Mostrando postagens com marcador Iran Air 655. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Iran Air 655. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Putin: a hora do revide

20/7/2014, [*] MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O passarinho acordou cedo...
Passarinho que acorda cedo pega a minhoca dormindo, e alguém que, como o presidente dos EUA Barack Obama foi criado nos trópicos do Havaí e da Indonésia, deveria saber disso melhor que seu “parceiro” russo, Vladimir Putin, homem de Leningrado. Mas a alacridade com que Obama pôs-se a cantar, na guerra de propaganda contra Moscou por causa da Ucrânia, quase faz parecer que Obama já estivesse à espera que aquela tragédia horrível acontecesse. Até agora, Obama ainda não conversou com Putin pelo telefone – nem mesmo para se informar sobre os fatos mais elementares. 

É perfeitamente diferente do que fizeram a chanceler alemã Angela Merkel e os dois estadistas mais afetados na tragédia do malsinado avião malaio – o primeiro-ministro holandês Mark Rutte e o primeiro-ministro malaio Najib Razak. Rutte, na verdade, já discutiu a tragédia duas vezes com Putin; e ambos concordaram, seguindo sugestão de Putin, com iniciar imediatamente “investigação independente, aberta e justa” sobre o trágico evento em Donetsk, a ser coordenada pela Organização Internacional de Aviação Civil, com a participação de “todas as partes envolvidas”; e, para tanto, propor “um cessar-fogo imediato e incondicional” no leste da Ucrânia.

Vladimir Putin e Mark Rutte 
Será que Obama também concordará com essa abordagem? Até aqui, Merkel e Razak concordaram prontamente com Putin. Mas o problema é que cessar-fogo na Ucrânia é o que menos Obama quer – o vice-presidente Joe Biden não faz outra coisa, senão pressionar o presidente Petro Poroskenko para que ataque com fúria a tal região rebelde de Donetsk, de modo que a região alcance logo o ponto de ruptura, sem volta, nas relações entre Rússia e Europa, já muito precárias.

É verdade que Moscou perdeu para Washington a guerra de propaganda. Washington está completamente de volta aos tempos de Guerra Fria. Os EUA sempre estiveram quilômetros à frente da União Soviética na caça à minhoca que dorme da propaganda – na crise dos mísseis cubanos, no Afeganistão ou em Dr. Jivago de Boris Pasternak.

Minha opinião é que a Rússia tem culpa nisso. É o que acontece em casa dividida. Já é bem visível para qualquer observador de longo prazo, que Moscou está sendo puxada simultaneamente em direções opostas por chamados “ocidentalistas” e chamados “orientalistas” (e os “orientalistas” ultimamente, “na encolha”). A crise da Ucrânia teria de servir como sinal de alerta.

O caso é que a história não acabou, e a Rússia não pode, nem jamais poderá ser parte do mundo ocidental. A Rússia é grande demais e diferente demais e poderosa demais e inadministrável demais. A presença da Rússia na tenda europeia desafia a liderança trans-Atlântica dos EUA e questiona a própria razão de ser da OTAN e, de fato, faz sumir até o euro-atlanticismo como o leitmotif das estratégias globais dos EUA.

Vladimir Putin e Nagib Razak
É hora de os “ocidentalistas” que haja nas elites de Moscou se aperceberem de que estão vivendo um sonho cachimbado. Não há precedente de os EUA, em tempo algum, terem jamais tratado qualquer outro país – nem a Grã-Bretanha – em pés de igualdade. Assim sendo, o destino da Rússia é ditado pela necessidade de consolidar a própria posição como player global independente. A Rússia tem capacidade para fazer isso, mas, infelizmente, nem sempre tem suficientes desejo de e interesse em discernir com precisão quem é seu potencial aliado e quem não é.

É o que faz, do telefonema do presidente do Irã, Hassan Rouhani para o presidente Putin, ontem, o mais esplendoroso dos eventos, para quem observe a Rússia. Claro que Rouhani não mencionou a Ucrânia. Surpresa seria, se tivesse mencionado.

É momento pungente nas relações Irã-Rússia. O Kremlin cooperou com o governo Obama no espírito do hoje já mal-afamado, infame “reset” EUA-Rússia, para bater os pregos no caixão do Irã e isolá-lo, num momento em que o país estava encurralado, de costas contra a parede. Claro: eram tempos em que os “ocidentalistas” em Moscou comandavam o minueto, viviam inchados de autoconfiança de que estavam “acertando as coisas” com Obama, mastigando cachorros-quentes e fazendo circular o Qi-vital em ondas de Coca-Cola. Todo o planeta parecia uma lanchonete de burgers. 

Agora a roda completou a volta. O “reset” aí está, desmascarado como piada macabra que o governo Obama aplicou àquela gente do Kremlin. E a ironia mãe de todas as ironias é que a Rússia hoje está sendo ameaçada por uma avalanche de sanções, pelos EUA, se não se comportar bem no caso da Ucrânia. É como o Irã era ameaçado até o ano passado.

Vladimir Putin e Hassan Rouhani
E, é, Rouhani não falou de Ucrânia com Putin. Mas deixou muito com que Moscou nutrir o pensamento. O ponto é que, só por se mostrar amiga sincera e parceira estratégica do Irã nesse ponto dos acontecimentos, quando as conversas EUA-Irã estão tão bem paradas, Moscou pode virar a mesa sobre Washington e atingir os guerreiros da guerra fria no ponto em que mais lhes dói.

É bem visível que a mão dos EUA está enfraquecendo em relação a Teerã. Não é possível voltar ao marco zero (ao ponto de antes de as conversações terem começado); ataque militar ao Irã não é exequível; se as conversações fracassarem, Teerã reiniciará seu programa nuclear a pleno vapor, como melhor entenda. Para resumir: o Irã furou o cerco em que os EUA o mantiveram preso. Esse é o significado de o prazo final para o acordo nuclear com o Irã ter sido estendido para além do 20/7/2014. É isso. Ponto. Parágrafo.

Agora, a Rússia pode picar em pedacinhos e jogar na lata de lixo o sistema de sanções dos EUA contra o Irã. Basta simplesmente expandir em toda sua enorme capacidade as relações com aquele país — pode ser no campo da energia ou da cooperação de defesa. Afinal de contas a única coisa que a Rússia prega é que só se apliquem sanções da ONU. Dito em palavras mais simples, é só pôr em prática o que Moscou prega.

Além do mais, será fazer a coisa certa também do ponto de vista dos negócios: chegar a Teerã antes das empresas norte-americanas.

Dito de outro modo, é obrigar os EUA a negociarem em estado de desespero, com um Irã que tenha integral apoio da Rússia. E a Rússia não estará em confronto com os EUA; estará simplesmente aprofundando e ampliando relações com país amigo.

Iran Air voo 655 derrubado pelos EUA
(clique na imagem para aumentar)
O resumo de tudo é que os iranianos farão os norte-americanos suarem, e recuperarão o dinheiro iraniano. De modo algum Teerã desistirá do seu gigantesco patrimônio de centenas de bilhões de dólares que os EUA confiscaram logo depois da queda do Xá; foi assalto de gangue de beira-de-estrada. Nem o Irã jamais esquecerá que os norte-americanos derrubaram deliberadamente um avião iraniano de passageiros em 1988 – sabendo perfeitamente que se tratava de avião civil – e mataram 300 passageiros.

Meu primeiro contato com o Irã, como diplomata de carreira aconteceu em 1989. Estive tantas vezes naquele país, que perdi a conta. Se bem conheço o meu Irã, posso dizer o seguinte: Rouhani telefonou a Putin para definir a política mundial contemporânea.



[*] MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Oriente Médio, Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de geopolítica, de energia e de segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Ásia Times Online, Al Jazeera, Counterpunch, Information Clearing House e muitas outras. Anima o blog Indian Punchline no sítio Rediff BLOGS. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala, Índia.

domingo, 20 de julho de 2014

Pepe Escobar: Míssil de Putin?

19/7/2014, [*] Pepe Escobar, RT – Russia Today
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Destroços do MH17 - Malaysia Airlines
Eis o veredicto da boataria de guerra: a mais recente tragédia da Malaysia Airlines (a segunda em quatro meses) é “terrorismo” perpetrado por “separatistas pró-Rússia” armados pela Rússia, e Putin é o principal culpado. Acabou-se a história. Quem tenha ideia diferente dessa, que cale a boca.

Por quê? Porque sim. Porque a CIA disse. Porque a Hilária “Nós viemos, nós vimos, ele morreu” Clinton disse. Porque a doida Samantha ‘'Responsabilidade de Bombardear para Proteger'’ Power disse – trovejando na ONU, tudo devidamente impresso pelo Washington Post infestado de neoconservadores.

Porque a empresa-imprensa anglo-americana – da CNN à Fox (que tentou comprar a Time Warner, que pertence à CNN) – disse. Porque o Presidente dos EUA (PEUA) disse. E principalmente, sobretudo, porque Kiev vociferou, em primeiro lugar.

E lá estavam todos eles, em fila – as resmas de invariavelmente histéricos “especialistas” da “comunidade de inteligência dos EUA” literalmente espumando pela boca contra a maléfica Rússia, o ainda mais maléfico Putin; os “especialistas” de inteligência, aqueles, que não viram um comboio de coruscantes picapes Toyota brancas atravessando o deserto iraquiano para tomar Mosul. Esses, aliás, já sentenciaram: ninguém mais precisa examinar prova alguma. Nada e nada. O mistério do voo MH17 está resolvido.

Boeing 777-200 - Malaysia Airlines
Pouco importa que o presidente Putin tenha dito que a tragédia do MH17 ainda tem de ser investigada objetivamente. E “objetivamente”, é claro, não inclui aquela “comunidade internacional” ficcional que Washington concebeu – aquela congregação de vassalos/sabujos curváveis.

E sobre Carlos?!

Pesquisa rápida já mostra que o voo MH17 estava deslocado, 200km para o norte, distante da rota habitual da Malaysian Airlines nos dias anteriores – dirigido bem para o centro de uma zona de guerra. Por quê? Que tipo de comunicação o MH17 recebeu da torre de controle aéreo de Kiev?

Kiev não disse uma palavra sobre isso. Mas a resposta seria simples, se Kiev tivesse distribuído as gravações dos contatos entre a torre e o vôo MH17; aMalaysia distribuiu exatamente essas gravações, depois que o vôo MH370 desapareceu para sempre.

Essas gravações nunca aparecerão. O serviço secreto da Ucrânia (SBU) confiscou essas gravações. Sem elas, não há como saber por que o vôo MH17estava fora da rota e o que os pilotos disseram antes da explosão.

Buk 9K37  do exército da Ucrânia
O ministro da Defesa da Rússia, por sua vez, confirmou que havia uma bateria Buk antiaérea controlada por Kiev e operacional, próxima da área onde caiu o MH17. Kiev havia distribuído vários sistemas de mísseis Buk terra-ar, com pelo menos 27 lançadores; todos perfeitamente capazes de derrubar jatos a 33 mil pés (10.000 m aprox.) de altura.

Militares russos detectaram radiação de um radar Kupol, como parte de uma bateria Buk-M1 perto de Styla [vila ao sul, a cerca de 30 km de Donetsk].Segundo o ministério, o radar poderia estar transmitindo informações de rastreamento para outra bateria que estava a distância de tiro da rota do vooMH17.

O radar de um sistema Buk rastreia um máximo de 80km. O MH17 voava à velocidade de 500 mph. Assim, assumindo-se que os “rebeldes” teriam um Buk operacional e o usaram, não teriam mais de cinco minutos para rastrear todo o céu acima deles, todas as altitudes possíveis, e fazer a mira. Naquele momento, saberiam que nenhum cargueiro poderia voar naquela altitude.

Em FINAL – Part II: Evidence Continues to Emerge #MH17 Is a False Flag Operation encontram-se muitas evidências que apoiam a hipótese de que tenha sido atentado forjado sob falsa bandeira.

E há também a história, mais estranha a cada minuto que passa, de Carlos, espanhol, controlador de tráfego aéreo de serviço na torre de Kiev, que estava acompanhando o vôo MH17 em tempo real. Para muitos, Carlos é personagem real e autêntico, não é forjado; para outros, nunca nem trabalhou na Ucrânia. Fato é que tuitou feito doido. Sua conta na empresa Tweeter foi apagada – não por acaso –, e ele sumiu. Seus amigos estão agora desesperadamente à sua procura. Ainda consegui ler todos os tuítos dele, em espanhol, enquanto a conta ainda estava ativa. Agora, já se encontram cópias das mensagens que distribuiu e traduções para o inglês.

Presidente Vladimir Putin 
(Foto: Alexei Nikolsky)
Aqui, reproduzo alguns dos tuítos mais importantes:

“O B777 estava escoltado por dois jatos ucranianos de combate minutos antes de desaparecer do radar (5.48pm)”

“Se as autoridades em Kiev querem admitir a verdade, dois jatos de combate voavam muito perto minutos antes do incidente, mas não derrubaram a aeronave  (5.54)”

“Imediatamente depois de o B777 da Malaysia Airlines desaparecer, autoridades militares de Kiev nos informaram sobre o avião derrubado. Como sabiam? (6.00)”

"Tudo foi gravado no radar. Para os que não acreditem: foi derrubado por Kiev;  nós sabemos aqui [na torre de controle] e o controle militar do tráfego aéreo também sabe (7.14)”

“O Ministério do Interior sabia que havia aviões de combate na área, mas o Ministério da Defesa não (7.15)”

“Os militares confirmaram que foi a Ucrânia, mas não se sabe de onde veio a ordem (7.31)”

A avaliação de Carlos (lê-se compilação parcial de seus tuítos em: FINAL – Spanish Air Controller @ Kiev Borispol Airport: Ukraine Military Shot Down Boeing #MH17) é bem clara: o míssil foi lançado por militares ucranianos por ordem do ministério do Interior – NÃO do Ministério da Defesa. Assuntos de segurança, no ministério do Interior estão sob comando de Andrey Paruby, que trabalhava bem perto dos neoconservadores dos EUA e dos neonazistas do Banderastão na Praça Maidan.

Assumindo-se que Carlos exista e seja quem diz ser, sua avaliação faz perfeito sentido.Os militares ucranianos estão divididos entre o rei do chocolate [presidente Petro] Poroshenko – que quer uma détente com a Rússia, essencialmente para promover os interesses sombrios dos próprios negócios – e Santa Yulia Tymoshenko, que é bem conhecida por pregar o genocício dos russos étnicos no leste da Ucrânia.

Neoconservadores e “conselheiros militares” dos EUA em campo na Ucrânia, como já se sabe, estão subindo as apostas, apoiando simultaneamente os grupos de Poroshenko e de Tymoshenko.

                    Yulia Timoshenko                 Petro Poroshenko                                               
Assim sendo... a quem interessa?

A questão chave permanece, é claro: cui bono? Só descerebrados terminais acreditariam que derrubar um avião de passageiros beneficiaria os federalistas no leste da Ucrânia, para nem pensar no Kremlin, que absolutamente nada teria a ganhar.

Quanto a Kiev, teriam os meios, o motivo e a janela de oportunidade – especialmente depois que os neofascistas de Kiev foram efetivamente derrotados e já estavam em retirada no Donbass. E isso depois que Kiev insistiu em bombardear a população do leste da Ucrânia, mesmo de longe e de cima. Não surpreende que os federalistas tivessem de se defender.

E há também o timing, muito muito suspeito. A tragédia do MH17 acontece dois dias depois de os BRICS anunciarem o antídoto contra o FMI e o Banco Mundial, deixando ao largo, longe, o dólar norte-americano. E exatamente quando Israel avança “cautelosamente” em sua nova invasão/limpeza étnica em câmera lenta, em Gaza. A Malásia, por falar nisso, é sede da Comissão de Crimes de Guerra Kuala Lumpur – comissão que condenou Israel por crimes contra a humanidade.

Washington, é claro, sim, se beneficia. O que o Império do Caos consegue, nesse caso, é um cessar-fogo (e as gangues neonazistas de Kiev, que estão sendo fragorosamente derrotadas, poderão ser reabastecidas); ganham novo alento para a campanha de demonizar os ucranianos do leste como “m terroristas” (como Kiev, ao estilo Dick Cheney, sempre quis); e passam a lançar quantidades ilimitadas de lama sobre a Rússia e, especialmente, sobre Putin, até se acabar o mundo. Não é pouco ganho, para servicinho de minutos. Quanto à OTAN... É Natal em julho.

Daqui em diante, tudo depende da inteligência russa. Já estavam vigiando e rastreando tudo que acontecia na Ucrânia, 24 horas por dia, sete dias por semana. Nas próximas 72 horas, depois de examinar os muitos dados de rastreamento, com telemetria, radar e rastreamento por satélite, os russos saberão exatamente que tipo de míssil foi lançado, de onde, e terão também as comunicações da bateria que lançou o míssil. E terão acesso a todas as provas recolhidas na cena do crime.

WTC - 11/9/2001
Diferente de Washington – que sempre já sabe tudo antes, mesmo sem investigar nada (lembram-se do 11/9?) – Moscou precisa de tempo para obter os fatos jornalísticos básicos (o quê, onde, quem?) e começar a trabalhar para provar a verdade e/ou desmentir a boataria distribuída por Washington.

Os registros históricos mostram que Washington simplesmente ocultará todas as informações, se comprovarem que seus vassalos em Kiev lançaram um míssil contra avião de passageiros. Os dados de realidade podem apontar para bomba plantada no MH17, ou falha mecânica – embora pareça hoje explicação improvável. Se foi erro terrível cometido pelos rebeldes da Novorrússia, Moscou terá de admitir, relutantemente, que seja. Se foi Kiev, Moscou divulgará e comprovará imediatamente. Aconteça o que acontecer, só há, de garantida, a resposta ocidental histérica de sempre. Foi a Rússia. A culpa é da Rússia.

Putin está mais que certo ao dizer que essa tragédia não teria acontecido se Poroshenko tivesse aceito uma extensão do cessar-fogo, como Merkel, Hollande e Putin tentaram convencê-lo a aceitar, no final de junho. No mínimo, para começar, Kiev já é culpada pelas mortes, porque o governo de Kiev é responsável pela segurança dos voos no espaço aéreo sob seu (teórico, que seja) controle.

Mas tudo se vai esquecendo nas brumas da guerra, tragédia e boataria. Sobre as declarações histéricas de Washington, e sua autoproclamada credibilidade, deixo aqui apenas um número: Iran Air 655. [1]

Nota dos tradutores

[1] 2/7/2012, Samy Adghirni, Folha de S.Paulo em: “Iran Air 655. O dia em que os EUA mataram 290 civis inocentes”:

Um dos mais polêmicos ataques americanos contra civis inocentes ocorreu há exatos 24 anos, no calor da guerra entre o Irã do então aiatolá Khomeini e o Iraque do ditador Saddam Hussein, aliado de Washington. Na manhã de 3/7/1988, um navio de guerra dos EUA disparou dois mísseis contra um Airbus A300 da Iran Air, matando na hora as 290 pessoas a bordo, incluindo 66 crianças. Entre as vítimas havia cidadãos de Irã, Índia e Itália, dentre outros países (...)
Iran Air 655 
(clique na imagem para aumentar)

[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como: Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire, Counterpunch e outros; é correspondente/ articulista das redesRussia Today,The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan,  Nimble Books, 2009.