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sábado, 21 de maio de 2011

O cara do FMI e o mundo do mercado

Laerte Braga

A Grécia, independente de qual seja a decisão do governo, é mais um país que se dissolve no veneno do neoliberalismo. O governo anuncia a privatização de rodovias, aeroportos e loterias como parte do plano para recuperar a economia e atingir as metas exigidas pela Comunidade Europeia e pelo FMI.



O principal diretor do FMI, Strauss-Kahn, está preso num entorno do território do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, acusado de estupro. Segundo os jornais, tevê e rádios teria forçado uma camareira do hotel a fazer sexo com ele.

Strauss-Kahn lidera as pesquisas de opinião na França para a sucessão de Nicolas Sarkozy e tem antecedentes nesse tipo de atividade, digamos assim. É que estupros o FMI pratica contra países em várias partes do mundo, sistematicamente, e a serviço dos interesses do conglomerado.

Poul Thomsen, chefe da missão do FMI que estupra a Grécia – e os gregos que pagam a conta – está em Atenas e já anunciou que se o governo daquele “país” não atender as exigências da Comunidade Europeia vai para o buraco.

Por exigências entenda-se a privatização de todos os serviços públicos capazes de gerar lucros a empresas privadas e deixar a Grécia à mercê do conglomerado numa de suas especialidades.  

Estupro financeiro e econômico, dissolução em água sem bater.

Não há diferença entre o crime atribuído a Strauss-Kahn e os crimes cometidos pelo FMI, braço do terror neoliberal.

O que há é hipocrisia de todos os lados e subserviência do governo grego.

O último a saber de todo esse arranjo é o povo grego e vai saber à hora que a conta for apresentada.  

Portugal é o alvo seguinte dos terroristas.

Os chamados países chaves da Comunidade Europeia operam segundo determinações do conglomerado e sem qualquer escrúpulo, até pela necessidade de manter suas elites vivas, mesmo que conservadas em formol.

O general David Richards, operador de execuções e atos de terrorismo em chefe da antiga Grã-Bretanha (hoje “Micro-Bretanha”), afirmou que os bombardeios de forças da OTAN contra a Líbia devem ser amplos, não se restringirem a áreas militares, para que o ditador Kadafi seja morto o país possa se “libertar”.

“Libertar” de que cara pálida?

Perguntado sobre as mortes de civis em ações desse gênero disse que isso faz parte do jogo.

O jogo do petróleo e do Banco Central líbio.

O general não grunhiu ou vociferou nenhuma vez sobre as ditaduras em países árabes aliados do conglomerado EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, do qual é um dedicado servidor.

E muito menos sobre o genocídio contra o povo palestino.

A dose de veneno ministrada pelo conglomerado só permitiu a ele repetir algumas vezes a expressão “libertar-se”. Em seguida voltou à condição de inércia típica de robôs/humanos.

Freud explica.

É difícil determinar se o diretor geral do FMI de fato estuprou a camareira do hotel, ou se a camareira do hotel foi plantada para que o diretor do FMI, favorito contra Sarkozy na França, a estuprasse, imaginando que fosse algum país emergente. É que o comando do terror neoliberal não gostou de ver os dados da dívida do conglomerado – antigo EUA – nos jornais e revistas do mundo e agências de classificação de riscos colocando sinal vermelho em relação a Washington e a dívida.

Os dados teriam sido divulgados ou vazados pelo FMI. Strauss-Kahn não é visto com simpatias plenas pelo principal acionista do Fundo.  Preferem alguém sem pretensões políticas e de docilidade absoluta.

Aí, despejar bombas sobre civis líbios, ou estuprar camareira de hotel é irrelevante.

O negócio é o deus mercado e as garantias irrestritas que nada sairá da ordem e da lógica do capitalismo ditados a partir de Washington. 

Sai a Grécia como a conhecemos pela História, entra a Grécia engolida pelo conglomerado. Vira sociedade anônima.

domingo, 24 de abril de 2011

Fracassam planos de congelar bens de Gaddafi


Quem diria?! Gaddafi é “adversário sofisticado” e há quem duvide da “viabilidade do ataque OTAN-EUA à Líbia”! No Brasil, NINGUÉM sabia disso!

Moammar Gaddafi


24/4/2011, Paul Richter, Los Angeles Times (de Washington)
Traduzido e comentado pelo pessoal da Vila Vudu

Entreouvido na Vila Vudu, hoje:
O jornalismo-empresa anda muito ruim em todo o mundo. Isso já se sabe. 
E ninguém pode depender de jornais-empresas e de jornalistas, para entender o mundo. OK, isso a gente também já sabe. 
Mas... o jornalismo brasileiro deve ser o pior do mundo, sô! Até em Los Angeles há jornalismo melhor que o jornalismo brasileiro! Vai-se ver, até em Miami! Até no Arkansas!
No Brasil, em matéria de jornalismo, todo o grupo GAFE de jornalismo (Globo, Abril, Folha e Estadão), só sabe repetir que Gaddafi seria uma besta, que o ex-FHC-e-atual-nada seria um gênio, que o William Waack e a D. Danuza seriam jornalistas! 
E, no grupo GAFE de jornalismo no Brasil, NINGUÉM tem dúvidas sobre o “sucesso” do ataque OTAN-EUA à Líbia! 
E o grupo GAFE inventará o quê, agora que OTAN-EUA já estão usando aviões-robôs Predator... para matar TRIBOS LÍBIAS?! 
Quem precisa do jornalismo do grupo GAFE de jornalismo, do Brasil?!

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Os planos para congelar os bens do regime líbio têm encontrado feroz resistência em muitas partes do mundo, o que tem permitido que Moammar Gaddafi continue a ter acesso a quantidades gigantescas de dinheiro, o que o tem ajudado a resistir contra o avanço dos grupos que se opõem a seu governo.

Apesar de EUA e União Europeia terem bloqueado o acesso do proprietário a mais de 60 bilhões de dólares depositados em contas bancárias e em bancos de investimentos do ocidente, outras nações nada têm feito para congelar outras dezenas de bilhões de dólares que Gaddafi e sua família espalharam pelo planeta ao longo da última década, segundo agentes dos EUA, Europa e ONU que trabalham no mapeamento do patrimônio da Líbia em todo o mundo.

Gaddafi não parou de repatriar bilhões de dólares para Trípoli desde o início da rebelião em meados de fevereiro, dizem aqueles agentes. Não se conhece o total, em parte porque Gaddafi, como outros grandes investidores, tem sua identidade preservada nos contratos com instituições financeiras.

A habilidade com que Gaddafi tem sabido escapar às sanções econômicas continua a minar as tentativas do governo Obama para derrubá-lo do poder. E o acesso que assegurou ao próprio dinheiro mina também todos os esforços dos serviços secretos para convencer seus principais assessores e comandantes militares a desertar, reconhecem os mesmos agentes.

O “caso Gaddafi” é bom alerta sobre os limites das sanções econômicas como instrumento de política exterior. Faz lembrar os movimentos de Saddam Hussein, no Iraque, bem sucedido, também, na luta contra sanções econômicas, além do que se vê hoje no Irã, que continua a desafiar as sanções impostas pela ONU, mediante laços bem construídos com aliados do Terceiro Mundo.

Muitos países desenvolveram fortes laços de relacionamento econômico com a Líbia, entre os quais a Turquia e o Quênia, além de inúmeras outras nações africanas, que protestaram quando da aprovação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU em fevereiro e março – sempre segundo declarações daqueles agentes.

Três das maiores economias do mundo – Índia, China e Rússia – têm resistido aos esforços de EUA e União Europeia para ampliar as sanções econômicas contra a Líbia. Todos fazem referência aos riscos que aquelas sanções criariam para seus próprios interesses nacionais, aos pagamentos que esperam da Líbia, a seus fornecedores e cidadãos que operam na Líbia.

Outros países, sem laços políticos ou econômicos aparentes com a Líbia não têm colaborado nos esforços para identificar ou bloquear bens líbios, dizem aqueles agentes. Em alguns casos, entende-se que os governos não tenham meios técnicos suficientes para o rastreamento.

Até aqui, “menos de meia dúzia” de governos já responderam ao comitê do Conselho de Segurança que trabalha para rastrear os bens da Líbia pelo mundo e supervisiona a implantação de sanções, e bloquearam o acesso aos bens, segundo diplomata do Conselho de Segurança da ONU que pediu para não ser identificado, dada a “alta sensibilidade” da questão.

“Temos feito o que podemos”, disse o diplomata. “Mas quando se enfrenta adversário sofisticado como Gaddafi, cujos interesses comerciais espalharam-se, beneficiados pela globalização, nosso trabalho é como empurrar pedra montanha acima. Tem sido muito, muito difícil.” 

Segundo as regras da ONU, os governos não são obrigados a relatar o que façam para implantar as sanções por 120 dias. Esse prazo acaba no final de junho. No momento, organiza-se um painel na ONU, que começará a “nomear e repreender” os governos que não tenham atendido às determinações da ONU.

A demora de quatro meses, para cumprir as determinações da ONU que ordenavam as sanções “é um dos pontos mais fracos de todo o sistema”, disse o diplomata. “E Gaddafi, desde o início das sanções, sabe perfeitamente como tudo funciona”. 

Procurado ontem, sábado, porta-voz da Casa Branca não quis se pronunciar sobre o assunto. Mas é evidente que a falta de ação coordenada compromete todo o esforço da comunidade internacional cujo sucesso foi, de início, dado por assegurado.

Imediatamente depois do início das agitações na Líbia, funcionários dos EUA encontraram 34 bilhões em depósitos da Líbia num único banco norte-americano. O presidente Obama imediatamente ordenou, por medida do Executivo, que os fundos fossem congelados, citando um “grave risco” de que Gaddafi, membros de sua família ou de seu governo se apropriassem indevidamente daqueles valores. Funcionários da União Européia, na mesma época, encontraram e congelaram cerca de outros 30 bilhões de dólares líbios. Mas, depois disso, o processo não avançou. 

“O que realmente interessa é que a Líbia continua com acesso livre ao dinheiro depositado em vários bancos que não estão ao alcance das medidas impostas por EUA e União Europeia e alguns outros poucos países que bloquearam os fundos líbios” – disse Victor Comras, um dos principais agentes encarregados de localizar os fundos líbios até 2001 no Departamento de Estado e depois, até 2004, na ONU.

Gaddafi foi tratado como pária global durante décadas, acusado de envolvimento em ataques terroristas. As sanções da ONU foram suspensas, afinal, em 2003, e as sanções dos EUA um ano depois, quando Gaddafi formalmente desistiu de um então nascente programa de armas nucleares.

Dali em diante, Gaddafi cuidou atentamente de construir reservas nacionais em moeda e ouro, guardadas na Líbia. O Fundo Monetário Internacional noticiou em fevereiro que a Líbia teria $104, 5 bilhões de reservas estrangeiras, suficientes para pagar suas importações durante três anos.

Depois de iniciado o levante dos “rebeldes” líbios, Gaddafi moveu as reservas depositadas em contas nacionais, de modo que a oposição armada ao seu governo não tivesse acesso aos depósitos em bancos do leste da Líbia. Essa é uma das razões pelas quais o Conselho Nacional de Transição que controla militarmente algumas áreas do leste do país, teve de pedir ao ocidente que tornasse disponíveis os fundos líbios congelados no ocidente. 

Nos últimos anos, Gaddafi reestruturou seus investimentos internacionais de modo a torná-los facilmente acessíveis, dizem agentes e analistas de finanças. Os encarregados de rastrear os fundos líbios distribuídos pelo planeta ainda lutam com graves dificuldades para desatar os nós de uma vasta e complexa rede global de investimentos líbios, que cobre todo o planeta.

Alguns foram relativamente mais fáceis de encontrar. O fundo soberano do país, administrado pela Libyan Investment Authority, foi depositado em grandes bancos europeus e investido em inúmeras empresas, dentre as quais o Banco Fortis holandês-belga, o gigante UniCredit italiano, o império de mídia britânico Pearson, a Finmeccanica, gigante de Defesa, italiana, e num acordo de produção de petróleo firmado com a British Petroleum. Uma parte foi, inclusive, investida num time de futebol italiano, a Juventus.

Parte significativa da riqueza líbia está distribuída pelo sudeste da Ásia e do Golfo Persa: a Líbia controla 60% do Arab Banking Corp, do Bahrain. Mas outros investimentos mostraram-se muito mais difíceis de rastrear e de congelar.

Investigadores têm dito que Gaddafi tem investidos pelo menos 5 bilhões de dólares, a partir de 2006, em empresas africanas de petróleo, oleodutos, empresas de telecomunicações, hotéis, refinarias e bens imobiliários.

São investimentos motivados em parte por um “desejo de promover objetivos específicos da política externa líbia, ou por interesses pessoais e objetivos financeiros da família Gaddafi”, disse Ronald Bruce St. John, veterano analista de questões da Líbia, que vive no New Mexico.

No Quênia, o governo congelou bens líbios, entre os quais os investimentos feitos na Libya Oil Kenya Ltd., gigante distribuidora de petróleo e gás, e no hotel Laico Regency Hotel, em Nairobi.

No Zimbabwe, governado por antigo aliado de Gaddafi, Robert Mugabe, ninguém espera qualquer atenção às ordens de congelamento da ONU, disse um diplomata europeu. Gaddafi tem grandes investimentos no Commercial Bank of Zimbabwe, além de investimentos em turismo e propriedades imobiliárias e sempre apoiou o regime de Mugabe, dizem analistas.

A Turquia tem apoiado (com reservas, e só com assistência humanitária: Erdogan disse que em nenhum caso soldados turcos seriam mandados atirar contra árabes (NTs]) a coalizão internacional contra Gaddafi (...). Mas a Turquia tem cerca de 17 bilhões de dólares privados investidos na economia líbia, que Gaddafi poderia facilmente confiscar. A Turquia “deseja preservar todos esses interesses econômicos”, disse Bulent Aliriza, especialista em questões turcas no Center for Strategic and International Studies, think tank não partidário, com sede em Washington.

Rússia e China congelaram alguns investimentos líbios. Mas os dois estados protestaram contra a iniciativa ocidental, no Conselho de Segurança, de incluir mais indivíduos e organizações líbias na lista dos que poderiam ter seus bens congelados. A iniciativa permitiria que se congelassem bens de empresas líbias que têm laços financeiros com empresas desses dois países.

Diplomatas dizem que a resistência de Índia, Moscou e Pequim deve-se em parte a preocupações econômicas, mas manifesta também dúvidas no campo político, sobre a viabilidade da rebelião apoiada por OTAN-EUA contra Gaddafi. As três nações abstiveram-se de votar nas reuniões do Conselho de Segurança que aprovaram sanções contra a Líbia.

A rapina do século: O assalto aos fundos soberanos líbios

por Manlio Dinucci (*)


Banco Central da Líbia.
Banco Central da Líbia, em Trípoli
O objetivo da guerra na Líbia não é apenas o petróleo, cujas reservas (estimadas em 60 bilhões de barris) são as mais importantes da África e cujos custos de extração estão entre os mais baixos do mundo. Nem, tampouco, o gás natural, cujas reservas são estimadas em cerca de 1500 bilhões de m3. Na mira dos "voluntários" da operação “Protetor unificado” também estão os fundos soberanos, os capitais que o Estado líbio investiu no estrangeiro.

Os fundos soberanos geridos pela Libyan Investment Authority (LIA) são estimados em cerca de 70 bilhões de dólares, que sobem a mais de 150 se se incluírem os investimentos estrangeiros do Banco Central e de outros organismos. E poderiam ser ainda mais importantes. Ainda que sejam inferiores aos da Arábia Saudita ou do Kuwait, os fundos soberanos líbios caracterizam-se pelo seu crescimento rápido. Quando a LIA foi constituída em 2006, ela dispunha de 40 bilhões de dólares. Em apenas cinco anos ela efetuou investimentos em mais de uma centena de sociedades norte-africanas, asiáticas, europeias, norte-americanas e sul-americanas: holdings, bancos, imobiliárias, indústrias, companhias de petróleo e outras.

Na Itália, os principais investimentos líbios foram os efetuados na UniCredit Banca (de que a LIA e o Banco Central líbio possuem 7,5%), na Finmeccanica (2%) e na ENI (1%): estes investimentos e outros (inclusive 7,5% na Juventus Football Club) têm um significado menos econômico (montam a cerca de 4 bilhões de dólares) do que político.

A Líbia, depois de Washington a ter apagado da sua lista dos “Estados bandidos”, tentou restabelecer um lugar no plano internacional apoiando-se na “diplomacia dos fundos soberanos”. Quando os Estados Unidos e a União Europeia aboliram o seu embargo de 2004 e as grandes companhias de petróleo retornaram ao país, Trípoli pôde dispor de um excedente comercial de cerca de 30 bilhões de dólares por ano que destinou em grande parte a investimentos no estrangeiro. A gestão dos fundos soberanos, nas mãos de ministros e altos funcionários criou, entretanto, um novo mecanismo de poder e corrupção que provavelmente escapou ao controle do próprio Kadafi – o que se confirma pelo fato de que em 2009 este propôs que os 30 bilhões de dividendos petrolíferos fossem “diretamente para o povo líbio”. Isto agravou as fraturas internas do governo líbio.

Foi nestas fraturas que se apoiaram os círculos dominantes estadunidenses e europeus que, antes de atacar a Líbia militarmente para apossar-se da sua riqueza energética, apropriaram-se dos fundos soberanos líbios. Esta operação foi favorecida pelo próprio representante da Libyan Investment Authority, Mohamed Layas. Como revela um telegrama diplomático publicado pela Wikileaks, em 20 de Janeiro Layas informou o embaixador estadunidense em Tripoli de que a LIA havia depositado 32 bilhões de dólares em bancos estadunidenses. Cinco semanas mais tarde, a 28 de Fevereiro, o Tesouro estadunidense “congelou-os”. Segundo as declarações oficiais, esta é “a maior soma de dinheiro alguma vez já bloqueada nos Estados Unidos”, que Washington mantém “em depósito para o futuro da Líbia”. Ela servirá na realidade para uma injeção de capitais na economia estadunidense, cada vez mais endividada. Alguns dias mais tarde, a União Europeia “congelou” cerca de 45 bilhões de euros de fundos líbios [NR].

O assalto aos fundos líbios terá um impacto especialmente forte na África. Neste continente, a Libyan Arab African Investment Company efetuou investimentos em mais de 25 países, dos quais 22 na África sub-sahariana, programando aumentá-los nos próximos cinco anos, sobretudo nos setores mineiro, manufatureiro, turístico e no das telecomunicações. Os investimentos líbios foram decisivos na realização do primeiro satélite de telecomunicações da Rascom (Regional African Satellite Communications Organization) que, colocado em órbita em Agosto de 2010, permite aos países africanos começarem a tornar-se independentes das redes de satélites estadunidenses e europeias, realizando assim uma economia anual de centenas de milhões de dólares.

Ainda mais importantes foram os investimentos líbios na realização de três organismos financeiros lançados pela União Africana: o Banco Africano de Investimento, cuja sede é em Trípoli; o Fundo Monetário Africano, com sede em Yaundé (Camarões); o Banco Central Africano, instalado em Abuja (Nigéria). O desenvolvimento destes organismos devia permitir aos países africanos escaparem ao controle do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, ambos instrumentos de dominação neo-colonial, e devia assinalar o fim do franco CFA, a moeda que 14 ex-colônias francesas são obrigadas a usar. O congelamento dos fundos líbios assesta uma pancada muito dura em todo o projeto. As armas utilizadas pelos “voluntários” não são apenas as da operação “Protetor unificado”.

22/Abril/2011

[NR] O Banco Comercial Português congelou no offshore da Madeira uma conta de 14 milhões de euros da LAP Overseas Unipessoal, a qual é subsidiária da Libya Africa Investment Portfolio que por sua vez é subsidiária da LIA.

(*) Geógrafo e geopolitólogo.
O artigo original, em italiano encontra-se em Il Manifesto (Itália) e foi copiado pela Rede Voltaire 
Esta tradução encontra-se em: Resistir.