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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Líbano, Síria: A Resistência responde aos ataques de Israel

28/1/2015, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Míssil anti-tanque russo 9M133-Kornet-E do Hezbollah
Ao meio dia de hoje, hora local, o Hezbollah atacou um comboio militar israelense na área ocupada da fazenda Sheeba. O Hezbollah distribuiu declaração em que informa que atingiu vários veículos israelenses com mísseis antitanques Kornet. A declaração do Hezbollah vem identificada como “Número 1”. Obviamente o Hezbollah conta com que a situação escalará sempre mais, o que gerará novas declarações. O Partido da Resistência diz que morreram nesse ataque vários soldados israelenses. Os censores israelenses ainda não revelaram o número de baixas em suas fileiras.

Semana passada, Israel atacou um comboio na área do Golan sírio matando combatentes do Hezbollah e soldados da Guarda Revolucionária do Irã, inclusive oficiais de alta patente. A ONU declarou que o ataque israelense quebrou o armistício que já durava 40 anos entre Síria e Israel. Antes do ataque israelense, a situação geral no Golan havia-se acalmado. Depois do ataque israelense não provocado, Hezbollah e Irã ameaçaram responder. Mas a ameaça não conteve Israel.

Ontem, dois foguetes não direcionados foram disparados do lado sírio da linha de demarcação no Golan, provavelmente pelo Exército Sírio Livre ou pela Frente al-Nusra que ocupam parte da área síria, e recebem apoio logístico e armas de Israel. Os foguetes caíram em campo aberto e não provocaram qualquer dano. Os israelenses responderam com fogo de artilharia contra um quartel do exército sírio.

Israel colabora com a Frente al-Nusra (ISIS/ISIL) na Síria
Essa lógica perturbada dos israelenses diz que ataque que venha do lado sírio contra Israel, mesmo que venha de terroristas ou insurgentes apoiados por Israel, é responsabilidade do exército sírio.

Agora à noite, outra vez, Israel escalou a agressão, com ataque da Força Aérea contra uma posição do exército sírio no Golan.

O ataque contra o comboio israelense é resposta (bem merecida) às várias violações da paz, por ação dos israelenses.

Israel respondeu ao ataque de hoje, lançando mais de 30 mísseis e raids de artilharia contra o Líbano. Um soldado espanhol da força de paz da ONU foi morto por fogo israelense nesse ataque de Israel contra uma posição muito bem conhecida e identificada da ONU.

A intenção do Hezbollah é reimpor “regras do jogo” e impedir futuros ataques israelenses contra Síria e Líbano. Será necessário algum dano importante e número considerável de baixas do lado israelense, antes de que Netanyahu – que está em campanha eleitoral tentando a reeleição – concorde com qualquer tipo de regra em qualquer tipo de jogo.


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Barou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Crime: Mercenários de Obama atacam Síria

15/11/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo, pessoal da Vila Vudu


Rebeldes sírios = Mercenários dos EUA
Segundo o Washington Post, o governo dos EUA está discutindo um aumento no número de mercenários treinados pela CIA, na Síria:

O governo Obama analisa planos para ampliar o papel da CIA para armar e treinar mercenários para lutarem na Síria, movimento que visa a acelerar o apoio clandestino que os EUA continuam a dar a facções rebeldes, enquanto o Pentágono prepara-se para estabelecer suas próprias bases de treinamento, disseram funcionários do governo Obama.

A avançada da CIA será ampliação de missão clandestina que cresceu substancialmente ao longo do ano passado, disse um funcionário. A Agência agora seleciona e treina cerca de 400 mercenários por mês – a mesma quantidade de mercenários que o Pentágono espera poder treinar, quando seu programa alcançar capacidade máxima, no próximo ano.

A matéria fala de campos de treinamento na Jordânia e no Qatar.

Hurriyet noticia que o treinamento será iniciado também na Turquia:

Oficiais do Comando Europeu dos EUA [orig. United States European Command (EUCOM)] e do Comando Central dos EUA [orig. U.S. Central Command (CENTCOM)] e oficiais militares turcos de alta patente acertaram vários detalhes sobre o treinamento a ser oferecido na Turquia, a mercenários a serviço da oposição síria.

Membros do Exército Sírio Livre, inclusive turcomenos sírios, serão treinado no centro de treinamento do quartel de Hirfanlı em Kırşehir, informaram as fontes ao diário Hürriyet Daily News. Oficiais militares dos EUA também participarão do treinamento.

Basicamente, os EUA fornecerão armas e munição para a oposição síria, e os custos do treinamento, pelo que se espera, serão pagos por Washington.

Estima-se que cerca de 2 mil combatentes sírios receberão treinamento militar, que deve começar no final de dezembro.

Mercenários dos EUA em treinamento na Turquia
Nenhum jornalista, até agora, parece ter-se interessado por perguntar ao governo Obama qual a base legal para que os EUA insistam em treinar e infiltrar esses mercenários em território sírio, para lutarem contra o governo sírio. O que diz a lei internacional ou, mesmo, a lei norte-americana, sobre presidente dos EUA que, sem declaração de guerra, manda um exército de mercenários lutar contra o estado sírio, ou qualquer outro estado?!

O governo Obama sabe muito bem que a base legal sobre a qual tenta manter-se empoleirado é muito, muito frágil. O pessoal que está sendo treinado são criminosos e não estão sendo treinados para respeitar as leis que regem as guerras nem, sequer, os direitos humanos. A solução que o governo dos EUA encontrou, para continuar a desrespeitar a lei é... tentar mudar a lei:

O governo Obama pediu repetidas vezes ao Congresso que seus esforços militares contra o Estado Islâmico sejam excluídos de uma lei que há muito tempo proíbe que os EUA deem assistência a torturadores e criminosos de guerra (...)
...

Dois pedidos de isenção semelhantes foram discretamente rejeitados no Congresso, numa lei da Defesa aprovada em setembro, informou um auxiliar do Senado. Aquela lei garantiu US$ 500 milhões para treinar mercenários para lutar na Síria, e um fundo antiterrorismo de US$ 1 bilhão destinado ao Oriente Médio.

Nos dois casos, o governo Obama tentou excluir os beneficiados pelos financiamentos da obrigação de prestar contas a inspetores de direitos humanos e de respeitar limitações nesse campo – como mostra o histórico da tramitação.

Até agora, o Congresso continua a rejeitar qualquer alteração ou exceção nos termos da Emenda:

A Lei Leahy de 1997, que recebeu o nome do senador Democrata por Vermont Patrick Leahy, impede que os EUA financiem unidades suspeitas de “violações graves de direitos humanos” (assassinato, tortura e aprisionamento extrajudicial).

Mercenários do ESL treinados e pagos pelos EUA
Todos os grupos do Exército Sírio Livre que CIA e Pentágono estão treinando cometeram esses crimes e atualmente colaboram com grupos terroristas.

Recentemente, a Reuters elogiou o sucesso do Exército Sírio Livre no sul, onde, como noticiamos há dois meses, mercenários do Exército Sírio Livre treinados pela CIA vieram da Jordânia e, protegidos pela artilharia israelense, capturaram a colina de Golan para, dali, avançar em direção a Damasco. Visando a enganar, não a informar, a Reuters escreve que:

As forças de Assad controlam Damasco, a costa mediterrânea e grande parte da área entre esses dois pontos. O Estado Islâmico, braço recém brotado da al Qaeda, controla o leste, e a al-Nusra controla boa parte do noroeste e está expandindo-se, ganhando território dos moderados.

As províncias do sul próximas da fronteira da Jordânia são exceção; ali, rebeldes que se se autodenominam “Frente Sul” ainda controlam território e estão conseguindo resistir a Assad, ao mesmo tempo em que têm evitado confrontos diretos com al-Nusra.

A CIA/ESL no sul não apenas evitaram “confrontos diretos com a al-Nusra”: eles cooperaram intensamente com a Frente al-Nusra. Os terroristas de al-Nusra são os atacantes da linha de frente em todas as batalhas no sul. (O Exército Sírio iniciou ampla contraofensiva contra esses ataques no sul, e logo conseguirão detê-los completamente, antes que cheguem a ameaçar Damasco).

Violações extensivas de direitos humanos documentadas desde o início de 2012 e forte cooperação com grupos terroristas são a marca dos mercenários anti-Síria que CIA e Pentágono estão treinando. Esse treinamento é, portanto, ilegal, nos termos da lei norte-americana. Obama sabe disso, motivo pelo qual insiste, até agora sem sucesso, em que seja modificada a lei que rege o financiamento, pelo governo dos EUA, de grupos terroristas.

A atitude de Obama, reincidente nesse tipo de infração à lei, não seria boa base para um processo de impeachment contra o presidente?

Obama na Austrália, justificando o injustificável
A lei internacional proíbe ataques contra o estado soberano sírio. Obama só faz reincidir no mesmo crime, cada vez que manda mercenários para lutar contra o estado sírio. O próprio Obama, ontem mesmo, disse o seguinte:

Acreditamos que nações e povos têm o direito de viver em segurança e em paz; que uma ordem segura efetiva (...) deve ser baseada – não em esferas de influência ou coerção ou intimidação nas quais grandes nações violentam as menores – mas em alianças para segurança mútua, lei internacional e normas internacionais que têm de ser respeitadas, e na resolução pacífica das disputas.

Só as platitudes de sempre, típicas de Obama, é claro. Mas a questão é: Por que nenhum jornalista da imprensa-empresa dominante, para começar, não questionou o presidente? Afinal o governo dos EUA faz exata e precisamente o contrário do que o presidente proclama...


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ver/ouvir versão em performance de David Johansen com legendas em português.


Iniciativa Moscou/Cairo ‒ Nova ação pró-paz na Síria e por que Obama quer matá-la

14-16/11/2014, [*] Shamus Cooke, Counterpunch
Traduzida pelo pessoal da Vila Vudu

Por que não há conversações sérias de paz para pôr fim à guerra na Síria? Depois de ter roubado a vida de mais de 130 mil pessoas e gerado mais de 9 milhões de refugiados expulsos de suas casas, a guerra na Síria infectou praticamente toda a região do Oriente Médio. Mas, mesmo assim, não há qualquer sinal, entre os EUA e seus aliados regionais, de discussão em torno de algum plano viável de paz; só se ouve conversa de guerra.

É difícil discutir projetos de paz, quando os EUA só fazem manobrar para obter mais guerra, já entregaram recentemente a rebeldes sírios mais de meio bilhão em armas e para custear treinamento militar, ao mesmo tempo em que negociaram um acordo com a Arábia Saudita para abrir novo campo de treinamento de rebeldes, além do que já funciona na Jordânia. Em vez de mobilizar para a paz a vasta influência que tem no Oriente Médio, Obama usou-a para promover mais e mais guerra.

O impressionante fracasso das conversações de paz sobre a Síria conduzidas pelos EUA em Genebra, foi resultado de movimento executado sem a seriedade exigida pela ação de liquidação de uma nação, como se vê na Síria. Obama serviu-se das conversações para promover “interesses dos EUA”, e excluiu propositalmente o Irã daquelas conversações, tentando alavancar poder desproporcional para os rebeldes do “Exército Sírio Livre” de Obama, que têm poder microscópico em campo e que usaram as conversações de paz exclusivamente para ali introduzir demandas descabidas, irrealistas e inaceitáveis.

Obama adotou posição passiva nas conversas de paz, deixando que gorassem, em vez de fazer valer propostas sérias, que expressassem a real situação em campo. Desde janeiro não há conversação alguma, e Genebra III não tem data para começar, com Obama ocupado exclusivamente com aumentar o poder de barganha dos rebeldes, via sempre mais guerra. Afinal, a lógica é a de armar cada vez mais e treinar o mais possível o maior número possível de rebeldes, os quais, adequadamente armados e treinados acabarão por controlar território suficiente para forçar o governo de Assad a barganhar em pés de igualdade.

O vácuo gigante no mercado da paz abriu oportunidades para que Rússia e Egito operem para introduzir-se, como já se sabe que estão fazendo, como novos líderes confiáveis na diplomacia do Oriente Médio, em parte para ampliar a própria influência, em parte para protegerem-se da conflagração do extremismo islâmico que o conflito está gerando.

Treinamento do ESL patrocinado pelos EUA 
Como Mint Press noticia, da história em andamento:

Moscou e Cairo preparam-se para uma conferência entre o regime sírio e a oposição, na esperança de aproximá-los para que constituam um governo de transição que ‘combata o terrorismo’  (...) Na agenda da conferência que acontecerá entre os dois lados, prevê-se o estabelecimento, de um governo sírio de transição, com amplos poderes, e que preservará a autoridade do presidente Bashar al-Assad da Síria sobre o exército e as forças de segurança.

Se essa proposta chegar a confirmar-se, será preciso reconhecer amplamente os méritos da iniciativa no cenário mundial e defende-la – porque o mais provável é que Obama faça todo o possível para sabotar a paz. Isso, porque os rebeldes de Obama em campo na Síria — frouxamente reunidos sob o rótulo do “Exército Sírio Livre” – não têm qualquer poder, o que o processo de paz liderado pela Rússia deixará bem visível. Além disso, a Rússia usará essa evidência para forçar um tratado de paz, o que deixará pouco espaço de influência para o governo Obama, no novo governo. Aí está um acordo de paz que Obama prefere ver bem morto.

Os rebeldes de Obama continuam a ser força muito débil, e o governo sírio continua a obter avanços militares substanciosos. Fato imensamente importante (embora absolutamente não noticiado no ocidente) é que já se assinou um acordo de paz na maior cidade da Síria, Aleppo, modelado conforme os termos do acordo de paz assinado em Homs, e pelo qual os rebeldes foram autorizados a retirar-se, depois de entregar as armas, o que devolveu ao governo do presidente Assad o governo de fato da cidade.

Robert Fisk
Interessante, o veterano jornalista Robert Fisk, especialista em Oriente Médio, questionou recentemente, não a importância do Exército Sírio Livre de Obama, mas a própria existência do tal exército. Como Fisk explica:

Que eu saiba, o Exército Sírio Livre anda bebendo café demais em Istambul. Nunca cruzei com eles – exceto nos primeiros meses da luta, jamais vi sequer prisioneiros do Exército Sírio Livre... Vocês entendem. O Exército Sírio Livre, aos olhos dos sírios, não tem existência real, não existe. Os sírios conheceram a al-Qaeda, Nusrah, vários outros grupos islamistas e agora, claro, também o ISIS ... Mas acho que não dão muita importância ao Exército Sírio Livre. Um oficial me disse que alguns “rebeldes” já estão sendo aceitos de volta no Exército Sírio, para poderem voltar para casa. Outros foram autorizados a voltar para casa, mas não poderão servir nunca mais no Exército Sírio. Na minha opinião, o Exército Sírio Livre não passa de mito. Acho que não existe, e os sírios também pensam como eu.

A análise de Fisk, sobre o Exército Sírio Livre mostra a perspectiva de muitos que há muito tempo dizem que o Exército Sírio Livre já foi totalmente absorvido nas milícias islamistas extremistas. Se ainda existir, o Exército Sírio Livre só sobrevive precariamente em bolsões irrelevantes. Mas Fisk suspeita que o Exército Sírio Livre não passe de mito, pura invenção do governo Obama, usado para justificar o prosseguimento da guerra na Síria.

À parte a fragilidade das forças de Obama em solo, há razões geopolíticas mais amplas pelas quais Obama rejeitará qualquer acordo de paz liderado por Rússia/Egito. Para começar, o governo Obama ainda recentemente, fez mais um gordo investimento na guerra, doando $500 bilhões aos rebeldes sírios e treinando milhares mais na Arábia Saudita, ações que, de fato, impossibilitaram qualquer reconciliação significativa com o Irã.

Obama optou por reforçar íntimas alianças com estados párias, Arábia Saudita e Israel, e esses dois querem a Síria destruída. Ao se re-comprometer com Arábia Saudita, Turquia e Israel, Obama, de fato, abandonou qualquer ideia de paz com Síria e Irã, porque esses aliados de Obama querem a destruição de Síria e Irã.

Egito (al-Sisi) e Rússia (Putin) querem paz na Síria... Mas os EUA querem guerra
Se Obama seguir o comando de Rússia e Egito no processo de paz, seus aliados o abandonarão, porque já investiram quantidades descomunais de dinheiro, armas e a própria sobrevida política, em esforço total para que seus governos e empresas ‘nacionais’ extraiam todo o lucro possível do fim do atual governo sírio.

Essa é a base do total impasse geopolítico que se vê no Oriente Médio.

Claro que as empresas norte-americanas gigantes que se beneficiam do domínio dos EUA sobre o Oriente Médio vivem hoje de pressionar Obama para que mantenha a guerra. O impasse já se tornou tão óbvio e destrutivo na Síria, que Rússia e Egito se autointrometeram como negociadores no processo de paz, movimento que ajudará a promover a alavancagem deles na região, ao mesmo tempo em que força os EUA para fora.

Independente de lutas pelo poder regional, se algum acordo racional de paz – negociado pela Rússia, pelo Egito ou por quem for – chegar a poder ser discutido, o mundo terá de exigir que todos procurem a paz, porque não se pode admitir que a catástrofe síria continue.


Obama e seus aliados regionais já se mostraram totalmente incompetentes e incapazes de produzir qualquer proposta exequível de paz – sempre mais interessados em manter a guerra. Obama tem aí mais uma chance para reconhecer o fracasso de sua guerra por procuração; para aceitar uma paz que já terá custado 100 mil vidas humanas. Ou continuará obcecadamente avante, expandindo a matança. Pôr fim à guerra na Síria é tão fácil quanto reconhecer fatos que aí estão à vista de todos. E redigir um tratado que manifeste os mesmos fatos.

[*] Shamus Cooke é trabalhador de Serviço Social, sindicalista e escritor ligado a Workers Action.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Alguns links sobre a tal “Guerra ao ISIS/ISIL”

12/9/2014, [*] Moon of Alabama
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 

Subúrbios de Istambul - local de recrutamento do ISIS/ISIL
Só umas poucas ideias alinhavadas e algumas manchetes sobre a tal não-guerra contra o ISIS/ISIL.

Sobre a ideia de treinar e armar “rebeldes moderados”, o pessimismo é geral:

·       Estado Islâmico contrabandeia petróleo para a Turquia – com reféns como garantia. Bombardear poços de petróleo do ISIS?

Temos de fazer todo o possível para tentar saber quem é a oposição contra o ISIS/ISIL. Francamente, não temos nenhuma pista. – disse Ryan C. Crocker, ex-embaixador dos EUA no Iraque e Síria.

Recrutamento do ISIS/ISIL
Pelo menos, não mente. Não têm pista alguma, absolutamente nenhuma. Pelo menos, não mente. Não têm pista alguma, absolutamente nenhuma. Trecho de um “briefing” da Casa Branca, distribuído por “Alto Funcionário”:

O ISIS/ISIL é, eu acho, ameaça que galvaniza os parceiros sunitas na região. Eles veem o grupo como ameaça existencial contra [eles mesmos, os sunitas]. A Arábia Saudita tem extensa fronteira com a Síria.

Esse pessoal totalmente-sem-noção não sabe nem interpretar um mapa! Mas acontece também com esses neocons que nem sabiam que havia xiitas no Iraque, antes de a invasão dos EUA chegar lá. De qualquer modo, não há grande diferença entre eles e os “intervencionistas de esquerda” no governo de Obama. Como diz o embaixador MK Bhadrakumar:

A presidência de Obama completou seu ciclo, ao reinventar os dogmas neoconservadores que ele rejeitava ou fingia rejeitar, rejeição que o tornou elegível. Com o pretexto de estar combatendo algum Estado Islâmico – o qual, para começo de conversa, é criação dos EUA e de seus aliados – o que temos ante os olhos é massivo projeto neoconservador para remodelar o Oriente Médio Muçulmano para que se “adapte” aos objetivos geopolíticos dos EUA. Deem o nome que quiserem, é guerra imperial – por mais que seja guerreada por Prêmio Nobel da Paz, no trono do golpista-em-chefe.

ISIS/ISIL recruta jihadistas em vilarejos do Oriente Médio
Mas o outro lado tem suas próprias ideias. Muita substância sobre a qual pensar, em três tuítos de Peter Lee, codinome “Chinahand”:

1.      Ocidentais zombam pretensões do Califato EI, mas ele toca a alma de não poucos muçulmanos: esforço para reimplantar governo teocrático. [1/3]

2.     no coração dos califatos Umayyad/Abásidas, virar a página de séculos de governo colonial e pós-colonial DESASTROSO, substituir estados fragmentados/corruptos. [2/3]

3.     por poder islâmico unificado. A passividade ocidental valida o Califato e sua estratégia transnacional. Talvez RPC [República Popular da China]/Rússia consigam traçar a linha-limite. [3/3]

Será o ISIS/ISIL movimento anti-império anglo-EUA-sionista?


[*] “Moon of Alabama” é título popular de “Alabama Song” (também conhecida como “Whisky Bar” ou “Moon over Alabama”) dentre outras formas. Essa canção aparece na peça Hauspostille (1927) de Bertolt Brecht, com música de Kurt Weil; e foi novamente usada pelos dois autores, em 1930, na ópera A Ascensão e a Queda da Cidade de Mahoganny. Nessa utilização, aparece cantada pela personagem Jenny e suas colegas putas no primeiro ato. Apesar de a ópera ter sido escrita em alemão, essa canção sempre aparece cantada em inglês. Foi regravada por vários grandes artistas, dentre os quais David Bowie (1978) e The Doors (1967). A seguir podemos ouvir versão em performance de Tim van Broekhuizen.