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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Jornalista da Fox News é xingado ao vivo!

5 razões pelas quais o vídeo é magnífico

19/8/2014, [*] Ian Blair, Salon
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu 

Ferguson − Em noite de protestos, Steve Harrigan, da Fox News, aprendeu algumas lições importantes
O vídeo é uma pérola que surgiu da cobertura jornalística dos protestos em Ferguson, Missouri, depois da morte de Michael Brown, adolescente negro assassinado a tiros por um policial de Ferguson, branco, Darren Wilson. Durante transmissão ao vivo no canal Fox News, o repórter Steve Harrigan foi confrontado por um manifestante zangado. Harrigan acabava de dizer ao microfone que a comunidade de Ferguson ali estava só fazendo “infantilidades” [porque], os “manifestantes dignos já se recolheram às suas casas antes de escurecer”. O vídeo é absolutamente magnífico. É magnífico:


Aqui, cinco razões pelas quais é magnífico:

1. O que está acontecendo em Ferguson, Missouri, não são “infantilidades”. Não são. Mas não são MESMO. Isso nem se precisa explicar. Um adolescente negro desarmado foi assassinado em plena rua. E esse jornalista dizia imbecilidades sobre pessoas que lá estavam, indignadas por ele ter sido assassinado em plena rua.

2. “Cale a boca, cara! Você é um filho da puta, cara. Pára com essa merda. Sai daí!” [“Estou na TV, man” / “Que TV?! Tô pouco ligando pressa merda.”] Você deveria saber que é um filho da puta, se se põe na rua a dizer coisas que só um filho da puta diz. Quando o manifestante confronta o jornalista, ele parece assustadíssimo ante a zanga do homem. Arregala os olhos, encolhe-se como criança que um adulto repreendeu por ter saído do cercadinho. Todo seu corpo broxa, murcha. Abaixa o microfone, afasta-o da boca, abaixa o microfone até a cintura, como se não entendesse de onde teria aparecido aquele homem, ou como se o homem estivesse falando alguma língua estrangeira. Não. Aquele homem fala inglês. Fala o inglês das ruas, forte e duro, como se a adrenalina lhe saísse também pela voz. Harrigan não entende nada. NADA. Nem reconhece as palavras. E lá fica, parado, de boca aberta, as mangas da camisa azul de colarinho enroladas, à frente, muito perto, a um passo de um homem que lhe pede que simplesmente compreenda de onde ele saiu e porque está ali.

3. “Vou-lhe dizer o que é real”. O que é real reconhece o que é real. É lei universal, científica ou sem ciência. É assim que é. Se você não me vê e não acredita em mim, é porque você não é real. Não há como explicar melhor. Olhem o rosto do homem, quando ele confronta a “imprensa”: tem o tronco tenso, como de um lutador no ringue, apenas constatando a presença intimidada de Harrigan. Ao mesmo tempo, a cabeça do homem está ligeiramente caída de lado, questionando, perguntando. “Quando alguém só mente e condena pessoas que nem conhece, em vez de mostrar o fato, contar a história, o público logo percebe a mentira”. Consumado mestre desse ofício, outro jornalista no estúdio, retoma o “pé”. Ainda ao vivo, falando do estúdio, o segundo jornalista: “Eis o que acontece quando a imprensa lança suas luzes brilhantes sobre as ruas”. PURA VERDADE. É exatamente o que acontece.

De fato, tem de continuar a acontecer. Tem de acontecer muitas vezes, outra vez, outra vez, de novo. E mais e mais.

4. Se você não vive isso, não tente fingir que sabe do que se trata. O que torna essa parte do vídeo ainda mais engraçada é a tentativa falhada da “imprensa”, de mostrar simpatia pelo calvário pelo qual passa aquele homem. “Estamos aqui. Viemos até aqui. Estamos tentando mostrar os fatos...” – diz Harrigan. Ah, é! Você faz televisão ao vivo, aí, do lado da estrada, bem longe de onde os protestos estão realmente acontecendo. Mas você acaba de chegar. No máximo, está aí há uma semana. Os moradores de Ferguson lidam com “os fatos” todos os dias. Aqui é vida real, cara.

5. A decisão e a firmeza das pessoas em Ferguson são mais fortes do que vocês pensam. Mais para o final do vídeo, um segundo manifestante segue Harrigan, que tenta ganhar novamente o controle da entrevista. No estúdio, Shep tenta parecer interessado na continuação da história. Harrigan não tem como fugir. Caminha, afastando-se do primeiro manifestante, e tenta resumir o que lhe parece que esteja acontecendo: “Deixe-me perguntar uma coisa: você está zangado porque o mandaram ficar na calçada e circular? Qual a fonte da sua zanga?” – Harrigan pergunta. A linguagem corporal do manifestante responde à pergunta. Vira-se de frente para a câmera, a camiseta-regata branca em destaque, cabeça levantada, como de um galo triunfante, para o céu, e sem parar de encarar a câmera (“Grupos diferentes? Com objetivos diferentes?!” – o manifestante pergunta, enquanto Harrigan vai falando). Mas ante a pergunta, o homem para, põe as mãos na cintura, o Meteor Man, e responde: “A fonte da minha zanga? Quer saber a fonte da minha zanga?” Pois lhe digo. “A fonte da minha zanga é ver meu povo – branco, ou preto, azul ou marron...”

E fala mesmo. O resto do vídeo não interessa. Ele bate no peito a cada sílaba, cada sílaba lhe bate no peito. Harrigan, que nada entende e não lê a linguagem corporal do homem faz-lhe mais uma pergunta: “O que você está disposto a fazer? Como consertar isso? O que você vai fazer?”

O manifestante dá um passo atrás, cruza as mãos às costas, feito Morfeu em Matrix. Endireita as costas, bem retas. E dá uma resposta que congela Harrigan: “O que vou fazer é permanecer aqui com o meu povo todas as noites [uma moça ao lado emenda: “Toda a noite”. O homem repete:] – toda a noite – sem travesseiro, sem cobertor. Com os como eu [outro homem ao lado dele, lhe aperta a mão], ou meus irmãos”.

Harrigan bate em retirada.



[*] Ian Blair é escritor e blogueiro do norte da Califórnia. Atualmente é candidato ao curso Máster na New York University's Journalism Institute na cadeira de  Cultural Reporting and Criticism na NYU.
Está no Twitter: @i2theb.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Agressão fantasiada de idealismo − Obama: sonâmbulo que caminha para a guerra

31/3/2014, [*] Paul Craig Roberts, Couterpunch
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Barack Obama - The Warlord ( Barack Obama - O Senhor da Guerra
Será que Obama dá-se conta de que está arrastando os EUA e seus estados-fantoches rumo à guerra com Rússia e China? Ou estará sendo manipulado nessa rota de desastre pelos seus funcionários e redatores de discursos neoconservadores? A Iª Guerra Mundial (e também a IIª Guerra Mundial) foi resultado das ambições e erros de um número bem pequeno de pessoas. Só havia um Chefe de Estado realmente envolvido: o presidente da França.

Em The Genesis of the World War, Harry Elmer Barnes mostra que a Iª Guerra Mundial foi obra de quatro ou cinco pessoas. Três se destacam: Raymond Poincaré, Presidente da França; Sergei Sazonov, Ministro de Relações Exteriores da Rússia; e Alexander Izvolski, Embaixador da Rússia na França. Poincaré queria arrancar da Alemanha a Alsácia-Lorena; e os russos queriam Istambul e o Estreito do Bósforo, que conecta o Mar Negro ao Mediterrâneo. Logo perceberam que suas ambições exigiam uma grande guerra europeia e trabalharam até conseguir sua desejada guerra.

Formou-se uma aliança franco-russa. Essa aliança foi o veículo para obter a guerra. O governo britânico, graças à incompetência ou à estupidez, o que fosse, de seu Ministro de Relações Exteriores, Sir Edward Grey, foi empurrado para a Aliança franco-russa. A guerra foi iniciada pela mobilização da Rússia. O kaiser alemão, Guilherme II, levou a culpa pela guerra, apesar de ter feito todo o possível para evitá-la.

O livro de Barnes foi publicado em 1926. Sua recompensa por denunciar e confrontar com a verdade todos os corruptos historiadores da corte foi ser acusado de ter recebido dinheiro dos alemães para escrever o que escrevera. 86 anos depois, o historiador Christopher Clark, em seu livro Sleepwalkers, [1] chega, essencialmente, à mesmíssima conclusão que Barnes.

Na história que me ensinaram, a guerra foi culpa da Alemanha, por ter desafiado a supremacia naval britânica (porque construíra navios de guerra “demais”). Os historiadores de corte que nos contaram essa fábula ajudaram a empurrar o mundo para a IIª Guerra Mundial.

E agora estamos outra vez na trilha rumo a mais uma guerra mundial. Há cem anos, uma guerra mundial teve de ser inventada com muitos cuidados, para que não se vissem imediatamente todos os interessados nela. A Alemanha teve de ser apanhada de surpresa. Os britânicos tiveram de ser manipulados e, claro, o povo, em todos esses países, teve de ser intoxicado com muita propaganda e incansável lavagem cerebral.

Hoje, se anda em direção à guerra desavergonhadamente à vista de quem queira ver. As mentiras são descaradas, os mentirosos são ainda mais descarados, e todo o ocidente está participando ativamente: tanto os estados quando as empresas-imprensa.

Stephen Harper - MENTIROSO
O Primeiro-Ministro do Canadá, fantoche dos EUA, Stephen Harper, mentiu descaradamente pela televisão canadense que o presidente Putin da Rússia invadira a Crimeia, ameaçara a Ucrânia e estaria agora reiniciando a Guerra Fria. O jornalista entrevistador lá estava e lá ficou, acenando com a cabeça, para que não restasse nenhuma dúvida sobre o quanto concordava integralmente com todas aquelas mentiras enunciadas desavergonhadamente à frente das câmeras.

O roteiro que Washington entregou ao seu servo canadense foi entregue também a todos os serviçais de Washington e por todos os cantos no ocidente a mensagem é idêntica. “Putin invadiu e anexou a Crimeia, Putin só pensa em reconstruir o Império Soviético, temos de deter Putin”.  

Ouço muitos canadenses ultrajados, porque o governo que elegeram representa Washington e não representa os canadenses, mas por pior que Harper seja, Obama e a rede Fox”News” são piores que ele.

Dia 26/3/2014, contra minha vontade, assisti a um fragmento das “notícias” distribuídas pela rede Fox. O órgão de propaganda de Murdoch “noticiava” que Putin reiniciara a prática soviética de exercícios físicos obrigatórios. A rede Fox de “notícias” converteu a matéria em gesto ameaçador e perigosíssimo contra o ocidente. A rede Fox inventou até um “especialista”, cujo nome, se ouvi bem, é alguma coisa parecida com “Eric Steckelbeck”. O “especialista” disse que Putin estava criando “a juventude de Hitler”, de olho na reconstrução do império soviético.

A mentira extraordinariamente descarada de que a Rússia teria enviado um exército à Ucrânia e anexado a Crimeia é agora aceita como fato em todo o ocidente, até entre gente que critica a política dos EUA para a Rússia.

Obama, cujo governo dos EUA derrubou governo democraticamente eleito na Ucrânia e nomeou um governo de doidos que ameaçou as províncias russas da Ucrânia, mente cada vez que acusa Putin de “invadir e anexar” a Crimeia.

Obama, ou os que mandam nele e o programam, estão confiando na total ignorância histórica dos povos ocidentais. A ignorância e a credulidade mal informada dos povos ocidentais permitem que neoconservadores norte-americanos modelem a seu gosto as “notícias” que controlam as mentes e enchem as cabeças.

Obama declarou recentemente que a destruição que Washington levou ao Iraque – mais de um milhão de mortos, quatro milhões de desalojados, infraestrutura em ruínas, violência sectária explodindo, o país em total ruína – não chegaria nem perto da desgraça que seria a Rússia ter aceito a autodeterminação dos crimeanos. O Secretário de Estado dos EUA John Kerry chegou a ordenar (?!) a Putin que impedisse o referendo e não deixasse que os crimeanos exercessem a própria autodeterminação.

O discurso de Obama dia 26 de março no Palácio das Belas Artes em Bruxelas é evento surreal. Está muito além da hipocrisia. Obama diz que os ideais ocidentais são desrespeitados pela autodeterminação na Crimeia. A Rússia, diz Obama, tem de ser punida pelo ocidente, por ter permitido que os crimeanos exercessem seu direito à autodeterminação. A volta de uma província russa, por decisão de seu próprio povo, à Federação à qual viveu integrada por 200 anos, é apresentada por Obama como ato ditatorial, antidemocrático, de tirania. É ouvir e não acreditar nos próprios ouvidos.

Barack Obama no Palais de Beaux Arts (BOZAR) em Bruxelas (26/3/2014)
Lá estava Obama, cujo governo acabava de derrubar o governo eleito e democrático da Ucrânia e de substituí-lo por doidos selecionados por Washington, a falar do ideal de que “as pessoas, nas nações, podem tomar suas próprias decisões sobre o próprio futuro”. Isso, precisamente, foi o que fez a Crimeia. Contra isso, precisamente, os EUA promoveram o golpe em Kiev. Na mente distorcida de Obama, autodeterminação é aceitar governos impostos por Washington.

Lá estava Obama, que reduziu a farrapos a Constituição dos EUA, falando de “direitos individuais e estado de direito”. Onde está esse estado de direito? Não em Kiev, com certeza, onde governo eleito foi derrubado pela força. Não nos EUA, tampouco, onde o Executivo desperdiçou completamente o recém nascido século XXI, impondo um governo que não conhece a lei e se vê como se vivesse acima da lei. Habeas corpus, o devido processo legal, o direito a julgamento público, a determinação da culpa sempre por jurados independentes e antes, claro, de o suspeito ser preso ou executado, e o direito à privacidade, todos esses direitos foram atropelados pelos governos Bush/Obama. A tortura agride tanto a lei internacional quanto agride a lei nos EUA; pois Washington implantou centros de tortura por todo o planeta.

Como é possível que o representante dos criminosos de guerra dos EUA fale a público europeu, pregue respeito ao “estado de direito”, “direitos individuais”, “dignidade humana”, “autodeterminação”, “liberdade”... sem que os presentes explodam em gargalhadas?

Washington é o governo que invadiu e destruiu o Afeganistão e o Iraque, à base de mentiras. Washington é o governo que financiou e organizou a derrubada dos governos da Líbia e de Honduras e que está hoje tentando fazer a mesma coisa na Síria e na Venezuela. Washington é o governo que mata com aviões e com drones populações inteiras nos estados soberanos do Paquistão e do Iêmen.

Washington é o governo que mantém soldados por toda a África. Washington é o governo que cercou Rússia e China com bases militares. E são essas gangues de criminosos de guerra em Washington que, agora, dizem que defendem ideais internacionais contra a Rússia.

Ninguém aplaudiu o discurso ensandecido e sem sentido de Obama. Mas a evidência que a Europa aceite sem protestar tais e tantas mentiras, de mentiroso conhecido, indica que cresce o impulso em direção à guerra, a favor da qual Washington tanto trabalha.

Obama quer mais tropas da OTAN estacionadas na Europa Oriental para “conter a Rússia”. Obama disse que reforçar a presença militar nas fronteiras da Rússia daria segurança à Polônia e aos estados do Báltico de que, como membros da OTAN, estariam protegidos contra agressão da Rússia. Essa absoluta sandice foi dita por Obama, embora ninguém tema que a Rússia venha a invadir a Polônia ou os países do Báltico.

Obama não diz é que efeito a presença aumentada de EUA/OTAN e infindáveis jogos de guerra na fronteira russa terão sobre a Rússia. Será que o governo russo concluirá que a Rússia está na iminência de ser atacada e atacará primeiro? Postura temerária, descuidosa, irresponsável, como a de Obama, é ingrediente sempre presente quando começam todas as guerras.

Ao dizer que “a liberdade não é grátis”, Obama pressiona a Europa Oriental para que ponha mais dinheiro para construir-se militarmente para confrontar a Rússia.

A posição do governo dos EUA e de seus estados fantoches (Europa Ocidental e Oriental, a Grã-Bretanha, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia, a Geórgia, o Japão) e outros aliados comprados com sacos cheios de dinheiro é a de que a violação, pelos EUA, da lei internacional – tortura, invasão de estados soberanos, por invasores acobertados por mentiras, golpes e mais golpes mais derrubar governos eleitos democraticamente que não se curvem aos EUA – nada é senão “o país indispensável e excepcional”, levando “liberdade e democracia ao mundo”. Mas a Rússia, ao aceitar a autodeterminação do povo crimeano, que livremente opta por se ligar à Federação Russa, seria “violar a lei internacional”.

Mas e que lei internacional os EUA e seus fantoches ainda não violaram?!

Barack Obama - Mentiroso patológico
Obama, cujo governo nos últimos poucos anos violentou o Afeganistão, o Iraque, a Síria, a Líbia, o Paquistão, o Iêmen, a Somália, o Líbano, o Irã, Honduras, Equador, Bolívia e Venezuela e que agora tenta violentar a Rússia, foi a Europa para dizer, lá, que “grandes nações não podem violentar nações menores”. E o que Obama e seus escrevinhadores de discursos pensam que os EUA fizeram sem parar, até hoje, todos os dias do século XXI?

Quem, algum dia, seja onde for, poderia acreditar que Obama, cujo governo é responsável por mortes de inocentes todos os dias, no Afeganistão, no Iraque, no Paquistão, no Iêmen, na Líbia e na Síria, dê alguma importância a alguma democracia na Ucrânia?!

Obama derrubou o governo ucraniano para conseguir meter o país na OTAN, expulsar a Rússia de sua base naval no Mar Negro e pôr bases de mísseis dos EUA junto às fronteiras da Rússia. Agora, Obama está furioso, porque seu plano não saiu como o previsto. E joga sua ira e sua frustração contra a Rússia.

Com o delírio que toma conta dos EUA, de que o país representaria o idealismo contra a agressão russa – delírio estimulado pela imprensa-empresa, a mídia presstituta – a votação na Assembleia Geral da ONU, do colar de estados fantoches, o autismo mais autorreferente, mais arrogante infla os peitos em Washington.

Com a crescente arrogância, crescem os clamores para punir a Rússia, demoniza-se cada dia mais a Rússia e Putin, mais mentiras ecoam pela mídia presstituta na voz dos palhaços de sempre. A violência ucraniana contra residentes russos provavelmente crescerá, com a propaganda anti-Rússia. Putin pode ser forçado a enviar tropas russas para defender russos.

Assim como Obama traveste sua agressão contra a Rússia como idealismo que resiste a ambições territoriais do “inimigo”, assim também os ingleses, franceses e norte-americanos apresentaram sua “vitória” na Iª Guerra Mundial, como o triunfo do idealismo contra o imperialismo e as ambições territoriais de alemães e austríacos.

Mas, na Conferência de Versailles, os bolcheviques (o governo do czar não conseguiu ganhar o Estreito e, em vez disso, perdeu o país para Lênin),

(...), revelaram a existência dos notórios “Tratados Secretos” que constituíam o mais sórdido programa de saque territorial que jamais se viu na história da diplomacia. Viu-se que o verdadeiro motivo da Entente na Grande Guerra foi a tomada de Constantinopla (Istambul) e dos Estreitos, pela Rússia; não só a volta da Alsácia-Lorena para a França, mas a militarização de toda a margem ocidental do Reno, que implicou a tomada de um território historicamente muito mais, e há muito mais tempo, conectado com a Alemanha, do que a Alsácia-Lorena jamais fora conectada com a França; a Itália foi recompensada por ter entrado na guerra, com vastos territórios roubados à Áustria e aos iugoslavos; e sequestraram-se as posses do império alemão, e roubaram a marinha mercante alemã, e a marinha de guerra alemã foi destruída, no interesse do poder crescente do Império Britânico. (Barnes, pp. 691-692).

A parte que coube aos norte-americanos desse butim foram os investimentos alemães e austríacos congelados nos EUA.

Os objetivos secretos de britânicos, russos e franceses naquela guerra foram ocultados da opinião pública, que foi tornada cega e surda por propaganda a favor de uma guerra cujos resultados foram absolutamente diferentes das intenções dos que causaram a guerra. Parece que ninguém consegue aprender com a história.

Hoje, estamos assistindo ao mundo ser outra vez arrastado para a guerra, por mentiras e propaganda, dessa vez em nome da hegemonia mundial dos EUA.
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Nota dos tradutores
[1] Orig. “The Sleepwalkers: How Europe Went to War in 1914” e tradução para o espanhol em: “Sonámbulos: cómo Europa fue a la guerra em 1914”. Pode-se ler ainda uma resenha (em espanhol) do livro escrita por Alejandro San Francisco para o El Imparcial.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service.  Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Chega ao fim a rede “Current TV” de Al Gore


4/1/2013, Robert Parry, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Robert Parry
A empreitada “midiática” de Al Gore está acabando; foi fracasso em praticamente todos os aspectos. A única contribuição que deixa aos pósteros parece ser o fato de que será comprada pela rede Al Jazeera – com o que essa importante voz do mundo islâmico conseguirá, como se espera, pôr, afinal, um pé nos EUA.

A história da rede e canal Current TV, de Al Gore, que agoniza, deve ser estudada detalhadamente como caso exemplar, por todos os progressistas interessados em aprender o que não fazer na criação e gestão de um veículo de imprensa comercial.

A empreitada foi fracasso em praticamente todos os aspectos. A única contribuição que deixa aos pósteros parece ser o fato de que será comprada pela rede Al Jazeera – com o que essa importante voz do mundo islâmico conseguirá, como se espera, pôr, afinal, um pé nos EUA.

Joel Hyatt (E) Al Gore (D)
O principal erro que Al Gore e seu sócio, Joel Hyatt, cometeram aconteceu logo na fundação do canal Current, em 2004-05, quando o canal deliberadamente fugiu da disputa que, então, era a mais acirrada luta subterrânea pelo futuro dos EUA; e o canal optou por não se contrapor à estratégia do presidente George W. Bush, para construir uma maioria Republicana permanente no Congresso.

Gore, especificamente, esqueceu qualquer inclinação democrática que o novo canal e rede pudessem ter, prometendo que seria “voz independente” focada em jovens adultos de 18-34 anos, para dar-lhes “uma voz que eles próprios reconhecessem e um ponto de vista que reconhecessem como seu”. O plano era criar uma MTV, com um pouco de consciência social.

Gore e Hyatt cuidaram de instalar a base do novo canal e rede em San Francisco, cidade agradável para morar, mas, francamente, péssima opção para base de rede de televisão, distante 3.000 milhas – e com três horas de atraso – em relação aos centros de notícias de New York e Washington. Ao instalar a sede na Bay Area, o canal e rede Current TV seguiram a tendência dos veículos progressistas, de escolher endereços simpáticos na retaguarda, em vez de tentar disputar cada palmo de terreno nas trincheiras já superlotadas da chamada “mídia dominante”.

Naquele momento, o povo dos EUA enfrentávamos uma das mais ferozes ameaças que jamais houve contra nosso futuro político – estratégia ousada concebida por Karl Rove e outros agentes operadores dos Republicanos para assumir controle total sobre a opinião nos EUA e empurrar o país para uma direção violenta, cruel, de direita, pode-se dizer, doentia. E o ex-vice-presidente e porta-estandarte dos Democratas de 2000 – conscientemente impediu que seu novo canal de TV e sua rede se envolvessem naquela disputa.

Ter evitado a disputa poderia ser boa estratégia negocial – se tivesse gerado bons negócios – mas nem isso se viu. E foi, isso sim, ato bem visível de covardia política. Em 2005, quando o canal e rede de televisão Current afinal foram ao ar, o povo norte-americano desesperadamente precisava de alguma voz de coragem que se opusesse aos desmandos de Bush e aos abusos do poder; de alguém que, inclusive, se opusesse à campanha midiática pró-guerra do Iraque e às violências que o governo Bush cometia contra as proteções constitucionais fundamentais, como o direito de habeas corpus e a proibição contra a tortura, da qual se falava sob a fórmula “punição cruel e não usual”. Tortura, é claro.

Bush e a Direita também pouca atenção davam ao aquecimento global e outras ameaças bem conhecidas.

Joe McCarthy
A rede de televisão de Gore poderia ter-se engajado ativa e agressivamente nesses fronts de batalhas políticas; poderia ter oferecido informação histórica relevante; poderia ter revelado à opinião pública abusos muito mais amplos do poder político por Republicanos, de fato, desde os dias do senador Joe McCarthy, passando pelo presidente Richard Nixon, pelos crimes de Ronald Reagan e de George H. W. Bush; dentre outros crimes, por exemplo, a tolerância com os traficantes de cocaína que constituíam as gangues de “rebeldes” dos Contra, na Nicarágua.

Gore poderia ter mostrado efetiva e significativa independência de opinião, se noticiasse que também os Democratas muito contribuíram para a prática de crimes assemelhados aos dos Republicanos, durante os anos imediatamente posteriores à 2ª Guerra Mundial – crimes por comissão e por omissão.

Público audiente e telespectador mais jovem talvez apreciasse conhecer fatos e provas que jamais foram objeto de notícias nos EUA; mais adequadamente bem informados, os mais jovens talvez encontrassem meios e modos eficazes para pôr a política dos EUA em rota mais segura. Com certeza o tal “público-alvo entre 18-34 anos” teria noção mais clara e mais bem informada sobre verdadeira batalha que se trava à volta deles, contra uma estrutura de poder que absolutamente não será modificada – sequer cosmeticamente, que fosse! – só porque algum sujeito “midiático” põe-se a exibir filminhos documentários sobre “cuidar do planeta”.

Bush, o Todo-Poderoso

George W. Bush
Soa estranho, quase inacreditável, hoje – quando o presidente George W. Bush é tratado como rematado fracassado, político que não foi convidado, sequer, para a Convenção Nacional dos Republicanos! Mas há oito anos, Bush estava no comando de uma nave-monstro de guerra completamente ensandecida, que apavorava o mundo; e que calou muita gente. Calou, sobretudo, muitos políticos e jornalistas e analistas e “especialistas” que preferiram o silêncio cúmplice e covarde, a perder uma tal pressuposta “credibilidade”, que a mídia dominante lhes dava, ou negava.

Por isso, a tarefa de explicar à opinião pública a estrutura política dos EUA deixou de ser função da imprensa-empresa comercial dominante. E passou a caber, como missão e dever a uma meia dúzia de blogs e páginas internet, entre os quais esse nosso Consortiumnews.com, que sobrevive de doações de cidadãos e sempre enfrentando dificuldades financeiras, o trabalho de desmentir, de desmascarar a opinião-feita, a “opinião-geral-da-imprensa-e-dos-intelectuais-midiáticos”. Passou a caber-lhes o trabalho de argumentar contra a opinião convencional sobre a guerra do Iraque; produzir e distribuir informação indispensável sobre o contexto histórico – único meio pelo qual os EUA teriam meios para entender o próprio descaminho.

Naqueles anos cruciais, a televisão de Gore, Current TV, captou muitos milhões de dólares dos poucos que há para financiar jornalismo que não seja o “jornalismo-empresa-das-empresas-comerciais-de-mídia”, mas, correspondentemente, produziu muito pouco que pudesse, de fato, fazer alguma diferença na luta pelo futuro político dos EUA.

Ironicamente, o primeiro fruto do caminho de abertura jornalística que Gore desperdiçou foi gerado por um ramo “midiático” da General Electric, membro fundador do Complexo-Militar-Industrial nos EUA.

Phil Donahue
A rede MSNBC, outra rede de televisão a cabo, tentou, por algum tempo, disputar espaço contra a direita ocupada pela rede Fox News. Mas em 2003, na preparação para a guerra do Iraque, a rede MSNBC demitiu o popular Phil Donahue, que se atrevera a entrevistar alguns militantes antiguerra em seu programa. Em seguida, durante a invasão, a rede MSNBC já produzia os mais deslavados vídeos de propaganda, em que se viam soldados dos EUA “libertando” o Iraque, exatamente o que a Fox também fazia.

A rede MSNBC, como vários outros veículos da “grande” imprensa, censurou cuidadosamente imagens de civis iraquianos mortos e de criança feridas nos hospitais superlotados, para não abalar a histeria jingoísta generalizada que rapidamente se convertia em picos de audiência e, daí, em ouro, em caixa. Mas os executivos perceberam rapidamente que a Fox já cercara completamente o mercado do público mais conservador; e os super-quase-patriotas da rede MSNBC foram obrigados a tentar outra estratégia.

Keith Olbermann
Essa estratégia emergiu pela voz singular de Keith Olbermann, ex-comentarista de esportes que transformou seu programa “Countdown”, transmitido pela MSNBC, que chegou ao topo de audiência ao mesmo tempo em que crescia a guerra no Iraque, em programa imperdível para os norte-americanos preocupados com o rumo que Bush estava impondo ao país.

Homem de temperamento forte, Olbermann várias vezes deu provas de coragem, desafiando abertamente o governo Bush e a rede Fox News – e provou que seu estilo combativo, embora erudito, podia penetrar também as casamatas do conformismo político que predominava, de meados até o final da década. Todas as noites, Olbermann atacava a falsa versão da “Missão Cumprida” de Bush, contando, dia a dia, o tempo de duração da guerra, mesmo depois daquela declaração ensandecida.

Os índices de audiência, que comprovavam o sucesso crescente do trabalho de Olbermann, convenceram os executivos da rede NBC Universal a aumentar o número de programas progressistas na grade da programação diária, o que converteu a MSNBC em contraponto do noticiário da rede Fox News e expôs, como ocos e irrelevantes, os esforços da CNN para parecer “isenta” e “equilibrada”.

Mas discussões e discordâncias cada vez mais frequentes entre Olbermann e a direção da rede MSNBC levaram Olbermann a demitir-se em janeiro de 2011, mas seu legado permaneceu, duradouro e profundo. Naquele momento, Bush já era universalmente considerado um dos piores presidentes de toda a história dos EUA; e guerra do Iraque já estava definida como trágico fracasso, e a rede MSNBC recebia milhões de preferências dos telespectadores, cansados da escandalosa propaganda da direita, pelo canal Fox; e do ridículo falso “equilíbrio” da rede CNN.

Só depois que Olbermann deixou a rede MSNBC – e depois de a escandalosa máquina de promover guerra de Bush-Rove-Fox já estar em boa parte desmoralizada – é que Gore e o canal Current TV decidiram abandonar o formato “MTV-com-alguma-consciência-social” e optar por programação política mais adulta e densa. O canal Current contratou Olbermann para dirigir o setor de jornalismo e noticiário e para dar continuidade ao seu programa, mas rapidamente a proposta esvaziou-se, por causa da produção pobre e dos valores políticos capengas de toda a rede; em março de 2012, Olbermann deixou a rede Current.

A dura e inescapável verdade sobre o canal de televisão que Gore criou, Current TV, é que deixou passar o momento histórico e, assim, perdeu a oportunidade de oferecer comunicação comercial e de massa que realmente operasse a favor de melhor futuro político para os EUA. Gore e sua rede supuseram que estariam fazendo algum bem à sociedade por não atacar empenhadamente as forças que atuavam então exclusivamente para esmagar qualquer pensamento político progressista e o próprio espírito democrático nos EUA.

A ideia foi que a rede se afastaria da “sujeira” do mundo político, tanto em termos políticos quanto em termos geográficos, instalando-se o mais longe possível de Washington, dando destaque ao belo e ao positivo, não ao feio e ao negativo.

Difícil imaginar erro mais grosseiro, de planejamento e de cálculo; ou fracasso político mais completo; ou mais total manifestação de covardia política; ou manifestação mais indiscutível de incapacidade de conceber negócio decente e lucrativo no campo da comunicação de massa. A rede Current TV está sumindo da paisagem midiática nos EUA, sem ter feito coisa alguma do que se propôs a fazer. Poucos, de fato, sabem do fim da empresa; e poucos lamentam.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

EUA-2012: “O implacável espancamento da democracia”


7/11/2012, Robert Parry, Consortium News
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Robert Parry
Afinal, depois de quatro anos de longo suplício, o povo norte-americano rejeitou a política dos Republicanos, de sequestro e espancamento implacável da democracia. Em vez de recompensar o Velho Grande Partido [orig. Great Old Party, GOP], por fazer “gemer” a economia dos EUA, os eleitores – por margem de quase 3 milhões de votos – reelegeram o presidente Barack Obama.

A estratégia de violência dos Republicanos começou no dia em que Obama tomou posse, dia 20/1/2009. O plano sempre foi deslegitimar, denegrir e destruir o primeiro presidente negro dos EUA. Fracassou, porque os jovens, os negros, os hispânicos e outras minorias uniram-se na luta para defender o candidato que elegeram; compareceram às urnas em grandes números e nunca cederam.

Em 2012, o presidente Obama perdeu votos entre os brancos (mais brancos votaram nos Republicanos, que em 2008), mas outras minorias demográficas, entre as quais as mulheres, votaram mais massivamente na reeleição que na eleição de Obama.

Ao fazê-los, os eleitores não só rejeitaram o projeto dos Republicanos de usar a economia dos EUA como refém (obstruindo todas as propostas que Obama encaminhou ao Congresso e forçando uma crise que levou ao rebaixamento do crédito dos EUA no ano passado), mas, também, reagiram contra os esforços dos Republicanos de suprimir o voto de milhões de eleitores. Além disso, também neutralizaram o ataque – de violência sem precedentes – da campanha conduzida pela televisão e que rendeu centenas de milhões de dólares às redes comerciais, dinheiro o qual foi injetado na campanha por bilionários pró-Republicanos.

Por tudo isso, a noite das eleições presidenciais foi grande noite para a democracia norte-americana. Os eleitores conseguiram resistir à mais violenta ofensiva conduzida pelos plutocratas e pela televisão, na história moderna dos EUA. Resistiram e deram o troco. Além da reeleição de Obama, os Democratas de fato ganharam assentos no Senado dos EUA (contrariando as expectativas de que poderiam perder a maioria).

Os Republicanos conservaram a maioria que tinham na Câmara de Representantes – beneficiaram-se da nova redivisão em distritos, em muitos estados controlados por governadores e Assembleias estaduais Republicanos – mas, depois de encerradas algumas eleições ainda não decididas, a maioria Republicana se verá menor do que antes.

A Grande Pergunta

Eisenhower
A grande pergunta do dia, portanto, depois desse fracasso dos Republicanos, é se a derrota levará a algum tipo de exame de consciência que faça os Republicanos olharem-se no espelho e começarem a se reconstituir, em busca de uma imagem de partido de empresários sérios e mais responsáveis, semelhante à que tiveram nos anos 1950s, na era Eisenhower.

Richard Nixon
Os Republicanos terão aprendido a lição? Repudiarão, afinal, as táticas do vencer a qualquer custo que aprenderam de Richard Nixon, inclusive sua “Southern Strategy” e os apelos nada sutis a sentimentos e ressentimentos racistas e xenofóbicos? Os Republicanos aceitarão os fatos da ciência, em questões cruciais como o aquecimento global – ou continuarão a insistir em fantasias e a fazer o próprio pensamento político depender integralmente de propaganda?

Os Republicanos afinal reconhecerão que a República Norte-Americana foi criada por Fundadores que acolheram o Estado e o Governo como agentes cruciais na construção da nação, e que conceberam a Constituição para criar uma autoridade central com poderes fortes para promover “o bem-estar geral”? Os Fundadores nunca rejeitaram e desdenharam o governo, como faz hoje o Tea Party.

Encontrar respostas a essas questões é tarefa difícil para os Republicanos, os quais não só internalizaram a violência, ao longo dos últimos 40 anos, mas, também, implantaram genes do “não queremos saber de nada” no próprio DNA do partido. Em termos gerais, os Republicanos beneficiaram-se dessa abordagem. Não é fácil abandonar táticas que tenham dado resultado.

E há também a considerar a realidade da massiva infraestrutura da imprensa-empresa de direita, jornalistas, editores, colunistas, think-tanks mercenários e grupos de ataque organizados como gangues – os quais, todos, tem fortes interesses investidos na manutenção do status quo.

Ainda que alguns líderes dos conservadores possam ter algum desejo ou interesse em mudar a rota, teriam de enfrentar diretamente inúmeros jornalistas e comunicadores, que operam pelas televisões comerciais como propagandistas entrincheirados (falo dos Rush Limbaugh, Glenn Beck e da rede Fox News), todos a postos, desde já, para denunciar como traidores quaisquer conservadores que deem sinal de interessar-se por atitude mais responsável.

Nesse quadro, ante a perspectiva de guerra quase inevitável, o Partido Republicano pode bem optar por manter a mesma linha de atuação; continuarão, assim, a trabalhar para consolidar o voto dos brancos e para legislar na direção de suprimir o voto de outros grupos étnicos, investindo simultaneamente cada vez mais em propaganda, para estabelecer confusão ampla, geral e irrestrita na opinião pública, para perseverar nas táticas de obstrução de votações.

Mas a dura realidade com a qual os Republicanos têm hoje de conviver é que aquelas táticas velhas não deram certo em 2012. Os Republicanos fizeram refém a economia dos EUA e disseram, pela imprensa-empresa, que a única salvação, para os eleitores, seria eleger Mitt Romney e, dali em diante, obedecer servilmente a um Congresso Republicano.

Hoje já se viu que mais de 60 milhões de eleitores reelegeram o presidente Obama e declararam que o Partido Republicano dos EUA é blefe.