quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Índia promete apoio a Karzai (e corteja o Irã)

EUA versus Afeganistão
5/10/2011, *M K Bhadrakumar, Asia Times Online
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu
  

A visita de dois dias, do presidente Hamid Karzai, à Índia, é presságio de importante realinhamento das potências regionais em relação ao problema afegão. A Índia tomou decisão cuidadosamente pensada de assumir papel chave no chamado “fim de jogo” no Afeganistão, consideradas suas aspirações como potência regional e na defesa do que entende que sejam seus interesses vitais, numa situação que ainda está em desenvolvimento no que tenha a ver com os legítimos interesses dos indianos. 

Mas a Índia não deixará de enfrentar oposição a esse recente “pro ativismo”, com desafios relacionados a rivalidades regionais; o modo como essas rivalidades reagirão ainda não é claro. As nuvens no horizonte podem ter ficado um pouco mais escuras, a partir do momento em que o jato presidencial de Karzai decolar da capital da Índia, na 5ª-feira. 

Karzai, ele também, tinha em mente um objetivo e uma missão, ao partir para Delhi. No final da tarde de 2ª-feira, véspera da viagem à Índia, falou francamente sobre a questão política. Sua política de reconciliação com os Talibã chegou a um beco-sem-saída e, para abrir uma saída, Karzai tem de obter nova autorização de uma loya jirga (assembleia tribal), que terá de reunir-se para esse fim. 

Karzai culpou o Paquistão, que não teria contribuído para o processo de paz; mas, simultaneamente reconheceu que deveria ter conversado com Islamabad, independente de isso ser o que os EUA e a comunidade internacional desejavam que fizesse – e apesar da onda de sentimentos “anti-Paquistão” que cresce em vastos setores da sociedade afegã, e apesar da profunda resistência que há na sua própria coalizão de governo contra qualquer entendimento com o Paquistão sobre os Talibã. 

A liderança em Kabul tradicionalmente sempre recorreu à Índia como um contrapeso para o Paquistão. A visita de Karzai a Delhi (segunda visita em sete meses) encaixa-se nesse molde; mas o que dá dimensão mais ampla à missão de Karzai é que, hoje, seus principais aliados domésticos – grupos que pertencem à velha Aliança do Norte – também são forças intimamente associadas com a Índia nos últimos vários anos. 

Seus dois vice-presidentes Mohammed Fahim and Karim Khalili foram figuras de destaque na resistência anti-Talibã, promovida pela Índia; e Fahim, sobretudo, é herdeiro da máquina de guerra do falecido Ahmad Shah Massoud, sempre substancialmente apoiado pelo establishment de segurança da Índia durante a resistência anti-Talibã no final dos anos 1990s. 

Se Delhi decidiu assumir abertamente seu apoio ao eixo de poder Karzai-Fahim-Khalili que vai tomando forma em Kabul, foi porque a liderança política na Índia optou por aceitar várias razões de peso que lhe foram expostas pelo establishment de segurança da Índia.

Em primeiro lugar e principalmente, há a profunda desilusão quanto às políticas dos EUA e o sentimento resultante de que a Índia tem de seguir rumo independente, no que tenha a ver com o Afeganistão, para salvaguardar seus interesses de segurança. O padrão dos EUA, de alternar momentos de tensão e distensão – embora jamais deixe de depender do Paquistão para avançar em sua estratégia no Afeganistão – irrita o establishment indiano. 

No momento em que imprensa e especialistas indianos concluem que o mais recente abalo pelo qual passaram as relações EUA-Paquistão já foi longe demais para poder ser reparado, Washington outra vez exibe-se aos beijos e abraços com Islamabad. Já se conhecem os primeiros detalhes que comprovam que a CIA-EUA contou com a ajuda do serviço secreto do Paquistão (ISI), para fazer contato com a rede Haqqani; e que os EUA garantiram aos Haqqanis um lugar no governo do Afeganistão. 

O fato de EUA e Paquistão estarem trabalhando juntos para prestigiar a rede Haqqani (que os indianos consideram responsável pelos dois atentados mortais contra a embaixada da Índia em Kabul) e trazê-la para o processo de paz horroriza Delhi e desmente todas as garantias que os norte-americanos repetem incansavelmente nos contatos com funcionários indianos. 

Além disso, Delhi está convencida de que o Paquistão planejou o assassinato do presidente do Alto Conselho de Paz Afegão, Burhanuddin Rabbani, aliado da Índia, como parte de plano construído para remover do tabuleiro, sistematicamente, todas as figuras políticas capazes de desafiar a supremacia dos Talibã no próximo governo, sobretudo agora, que a retirada dos soldados dos EUA está em ritmo acelerado.

Estratégia de três braços

No contexto do diálogo com o Paquistão, a liderança da Índia já se autoconteve, e obteve significativos avanços nos seus interesses no Afeganistão nos últimos tempos; mas o establishment de segurança da Índia parece ter concluído que Islamabad não pára de aumentar a pressão, com vistas a exterminar qualquer influência da Índia em Kabul, num cenário futuro dominado por seus amigos Talibã e assemelhados. 

Delhi, além disso, absolutamente não confia na eficácia do plano de retirada do presidente Barack Obama. Por ironia, a Índia partilha o mesmo ceticismo já manifestado pelo comandante do exército paquistanês Pervez Kiani, que também não acredita em 2014 como prazo limite para que as forças afegãs assumam plena responsabilidade; nas atuais circunstâncias, esse prazo não é realista. 

Assim sendo, a Índia está assumindo as rédeas, por assim dizer, e fará o que puder para garantir que a estrutura de poder que hoje governa Kabul (sempre muito aberta em relação à Índia) ganhe cada vez mais capacidade para manter-se lá, no futuro próximo. 

O resultado concreto da visita de Karzai à Índia desdobra-se em três aspectos e deixa ver o alcance do que os indianos estão pensando. 

Primeiro, a Índia está outra vez posicionada, pela primeira vez depois da era Talibã, para ocupar o papel que lhe cabia antes de os mujaheedin tomarem o poder em 1992, quando o Afeganistão vivia sob regime comunista – a saber, o papel de mentor das forças de segurança afegãs. 

Segundo, Delhi posiciona-se para ter papel destacado na exploração dos recursos minerais multitrilionários que há no Afeganistão. 

Terceiro, Índia e Afeganistão decidiram trabalhar suas respectivas grades de cooperação bilateral com o Irã, com vistas a desenvolver uma rota de comércio e trânsito até o território iraniano, que não passa por território do Paquistão. 

A Índia vê os grupos não pashtuns no centro e norte do Afeganistão como trincheira erguida contra a volta dos Talibã ao poder no país. Mas a Índia repetirá sempre que seus contatos com aqueles grupos dar-se-ão estritamente no contexto de relação entre estados, dada a alquimia da estrutura política que apoia Karzai em Kabul. 

A questão é que os corpos de oficiais tadjiques dominam, na prática, as forças afegãs, e Delhi pode confiar neles para a resistência contra a volta ao poder de grupos como os Haqqanis apoiados pelo Paquistão. Em resumo, Delhi está virtualmente de volta à raison d'être de sua política de apoio à Aliança do Norte, no final da década dos 1990s. 

Delhi não descarta a possibilidade de que ecloda outra guerra civil no Afeganistão. Está revivendo seu interesse em tornar “operativa” uma pista de pouso que construiu no Tadjiquistão, com fundos próprios; e já pediu permissão a Dushanbe para reabrir um hospital militar que construiu no final dos anos 1990s em Farkhor, na fronteira afegã, para oferecer tratamento médico aos combatentes da Aliança do Norte que enfrentavam os Talibã. 

O Paquistão com certeza já percebeu o futuro papel da Índia como mentora das forças afegãs e a decisão, de Delhi, de ressuscitar sua infraestrutura no Tadjiquistão que sempre serviu para dar suporte às milícias da velha Aliança do Norte, como movimentos que ameaçam os “legítimos interesses” do Paquistão no Afeganistão. O cenário está montado para uma eclosão das animosidades entre Paquistão e Índia. A resposta “assimétrica” do Paquistão no passado sempre assumiu a forma de ataques terroristas contra interesses indianos. 

Na Índia, a contenção foi recomendável, quando o país enfrentou o terrorismo; mas já há uma escola de pensamento na comunidade estratégica da Índia para a qual é hora de a Índia declarar que o Paquistão blefa. Seja como for, a Índia parece estar antevendo tempos difíceis e já iniciou manobras militares massivas, previstas para durarem dois meses, na fronteira de deserto com o Paquistão, no setor do Rajastão, com mais de 20 mil soldados da Força Aérea e de grupos de assalto, com a ambiciosa agenda de testar planos de ofensiva para capturar e manter território interior do inimigo. 

Em segundo lugar, Delhi está encorajando os empresários a investir em recursos minerais no Afeganistão, com vistas a posicionarem-se como “acionistas” no país. Delhi está implementando uma política de aquisição de “ativos” estratégicos no exterior, e os vastos recursos minerais do Afeganistão são vasto campo para investimentos indianos. 

As empresas indianas gigantes também têm manifestado interesse na ideia. Um consórcio indiano prepara-se para participar da concorrência para explorar as minas de ferro Hajigak no Afeganistão, de reservas estimadas em 1,8 bilhões de toneladas. Os dois memorandos de entendimento assinados durante a visita de Karzai a Delhi – sobre exploração de minérios e o desenvolvimento de hidrocarbonetos – marcam o interesse que os dois países partilham por facilitar grandes investimentos indianos no Afeganistão. 

Fato é que os movimentos da Índia nesse campo serão atentamente observados por outros países, especialmente China e EUA, já empenhados até o pescoço, à caça dos recursos naturais na Ásia Central. Pela primeira vez na era pós-soviética, a Índia abre asas na região, à procura de “ativos”. Apesar de estar bem atrasada no processo, em comparação com a China, a Índia parece considerar que o jogo está longe de acabar. 

Em terceiro lugar, a Índia precisa dar urgente atenção ao principal desafio à frente – a falta de rota para trânsito e comércio até o Afeganistão –, e a visita de Karzai foi excelente oportunidade para consultas. Delhi falou vagamente durante mais de uma década sobre a importância de uma Rota da Seda via o Irã, mas, agora, surgiu uma e urgente pressão crítica: a Índia não pode esperar ter política efetiva para a Ásia Central, enquanto não tiver rota de acesso viável e confiável até lá. 

Delhi vê o Irã como parceiro ideal a escolher para essa questão. Apesar de o clima ter melhorado nas relações Índia-Paquistão e de haver hoje regime de comércio mais distendido entre os dois países, ninguém em sã consciência em Delhi espera que Islamabad facilite para a Índia uma rota de comércio e laços de investimentos com o Afeganistão, onde os dois países são rivais. 

O Paquistão fincou pé contra a implementação do acordo de comércio e trânsito que assinou com o Afeganistão sobre forte pressão dos EUA. A Índia não vê qualquer possibilidade de o Paquistão incluí-la nesse tratado, como propagandeiam os EUA.  

A Índia também está longe de qualquer otimismo sobre o grandioso projeto dos EUA para uma Rota da Seda que ligaria as regiões do centro e do sul da Ásia, que, provavelmente será apresentada como grande projeto regional, em conferência que se iniciará em Istambul dia 2/11/2011. 

O Irã volta a ser cortejado 

E assim, finalmente, depois de quase cinco anos de negligência e descaso, Delhi começa a tirar a poeira do quadro da cooperação estratégica entre Índia e Irã. Não é tarefa fácil, porque Teerã sempre manifestou profundo ressentimento por Delhi ter cedido a pressões dos EUA (e dos israelenses) e deixado que se atrofiassem os laços com Teerã. Mas já houve um reinício, de fato, dramático, recentemente, com Delhi empenhada em conseguir encontro bilateral do mais alto nível (proposta que Teerã aceitou imediatamente). 

O fato de que o encontro do mês passado entre o primeiro-ministro da Índia Manmohan Singh e o presidente do Irã Mahmud Ahmadinejad tenha acontecido em New York – em solo norte-americano – já é, em si, carregado de simbolismo político. Não há dúvidas de que Delhi preparava o terreno para a já esperada visita de Karzai. 

Manmohan parece estar pessoalmente empenhado em soprar nova vida na parceria estratégica Índia-Irã, a mesma que muitos o acusam de ter sufocado nos últimos anos, em deferência aos desejos de EUA. 

A reaproximação entre Índia e Irã coincide com a reaproximação também com o Paquistão. O Irã será agora assiduamente cortejado pelos dois rivais sul-asiáticos. O Paquistão trabalhará para forjar uma matriz de interesses comuns com o Irã, no que tenha a ver com a situação afegã; o mesmo fará a Índia. O modo como o Irã distribua e equilibre suas muitas escolhas agora possíveis formarão interessante padrão para toda a política regional. 

O Paquistão fará o que puder para evitar que se repitam os anos 1990s, quando o Irã partilhava interesses comuns com a Índia, contra o regime dos Talibã; só será possível se Islamabad acomodar os interesses do Irã no Afeganistão. Delhi, por sua vez trabalhará para dividir com Teerã suas preocupações sobre o risco de forças islâmicas com tendência wahhabista – que já mantiveram laços estáveis com a al-Qaeda – voltarem ao poder em Kabul. 

O Paquistão considerará que a chave para manter a Índia fora do tabuleiro da Ásia Central e do Afeganistão dependerá de sua habilidade para “neutralizar” o Irã. A Índia, ao contrário, considerará a cooperação com o Irã como parte essencial de sua estratégia rumo ao Afeganistão e à Ásia Central. 

Essa curiosa virada na política regional dá ao Irã vasto espaço estratégico para manobras vis-à-vis os EUA. A estratégia de “contenção” de Washington em relação ao Irã será virtualmente tornada sem efeito se for ignorada por Índia e Paquistão e os dois países forjarem laços estratégicos com Teerã. 

Os EUA, inevitavelmente, verão com inquietação o “pro ativismo” da Índia no Afeganistão, dado que esperam trabalhar com o Paquistão para reconciliar os Talibã e trazer para a mesa de negociações os intransigentes Haqqanis. Outra vez, a Índia identifica-se, pode-se dizer, como o mais forte apoiador de Karzai na região, num momento em que os EUA estão visivelmente desiludidos com Karzai e contam com o restante de seu segundo mandato para afastá-lo, seja como for, de modo que, em 2014, outro presidente possa ser empossado em 2014 em Kabul. 

Os EUA e seus aliados ocidentais e a oposição afegã já festejaram abertamente algumas indicações que Karzai parece ter dado, de que não tentará reeleger-se para um terceiro mandato (proibido, além do mais, pela Constituição afegã), mas sabem, evidentemente, que o ousado presidente afegão é homem de agudos instintos políticos e nada garante que esteja, mesmo, decidido a sair de cena. O apoio irrestrito que a Índia está oferecendo a Karzai pode vir a ser uma dor de cabeça para os EUA e seus aliados que trabalhem para derrubá-lo. 

Delhi, por sua vez, avaliará que seus interesses estão mais bem defendidos numa aliança com Karzai e seus velhos aliados da Aliança do Norte que mantenha Karzai no poder. Em resumo, a coalizão de Karzai, na qual se reúnem poderosos satrapas do norte, atende bem aos interesses da Índia. A forte expressão de apoio a Karzai, que se ouviu do primeiro-ministro da Índia, não deixa dúvidas sobre o que pensa o establishment de segurança em Delhi: que a Índia deve fazer o que estiver ao seu alcance para fortalecer a resistência anti-Talibã no Afeganistão. 

Em conferência de imprensa, ao lado de Karzai, anteontem, Manmohan disse: “A Índia estará ao lado do povo do Afeganistão, no momento em que se preparam para assumir a responsabilidade pelo próprio governo e pela própria segurança, depois da retirada das forças internacionais em 2014.” 

Karzai realçou a confiança nesse compromisso assumido pelos indianos; disse que o acordo estratégico com a Índia, assinado naquela visita, foi o primeiro acordo daquele tipo que o Afeganistão conseguiu construir. Para muitos, parece ter dito, nas entrelinhas, que está preparado para garantir à Índia o lugar de honra, como um de seus aliados mais valiosos. (Prevê-se que o acordo estratégico EUA-Afeganistão seja assinado na Conferência de Bonn, em dezembro.) 

Outra vez, a decisão de Afeganistão e Índia, sobre uma rota de comércio e trânsito via o Irã incomodará gravemente os EUA. O principal objetivo do projeto “Rota da Seda” dos EUA com o Afeganistão como centro regional, e que está sendo continuado com aliados europeus, visa, precisamente, a excluir o Irã (e a Rússia) no “novo grande jogo”. E, agora, Delhi, mostra dar preferência ao Irã, para obter rota de acesso que ligue a Índia à Ásia Central (e à Rússia). 

Em termos gerais, Washington não apreciará esses novos movimentos da Índia no Afeganistão, mesmo que não jogue água fria no entusiasmo de Delhi quanto ao regime de Karzai. O representante especial dos EUA para o Afeganistão, Marc Grossman, chega essa semana para visita oficial à Índia. Trabalhará o mais que possa para obter explicações racionais de seus interlocutores indianos; ouvirá muito, mas falará pouco, ou nada. 

A grande questão, pois, permanece sem resposta: Será Delhi capaz de fazer avançar agente própria e tão ambiciosa, de completa parceria estratégica com o Afeganistão? As esperanças subiram muito durante a visita de Karzai, mas não se podem esquecer as ravinas políticas que minam as políticas da Índia. 

A Índia não tem currículo de que se possa orgulhar, em matéria de cumprir compromissos com seus “aliados” (não só afegãos). Várias vezes a Índia deixou sem cumprir compromissos assumidos em pontos críticos com a Aliança do Norte, apesar do que alegou, quando a máquina de guerra dos Talibã rolava pela região de Amu Darya. Karzai, além do mais, sabe que o Paquistão é elemento central em qualquer processo afegão de paz e que a Índia de modo algum substituirá o Paquistão. 

A situação em torno do Irã é crucialmente importante para todas as políticas dos EUA para o Oriente Médio e é possível que o atual governo da Índia não tenha ‘pegada’ suficiente para atos de aberto desafio estratégico contra Washington. As elites indianas não estão inclinadas a admitir que surja qualquer contradição séria na parceria estratégica entre EUA e Índia, nas questões da região – embora encarem com extremo desprazer as aberturas que Washington tem feito na direção de Pequim, para que se aproxime como fornecedor de segurança no Afeganistão e como “acionista” da estabilidade regional do sul da Ásia. 

O que se pode dar por garantido, hoje, é que o establishment militar e de segurança da Índia parece ter marcado importantíssimo ponto de propaganda, contra seus rivais em Rawalpindi e Islamabad, ao alcançar, depois de seis anos de esforços persistentes, o status de mentor das forças armadas afegãs. A comunidade estratégica dá sinais de estar reconhecendo que a Índia, afinal, alcançou o status de player no “grande jogo”. 

Haverá conselheiros militares indianos no Afeganistão? Se houver, a liderança política da Índia não deverá deixar de dar a máxima atenção possível ao sombrio risco de que o nascente diálogo de paz com o Paquistão desintegre-se muito rapidamente. É altamente improvável que Islamabad (ou Washington) admita presença militar da Índia no Hindu Kush. 

Ao cabo de tudo, Delhi bem fará se lembrar também que todo o apoio que deu ao regime de Mohammad Najibullah – apoio político, militar, de segurança e econômico – foi pouco e não conseguiu impedir o colapso daquele governo em 1992, quando os mujahideen bateram às portas de Kabul. 

Embaixador *MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Asia Online. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

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