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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Grécia é alvo móvel



O Primeiro-Ministro Tsipras informa que, se os gregos votarem “sim” – pelo programa de “austeridade” [é ARROCHO], ele talvez renuncie – o que é tudo que o hegemon mais quer: a chamada “mudança de regime”.

30/6/2015, [*] Peter Koenig, Veterans News Now
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
A Grécia é alvo móvel. Mais um pacote de “resgate” estará a caminho? Em negociação no momento em que essas linhas estão sendo impressas? Ato de desespero? – Confuso, sem dúvida – para os eleitores, para os observadores, mas especialmente para o grego sofredor de todos os dias. As coisas mudam quase de hora em hora.
Alexis Tsipras, Primeiro-Ministro da Grécia

Grécia será oficialmente devedora inadimplente (orig. in default [1]), se não fizer o pagamento de € 1,6 bilhões devido ao FMI, à meia-noite em Washington, 7h em Atenas. Parece que alguma coisa de última hora, negociada com Bruxelas, para um novo programa de resgate para mais dois anos, teria sido proposta por Atenas. Não se falou em quantia de dinheiro – nem se conhecem as “austeridades” que a Grécia teria de aceitar, ou nas quais insiste a Troika.

Manifestação em Atenas pelo "NÃO"

Talvez, mais dívidas. Há um referendo marcado para 5 de julho de 2015. Os gregos votarão a favor ou contra – o programa de arrocho do “resgate” “de antes”, de 7,2 bilhões, que Bruxelas não está pagando a Atenas, por que Atenas não pagou o que teria de ter sido pago antes... Mas “resgate” do qual já ninguém cogita, no caso de algum novo “resgate” vir a luz do dia, dia 1/7/2015 – ou tudo isso, quem sabe, é a favor ou contra o euro? E será votação muito apertada.
O povo grego pode hoje sacar € 60/dia nos caixas de autoatendimento – que em breve poderão ser reduzidos talvez a € 30/dia – e até quando? –, e não tem ideia do que está acontecendo. Quais são as novas “austeridades” nas quais Bruxelas – a troika – tanto insiste.



Não há nenhum tipo de campanha de informação sobre as tais “austeridades”. Devia haver. O povo grego pode acabar votando algo que já nem fará qualquer diferença – se algum novo pacote de resgate for negociado até a meia noite do dia 30/6/2015 [não foi], ou até 5 /7/2015.
Assessores do Sr. Tsipras já deixaram entrever que o referendum pode ser cancelado integralmente. Mas, no mesmo parágrafo, o Ministro Tsipras informou que, se os gregos votarem “sim” – a favor das “austeridades”, ele provavelmente renunciará. E isso, precisamente, pode ser a “mudança de regime” que o hegemon tanto quer. Nesse caso, o Ministro Tsipras terá feito acontecer integralmente, todo o duplo sonho de Washington: capitulação sem honra do Partido Syriza e, praticamente com certeza, mais um governo neoliberal por lá. Uaau!
Mas, calma aí. Como poderia ele renunciar, se está querendo negociar com os Deuses do Dinheiro ainda outras novas dívidas? Dívidas que se pode assumir que o povo grego deseja, não importa o que sejam ou quanto custem – posto que todos parecem desejar permanecer na Eurozona.
Protestos em frente ao Parlamento pró "NÃO"

A Grécia está dividida entre os do “sim” e os do “não”, entre os que ainda apoiam Alexis Tsipras, e os que estão perdendo a paciência.
A manifestação a favor do "SIM" foi insignificante

Por que o Ministro Tsipras só apareceu com a ideia do referendum cinco dias depois da data em que venceram aqueles impagáveis € 1,6 bilhão? Por que não antes da data conhecida de 30/6/2015?
Na verdade, se Bruxelas, se na verdade a notória troika, não muda a própria posição – como agora parece que talvez mude – o referendo pode tornar-se irrelevante, de um jeito ou do outro – não haverá mais dinheiro, nem mais “austeridade” além da “austeridade” que já faz sangrar a Grécia, e assim a deixará, até morrer.
Será que o Ministro Tsipras sabe que Vladimir Putin – de fato, é a Gazpromacaba de fechar negócio máster com a Alemanha, para um gasoduto “Ramo Norte” que entrará diretamente na Alemanha, escapando não só da Ucrânia, mas também de todos os demais países da OTAN hostis à Rússia?
Situação político-militar na Eurásia

Com o projeto Ramo Sul através de Turquia e Grécia, a Europa pode ter supridas todas as suas demandas de energia por todo o futuro perscrutável: e esse é futuro muito mais brilhante, que esperar que Washington encontre solução alternativa, enquanto vai colonizando a Europa.

O gasoduto Ramo Sul foi substituído pelo Ramo Turco - atenderá a Europa via Grécia

Está tudo escrito na parede – mais claro que nunca. Pois o Ministro Tsipras está pronto a cometer suicídio, agarrado a sistema decadente, a navio que está naufragando? Por quê? Pelo menos por enquanto, não há dúvida alguma de que o futuro, para a Grécia e para a Europa, está com o leste. Pelo menos agora.
Ver também:
Ministro Tsipras, dê uma folga aos seus concidadãos! Ofereça-lhes um recomeço e um futuro brilhante.
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Nota dos tradutores
[1] “Default” é palavra horrorosa. Soa como se alguma coisa estivesse disparando um golpe de CDS – Credit Default Swap. Será que não se consegue palavra melhor? Talvez “inadequado serviço da dívida” ou, quem sabe, “aprimoramento fiscal competitivo”? Diabo! Já destruímos o significado de praticamente todas as palavras... Onde estão os inventadores de palavras, p’ra dar um jeito em default? [Zero Hedge, Comentários, 30/6/2015 (ing.)].

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[*] Peter Koenig é economista e foi funcionário do Banco Mundial. Trabalhou em todo o mundo, no campo do meio ambiente e recursos hídricos. Escreve regularmente para Global Research, ICH, Voice of Russia, Ria Novosti e outras páginas internet. É autor de Implosion – An Economic Thriller about War, Environmental Destruction and Corporate Greed romance-reportagem baseado em 30 anos de experiências do Banco Mundial em todo o mundo.

domingo, 23 de novembro de 2014

Observações sobre o que disse o presidente Putin: “Os EUA que não se intrometam nos negócios da Rússia”

22/11/2014, [*] Peter Koenig, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Vladimir Putin, Presidente da Rússia
Press TV noticia, em matéria de 22/11/2014, que o presidente Putin, falando num fórum da Frente de Povos de Toda a Rússia, em Moscou, dia 17/11/2014, disse que:

Eles [os EUA] querem nos submeter, querem resolver os problemas deles, à nossa custa. Ninguém, na história, jamais conseguiu submeter a Rússia e ninguém jamais conseguirá.

Não há aí qualquer exagero. A Rússia não tem só uma sólida aliança monetária e comercial com a China, que já deixou para trás o sistema ocidental dominado pelo dólar ocidental; a Rússia é também um dos países chaves dos BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai [orig. Shanghai Cooperation Organization (SCO)] que se reuniu em setembro passado em Dushanbe, Tadjiquistão, para ampliar o número de membros (China, Rússia, Cazaquistão, Tadjiquistão e Uzbequistão) e incluir Índia, Paquistão, Irã e muito provavelmente também a Mongólia. A Turquia, que abriga uma base crucialmente estratégica da OTAN e vacila entre o ocidente e o oriente, aspirou durante algum tempo a também se integrar à OCX. Países falantes de turco e que já são membros da OCX apoiariam provavelmente a demanda da Turquia, o que criaria vasto conflito e seria rude golpe contra as potências ocidentais, especialmente Washington – e dificilmente passariam sem “receber castigo”.

Essa OCX expandida controlaria cerca de 20% do petróleo do mundo e metade das reservas globais de gás. Além do mais, o bloco reuniria cerca de metade da população mundial. A OCX e os BRICS juntos cobrem mais de metade da população mundial e controlam 1/3 do PIB total mundial.

OCX - Organização de Cooperação de Xangai (SCO)
O lançamento de uma nova moeda global comum por esses países, seja imediatamente, de uma só vez, seja passo a passo, já é certeza. A questão é quando. Dado o curso desastroso das economias ocidentais, essa nova moeda e respectivo novo sistema monetário não podem ser providências muito demoradas. A nova moeda substituirá gradualmente o (petro)dólar no comércio mundial, e também como moeda de reserva. Esse último processo já começou. Há uma década, cerca de 90% das reservas mundiais eram securities denominadas em dólar. Hoje, essa proporção já encolheu para 60% e – apesar de a maioria dos seres humanos não terem nem ideia disso – continua consistentemente a encolher.

Segundo o FMI, as reservas em outras moedas nos mercados emergentes encolheram para cerca de ¼ do que eram em 2003. De agosto de 2013 até fevereiro de 2014, a Coreia do Sul multiplicou por 25 suas reservas em yuan.

Significa que as palavras aparentemente “duras” do presidente Putin encontram sólida base em fatos. O sistema ocidental predatório está se desmontando rapidamente. Rússia e China já estão, hoje, preparadas com um sistema alternativo. Trabalham ativamente com os outros países BRICS e da OCX para construir sistema monetário alternativo, em sólida maior escala, livre do FED, de Wall Street, do FMI e do Banco Internacional de Compensações [orig. Bank for International Settlements, BIS).
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Epidemias e pandemias

Em outro campo, aparentemente sem relação com o que se discutiu acima, está emergindo fenômeno novo. Desde o início parece nada ter a ver com a disputa ente leste e oeste pelo poder econômico. Mas absolutamente não é fenômeno não conectado à fracassada economia ocidental.

Fala aqui da ameaça de pandemias mortais que parecem emergir todas ao mesmo tempo – e todas sob o controle da ONU e de seu braço especializado, a Organização Mundial da Saúde (OMS), constituída, assistida e aconselhada por várias empresas fabricantes de medicamentos, cuja atividade dentro da OMS é também ignorada pela opinião pública mundial. Quase todas as epidemias, potencialmente pandêmicas, começaram na África, onde estão hoje cerca de 60% dos recursos naturais não renováveis do planeta – recursos que são empenhadamente buscados, para o próprio conforto e bem-estar, pelas elites que governam os hemisférios ocidental e norte.

África - Mapa do Ebola (outubro de 2014)
O ebola reapareceu há alguns meses na África Ocidental – Libéria, Sierra Leone, Guiné e, na sequência, disseminou-se para o Mali e a Nigéria. Ebola não é doença nova. Desde os anos setenta há casos observados e registrados na África Central, ex-Zaire. A OMS conhece antídotos e vacinas. Mas o Departamento de Defesa dos EUA – o qual, por falar dele, mantém um programa de pesquisas de armas para guerra biológica – contratou um laboratório canadense há dois anos, para testar e desenvolver uma vacina contra o ebola, em hospitais especialmente construídos para esse fim na Libéria e em Sierra Leone. Desde o início do novo surto de ebola em julho de 2014, já teriam morrido mais de 5 mil pessoas, segundo a OMS.

Há alguns dias, circulou a notícia, distribuída pela OMS, de outra epidemia, em Madagascar, que já provocara 40 mortes desde agosto de 2014. – A peste bubônica, também chamada Peste Negra, era considerada extinta, depois de ter dizimado 1/3 da população da Europa no século XIV, embora haja notícia de uma forma menos virulenta da doença, que continuaria a existir até hoje. A última notícia de epidemia é de 1904, quando morreram cerca de 3% da população de Bombaim, em momento em que ainda não havia antídotos. A versão que se encontra hoje pode, ao que se sabe, ser combatida bem facilmente com antibióticos e pesticidas. Assim sendo, por que continuaria a matar pessoas em Madagascar? E por que as notícias só apareceram agora?

Há algumas semanas, o vírus da febre aviária, o mortal H5N1, foi novamente encontrado nos Países Baixos, na Alemanha e no Reino Unido. De sete casos recentemente notificados dessa febre aviária no Egito, dois doentes morreram. Em 2009, graças a um falso alarme distribuído pela OMS, a Europa comprou centenas de milhares de doses de vacina anti-H5N1 – o que foi como ganhar na loteria para as gigantes da indústria farmacêutica – escândalo que maculou profundamente a imagem da OMS. Em alguns países, dentre os quais a Suíça, pessoas que não manifestavam qualquer sintoma de resfriado foram praticamente forçadas a vacinar-se. [1]

Tratamento da AIDS
A epidemia de AIDS (em português SIDA, Síndrome Da Imunodeficiência Adquirida), doença causada pelo vírus HIV – também criado como experimento do Pentágono para a guerra biológica – eclodiu nos anos 1980s, também na África, de onde se teria disseminado para o Haiti, de onde teria sido “importada” para os EUA e para o resto do mundo. Hoje, embora permaneça incurável, a doença já pode ser controlada. Mas uma nova cepa do mesmo vírus sempre poderá ser facilmente criada, para tornar impotentes as drogas que se usam hoje.

Tudo isso obriga a pensar em esforço organizado e concentrado, pela elite do poder, para

(I) manter paralisadas as populações; e justificar a aplicação de leis marciais (e na maioria das vezes de lei-zero) para sufocar quaisquer levantes potenciais, por exemplo contra uma nova onda de assalto/roubo organizado pela ganância da predatória elite econômica ocidental; e
(II) para ajudar a gradualmente reduzir a população mundial – alvo que a elite ocidental busca alcançar desde o final da IIª Guerra Mundial – e também um dos objetivos chaves do Grupo Bilderberg, como já se ouviu anunciado por várias figuras do poder como, dentre outras, Bill Gates e, várias vezes, também por Henry Kissinger, muito provavelmente o pior criminoso de guerra ainda vivo no mundo.

Alguns doentes podem ser facilmente postos sob quarentena por Ordem Executiva assinada pelo presidente, sob o pretexto de que a quarentena dos doentes protegeria a população em geral – e aquelas pessoas podem receber vacinas e antídotos desenvolvidos clandestinamente como parte do programa de guerra biológica – para proteger a elite – com outros medicamentos destinados ao público em grande escala, provavelmente já distribuídos junto com a própria doença que se supõem que devessem evitar. Uma vez que Washington dê a ordem, por exemplo, de vacinação obrigatória, ou de lei marcial – os lacaios europeus simplesmente obedecerão; é modo fácil para manter as populações sob controle, ao mesmo tempo que o sistema financeiro ocidental corre para o seu objetivo final: depredar, pôr abaixo, reduzir a ruínas o que reste das redes de proteção social, de saúde pública e as poupanças públicas.

Guerra biológica
Mais uma vez – no cenário da economia ocidental em cacos e das ameaças das pandemias construídas contra os pobres do mundo – as palavras duras do presidente Putin contra os EUA, aquele seu grito de “não se metam com a Rússia” – são sinal bem claro para que Washington não se atreva, para que reconsidere seus “planos” contra uma Rússia (e uma China) já vigilantes, no momento em que a única realidade que se vê no horizonte é o iminente colapso do sistema monetário ocidental; e já atentos, também, ao jogo sujíssimo das ameaças massivas de guerra militar e biológica no qual o ocidente ainda insiste.

É ideia que merece um segundo de atenção? Claro que merece. Como também merece divulgação massiva, para que as pessoas tenham os meios para ligar todos os pontos.
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Nota dos tradutores

Irresponsável
[1] Escândalo semelhante verificou-se no Brasil, onde uma colunista irresponsável da Folha de S.Paulo, Eliane Cantanhêde (hoje no canal GNT afiliado da Rede Globo) disseminou o mais absoluto pânico, sobre uma fantasiada epidemia de febre amarela que estaria fora de controle no Brasil. O mais desavergonhado movimento dessa campanha criminosa foi uma coluna pressuposta “jornalística”, assinada por aquela colunista, que a FSP publicou dia 09/01/2008, sob o título Alerta Amarelo. Por causa do pânico gerado por essa coluna, as pessoas, mal informadas, puseram-se alucinadamente a vacinar-se contra a febre amarela e houve várias mortes por efeito de vacinação excessiva (detalhes em Surto que não houve e mortes por vacinação desnecessária).
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[*] Peter Koenig é economista e analista de geopolítica. Trabalhou no Banco Mundial e por todo o mundo, em pesquisas sobre ambiente e recursos hídricos. Escreve regularmente para Global Research, Information Clearing House, Voice of Rússia (hoje Ria Novosti), The Vineyard of the Saker Blog, e para outras páginas de internet. É autor de Implosion – Thriller econômico sobre guerra, destruição do meio ambiente e ganância das corporações, ficção baseada em fatos dos quais teve conhecimento nos seus 30 anos de trabalho no Banco Mundial. (Há excelente entrevista com Peter Koenig, em Voice of Rússia).


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Califato Anglo−Sionista−EUA versus os BRICS

9/9/2014, [*] Peter Koenig, The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

The Saker

Dividir para governar é precisamente o que o califato ocidental pretende fazer com os BRICS. A começar pelo Brasil, Washington está empenhada em campanha para caluniar a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff e difamar a economia do Brasil.
Resumo da história, o Brasil é impressionante história de sucesso. Mas os patrões da imprensaempresa de propaganda deram jeito de apresentar índices declinantes de popularidade para a Presidenta Rousseff – a tal ponto que, hoje, até a sua reeleição nas eleições marcadas para outubro, parece ameaçada. Ver-se livre da Presidenta Rousseff é exatamente o que o califato de Washington mais deseja!


A partir do momento em que os países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) manifestaram sua união-coligação e falaram de formar um Banco de Desenvolvimento conjunto (em Durban, África do Sul, dia 27/3/2013), o califato anglo-saxão-sionista só faz trabalhar para dividir o grupo. Os BRICS são quase 45% da população mundial e perto de 30% do PIB global. A “ideia−BRICS” é lançar moeda conjunta alternativa, completamente separada do dólar e da economia norte-americana da ganância.

Enquanto isso, vários outros países se integrarão aos BRICS, inclusive Argentina, Venezuela, Irã, Mongólia, Malásia e outros, que reunidos constituirão cerca de 1/3 da produção econômica e metade da população do planeta.

Isso dá aos países BRICS um perfil de força que ultrapassa as de EUA e Europa somadas. Só a China já é, não só a maior economia do mundo, como também domina o mercado asiático de cerca de 4,2 bilhões de pessoas, 60% de toda a população somada do mundo e PIB de cerca de US$ 20 trilhões, equivalente a cerca de US$ 25 trilhões, se se compara com o poder de compra da economia baseada do dólar, de cerca de US$ 17 trilhões. A Ásia registrou taxa média de crescimento de quase 8% ao longo dos últimos anos; o mundo “ocidental’”engatinhou em torno de 1%.

BRICS - alguns números
Os países BRICS não têm por que temer a interferência dos EUA – dividir para governar  se conseguirem solidificar sua união, com solidariedade – solidariedade política e monetária, além de políticas de comércio comum – e se tiverem vontade política para realmente separar suas economias do dólar, ação é que chave para o sucesso dos BRICS.

Sir Obama – aqui também designado como “o califato ocidental” – tem muitas capacidades autodeclaradas. Vive a criar neocalifatos a serviço dele, como o Estado Islâmico do Iraque e Levante (ISIL); na sequência, põe-se a bombardear a própria criatura, fazendo o mundo crer que seriam inimigos, assiste à degola de jornalistas ocidentais e clandestinamente mantém, com dinheiro e armas sua cruzada no Oriente Médio à caça de energia e de dominar o mundo – uma cruzada que o ISIS/ISIL leva avante, em nome do supremo califato na Casa Branca.

O califato de Washington também tem seu pequeno exército de ‘nações mártires” que lutam e sofrem por ele, como os 28 membros da União Europeia, liderada (só rindo) por um grupo de sionistas neoliberais submissos a Washington e de pensamento assemelhado, fantoches cristãos−sionistas. Fazem o que Washington diz. A maioria deles sào também membros pro-forma da máquina de guerra comandada pelo Califato da Casa Branca conhecido como Organização do Tratado do Atlântico Norte − OTAN, e macaqueiam os gritos de guerra do Fog(h)−da−Guerra−Rasmussen, o fantoche−em−chefe de Obama para a Europa.

Anders Fogh Rassmussen e Barack Obama
Claro, o califato está sempre pronto, com sanções à mão contra os que não se comportem bem, especialmente sanções que ricocheteiam sobre terceiros. As mais recentes sanções contra a Rússia vieram depois de campanha de propaganda de mentiras e invencionices “jornalísticas” que custou um bilhão de dólares, de demonização de Vladimir Putin e da Rússia. Interessante: as “sanções” impostas contra a Rússia pelo guerreiro supremo de Washington – acompanhado na ação sancionatória, subservientemente, pelos servos−asseclas europeus, receberam imediata retaliação dos russos, que bloquearam grande parte dos negócios do agrobusiness com a Europa. E assim aconteceu que fazendeiros europeus lá estão com colheitas inteiras de frutas e legumes apodrecendo – e perdas estimadas em um bilhão de dólares, muitas vezes superiores a perdas que tenha causado à Rússia.

Neoliberais são gente de visão curta. São enceguecidos pela ganância, pela ânsia de lucro imediato, pelo sonho de uma “doutrina” de Dominação de Pleno Espectro – o que implica controlar os recursos, o dinheiro e os povos do mundo. Esse, contudo, é o império do califato que está condenado, porque depende de invencionices e mentiras, artes que funcionam por algum tempo com parte das pessoas, mas jamais funcionam todo o tempo para enganar todos. A verdade é que a maré já está virando – e já se começa a ver um fio de luz por trás da escuridão que a monstruosa e assassina máquina de guerra ocidental lançou sobre o planeta.

Os principais países europeus vassalos do neocalifato de Washington, Alemanha e França, e alguns dos mais vassalos mais recentes, Polônia, Hungria e República Tcheca, para citar só alguns, já começam a duvidar e a não confiar cegamente na “solução” das sanções. Estão começando a sentir o ardor da volta do chicote sobre o lombo do chicoteador.

A imprensa-empresa anglo-saxônica-sionista
O califato anglo−saxão−sionista precisa de conflitos e guerras para sobreviver. Há toda uma cadeia econômica baseada na produção de armas e na destruição. Um mundo em paz seria “o colapso” daquela ordem mundial pró-guerra.

Para alcançar seu objetivo, o califato ocidental está usando aquela sabedoria de milhares de anos: dividir para governar. Servindo-se da imprensa−empresa global e de campanha multibilionária de propaganda e disseminação de mentira, Obama e seus lambe−botas europeus primeiro confundem os povos, em todos os países e continentes, distorcem o bom−senso, na sequência implantam cunhas entre eles, entre aliados, entre vizinhos, entre culturas comuns, entre famílias – e convertem amigos em inimigos.

Não esqueçam: o dólar é dinheiro inventado, que já não vale o papel em que é impresso. É produzido à vontade e já é chamado de “alívio quantitativo” (?!) [orig. Quantitative Easing (QE)], expressão selecionada cuidadosamente justamente porque nada significa, um eufemismo usado para designar uma dívida que os tesouros nacionais acumulam como se fossem reservas monetárias, em todo o planeta.

O mesmo acontece com o financiamento da máquina de guerra eterna. Imprimir dinheiro à vontade passou a ser o passatempo que justifica todas as guerras e morticínios para conquistar os recursos físicos e humanos do planeta. O processo prosseguirá enquanto o resto do mundo permitir que prossiga. Mas já é fenômeno que começa a fenecer. Há 10, 15 anos, cerca de 90% das reservas mundiais eram denominadas em dólares norte-americanos. Hoje, essa porcentagem já encolheu para cerca de 60%.

Um BANCO para os BRICS
Dividir para governar é precisamente o que o califato ocidental pretende fazer com os BRICS. A começar pelo Brasil, Washington está empenhada em campanha para caluniar a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff e difamar a economia do Brasil.

Acusa-se o Brasil de corrupção e nepotismo, e a economia brasileira é “alertada” contra o risco “mortal” de uma suposta dívida privada que já chegaria a 80% do PIB. Mas as campanhas de difamação “jornalística” não explicam que, graças ao aumento da dívida privada, o PIB do Brasil cresceu cerca de 30% na última década. Ninguém explica que a dívida externa do Brasil mantém na proporção de menos de 47% do PIB; nos EUA essa proporção é de quase 101,5%; na Alemanha, de 82%.

Resumo da história, é que o Brasil é impressionante história de sucesso. Mas os patrões da imprensa−empresa de propaganda deram jeito de apresentar índices declinantes de popularidade para a Presidenta Rousseff – a tal ponto que, hoje, até a sua reeleição nas eleições marcadas para outubro, parece ameaçada. Ver-se livre da Presidenta Rousseff é exatamente o que o califato de Washington mais deseja!

Imagine um concurso real, baseado em resultados econômicos, entre o califato ocidental governado por Washington, e os BRICS. Com um PIB de cerca de 30% de tudo que o mundo produz, com mais da metade da população do planeta, os BRICS mantêm a proporção entre o PIB e a dívida, em média, abaixo de 45% (estimativas de 2014): Brasil, 56,8%; Rússia, 13,4%; Índia, 67,7%; China, 22,4%), África do Sul, 46,1%. EUA, com 101,5% nessa relação, e a Eurozona com 92,6%, perdem, longe.

Presidenta Dilma Rousseff
É claro que os BRICS nada têm a temer do califato ocidental – e de qualquer sempre provável chuva de sanções. Mas – e essa é a questão chave – o império sionista−anglo−saxão controla o atual sistema monetário ocidental. O FED, Wall Street, o Banco Central Europeu e o FMI, extensão do Tesouro dos EUA e do FED, assim como o Banco de Compensações Internacionais [orig. Bank for International Settlements (BIS)], o banco central dos bancos centrais, principal manipulador privado do ouro e das moedas nacionais – mantêm as economias ocidentais como reféns. Esse império sionista−anglo−saxão financia a máquina de guerra de EUA/OTAN.

O sistema financeiro ocidental controlado pelo império sionista−anglo−saxão tem o mesmo objetivo que a “doutrina” da Dominação de Pleno Espectro, como Obama, supremo califa e assassino−em−chefe, que atualmente presta serviços à oligarquia da indústria de armas e da indústria bancária.

É, portanto, mais que boa hora para os BRICS fazerem realmente acontecer sua prometida moeda alternativa, completamente separada do dólar e do sistema de lavagem de dinheiro montado em Wall Street. A viabilidade econômica desse sistema alternativo é entre 2 e 3 vezes superior à do dólar norte-americano.

Mas pode ser necessária uma medida intermediária, para deter o bulldozer ocidental. Rússia e China e vários outros países já concordaram em negociar em suas respectivas moedas e, em particular, em negociar gás e petróleo em dinheiro não−dólar, medida que reduzirá consideravelmente a demanda pela moeda dos EUA, reduzindo, é claro, a viabilidade do dólar como moeda de reserva. Rússia e China preparam-se para lançar moeda comum, uma cesta de moedas às quais se podem acrescentar outras, de outros países que desejem livrar-se dos caninos mortais do califato monetário ocidental.

A reunião da OTAN em Newport, Gales
gerou protestos por toda a Europa
Dias 3 e 4 de setembro de 2014, a OTAN, braço militar do califato ocidental, reuniu-se em Gales, Reino Unido, para discutir sua raison d’être. A própria OTAN admite que foi a mais importante reunião desde o colapso da URSS. Participaram 60 chefes de estado, incluídos os 28 países membros da OTAN. Como se esperava, a “aliança ocidental” dedicou-se a demonizar a Rússia – país chave dos BRICS – com mentiras e sandices de tal ordem que não encontram rival na história da farsa “jornalística” mundial. O relatório final da reunião, é uma fiada de acusações sem qualquer fundamento, só provocações – semelhantes às que Fog(h) da Guerra Rasmussen vive a macaquear – e que a Rússia sequer se deu o trabalho de desmentir. As declarações da OTAN sucumbem sob o peso das próprias mentiras.

É claro, depois de 65 anos de existência e desastres por todo o mundo, a OTAN precisa de nova identidade, de uma nova Guerra Fria, ou, melhor de tudo, nova guerra diretamente contra a Rússia – pela “segurança” da Europa. Assim sendo, o califa Obama, no que, esperemos, será um de seus últimos e mais desavergonhados movimentos, está pedindo que os europeus “mexam-se” e aceitem doar pelo menos 2% dos respectivos PIB para manter a OTAN; e que aprovem legislação que permita que o complexo industrial militar meta mais armas nas bases da OTAN na Europa. É o mesmo que dizer que Obama está expondo a Europa a ataques militares da defesa russa; mais uma vez, o califato anglo−sionista norte−americano está expondo os povos europeus na linha de fogo. Líderes [só rindo] europeus, fingem que aí não haveria perigo algum para seus cidadãos.

Mas... há esperança. Como Pepe Escobar escreveu em OTAN ataca:

(...) o negócio realmente sério nesse mês de setembro (2014), o que realmente interessa, não é a OTAN. É a reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai. Aguardem as proverbiais agitações de placas tectônicas na próxima reunião da OCX – mudanças de tão longo alcance quanto as que se viram quando o império Otomano fracassou às portas de Viena em 1683.

Por iniciativa de Rússia e China, naquela reunião da OCX a Índia, o Paquistão, o Irã e a Mongólia, serão convidados a tornarem-se membros permanentes. Mais uma vez, estão traçadas as linhas de combate.

Organização de Cooperação de Xangai
A reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai pode bem vir a ser o primeiro passo na direção de uma nova ordem mundial — não a notória Ordem Mundial de “mão única” proclamada pelo califato do império sionista−anglo−norte−americano— mas uma nova direção−guia para o mundo, bem afastada do sistema financeiro e monetário da usura e da negociata, bem distante do objetivo de Washington de Dominação de Pleno Espectro — na direção de um novo mundo de estados livres, soberanos.



[*] Peter Koenig é economista e foi funcionário do Banco Mundial. Trabalhou em todo o mundo, no campo do meio ambiente e recursos hídricos. Escreve regularmente para Global Research, ICH, Voice of Russia, Ria Novosti e outras páginas internet. É autor de Implosion – An Economic Thriller about War, Environmental Destruction and Corporate Greed romance-reportagem baseado em 30 anos de experiências do Banco Mundial em todo o mundo.