terça-feira, 4 de outubro de 2011

Obama, pelo mundo, à caça de monstros para matar...

John Nichols

1/10/2011, John Nichols, The Nation
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


A autorização dada pelo presidente Obama para o assassinato de um cidadão norte-americano, nascido no Novo México, Anwar al-Awlaki – em ataque de aviões-robôs tripulados à distância [drones] no qual também foi assassinado outro cidadão norte-americano, Samir Khan, criado em New York e na Carolina do Norte – arrancou aplausos eufóricos de Rick Perry, conhecido defensor de assassinatos e execuções sumárias, que parabenizou pessoalmente Obama, por “ter acabado com a raça de mais um terrorista chave”.

Mas o desrespeito à Constituição e ao estado de direito pelos dois partidos nos EUA acabou, quando o senador Ron Paul, Republicano do Texas, foi entrevistado sobre o ataque aéreo da 6ª-feira e o assassinato de dois norte-americanos no Iêmen.

Ron Paul, que disputa com Perry e outros Republicanos a indicação à presidência para as eleições de 2012, há muito tempo protesta contra os abusos da “guerra ao terror”, os quais, para ele, são sinal da “desintegração da jurisprudência nos EUA”.

O senador não vacilou ao rejeitar com veemência a mentalidade de “volta da vitória”, que uniu os Democratas de Obama e os Republicanos de Perry numa mesma celebração pelo assassinato, pelo estado norte-americano, de dois cidadãos norte-americanos.

“Não me parece que esse seja bom modo para enfrentar nossos problemas” – disse Paul em New Hampshire. “Al-Awlaki nasceu aqui; é cidadão dos EUA. Jamais foi acusado ou julgado por qualquer crime. Ninguém tem provas de que tenha matado alguém. Há, no máximo, suspeitas de que tenha tido algum contato com o homem do explosivo na cueca. Mas acho muito triste que os norte-americanos aceitem sem protesto essa execução. Trata-se do assassinato de um cidadão norte-americano e ordenado pelo presidente, que, parece, sente-se com poder para mandar matar quem ele ache que seja ‘o bandido’ da novela.”

Depois de observar que nunca se cogitou de mandar assassinar o terrorista de Oklahoma City, Timothy McVeigh; e que, naquele caso, houve prisão, processo, julgamento e sentença, Paul disse: “Temos de considerar com muita seriedade o fato de que hoje, nos EUA, já é possível mandar assassinar cidadãos norte-americanos sem acusação nem processo nem julgamento.” 

O senador, que há muito tempo critica a extensão da autorização, pelo Congresso, para “resposta radical aos ataques contra o World Trade Center e o Pentágono, e o apoio perpétuo a uma “guerra ao terror”, disse: “Votei a favor de os EUA partirem à caça dos indivíduos responsáveis pelo 11/9. Mas ninguém, até agora, apresentou qualquer prova de que Awlaki tenha participado do 11/9”.

Nos anos 1950s, Republicanos da “velha direita” como o senador (Ohio) Robert Taft e o deputado por Nebraska Howard Buffett (pai de Warren) já faziam cerrada oposição a guerras não declaradas e a aventuras militares. Várias vezes, da tribuna, lembraram os princípios enunciados por James Madison, para quem: “nenhuma nação pode preservar a própria liberdade, se vive em guerra perene.” 

E foi o presidente que sucedeu to Madison, John Quincy Adams, quem alertou contra os perigos de os EUA andarem pelo planeta caçando alvos para assassinar e conquistar militarmente.

“Onde quer que a liberdade e a independência tenham sido ou possam vir a ser ameaçadas, ali estarão o coração dos EUA, suas bênçãos e suas preces” – disse Adams ao Congresso, em 1821. “Mas os EUA não se podem pôr pelo mundo, à caça de monstros para matar.”

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