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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Os anglo-americanos estão loucos

14/6/2015, [*] Finian CunninghamStrategic Culture
Tradução: mberublue

Philip Hammond, Secretário de Relações Exteriores

Se vivêssemos em um mundo são, o Secretário de Relações Exteriores da Inglaterra deveria ser obrigado a deixar seu posto de principal diplomata do país, coberto de desgraça e desaprovação, na sequencia de suas desastrosas declarações de que a Inglaterra deveria estar pronta para receber mais armas nucleares dos Estados Unidos, supostamente para conter a “ameaça russa”. Assim sendo, nós teríamos uma escalada alarmante das tensões internacionais e militarismo causados por ambos os países – Estados Unidos e Inglaterra – e tudo por causa de palavras imprudentes baseadas em fatos não provados. Claramente, os aliados anglo-americanos estão trabalhando em conjunto.
A regressão sem pejo de Hammond para o ambiente da Guerra Fria vem na mesma medida de Washington, que também tornou pública sua intenção de estar considerando colocar em vários países europeus, mísseis nucleares de “ataque preventivo”. Declaram os norte-americanos que esse movimento viria “em resposta” às supostas violações pelos russos do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Médio (INF). Moscou está sendo acusada de testar mísseis de cruzeiros baseados em terra que estariam proibidos sob o tratado. A Rússia tem negado sistematicamente as alegações acusatórias de Washington, que – como parece estar se tornando uma espécie de norma em outros assuntos contenciosos – não tem sustentação em nenhum tipo de evidência ou prova da parte de Washington.
Tal atitude difamatória contra a Rússia é duplamente desprezível, porque não se trata apenas de uma calúnia. A mentira também serve como cobertura moral que permite aos anglo-americanos perpetrar outras etapas ultrajantes que resultam em perigo flagrante para a paz mundial, com a alocação sem precedentes de armas nucleares.
No que se refere à questão da colocação na Inglaterra de armas nucleares dos Estados Unidos, Hammond afirmou ao jornal de direita Daily Telegraph:
(...) penso que é correto de nossa parte estarmos preocupados se a direção tomada pela Rússia é o que chamam de “doutrina de guerra assimétrica”. Nós precisamos enviar um sinal muito claro para a Rússia, de que não permitiremos qualquer transgressão às nossas linhas vermelhas. Poderemos considerar a proposta [de permitir a instalação de armas nucleares norte-americanas em solo Britânico]. Trabalhamos lado a lado com os norte-americanos. Caso essa decisão seja mesmo colocada sobre a mesa, deve ser tomada em conjunto. Quanto a nós, devemos pesar os prós e os contras e chegar a uma conclusão.
Para justificar a si mesmo, o Ministro britânico de Relações Exteriores buscou relacionar a questão nuclear à alegada agressão russa no leste ucraniano, aduzindo:
Há sinais bem preocupantes de que aumentam as atividades tanto pelas forças russas quanto pelas forças separatistas controladas pelos russos.
Hammond tentou parecer ambíguo sobre a instalação de armas nucleares dos Estados Unidos em território Britânico – as quais se somariam ao próprio arsenal nuclear da Inglaterra – mas o simples fato de que seu governo está considerando a possibilidade, já é um movimento flagrantemente imprudente. Se tal acontecesse, reverteria a proibição relativa a essas armas que ocorreu na sequência do fim da Guerra Fria há mais de 20 anos.
Guerra fria 2.0 - Manobras da OTAN

Ironicamente, enquanto Hammond estava nesta semana se esforçando para que o Parlamento permitisse um referendo sobre a permanência da Inglaterra como membro da União Europeia, sequer uma palavra foi dita ao público inglês, para saber se a população inglesa quer mais uma vez tornar-se parte da força de ataque nuclear dos Estados Unidos.
Mas talvez a infração merecedora de cartão vermelho cometida por Hammond seja o fato de que ele está militarizando perigosamente a política externa da Inglaterra sem estar lastreado em nenhuma evidência razoável; na realidade, baseia-se em desinformação total. Exatamente como seus aliados em Washington, o Ministro do Partido Conservador está fazendo toda sorte de acusações mentirosas e histéricas contra a Rússia, que vão desde constituir uma ameaça para a Europa, até usar “doutrina de guerra assimétrica”, passando pela suposta invasão do leste ucraniano e chegando à sabotagem do acordo de cessar fogo de Minsk (aliás, uma tentativa de paz que Moscou trabalhou duramente para implementar, juntamente com a Alemanha e França em fevereiro, com a significativa ausência de Washington e Londres).
Sem qualquer informação confiável, os norte-americanos e britânicos parecem estar se movendo deliberadamente no sentido de incrementar a capacidade de um ataque nuclear preventivo contra a Rússia. Como relatou a Associated Press na última semana, embora usando uma linguagem eufemística:
(...) as opções chegaram apenas ao nível de insinuações – mas não de declarações enfáticas – de que certamente melhorariam a capacidade das armas nucleares dos EUA para atingir alvos em território russo.
A verdade é que os norte-americanos, os britânicos ou a OTAN não produziram sequer um fiapo de evidência verificável de que a Rússia tenha violado o Tratado INF, ou esteja subjugando a Ucrânia ou ameaçando qualquer outro país europeu.
No leste ucraniano os relatos mais confiáveis sobre a situação emanam tanto do grupo de monitoração do cumprimento do acordo de Minsk feita pela Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) quanto de fontes da mídia local e de oficiais separatistas de que o recente incremento da violência vem do regime de Kiev, apoiado pelo ocidente. A violência inclui o bombardeio de centros residenciais na cidade de Donetsk e nos arredores de pequenas cidades e vilas, que resultaram na morte de dúzias de civis durante a última semana.
Exército da Junta de Kiev bombardeia áreas civis em Donetsk

A maneira pela qual os britânicos e norte-americanos distorcem os fatos para fazer da Rússia o agressor e destruidor do cessar fogo de Minsk é apenas uma assertiva prejudicial que se baseia em qualquer coisa, menos nos fatos. Desta forma, essa visão é uma distorção dos fatos que chega às raias da mentira descarada.
Que o Secretário para a Política Externa possa fazer comentários tão enganosos e aparentemente desorientados sobre o conflito na Ucrânia e sobre a Rússia em geral, e pensar em mudar a política militar da Inglaterra para instalar no território inglês armas nucleares dos Estados Unidos é digno de expulsão do ministério por extrema e grosseira incompetência.
A adoção por Hammond de um militarismo nuclear em meio a um tenso impasse político entre Oriente/Ocidente não passou em brancas nuvens na Inglaterra. Suas teses e afirmações belicosas causaram controvérsia, com várias campanhas antiguerra em repúdio à imprudente reversão para a mentalidade de Guerra Fria. Contudo, o fato de que a incompetência de Hammond não tenha causado ainda mais celeuma é um preocupante sinal da dormência moral do povo inglês, que não fez com que Hammond incorresse numa condenação pública ainda maior.
Nas entrelinhas, a política externa dos governos dos Estados Unidos e da Inglaterra trata-se apenas disso: uma ideologia de Guerra Fria, que os faz ver o mundo inteiro como inimigos ou “ameaças externas”. Mais uma vez, Rússia e China são vistos e retratados como inimigos.
Na última semana, em uma entrevista para o jornal italiano Corriere dela Sera, o Presidente russo, Vladimir Putin observou:
Já que muitos países têm preocupações sobre possíveis agressões pela Rússia, eu penso que apenas uma pessoa insana, louca, e apenas em sonhos maus poderiam imaginar que a Rússia poderia subitamente atacar a OTAN.
Assista a seguir entrevista completa com legendas em italiano:
Ora, por dedução, esse raciocínio lista pessoas com a visão dos fatos de Hammond como “insanas”. O mesmo vale para o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e sua administração. Discursando na recente reunião de cúpula do G7 na Alemanha, Obama pontificou: “precisamos encarar a agressão russa”.
A pergunta lógica é: por que tanto Washington como Londres em particular, interpretam o mundo em termos de inimigos, ameaças e agressões?
Parte da resposta pode ser a de que essas mesmas potências são as maiores praticantes de agressões ilegais na perseguição de seus objetivos na política externa. O Imperialismo – uso de força militar na sustentação de metas políticas e econômicas – é parte indissociável da forma pela qual Estados Unidos e Inglaterra operam no mundo. Agressão e militarismo são instrumentos fundamentais do imperialismo anglo-americano, assim como acordos para atividades bancárias, de investimento e comércio (TPP e TTIP).

TPP, TTIP, TISA, CETA - Assalto à DEMOCRACIA


Não se pode negar que existe uma espécie de “consciência do mal” que rola nas relações internacionais tanto de Inglaterra como dos Estados Unidos. Ambos temem (com razão) retribuição e vingança causadas por seus comportamentos agressivos e criminosos em relação ao resto do mundo. Numa palavra, a visão de mundo dos anglo-americanos se resume em: paranoia.
A militarização das relações exteriores também é uma eficiente via indireta para controlar eventuais aliados nominais. Se ameaças externas são retratadas de maneira suficientemente forte, cria-se então uma espécie de senso restrito de “defesa” entre “aliados”, que passam a ver a potência dominante como líderes para “proteção”. Esses jogos mentais são típicos da forma pela qual Washington e Londres promoveram a OTAN  ao status de protetor de seus “aliados europeus” frente “agressão russa”.
O mesmo jogo mental está rolando na região da Ásia/Pacífico, onde os norte-americanos estão tentando marcar a China como um “agressor do mal” para pequenas nações, que então se voltam para Washington em busca de “proteção” – e montes de dinheiro para comprar armas dos Estados Unidos, cortesia das máquinas impressoras de dólares do FED.
Sobre a questão das alegadas agressões russas, Putin, na entrevista acima, comentou de maneira muito apropriada:
(...) penso que alguns países estão simplesmente se aproveitando do medo das populações ocidentais no que diz respeito à Rússia... Suponhamos que os Estados Unidos gostariam de manter sua liderança na comunidade atlântica (União Europeia). Precisaria então de uma ameaça externa, um inimigo comum para garantir sua liderança. Claramente, o Irã não é suficiente – a ameaça que representa não é tão assustadora ou grande. Quem poderia ser assustador o bastante? Então, subitamente, a crise se desdobra na Ucrânia. A Rússia se viu forçada a responder. Talvez toda essa situação tenha sido criada de propósito... não sei. Mas sei que não fomos nós, russos, que a criamos.
Putin acrescentou, falando ao editor do Corriere dela Sera:
Deixe-me dizer uma coisa: não é preciso temer a Rússia. O mundo mudou de forma tão drástica que atualmente qualquer pessoa com um mínimo de bom senso não pode sequer imaginar um conflito militar em larga escala. Eu garanto que temos outras coisas com as quais nos preocuparmos.
É por isso que políticos como o Ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Philip Hammond, são compelidos a demonizar a Rússia e conjurar pesadelos de invasões, conflitos militares em larga escala e armas nucleares. Sem alarmismo, não pode haver belicismo; e sem belicismo o capitalismo anglo-americano não pode exercer a hegemonia da qual sempre desfrutou e que necessita para funcionar.
Essa forma de ver o mundo adotada pelos anglo-americanos continua atrelada a uma era que já deveria estar esquecida, na qual a gestão da relações internacionais se dava através de violência e agressões ou até da instigação de uma guerra total, se necessário.
A origem do APOCALIPSE
 Hammond, Obama, Kerry e Cameron

Se vivêssemos em um mundo são, pessoas como Philip Hammond, o Primeiro Ministro Cameron e do outro lado do Atlântico, Obama e seu Secretário de Estado Kerry, não seriam merecedores de estar em uma posição de poder e governo. Se vivêssemos em um mundo são.
Ocorre que em nosso mundo capitalista e louco, são pessoas desse tipo que são selecionadas, porque dão ao sistema tudo o que é essencial para a sua sobrevivência, ainda que através de uma mentalidade draconiana de agressão, violência e guerra. A inominável e diabólica vergonha é que essas pessoas insanas são perfeitamente capazes de trazer o apocalipse para milhões e milhões de pessoas inocentes.
Botando para fora esses políticos estaríamos praticando uma forma inteligente de evitar a guerra. Talvez fosse ainda melhor se pudéssemos chutar para a estratosfera todo esse sistema, no qual alguns enriquecem obscenamente à custa do sofrimento da maioria.
Esse “custo” inclui suportar o risco perene de guerra e, ouso dizer, aniquilação.
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[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Os EUA-OTAN encontram “porta dos fundos” árabe para armar a junta nazista de Kiev.

25/2/ 2015, [*] Finian Cunningham – Strategic Culture
Tradução: mberublue


Poroshenko e Mohammed Bin Zayed al Nayhan
Cresceram as suspeitas, que já eram fortes, de que a OTAN, aliança liderada pelos Estados Unidos, encontrou uma nova forma de fornecer armas sorrateiramente para a Ucrânia, depois do anúncio, feito nesta semana, de que o regime de Kiev teria concluído um grande negócio com os Emirados Árabes Unidos para o fornecimento de armamento militar. Só dizemos “nova forma” porque se acredita que os Estados Unidos e a OTAN secretamente já fornecem armas para o regime de Kiev, através de seus aliados Polônia e Lituânia.

O presidente da junta de Kiev, Petro Poroshenko, festejou a nova parceria estratégica com o reino do Golfo Pérsico enquanto visitava a International Defence Exhibition (IDEX), realizada na capital dos Estados Árabes Unidos, Abu Dhabi. Regiamente recebido pelo príncipe Mohammed Bin Zayed al Nayhan, Poroshenko afirmou ser um “presidente da paz” mas que a Ucrânia, ou melhor dizendo, o estado falido que seu regime comanda, precisa de forte armamento defensivo por causa de seu “inimigo russo”.

Tais desenvolvimentos surpreendentes encontram a explicação de seu significado real, quando se descobre que Poroshenko e seu anfitrião árabe, conforme relatado, realizaram reuniões discretas com funcionários do Pentágono e fabricantes americanos de armamento militar durante a realização da feira de armamento. Trata-se de indicação de que, na realidade, Washington está coordenando a já esperada transferência de armas para o regime de Kiev.

EUA-OTAN armam a junta de Kiev com a "mão de gato" do Emirados Árabes Unidos
Mesmo não tendo vazado nenhum detalhe da parceria Kiev/EAU, pode-se assumir sem medo de errar que o fornecimento de armas para a Ucrânia através dos árabes não passa de uma maneira encontrada pela OTAN e pelos Estados Unidos, apoiadores da junta colocada no governo pelo ocidente e que tomou o poder ano passado através de um golpe de estado, suprir de armamento o regime de Kiev. Este regime lançou uma guerra de agressão contra os federalistas do leste ucraniano, infligindo até agora cerca de 6.000 mortes, principalmente entre a população civil de etnia russa.

No início do mês tornou-se claro que Washington e seus aliados da OTAN podem vir a pagar um alto preço político pelo movimento desastroso que cometeram, ao se envolver cada vez mais no conflito ucraniano. Quando Washington anunciou que iria em frente com seu plano congressional de prover o regime de Kiev com “ajuda letal”, houve uma consternação internacional generalizada contra essas maquinações imprudentes.

Washington foi alertada por Moscou que um futuro apoio militar ao regime de Kiev, anti russo e reacionário, em sua fronteira ocidental, consistiria em uma “escalada desastrosa”. Então, aparentemente, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recuou de suas propostas de fornecimento de armas e munições letais.

Hoje, os EUA fornecem armas para a junta de Kiev via Estônia
O fornecimento de armas também foi condenado pelos normalmente servis aliados europeus dos Estados Unidos. A Alemanha, a França e mesmo a Inglaterra indicaram sua desaprovação declarando que não seguiriam qualquer movimento no sentido de enviar mais armas para a Ucrânia. Quem talvez tenha mostrado de forma mais severa sua desaprovação foi a chanceler alemã, Angela Merkel. Durante visita aos Estados Unidos, ela reiterou sua posição de “não armar” a Ucrânia para a mídia estadunidense ao ser recebida por Obama na Casa Branca.

Não restaram dúvidas de que o público europeu, já cambaleante frente a uma cada vez mais forte austeridade econômica (leia-se arrocho – NT via Vila Vudu), desemprego e curtindo forte desdém para com os políticos europeus irresponsáveis movimentou-se concentradamente, em várias capitais, em direção à negação total de jogar mais lenha na fogueira do já furioso incêndio da guerra na Ucrânia.

A ideia de antagonizar cada vez mais a Rússia, seguindo o incendiário militarismo estadunidense na Ucrânia poderia provocar uma tempestade política na Europa. Então, os normalmente servis líderes europeus “sim, senhor, sim, senhor!” foram obrigados a desafiar a imprudência dos EUA.

Aparentemente, o início de discórdia entre Estados Unidos e União Europeia provocou o nervosismo de Washington, ante o temor de que o eixo tático de sanções anti russas acabasse por se desfazer.

Barack Obama e John Kerry
O Presidente Barack Obama e seu Secretário de Estado John Kerry se esforçaram para enfatizar que os Estados Unidos e a Europa estavam “unidos” sobre a crise ucraniana e sua alegada “agressão russa” – apesar de terem os líderes europeus, publicamente, no mínimo repudiado a política de armas de Washington.

Então, em vez de se arriscar a uma divisão nas fileiras da OTAN, Washington e seus aliados parecem ter encontrado uma engenhosa maneira de contornar o problema – tornar os Emirados Árabes Unidos a vanguarda para o fornecimento de armas ao regime de Kiev.

Uma “nova indústria de defesa” nos Emirados Árabes Unidos tem aparecido em relatos de vários órgãos da mídia. Acontece que qualquer indústria que tenha lugar em um reino inundado de petróleo, na verdade é, em grande medida, apenas um meio de acrescentar valor ou uma plataforma de marketing para as indústrias ocidentais. O setor de defesa dos Emirados Árabes Unidos é dominado por importações dos Estados Unidos e pelas grandes indústrias norte americanas do setor, tais como a Boeing, Lockeed Martin e Raytheon.

As operações “em parceria” com os Emirados refletem apenas a intenção da aristocracia do reino em provocar admiração por estar supostamente promovendo a diversificação com a criação de setores de alta tecnologia para fugir da dependência das receitas da exportação de petróleo.

Guerra é grana
Para as grandes empresas de armamento ocidentais, a venda a retalho nos Emirados promovem apenas uma cobertura conveniente em termos de relações públicas para as vendas globais de armamento. Assim, as armas norte americanas e europeias podem ser vendidas para todas as partes do globo, mesmo aquelas onde esses fornecimentos seriam considerados antiético – afinal, as vendas teriam sido feitas originalmente pelos Emirados Árabes Unidos.

Não se esqueça, no entanto, que, segundo o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), os Emirados Árabes Unidos são o quarto maior importador de armas do mundo. Trata-se de um recorde estarrecedor quando se leva em consideração de que estamos falando de um país onde a população é de cerca de nove milhões de pessoas, das quais apenas um milhão são de árabes nacionais, sendo o restante pessoal expatriado da Ásia e África para trabalhar. Levando em conta apenas uma base per capita, os Emirados Árabes Unidos são de longe o maior importador de armas do mundo. Além disso, trata-se de um país que, desde que conseguiu sua independência formal da Inglaterra em 1971, nunca esteve em guerra.

O SIPRI afirma, em seu último relatório de tendências globais, que os países árabes do Golfo Pérsico dobraram suas exportações de armas em anos recentes, mesmo partindo de uma base já bastante elevada anteriormente. Atualmente, a Arábia Saudita é o quinto maior exportador de armas do mundo. Qatar, Barein e Omã também são grandes destinatários para as vendas de armas das indústrias armamentistas ocidentais.

Com 40% das vendas, o mercado de armas do Golfo Pérsico hoje é dominado pelos Estados Unidos. Outros grandes exportadores para a região são a Alemanha, França e Inglaterra. A Rússia também tem uma forte presença nesse mercado. Mas a parte do leão é dos aliados da OTAN. Particularmente, a Alemanha tem intensificado suas exportações de armamentos para o Golfo Pérsico, o que está causando alguns problemas para o governo Merkel entre a população alemã, que passou a considerar que o governo alemão está sustentando regimes repressivos e autocráticos. Blindados em geral e tanques Leopard estão entre as mais lucrativas exportações da Alemanha.

Tanque alemão Leopard 2A6, com canhão de 120mm L55 (Rheinmetall)  
Os regimes árabes do Golfo Pérsico se tornaram, dessa forma, arsenais da OTAN. Entre eles, o arsenal da OTAN por excelência é o pequeno EAU, com seu orçamento de segurança de 13 bilhões de dólares anuais.

O novo contrato firmado entre o regime de Kiev e os Emirados Árabes Unidos para o suprimento de armamento tornou-se assim uma nova frente da OTAN para o fornecimento de armas para a junta de Kiev. Convenientemente para os governos ocidentais, o arranjo tende a tornar obscura a participação da OTAN aos olhos de seu público, mas apenas superficialmente.

É um mau sinal para o instável cessar fogo costurado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, no início do mês. Putin tem continuamente alertado para a atitude hostil de Poroshenko e outros líderes de Kiev, que acusam rotineiramente a Rússia de agressão, enquanto vomitam bravatas sobre lutar uma “guerra total”. Além de indulgentes com essa retórica inflamada, Washington e União Europeia têm renovado as sanções contra Moscou e lançado a culpa do conflito sobre a Rússia.

A junta em Kiev está claramente usando o empréstimo de 40 bilhões de dólares dos pagadores de impostos ocidentais cedidos através do FMI para comprar armas para aperfeiçoar sua máquina de guerra apoiada pela OTAN. O acordo para a venda de armas dos Emirados Árabes Unidos é apenas uma porta dos fundos para a OTAN introduzir mais e mais armamento e incrementar o belicismo de Kiev contra a Rússia.


[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Problema de Moscou: lidar só com IMBECIS e VASSALOS


10/2/2015, [*] Finian CUNNINGHAMStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Entreouvido na casa da Neneca, vizinha nossa aqui na sede da redecastorphoto: Dilma Rousseff do Brasil tem o mesmíssimo problema de Putin (Moscou). “Lidar só com IMBECIS e VASSALOS” a serviço do império, tanto da oposição (o que era de se esperar) como da imprensa−empresa do Brasil (o que também era de se esperar) como no PT e da base aliada — o que, embora não seja inesperado, chega às raias do RIDÍCULO... O que o Janot foi fazer nos EUA? E o Joaquim Barbosa, que também foi aos EUA durante o julgamento do chamado “mensalão”? Foram lá receber ORDENS de seus PATRÕES? Cadê as investigações do ASSASSINATO do Eduardo Campos? A CIA “embargou”?


Hollande, Putin e Merkel em Moscou 
A Rússia está num dilema. Como conseguir construir acordo de paz para o conflito na Ucrânia – e evitar guerra muito maior e mais terrível – se é obrigada a comunicar-se exclusivamente com IMBECIS e VASSALOS? Refiro-me aqui, claro, aos líderes norte-americanos e europeus respectivamente.

O problema de tentar conversar com IMBECIS é que eles simplesmente não compreendem coisa alguma do lado de fora da própria obtusa realidade em que vivem. Padecem de dissonância cognitiva e orgulham-se da própria ignorância. De fato, quanto mais disfuncionais no plano cognitivo, mais os IMBECIS são celebrados por serem fortes. Não há meio que permita ilustrar IMBECIS; o modo estúpido e tedioso de eles olharem o mundo é impenetrável para qualquer perspectiva diferente, ainda que mais correta. Na verdade, os IMBECIS têm aversão visceral a coisas mais corretas que eles; é ver coisa mais correta, e eles fincam pé ainda mais fundo na própria imbecilidade.

O problema de lidar com VASSALOS é que eles não têm poder para mudar de rumo – ainda que lhes reste alguma capacidade residual de pensar com independência e reconhecer que alguma outra perspectiva, diferente da deles, seja mais correta ou, pelo menos, que é razoável e merece consideração.

Eis o dilema que a Rússia enfrenta, nos contatos com Washington e aliados-VASSALOS europeus de Washington, sobre o conflito na Ucrânia.

O Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, falando em Munique no fim de semana passado, lamentou a nenhuma independência para decidir dos europeus, e chamou atenção para o sistemático vandalismo de Washington contra a ordem internacional legal. Lavrov foi criticado por se atrever a dizer a verdade e, ainda mais, por ser capaz de usar a lógica e muito conhecimento histórico, para apoiar seus argumentos.

Sergey Lavrov, MRE da Rússia
Onde Lavrov propõe diálogo racional, o imbecilismo dos líderes norte-americanos só repete frases feitas e acusações sem fundamento. São “educados” pela sua própria propaganda de autopromoção, e creem em cada sandice que a propaganda lhes ensina. E orgulham-se de si mesmos! God bless America – como nunca se cansa de repetir Barack Obama, conhecido clérigo fundamentalista e pregador da religião de Wall Street.

É absolutamente evidente que o Presidente dos EUA, apresentado sempre como um dos mais ilustrados e cultos políticos da história dos EUA, conhece os fatos no mundo real e sabe que, diferente da narrativa deformada que circula produzida para as massas, o conflito na Ucrânia não é “tudo culpa da Rússia”, como repetem incansavelmente todos os veículos da imprensa-empresa Murdoch-capitalista.

Pois o mesmo Obama, falando com a chanceler alemã ao seu lado, na Casa Branca, essa semana, disse que considera enviar armas letais para  o governo de Kiev, “para ajudar a Ucrânia a reforçar suas defesas contra a agressão separatista”. Obama acusou a Rússia de incendiar sempre mais o conflito e de tentar violar a integridade territorial da Ucrânia “em ataque à mão armada”.

Aqui, agora, de volta ao mundo real. Russos étnicos estão sendo assassinados dentro de casa, em porões, em escolas, pelas ruas, pelo regime de Kiev que o ocidente apoia. O governo de Kiev que o ocidente apoia lançou guerra não provocada contra o leste da Ucrânia há já dez meses, que já resultou em mais de 5.500 mortos e mais de um milhão de deslocados. E Obama ainda fala de “agressão separatista”?! E quer mais armas letais para os agressores?!

E de Obama para baixo, na grade política, a coisa só piora. O Vice-Presidente Joe Biden disse na conferência de segurança de Munique, semana passada, que “os ucranianos têm o direito de se defenderem”, e assim sendo os EUA devem enviar apoio militar para expulsar “a agressão russa”.

Ora, Sr. Biden... O que o senhor teria a dizer sobre o direito de os russos ucranianos étnicos também se defenderem? Por que o senhor lhes nega o direito de defesa? Por acaso não são ucranianos? Ou, quem sabe, o fato de serem etnicamente russos os torna inferiores aos olhos dos EUA?!

Outro, a mais alta autoridade diplomática dos EUA, John Kerry, supostamente homem civilizado, cosmopolita, poliglota, lá está, a repetir também as mesmas imbecilidades, sem qualquer fundamento, só frases de propaganda, sempre acusando a Rússia. Para Kerry, a Rússia seria “a mais grave ameaça que pesa contra a Ucrânia”. Kerry também só fala de enviar armas letais à Ucrânia, para dar uma lição aos russos.

A lista dos repetidores dos mantras de propaganda anti-Rússia é longa: Ashton Carter, próximo Secretário da Defesa. Michel Flournoy, provável Secretário de Defesa, caso Hillary Clinton chegue à presidência em 2016. Bobby Jindal, aspirante à candidatura à presidência pelo Partido Republicano. Bob Corker, coordenador de política exterior do Partido Republicano. Comandante do Estado-Maior das Forças Conjuntas dos EUA, general Martin Dempsey. Vários “especialistas” em política exterior dos EUA no Brookings Institute e no Atlantic Council. Todos os editorialistas dos grandes veículos da imprensa-empresa nos EUA, inclusive do New York Times e Washington Post.


TODOS esses só fazem repetir, sem se envergonhar e sem baixar os olhos, que o conflito da Ucrânia ‘'É'’ resultado de agressão russa; e que entregar armamento letal em mãos dos fascistas do governo em Kiev “É” magnífica ideia para promover a paz. Todos esses vivem a regurgitar um arremedo de história, segundo a qual o Presidente Vladimir Putin da Rússia “É” “ditador à moda dos ditadores de meados do século XX”, da mesma linha “expansionista” que Adolf Hitler ou Benito Mussolini.

NENHUMA DESSAS AUTORIDADES NORTE-AMERICANAS mostra qualquer remoto sinal de que compreende que o fascismo de meados do século XX foi estimulado, fomentado, por uma política clandestina das potências capitalistas ocidentais para atacar a União Soviética. E resultou, então, em 30 milhões de russos mortos. Essa política prossegue hoje, sob a modalidade de apoio, pelos EUA, ao regime neonazista de Kiev, como agente de desestabilização, a ser apontado como arma contra a Rússia.

O mais assustador, sobre os IMBECIS norte-americanos, é que não dão qualquer sinal de incômodo por serem manipulados, vítimas, há décadas, de lavagem cerebral. São clones orwellianos que creem que guerra é paz, escravidão é liberdade, verdade é qualquer mentira que lhes contem como se fosse verdade.

Os políticos e autoridades norte-americanas presentes à Conferência de Segurança de Munique fizeram pouco caso dos esforços de Merkel e Hollande para iniciar um diálogo político com Putin sobre a crise da Ucrânia. Para os norte-americanos presentes em Munique, a coisa não passaria de bullshit. (Aquela merda da Merkel em Moscou, nas palavras da sempre “brilhante” Victoria “Foda-se a EU” Nulands, principal diplomata de Obama na Europa [NTs]).

Putin−Merkel−Hollande propõem dar continuidade às conversações de Moscou no final de semana passada, com novo encontro em Minsk, capital da Bielorrússia, ainda essa semana. Absolutamente nada garante que Putin, Merkel e Hollande consigam que o regime de Kiev aceite sentar para conversar com a resistência armada anti-Kiev do leste da Ucrânia. Os norte-americanos, IMBECIS, tresloucados, buffoons, ensandecidos, estão fazendo de tudo para boicotar esse diálogo, antes mesmo de que tenha qualquer chance de avançar.

Diferente do que se vê entre os norte-americanos mais enlouquecidos, há novo consenso entre os europeus, de que pôr ainda mais armas na Ucrânia não é solução, que, de fato, é movimento a ser evitado, e que a resistência armada anti-Kiev tem direito de reivindicar autonomia política e merece ser ouvida com respeito.

Os europeus, pelo menos publicamente, podem continuar a adotar a narrativa jornalística, repetida incansavelmente pela imprensa-empresa liberal em todo o ocidente, segundo a qual a Rússia estaria clandestinamente desestabilizando a Ucrânia com soldados e ajuda militar à resistência anti-Kiev. Moscou já negou categoricamente essas acusações. Mas os europeus têm suficiente requinte intelectual para, pelo menos, perceber que viver a apontar dedos histéricos contra Putin é contraproducente, e que evidentemente há mais de um lado a considerar nessa história – como em todas as histórias.

A Europa e os europeus...
Diga-se a favor dela, que Angela Merkel mantém-se firme na oposição à ideia dos EUA de aumentar o envolvimento militar do ‘'ocidente'’ na Ucrânia. Em Washington, essa semana, Merkel descartou categoricamente qualquer possibilidade de vir a apoiar o envio de mais armas para a Ucrânia. A oposição de Merkel às propostas dos EUA foi ridicularizada por senadores Republicanos (“Merkel afinou na frente de Putin” [orig. “appeasement” of Putin]) e analogias asininas com Chamberlain e Hitler na Conferência de Munique de 1938.

Já basta, para se ver que é impossível lidar com os IMBECIS norte-americanos. É gente que habita outro planeta mental, só deles. É mundo formado de propaganda a-histórica incansavelmente repetida e da atitude mais atrasista que se pode conceber, que torna impossível, ou praticamente impossível, qualquer diálogo, qualquer contra-argumentação, qualquer tentativa para elucidação socrática. A arrogância e o “autismo”, a autorreferência pervertida dessa gente é uma arte – e são obstáculos eficazes contra qualquer genuína comunicação e entendimento. [“Vocês piraram, seus viadinhos comunistas putinescos?” – como nos perguntam pelo Twitter “intelectuais” do PSDB-DEM (NTs)].

E como seria possível conversar com gente assim? Não é possível. Ninguém consegue.

Mas há ainda o problema adicional de que os europeus não são livres para realmente agir conforme suas incipientes ideias de independência. É claro que Merkel e Hollande, e vários outros líderes europeus sabem que os planos dos EUA de inundar a Ucrânia com armamentos ainda mais letais é ideia macabra, que pode bem rapidamente levar à IIIª Guerra Mundial. É claro que muitos europeus entendem e percebem que as sanções comandadas pelos EUA contra a Rússia não são apenas contraproducentes: que de fato são irracionais, que são política hostil que agride trabalhadores, o agronegócio e a economia da Europa, no mínimo tanto quanto agride a economia da Rússia.

O fato realmente problemático é que os estados europeus são VASSALOS dos EUA. Que não são estados livres para agir conforme outra orientação que não seja a ditada por Washington, por estúpida, violenta, perversa, mortal que seja a política de Washington. A Alemanha é considerada a usina da Europa e a 4ª maior economia do mundo. Pois mesmo assim, como o analista político alemão Christof Lehmann nos lembra, a Alemanha jamais teve genuína independência política – desde o final da IIª Guerra Mundial. Não tem Constituição que modele um estado moderno e continua ocupada por forças militares dos aliados “vitoriosos” dos EUA e britânicos:

A Alemanha na verdade não passa de colônia, de facto, dos EUA. A qualquer momento, sob as leis do pós-guerra, tropas dos EUA podem derrubar o governo (“mudar o regime”) da Alemanha – o que define tecnicamente e legalmente um estado ocupado, um estado vassalo, diz Lehmann.

Angela Merkel, ESPIONADA por seu "aliado" 
A espionagem feita pela Agência de Segurança Nacional dos EUA contra a chanceler Merkel e revelada ao mundo em 2013 por Edward Snowden, é caso perfeitamente claro. Mais eloquente ainda, é que Merkel não respondeu a essa gravíssima agressão à “soberania” alemã com a força política que os norte-americanos agressores mereciam. Ela caninamente teve de aceitar a intrusão, que é legal, sob as condições da hegemonia pós-guerra dos EUA sobre a Alemanha.

Lehmann chama também a atenção para como outros movimentos passados da Alemanha, para criar uma política externa independente, e um movimento em especial, que envolve reaproximação com a Rússia, foram atacados e vetados serialmente pelos EUA e seus aliados britânicos.

Durante os governos dos chanceleres Willy Brandt e Gerhard Schroeder, todos os esforços feitos para adotar relação mais amistosa com a Rússia foram sempre sabotados, passo a passo, por Washington e Londres, diz Lehmann.

Eis por quê Merkel merece muito respeito e crédito por ter mantido posição firme contra o militarismo norte-americano na Ucrânia. Sua dissidência é altamente significativa de que, sim, há uma fissura considerável nas relações EUA−União Europeia. A chanceler Merkel está muito claramente atropelando uma “linha vermelha” fixada por Washington, a saber: que estados europeus, especialmente a Alemanha, não podem, não devem, não se admite, que questionem a hegemonia dos EUA e sua política, já antiga, de hostilidade contra a Rússia.

Merkel e Hollande podem, afinal, estar captando a mensagem que lhes enviam milhões de cidadãos da União Europeia, que se opõe firme e fundamente contra as provocações belicistas dos EUA contra a Rússia, à custa dos cidadãos europeus.

Sinto muito, Barack, mas Vladimir tem músculos maiores e não apenas orelhas grandes e protuberantes
Infelizmente, dada a tradição de VASSALAGEM dos europeus e a IMBECILIDADE impenetrável dos norte-americanos, continua remota a chance de que se encontre alguma abertura para que se construam relações de paz. As lideranças europeias continuam encabrestadas, montadas sob a rédea de Washington.

Mas, afinal, parece que as massas europeias desgostosas, iradas, indignadas, começam a forçar na direção do rompimento desses laços IMBECIS.


[*] Finian Cunningham nasceu em Belfast, Irlanda do Norte, em 1963. Especialista em política internacional. Autor de artigos para várias publicações e comentarista de mídia. Recentemente foi expulso do Bahrain (em 6/2011) por seu jornalismo crítico no qual destacou as violações dos direitos humanos por parte do regime barahini apoiado pelo Ocidente. É pós-graduado com mestrado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico da Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir carreira no jornalismo. Também é músico e compositor. Por muitos anos, trabalhou como editor e articulista nos meios de comunicação tradicionais, incluindo os jornais Irish Times e The Independent. Atualmente está baseado na África Oriental, onde escreve um livro sobre o Bahrain e a Primavera Árabe.