quarta-feira, 6 de julho de 2011

10 ideias para que as novas democracias árabes nascentes consigam evitar os erros dos EUA (resenha)


Resumo dos comentários surgidos entre os tradutores da Vila Vudu:

O Prof. Juan Cole publicou hoje, 6/7/2011,  em seu blog “Informed Comment”, uma carta aberta aos árabes: “10 ideias para que as novas democracias árabes nascentes consigam evitar os erros dos EUA

Várias daquelas ideias não são novidades no Brasil (o voto obrigatório, por exemplo, geraria melhor democracia que o voto facultativo; marcar eleições aos domingos ou tornar feriados os dias de eleições, também (“nos EUA, os “barões ladrões” marcavam eleições em dias de trabalho, para que os trabalhadores não votassem”); separar estado e religião, idem; alistamento eleitoral obrigatório, idem; manter exércitos de defesa, mais que de ataque, idem.

Algumas são mais fáceis de dizer, que de fazer (“não permitam que os judiciários se politizem”, “cuidem de garantir todo o poder aos sindicatos de trabalhadores” e “criem leis que impeçam os monopólios”, por exemplo).

Mas uma delas – não por acaso a primeira da lista – essa, sim, é receita garantida para democracia MUITO melhor que a dos EUA e do Brasil.

Juan Cole
1. As campanhas políticas contemporâneas nos EUA dependem pesadamente de tempo comprado às redes comerciais de televisão. Na Grã-Bretanha os anúncios de candidatos por televisão são controlados; na Noruega são completamente proibidos. Considerem a possibilidade de proibi-los completamente. Mas, decidam o que decidiram, proíbam, por lei, que os canais privados de televisão sejam pagos para exibir anúncios de campanhas eleitorais. Os custos dos anúncios eleitorais por televisão correspondem a 80-90% dos custos de uma campanha presidencial nos EUA. A próxima campanha eleitoral custará, a cada candidato, 1 bilhão de dólares. 

O único modo pelo qual alguém pode aspirar a ser eleito é arrendando-se aos bilionários e às grandes empresas e corporações. O povo não tem poder algum para eleger seja quem for, vitimizado pelos ultra-ricos que, nos EUA, já capturaram toda a “mídia”, e acaba por eleger o candidato menos pior. Considerem a possibilidade de proibir anúncios pagos a redes comerciais de televisão nas campanhas eleitorais; imponham regras e sanções pesadas, porque, se a coisa ficar só na lei, os muito ricos sempre comprarão, para seu uso exclusivo, além das campanhas e candidatos, também os presidentes, deputados, senadores etc.”

E o Prof. Cole conclui:

“Se aplicarem a regra n. 1, acima, para manter o “big money” longe das campanhas eleitorais, terão boa chance de combater as práticas monopolistas, Hoje, os EUA são governados por um pequeno número de semimonopólios, e o Departamento de Justiça quase nada pode fazer contra eles, porque, de fato, os monopólios elegem, pela televisão e pelos jornais, os candidatos que devem regular os monopólios....

Para os EUA, talvez já seja tarde demais. O Estado de Segurança Nacional e o poder das corporações já são tão extensivos que até a Constituição dos EUA já está derrotada. Há nos EUA 2 milhões de norte-americanos encarcerados, como num gigantesco gulag, muitos por crimes pequenos, ou pela cor da pele. Ultimamente, não fazemos outra coisa além de guerrear em terras distantes, nossos jovens mandados para morrer (e matar) longe, por ação de um ou outro interesse econômico jamais expresso com clareza. Somos revistados nos aeroportos, onde policiais nos veem nus. Nossos telefones são grampeados. A internet é censurada. Os trabalhadores dos EUA já praticamente não têm nenhum direito democrático significativo e perderam, recentemente, até o direito ao atendimento público de saúde. A luta contra os interesses da indústria da saúde privada enfureceu os bilionários, e os levou a inventar “movimentos” apalhaçados como o “Tea Party”, que nada mais são que a fachada que se vê de gente como os irmãos *Koch. Nunca ouviram falar dos *irmãos Kock? Pois se não tomarem as medidas que sugiro, vocês logo conhecerão versões árabes daqueles dois.” 

*Sobre os irmãos Kock, verOs irmãos bilionários que comandam a guerra contra Obama”, 30/8/2010, Jane Mayer, The New Yorker (em português)

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