quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Clinton oferece a palma da paz ao clã Haqqani

12/10/2011, MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu


Ver também
29/7/2010 – “O Paquistão e suas batalhas”.


A secretária de estado Hillary Clinton sinalizou abertamente, em entrevista à Reuters [1] que Washington está aberta a conversações com a rede Haqqani. Disse, em essência que o inimigo de hoje pode ser o interlocutor de amanhã, na busca da paz. Assim como hoje os soldados dos EUA e da rede Haqqani estão-se matando uns os outros, também podem perfeitamente, ao mesmo tempo, estar em conversações.  

É verdade. Assim se decidem as guerras. No Vietnã, os guerrilheiros comunistas mantinham fogo cerrado contra os EUA, mesmo durante a contagem final, quando a evacuação dos norte-americanos já estava em andamento, do telhado da embaixada dos EUA em Saigon. Clinton deixou claro que os EUA optaram por não incluir os Haqqani na lista de organizações terroristas – o que criaria grave dificuldade para os futuros negócios dos EUA com o clã.

É muito significativo o momento em que Clinton faz esse aceno aos Haqqanis. Haji Malik Khan já está sob custódia dos EUA, em local ignorado, há mais de uma quinzena [2]. Khan é um dos mais altos líderes do clã Haqqani e parente próximo de Jalaluddin e Siraj. Presumivelmente, já houve contatos com os Haqqanis, [3] e Clinton pôde avançar nas medidas de “construir confiança”, com aquela declaração pública. Esse tipo de sinal é típico da diplomacia de bastidores. Pelo tom conciliatório da fala de Clinton, pode-se supor que os contatos estejam numa fase preliminar.

A Índia tem de mover-se com muito cuidado no front afegão. Entre hoje e a próxima conferência de Bonn, em dezembro, as coisas podem avançar muito rapidamente. Para assegurar-se, os EUA quererão engajar seriamente os Talibã, desde o primeiro momento. Esperava-se que os Talibã pudessem ser persuadidos a participar do processo em Bonn. Ainda há chance de que isso aconteça. Desnecessário dizer que tudo depende da rapidez com que os EUA consigam persuadir o Paquistão a cooperar.

Restam algumas outras questões. Que lugar resta a Hamid Karzai, nesse quadro? E, claro, o que acontecerá agora, com o acordo estratégico Índia-Afeganistão? Não há respostas fáceis. Que surpreendente virada [4] estamos vendo acontecer, afinal de contas, no Grande Jogo!



Notas dos tradutores (em inglês)

[2] 10/10/2011, em:The capture of Mali Khan
[4] 11/10/2011, em: “A twist in the Great Game

Embaixador *MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Asia Online. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

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