Mostrando postagens com marcador Kevin Gosztola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kevin Gosztola. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Obama mente, finge, faz cena... tudo para conseguir mais guerra no Iraque e na Síria

11/9/2014, [*] Kevin Gosztola,  Firedoglake –
Excerto traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Bush para Michael Moore (Fahrenheit 9/11):
- Cheirando queimado?
- O que está cheirando queimado?
A doutrina de política externa neoconsevadora exposta pelos funcionários do governo de George W. Bush foi definida pela crença ideológica de que os EUA teriam

(...) papel único na preservação e extensão de uma ordem internacional amistosa relativa a nossa segurança, nossa prosperidade e nossos princípios.

Em outras palavras, os EUA são a única nação indispensável sobre a terra. Aquela crença ideológica inspirou o governo Bush a inventar uma guerra no Iraque que foi baseada integralmente em mentiras. Hoje, mais de 11 anos depois daquilo, a mesma crença ideológica arrasta também o governo do presidente Barack Obama.

No discurso em que Obama anunciou sua estratégia para “degradar e, na conclusão, destruir” o Estado Islâmico no Iraque e Síria (ISIS/ISIL), ele invocou os ataques do 11 de setembro de 2001 e a recessão econômica.

(...) vivemos num tempo de grandes mudanças. Amanhã se marcam 13 anos desde que nosso país foi atacado. Semana que vem, marcam-se 6 anos desde que nossa economia sofreu o maior revés desde a Grande Depressão. Apesar desses choques; apesar da dor que sentimos e graças ao empenhado trabalho necessário para nos reerguer – os EUA estão hoje em melhor posição para encarar o futuro, que qualquer outra nação na Terra.

O discurso de Obama
E Obama prosseguiu, listando feitos e mais feitos, a maioria dos quais absolutamente nada têm a ver com o que acontece no Iraque e na Síria, agora que os EUA escalam a guerra. Falou de empresas de tecnologia, universidades, manufatura, indústria automobilística e criação de empregos

Longe de nossas fronteiras, a liderança dos EUA é a única constante num mundo de incertezas. São os EUA que temos a capacidade e o desejo de mobilizar o mundo contra terroristas – disse Obama.

Foram os EUA que se conclamaram o mundo a levantar-se contra a agressão russa e em apoio ao direito dos povos ucranianos de determinarem o próprio destino. São os EUA – nossos cientistas, nossos médicos, nosso know-how – que podem ajudar a conter e curar o surto do ebola. São os EUA que ajudaram a remover e destruir as armas químicas sírias declaradas, de modo que já não ameaçam o povo sírio – ou o mundo – nunca mais. E são os EUA que estão ajudando comunidades muçulmanas em todo o mundo, não só na luta contra o terrorismo, mas na luta por oportunidade, tolerância e futuro de mais esperanças.

Mas... como assim?! A verdade é diferente!


Os EUA lideram o mundo só no tenha a ver com espionar, escanear civis obrigados a despir-se em público, deter, torturar, executar assassinatos premeditados extrajudiciais e tudo isso, sim, afeta desproporcionalmente as comunidades muçulmanas. Os EUA estavam a um passo de bombardear a Síria, quando John Kerry – sem nem pensar no que dizia – sugeriu que a Síria entregasse seus estoques de armas químicas. O Ministro Sergey Lavrov da Rússia deu bom uso à leviandade de Kerry: foi possível ajudar o governo sírio a livrar-se de um arsenal químico caro, inútil e perigoso, não por ação dos EUA, mas por ação de uma coalizão para IMPEDIR que os EUA bombardeassem a Síria. (...) E chega a ser inadmissivelmente desumano falar de cientistas em luta contra um vírus mortal, no mesmo discurso em anuncia estratégias para MAIS GUERRAS.

America, as infindáveis bênçãos que nos cobrem cobram de nós custo duradouro. Mas, como americanos, nossa responsabilidade para liderar é, sobre nós, bem-vinda – Obama, praticamente num púlpito de igreja!

A frase tem sobretons bíblicos. Com os EUA em cena como se fossem o cordeiro de Deus que limpa os pecados do mundo! Como se fossem os salvadores da Terra! [Obama tá pensano que é Marina Silva?! (NTs) :-))]

ISIS/ISIL desfila em Raqqa, norte da Síria (6/9/2014)
Nada, mais do que o tom “bíblico” mostra que tudo, no discurso de Obama é encenação, fantasia, discurso delirante. Por exemplo (mais um, na sequência):

Nossa própria segurança, nosso próprio bem-estar depende de nossa disposição para fazer o que tenha de ser feito para defender esta nação e levantar bem alto os valores que defendemos – ideais intemporais que perdurarão por muito tempo depois que esses que só oferecem ódio e destruição já tiverem sumido da face da Terra. [Acredite quem quiser (NTs!)]

Mas fato é que até o New York Times já sabe que o ISIS absolutamente não representa hoje qualquer tipo de ameaça contra os EUA. Depois do discurso de Obama, o jornal voltou ao tema:

Funcionários e especialistas em terrorismo entendem hoje que o perigo que o ISIS representaria foi distorcido em horas e horas de conversa fiada de televisão e de alarmismo distribuído por “especialistas” e por políticos oportunistas; e que absolutamente não houve qualquer debate público aproveitável sobre consequências não desejadas da ação de Obama, que tenta expandir a ação militar dos EUA no Oriente Médio.

Daniel Benjamin
Mais que isso:

Daniel Benjamin, que trabalhou como principal conselheiro para contraterrorismo do Departamento de Estado no primeiro mandato do presidente Obama, disse que a discussão pública sobre a ameaça do ISIS “não passou de farsa”, com membros do gabinete e altos assessores militares falando pelos cotovelos, apresentando a ‘ameaça’ nos termos mais exagerados e sem qualquer fundamento.

Difícil imaginar melhor indicação da capacidade de funcionários eleitos e torsos-e-cabeças-falantes de TV para levar a população à ignorância e ao pânico, com suas ‘opiniões’ de que a nação está infiltrada de células terroristas dormentes, que há agentes terroristas entrando aos borbotões pela fronteira do Texas, ou que logo estarão aí espalhando vírus Ebola – e tudo sem nenhuma informação confirmada” – disse Mr. Benjamin, que dá aulas no Dartmouth College. (...)

De fato, o governo Obama poderia começar por trabalhar para “detonar” apenas metaforicamente, mas suficientemente, as finanças do ISIS, em vez de começar pela escalada militar. Em vez de guerra, poderia começar por  interromper os fluxos externos de doações para o grupo!

Haidar al-Abadi, novo Primeiro Ministro do Iraque
(...) No Iraque, um novo governo acaba de tomar posse dia 8 de setembro. E apenas dois dias depois, o governo dos EUA já anuncia planos para escalar na ação militar contra o país, sem nem dar tempo ao novo governo de tomar pé e começar a trabalhar?!

E o que fará Obama, se sua ação tiver efeito de desestabilização sobre (também!) o novo governo iraquiano, como se viu acontecer recentemente no Iêmen, na Somália, no Paquistão, no Afeganistão e no Iraque?
_______________________________

[*] Kevin Gosztola é articulista e editor de The Dissenter, blog instalado no portal Firedoglake, que faz cobertura regular e denúncias, sobre quebra ilegal de sigilo, drones, NSA, Edward Snowden, a ampla cobertura crítica da "guerra ao terrorismo" e as várias questões que afetam as liberdades civis. É co-autor do livro Truth and Consequences: The US vs Private Manning, parceria com Greg Mitchell. O livro apresenta um relato minucioso do ocorrido no período do pré-julgamento sofrido por  Chelsea Manning.
Em 2011, atuou como estagiário para a revista The Nation e trabalhou em estreita colaboração com Mitchell, ajudando-o a manter o seu blog diário WikiLeaks. Ele também ajudou Mitchell a produzir The Age of WikiLeaks e Bradley Manning.: Truth and Consequences
Contribuiu nos veículos e programas de rádio e TV tais como CounterSpin, Democracy Now!, The Alyona Show, Sirius XM Left e The Young Turks. Orador muito apreciado, apresentou programas sobre WikiLeaks, Guantánamo Bay e outros temas relacionados com as liberdades civis.

quarta-feira, 13 de março de 2013

EUA: Tradutor da Marinha acusado de violar “Lei Antiespionagem”


11/3/2013, Kevin Gosztola,The Dissenter
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Nota do Coletivo de Tradutores da Vila Vudu: Esta tradução exige revisão técnica, por alguém versado na terminologia jurídica. Fica aqui, apenas, como sugestão de leitura “informativa” e tradução a ser corrigida, que dá notícia do “estado de vigilância” em que os EUA estão naufragando. O Brasil tem longa e triste história de “Leis de Segurança Nacional”, algumas das quais serviram como fundamento legal do estado de exceção, durante todo o longo período mais negro da ditadura brasileira.

Kevin Gosztola
O caso de Hitselberger é o sétimo que o Departamento de Justiça julga no governo do presidente Barack Obama, em que se interpreta como crime a posse não autorizada ou a divulgação de informação classificada [não necessariamente secreta, mas considerada “sensível”, em diferentes graus de classificação], nos termos da “Lei Antiespionagem” [orig. Espionage Act] – lei do tempo da 1ª Guerra Mundial, aprovada em 1917, que foi usada então para silenciar dissidentes.

Um linguista contratado pela Marinha e acusado de ter praticado duas violações do que dispõe a Lei Antiespionagem, por ter mantido consigo “informação da defesa nacional”, foi acusado agora pelo governo Obama, de uma terceira violação da mesma lei.

James F. Hitselberger
James F. Hitselberger trabalhava no Bahrain como tradutor. Era colecionador de documentos. Como o descreve Steven Aftergood, do site Secrecy News, Hitselberger é “colecionador peripatético de documentos raros.” Em seu quarto, onde, teria sido encontrado “um documento classificado em abril de 2012”, havia jornais e muitos livros. Alguns de “seus achados ao longo dos anos” foram doados “à Hoover Institution da Universidade Stanford – onde realmente há uma “Coleção James F. Hitselberger”. A coleção inclui “cartazes e panfletos políticos que coletou no Irã pré-revolucionário”.

Agentes dos serviços de investigação criminal da Marinha, como se lê na acusação redigida contra ele, encontraram documentos classificados, recolhidos por Hitselberger, e carimbados como “secretos”. Também encontraram um “documento classificado intitulado “Bahrain Situation Update” [Atualização sobre a situação do Bahrain] datado de 13/2/2012”.

Como já se viu acontecer em outros casos em que indivíduos foram acusados de guardar ou divulgar informação classificada, a defesa de Hitselberger está contestando a constitucionalidade da Lei Antiespionagem.

Hitselberger está sendo acusado de violar o item 793(e) da Lei Antiespionagem, e argumenta, em declaração divulgada pelo site Secrecy News:

A lei visa a impor penas a quem deliberadamente retenha documentos que contenham informação relativa à segurança nacional. A expressão “relativa à segurança nacional” cobre tamanha quantidade, massiva, de informação, que a lei deixa sem definir qualquer diferença clara entre a conduta criminosa e a conduta não criminosa; o § 793(e) não identifica a indispensável especificação que caracterizaria um estado mental criminoso. Por fim, o § 793(e) diz que a conduta é criminosa, se a pessoa retém informação que a pessoa deva entender que possa ser usada para ferir os EUA. Essa frase também é inconstitucionalmente vaga.

O juiz que preside o julgamento de Hitselberger reconheceu que Hitselberger “não distribuiu a informação classificada para qualquer “poder estrangeiro”.”. Implica que o governo não o acusa de ter tentado “oferecer vantagem a nação estrangeira”, por ter mantido com ele os documentos.

Steven Rosen
A defesa argumenta que, no processo EUA versus Rosen, a corte reconheceu que “instrução padrão específica não bastava para suprir a falta de precisão, inconstitucional, do § 793(e). A corte entendeu que o intento – agir com conhecimento de que a conduta violaria a lei e de que a divulgação da informação implicaria ameaça à segurança nacional – definia conduta que o acusado poderia ter adotado “por algum motivo saudável”.

Além disso, no julgamento, a corte exigiu que o governo provasse que o acusado, naquele caso, teria divulgado informação “com propósito de má fé, ou para ferir os EUA ou para ajudar algum governo estrangeiro”. Sem essa prova, toda a acusação fracassou.

O que é a tal “informação de defesa nacional”? Como argumentou o professor e especialista Melvin Nimmer, “há incontáveis documentos sobre os  establishments do Exército e da Marinha, ou atividades relacionadas à prontidão da defesa nacional, que não ameaçam nenhum interesse concebível de segurança nacional ou favorecem interesses de outros governos, o que justificaria a condenação de alguém que ‘'comunicasse'’ tais documentos”.

A declaração prossegue:

O texto da lei permanece inconstitucionalmente impreciso, porque não se tipifica suficientemente a informação, para que um possível acusado saiba claramente que tipo de documento pode e não pode ter em seu poder, divulgar ou não divulgar. A exigência de que seja documento ou informação “classificada” tampouco deixa claro do que trata a lei. O sistema de “classificação” de informações, em uso pelo Executivo, não manifesta qualquer clareza. A limitação não cuida de situações “nas quais indivíduos revelem informação que de modo algum deveria, para começar, ter sido classificada, dentre as quais informações sobre programas e atividades ilegais do próprio governo”. Um carimbo sobre um documento, que o identifique como classificado, “é, no máximo, uma referência circunstancial” reconhecida insuficiente para que aí se apliquem outras leis, que não a Lei Antiespionagem; e não bastam para agregar significado a frases vagas daquela lei. [negritos nossos]

A defesa também objeta à expressão “ferir os EUA ou ajudar algum governo estrangeiro”, porque “cria tal amplidão, que viola a Constituição dos EUA” e “criminaliza condutas que não ferem os EUA, ainda que ajudem algum governo estrangeiro”.

Além disso, a expressão é “geral demais para sobreviver à proteção assegurada pela 1ª Emenda”, porque, como disse Nimmer, “Dado que esse padrão jamais seria aceitável em outros contextos de discurso, não há razão para que seja mais aceitável onde o interesse do contradiscurso seja a segurança nacional”. Por isso, a defesa alega que:

Não há aqui qualquer orientação, só que o acusado tenha motivos para crer que a divulgação da informação feriria os EUA ou ajudaria nação estrangeira. Mas esse dispositivo de lei é excessivamente abstrato para que satisfaça essa exigência. Nada há de “limitado, objetivo e definido” nessa expressão, nem qualquer definição dos limites do tipo de informação cuja divulgação se inscreveria no campo da conduta criminosa.

O caso de Hitselberger é o sétimo que o Departamento de Justiça julga no governo do presidente Barack Obama, no qual o governo interpreta como crime a posse não autorizada ou a divulgação de informação classificada [não necessariamente secreta, mas considerada “sensível”, em diferentes graus de classificação (NTs)], nos termos da “Lei Antiespionagem” [orig. Espionage Act] – lei do tempo da 1ª Guerra Mundial, aprovada em 1917, que foi usada então para silenciar dissidentes nos EUA.

Bradley Manning
No caso de Bradley Manning, a defesa perguntou, rejeitando a acusação:

Que tipo de ferimento e que tipo de vantagem são considerados no item 793(e)? Qual a magnitude considerada do ferimento ou da vantagem? Essas perguntas levam à questão crucial dos termos e dos objetivos vagos: como alguém algum dia saberá qual a conduta que a lei proíbe, se a própria lei deixa tantas perguntas sem resposta?

A defesa de Bradley Manning argumenta que:

...nos termos do item 793(e), se um repórter tem informação não autorizada relacionada à defesa nacional e publica essa informação em matéria jornalística, tendo motivos para crer que aquela informação naquela matéria possa ser usada para ferir os EUA ou dar vantagem a alguma nação estrangeira, esse repórter fica em posição de poder ser alvo de processo criminal.

Mas a juíza, no caso Manning decidiu que não cabe descartar as acusações feitas contra Manning nos termos da Lei Antiespionagem por serem inconstitucionalmente vagas ou abusivas. (O governo continua empenhado em levar a julgamento as acusações formalizadas nos termos da Lei Antiespionagem, mesmo depois de Manning ter-se confessado culpado em algumas outras acusações, dia 28/2/2013).  

John Kiriakou
A defesa de John Kiriakou, o agente da CIA que cumpre pena de 30 meses de prisão, depois de ter-se confessado culpado por violar a [lei] Intelligence Identities Protection Act (IIPA), foi inicialmente condenado por violar a Lei Antiespionagem – e sua defesa conseguiu contestar a condenação, porque Kiriakou fora funcionário da CIA. “Por que a divulgação de informação relativa a identidade ou atividade de funcionários da CIA que trabalharam no exterior há mais de cinco anos, feriria os EUA?” – perguntou a defesa.

Thomas Drake, “vazador” da Agência de Segurança Nacional (NSA) enfrentou acusações nos termos da Lei Antiespionagem, quando foi processado; sua defesa argumentou que:


Thomas A. Drake
A lei criminaliza o âmago do discurso político – nesse caso, uma tentativa de discutir abertamente e expor uma fraude, desperdício e abusos praticados e cometidos por uma agência governamental. A lei também proíbe, impropriamente, a liberdade de imprensa, ao criminalizar a posse de informação e de documentos necessários para que a imprensa informe ao público sobre condutas do governo e para que participe do debate sobre políticas governamentais. Por mais que o governo sem dúvida tenha interesse em proteger a segurança nacional, o item 793(e) não está satisfatoriamente modelado para alcançar aquele legítimo interesse governamental.[6]

O governo Obama trabalhou para converter a Lei Antiespionagem em Lei dos Segredos do governo Obama. Nessa direção, o governo Obama já processou mais de o dobro de “vazadores”, que todos os presidentes anteriores, somados.

Seja ou não adequado ou recomendável que Hitselberger entregue documentos a um arquivo público ou guarde-os com ele, há excesso da Procuradoria que use a Lei Antiespionagem contra ele. Há medidas administrativas que facilmente indicariam a Hitselberger que parasse de fazer o que fazia.

Mas, como em casos anteriores, os Procuradores do Departamento de Estado querem desesperadamente condenar alguém usando a Lei Antiespionagem, para que aumente a força do governo Obama para impedir o livre fluxo de informação, inclusive no caso de informação carimbada como super-mega-hiper-over secreta, que tenha de ser acessível à opinião pública. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Obama, guerra permanente e John Brennan na CIA


7/1/2013, Kevin Gosztola, The Dissenter
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Kevin Gosztola
John Brennan, que foi conselheiro para contraterrorismo do presidente Obama no primeiro mandado, foi indicado para presidir a CIA. É sinal, não só de que Obama planeja manter o programa de assassinatos autorizados, principalmente no Iêmen, Paquistão e Somália, mas, também, de que a “Guerra Global ao Terror” continua, sem término à vista.

Perfil escrito por Karen DeYoung para o Washington Post publicado em outubro do ano passado, anotava que Brennan foi responsável por “compilar as regras para uma guerra que o governo Obama crê que ultrapassará em muito sua permanência na Casa Branca, sejam só mais alguns meses ou mais quatro anos.” Foi o homem que concebeu o “manual” – a tal “matriz de descarte”, distópica – que incluiu “procedimentos administrativos em andamento” que consistem em definir como alvo de assassinato premeditado alguns indivíduos que o governo dos EUA creia que sejam, ou apenas desconfie que sejam, membros da Al-Qaeda e de grupos afiliados ou que tenham com eles qualquer laço, por mínimo que seja.

John Brennan e Barack Obama em reunião na Casa Branca
O critério para incluir indivíduos naquela “matriz de descarte” é de uso exclusivo do Centro Nacional de Contraterrorismo, ao qual, em julho do ano passado, o governo Obama assegurou o direito de “recolher e reavaliar continuamente”, por até cinco anos, informação relacionada a cidadãos norte-americanos inocentes. Sugere vasta expansão do Estado de Vigilância e erosão profunda do devido processo legal, contra todos os povos do mundo, porque essa “inteligência” é coletada para eliminar, por assassinato premeditado, pessoas que o círculo presidencial decida que representam ameaça e, assim, não consigam obter autorização para continuarem vivas, estejam onde estiverem.

John Brennan
Embora o perfil publicado pelo Post sugerisse que Brennan argumentara internamente que a CIA “deve focar-se em atividades de inteligência e deixar a ação letal para seus agentes mais tradicionais, os militares, onde a lei exija maior transparência”, fica-se a conjecturar se Brennan, na prática, considerará essa possibilidade.

O Post descreveu Brennan no comando de “uma política tão secreta que é impossível, para quem a analise de fora, avaliar se é ou não legal e se está ou não conforme as leis de guerra ou os valores dos EUA – nem, sequer, determinar o exato número de pessoas assassinadas.” Mas ainda que as ações letais fossem devolvidas aos “seus agentes tradicionais, os militares”, não implica necessariamente que o presidente não continuasse a manter clandestinos os assassinatos premeditados, recorrendo ao argumento das “restrições de segurança nacional”, se algum detalhe vier a público.

A CIA combateu contra todos os esforços para alcançar alguma transparência, por grupos como ACLU, nos tribunais. Em processo baseado na Lei de Liberdade de Informar, a CIA recusou-se a confirmar ou negar a existência de registros do programa de assassinatos premeditados autorizados pela presidência dos EUA.

Deve-se esperar esse tipo de preservação dos sigilos e segredos, se Brennan assumir a chefia da CIA, não só porque se sabe que a CIA conduz operações clandestinas das quais a opinião pública não é informada, mas, também, porque Obama atribuiu à CIA e ao Comando Conjunto de Operações Especiais [orig. Joint Special Operations Command (JSOC) o poder legal para conduzir operações secretas não limitadas aos termos da lei nem passíveis de discussão política.

Jeh Johnson
O ex-conselheiro geral do Pentágono, Jeh Johnson apareceu recentemente no programa “The Rachel Maddow Show” da rede MSNBC para “entrevista exclusiva”, para falar de sua crença de que haverá um “ponto de virada” em futuro não muito distante, que começará a esvaziar o conflito armado e fará a Guerra ao Terror encaminhar-se para um (algum) fim. Mas o “manual”, segundo o Post, foi desenvolvido para garantir um “contexto” que limitasse o “deslocamento dos drones”, ao mesmo tempo em que expandia seu uso no que “já se converteu em guerra permanente dos EUA”.

O simples uso dos aviões-robôs tripulados à distância, os drones, garante que os EUA jamais sequer se aproximem, em futuro próximo, do tal metafísico “ponto de virada”.

Se Brennan estiver no comando da CIA, pode-se ter certeza absoluta de que ninguém lá chegará ao tal ponto, durante o segundo mandato de Obama.

Atualização 1:

Obama já pensara em Brennan para a chefia da CIA em novembro de 2008. Scott Horton, da revista Harper’s explicou, naquele momento, porque seria indicação que se devia rejeitar:

Scott Horton
Foi agente-operador da inteligência, de carreira, com resultados relevantes a considerar, e avaliado como líder efetivo e inteligente pelo pessoal com quem trabalhou. Mas tem um ponto crítico, grave, a objetar: é totalmente ambíguo e inconsistente, e ninguém sabe o que Brennan realmente pensa, no que tenha a ver com a CIA recorrer à tortura, diretamente executada, ou dissimulada sob algumas ‘técnicas’ e delegada a terceiros. Disciplinado, Brennan sempre foi rápido nas justificativas e no apoio do que tivesse sido feito. Como analista “independente” e informante de vários jornalistas empregados das grandes redes, Brennan sempre apoiou e deu cobertura, da prática da simulação de afogamento (orig. waterboarding) ao uso de drogas psicotrópicas. Como conselheiro da campanha de Obama, Brennan teve seu momento de pouco convincente epifania, e chegou a rejeitar o programa do presidente Bush, acompanhando o discurso do novo patrão. O momento, o timing e as circunstâncias da conversão de Brennan sugerem que tenha sido ditada por sua experiência política, não por alguma consideração moral ou ética.

Na sequência, Brennan retirou a própria “candidatura”. A retirada foi atribuída a oposição ao seu nome, entre grupos de esquerda que apoiavam Obama.

Dessa vez, como a matéria do New York Times sugere: “Não se sabe se a questão da tortura criará problemas para o sr. Brennan. Mas já é figura muito mais conhecida do que era em 2009, com várias intervenções públicas relacionadas a planos terroristas e para oferecer argumentos legais e políticos que justificassem os ataques com drones”.

Verdade é que, hoje, pode-se dar por garantido que a “questão da tortura” não será problema.


Brennan conseguiu “reposicionar-se como marca”. Converteu-se no rosto do programa de assassinatos premeditados do governo Obama. Defender a tortura e os seus torturadores subalternos é coisa do passado. O programa dos assassinatos premeditados – que encontra defensores também entre grupos da esquerda norte-americana – já foi defendido publicamente pelos dois partidos: tem defensores Republicanos e tem defensores Democratas. O programa dos assassinatos premeditados autorizados pelo presidente “encarnou” definitivamente, cada dia mais profundamente, no estado de segurança nacional, ao longo do governo Obama. Por esse grande feito, a aprovação de Brennan não enfrentará dificuldades e, quase com certeza, ele chegará à direção da CIA.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Policiais temem que manifestantes os agridam com xixi & cocô!


Medo histérico em Chicago, à espera do encontro do G8-OTAN, em maio

14/2/2012, Kevin Gosztola, The Dissenter 
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Kevin Gosztola
A prefeitura de Chicago do prefeito Rahm Emanuel comprou “novos escudos protetores de rosto” para os policiais de Chicago, para serem usados durante a reunião do G8-OTAN na cidade, em maio próximo. Os “protetores de rosto”, segundo o Chicago Sun-Times, “adaptam-se perfeitamente sobre as máscaras antigás e blindarão os policiais contra líquidos que sejam jogados contra eles”.

Os escudos estão sendo comprados da empresa Super Seer Corporation com sede no Colorado. 3.057 “escudos novos e aprimorados” já foram comprados. São parte de “contrato de emergência no valor de $193.461”, “primeira aplicação” do “poder extraordinário garantido a Emanuel para comprar equipamentos e serviços necessários para a reunião do G8-OTAN na cidade”. [Em janeiro passado, o Conselho Municipal de Chicago deu ao prefeito Emanuel autorização para fazer compras sem licitação e sem depender de aprovação do Conselho Municipal, no caso de os equipamentos ou serviços necessários para a reunião do G9-OTAN na cidade não estarem previstos nos contratos já existentes.]

Mas exatamente que líquidos o prefeito e os policiais temem que os manifestantes contra a reunião do G8-OTAN “lancem” contra os policiais? O presidente da Frateneral Order of Police (FOP) [Ordem Fraterna da Polícia] Mike Shields argumenta que os novos escudos são necessários para impedir que “anarquistas e outros manifestantes extremistas ceguem os policiais com urina e fezes”.  [1] 

Segundo o Sun-Times, Shields gostou que a compra esteja feita, mas teme que a quantidade seja insuficiente:

“[Shields] não tem certeza de que bastem os 3.057 escudos se, como ele teme, dezenas de milhares de manifestantes chegarem a Chicago para os encontros sem precedentes que atrairão para a cidade as atenções de todo o mundo.

Temos 9.500 policiais. Cada um deles precisa de novo escudo, porque só têm o modelo antigo, que é absolutamente ineficaz, feito de plexiglass muito fino. Se se pressiona o escudo com o polegar, ele se quebra. Se receber uma pedrada, pula fora. Não é impermeável e qualquer líquido o atravessa” – diz Shields.

Sabe-se que os manifestantes que aqui estarão para protestar contra as reuniões do G8 e da OTAN são conhecidos por jogar garrafas com urina e sacos de fezes contra a polícia. Os policiais precisam de escudo que se adapte às substâncias que são jogadas contra eles.”

O presidente da empresa Super Seer Corporation, Steve Smith, não descarta a suposta “ameaça” de “urina e fezes” durante as reuniões na cidade. Sua empresa, que fabrica escudos para policiais, ganhará mais, quanto mais se dissemine esse medo histérico, irracional. Para Smith, o risco de os policiais serem atacados com “sacos de urina e outros líquidos” é “risco bem evidente”. Os protestos serão “voláteis”. Há risco de “policiais serem feridos”. E, aparentemente, há risco de que, entre os projéteis, haja excrementos humanos.

Mas, afinal, quando aconteceu de policiais serem atingidos por tais substâncias? Na matéria publicada no Sun-Times, há rápida referência, perdida no texto, a uma vez, há muitos anos, quando um “anarquista” ou “agitador” foi preso por pôr a polícia em risco de ser atingida por cocô ou xixi de esquerdistas. De fato, jamais se registrou nenhum incidente desse tipo. Não há nenhum incidente que justifique a militarização da polícia e a demonização preventiva dos manifestantes na preparação para os eventos previstos para Chicago.

Pesquisa no noticiário revela que todos os policiais e agentes de segurança da cidade sempre tomaram as medidas de prevenção que uma pessoa razoável considere necessárias. E urina e fezes aparecem entre riscos a temer, porque alguém teria dito que aconteceu, provavelmente em 1999, nos protestos de Seattle contra reunião da Organização Mundial do Comércio, de os policiais terem sido agredidos com urina e fezes. Infelizmente, bastou esse boato, porque nenhum jornalista ou repórter parece ter considerado importante informar que nenhum “anarquista” conhecido jamais jogou urina e fezes contra policiais e que esse é um dos memes que persistem sobre os grandes protestos de nossos dias.

Cidadãos Normais Organizados contra o Cocô
"Cocô-NÃO"
Por isso, em 2008, pouco antes da Convenção Nacional do Partido Democrata em Denver, Colorado, três grupos que organizavam grandes manifestações assinaram um documento que chamaram de “Acordo do Cocô”. Tinha tom satírico, mas foi assinado a sério. O tratado de “não proliferação do cocô” na Convenção Nacional dos Democratas dizia, no preâmbulo:

“O grupo não partidário “Cidadãos Normais Organizados contra o Cocô” (doravante chamado “Cocô-NÃO”) conclama todos os partidos para uma moratória na prática de lançar, portar, distribuir ou induzir o lançamento de excrementos, na semana de 25-29 de agosto.

Reconhecendo afirmações recentes sobre a possível utilização de fezes e urina como arma de ataque, ouvidas nas discussões sobre métodos de controle de multidões durante a Convenção Nacional do Partido Democrata em 2008, criou-se o pânico de que a cidade de Denver possa ser inundada em excremento humano durante o evento;

Movidos pelo desejo implícito de policiais, manifestantes, delegados e do povo de Denver, de evitar-se o contato indesejado com tais dejetos;

Resolveram que se faz necessário um acordo multilateral para pôr fim à paranóia que lançou em confusão tantas pessoas aparentemente racionais;

Declaramos que, juntos, podemos iniciar uma nova era no planejamento de convenções, livres da ameaça de urina e fezes.

Infelizmente, nem esse acordo teve muito impacto na percepção dos policiais, de que estariam sob risco de serem agredidos com urina e fezes. O mesmo medo voltou à tona na Convenção Nacional do Partido Republicano em St. Paul, Minnesota, na primeira semana de setembro de 2008.

A polícia de Minneapolis revistava um ônibus. E há declarações segundo as quais “ao cair a tampa de um contêiner, todos sentiram odor típico de fezes humanas que vinha do ônibus” – segundo o Centro de Jornalismo Investigativo. [2] O ônibus pertencia a Stan e DeLyla Wilson. A polícia fez contato com um “centro de fusão” [3] em Montana e descobriu que os Wilsons eram ligado à organização Earth First!, que apoiava métodos radicais para deter a degradação do meio ambiente.

O “odor”, como depois se viu, vinha de cinco galões de “ração para galinhas”, não de urina ou fezes. O ônibus dos Wilsons foi levado para um ponto deserto da rodovia, por suspeitas de que contivesse outras substâncias, mas nada foi encontrado.

Durante os protestos contra reunião da Free Trade Area of the Americas (FTAA) em Miami em 2003 (quando o “modelo Miami” foi usado pela primeira vez), a polícia de Miami preparou para resistir a um ataque de urina e fezes. Quando o ataque não aconteceu, a polícia declarou que nem por isso os temores policiais seriam injustificados. O sargento Denis Morales, porta-voz do departamento de polícia, disse à impressa, ao apresentar as “armas” que os manifestante haviam planejado usar contra a polícia:

“Infelizmente não podemos exibir as garrafas de urina nem as fezes que os manifestantes planejavam usar.” Afirmou que “agentes não uniformizados” misturados à multidão de manifestantes haviam detectado, antes das manifestações, a presença daqueles “objetos potencialmente ameaçadores”.

Todos os discursos sobre policiais agredidos com urina e fezes não passam de mito. Como David Solnit escreveu em dezembro de 2011:

“Manifestantes que lançam urina e fezes contra policiais” é um dos mitos que as autoridades usam para criminalizar os protestos desde Seattle, embora nada comprove a ocorrência desse tipo de agressão em Seattle nem em qualquer outro evento de protesto global. É mais um mito que se criou para encobrir e, de algum modo justificar, a violência contra as liberdades civis e a violência policial contra manifestantes. 

Para o militante David Meieran, do Grupo “Salve Nossas Liberdades Civis”, “É parte de um espectro de estratégias de guerra de informação que o Estado usa para reprimir qualquer oposição ou dissidência. ‘Urina e fezes’ deve ser analisado no contexto mais amplo da completa ignorância dos policiais sobre tudo que tenha a ver com manifestações populares e eventos sociais de protesto. Temos ouvido a mesma linguagem e expressões similares em praticamente todas as cidades onde há manifestações populares (policiais agredidos com ‘urina e fezes’; ‘no tempo dos pais de vocês isso não acontecia’ etc.).”  [4]

Mas, como a maioria dos policiais trata os manifestantes como seres que ameaçam gravemente a ordem pública, em vez de os verem como cidadãos que exercem o direito de discordar, garantido pela 1ª Emenda da Constituição dos EUA, não surpreende que o mito se perpetue.

Os novos escudos são mais um símbolo da mesma ideia sobre o que seja a lei e a aplicação da lei, resposta a gente ‘inferior’ que se atreve a protestar, e que os policiais desprezam, porque não entendem que alguém se atreva a protestar contra a realização, na cidade, de um evento de grande significação, como a reunião do G8. Tampouco em Miami os policiais tinham qualquer ideia aproveitável sobre os protestos contra o ALCA. Antes das manifestações, os policiais falavam sobre “táticas de Seattle” que seriam usadas pelos manifestantes em Miami, que envolviam coquetéis Molotov, porretes, pistolas d’água carregadas com urina ou ácido, e perigosos estilingues que disparariam bolas de aço ou projéteis maiores”. São praticamente as mesmas palavras que se ouviram da polícia de New York, a qual, durante a Convenção Nacional dos Republicanos em 2004, alertava para a presença, na Convenção, de “militantes treinados em técnicas de sequestro, produção de bombas de fabricação caseira e de munição artesanal de vários tipos”.

Dado que a imprensa-empresa nos EUA é sempre absolutamente reverente, quando se trata de justificar violências praticadas pela polícia (até, pelo menos, que jornalistas comecem também a apanhar da polícia ou são feridos à bala por policiais), a promoção de mitos como os “sacos de urina e fezes atirados contra os policiais” por manifestantes e agitadores é recurso útil, que dá cobertura aos policiais quando se põem a prender cidadãos preventivamente, nas semanas que antecedem eventos em relação aos quais a polícia teme que haja protestos de rua. Os “centros de fusão” produzem e distribuem informação sobre a vida pessoal dos ativistas. Alguns desses cidadãos já tiveram seus nomes publicados na imprensa, associados à ameaça de violência em manifestações que a polícia prevê que aconteçam durante a reunião do G8-OTAN, em maio, em Chicago. É também recurso de que a polícia se serve para intimidar outras pessoas menos habituadas a participar de manifestações públicas, por mais que desejem engajar-se nos protestos.

O jornal Chicago Sun-Times oferece hoje uma prévia da operação de demonizar e apresentar como agitadores perigosos quem se manifeste contra os encontros do G8-OTAN; e, simultaneamente, também da operação de apresentar os próprios policiais como “salvadores” dos encontros G8-OTAN. 

Os escudos “à prova de urina e fezes” são boa amostra da quantidade de informação distorcida e de desinformação, em “declarações” de funcionários da prefeitura de Chicago, oficiais de polícia, empresários e líderes políticos, que será apresentada à opinião pública como informação verdadeira e confiável. 

Ironicamente, tanta desinformação pode acabar por prejudicar, em primeiro lugar, o próprio prefeito Emanuel.

Estimulados e alimentados pela atual onda de desinformação e de demonização “preventiva” dos manifestantes e dos protestos esperados para maio em Chicago, muitos já dizem que as autoridades jamais deveriam ter concordado com a ideia de realizar na cidade o encontro do G8-OTAN – que deixará a população exposta “a protestos violentos”. Moradores já reclamam do custo de organizar a reunião e do alto risco de “danos às propriedades” (outra ameaça que a polícia não se cansa de repetir, para justificar as compras e as medidas de violência “preventiva” em curso).

O que o prefeito esperava ganhar em prestígio e honra, por Chicago hospedar a reunião do G8-OTAN em maio, pode rapidamente cair abaixo de zero. 



Notas dos tradutores
[1] 14/2/2012, Chicago Sun Times, “City buys face shields to protect cops from G-8 protesters
[3] Orig. fusion center. São centros para concentração e partilha/distribuição de informações de segurança, a maioria dos quais foram criados por projeto conjunto entre o Departamento Nacional de Segurança Interna e o Departamento de Justiça dos EUA, entre 2003 e 2007.