sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Hanoi acerta o olho do alvo


Da série: Há mundo além do que o Grupo GAFE – Globo-Abril-Folha-Estadão – repete e repete e repete (até quando?!), de agências norte-americanas

12/10/2011, *MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Truong Tan Sang
Essa semana pertence à diplomacia do Vietnã. Seguindo um cronograma perfeito, o presidente Truong Tan Sang viajou à Índia, ao mesmo tempo em que o secretário do partido comunista Nguyen Phu Trong partiu para Pequim. Sang garantiu um acordo em New Delhi na 4ª-feira, para promover a exploração de petróleo no Mar do Sul da China. No dia anterior, Trong garantira acordo, assinado em Pequim, sobre os princípios básicos que orientarão a solução de questões marítimas para fazer do Mar do Sul da China “um mar de paz, amizade e cooperação”. 

Sang presidiu a assinatura de vários acordos de cooperação econômica com a Índia, e o premiê chinês Wen Jiabao disse a Trong que Pequim procura construir laços econômicos e comerciais mais fortes com Hanoi. Sang deu a partida para um diálogo estratégico com a Índia, e Hu Jintao concordou com “fazer avançar aquela parceria estratégica e de cooperação, de modo estável e saudável.” 

Agora, começarão as mensagens de protestos, dos indianos nacionalistas, contra o que vou dizer: a China ganhou mais que a Índia. Por quê? Porque Sang passou três dias na Índia, mas Trong passou cinco dias na China. Significa que a China está 26% à frente da Índia. Os vietnamitas são gente difícil de entender, não é mesmo?! 

Claro, Hanoi fez bem feito o que quis fazer; e trabalhou sozinha. Por estranho que pareça, os vietnamitas conseguiram agradar, simultaneamente, a Índia e a China, ao oferecerem antes a Tata uma fábrica de aço de 5 bilhões e, depois, divulgarem, até o último minuto, que havia dúvidas sobre se a oferta seria mantida. O modelo dos vietnamitas pode, cada vez mais, se converter em modelo de ação diplomática para vários países na região.


Embaixador MK Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu e Asia Online. É o filho mais velho de MK Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.




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