o comandante-em-chefe da mais letal armada na história do mundo – aparece no pódio máximo.

Mas não em 2010, quando Barack Obama perdeu para o então presidente da China, Hu Jintao, logo depois da crise financeira provocada por Wall Street. Nem em 2013, quando o vencedor é o presidente Vladimir Putin da Rússia.

Não por acaso, China e Rússia são os dois países mais influentes dos BRICS, as potências emergentes. Rankings da imprensa-empresa norte-americana, como “O homem do ano” da revista Time podem ser irrelevantes, e em geral são extremamente provincianos. Mas como golpe de Relações Públicas, o reconhecimento pelos norte-americanos do poder suave de Putin tem valor inestimável, mesmo que apareça na sequência do reconhecimento pela vastíssima maioria da verdadeira “comunidade internacional”: o mundo em desenvolvimento.

Diga-se a seu crédito, que a revista Forbes anota que

(...) qualquer um que estivesse assistindo ao jogo de xadrez, esse ano, em que se disputavam a Síria e os vazamentos da Agência de Segurança Nacional dos EUA, veria claramente a dinâmica da mudança do poder individual.

Os EUA nos ESPIONA e nos ROUBA
Mas é mais, muito mais que isso. Putin deixou que o caso de Edward Snowden, extremamente sensível, fosse encaminhado com totais, absolutas legalidade e transparência; e, além do mais, sem tripudiar sobre a impotência dos EUA. Putin literalmente salvou o governo Obama, no último segundo, de mais uma guerra no Oriente Médio, de consequências potencialmente devastadoras – momento geopolítico tão grave e perigoso quanto a crise dos mísseis em Cuba.

Como se poderia prever, a Think-thank-elândia dos EUA – com aquele QI coletivo atrofiado por décadas de hubris e de naturalização do complexo orwelliano/Panopticon – resiste contra ver os fatos. Moscou não precisa tentar pintar a hiperpotência como fraca ou indigna de confiança. Os fatos falam por eles mesmos – desde a corrida desenfreada sempre na direção de mais guerras por causa de uma “linha vermelha” demarcada temerariamente por Obama, até a espionagem generalizada, tanto contra “amigos” como contra inimigos potenciais.

Em depoimento à Comissão de Inteligência da Câmara de Representantes, o diretor da Inteligência Nacional, James Clapper, disse, com todas as letras, que a Agência de Segurança Nacional dos EUA e a CIA não podem espionar nenhum líder político grampeando seu telefone celular privado, sem a permissão da Casa Branca. Digam o que disserem, Obama sabia da espionagem contra, dentre outros, a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, e a chanceler alemã Angela Merkel.

Não é preciso ter lido Orwell para saber que aí está mais uma instância da visão de mundo de “Masters of the Universe”. Espionar contra norte-americanos é “legítimo”. É “legítimo” espionar contra todo o sul global, inteiro – inclusive contra os mais influentes BRICS.

Os EUA além de espionar Angela Merkel espionou Dilma Roussef
Podem chamar de neofeudalismo eletrônico – no qual ninguém, em lugar algum, é cidadão real, plenamente capaz para exercer os próprios direitos; ninguém passa de camponês apagado, sem glória. Com Merkel a história foi um pouco diferente: ela é sócia do clube dos “Masters of the Universe”, e por isso, só por isso, há alguns em Washington que consideram – muito levemente – a possibilidade de que, talvez, talvez, a Agência de Segurança Nacional dos EUA tenha ido longe demais.

Basta de excepcionalismo

Aquela famosa coluna assinada, em setembro, no The New York Times, na qual Putin vergastou o excepcionalismo norte-americano, reverberou furiosamente por todo o mundo em desenvolvimento, porque foi como um grito primal. Os chineses, naturalmente cautelosos, jamais seriam os primeiros a articular a mesma ideia tão claramente (mas a articularam logo depois, quando exigiram mundo “des-americanizado”, com ênfase mais econômica, que política). Esqueçam os europeus, ou mesmo o Brasil. Só Putin teve a autoridade para anunciar o que a vasta maioria do planeta já pensava há bom tempo.

Ninguém mais aguenta o excepcionalismo dos EUA. Outro exemplo: a Assembleia Geral da ONU, ela também devidamente espionada, aprovou – por enorme maioria – a condenação do embargo norte-americano, comercial, econômico e financeiro, pelo 22º ano sem interrupção. Foram 188 votos contra o embargo, 2 a favor e três abstenções. Só EUA e Israel votaram contra o fim do embargo.

Vladimir Putin
Enquanto os cães da guerra e da vigilância latem, a silenciosa caravana russa passa. Putin está estendendo a influência russa na Europa Central e solidificando a parceria com a Alemanha. A parceria estratégica China-Rússia avança suavemente. A Rússia é outra vez ator influente no Oriente Médio. Putin tenta criar uma alternativa multilateral viável, aos diktats imperiais dos EUA. Trata-se de poder soft [suave], tanto quanto de poder hard [duro].

As proverbiais cassandras carpideiras, da Think-tank-elândia norte-americana, serão deixadas a gemer infinitamente contra a “estagnante” economia russa, contra a “tensão” étnica e religiosa, contra a “atrofia” política devida ao “autoritarismo” de Putin e males equivalentes. Bobagem.

Em ensaio importante, o top-blogueiro The Saker traça meticulosamente todas as idas e vindas chaves e as principais subcorrentes dos últimos 20 anos das relações EUA-Rússia – aí incluída a, hoje, já proverbial demonização de Putin.

Voltemos aos fatos do chão geopolítico. Putin colheu o momento e agora é, pode-se dizer, o ator chave que tenta construir uma emergente e alternativa, ordem multilateral. Quanto a Obama, imperial pato manco, parece destinado a manter o bombardeio, em vários sentidos.




[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista político do blog Tom Dispatch e correspondente das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Análise mostra Partido Democrata dos EUA totalmente envolvido com a Indústria da Espionagem nas Comunicações

27/10/2013, Noor Jaisal entrevista Thomas Ferguson (vídeo TRNN )
Transcrição traduzida por João Aroldo


Bem-vindo a The Real News Network. Eu sou Noor Jaisal em Baltimore.

Bush e Cheney podem ter inventado, mas os líderes nacionais do Partido Democrata são jogadores exímios no estado nacional de vigilância do século 21. E as pressões de grupos de interesse que agora ajudam a sustentar os seus defensores em Washington funcionam tão poderosamente tanto sobre os democratas quanto os republicanos. Isso é de acordo com Thomas Ferguson, Paul Jorgensen e Jie Chen. Eles acabaram de postar uma versão curta de seu novo relatório na AlterNet e um paper de trabalho para o Roosevelt Institute intitulado Party Competition and Industrial Structures in the 2012 Elections: Who's Really Driving the Taxi to the Dark Side?

Estamos agora com um dos autores, Thomas Ferguson. Ele é professor de ciência política na Universidade de Massachusetts Boston, um membro sênior do Instituto Roosevelt, e um editor contribuinte da AlterNet.

Muito obrigado por estar conosco.

TOM FERGUSON, Prof. Ciência política, University of Massachussets, Boston: Olá.

NOOR: Então, professor Ferguson, o que estamos discutindo aqui vai contra a sabedoria convencional e a narrativa oficial da eleição de 2012. Você pode resumir exatamente o que você está dizendo?

FERGUSON: Certo. Bem, nós estamos dizendo um monte de coisas, mas vou me concentrar nas coisas relacionadas diretamente ao estado de vigilância nacional. Começamos tentando simplesmente fazer uma análise direta de dinheiro na política na eleição. Agora, eu digo isso plenamente consciente da ironia, porque não há nada de direto nisso.

Nós não usamos dados de ninguém. Eu baixo tudo da Comissão Eleitoral Federal (Federal Election Commission) e da Receita Federal (IRS), que faz as chamadas 527 contribuições, que são grandes - é um monte de dinheiro. E, então, passamos uma espécie de peneira e aplicamos várias técnicas de computador que ninguém aplica. Quer dizer, eu já falei sobre isso antes neste programa - não sinto particularmente a necessidade de fazê-lo novamente.

E então estávamos sentados, sabe, analisando. E nossas primeiras fases do estudo são praticamente as mesmas. Você meio que senta lá e tenta descobrir, ok, vamos pegar toda a comunidade empresarial, então vamos dividi-la em grandes empresas e o resto e ver essas duas amostras, uma das empresas em geral e a outra de grandes empresas. Então, fazemos isso.

E quando olhamos a amostra das empresas em geral, o que descobrimos é simples, o apoio a Obama nesse segmento não era muito forte. Apenas contando percentuais de empresas que contribuíram, cerca de 24% o fizeram. O percentual republicano para Romney era, tipo, 46% - muito maior.

E quando olhamos para a amostra de grandes empresas, encontramos, sabe, mais uma vez a desproporção entre republicanos e democratas, embora desta vez tudo mudou.

Ou seja, 76% das grandes empresas de negócios em nossa amostra estavam contribuindo para Romney, e cerca de 56% para Obama. Agora, você sabe, o que isso parecia para nós foi a história de sempre, que é, sim, os republicanos são o partido das grandes empresas, embora, pensamos que isso era realmente muito interessante. E esse é um lugar onde começamos a nos afastar da narrativa costumeira. Obama tinha um grande apoio das grandes empresas, muito mais do que qualquer discussão sobre a campanha que eu conheço poderia sugerir.

Mas onde a história ficou muito interessante para nós foi quando fizemos o nosso movimento habitual, que foi começar a olhar para partes da comunidade empresarial, geralmente setores em primeiro lugar. E lá descobrimos rapidamente que o apoio a Obama de certas indústrias está muito maior do que a média. E essas indústrias são seis, em especial: telecomunicações, eletrônica, defesa, software na web, computadores e fabricação para a web.

Em junho de 2013, quando saíram as revelações de Snowden, você sabe, a partir de Glen Greenwald & Cia. no The Guardian e, até certo ponto, no The Washington Post, nós estávamos olhando para estes resultados e dissemos, “sabe , isso é realmente muito interessante”. Esses setores que estão mostrando porcentagens extremamente altas de contribuição para Obama são justamente os setores em que um grande número dessas empresas que são mencionadas são ativas realmente. E nesse ponto, você sabe, nós sabemos que temos uma conclusão muito interessante, que muitos dos bastiões de apoio a Obama, talvez a maior de todas, são precisamente essas empresas, as responsáveis pela vigilância - deveria dizer, os setores em que essas empresas predominam. Por outro lado, eu também posso dizer, sem tentar ir empresa a empresa, um monte de gente discutiu no The Guardian e em outras publicações, Google, Facebook, Apple, por exemplo, todos eles contêm contribuições substanciais ou colaboradores, porque você pode ter tanto as empresas quanto os executivos contribuindo de acordo com nossas regras nestes dias. Eles aparecem para os democratas em quantidades substanciais.

NOOR: E como você aponta, muitos simpatizantes de Obama estavam esperando que o presidente Obama fosse frear você sabe, o que poderia ser visto como a vigilância desenfreada e as escutas telefônicas nos anos Bush-Cheney. Então, o que precisa ser feito para colocar as rédeas nessas empresas e algum tipo de controle?

FERGUSON: Sabemos pelo excelente livro de Tim Shorrock sobre este assunto que constantemente a partir da era Reagan, o governo privatizou mais e mais operações de inteligência. E, você sabe, o pessoal de Clinton foi muito grande nisso. Mas, então, o tipo de grande mudança é depois do 911. Todo o tipo de operação recém-privatizada, então aumenta enormemente. E por isso estamos a ponto de agora, digamos, assim, dois terços de todos os gastos de inteligência, as estimativas de Shorrock, vão para o setor privado.

E, você sabe, eu tenho que dizer, considerando o passado, isto se parece com uma enorme quantidade de outros esforços de privatização que eu vi, onde começa uma política de clientela. E, certamente, há pressões de grupos de interesse poderosos. Se você olhar - quero dizer, há alguns estudos - há pelo menos um estudo da emenda que quase passou na Câmara dos Deputados, não muito tempo após as revelações iniciais para conter a NSA, e eles mostravam que houve - a correlação entre os distritos e defesa e que eles estavam chamando dinheiro do setor de vigilância, o que provavelmente é mais restrito do que o que eu sou, era muito elevado. E é - isso é muito interessante e é muito assustador.

Mas a minha opinião é que o tipo real de interesses industriais aqui é agora muito profundo muito grande. E o que parecia ser um problema de ideologia, ou seja, o que políticos líderes ou burocratas achavam que era legal ou moralmente aceitável é apenas a ponta do iceberg. Agora você tem um enorme problema de grupos de interesse.

Mas penso eu que isso coloca a questão de controle novamente. Quer dizer, parece bastante óbvio para mim, olhando agora de novo em tudo isso com olhos mais atentos, que é óbvio que, quando Obama chegou, sim , como você disse , nós todos esperávamos que ele iria frear a espécie de superestado nacional de vigilância prolongada da era Bush-Cheney , em vez disso o que ele fez foi corrigir alguns erros mais graves, mas nós sabemos que ele estava de fato secretamente expandindo o que estava acontecendo sob a vigilância. 

O governo até mesmo estava se oferecendo para pagar parte dos custos das empresas, quando eles tiveram que mudar o seu equipamento, o que naturalmente torna absurdas suas negações de que eles não sabiam de nada. E o que há é, eu diria - muito assustador, certo? Quero dizer, você tem um governo que quer coletar quase tudo sobre você, trabalhando com empresas que também gostam dessa ideia. E, o que de fato eles gostariam de fazer é vender essas informações. Este é um tipo de circuito fechado.

Isto é - você sabe, eu não diria que esse era problema principal. Você sabe, eu fui, claro, como um monte de outras pessoas, ingênuo.

NOOR: Então, Thomas Ferguson, nós certamente temos muito o que falar, mas nós vamos terminar esta parte da conversa. Muito obrigado pela sua participação

FERGUSON: Obrigado.

NOOR: Obrigado pela participação na Real News Network.


Fim da entrevista.

Revelações de Edward Snowden – Geopolítica e lições a aprender (I)

28/10/2013, Dmitry MININ, Strategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Edward Snowden em 9/10/2013 na Rússia
Regra geral, as discussões relacionadas ao que Edward Snowden revelou sobre a vigilância eletrônica global praticada pelos EUA têm-se resumido a violações de direitos humanos e interferência ilegal na vida privada de milhões, em diferentes partes do mundo. Se fosse só isso, a Casa Branca não se empenharia tanto em arquivar tanta coisa nem poria a questão da extradição de Snowden como principal item de discussões entre estados, nem iria ao ponto de cancelar  reuniões internacionais de cúpula. Barack Obama assustou-se, a ponto de cancelar sua participação em fóruns internacionais, como se viu recentemente no caso da reunião de cúpula dos países APEC, por exemplo.

A causa dos temores dos EUA é outra: Snowden revelou ao mundo a extensão do controle exercido sobre países e povos, um movimento que modifica o próprio modo como se percebe o mundo contemporâneo e reforça o ânimo e os esforços da humanidade “sob observação e teste” para buscar meios para se autopreservar e defender-se contra essas ações daninhas.

Muitos creem que Edward Snowden não teria revelado nada que já não se soubesse, ou do que já não se desconfiasse há muito tempo. Mas o que chama a atenção é a escala da invasão, que deixa boquiabertos até os especialistas profissionais.

O principal é que, dessa vez, o que se vê no radar do mundo não são conjecturas conspiracionistas, nem histórias montadas por marginais, mas documentos genuínos, de pleno valor legal, produzidos para que todos sejam informados.

Há muitas definições para o termo “geopolítica”, e todas elas se resumem na noção de que há uma ciência dedicada ao controle sobre terra e mar e, atualmente, também ar e espaço. Hoje, se têm de acrescentar à lista também a informação e o ciberespaço, o que exige um tipo de controle diferente do que o que se aplicava aos domínios tradicionais.

Como domínio geopolítico, o espaço informacional destaca-se por sua característica de ser, ao mesmo tempo, objeto e sujeito.

Em grande medida, o domínio é virtual, mas se torna questão muito real, quando relacionado a coordenadas geográficas. No século 19 – e primeira metade do século 20 – os especialistas discutiram a importância relativa do poder em terra (Halford Mackinder, a heartland theory) ou no mar (Nicolas John Spykman, a concepção da Rimland) para a liderança global. O controle sobre o ar e o espaço começou a ser regularmente visto como crucial, na segunda metade do século 20. O século 21 começou por definir-se o controle sobre o ciberespaço como a chave para dominar o mundo.

A primeira lição de importância crucial que se tem de extrair das revelações de Snowden é o fato de que os EUA estão envolvidos na vigilância clandestina e declarada sobre o ciberespaço, para manter sua liderança e obter vantagens para suas políticas externas. Não é só a coleta de informação confidencial sobre a humanidade em escala jamais vista. Os EUA estão usando o ciberespaço para adquirir capacidade para infligir grave dano material e militar a qualquer inimigo potencial e para influenciar a ação de outros atores mundiais.

Perguntado sobre o que os EUA declararam formalmente, que seriam vítimas de ciberespionagem praticada por vários países, com a China no topo da lista, Snowden respondeu, muito razoavelmente, que os EUA até aqui haviam grampeado praticamente todas as mensagens. Não importa o que façam os EUA para inventar diferenças, a verdade é que os EUA, hoje, espionam de fato tudo e todos, sem distinção. Basta lembrar que a Internet, a pedra inaugural do ciberespaço contemporâneo, foi criada e financiada como “Projeto ARPANET”, pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada da Defesa [orig. Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA)], que integra a estrutura do Departamento de Defesa dos EUA. Oficialmente, o projeto teria “deslizado” e gradualmente se teria convertido no que é hoje. Sempre houve dúvidas sobre esse “livre deslizamento”. Hoje, já se vê claramente que esse cordão umbilical genérico que une todas as agências de segurança dos EUA e o espaço da nova informação sempre permaneceu intacto, como o vemos hoje. A Internet é a base da World Wide Web [Rede Mundial (de computadores)] (www) e de muitos outros sistemas de comunicação.

Os serviços de inteligência dos EUA e do Reino Único sabem quebrar os códigos de encriptação que protegem mensagens eletrônicas e dados de contas de banco e relatórios médicos. A Agência de Segurança Nacional dos EUA e o Quartel-general das Comunicações do Governo do Reino Unido [orig. UK Government Communications Headquarters (GCHQ)] conseguiram acesso aos mais confiáveis sistemas de proteção de dados; o mais disseminado é o SSL; portanto, mereceu atenção especial. Foi quebrado por um programa top secret especialmente desenhado, o Bullrun. O similar britânico é chamado Edgehill. A tecnologia 4G sem fio [orig. wireless] foi tratada como prioridade. O programa XKeyscore da Agência de Segurança Nacional dos EUA é a ferramenta que coleta “praticamente tudo que qualquer usuário faça na internet”.

O programa PRISM, formalmente lançado em 2007, é a base da vigilância global pelos EUA; a existência do PRISM foi revelada por Snowden. O programa entrou em plena operação já sob o governo do presidente Barack Obama. Foi o presidente Obama, precisamente, que deu e dá preferência às tecnologias de “soft and smart power” [poder suave e inteligente], quem viu o programa PRISM como “um cristal mágico” que revelaria todos os segredos do mundo.

Em vermelho os pontos de coleta de de dados do Programa XKeyscore
Em 2009, por ordem do presidente Obama, criou-se uma estrutura especial para levar adiante a missão – o Ciber Comando dos EUA [orig. United States Cyber Command, Cybercom]. O general Keith B. Alexander (diretor da Agência de Segurança Nacional dos EUA – a entidade mais secreta da comunidade de inteligência dos EUA) foi nomeado para presidir o Ciber Comando dos EUA. Em 2010, os EUA foram o primeiro país a considerar o ciberespaço como mais um domínio, que acrescentaram a terra, mar e ar. Em 2011, o Congresso dos EUA aprovou a verba para que o Cybercom desenvolvesse as tecnologias de ataque. Em agosto de 2012, ao que se sabe, pela primeira vez o Pentágono tomou as medidas práticas para colocar  online aquelas tecnologias.

A Agência de Segurança Nacional dos EUA trabalhou secretamente para adquirir a capacidade necessária para quebrar os códigos de encriptação mais usados para proteção de dados na internet: de mensagens eletrônicas às transações financeiras. Para alcançar seu objetivo, usaram-se vários métodos: desde criar as chamadas “portas dos fundos” [orig. back doors] e “caixas pretas” [orig. black boxes] em programas populares, até usar supercomputadores, ordens judiciais secretas e manipular procedimentos internacionais de encriptação. A Agência consome anualmente mais de $250 milhões no Projeto SIGINT Enabling [habilitação de inteligência de sinais] para envolver ativamente empresas de Tecnologia da Informação (TI) dos EUA e de outros países, seja pressionando-as clandestinamente, ou usando abertamente seus produtos comerciais, para propósitos práticos.

A Agência de Segurança Nacional dos EUA é capaz de interceptar cerca de 75% do tráfego de internet que passa pelos EUA. O país é um centro de distribuição do tráfego internacional: a quantidade de tráfego ultrapassa, em muito, a que é oficialmente declarada e reconhecida. O sistema funciona assim: a Agência de Segurança Nacional faz com que empresas de TI redirecionem os fluxos de tráfego com alta probabilidade de conter dados que a inteligência considere valiosos. As empresas (Microsoft, Yahoo!, Google, Facebook, AOL, Skype, YouTube, Apple, PalTalk) são obrigadas a aceder às ordens da Agência de Segurança Nacional dos EUA, nos termos de decisões da Corte Judicial dos EUA Para Vigilância de Inteligência Estrangeira [orig. US Foreign Intelligence Surveillance Court].

Algumas das empresas que fazem espionagem na internet para os EUA
Segundo Snowden, os interesses da Agência de Segurança Nacional dos EUA vão bem além da missão de defender o país contra “penetração inamistosa” ou terrorismo, temas dos quais os funcionários da Casa Branca sempre falam para justificar suas atividades. De fato, aqueles interesses cobrem todo o espectro de informação considerada relevante em questões chaves, domésticas e no exterior. Num caso específico, essa foi a abordagem que os EUA adotaram recentemente, para ‘'contornar'’ as implicações da crise financeira mundial, em prejuízo de estados parceiros, tanto quanto de estados rivais. Extraindo vantagens do fato de ter informação abundante sobre a situação dos negócios mundiais, os EUA conseguiram manter à tona a própria economia, e redirigiram o processo da própria desindustrialização “na hora certa e para o lugar certo”, mantendo-se sempre um passo à frente dos concorrentes, em vários tipos de concorrências.

Segunda lição. [1] O controle sobre o ciberespaço é exercido em cerrada aliança com os países seletos de língua inglesa – Grã Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Nesse caso, a interação é muito mais extensiva que com outros parceiros, especialmente no campo da troca de informação. Essa aliança informal extrai vantagem do fato de o inglês ser absolutamente dominante como língua das comunicações internacionais, e usa essa vantagem para alcançar alvos geopolíticos.

Vez ou outra, a aliança informal é chamada de “anglosfera”. Para alguns, essa união, mantida coesa por interesses comuns no domínio das comunicações, especialmente a Internet, conduzirá o resto da humanidade no século 21. [2] Na linha da obra-prima da visão antiutópica de George Orwell, 1984, essa comunidade de nações pode ser comparada a Oceania. A coalizão das nações “anglo” baseia-se na interoperabilidade de suas forças armadas. A ideia de desenvolver íntima cooperação militar nasceu dos generais Dwight Eisenhower e Bernard Montgomery. Nessa aliança “anglo”, a interoperabilidade é ainda mais alta que na OTAN. O ciberespaço é reconhecido como mais um domínio para operações de combate.

Conforme documentos divulgados por Snowden, os estados aliados dos EUA, como Dinamarca, Países Baixos, França, Alemanha, Espanha e Itália, tem acordos com os EUA, para partilhamento de dados de comunicações. Grã-Bretanha, Canadá, Austrália e Nova Zelândia são, para os EUA, as nações mais confiáveis. Países maiores, como Alemanha e França, aparecem na terceira posição na lista de países confiáveis, no que tenha a ver com inteligência de sinais (SIGINT); deve-se entender que os EUA confiam menos nesses países e não têm qualquer plano de partilhar ganhos.

Entrada da sede da NSA, do US Cyber Command e Central Security Service 
A reação internacional às revelações de Snowden tornou visível o relacionamento especial entre os países “anglo”. Grã Bretanha, Canadá e Austrália são os principais participantes e beneficiários do programa PRISM e de outros programas filiados. Esses são os países que mais ferozmente condenaram Snowden como “traidor”. Em Londres, aconteceu até de uma equipe de agentes de serviços especiais invadir a redação do jornal Guardian e destruir equipamento, num claro ato de revide por o jornal ter publicado declarações de Snowden. Antes da invasão, o Guardian publicara as revelações de Snowden sobre Grã-Bretanha e EUA terem espionado juntas em Londres, durante a reunião do G20 em 2009. Altos funcionários e políticos estrangeiros tiveram suas mensagens interceptadas e suas chamadas telefônicas gravadas durante o evento. A operação foi executada pela agência de escuta eletrônica dos britânicos (GCHQ) e a Agência de Segurança Nacional dos EUA.

Soube-se também que a Grã-Bretanha mantém uma enorme estação de escuta e vigilância no Oriente Médio, destinada a interceptar telefonemas, mensagens eletrônicas e tráfego de Internet. As agências de inteligência britânica mantêm grampeados os cabos submarinos de fibra ótica que cruzam a região. E a informação é partilhada com os parceiros norte-americanos. O programa tem custo estimado de um bilhão de libras esterlinas (aproximadamente 3,5 bilhões de reais)

[Continua]



Notas dos tradutores 
[1] Esse é assunto à parte, sobre o qual ainda não se discute, mas é tema crucialmente importante para a discussão do “imperialismo linguístico”: toda essa vastíssima rede de espionagem planetária é tão mais eficiente quanto mais as comunicações se deem em idioma inglês, o hoje chamado “mundo Anglo”, nos chamados “países Anglo”. E o trabalho de traduzir vai ganhando traços que, antes, jamais teve, ou não teve, com certeza, na extensão e na profundidade que hoje tem. Para pensar. 
[2] James C. Bennett, The Anglosphere Challenge: Why the English-Speaking Nations Will Lead the Way in the Twenty-First Century (Lanham, Md.: Rowman & Littlefield, 2004).