sexta-feira, 7 de outubro de 2011

“Occupy Wall Street” e os políticos, mas Obama continua em silêncio

John Nichols



5/10/2011, John Nichols, The Nation
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu





Ler também:
6/10/2011, Vijay Prashad, Counterpunch– “Capitalismo zumbi e a esquerda pós – Obama”   
30/9/2011 – Chris Hedges, Commondreams, #OccupyTogether: Eles são os melhores de nós 
29/9/2011, DJ Pangburn, The Occupy Wall Street Journal

A virada política do movimento Occupy Wall Street aconteceu na 4ª-feira, quando líderes do Bloco Progressista no Congresso [orig. Congressional Progressive Caucus] e do Bloco Negro no Congresso [orig. Congressional Black Caucus] uniram-se ao senador Bernie Sanders (Independente, Vermont), para apoiar o movimento crescente em todo o país que desafia a ganância das corporações e a política corrupta.

Em dia que assistiu a milhares de sindicalistas, ativistas comunitários e apoiadores do Partido das Famílias Trabalhadoras de New York marcharem em solidariedade com os protestos em New York, o deputado John Larson, Democrata de Connecticut, 4º colocado no Bloco do Partido da Câmara de Deputados, declarou que “As massas silenciosas deixaram de ser silenciosas”.

Tampouco estão silenciosos os grupos progressistas. Embora alguns sindicatos, sobretudo os Metalúrgicos Unidos [orig. United Steelworkers], em termos nacionais, e a divisão Local 100, de New York, dos Trabalhadores nos Transportes, tenham manifestado apoio desde os primeiros dias, ainda mantinham-se marginais – até a 4ª-feira. Grupos liberais, como MoveOn e Democracy for America declaram-se solidários ao movimento e começaram a levantar fundos para apoiar a iniciativa. O sindicato Teamsters [International Brotherhood of Teamsters, IBT (Irmandade Internacional dos Caminhoneiros)], de 1,4 milhão de membros, também se alistou; o presidente James Hoffa disse:

“Ninguém se surpreenda por Occupy Wall Street estar ganhando apoios e crescendo rapidamente em todo o país. O Sonho Americano já não existe para os estudantes, cuja realidade é endividamento e desemprego. O sonho desapareceu para trabalhadores forçados a aceitar salários achatados por patrões sentados sobre bilhões de dólares de lucro. O sonho desapareceu para as famílias de trabalhadores que pagaram preço alto demais pela ganância, a estupidez, as fraudes de Wall Street.

É bem clara questão de que trata esse movimento. Trata-se de retomar os EUA sequestrados pelos altos executivos e bilionários de Wall Street que destruíram a economia dos EUA. Trata-se de criar empregos. Trata-se de os EUA das grandes empresas tratarem os trabalhadores e os consumidores com justiça e honestidade. Trata-se das grandes empresas pagarem a parte que cabe a elas, para estimular a economia. 

Caminhoneiros de todo o país estão participando do movimento Occupy Wall Street, e estou aqui para apoiá-los e encorajá-los. Estamos solidários com os americanos que querem vida melhor para eles e para as futuras gerações.” 

Sinais semelhantes vieram também de membros chaves do Congresso.
Não surpreendentemente, Sanders foi quem falou mais claramente em apoio ao movimento. Na conferência “Take America Back”, do encontro da Campanha para o Futuro dos EUA, Sanders disse:

“Há os escroques de Wall Street, e uso deliberadamente a palavra – ouçam bem, a palavra é “escroques” – cuja ganância, cuja crueldade, cujo comportamento ilegal causaram essa terrível recessão e tanto sofrimento. Acreditamos nesse país; amamos esse país; e estaremos danados, se continuarmos a ter um punhado de barões ladrões controlando o futuro dos EUA.”

Chama a atenção, considerando a cautela de tantos deputados e senadores eleitos, em relação aos protestos, que Sanders, de fato, tenha proposto um endurecimento na mensagem do movimento anti-Wall Street. “Aplaudo os que protestam lá, na rua, com a atenção focada em Wall Street, mas temos de por carne naquele osso” – disse ele. “Temos de apresentar reivindicações a Wall Street [e] quebrar aquelas instituições.” 

Fazendo eco às palavras de Sanders, ao lado de quem apareceu na 3ª-feira, a deputada Barbara Lee, Democrata da Califórnia que há muito tempo é figura chave do Bloco Negro do Congresso e do Bloco Progressista, Lee disse que “Todos nós deveríamos nos juntar àquele movimento”. 

Na 4ª-feira, os atuais co-presidentes do Bloco Progressista no Congresso lançaram manifesto conjunto celebrando o movimento Occupy Wall Street.

“Sentimo-nos inspirados pelos crescentes movimentos de base em Wall Street e por todo o país. Partilhamos a raiva e a frustração de tantos norte-americanos que veem o enorme dano que uma Wall Street sem qualquer supervisão ou controle causa a vasta maioria dos norte-americanos, beneficiando só os super ricos. Unimo-nos às vozes que clamam por mais transparência nas grandes corporações e empresas e mais oportunidades para a classe média” – disseram os deputados Keith Ellison, D-Minnesota, e Raul Grijalva, D-Arizona. 

Durante todo o verão, os membros do Bloco Progressista no Congresso ouvimos norte-americanos em todo o país contarem como se sentiam, postos do lado errado do muro que separa os ricos e o resto de nós. Na conferência “Speakout for Good Jobs Now!”, que viajou por New York City, Detroit, Milwaukee, Oakland, Minneapolis, Miami e Seattle, ouvimos histórias emocionantes de norte-americanos que ainda lutam para viver o sonho americano, enquanto altos executivos e os super ricos recebem mais e mais isenções de impostos. Estamos com o povo dos EUA que exigem transparência nas grandes empresas. Apoiamos que se usem meios pacíficos para melhorar os EUA.” 

“Estou tão orgulhosa de ver o movimento Occupy Wall Street erguer-se contra a ganância rampante das grandes empresas, e participando pacificamente de nossa democracia”, disse a deputada Louise Slaughter, D-New York, que acrescentou: “É tempo de todos os norte-americanos pagarem a parte justa que lhes cabe pagar, para o bem de todos.”

Dennis Kucinich, Democrata de Ohio, que disputou a indicação dos Democratas para a presidência em 2004 e 2008, também falou com entusiasmo:

Aos jovens, homens e mulheres, que valentemente enfrentam a truculência das autoridades locais para erguer suas vozes contra a corrupção e a manipulação de nossa nação que emana de Wall Street: digo-lhes que sua presença já está fazendo diferença. Vocês estão exercendo o direito mais caro a todos os norte-americanos, o direito de manifestar-se e expressar-se, e, com essa expressão, vocês estão, afinal, conseguindo chamar a atenção da nação.

Para Wall Street, os bilhões de dólares dos “resgates”. Para o povo dos EUA, só “austeridade”. 14 milhões de norte-americanos estão desempregados. 50 milhões não têm qualquer assistência à saúde, e um milhão de famílias, por ano, são despejadas de suas casas por bancos credores. Nossas políticas tomam a riqueza da nação e aceleradamente a entregam nas mãos dos poucos muito ricos.

Precisamos de governo do povo e para o povo. Precisamos de sistema financeiro do povo e para o povo. É hora de retomarmos novamente para nós a nossa nação e retomarmos, para nós, de volta, tirando-o do controle dos grandes bancos, o nosso sistema monetário.

Apresentei recentemente o projeto de lei H.R. - House of Representatives [Câmara de Deputados] n. 2.990, “Lei de Emergência Nacional para Defesa do Emprego”, para pôr o Federal Reserve sob o comando do Tesouro, para pôr fim à prática de só uma parte dos depósitos em dinheiro serem disponível para retiradas [orig.Fractional Reserve Banking [1]] e para retomarmos o controle político de nossa política monetária, para garantir que funcione a favor do povo.

Podemos usar nossa autoridade constitucional para cunhar moeda e pô-la em circulação, para devolver os empregos a milhões de norte-americanos, de um modo que não gerará inflação. É hora de mudanças profundas.”

A disposição dos manifestantes, de ocupar o Federal Reserve já recebeu estímulo de um candidato à presidência, o senador Ron Paul, que disse: “Se estão manifestando-se de forma pacífica, e são afirmativos, e defendem o que nós defendemos, chamando a atenção de todos para o que faz o Federal Reserve, digo-lhe ‘Muito bem!’, ‘Ótimo!’”

E enquanto outros candidatos Republicanos já condenaram os protestos, o presidente Obama, como tantas vezes, mantém-se em silêncio.

O secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney, disse apenas que “entendemos, na medida em que as pessoas estão frustradas com a situação econômica”.



Nota dos tradutores
[1] Mais, sobre isso, em Fractional Reserve Banking .

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